Negros - cultura popular

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Em busca do Ceará: a conveniência da cultura popular na figuração da cultura cearense

Em busca do Ceará: a conveniência da cultura popular na figuração da cultura cearense

pavoroso, irreal, delirante, portinaresco, sem pé nem cabeça, embora cabeça tenha e tenha pé também. Outros, pelo contrário louvam o plástico, o ângulo, a perspectiva, a beleza da índia imaginada pelo escultor pernambucano, na base das informações do papai José de Alencar. Eu gosto. Enfileiro-me entre os partidários da escultura: uma indígena delgada, de pernas fabulosas, pouco calipígia, seios agressivos, altiva, dominadora onipresente, diante do seu mar e das suas areias ardentes, que seus pés ligeiros pisavam, ao lado do guerreiro branco. Parto de um princípio muito simples: Iracema não existiu. É uma criação literária. Consequentemente, cada um de nós, pobres mortais, temos o direito de ter a sua imagem particular – a sua Iracema privada – daquela que tinha os cabelos mais negros do que as asas da graúna. O escultor pernambucano, que deve ser um sensual, está na cara, salta à vista, sonhou a sua Iracema daquele jeito. Respeitemos o gôsto e a imaginação do artista, mesmo quando modificou as “benfeitorias” da selvagem môça, empinando-lhe no tronco aquêles seios de côco partido ao meio, fornecendo-lhe aquelas pernas e ancas sobranceiras [sic], aquêles pés medonhos, traduzindo o conjunto o que de mais ardente, secreto e até sexual existe no próprio autor. 336
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CULTURA POPULAR: ENTRE A TRADIÇÃO E A TRANSFORMAÇÃO.

CULTURA POPULAR: ENTRE A TRADIÇÃO E A TRANSFORMAÇÃO.

raças tenderiam a modificar-se no mestiço, que tenderia a se integrar à parte, formando um novo tipo em que predo- minaria o branco. Nesse sentido, o futuro do Brasil per- tenceria a essa raça, já que todos os primeiros tipos na- cionais têm origem branca. Alguns argumentos como a extinção do tráfico negreiro, o desaparecimento dos ín- dios, inevitável na concepção dos estudiosos deste perío- do, e a crescente imigração européia são utilizados por Romero para legitimar essa tese de que os negros e índios estariam condenados ao desaparecimento e o mestiço se- ria apenas uma etapa para a constituição do branco puro como verdadeira raça brasileira. Justamente devido à fu- são das raças não estar completa, não tínhamos no final do século XIX no Brasil um caráter original, um espírito próprio, que segundo o autor viria com o tempo.
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Artes de musicar e de improvisar na cultura popular.

Artes de musicar e de improvisar na cultura popular.

conceito, ao qual se subsumem tais objetos (Terrén, 2002, p.45-57). Desse modo, fazem sentido as críticas às concepções essencialistas das identidades que tomam as “culturas de origem”, performatizadas em termos “caricaturais e folclorizantes”, como um “todo integrado e homogêneo” (Machado, 1994, p.120), estável e imutável. Esse essencialismo tende a ver os membros das minorias culturais como portadores de uma identidade homogênea. Trata-se de um “essencialismo epistemológico” que reifica as culturas como expressões fixas e mutuamente impermeáveis de identidade racial (Hall, 1992). Ou seja, há uma absolutização das identidades tributária de uma naturalização das cul- turas que lhe dão suporte, daí derivando um possível reforço das segregações sociais de base étnica ou cultural. O projeto acompanhado (Batoto Yetu), como muitos outros do gênero, parece operar, à primeira vista, numa base de “autorracialização” (Taguieff, 1988), ao reivindicar uma valorização das “raízes culturais” africanas. No entanto, entre os jovens negros que participam na Batoto Yetu há claras evidências de um desenclaustramento étnico. É certo que, através das suas danças, se geram identificações simbólicas que procuram revalorizar o que é frequentemente desvalorizado nos processos de discrimi- nação quotidiana. No entanto, as memórias ficcionais de um “passado comum” são colocadas em cena a serviço de sociabilidades festivas, orientadas para a sociedade de acolhimento, em forma de uma arte que merece aplausos do público assistente. O que aproxima os jovens da Batoto Yetu não será apenas a memória das “raízes históricas” como, sobretudo, o caráter fusional da dança. Há um artigo de Schütz (1964) que realça este aspecto. O texto intitula-se “Making music together” e aparece em Collected Papers. Nesse texto, Schütz mostra-nos como a música favorece o partilhar de um “fluxo de consciência em relação aos outros”, fluxo que é a base constitutiva de um “nós” que se sobrepõe a cada um de nós.
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Literatura infantil na desconstrução do racismo: um relato de experiência das práticas de negritude na sala de leitura da escola de educação infantil da UFRJ

