Mulheres de terceiro mundo

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Mulheres empreendedoras, do terceiro mundo, multitarefadas

Mulheres empreendedoras, do terceiro mundo, multitarefadas

defende que as feministas ocidentais homogeneízam a vida das mulheres de terceiro mundo. Para ela, essas experiências e opressões não podem ser igualizadas, pois como exemplifica, as mulheres da África não podem ser designadas como uma categoria sociológica idêntica, pois dentro desse universo as experiências vivenciadas são distintas, pois há que se considerar o contexto histórico e as diferenças culturais, mesmo no Terceiro Mundo. Além disso, Mohanty (2003) destaca, em sua obra, a exploração capitalista das trabalhadoras do “Terceiro Mundo”: indígenas e imigrantes de cor nos Estados Unidos e Europa Ocidental. Nesse sentido, ela luta para que essas mulheres tenham visibilidade dentro do universo feminista, pois essa ideia de sujeito monolítico, imposta pela teoria feminista ocidental, dissemina uma colonização discursiva sobre as mulheres do terceiro mundo.
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"O Efeito Borboleta": Ecologia e Teologias Feministas da Libertação

"O Efeito Borboleta": Ecologia e Teologias Feministas da Libertação

A outra perspetiva celebra a identificação entre as mulheres e a natureza reivindicando a proximidade da mulher com a terra e a valorização do corpo feminino e dos seus ritmos – por exemplo, Mary Daly (1978). Ora, segundo pensa Pui-Lan (2005, p. 223), mais relevante e mais promissor do que come- çar por discutir categorias filosóficas, será “começar pelos corpos reais de mulheres que experimentaram a conquista, a escravidão e a colonização no passado e que continuam a estar sujeitas ao neocolonialismo, ao militarismo e à exploração económica no mercado global.” Quer isto dizer que perspeti- var a questão das mulheres e da natureza a partir da experiência concreta de milhões de mulheres do Terceiro Mundo significa reconhecer que a relação entre mulher e natureza é complexa, multidimensional e, sobretudo, constitui um grito por justiça. Ou, dito de outra forma, equacionar género e ecologia sem equacionar conjuntamente a questão da justiça poderá, inclusivamente, reforçar os estereótipos que procuram legitimar a subalternização da mulher: a “especial ligação” das mulheres com “a natureza” e com a vida é invocada frequentemente pelos setores religiosos mais conservadores (nomeadamente, católicos) para justificar a permanência das mulheres no mundo privado, por contraposição ao universo “público”, que será entendido como “próprio dos homens” (HENRIQUES; TOLDY, 2012).
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O TERCEIRO MUNDO COMO UM PROBLEMA FILOSÓFICO

O TERCEIRO MUNDO COMO UM PROBLEMA FILOSÓFICO

Vittorio Hösle – O terceiro mundo como um problema filosófico. Tradução por Gabriel Almeida Assumpção Griot – Revista de Filosofia, Amargosa, Bahia – Brasil, v.8, n.2, dezembro/2013/www.ufrb.edu.br/griot 260 qual não pode ser universalizada) de que há um direito natural de ter tantas crianças quanto se quer, dois problemas ainda persistem. Primeiro, não é necessáriamente justo dizer que cada casal tem o direito de ter dois filhos; pois não apenas indivíduos mas também culturas têm direitos. Quando estamos chocados com a taxa de natalidade na África, não devemos nos esquecer de que o primeiro mundo também teve crescimento comparável, e que é a Europa, e não a África, que já está populada de forma extremamente densa. Se todas as culturas fossem tratadas igualmente, aquelas que já pecaram contra auto-constrição demográfica apresentariam vantagem tremenda. Segundo, o número-limite da população mundial depende também de nossas necessidades. Podemos ser muito mais se consumimos menos; e há certamente algo profundamente moral na decisão de viver uma vida modesta, mas ter uma família grande. Não posso deixar de comunicar uma impressão que tive frequentemente em países de terceiro mundo: que as familias pobres com muitos filhos frequentemente pareciam conhecer uma felicidade alheia às famílias ricas com um filho só no primeiro mundo. Não obstante, estou convencido de que, sem uma racionalização de nosso comportamento demográfico, justiça e paz não podem ser adquiridos; o efeito da redistribuição social das chances – por exemplo, uma reforma agrária nos países do terceiro mundo – por exemplo, seria aniquilado em poucas gerações, se o crescimento demográfico continuasse sem ser conferido. Nesse contexto, a emancipação das mulheres em países de terceiro mundo é de máxima importância. Não menos relevante é maior justiça social, pois filhos são as únicas riquezas dos pobres. Existe, todavia, um claro círculo vicioso; pois a racionalização do comportamento demográfico depende da introdução de justiça social, e isso é praticamente impossível sem controles no crescimento demográfico.
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Cruzando fronteiras: prostituição e imigração.

