Paris (França) - História - Comuna

Top PDF Paris (França) - História - Comuna:

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto e a Comuna de Paris: as “faces e interfaces” dos tensos finais do século 19 e início do século 20

O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto e a Comuna de Paris: as “faces e interfaces” dos tensos finais do século 19 e início do século 20

Porém, como Marx previra antecipadamente, a reação das classes dirigentes e dominantes da França foi impiedosa e uma das mais violentas, conhecida pela historiografia como a “Semana San- grenta”, levando a prisões, deportações e ao fuzilamento milhares e milhares de trabalhadores franceses. Aliás, a história da dominação da burguesia quando entra na “cena” política como classe para si nos ensinou os métodos de como se manter no poder e a sua ca- pacidade de adequar o grau de violência as realidades dos lugares quando lhe convém, como podemos evidenciar ainda nos processos de colonização na fase imperialista do capitalismo que fizeram tam- bém eclodir, por exemplo, os movimentos nacionalistas na América Latina e os movimentos sociorreligiosos em vários continentes do globo, inclusive no Brasil e, especificamente no Nordeste Brasileiro.
Mostrar mais

12 Ler mais

A Comuna de Paris de 1871: análise conceptual e recepção em Portugal The Paris Commune of 1871: conceptual and reception analysis in Portugal

A Comuna de Paris de 1871: análise conceptual e recepção em Portugal The Paris Commune of 1871: conceptual and reception analysis in Portugal

No respeitante às causas que possibilitarem a existência da Comuna, dentre muitas que podem ser apontadas, identificamos a existência de um forte movimento operário, possibilitado pelo desenvolvimento industrial, sendo que começava a estreitar laços com a I Internacional; Patriotismo denegrido, necessitando de ser reabilitado, devido ao cerco de Paris por parte dos Prussianos; sobressalto republicano. Ainda nas fragilidades que a França vivia nas vésperas da Comuna, refira-se que nos anos de 1866/1867, a economia francesa passava por uma crise profunda, tendo como consequências, a ruina de bancos e empresas relevantes, verificando-se um agravamento da miséria entre o proletariado, sendo que a pequena-burguesia também surgia fragilizada. Reforçando o argumento anterior, o pendor operário que se vislumbrou na Comuna havia sido inquestionável, visto que entre os combatentes, 84 % dos “Communards” presos são trabalhadores manuais, sendo que a participação operária no Conselho Geral da Comuna representa cerca de 30 %, ou seja, afigura-se como um resultado único na história francesa. As reformas realizadas na legislação social, tal como as pressões e estímulos que vinham do exterior, também se afiguraram como fatores relevantes para evidenciar o carácter fortemente operária que cobria a Comuna. Essas pressões que provinham do exterior verificavam-se sobre o Conselho Geral, que estava sujeito a uma forte pressão externa que provinha de sindicatos, das associações de trabalhadores, dos jornais ou mesmo das secções da I Internacional. O efeito democratizador também se abateu sobre o ensino, surgindo assim uma reforma da escola laica, gratuita e obrigatória. Dentre as reformas políticas, a Democracia Direta passa a ser uma realidade, numa lógica de inclusão de todos, ou seja, todos os habitantes da Comuna passam a poder ter um papel ativo na administração e na tomada de decisão, corroborando com ideias como a iniciativa popular ou o autogoverno. Com esta instauração, as mulheres 4 surgem como elemento crucial nesta ótica de participação
Mostrar mais