Literatura infantil na desconstrução do racismo: um relato de experiência das práticas de negritude na sala de leitura da escola de educação infantil da UFRJ

Este trabalho tem como ponto de partida uma pesquisa qualitativa desenvolvida na Unidade de Educação Infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEI-UFRJ) no ano de 2015 intitulada “A negritude nas práticas pedagógicas como um estudo das relações etnico-raciais”. Que se configurou como um desafio, na atualidade, tendo em vista que a trilha ser percorrida buscava compreender quais caminhos pedagógicos foram construídos na Unidade para estruturar um projeto pedagógico adequado e ancorado na Lei 10.639/03 que altera a Lei de Diretrizes e Bases do Ensino -LDBEN que determina a inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Africana e Afro-Brasileira". Justificamos o fato uma vez que identificamos que há dificuldades para incorporação nos currículos escolares da incorporação imediata da temática. Associamos essa dificuldade aos seguintes fatos: o Brasil está imerso em um forte processo de mestiçagem e envolto em uma politica de branqueamento e com isso há uma lacuna no processo de (auto) identificação como uma pessoa negra o que muitas vezes distância muitos profissionais dessa temática. Com isso também buscamos trabalhar a questão da formação identitária e utilizamos para tal referência a literatura infantil, na busca de identificar de que maneira esse gênero pode nos ajudar a construir uma educação plural sem a reprodução dos esteriótipos racistas da sociedade.
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A questão da cultura popular: as políticas culturais do centro popular de cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A questão da cultura popular: as políticas culturais do centro popular de cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Portanto, vários são os problemas que emergem das abordagens que to- maram o “manifesto do CPC” como um fim em si mesmo, isto é, que não pro- curaram analisar a correspondência entre um suposto projeto estético e polí- tico elaborado por Carlos Estevam Martins e a produção artística veiculada pelo CPC. Um exemplo representativo dessa perspectiva de análise é a cole- ção O nacional e o popular na cultura brasileira, cujo primeiro volume, Semi- nários, escrito por Marilena Chauí, é o mais significativo entre os seis exem- plares publicados sob a coordenação do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Fundação Nacional das Artes — Funarte. Marilena Chauí é perspicaz ao iden- tificar nos estudantes, artistas e intelectuais o público alvo do CPC. Entretan- to, uma educação política e estética voltada principalmente para a formação da própria intelectualidade não é entendida como um dos principais objeti- vos do CPC, mas como um “desvio” dos objetivos promulgados pela entida- de. Segundo a autora, “visto que ‘ser povo’ é uma ‘opção’, o ‘Manifesto’, dei- xando de lado o ‘povo’, entabula um diálogo inter pares com outros intelectuais e artistas”. 70
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Representações da ciência e da tecnologia na literatura de cordel.

Representações da ciência e da tecnologia na literatura de cordel.

Além do seu potencial didático, de formação crítica e mudança de hábito, destacamos ainda o potencial da convergência da ciência e do cordel para maior aproximação entre as culturas popular e científica, de modo a contribuir para a construção de uma percepção social em que esses mundos aparentemente distantes estejam mais naturalmente integrados, sem um descaracterizar o outro. De um lado, o poeta que decide escrever sobre ciência se aproxima desse meio para reunir subsídios para a sua poesia. Nesse processo, é levado a refletir sobre diferentes aspectos relativos ao tema e registra seu ponto de vista sobre ele. Em alguns casos, se aproxima da comunidade científica e se sensibiliza com o movimento da popularização da ciência, como aconteceu com Gonçalo Ferreira da Silva. Do outro, o público leitor se depara com motes científicos, por vezes impenetráveis, de uma maneira saborosa, por meio de uma linguagem acessível e uma cadência contagiante. Nesse processo, transita pelo universo da ciência e do cordel sem precisar atravessar uma ponte.
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Arte-educação e identidade cultural: um devir criança e o Cacuriá