Cruzando fronteiras: prostituição e imigração.

Os debates contemporâneos acerca do tráfico de mulheres enfatizam a inocência e não a consciência dos próprios atos por parte das mulheres, vítimas da exploração. Definidas como sem autonomia e sem capacidade de ação, às mulheres imigrantes e também prostitutas é negada a possibilidade de autonomia sexual. Para Osborne (2004) , a associação “mulheres/crianças” não é uma associação inocente; a ideia que perpassa tal concepção é de que nenhuma mulher consciente, autônoma e independente seria capaz de emigrar para exercer a prostituição. Assim, a equivalência com as crianças – que por definição são legalmente incapazes para decidir – é imediata e bastante útil para certo discurso sobre emancipação feminina que não identifica as próprias hierarquias entre mulheres estabelecidas através desse discurso. Como as crianças, as mulheres do terceiro mundo seriam compreendidas como inocentes e incapazes de tomar decisões a partir de critérios racionais; seriam facilmente enganadas e, portanto, necessitariam de proteção e tutela. Tal perspectiva se apresenta cega à análise das lógicas eurocêntricas que entram em cena quando esse debate se instaura, bem como a discussão sobre a prostituição como um trabalho reconhecido. Assim estão postos os elementos para que se possa associar imigração e prostituição; associação essa bastante problemática e ideologizada como indicado por Davida (2005) .
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As mulheres e o diálogo inter-religioso

As mulheres e o diálogo inter-religioso

Sua vasta experiência intercultural e inter-religiosa fez com que sua produção acadêmica militasse nessa visão de diálogo inter-religioso e ecumenismo, há mais de 3 décadas tem contribuído para um conhecimento profundo acerca da missão cristã e o pluralismo religioso. Uma das principais obras é seu livro intitulado “Missão e diálogo inter- religioso” (2005), que aborda diferentes e importantes aspectos do ecumenismo. “O tema desse livro são as relações externas do cristianismo. Trata-se de como ele percebe as outras religiões, se encontra com as pessoas de outras religiões e se modifica pelo contato com elas.” 22 Ela aborda teologias de diversas partes do mundo, sempre em diálogo com as culturas locais. Uma excelente obra que abre caminhos para reimaginar a missão cristã protestante.
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As mulheres no âmago da precariedade histórica do mundo do trabalho

