Pacto social

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O modelo mecanicista de Hobbes e o pacto social

O modelo mecanicista de Hobbes e o pacto social

O objetivo desta dissertação é avaliar a influência da concepção mecanicista dos corpos e do movimento na filosofia moral e política de Thomas Hobbes. Ancorado em uma abordagem mecanicista característica da modernidade, ele desenvolveu um modelo abstrato de pacto social com o intento de afastar o perigo da guerra e proporcionar a segurança necessária para evitar a radical instabilidade de uma sociedade permeada pelo medo. Mostrar-se-á, também, que o contratualismo de Hobbes combina sua visão mecanicista com a convicção de que a racionalidade é um instrumento essencial para salvaguardar a segurança e a paz, o que o torna um tipo peculiar de contratualismo. Destacar-se-á, ainda, a evidência de que a aplicação dos pressupostos da filosofia natural de Hobbes à esfera do pensamento político contribuiu para a formação de um novo paradigma explicativo para os fenômenos políticos, o qual se opõe às concepções organicistas de sociedade centradas na preocupação com o bem comum e marcadas pelo reconhecimento da sociabilidade como uma condição natural dos homens. O conceito hobbesiano de soberania é fruto de uma construção artificial destinada a instaurar um poder absoluto porque não há outro modo de se garantir a paz na sociedade.
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A ruptura do pacto social no pensamento de Sade.

A ruptura do pacto social no pensamento de Sade.

Sade e contrario a ideia de pacto social, pois considera que 0 aparato moral e poitico do Estado foi montado para bloquear a imagina;ao, ao mesmo tempo em que mascara a desigualdade, ja que apenas metamorfoseia a donina;ao e nao a modiica em sua essencia. Em A losoia na alcova , Sade expoe suas ideias acerca da religiao, dos costumes, da poitica e, no afa de produzir transforma;oes na pequena Eugenie, que, por sua vez, demonstra-se d6cil a " educa;ao" , propoe que 0 espa;o privado seja o lugar privilegiado de transforma;ao do corpo e da mente. Pretende, desse modo, promover 0 total desbloqueio da imagina;ao e, assim, restituir ao sujeito 0 poder sobre seu corpo. A ideia e fazer com que 0 sujeito utilize seu corpo com a inalidade de obter prazer, com plena consciencia de si e de seu corpo, e nao encobrindo-o pelos ditames morais da familia, da religiao, do Estado etc.
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O pacto social em <i>Grande sertão: veredas</i>: a ética do provisório

O pacto social em <i>Grande sertão: veredas</i>: a ética do provisório

 Um tema importante do romance de João Guimarães Rosa é a tentativa de se realizar um gesto fundador que erradique os confl itos do sertão. Mediante uma análise do empreendimento fáustico que, desde Adão até o herói goetheano, apresenta um caráter positivo, pressupondo um sujeito pleno, dotado de vontade, consciência, proporemos que o fator principal que move Riobaldo na realização do pacto é o indeterminismo. Seguindo essa linha, abordaremos a cisão do mito de Fausto na passagem do século 19 para o século 20, que substitui a conquista de uma obra civilizadora e progressista pelo ceticismo e a ironia. Nesse sentido, o gesto efetuado nas Veredas-Mortas, assumindo como uma de suas vertentes a extinção da barbárie jagunça, encontra após derrota dos Judas a contraparte do anti-belicismo. O velho fazendeiro Riobaldo, senhor de terras, tendo por empregados seus antigos jagunços, vive em tenso equilíbrio, ameaçado a cada instante por uma nova irrupção da maldade. Por sinal, todos os outros chefes jagunços, Medeiro Vaz, Joca Ramiro, Zé Bebelo não conseguem se apoiar em nenhum princípio fundador que potencialize os objetivos do pacto social.
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A LUTA POR UM PACTO SOCIAL JUSTO  Leandro Consalter Kauche, Eduardo Felipe onese

A LUTA POR UM PACTO SOCIAL JUSTO Leandro Consalter Kauche, Eduardo Felipe onese

Nesse sentir, são inúmeros os fatos que podemos listar para não mais subsistir o interesse pela manutenção daquele pacto social: quebra de confiança dos cidadãos nos seus governantes; corrupção desenfreada do sistema, instalada dentro dos governos; falta de retribuição de serviços por ocasião da alta carga tributária, pois que, em nada retorna para o cidadão o dinheiro pago em impostos, ante a precariedade de todos os serviços que são prestados pelo Estado; desvio de finalidade, em razão de que o Estado não mais garante a segurança ao seu povo, quando também expropria o seu patrimônio; aumento de poderes e concorrência com a iniciativa privada; e, diante da intervenção na vida privada.
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Contratos territoriais de estabelecimento na França: rumo a um novo pacto social na agricultura?.