17 Ler mais

Comuna de Paris, interpretações e perspectiva de classe

Comuna de Paris, interpretações e perspectiva de classe

A variedade de interpretações a que foi submetida a Comuna e a variedade de interesses que a interpretaram a seu favor, de mons tram que era uma forma política perfeitamente flexível, diferentemente das formas anteriores de governo que foram todas fundamentalmente repressivas. Reside aqui o seu verdadeiro segredo: a Comuna era, essencialmente, um governo da classe operária, fruto da luta da classe produtora contra a classe apro priadora, a forma política finalmente descoberta que permitia rea lizar a emancipação econômica do trabalho. (Marx, 2011, p. 21) Nesse sentido, é interessante perceber que a história das interpretações da Comuna de Paris, dada a sua flexibilidade, nos permite analisar uma diversidade de enfoques (daqueles que “a interpretam a seu favor” a partir de uma “variedade de interesses”) que são produtos de determinadas perspectivas de classe. Porém, não será possível aqui apresentar esse conjunto de concepções e nem mesmo analisar profundamente as principais. O que podemos fazer, no espaço que temos, é apenas destacar que existem, fundamentalmente, três tendências interpretativas da Comuna de Paris – expressando três perspectivas de classes diferentes (que são as principais e mais comuns), a burguesa, a proletária e a burocrática – e escolher uma no interior delas para objeto de análise com ênfase especial.
Mostrar mais

27 Ler mais

Karl Marx e a essência autogestionária da Comuna de Paris

Karl Marx e a essência autogestionária da Comuna de Paris

A ideia central do materialismo histórico é a de que a história de todas as sociedades classistas é marcada pela luta entre as classes que a constituem (Marx e Engels, 1988). O comunismo, para Marx, é uma tendência no interior do capitalismo e cujo embrião é o movimento revolucionário do proletariado. Por isso Marx dizia que o comunismo não é produto da cabeça dos intelectuais e sim do movimento operário em sua luta pela emancipação (Marx e Engels, 1988). No Manifesto Comunista, escrito em 1848, Marx propunha a estatização como medida revolucionária. Porém, assim como o texto sobre a Comuna, também o Manifesto é pouco e mal lido. O significado da estatização neste escrito é bem abstrato e se trata da classe operária como uma totalidade e não parte dela, o que deixa entrever que não se trata de estatização no sentido que hoje se compreende a expressão ou que ocorreu na Rússia depois dos bolcheviques terem conquistado o poder estatal. De qualquer forma, a ideia de estatização é abandonada após as experiências revolucionária dos comunardos e isso promoveu uma importante alteração na teoria da revolução proletária em Marx. Antes da Comuna, no início da década de 1950, Marx já abordava a destruição do poder estatal em seu livro O Dezoito do Brumário (1985) e como ele mesmo diz em carta a Kugelmann:
Mostrar mais

11 Ler mais

Educação e luta de classes : a experiência da educação na Comuna de Paris (1871)

Educação e luta de classes : a experiência da educação na Comuna de Paris (1871)

A intensidade de debates, lutas, greves e mobilizações organizadas pelos trabalhadores foram a marca do Segundo Império. O capítulo anterior recuperou o debate pedagógico forjado e construído pelos trabalhadores parisienses a partir dos espaços já existentes ou mesmo das novas ferramentas que passaram a existir como forma de expressão do nível de consciência de classe, a exemplo da AIT. A derrota dos trabalhadores em 1848 foi o combustível para as lutas seguintes, capazes de mostrar, através do prisma educacional, os antagonismos de classe e a construção, ainda que fragmentada, de um novo projeto de formação humana. Nesse sentido, a Comuna, sobretudo no que se refere à educação, foi expressão das lutas gestadas no interior da classe trabalhadora. A experiência histórica da Comuna de Paris durou 72 dias antes de ser destruída e aniquilada pelas tropas de Versalhes. Thiers organizou um exército formado em sua grande maioria pelo lumpesinato e pelos “piratas” de guerra, saqueadores e demais oportunistas, para enfrentar os communards. A reação foi organizada e apoiada pelas principais potências capitalistas, incluindo a Prússia, até então inimiga de guerra, pois se tratava de derrotar a primeira experiência de poder proletário e popular. A classe dominante precisou aniquilar e apagar esta importante experiência da classe trabalhadora, talvez isso explique o maior derramamento de sangue proletário até então visto na história, pois se tratava de uma real ameaça ao seu poder de classe.
Mostrar mais

298 Ler mais

Concepção e papel da política em Karl Marx: uma perspectiva possível do Manifesto do Partido Comunista à Comuna de Paris