As mulheres no âmago da precariedade histórica do mundo do trabalho

El artículo es resultado de la discusión on-line a lo largo de la Pandemia de Covid-19 (en el 28 de mayo de 2020) por la Revista Geografía en Atos, llevado a cabo por geógrafas que discutieron la condición de la mujer y sus desafíos en la vida privada y pública, bajo sus tres ejes argumentativos: descripción y trabajo de las profesoras, desafíos al tema de género y contribución de la mujer al conocimiento geográfico. Para estas cuestiones se ha planteado la comprensión que las determinaciones de clase social, género, raza y etnia pasan por una categoría fundamental que nos lleva a la unidad de todas ellas: el trabajo. No hay producción de espacio sin trabajo. Dicha producción se conduce por las relaciones mercantiles que crean patrones sociales de desigualdades que se radican en la propiedad privada capitalista y sus manifestaciones, entre ellas el patriarcado, el machismo, el racismo, la heterosexualidad, y las demás formas de opresión que sostienen el sociometabolismo del capital. Con la reestructuración productiva, la relación de dialéctica entre el trabajo reproductivo (sin costos al capitalismo) y el trabajo productivo/improductivo sigue la funcionalidad de las mujeres a la lógica orgánica de la forma de mercancía, tanto por la reproducción de la vida como por la inserción precaria y desvalorada en el mundo del trabajo.
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Do jardim de infância à escola: estudo longitudinal duma coorte de alunos

Do jardim de infância à escola: estudo longitudinal duma coorte de alunos

O mundo da educação e em particular o da educação dos mais novos é um “mundo de mulheres” e os sujeitos que colaboraram no nosso estudo confirmam a regra: cinco educadoras de infância [r]

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Revistas para mulheres no século 21: ainda uma prática discursiva de consolidação ou de renovação de idéias?

Revistas para mulheres no século 21: ainda uma prática discursiva de consolidação ou de renovação de idéias?

Como Coates (1996) e Fairclough (1995; 2003), acredito que ao usarmos a linguagem, participamos ativamente na construção de significados e é pelo discurso que podemos resistir e subverter esses significados. Embora as revistas femininas sejam um fórum importante para a discussão de problemas das mulheres, e embora tentem por vezes incorporar características de discursos feministas contemporâneos (ao discutir tópicos, por exemplo, como a competição no trabalho ou os transgênicos, na edição de junho 2003 da revista Claudia), pode-se notar que ainda há um predomínio do privilégio da beleza, da juventude, da saúde, da aparência corporal, da moda e da sexualidade, temas freqüentemente apresentados em versões contraditórias que são amalgamadas harmonicamente nas reportagens, propagandas e demais gêneros textuais das revistas.
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O  DAS “CAPACIDADES” COMO VIÉS EMANCIPATÓRIO ÀS MULHERES NA PROPOSTA DE MARTHA NUSSBAUM  Cleidiane Martins Pinto

O DAS “CAPACIDADES” COMO VIÉS EMANCIPATÓRIO ÀS MULHERES NA PROPOSTA DE MARTHA NUSSBAUM Cleidiane Martins Pinto

As mulheres detêm menos direitos e liberdades em todos os países do mundo, não existe nenhuma sociedade em que as mulheres despojam de mais poder que os homens (BEDIA, 1995, p. 66), situações estas que implicam em diferença de salário e divisão sexual do trabalho doméstico capaz de resultar em experiência trágica, refletindo em um alto número de violência e morte contra a mulher. Todo esse infortúnio é causado pelas construções sociais e culturais dos papéis de gênero, uma realidade latente que urge ser modificada, utilizando-se a significação de padrões míninos que precisam ser respeitados, especialmente os propostos por Martha Nussbaum.
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O mundo muçulmano em uma era global: a proteção dos direitos das mulheres.

O mundo muçulmano em uma era global: a proteção dos direitos das mulheres.

Um aspecto importante, se não dominante, da vida no mundo muçul- mano é que a política cultural – um conflituoso processo entre sím- bolos e normas culturais – é inseparável da política sexual – a luta das mulheres por poder e por autoridade nos níveis doméstico, comuni- tário, nacional e internacional. Um dos desafios ideacionais mais vi- síveis no que se refere aos direitos das mulheres no mundo muçulma- no é a questão da identidade de gênero. Durante a maior parte do sé- culo XX, a questão da identidade islâmica dos países muçulmanos moldou o debate sobre o papel e o status das mulheres. Enquanto símbolo da identidade nacional, as mulheres muçulmanas enfrenta- ram o grande desafio de promover a “modernidade” e de “se tornar moderno” sem no entanto perder a integridade de sua cultura. Por muito tempo, elas lutaram para manter sua identidade de uma manei- ra moderna. Entre os símbolos dessa identidade estão, principalmen- te, o “modo de vestir” islâmico e uma alternativa “ordem social/mo- ral islâmica”.
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Economia e ecologia: um efoque global