Contratos territoriais de estabelecimento na França: rumo a um novo pacto social na agricultura?.

A partir do citado Regramento 797/85, e de sua implantação durante os anos 1990, irão sendo construídas as bases da política agroambiental européia, impulsionada pela influência de uma opinião pública cada vez mais impregnada de valores pós-materialistas e convencida do direito de participar dos debates sobre a agricultura e os espaços rurais (CASTELL, 1987; GARRIDO-FERNÁNDEZ, 2000). Nesse novo cenário, ganha cada vez mais terreno a tese de que é necessário modificar o velho pacto social agrário e construir um novo concerto político. Abre-se passo à idéia de que as ajudas aos agricultores deve- riam estar baseadas no compromisso de realizar certos serviços de interesse geral (manter a paisagem, preservar espaços com biomas raros, não contaminar o solo com nitratos, etc.), propondo-se, para a sua implementação, a fórmula contratual já aprovada com êxito na aplicação do citado artigo 19 sobre as zonas sensíveis (ESAs) do Reino Unido. Pela via contratual, a Reforma McSharry da PAC de 1992 propugnou esse tipo de compromisso, no que viriam a ser as primeiras medidas do programa agroambiental, as quais facultavam ao agricultor a oportunidade de obter uma retribuição econômica com fundos públicos, na medida em que cumprisse com certos requisitos relacionados com a proteção do ambiente, a conservação de raças animais em perigo de extinção, a agricultura ecológica, a preservação da paisagem, etc.
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O Pacto Social Europeu 1945 e a União Europeia

O Pacto Social Europeu 1945 e a União Europeia

Até 1945-1947 existiram na Europa uma série de formas de protecção social que na transição do século XIX para o século XX procuraram mitigar a pobreza das classes trabalhadoras. Não eram universais, isto é, para toda a população, são exemplos os seguros sociais na Alemanha de Bismarck, entre 1883 e 1889; um embrião de seguro nacional e pensão de reforma do governo liberal inglês da primeira década do seculo XX, os primeiros ministérios da saúde em França e Inglaterra depois da I Guerra; e o próprio planeamento social do Estado Nazi anos 30. Também em Portugal desenham-se, com escasso cumprimento de facto, os primeiros seguros obrigatórios durante a República (1910-1926) (VARELA, 2013). E ainda seguros compulsórios de desemprego na Inglaterra em 1911, na Áustria em 1920, na Noruega em 1928. Todas as prestações eram – sublinhamos - focalizadas, não universais. Eram também reformas ad hoc, como recorda o historiador Tony Judt (2006, p. 73). Ou seja, não eram planeadas a nível nacional como política pilar de Estado.
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O Pacto Social nos Estaleiros Navais da Lisnave (1979-94): do direito ao trabalho à precarização

O Pacto Social nos Estaleiros Navais da Lisnave (1979-94): do direito ao trabalho à precarização

