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O Estado e a sociedade no Paraguai durante o governo do partido liberal (1904-1935)

O Estado e a sociedade no Paraguai durante o governo do partido liberal (1904-1935)

Cecílio Báez - Presidente provisório que foi empossado em dezembro de 1905. Nasceu em Assunção, em 1º de fevereiro de 1862, e faleceu nessa mesma cidade, em 18 de junho de 1841. Foi um dos fundadores do Centro Democrático, depois Partido Liberal, atuando na vida pública como chanceler, reitor de universidades, e política partidária. Foi ministro das relações exteriores de seu antecessor. No campo acadêmico, dedicou-se à pesquisa, sendo autor de 15 livros, nos quais se incluíam ensaios sobre a tirania no Paraguai, sobre a época dos ditadores e história diplomática. Deixou o poder em novembro de 1906, quando seria empossado o primeiro presidente não-provisório do Partido Liberal, Benigno Ferreira. A facção do Partido Liberal que se forma, chamada de “Cívicos”, adquire certa hegemonia no poder e consegue tirar Gaona e colocar, de forma provisória, Cecílio Báez. A preocupação com a estabilidade política e econômica continua a mesma, sendo que, no bojo de sua mensagem, podem-se entrever citações de algumas conquistas do ano anterior. Assim é que a fundação do Banco Paraguayo, a entrada de capitais estrangeiros, o aumento de capital de indústrias que se fixaram no país, o aumento da confiança dos investidores estrangeiros nas garantias dadas pelas leis vigentes, resultaram, segundo o próprio presidente, em uma sensível melhoria da condição financeira, econômica e social do país. Cecílio Báez define, com certa clareza, as linhas mestras a seguir na política social e econômica, pois nos próximos anos em que seu sucessor estiver no poder sentir-se-á o efeito dessas determinações. A tônica de todo o discurso é a preocupação com o saneamento da moeda, pois o país se encontra em crise, e acredita que, depois disso, a educação poderá melhorar; as instituições, de um modo geral, vão se beneficiar com a construção de prédios novos, o exército se armará melhor, os seminários vão ter mais dinheiro para formar mais clérigos, bem como a manutenção e criação de novos templos. Diz que o país se encontra em uma situação de isolamento, sem investidores, os fatores externos da produção, e sem perspectivas, devido à ingente instabilidade monetária.
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Pelas tramas da política: a constituição do partido liberal moderado na província do Ceará

Pelas tramas da política: a constituição do partido liberal moderado na província do Ceará

Na Capital, a resistência oposicionista era feita por José Pio Machado, Joaquim da Silva Santiago e Antônio Rodrigues Ferreira (o Boticário Ferreira), vereadores de Fortaleza que aos poucos tornaram a Câmara Municipal um local de oposição às ordens do governo provincial. Ela foi responsável por criar um grande impasse na administração de Alencar. A querela surgiu na escolha do promotor da Capital, no primeiro semestre de 1835. Para formar a lista tríplice, a Câmara de Fortaleza indicara dois nomes e o Presidente um, André Bastos de Oliveira. Como era de se esperar, o escolhido por Alencar foi aquele que havia indicado, porém acabou havendo uma contradição. André Bastos de Oliveira era também secretário do governo provincial e conforme a acusação da Câmara, o ocupante do cargo de secretário não poderia ser promotor de acordo com o Código do Processo de 1832, tornando nula a escolha do Presidente. Alencar, entretanto, interpretou que este ato foi uma manobra dos vereadores rivais para livrarem de condenação João André Teixeira Mendes, preso por ser um dos “facínoras” que atemorizava os sertões cearenses – obstáculo à interiorização da ordem moderada no hinterland 387 – e que, segundo Alencar, estava se aliando ao “partido da Oposição”. O Presidente ansiava em ter um promotor de sua confiança justamente para condená-lo. A Câmara Municipal acabou enviando um ofício diretamente para a Câmara dos Deputados, que se posicionou favorável àquela suspensão, já que a medida de Alencar realmente ia de encontro ao Código de 1832. O que nos fica evidente é a importância de se controlar a escolha dos cargos públicos para a política de governo de Alencar, que por seu próprio deslize foi derrotado politicamente pela oposição (apesar de no fim das contas João André ter sido condenado). Em represália, Alencar mandara suspender aqueles três vereadores “turbulentos”, como chamou, mas não haveria como processá-los: o juiz de paz era Manoel José de Albuquerque, uma das principais lideranças do “partido da Oposição” e o responsável por criar a loja maçônica Nacionalidade 388 .
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Da "constituinte soberana" a "conciliação política sobre as bases das reformas": O Partido Liberal em Pernambuco e o gabinete Paraná de 1853.