Economia e ecologia: um efoque global

A tese central de Altvater então se apresenta "Claramente, nem todo mundo pode se tornar fordista" A sua argumentação baseada no engodo dos países do Terceiro Mundo que apostar[r]

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A reconciliação dos riscos profissionais com a preservação de si próprio e da família: influências de género nas opções de carreira na PSP

A reconciliação dos riscos profissionais com a preservação de si próprio e da família: influências de género nas opções de carreira na PSP

Esses constrangimentos, presentes no dia-a-dia de um polícia, levam, em certos casos, a equacionar a possibilidade de deixar o lado mais operacional da vivência profissional, que apesar dos riscos que lhe são inerentes, é a da preferência da maioria. Assim, polícias de ambos os sexos podem chegar a abdicar de uma promoção, como forma de preservarem a sua saúde e a sua família. Mas esta cedência é mais notória nos casos das mulheres e sobretudo nas mulheres com filhos, acabando, não raras vezes, por renunciar a uma evolução na sua vida profissional ou, na impossibilidade de ambos os elementos do casal poderem prosseguir na carreira, desistirem da sua promoção, para que o companheiro possa obter a sua.
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O aborto no Brasil : análise das audiências públicas do Senado Federal (2015-2016)

O aborto no Brasil : análise das audiências públicas do Senado Federal (2015-2016)

discursivos, em seus contextos. Os resultados da dissertação constataram a existência de uma única representação social, considerando a dinâmica existente entre seu núcleo e sua periferia semântica. Essa representação é, enfim, composta por três eixos e cinco classes argumentativas, fundamentadas na noção de indivíduo, na qual o indivíduo-mulher e o indivíduo-feto, na condição de sujeitos de direitos, disputam reconhecimento da sociedade e a proteção do Estado. Uma das possibilidades de suplantar essa perspectiva é apresentada por meio da utilização teórico-política do termo Justiça Reprodutiva, criado pelo movimento de mulheres negras na tentativa de ampliar a perspectiva sobre a compreensão do acesso e direito das mulheres à saúde sexual e reprodutiva, correspondendo à historicidade, às subjetividades, às estruturas sociais e às especificidades da diversidade de mulheres existentes. Assim sendo, o direito ao aborto passa a ser um direito indissociável do direito à maternidade e o direito à garantia que o fruto daquele útero não será morto pelo genocídio ou que não será encarcerado pela mão penal do sistema carcerário seletivo.
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Ascensão e queda do império soviético na África: 1950-1991

Ascensão e queda do império soviético na África: 1950-1991

Mais do que a “mão de Moscou”, a inclinação do Terceiro Mundo, e da África em particular, para a revolução social ou o alinhamento com a URSS foi motivada porque o modelo de desenvolvimento pregado pelas ex-metrópoles não era visto como adequado ou interessante para solucionar os problemas das jovens nações. Muitos dos grupos que capitanearam o processo de independência e se viram no poder após seu trâmite, sabiam que a independência política necessitava igualmente da independência econômica. Um modelo de desenvolvimento voltado para o livre mercado e a iniciativa privada, em países com população largamente analfabeta, rural e que até então era formada por trabalhadores arregimentados pelas companhias metropolitanas, estaria condenado a um ritmo quase geológico, pela inexistência dos instrumentos e condições básicas para a diversificação econômica e a industrialização (e, na melhor das hipóteses, os grupos que habitavam as novas fronteiras nacionais constituíam-se de imigrantes, europeus, indianos ou chineses, e não africanos). O que selou de vez a decisão pela recusa dos padrões ocidentais foi a existência de modelos alternativos (BIALER; MANDELBAUM, 1989, p. 132). O desenvolvimentismo econômico era um fato. O comando econômico pelo Estado havia se demonstrado um sucesso, fosse nas condições da depressão econômica ou das necessidades da guerra. Os políticos mais conservadores tiveram que se curvar ao planejamento (HOBSBAWM, 1995, p. 101), e a possibilidade de condenar a tomada desse caminho pelas novas nações era mínima.
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP HEE JEUNG HONG