Arte-educação e identidade cultural: um devir criança e o Cacuriá

O processo de globalização, como vimos, há poucos anos vem toma conta do cenário cultural, político e econômico contemporâneo, atua no exercício de desterritorialização das culturas, mesmo àquelas que emergem e se sustentam na contemporaneidade enquanto formas viáveis de lidar com o mal-estar proporcionado pela lógica globalizatória. Os portos-seguros são abalados, as ferramentas administrativas do Estado vinculam-se à operatória do mercado, àquilo que emergia e emerge enquanto manifestação do sensível para uma manifestação cultural em específico, dilui-se nos ordenadores simbólicos contemporâneos. Assim, vemos atualmente, uma desestruturação das culturas regionais e locais, seus ritos, suas manifestações, suas festas e hábitos serem capturados pelo movimento globalizatório. Com isso vemos muitas das manifestações populares se extinguindo sem espaços habitáveis para as construções de seus símbolos e condutas. Observamos nos estudos de Boaventura de Sousa Santos (2006) em “A gramática do tempo” que em tempos atuais há um movimento político vinculado ao mercado no exercício da produção de não existências. É aqui que se insere as invectivas globalizatórias contra as comunidades populares. Assim nos perguntamos: O quanto é possível para uma manifestação popular se sustentar na contemporaneidade vinculada à iniciativa do mercado? É possível falarmos em “re-construção” da identidade de uma cultura? Essas e outras perguntas “sulearão” 4 nosso estudo.
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Buscas e processos com base na cultura popular

Buscas e processos com base na cultura popular

O primeiro contato real com o Teatro de Formas Animadas foi com o boneco popular Cassimiro Coco, boneco de luva do mesmo estilo, forma de construção e animação do Mamulengo nordestino. O Cassimiro, personagem negra protagonista da brincadeira, no Maranhão, tem a cabeça esculpida geralmente por um marceneiro e vestimenta e mãos confeccionadas pelo cassimireiro que o utiliza nas funções do brinquedo. Apresenta o mesmo repertório de gestos do Mamulengo, do João Redondo e de outros heróis do mesmo estilo, mantendo sua força interpretativa, no potencial vocal e verve de piadas do seu operador, que consegue estabelecer a perfeita trian- gulação necessária para manter um espetáculo vivo e duradouro.
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A ANTROPOLOGIA EM PORTUGAL E O ENGLOBAMENTO DA CULTURA POPULAR.

A ANTROPOLOGIA EM PORTUGAL E O ENGLOBAMENTO DA CULTURA POPULAR.

Com o triunfo do Estado Novo (1926-1974), folclore e expressões corre- latas – como folclórico(a) – ganharam “uma segunda vida”. O Estado Novo por- tuguês fez sua uma ideologia conservadora e nacionalista, na qual a cultura popular – ou melhor, uma certa visão da cultura popular de base rural – de- sempenhou um papel central. Ao povo operário e subversivo das cidades, o Estado Novo opunha o povo alegre e ordeiro dos campos, não corrompido por hábitos morais e políticos considerados subversivos. Contra ideologias desna- cionalizadoras vindas do estrangeiro, fazia o elogio do que era nacional, com destaque para certas expressões da cultura popular que eram vistas como representando a essência e a antiguidade da nação. Claro que essa visão era uma visão seletiva. Deixava de lado a miséria em que se vivia no mundo rural português. Deixava de fora expressões da cultura popular mais rebeldes e sel- vagens, ou mais ligadas, por exemplo, ao universo do trabalho. Preferia o vis- toso e o superficial em detrimento de camadas mais complexas e menos do- mesticáveis da vida popular. Não é esse o ponto. O ponto é que este investi- mento na cultura popular se fez em larga medida sob o signo do “folclore” como uma das expressões favoritas utilizada pelas agências governamentais para implementar políticas orientadas para emblematização da cultura popu- lar. Foi o que se passou, em particular, com “a política folclorista do Secreta- riado da Propaganda Nacional”, um dos principais organismos encarregado da implementação dessas políticas, cuja ação foi detalhadamente estudada por Vera Alves (2013). E foi também o que se passou com as políticas de apoio aos grupos folclóricos desenvolvidas por outros organismos estatais como o Secre- tariado de Propaganda Nacional, a Federação Nacional para Alegria no Trabalho (FNAT) e pela Junta Central das Casas do Povo (Castelo Branco & Branco, 2003; Holton, 2005: 23-58). Embora fossem usadas outras expressões – em particular “arte popular” – folclore tornou-se nesse período a expressão mais consensual para designar o universo das “coisas populares”, tal como este era tematizado pelo Estado Novo. A capacidade de circulação ampliada dessa expressão deve ser também sublinhada, uma vez que foi importante a repercussão local das ações desenvolvidas pelo Estado Novo, sobretudo no tocante à música e à dan- ça populares, que passaram a ser generalizadamente conhecidas como música e dança “folclóricas”.
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Nacional-popular — Outubro Revista