n o 1 do artigo 12 o do Decreto-lei n o 261/91, de 25 de Julho, que aprova o re- gime jurídico das situações de pré-reforma 147 . Ou seja, uma vez que o acordo de pré-reforma se enquadre em medidas de recuperação, a Lisnave (bem como a Solisnor e a Setenave) podia requerer: a equivalência à entrada de contribuições para os trabalhadores na pré-reforma por 1 ano, a comparticipação no pagamento das prestações de pré-reforma até metade desse valor por 6 meses, prorrogável por um ano e, no caso de o trabalhador ter completado 60 anos, requerer a re- forma nas condições legais. Finalmente, o número 3 da Portaria n o 173/94 previa que “os trabalhadores abrangidos pelo referido plano social de racionalização de efectivos serão beneficiários, com prioridade, das medidas especiais de pre- venção e combate ao desemprego previstas na Portaria n o 1324/93 148 .” Esta portaria refere-se com uma variedade de programas de formação e ajudas que, na sua essência, procuram relocalizar o trabalhador no mercado, tendo como efeito externalizar os custos das horas “mortas” dos trabalhadores da Lisnave. Este custo torna-se assim suportado pelo conjunto dos trabalhadores, através da Segurança Social.
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mais próprio a cada pessoa. Jean-Jacques Rousseau no Discur- so sobre a Economia Política afirmou que o fundamento do pacto social é a propriedade, bem como de todos os direitos civis, não podendo subsistir nenhum outro, no caso de abolição da mesma. Na dimensão de garantia da liberdade individual, a propriedade passou a ser protegida, constitucionalmente, em sua dupla natureza: de direito subjetivo e de instituto jurídico. Como direito subjetivo a propriedade foi fortemente protegida contra as expropriações impostas pelos Poderes Públicos. Sem embargo, como instituto jurídico a propriedade passou a ser garantida, constitucionalmente, contra eventual tentativa do próprio legislador em suprimi-la do sistema legal, ou alterar seu conteúdo essencial. O voto censitário, descrito por Benja- min Constant, em sua obra Princípios de Política, adotado, inclusive pela Constituição Imperial de 1824, demonstrava a importância da propriedade, ao considerá-la elemento indis- pensável para que os homens pudessem exercer seus plenos direitos de cidadãos. Com o advento da civilização industrial, as relações de trabalho geraram demandas crescentes de prote- ção ao emprego e garantia de seguridade social, que em alguns países, sob o aspecto funcional, foram consideradas como um direito de propriedade. Fábio Comparato 15 interpreta mencio- nada atribuição como uma impropriedade conceitual, por con- siderar o direito a uma prestação positiva, gerador de pretensão contra um sujeito determinado, ser distinto do direito de uso, gozo e disposição de uma coisa, sem intermediação de quem quer que seja. Não obstante, reconhece o sentido prático da extensão conceitual, por tratar-se de conferir àqueles direitos pessoais a mesma força jurídica reconhecida tradicionalmente à propriedade. A II Conferência das Nações Unidas sobre Assen- tamentos Humanos, realizada em Istambul em 1996 preconizou a necessidade de criação de um direito autônomo fundamental para a habitação, face ao conflito existente entre o direito tradi-
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Kriterion  vol.58 número136

Kriterion vol.58 número136

qual todo homem estaria moralmente obrigado a se conformar em suas relações com seus semelhantes (cf. Derathé, 2009, p. 230) – funcionaria exatamente como essa “lei antes das leis” (Vargas, 2008, p. 26), como essa norma prévia que revestiria o pacto social de força vinculante, não bastando para tanto o livre consentimento ao ato de contratar e às condições por ele impostas. Assim, mesmo na ausência de pertencimento a uma comunidade política e de sujeição a um corpo de leis convencionadas, os homens ver-se-iam submetidos a um parâmetro normativo. Diante do exposto, não restaria senão concluir pela incompatibilidade entre teorias contratualistas da origem do corpo político e a negação do direito natural. tese enunciada enfaticamente, entre outros, por Jean-Pierre Marcos: “Sem nenhuma dúvida [sic], a falta da lei natural traduz- se, em uma perspectiva contratualista, na ausência de toda obrigatoriedade principial, quer dizer, de toda a obrigação que funda […] o contrato promotor de todas as obrigações” (1995, p. 167).
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JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA NO BRASIL E MODERAÇÃO DO PODER

JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA NO BRASIL E MODERAÇÃO DO PODER

Os termos do problema e da hipótese da pesquisa constituem a descrição do pensamento político de formação do Estado liberal centrado no pacto social de transferência do poder de declarar a lei e mediar os conflitos na figura do Estado juiz; a construção da idéia de separação dos poderes como instrumento de moderação do poder mediante a especialização independente da função judicial; o fortalecimento da função judicial como controle de legalidade da política; a recepção política do Estado juiz liberal na República brasileira; a expansão política do Judiciário brasileiro a partir de 1988; a análise do processo político de judicialização da política e a crise do liberalismo, a partir do alargamento da independência como pressuposto da garantia de equilíbrio entre os Poderes (um Poder do Estado, no exercício ordinário de suas funções, não se submete nem interfere na estrutura e no funcionamento dos demais Poderes); a distinção entre preservação de independência como fator essencial ao equilíbrio entre os Poderes e restrição à autonomia como fator de cautela ante o risco de arbítrio; a revisão dos conceitos de Estado liberal (sistema de limitação de Poderes do Estado em face das liberdades do cidadão); a judicialização da política (função política afirmativa ou ativa do Judiciário, que constrói política no processo judicial, suprindo a omissão dos demais Poderes, para dar eficácia a direitos constitucionais que dependem de atos do Legislativo ou do Executivo, adotando forma de direito novo).
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Democracia, civismo e cinismo. Um estudo empírico sobre normas e racionalidade.