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP HEE JEUNG HONG

A cultura na qual o indivíduo está inserido molda sua forma de envelhecer, considerando-se que valores culturais e tradições permeiam a visão que a sociedade tem do envelhecimento. Sociedades que tendem a atribuir mais doenças e sintomas ao idoso são menos propensas a prevenir ou detectar precocemente a doença. O sexo é um viés pelo qual se considera a propriedade ou não de determinadas políticas e como elas afetarão o bem- estar de homens e mulheres. Tradicionalmente, as mulheres têm função de cuidadoras de família, e isso aumenta a possibilidade de pobreza e morbidade na faixa mais idosa. Por outro lado, os homens são mais expostos a lesões debilitantes ou morte por violência, doenças ocupacionais e suicídio. Ainda têm maior chance de desenvolver hábitos de risco, como fumo, consumo abusivo de álcool e drogas.
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Como os movimentos ambientalistas podem ser mais eficazes: priorizando temas ambientais no discurso político.

Como os movimentos ambientalistas podem ser mais eficazes: priorizando temas ambientais no discurso político.

Ainda que no futuro possa haver uma síntese entre estes dois conjuntos de símbolos resumidos que designam prioridade, essa síntese ainda não foi desenvolvida. Por enquanto, no futuro indefinido, eles implicam esquemas de priorização muito diferentes, algumas vezes concorrentes. É importante reconhecer, por exemplo, o poder nos dias de hoje dos discursos em torno de questões de “equidade” e “igualdade” (CONDIT; LUCAITES, 1993), e como estes afetam profundamente como as pessoas debatem as questões ambientais e mesmo como estas são concebidas. Isso não significa que se deva retroceder nas questões de conservação do pouco que ainda resta dos recursos mundiais. Nem se deva relativizar o que realmente é a universalidade do ambientalismo ocidental. É, no entanto, vital considerar que os esforços de conservação precisam estar associados a opções realistas para a subsistência dos povos do mundo. Pode ser que futuramente seja possível fazer uma síntese disso e desenvolver tal síntese é em si uma prioridade na qual vale a pena investir seriamente.
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O Brasil e a medicina tropical.

O Brasil e a medicina tropical.

No primeiro mundo - Parece óbvio que a saúde pública dos países do primeiro mundo deixou, há muito tempo, de incluir entre seus problemas os re- lativos às doenças infecciosas. Fazem exceção as sexualmente transmissíveis encabeçadas pela SIDA ou, como a mais freqüentemente designamos, AIDS, algumas borrelioses (como a doença de Lyme) e cer- tas viroses. Tais populações não mais se vêem (ou nunca se viram) diante de malária, esquistossomose, leishmaniose, dengue, febre amarela, peste, infecções respiratórias agudas e desinterias. Se a tuberculose voltou a atingi-las, mais se deve à presença da im- munodeficiência adquirida do que propriamente à desnutrição. Afinal, atualmente controlam 85,0% do produto mundial e dominam praticamente o comér- cio do planeta, mantendo-o em contínua ascenção (Kevany 5 , 1996). O término da chamada “guerra fria”,
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Ideias e Política Externa: As Relações do Brasil com o Terceiro Mundo durante o Governo Castelo Branco.