Nacional-popular — Outubro Revista

Abstract: The article deals with the evolution of the concept of national-popular in Antonio Gramsci's Quaderni del carcere. It is argued that it was through this work that the concept entered the Italian political vocabulary, consolidating itself. The national-popular adjective was preceded in the Quaderni's wording by the noun compound people-nation, revealing a marked inspiration in the work of Vincenzo Gioberti. Interpreters insisted that the concept referred to the culture of Russian populism, but differed about the period of development of that culture that would have been most striking to the concept. The article considers this to be a false clue and develops an alternative hypothesis: that the concept of national-popular was primarily inspired by the debates held in the Soviet Union on the national question, which peaked in 1923.
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Cad. CEDES  vol.35 número96

Cad. CEDES vol.35 número96

Em termos de campo de pesquisa, pode-se airmar que a edu- cação de jovens e adultos, no Brasil, desponta com as ações articuladas, a partir do inal da década de 1950, entre educação escolar e educação popular. Ganhou bastante relevância na América Latina na década de 1970 gerando, inclusive, debate sobre metodologias de pesquisa mais adequadas à produção do conhecimento: pesquisa participante e pesqui- sa-ação foram temas bastante abordados nas décadas de 1970 e 1980 em diferentes países – o número 12, dos Cadernos Cedes, datado de 1984, sobre pesquisa participante em educação, é exemplo do debate.
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A participação das crianças e suas culturas em festas comemorativas: relatos de uma pesquisa com crianças

A participação das crianças e suas culturas em festas comemorativas: relatos de uma pesquisa com crianças

No Brasil, o carnaval mantém a característica de ser uma festa de rua, que ocorre no verão. Nosso carnaval, com variadas características e especificidades regionais, é um evento internacionalmente conhecido e há mais de um século exportado como símbolo de uma suposta identidade nacional, em que pesem as diferenças e as pluralidades de significados que os festejos carnavalescos adquirem nas diferentes localidades, para os diferentes sujeitos, festeiros de origens étnicas, culturais, religiosas, sociais, idades e referências identitárias extremamente complexas e heterogêneas (Delgado, Müller e Schueler, 2006). Torna-se importante compreender a relação entre cultura de massa e cultura popular e as diferentes manifestações do carnaval. Certamente que há uma transformação do popular em nacional para poder convertê-lo à neutralidade homogênea do típico (Chauí, 1993), mas também me interessa compreender como as crianças reinterpretam aquilo que é veiculado pela mídia.
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JU L I E TA tradução tradução, memória e cultura popular , memória e cultura popular

JU L I E TA tradução tradução, memória e cultura popular , memória e cultura popular

discussão do conflito entre o vanguardismo e o regionalismo na América Latina. Na visão do pensador venezuelano, vanguardismo está relacionado com o fenômeno da evolução urbana, “que absorve e desintegra as culturas rurais” (p.212). A cultura modernizada da cidade propicia a penetração de modelos estrangeiros, percebidos como “mais prestigiosos por virem glorificados de suposta ‘universalidade’” (p.212). Apropriando-se do conceito antropológico de transculturação, Rama o transpõe para o plano da literatura e das operações culturais resultantes do contato entre culturas diferentes. O crítico venezuelano indica criadores culturais como Alejo Carpentier que “manejam de um modo imprevisto e original as contribuições da modernidade” (p.213) ao mesmo tempo que resgatam expressões culturais regionais. Segundo Rama, Carpentier, “ao escutar as dissonâncias da música de Stravinski, descobre e valoriza os ritmos africanos que no povoado negro de Regla, perto de Havana, vinham sendo ouvidos há séculos sem que lhes prestassem atenção” (p.214). Nota-se aqui como a presença de traços de cultura popular em uma expressão artística conceituada torna problemática a divisão entre culturas popular e erudita, apontando, neste intercâmbio surpreendente de influências, o revigorar de uma tradição qualificada como regional.
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RITOS DE PASSAGEM: UMA CARTOGRAFIA ANIMADA PARA O CORDEL