Concepção e papel da política em Karl Marx: uma perspectiva possível do Manifesto do Partido Comunista à Comuna de Paris

cotidiana, é a tentativa de reorientar a prática, de transformá-la numa práxis consciente e consequente, numa relação onde a prática orienta a teoria e a teoria reorienta a prática, tornada práxis. Já no que se refere à segunda, reporta a ações e iniciativas tomadas pela exigência da própria força das circunstâncias, para as quais não há referencial prévio devido à novidade original que representam obrigando os indivíduos sociais a responderem da melhor forma possível dentro das perspectivas e possibilidades presentes e apresentadas. A adequação ou não do modo de intervenção só pode ser precisada mais acertadamente post fatum. O problema colocado por essa condição histórico-social e por essas situações excepcionais próprias ao ser do ser social e humano, porque ser que está em constante devir, fazendo- se e em construção permanente, jamais podendo estar completamente construído, senão, seria a negação da própria história, de sua processualidade e da ontologia do ser social, é a capacidade, ou a ausência dela, que certos indivíduos [quando nos referimos aos indivíduos, está implícita a idéia de “indivíduo social”. Não é apenas uma adjetivação predicativa, ao contrário, revela uma importância inestimável ao denotar que é o indivíduo quem constrói sua individualidade através do social, da intercambialidade do conjunto das relações da sociabilidade humana, que produz seu ser genérico e possibilita a entificação do seu ser específico, sua diferenciação enquanto indivíduo; porém, uma diferença que só é dotada de sentido se servir para o enriquecimento das demais individualidades que se integram na complexidade das determinações estruturais da vida social] apresentam de pensar e agir dialeticamente, discernindo e identificando o que são as positividades e negatividades
Mostrar mais

191 Ler mais

Marx e a Comuna de Paris

Marx e a Comuna de Paris

mais o caráter de poder nacional do capital sobre o trabalho, de uma força pública organizada para a escravização social, de uma máquina de despotismo de classe. [...] O Império, tendo o coup d’état por certidão de nascimento, o sufrágio universal por sanção e a espada por cetro, professava apoiar-se nos camponeses, ampla massa de produtores não diretamente envolvida na luta entre capital e trabalho. Professava salvar a classe operária destruindo o parlamentarismo e, com ele, a indisfarçada subserviência do governo às classes proprietárias. Professava salvar as classes proprietárias sustentando sua supremacia econômica sobre a classe operária; e, finalmente, professava unir todas as classes reavivando para todos a quimera da glória nacional. Na realidade, ela era a única forma de governo possível num tempo em que a burguesia já havia perdido e a classe operária ainda não havia adquirido a capacidade de governar a nação. O Império foi aclamado por todo o mundo como o salvador da sociedade. Sob sua égide, a sociedade burguesa, liberta de preocupações políticas, atingiu um desenvolvimento inesperado, até para ela mesma. [...] O poder estatal, que aparentemente pairava acima da sociedade, era, na verdade, o seu maior escândalo e a incubadora de todas as suas corrupções. [...] O imperialismo (entendido aqui como forma política do Segundo Império francês – D. M.) é a forma mais prostituída e, ao mesmo tempo, a forma acabada do poder de Estado que a sociedade burguesa nascente havia começado a criar como meio da sua própria emancipação do feudalismo, e que a sociedade burguesa madura acabou transformando em meio para a escravização do trabalho pelo capital. A antítese direta do Império era a Comuna. (Marx, 2011, p. 54-56)
Mostrar mais

25 Ler mais

De Paris a Jeta, de Jeta a Paris. Percursos migratórios e ritos terapêuticos entre França e a Guiné-Bissau

De Paris a Jeta, de Jeta a Paris. Percursos migratórios e ritos terapêuticos entre França e a Guiné-Bissau