Da "constituinte soberana" a "conciliação política sobre as bases das reformas": O Partido Liberal em Pernambuco e o gabinete Paraná de 1853.

A respeito dos meios para a concretização dessas reformas, recomen- dava o programa em questão o caminho parlamentar, ao mesmo tempo em que orientava os seus correligionários a utilizarem a imprensa como veículo de propagação das suas ideias. Além disso, era sugerida a organização de associações políticas “de conformidade com as leis” para discutir e divulgar os princípios liberais, orientar o seu partido nas urnas e persuadir a sua mi- litância a sempre utilizar os recursos legais para fazer triunfar a sua vontade. A divulgação do programa liberal do Rio foi motivo de muitos comen- tários na imprensa praieira. Todos pouco solidários com seu conteúdo que logo cedo foi considerado essencialmente moderado pela maioria dos jornais de oposição, embora parte da proposta reformista dos luzias fosse acatada e bem aceita, sem maiores problemas em suas páginas. Entre os pontos comuns do programa liberal da Corte e o pensamento dos praieiros, despontavam di- versas reformas político-institucionais, a saber: a eleitoral, a judiciária, a da Lei de Interpretação do Ato Adicional, a administrativa e a parlamentar. Mas, mesmo sobre essas matérias, notavam-se alguns desentendimentos entre os liberais. Assim, no programa do Rio, as incompatibilidades 23 que geralmente
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Comparação entre os sistemas políticos da Argentina, do Brasil e do Chile: raízes históricas.

Comparação entre os sistemas políticos da Argentina, do Brasil e do Chile: raízes históricas.

Palavras-chave: Socialismo; Peronismo; Varguismo; Liberalismo; Imigração O artigo propõe uma comparação entre os sistemas políticos do Brasil, da Argen- tina e do Chile, levando em conta aspec- tos históricos distintivos da formação das classes sociais e suas expressões políticas nos três países, notadamente a influên- cia da imigração estrangeira. Ressalta-se que, na Argentina, a enorme quantidade de imigrantes estrangeiros, especialmen- te europeus, sem cidadania (até 70% na burguesia urbana e no proletariado qualificado) impediu a formação de um partido liberal de peso e, por conseguin- te, de uma força de direita moderna, de- bilitando também as alternativas social- democratas e socialistas. No Chile, a classe trabalhadora e a população como um todo, apesar da significativa presença estrangeira, conservou-se mais homogê- nea e nacional. No Brasil, a abundância de mão-de-obra barata dificultou, desde o início do século XX, a formação de um partido socialista ou de corte radical, ambos existentes, em contrapartida, na Argentina e no Chile. Posteriormente, o varguismo teve um forte apelo popular, porém concentrado nas áreas urbanas. A classe operária constituída durante a in- dustrialização do Brasil era proveniente do interior e carecia de memória histó- rica, estando assim disposta para novas experiências, como a do PT. Já na Argen- tina, o estancamento industrial faz com que sua classe operária atual se mantenha muito semelhante à dos primórdios do peronismo, favorecendo a persistência dessa expressão política.
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Atraer el pueblo a las urnas: la campaña electoral de Enrique Olaya Herrera