RITOS DE PASSAGEM: UMA CARTOGRAFIA ANIMADA PARA O CORDEL

Liberato materializa verbovisualmente a literatura de cordel para mostrar como a coletividade regional traduz um alto grau de memória coletiva, e realiza, o determina Câmara Cascudo (1984) em Literatura oral no Brasil, que “a literatura folclórica é totalmente popular, mas nem toda produção popular é folclórica. Afasta-a do folclore a contemporaneidade.” (CASCUDO, 1984, p. 24). O filme aqui referenciado, apesar de sua contemporaneidade técnica, é recheado de carga folclórica, portanto é uma produção que representa o folclore. Um signo desta reminiscência é a figura de Lampião (Guerreiro) é um desses memoráveis personagens que permanecem vivos na oralidade do nordestino. Este personagem fala aos ouvintes do novo mundo pela imagem rediviva de sua personificação. Uma imagem que no filme, foi criada, rebuscada, pasteurizada, mimetizada, caricaturada, enfim, vem de alguma forma trazer vida ao conhecimento da sabedoria popular, legitimando a saga nordestina diante do sertão e das duras políticas de exclusão.
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CULTURA POPULAR DAS EDIÇÕES DE 1980 A 1981

CULTURA POPULAR DAS EDIÇÕES DE 1980 A 1981

Certas atitudes elitistas e intelectualistas que, às vezes, afloraram na Igreja, desgastaram as palavras povo e leigo, erroneamente interpretados como quem não sabe, quem é ignorante. A religiosidade popular seria a religião dos ignorantes, vista sob o prisma da religiosidade erudita. Entretanto, o Brasil tem, no seu passado, uma tradição de catolicismo leigo popular muito grande, representada por Irmandades, Confrarias e Ordens Terceiras, agrupamentos leigos independentes da hierarquia e autoconstrutores da sua identidade cultural e cristã. Aos poucos, esses agrupamentos foram perdendo força e o clero os foi substituindo por outros, tais como Apostolado da Oração, Associação Mariana, Cruzadas Eucarísticas, grupos muitas vezes sem nenhum compromisso social e distantes da cultura popular. Apesar disso, ainda é possível observar a força pulsante do catolicismo popular em suas expressões religiosas, nas suas fontes dentro ou fora do âmbito da Igreja oficial. Essa pujança, que aparece nas matérias da revista, destacaremos ao falarmos da função da religiosidade popular, onde veremos que o pobre e o popular têm uma rica cultura, uma religiosidade criativa e fé persistente e resistente.
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Cultura popular e educação popular: expressões da proposta freireana para um sistema de educação.

Cultura popular e educação popular: expressões da proposta freireana para um sistema de educação.

Possivelmente, na alfabetização de adultos, os movimentos de cultura popular tenham conseguido realizar as suas ideias de uma maneira mais con- tínua e duradoura, durante a efêmera existência da maior parte delas. A partir das experiências de Paulo Freire e sua equipe pioneira no Nordeste, todo um trabalho de alfabetização começava por uma pesquisa conjunta do universo cultural popular. Depois, as próprias aulas eram transformadas em círculos de cultura, onde o trabalho de ensinar-e-aprender ganhava uma inesperada e inovadora dimensão dialogal. No Círculo de Cultura, observava-se a superação do professor pelo coordenador de debates, do aluno pelo participante do grupo, da aula como exposição de conteúdos pelo diálogo, dos “[...] programas por situações existenciais, capazes de, desafiando os grupos, levá-los, pelos deba- tes das mesmas, a posições mais críticas”. (FREIRE, 1983, p. 115). Assim, o próprio ensino de leitura de palavras do português começava e continuava por uma reflexão coletiva, a partir da questão teórica da cultura e dos elementos da cultura local de cada grupo de educandos. Não se tratava de aprender apenas a ler e escrever em uma língua, como nos programas tradicionais de alfabetização de adultos, mas de aprender a “[...] ler o seu próprio mundo através de sua própria cultura [...], a cultura como acrescentamento que o homem faz ao mundo que ele não fez. A cultura como resultado de seu trabalho. Do seu esforço criador e recriador”. (FREIRE, 2013, p. 116). Daí, a importância de comunicar-se com o outro como um sujeito consciente no mundo e com o mundo e não objeto.
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UMA PROPOSTA DE CONTÍNUO PARAMÉTRICO NO PORTUGUÊS: FATOS SÓCIO-HISTÓRICOS