Regressei no dia seguinte. No quintal onde decorrera a cerimónia apenas se encontrava Sábor, sempre deitado na esteira, rodeado de alguns bapene. Sábor, de 40 anos, era um emigrante em França e foi em francês que conversámos e pude reconstruir a sua história. Muito jovem acompanhara o pai a Dakar (Senegal), onde este residia temporariamente, exercendo como napene junto de outros migrantes manjaco. Acabou por ficar a viver com uma irmã nessa cidade, de onde partiu para França, seguindo um percurso migratório vulgar na zona. Nesse país terminou os estudos secundários, empregou-se num laboratório de análises clínicas e casou com uma mulher de origem manjaca. No final da década de oitenta, Sábor defrontou-se com problemas de trabalho e de saúde que o levaram a recorrer aos serviços médicos, tendo inclusive sido hospitalizado, bem como a um napene residente em França. Este último retirou-lhe uma “pedra” do abdómen, sinal de ataque de bruxaria, e prescreveu-lhe os sacrifícios a realizar no altar do espírito da iniciação, o mais poderoso dos altares autóctones. Sábor regressou a Jeta, naquela que foi a primeira visita que efectuou em toda a sua vida adulta, com a finalidade de realizar esse pagamento. No decorrer da cerimónia caíu a seu lado uma serpente, sendo este facto insólito, juntamente com a série de infortúnios que sofrera, interpretado pelos bapene locais como a manifestação clara da vontade do pai, entretanto falecido, de que o filho lhe sucedesse no cargo. Sábor recusou, invocando a irmã que o precedia por ordem da senioridade como a legítima sucessora do pai. Não só a necessidade de se submeter ao longo e perigoso ritual de iniciação o intimidava, como não o seduzia a ideia de ter de assistir enquanto napene os restantes emigrantes que o procurassem em Argenteuil, junto de Paris, onde residia. De regresso
Mostrar mais

18 Ler mais

De Paris a Jeta, de Jeta a Paris. Percursos migratórios e ritos terapêuticos entre França e Guiné-Bissau

De Paris a Jeta, de Jeta a Paris. Percursos migratórios e ritos terapêuticos entre França e Guiné-Bissau

Adoptando muitos dos aspectos formais dos rituais locais, surge como uma entidade alternativa em relação aos espíritos autóctones, de consulta mais fácil embora vig[r]

30 Ler mais

Feminismo no exílio = o círculo de mulheres brasileiras em Paris e o grupo latino-americano de mulheres em Paris

Feminismo no exílio = o círculo de mulheres brasileiras em Paris e o grupo latino-americano de mulheres em Paris

190 Um dos eventos que aflorou ainda mais a discussão sobre autonomia em relação aos partidos ocorreu em 1978. Foi a “Campanha de Solidariedade”, lembrada com pesar até hoje pelas militantes do grupo. Tratava-se de uma campanha para arrecadar dinheiro para viabilizar a saída do Brasil de uma militante do Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP), Waleska, que estava sendo perseguida e corria risco de morte no país. Através de seus militantes, o grupo Campanha, que tinha ligações com o MEP, propôs que o Círculo encampasse o projeto. A proposta foi aceita e o Círculo passou a se mobilizar para conseguir dinheiro e apoio de grupos franceses. Waleska conseguiu sair do país − não é possível afirmar a partir das entrevistas se todas ou somente parte das militantes do Círculo vinculadas ao grupo Campanha tomaram conhecimento do fato − mas o Círculo, desconhecendo este fato, continuou realizando a campanha. Uma integrante do Círculo, vinculada a outra organização divulgou, segundo alguns depoimentos, que Waleska já estava na Europa e que o Campanha sabia do fato mas nada fez para encerrar a atividade. Este momento é descrito como muito doloroso, marcado por choros e indignação. Nem mesmo as militantes do grupo Campanha sabem explicar por que a verdade não foi declarada e por que não se encerrou a campanha (se por motivos de segurança, tentativa de mobilizar o Círculo num momento de pouca atividade, intenção de arrecadar dinheiro...). Os depoimentos sobre o episódio são marcados por um desconforto 531 , particularmente no caso daquelas que tinham vinculação com o grupo Campanha. Passa-se a impressão de que a história ficou mal- resolvida até hoje. Esse evento é interpretado muitas vezes, por aquelas que o vivenciaram, como uma ingerência do grupo Campanha, uma demonstração da fragilidade da autonomia do Círculo. Este evento, apesar das suas conseqüências no Círculo não o levou a encerrar suas atividades, mas foi um detonador do grupo Campanha, que perderia muitos de seus militantes e praticamente deixou de funcionar logo depois desse evento.
Mostrar mais