Atraer el pueblo a las urnas: la campaña electoral de Enrique Olaya Herrera

El 13 de diciembre de 1929 en las oicinas de El Tiempo se celebró una reu- nión en la cual estuvo presente el director del partido Liberal Eduardo Santos y líderes como Gabriel Turbay, Francisco José Chaux, Roberto Botero Saldarriaga, Luís Cano y Luis E. Nieto Caballero. Fue el escenario donde se propuso el nombre de Enrique Olaya Herrera, Ministro en Washington, como candidato a la presiden- cia. Aprobada la decisión, el directorio del partido se comunica cablegráicamente con el Ministro y le expone los motivos para postular su nombre para la candida- tura presidencial. Lo principal que le arguyen, es la necesidad de unir al partido liberal y emprender la tarea de llegar al poder con el ideal de subsanar la situación por la que atraviesa el país. Al día siguiente, 14 de diciembre, los medios de comu- nicación, con gran despliegue lanzan la candidatura presidencial de Olaya Herrera, “Era el hombre indicado por sus antecedentes republicanos, por su experiencia ad- ministrativa, por su personalidad avasalladora y equilibrada, su conocimiento de
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Jom Catunda e a recepção do debate evolutivo na segunda metade do século XIX

Jom Catunda e a recepção do debate evolutivo na segunda metade do século XIX

proeminente Pompeu, formou-se na Faculdade de Direito de Recife e no Seminário de Olinda, e fez carreira política, chegando a se tornar do chefe do Partido Liberal e senador do Império.[r]

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METAMORFOSES DO PENSAMENTO LIBERAL DE RUI BARBOSA: SUA POSIÇÃO SOBRE ESTADO E EDUCAÇÃO

METAMORFOSES DO PENSAMENTO LIBERAL DE RUI BARBOSA: SUA POSIÇÃO SOBRE ESTADO E EDUCAÇÃO

Este artigo analisa as manifestações e apropriações do liberalismo por Rui Barbosa (1848 – 1923), no Brasil, no final do século XIX, explicitando as mudanças que se observam na concepção de Estado e educação desse autor. Suas posições foram expostas em artigos de jornais, em programas de governo, em discursos na Câmara dos Deputados, em projetos de reforma, principalmente, no projeto de Reforma eleitoral de 1881 e no Projeto/parecer sobre a educação primária, secundária e superior (1882 e 1883). Nestes pareceres defendeu a necessidade do Estado assumir total responsabilidade para com a oferta da educação desde o jardim de infância até o ensino superior, buscando garantir o acesso das camadas populares. Rui Barbosa foi um dos defensores dos postulados básicos do liberalismo, tendo participado por quase duas décadas como membro do Partido Liberal, entretanto, apropriou-se dessas idéias dando-lhes tonalidade própria, conforme a necessidade do país, e defendeu, no período republicano, a interferência do Estado na economia, adotando medidas protecionistas à indústria nacional. Sua posição neste cargo assemelha-se a assumida quando da defesa da escola pública sob responsabilidade do Estado, demonstrando mudanças na sua concepção anterior no qual defendia a propriedade privada, a liberdade comercial, a liberdade de culto, a liberdade individual e a soberania do indivíduo. Rui Barbosa foi um ardoroso lutador, na luta pela modernização do Brasil combateu em várias frentes, a leitura do conjunto de sua obra revela as metamorfoses do pensamento desse autor.
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A dimensão política do cristianismo contemporâneo no Brasil o que dizem as eleições

A dimensão política do cristianismo contemporâneo no Brasil o que dizem as eleições

Também a Igreja Universal do Reino de Deus, va- lendo-se do artificio pelo qual ela se diferencia do Partido Liberal quando lhe convém, apóia Garoti-. nho através de gestos como o do Bis[r]

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A configuração políticopartidária imperial a partir dos debates acerca da Abolição no Ceará

A configuração políticopartidária imperial a partir dos debates acerca da Abolição no Ceará