Democracia, civismo e cinismo. Um estudo empírico sobre normas e racionalidade.

que, com ele, “haveria negociações entre o governo, os patrões e os sindicatos de trabalhadores para combater a alta do custo de vida e fixar regras para os preços e os salários”, incluíam perguntas passíveis de terem suas relações exploradas de maneira análoga à da Tabela 7: em primeiro lugar, uma pergunta em que se pedia que o entrevistado se manifestasse sobre a possibilidade, em abstrato, de “um pacto desse tipo dar bons resultados para todo mundo (o país, os patrões, os trabalhadores)”; em segundo lugar, duas perguntas em que se pedia a avaliação pelo entrevistado da confiabilidade do gover- no, por um lado, e dos empresários, por outro, em seu comportamento relativamente ao pacto (concordância ou discordância quanto a que “a seriedade do governo nesse assunto do pacto social merece confiança” e “a gente pode acreditar que os empresários cumpririam um acordo de conter preços”). Tomando os que se manifestam favoravelmente à idéia geral do pacto social e examinando, entre eles, as proporções dos que mos- tram não confiar no comportamento quer do governo, quer dos empresários, as observações das relações com escolaridade e sofisticação são as mesmas encontradas na Tabela 7: enquanto a disposição em princípio favo- rável ao pacto cresce claramente com o aumento nos valores dessas duas variáveis, quando nos voltamos para o nível mais “concreto” da confiabilidade do go- verno e dos empresários são as respostas negativas que crescem, de maneira igualmente clara, com o aumento de escolaridade e sofisticação. Na linha de interpretação sugerida, o convite para opinar em abstrato a respeito da desejabilidade do pacto social tenderia a representar uma oportunidade para a expressão de valores conven- cionais, enquanto a avaliação da confiabilidade de agentes como o governo e os empresários dependeria em maior medida das informações efetivas de que se dispõe e se mostraria assim propícia ao crescimento da disposição crítica com maior sofisticação.
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Ciênc. saúde coletiva  vol.13 número4

Ciênc. saúde coletiva vol.13 número4

Concordo com a proposta da criação de um pacto social relativo ao envelhecimento.Na reali- dade brasileira, este pacto tem características pró- prias, pois implica também um pacto de cidada- nia, de inclusão e de respeito às leis, como aque- las aplicáveis aos idosos e que servem apenas para enfeitar discursos vazios dos sócios do poder.

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INFORMAÇÃO, MEMÓRIA E HISTÓRIA: a instituição de um sistema de informação na corte do RIO DE JANEIRO (1) INFORMATION, MEMORY AND HISTORY: the institution of a information system in the RIO DE JANEIRO court

INFORMAÇÃO, MEMÓRIA E HISTÓRIA: a instituição de um sistema de informação na corte do RIO DE JANEIRO (1) INFORMATION, MEMORY AND HISTORY: the institution of a information system in the RIO DE JANEIRO court

A história da Ciência da Informação não se confunde com a Informação na História. É possível identificar as condições de formação dessa disciplina em diferentes instâncias e épocas que tornaram possível a passagem do que era ainda evanescente, para a consolidação de um conjunto de saberes que se instituem em determinada época, articulados às demandas sociais e políticas que legitimam seu nascimento. É o caso da informação na história do sistema prisional produzido na Corte do Rio de Janeiro. Quais são essas condições de possibilidade? Que elementos compõem esse cenário histórico, onde a informação produzida sobre prisioneiros constitui parte relevante das estratégias de poder? O presente trabalho tem por objetivo analisar dispositivos de controle e vigilância, desenvolvidos por um conjunto de instituições sobre os que romperam o pacto social, visando produzir sobre prisioneiros um saber e uma memória que constituem imagens da clausura, cujos fragmentos são hoje recuperados, analisados e resignificados à luz da memória social, um fato do presente.
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Mudança estrutural, desenvolvimento institucional e crescimento econômico sustentado: um comentário sobre a experiência irlandesa.