245 Ler mais

Voyages d’acteurs portugais a Paris

Voyages d’acteurs portugais a Paris

Santos déclare fermement que le voyage à Paris est un élément clé dans la formation de tous les acteurs portugais qui veuillent perfectionner leur talent et devenir des professionnels d’excellence : « presque tous nos acteurs ont, à ce jour, visité la France et savent comment on représente là-bas, et à quel point le sacrifice qui est fait pour y aller est si bien compensé par ce que l’on en rapporte de fructueux et d’utile pour la l’anoblissement de l’art 13 » (ibid). C’est un sacrifice parce que, ne l’oublions pas, entreprendre un voyage en France, en plein XIXe siècle, impliquait beaucoup de jours de voyage en transports peu pratiques, en circulant à travers des chemins sinueux et parfois dangereux, sur terre ou par mer, en train, en bateau, en diligence ou en malle-poste... Dans la description détaillée et humoristique du feuilletoniste Júlio César Machado, la malle-poste « était une série de boîtes, une pour stocker le courrier, une autre pour les bagages, et une autre pour stocker les passagers, toute vieille, tombant en morceaux ; elle tient par des cordes, elle est tirée par sept mules qui volent par monts et par vaux, avec un orchestre de parasites, de cris, de coups de fouets du cocher, la nuit, à l’aube, à midi 14 » (Machado, 1880 : 214).
Mostrar mais

18 Ler mais

Estágio no consulado português em Paris

Estágio no consulado português em Paris

Com a visita ao Museu da História da Imigração em Paris, no dia 13 de outubro de 2018, com o intuito de reunir mais informação em relação aos processos migratórios em França, pude constatar que este país acolheu um grande número de imigrantes portugueses pela necessidade de mão-de-obra na reconstrução da economia. As primeiras referências à presença dos Portugueses em França remontam ainda ao último quartel do século XIX, mas é o século XX que se vem a transformar a grande diáspora portuguesa, como povo de emigração em França. Segundo dados e valores recolhidos no Museu, a França deparou-se com um aumento acentuado da imigração portuguesa entre 1954 e 1975. 21 Estes dados correspondem aos dados fornecidos pelo Arquivo do Consulado Geral em Paris e com os boletins da Junta da Emigração disponibilizados no Consulado Geral. Esta vaga migratória excecional colocou a Comunidade Portuguesa no topo das nacionalidades estrangeiras a entrar em França. Mais de três quartos da população portuguesa entrou de forma clandestina, atendendo ao contexto histórico-político e de precaridade socioeconómica que se vivia em Portugal na altura, durante o regime de António de Oliveira Salazar (Presidente do Conselho de Ministros de Portugal entre 1932 e 1968) ou regime político autoritário designado por Estado Novo.
Mostrar mais

115 Ler mais

Universidade, liberdade e política na comuna medieval: um estudo de cartas oficiais.

Universidade, liberdade e política na comuna medieval: um estudo de cartas oficiais.

Ao nos voltarmos para a história das cidades e das universidades no medievo ocidental, uma das questões que mais nos chamam a atenção é o caráter constante de luta pela liberdade e a idéia de comunidade. O espírito de pertencimento e a política caminham juntos na cidade, que Tomás de Aquino, da mesma forma que Aristóteles, denominou de comunidade perfeita. “Por isso, quem rege a comunidade perfeita, isto é, a cidade ou o país, chama-se antonomasticamente rei [...]” (TOMÁS DE AQUINO, 1997: p. 130). Essa comunidade perfeita, habitada por uma multidão heterogênea, com interesses variados e, às vezes, até mesmo conflitantes, estabelecia, no seu interior, uma ideia nova em relação ao universo do sistema feudal e das antigas relações nômades: aqueles que pertencessem à cidade possuíam, apesar da heterogeneidade, interesses comuns. Compunham, desta forma, uma comunidade em que todos deveriam se unir e defender seus pares. Assim, a idéia e o conceito de ‘bem comum’, do mesmo modo que a luta pela liberdade, tornaram-se comuns aos homens do século XIII.
Mostrar mais