A autora defende ainda que as identidades não são unificadas, o que pode ocasionar divergências entre o individual e o coletivo, sobretudo porque as identidades são constituídas a partir das posições assumidas pelos indivíduos e com as quais estes se identificam. Nesse sentido, chamamos a atenção para um aspecto essencial referente à construção identitária: o espaço da experiência pessoal. Por mais coeso que um grupo social possa parecer, não se pode tomar como pressuposto sua homogeneidade, pois que as individualidades não devem ser descartadas. O particular não perde em importância face ao geral. Pelo contrário, mostra que as generalizações não dão conta da complexidade dos indivíduos e expõe a heterogeneidade que se oculta sob a falsa aparência de ausência de desigualdades. Essa heterogeneidade tem relação, sobretudo, com a especificidade histórica das identidades. Woodward lembra que os processos de identificação são produzidos em momentos particulares no tempo. Essa é uma dimensão fundamental para a História e nos remete ao nosso objeto de pesquisa, na medida em que, no período aqui analisado (1867-1884), se identificar como liberal ou conservador não significa, necessariamente, ser filiado ao Partido Liberal ou ao Partido Conservador. Se uma das principais bandeiras levantadas pelo Partido Liberal era a abolição da escravidão, deduz-se, quase logicamente, que os indivíduos autointitulados liberais tomavam para si a causa abolicionista. Engano. Em ambos os partidos,
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Las milicias en el Estado Soberano del Magdalena, 1863–1886

Las milicias en el Estado Soberano del Magdalena, 1863–1886

En el proceso de consolidación del Estado colombiano, fue fundamental el año de 1863, en el cual, el partido liberal aprobó una nueva constitución política nacional, en la que el control del orden público quedó descentralizado, permitien- do a los Estados Soberanos armarse con libertad para hacer la guerra entre ellos, sin intervención del gobierno central. Se adoptó el Federalismo como régimen es- tatal, resultando nueve Estados Soberanos que integraron los Estados Unidos de Colombia: Antioquia, Bolívar, Boyacá, Cauca, Cundinamarca, Magdalena, Pana- má, Santander y Tolima. El Ejército Nacional fue notablemente disminuido y la Fuerza Armada de cada Estado pasó a ser la principal forma de control, no sólo por parte del gobierno sino de los distintos entes de poder económico. Por esta razón, el interés de este artículo radica en la identiicación y la caracterización —a través de la descripción del tipo de cuerpos armados, así como la participación que tuvie- ron en distintos enfrentamientos— del modo de conformación, establecimiento y operación de las fuerzas armadas en el Estado Soberano de Magdalena durante el período 1863-1885.
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A repressão do tráfico atlântico de escravos e a disputa partidária nas províncias: os ataques aos desembarques em Pernambuco durante o governo praieiro, 1845-1848.

A repressão do tráfico atlântico de escravos e a disputa partidária nas províncias: os ataques aos desembarques em Pernambuco durante o governo praieiro, 1845-1848.

O caso aqui estudado ajuda-nos a entender os labirintos percorridos pela lei até sua efetivação nas localidades. Existem muitos estudos sobre o tráfico atlântico de escravos, mas pouco se fala da politização da repressão nas localidades, um processo inescapável, depois de 1831, uma vez que os negreiros passaram a utilizar os portos naturais do litoral, situados em praias particulares, cujos proprietários atuavam na política local, ocupando a justiça de paz, os cargos na polícia civil, guarda nacional, câmaras e assim por dian- te. A disputa partidária se aqueceu a partir do quinquênio liberal (1844-48), quando o tráfico para o Sudeste atingiu seu apogeu. O governo praieiro em Pernambuco (1845-48) promoveu a repressão ao tráfico; uma repressão tímida e localizada, mas antes de tudo partidarizada, pois o alvo eram os desembarques em benefício dos adversários. O estudo deste caso lança luz sobre a possível partidarização da repressão ao tráfico em outras províncias e localidades, antes e depois de 1850. Afinal de contas, no país inteiro, os portos naturais também tinham donos. O fato de que o tráfico acabou para todos esconde a politização da repressão nas localidades. Alguns dos maiores traficantes do Rio de Janeiro, por exemplo, eram vinculados ao partido liberal e se beneficiaram da lassitude do governo quanto ao tráfico durante o quinquênio liberal. Seguindo o per- curso da obra de Fátima Gouvêa, este artigo serve assim para mostrar que as respostas locais à legislação advinda da Corte nem sempre se realizavam pelos motivos esperados pelos legisladores, mas por outras motivações alicerçadas nos interesses diretos dos protagonistas que viviam nas localidades.
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Partido: a página virada de Italo Calvino / Partido: Italo Calvino’s Turned Page