Mudança estrutural, desenvolvimento institucional e crescimento econômico sustentado: um comentário sobre a experiência irlandesa.

dívida pública em relação ao produto era de cerca de 120% –, além de sério pro- blema de desemprego, forte ressurgimento da emigração, baixo crescimento eco- nômico e um padrão de vida em processo de deterioração. Uma peça central para a reversão desse quadro foi a celebração de um pacto social – Program for Natio- nal Recovery (1987-1990) – que removeu o ressentimento popular com relação ao debate macroeconômico e resultou em relações de trabalho estáveis. Em adição ao pacto social, outros fatores desempenharam importantes papéis, entre os quais, a abertura para a Europa, a ruptura com a libra esterlina, o IDE, as mudanças tec- nológicas, a reorganização industrial e uma crescente atenção ao papel da infor- mação.
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Reformas de mercado e atrofia do planejamento governamental no Brasil (1985-2002) / Market reforms and atrophy of governmental planning in Brazil (1985-2002)

Reformas de mercado e atrofia do planejamento governamental no Brasil (1985-2002) / Market reforms and atrophy of governmental planning in Brazil (1985-2002)

Em uma vertente crítica às análises protagonizadas por Luiz Carlos Bresser-Pereira, Eli Diniz e Renato Boschi salientam que, para além da primazia do ajuste fiscal, o SegundoConsenso de Washington priorizou a realização da reforma do Estado como desenho institucional. Tratava-se de superar a administração burocrática racional-legal weberiana, caracterizada por padrões hierárquicos rígidos, controle dos processos, estruturas inflexíveis, lentidão e ineficiência. Nessa perspectiva, instaurar-se-ia uma reforma gerencial imbuída de racionalidade administrativa e devotada à quebra da estabilidade do funcionalismo público e a eliminação da isonomia. A estabilidade constituía-se na pedra angular do modelo varguista de administração pública. Diante disso, a abordagem da reforma do Estado de FHC não pode ser considerada de cunho socialdemocrata, uma vez que socialdemocracia pressupõe uma ênfase no pleno emprego, crescimento econômico, expansão do gasto público, diversificação das políticas sociais como prioridades da agenda governamental. Ocorre que tudo isso foi desmontado no período em voga. Ademais, qualquer experiência socialdemocrata demanda a articulação de um amplo pacto social, abarcando o empresariado, os trabalhadores organizados ao processo decisório, para, ao lado das elites estatais, contribuírem para a definição e implementação das políticas governamentais. Naturalmente, o Brasil está deveras distante deste modelo. E o reconhecimento desse fato transparece na redefinição do modelo de Estado para a América Latina mais consentâneo com o capitalismo globalizado, na visão do ministro Bresser-Pereira, como sendo o “Estado social-liberal” e não mais o da democracia social. O tão galvanizado mecanismo de controle social da burocracia pública por meio das práticas de accountability não passou de mera retórica, em virtude de sua precariedade e insuficiência. Portanto, uma perspectiva ampla de reforma do Estado envolveria uma ruptura não apenas com o paradigma neoliberal como também com o enfoque tecnocrático dominante (DINIZ e BOSCHI, 2014).
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Dos pactos políticos à política dos pactos na saúde.

Dos pactos políticos à política dos pactos na saúde.

A partir da década de 1960, com a crise das economias latino-americanas, que resultou na superação do modelo de industrialização substi- tutiva de importações e na abertura da econo- mia daqueles países para o mercado internacio- nal, estabeleceu-se um novo pacto no Brasil: o autoritário tecnoburocrático-capitalista. Cons- tituiu-se a partir do golpe militar de 1964, sob a égide das empresas multinacionais manufaturei- ras que, aliadas ao capital industrial local e à tec- noburocracia estatal, civil e militar, favoreceu a consolidação do capitalismo oligopolista no país. No início dos anos 1980, eclodiu mais uma crise da economia latino-americana, caracteriza- da pela elevação das dívidas externas, da inflação e por forte redução do produto interno bruto (PIB) e da renda per capita. Somando-se a esta crise, a perda de legitimidade do regime militar ante a sociedade civil e o papel desempenhado pelas lutas populares em favor da democracia provocaram o rompimento da aliança do capital industrial com a tecnoburocracia estatal e, con- sequentemente, do pacto autoritário tecnoburo- crático-capitalista. Configurou-se o pacto social democrático, tendo como base três princípios 4 :
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Pacto perverso e biopolítica.