18 Ler mais

Entrevista: Paris Yeros

Entrevista: Paris Yeros

10 No Brasil, há ainda um grande desconhecimento destes e outros assuntos referentes à África contemporânea. Hoje, graças à lei 10.639, conhecemos um pouco mais da história da África. Ainda é pouco, em verdade. Mas talvez seja mais do que sabemos sobre a África atual, em suas variadas esferas. O sr. não acha que está na hora de incluir seriamente o estudo da África em outros campos de conhecimento no ensino superior, para além dos Departamentos de História? Por exemplo: Relações Internacionais, Artes, Filosofia, Ciência Política, Sociologia, Economia?
Mostrar mais

6 Ler mais

"O último trem para Paris"

"O último trem para Paris"

Num livro em fase de lançamento, o ex-ministro Velloso tenta mostrar que “o Brasil, mesmo com os percalços apresentados, realizou entre 1974 e 1983, um dos ajustes estruturais mais importantes empreendidos por um país subdesenvolvido. Ao fazê-lo, libertou-se da terrível dependência em relação a excessivas importações de petróleo e matérias-primas industriais. Mais: passamos de grandes importadores a exportadores de insumos básicos e bens de capital. E não podemos deixar de registrar que isso aconteceu na última oportunidade em que poderíamos fazê-lo, porque na fase seguinte, em 1982, sobreveio o colapso financeiro externo e a recessão interna. Foi, em certo sentido como se tivéssemos tomado o último trem para Paris…”.
Mostrar mais

2 Ler mais

Norte Júnior em Paris

Norte Júnior em Paris

Da leitura apercebemo-nos que Norte Júnior sofreu um choque em Paris: o custo de vida, muito superior às suas possibilidades; a alimentação, a que nunca se habituou; o próprio atelier do célebre arquitecto francês para onde foi, Jean- Louis Pascal, que lhe desagradava e onde afirmava perder o seu tempo; e, sem provas mas também sem muitas dúvidas, o facto de ter uma esposa de quinze anos, com quem acabara de casar, sozinha em Lisboa.

27 Ler mais

A Comuna de La Paz (1971) e o controle operário da mineração

A Comuna de La Paz (1971) e o controle operário da mineração

Não foi, portanto uma obra do acaso que ampliaram conteúdos da História americana no interior de uma “história da civilização” e de forma mais contundente, houve a proposta de se introduzir mesmo no ensino primário o ensino de História da América. A proposta de Manuel Bomfim, que ocupava no final do século XIX o cargo de Diretor da Instrução Pública do Rio de Janeiro, preconizava a introdução de História da América para a Escola Normal encarregada da formação de professores das escolas primárias. Como resultado dessa proposta surgiu o primeiro manual didático brasileiro de História da América, ganhador do concurso promovido pela Diretoria Geral de Instrução Pública do Rio de Janeiro e escrito por Rocha Pombo. Essa obra representava uma versão sobre os caminhos a serem seguidos pela recente república que finalmente se inseria no mundo do republicanismo americano, liberto da escravidão e que deveria se preocupar com seu papel frente ao imperialismo europeu e reconhecer a mestiçagem de seu povo como portador de um novo tipo de “civilização”. Manuel Bomfim, em várias de suas obras, relativizou o ideal civilizatório ocidental e propunha a necessidade de confrontar o domínio de uma cultura sobre as demais em nome de uma questionável “civilização” que massacrava povos indígenas e criadora de uma escravidão justificada pelos princípios de “raça superior”. O autor Rocha Pombo seguidor dos mesmos princípios assim expôs esse ideário em sua obra didática de 1900:
Mostrar mais

11 Ler mais

Determinantes da desnutrição infantil na Comuna de Bom Jesus, Angola: aplicação do...

Determinantes da desnutrição infantil na Comuna de Bom Jesus, Angola: aplicação do...