Partido: a página virada de Italo Calvino / Partido: Italo Calvino’s Turned Page

e depois a outra, o bom. A Calvino interessa, mais que essa dicotomia, a divisão e a incompletude, que representam bem o homem contemporâneo à escrita do romance, saído do pós-guerra mutilado e incompleto. Em Partido, também são estes os aspectos que mais importam; o excesso de bondade é tratado com humor, inclusive pela plateia. Encontram-se, também no espetáculo, o carpinteiro Pedroprego, cujas forcas destroem mais papéis do que pessoas, Pamela e sua família, o Dr. Trelawney, os huguenotes e os leprosos, de forma que a sequência narrativa do romance de Calvino não sofre muita interferência. A sobrevida que o espetáculo apresenta está no potencial dos objetos cênicos, no trabalho criativo dos atores e do diretor, que se entregam em suas subjetividades, e na compreensão de que a totalidade, a inteireza e a completude são inalcançáveis também no Brasil, na virada do milênio. Conforme argumentou Brandão, dessa maneira ele e o grupo puderam construir um trabalho “com melhor entendimento, agilidade e liberdade” (BRANDÃO, 2014, p. 63).
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Origem e transformação do enraizamento sindical do Partido Justicialista (Argentina) e do Partido dos Trabalhadores (Brasil).

Origem e transformação do enraizamento sindical do Partido Justicialista (Argentina) e do Partido dos Trabalhadores (Brasil).

Posteriormente, mesmo que ambos os partidos conservassem suas marcas de origem e sua dependência a respeito, a inferência descritiva que propôs esta investigação permitiu observar como o caminho foi diferente, e inclusive foi variável no interior de um mesmo caso. Na Argentina, a preeminência política sob a sindical originária terminou impondo-se na maior parte do período analisado; entretanto, a partir da redemocratização dos anos 1980, se gerou uma mudança de sentido do vínculo partidário-sindical. No Brasil, apesar de ter se mantido a preeminência sindical sob a política durante todo o período posterior à origem do PT – com o qual seria possível relacionar uma forte dependência da origem –, em realidade a relação partidária- sindical foi se alterando através de mudanças graduais no interior do partido, especialmente pela variação do tipo de dirigências sindicais e as mudanças programáticas, que acompanharam a pretensão eleitoral do PT.
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Arco-íris Liberal

Arco-íris Liberal

Negá-lo seria salvaguardar a pureza dos princípios (a divisão de poderes), mas, por outro lado, potencializar situações que se afiguravam indiscutíveis. «A soberania do povo e o veto do rei são duas coisas repugnantes: ou há-de existir um ou o outro. Ser soberano e ao mesmo tempo dependente é tão contraditório como simul esse, et non esse. Ou o povo há-de ser escravo, ou rei não há-de ter veto de qualidade nenhuma» (Feio 1821: 157). Seja como for, a questão do direito de veto no quadro da monarquia constitucional vintista criou, ou viria a manifestar divergências na definição do regime liberal pretendido. O mesmo se verificou nos debates suscitados pela hipótese de o poder legislativo ser exercido por duas câmaras e não por uma única. Para uns, sendo incontestável a unidade da nação decorrente da unidade da soberania, haver duas câmaras seria «um absurdo»: «A nação é una e indivisível, nela reside a soberania e seria tumultuoso que esta soberania se dividisse em duas partes» (Carneiro 1821: 147). Além disso, dizia-se, a segunda câmara seria uma forma de intervenção do poder executivo no legislativo, se não diretamente, pelo menos por interposta influência. De facto, se os seus membros pertencessem a uma elite, esta facilmente se aliaria ao poder real e se tornaria «rival e inimiga do corpo dos representantes da nação» (Franco 1821: 149). Dizia-se também que «quando se trata de reformar abusos e privilégios é preciso concentrar o poder num congresso só e dar-lhe unidade e autoridade» (Franco 1821: 149).
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EDUCAÇÃO E ILUSÃO LIBERAL

EDUCAÇÃO E ILUSÃO LIBERAL

A administração dos serviços públicos, inclusive o da educação, era colocada sob as influências político-partidárias. A oligarquia ruralista organizava-se, empolgando os postos chaves do Partido Republicano Paulista e os representantes da classe média eram despojados de influência política. O servidor público era mais um funcionário do partido do que membro da burocracia estatal. A dominação dos chefes municipais, dos ‘coronéis’ consolidava-se. O Congresso Estadual tornou-se, pelo processo eleitoral, expressão unânime do situacionismo republicano. As ilusões democrático-liberais cederam lugar à realidade oligárquica, que irá predominar até o fim da República Velha, em 1930 15 .
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O igualitarismo liberal de Dworkin.