UMA PROPOSTA DE CONTÍNUO PARAMÉTRICO NO PORTUGUÊS: FATOS SÓCIO-HISTÓRICOS

Como vimos na sócio-história da cidade de Salvador, a primeira capital do Brasil contou com um enorme contingente negro em sua formação, tendo estágios no tempo em que o número de negros chegou a superar o número de brancos formadores da população. Contudo, com o acelerado processo de urbanização da cidade, a difusão dos meios de comunicação e o acesso da maioria da população a escola parece ter influência direta para o apagamento de uma possível variação de gênero que possa ter ocorrido no período de formação do português brasileiros, quando os escravos aqui chegavam e tinham que aprender o português como L2, ou ainda outro código qualquer de emergência (um possível pidgin). Partindo desses pressupostos, na nossa proposta de contínuo, o português urbano falado atualmente no país aponta para o extremo oposto do que aconteceu no continente africano com o crioulo de Cabo Verde, como ilustrado no gráfico abaixo:
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Uma história de amor juvenil

Uma história de amor juvenil

a normas verticais – na perspectiva de Milton Santos –, cuja grande financiadora é a norte- americana Microsoft. Após aprender várias técnicas de softwares e hardwares, ele montou um “telecentro” comunitário e uma lan house. Apesar de ambas terem acesso à “internet pirateada”, cada uma tem uma função diferente: “o telecentro é para o pessoal da comunidade acessar a internet, principalmente quem não tem em casa. A lan house é para ficar jogando, baixando arquivo e o que quiserem”. Outro ponto é a despreocupação com a concorrência: “já há um outro fornecedor de internet lá no alto. Não me preocupo não. É mais gente com internet.” E, por fim, ele revela que, “apesar de acharem estranho”, ele trabalha completamente dentro da legislação brasileira: “aqui no Brasil, não existe nenhuma lei que proíba a distribuição de conexão banda larga. Nos Estados Unidos, sim. Mas, aqui, eu posso tranquilamente distribuir para quem quiser.” A permissividade é um dado constante na elaboração da cultura comunitária popular pela qual o jovem transita e se reapropria.
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Sentimentos e Significados do Processo de Produção e Comercialização da Arte Figurativa do Mestre Vitalino: Um Estudo Etnográfico Sobre Artesãos do Alto do Moura Em Caruaru-Pe

Sentimentos e Significados do Processo de Produção e Comercialização da Arte Figurativa do Mestre Vitalino: Um Estudo Etnográfico Sobre Artesãos do Alto do Moura Em Caruaru-Pe

A cidade de Caruaru localiza-se na mesorregião Agreste Pernambucano, microrregião Vale do Ipojuca e é tradicionalmente reconhecida como referência da cultura popular, pela existência da Feira de Caruaru, lugar de encontros culturais significativos, sendo estes a expressão viva da cultura local. Também é conhecida como o centro de convergência entre cordelistas, tocadores de pífanos, artesãos do barro, da madeira, das ferragens, entre outros, tornando esse um espaço ideal para venderem seus produtos e mostrarem sua arte (BAPTISTA, 2006). O mesmo autor afirma que a feira projeta o artista, levando seu trabalho para o Brasil e para o mundo. Esse ambiente, “[...] tornou-se, pouco a pouco, um grande cenário aonde os criadores populares vieram mostrar sua criatividade artística e seus produtos, divulgá-los, vendê-los e, da Feira, se irradiaram para o Brasil e para o Exterior” (BAPTISTA, 2006, p. 67). Diante deste cenário, a Feira de Caruaru ocupa um espaço bastante significativo para o desenvolvimento dessa Cidade. A Feira de Caruaru fica localizada no Parque 18 de Maio, considerada pelo IPHAN 1 - como um Bem Cultural, na categoria lugares, como sendo um ambiente de memória, de continuidade de saberes, de produtos e expressões artísticas tradicionais.
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Oralidade e cultura popular na sala de aula

Oralidade e cultura popular na sala de aula

Resumo: O Programa de Alfabetização Regional é idealizado e mantido pela Universidade do Oeste de Santa Catarina. O Projeto “Leitura na escola: os clássicos na sala de aula” insere-se no referido Programa e sua área de aplicação corresponde à região da Unoesc, Campus de Xanxerê. Com o objetivo de levar a leitura dos textos literários chamados clássicos algo para a sala de aula, o Projeto atinge as escolas de educação básica, em todos os níveis de ensino. Aqui, relatamos uma dentre as tantas experiências que têm feito desta prática um modo pelo qual os pequenos e jovens leitores compreendem e conhecem elementos do sistema literário, apropriando-se da cultura. A experiência aqui enfocada envolve a cultura popular e a oralidade, partindo de uma adaptação para o vídeo de O sítio do pica-pau amarelo, de Monteiro Lobato.
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