Objetivo: Identificar os determinantes da desnutrição infantil, na Comuna de Bom Jesus, em Angola. Métodos: Estudo transversal de base populacional com 742 crianças menores de 5 anos, Bom Jesus, Angola, 2010. Foi aplicado um inquérito por entrevista para coleta das variáveis independentes, seguido da aferição do peso e estatura. A classificação nutricional seguiu critérios da Organização Mundial da Saúde (2006). Para identificar os fatores associados aos déficits de peso/idade (P/I), estatura/idade (E/I) e peso/estatura (P/E), foram calculadas razões de prevalência mediante regressão de Poisson com variância robusta, utilizando-se modelos de determinantes hierarquizados. Resultados/Conclusões: Bairro de moradia, idade da criança e sexo associaram-se aos déficits nutricionais. No nível distal, observou-se maior chance entre crianças de domicílios sem energia elétrica, que viviam com o pai e cujo pai tinha outra família, respectivamente, aos déficits de P/I, P/E e E/I. No nível intermediário, maior chance foi observada entre crianças cujo domicílio era abastecido com água de rio ou lago e os déficits de P/I (RP:2,01; IC95%1,01-4,02) e E/I (RP:1,67; IC95%1,04-2,69), assim como entre déficit de P/E e crianças cuja ordem de nascimento era a partir do terceiro. Neste nível, observou-se menor chance do déficit de P/E entre crianças cuja idade da mãe era entre 25 e 34 anos e déficit de P/I e aquelas com um irmão menor de 5 anos. No nível proximal, maior chance foi observada em crianças que apresentaram vômito, 15 dias anteriores à pesquisa, e os déficits de P/I (RP:2,01; IC95%1,33-3,30) e E/I (RP:1,53; IC95%1,04-2,69). Maior chance foi observada entre o déficit linear e a manifestação de diarreia com muco e sangue, à véspera do inquérito. Esses resultados justificam a elaboração de intervenções voltadas à adequada assistência pré-natal e puericultura e melhoria do acesso à água de qualidade.
Mostrar mais

85 Ler mais

MODERNIDADE MANCA: A PARIS DOS TRÓPICOS

MODERNIDADE MANCA: A PARIS DOS TRÓPICOS

O sucesso da Manaus que se erguia sob os ditames da economia gomífera é dependente, em boa medida, da catástrofe nordestina. Sem o braço do migrante cearense, pernambucano ou paraibano, o rudimentar sistema de exploração não teria obtido o mesmo êxito. Todavia, não só de nordestinos se fez a população manauara que de 8.500 habitantes em 1850 saltou para 50.300 habitantes já em 1890; também se deu um incremento considerável de imigrantes portugueses, espanhóis, franceses, libaneses, ingleses, alemães, etc. Ou seja, pessoas de todo o mundo depositaram em Manaus a esperança de enriquecerem graças ao fausto da borracha amazônica. Vale ressaltar que o lugar social e os postos de trabalho de cada um desses novos moradores são bastante distintos. Os ingleses ficaram responsáveis pelos serviços de exportação e pelos empreendimentos de engenharia; a presença britânica, na história manauense, foi de tal modo relevante que a Manaus dos primeiros anos do século passado também é referida como a Manaus dos ingleses. Aos árabes, portugueses e espanhóis, couberam, no mais das vezes, as atividades ligadas ao comércio. Já aos brasileiros pobres, oriundos do Pará, do Maranhão e dos Estados atingidos pela seca do Nordeste, restou a escravidão por dívidas adquiridas nos barracões.
Mostrar mais

17 Ler mais

A Argentina Inflamada de Vogue Paris

A Argentina Inflamada de Vogue Paris

A linguagem visual de Vogue Paris evidencia um diálogo entre o Eu-narrador e o Outro, em cenas repletas de componentes simbólicos (CAVALHEIRO e FONSECA, 2011), dentre eles o cavalo. A história da equitação – seja ela de corte, militar ou esportiva – e mesmo o uso deste animal, remetem ao universo da caça, da guerra, do transporte e da tradição. O cavalo que aparece em Tango des passions tem porte elegante, reconhecido como de sangue, rápido, viril, inteligente e manejável. Na imagem, metade de seu corpo está escondida por trás das manequins, mas sua aparição é surpreendente, uma vez que encontra-se molhado de água e sabão; seu olhar é direcionado às duas jovens mulheres, reforçando a importância do duplo na cena.
Mostrar mais

19 Ler mais

Show all 10000 documents...