Pacto perverso e biopolítica.

Nesse contexto, o pacto perverso tecido na relação entre mãe e filho, conju- gado à recusa da autoridade do pai, forjado na biopolítica desde o final do século XVIII, se desvanece marcadamente na atualidade. A perversão toma então outras formas e modalidades de ser, bastante distantes que são da figuração anterior, em decorrência da nova ordem familiar que se delineia e do novo discurso da biopolítica. O mal, enfim, se esboça agora num outro cenário e num outro hori- zonte, modelado que é em diferentes coordenadas, nos quais a perversão toma então forma, corpo e figuração.
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Promoção do empoderamento com conselhos gestores de um pólo de educação permanente em saúde.

Promoção do empoderamento com conselhos gestores de um pólo de educação permanente em saúde.

cesso de tramitação nos fóruns previstos. Entre as diiculdades encontradas nesta tramitação, podemos ressaltar o questionamento por parte do Conselho Estadual de Saúde a respeito do envolvimento de outros Conselhos Setoriais nos cursos, na defesa da oferta exclusiva destes aos conselheiros da saúde. Diante desta compreensão, reiteramos a necessidade de envolver os atores engajados na construção das políticas públicas dos diferentes setores nos muni- cípios da região, uma vez que “pensar em políticas públicas saudáveis [...] implica, em primeiro lugar, ter como diretriz política à eliminação das múltiplas carências cotidianas da vida individual e coletiva, que passam pela pobreza, pela fome, pela exclusão social, inclusive de acesso aos serviços e práticas em saúde”. 2:87 Esta compreensão requer o desenvolvi-
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Denise Antunes, “Aborto no Brasil. Um Pouco Mais de Esperança. (Aguardando a Decisão da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF nº 442)” - 719

Denise Antunes, “Aborto no Brasil. Um Pouco Mais de Esperança. (Aguardando a Decisão da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF nº 442)” - 719

cituro desde a concepção, aliás, o 4º do Pacto de São José, declara que a vida deve ser assegurada desde a concepção. O Pacto de São José da Costa Rica, em seu artigo 4º, prevê que “toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”. O Pacto de São José da Costa Rica entrou para o Ordenamento Jurídico Brasileiro através do Decreto 678/1992. Teoria natalista: "ful- crada nos mesmos dispositivos da Lei, defende que o ordenamento jurídico, através do Código Civil consoante redação do art. 2º, reza que só a partir do nascimento com vida que a pessoa adquire a plenitude da sua personalidade jurídica, podendo ser su- jeito ativo e passivo de direitos. Para concretização da formação da personalidade, há que se considerar dois elementos: o nascimento e com vida. Para essa corrente, a re- serva de personalidade civil ou biográfica para o nativivo em nada se contrapõe aos comandos da Carta Magna, uma vez que a Constituição não dispõe quando começa a vida humana, bem como não dispõe sobre nenhuma das formas de via humana pré- natal. Em síntese, a Constituição Federal não faz de todo e qualquer estágio da vida humana um autonomizado bem jurídico, mas da vida que já é própria de uma concreta pessoa, porque nativiva e, nessa condição, dotada de compostura física ou natural. (...)".
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Um pacto curricular: o pacto nacional pela alfabetização na idade certa e o desenho de uma base comum nacional.

Um pacto curricular: o pacto nacional pela alfabetização na idade certa e o desenho de uma base comum nacional.

RESUMO: Este estudo objetiva analisar o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) identificando-o como movimento inicial, parte do contexto de discussão e defesa de uma Base Nacional Comum Curricular. Por meio de sua análise, torna-se possível observar o delineamento de elementos que são retomados como argumentos a favor da necessidade dessa base comum: os direitos de aprendizagem como garantia de democratização qualitativa. Busco pôr em evidência e discutir as concepções de currículo, conhecimento e aprendizagem que sustentam o PNAIC, interrogando com o que se propõe pactuar. Para tanto, defendo a compreensão do currículo como articulação/produção de significados, destacando sua dimensão discursiva, em diálogo com os estudos de Ernesto Laclau e Homi Bhabha. Analisar as forças que engendram as disputas de sentidos e as estratégias criadas para hegemonização de um dado sentido se configura como mote para esta análise. Palavras-chave: Política curricular. Conhecimento. Direito.
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