Ideias e Política Externa: As Relações do Brasil com o Terceiro Mundo durante o Governo Castelo Branco.

sentes nos escritos de San Tiago Dantas, Afonso Arinos e Araújo Castro, importantes formuladores da PEI, é fundamental para expli- car a política externa brasileira (PEB) entre os anos de 1964 e 1967, especialmente no que concerne ao envolvimento do país com o Ter- ceiro Mundo. Entendemos essa dinâmica concomitantemente com o fortalecimento do Itamaraty, enquanto instituição, no pós-1964, o que permitiu o exercício de relativa autonomia por parte deste ator no processo de formulação da política externa brasileira (CHEIBUB, 1985). Assim, partilhamos do entendimento de Castelán (2009, p. 17) de que, para que ideias “de burocratas e políticos produzam re- sultados, é necessário que as instituições nas quais atuam sejam rela- tivamente autônomas na implementação de políticas públicas frente a pressões setoriais da sociedade”. Além disso, entendemos que o exame do conteúdo específico dos quadros conceituais deve ser feito juntamente com o exame do processo de formulação de política ex- terna para gerar a “compreensão de como se implementa, além de o que se implementa” (ARBILLA, 2000, p. 341).
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA LÍDIA MARIA DE ABREU GENEROSO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA LÍDIA MARIA DE ABREU GENEROSO

nos Estados Unidos quanto pelos estudiosos estruturalistas da Comissão Econômica para a América Latina. Em especial aos segundos, ao constatarem que as iniciativas de industrialização por substituição de importações não tinham sido bem sucedidas em reduzir os níveis de desigualdade social em países que a implementaram, como o Brasil e a Argentina. Segundo Claudia Wasserman, os trabalhos identificados sob esse nome buscavam, em linhas gerais, elaborar uma “análise global do desenvolvimento”. Joseph Love subdivide os autores da Teoria da Dependência em dois grupos, os reformistas e os radicais. Entre os primeiros, destacam-se autores como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Enzo Faletto, cujas obras não rompiam por completo com o estruturalismo. Já os dependentistas radicais, como Andre Gunder Frank, Ruy Mauro Marini, Theotônio dos Santos e Vânia Bambirra incorporaram à sua análise muito mais elementos do marxismo, inclusive as teses de Vladmir Lenin acerca do imperialismo, e criticavam não só as perspectivas reformistas, mas também aos marxistas que defendiam perspectivas estapistas para o continente, já que segundo os dependentistas radicais, era fundamental promover o quanto antes a ruptura radical com o sistema de produção capitalista. As formas como a Teoria da Dependência aparece nas páginas da Tricontinental é abordada em nosso capítulo 3, sobretudo na primeira seção. Cf: LOVE, Joseph. A construção do Terceiro Mundo: teorias do subdesenvolvimento na Romênia e no Brasil. Paz e Terra: São Paulo, 1998. SANTOS, Theotônio. A Teoria da Dependência. Balanço e Perspectiva. São Paulo: Civilização Brasileira, 2000; WASSERMAN, Claudia. A teoria da dependência: do nacional- desenvolvimentismo ao neoliberalismo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2017.
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Imaginando Kolkata: O turismo internacional e as representações de terceiro mundo em Photovoice

Imaginando Kolkata: O turismo internacional e as representações de terceiro mundo em Photovoice

Esta é a qualidade intrínseca em que se baseia a imagem explorada pelas ONG de caridade, adequadamente inscrita nas referências imagéticas ocidentais de Terceiro Mundo e difundida pelos vários meios de comunicação massificada ocidentais. Obedecendo à lógica de exploração unidimensional de realidades parciais em imagens textuais e pictóricas comprimidas “de apreensão fácil para um público abrangente” e servindo à reafirmação da posição de supremacia de um Primeiro Mundo do qual depende um universo restante de nações necessitadas, fracas e impotentes, dão visibilidade internacional a este lugar apenas quando ocorrem eventos de natureza dramática, como situações de catástrofe e pobreza extrema, e habitualmente por relação à magnanimidade da intervenção da ajuda internacional nesses momentos. Confinada a um período espacio-temporal passado, esta qualidade que seria contingencial, através da sua reedição continuada, é, assim, convertida em essência intemporal.
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