O igualitarismo liberal de Dworkin.

É a partir do capítulo 6 de Taking rights seriously que Dworkin apresenta uma defesa mais detalhada dos diferentes direitos. Sustenta que o direito mais fundamental é o direito à igualdade, e essa é, realmente, a premissa básica da sua filosofia política. Se alguém perguntasse “Igualdade de quê?”, Dworkin responderia, num primeiro momento, que se trata da igualdade de consideração e respeito requerida mutuamente entre todos os indivíduos. Ela forma também a base das ações políticas e determina projetos governamentais. É exatamente a partir desse direito básico à igualdade que ele justifica os outros direitos legislativos, econômicos, políticos etc. Mas o que é surpreendente para um filósofo que se diz liberal é que, no capítulo 12 do referido livro, Dworkin argumente que não existe o assim chamado direito fundamental à liberdade (1977, p. 266). Obviamente, ele não nega que os indivíduos têm direito a certas liberdades, por exemplo, o direito à tomada de decisões pessoais em questões morais. Todavia, esses direitos são derivados não de um suposto direito geral e abstrato à liberdade como tal, mas do direito à igualdade.
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O que há de errado com a democracia liberal?.

O que há de errado com a democracia liberal?.

O feminismo tem que questionar a separação das esferas, e nesse sentido tem pouca coniança nas distinções que a democracia liberal tenta fazer. E, no entanto, aqui também alguma acomodação é possível. À parte loreios retóricos, poucas feministas abandonaram qualquer distinção e, na questão do direito de escolha da mulher, muitas incorporaram noções liberais do que é irredutivelmente uma questão privada, em seus argumentos a favor do aborto livre e legal. A reserva adicional que observei deriva antes da tradição republicana do que da liberal. Embora o feminismo seja frequentemente refém daqueles que dissolvem as diferenças de escala e espécie numa mis- tura amorfa, há distinções cruciais entre ser uma cidadã e ser uma pessoa simpática e cuidadosa. Uma sociedade plenamente democrática seria aquela em que as pessoas se respeitassem mutuamente e onde todas as relações, não importa quão pequeno ou íntimo o contexto, fossem permeadas pelo princípio de que todas as pessoas têm o mesmo peso. Ainda assim, haveria diferença de espécie entre o lar, o local de trabalho e o Estado.
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A causa de pedir no direito processual civil

A causa de pedir no direito processual civil

Este trabalho tem por finalidade abordar o instituto da causa de pedir enquanto um dos elementos constituidores da demanda. Para tanto, se realizará investigação histórica do aludido instituto partido do direito romano antigo e chegando até o direito processual hodierno. Sob o ordenamento então vigente, a causa de pedir será contextualizada frente aos elementos identificadores da demanda processual, oportunidade em que se situará na dimensão objetiva da mesma (demanda). Buscar- se-á a solidificação do conhecimento atinente à causa de pedir pelo exame dos seus elementos internos, da sua classificação em sede doutrinária e da sua interação com outros fenômenos processuais (ampla defesa, contraditório, celeridade processual, efetividade). Lançadas estas premissas dogmáticas, partir-se-á para a identificação da causa de pedir, em abstrato, em cada espécie de demanda onde ela é veiculada. Neste intento, a causa de pedir será examinada nas ações de conhecimento, nas ações executivas, nas ações cautelares, nas ações fundadas em direito pessoal, nas ações fundadas em direito real e nas ações tributárias. Realizado este estudo, pretende-se contribuir para a identificação e a clarificação de pontos nodais atinentes à causa de pedir, tarefa que se afigura de suma importância tendo em vista, de um lado, se tratar de um dos institutos basilares da sistemática processual civil e, de outro lado, existir grande dissenso doutrinário e jurisprudencial a respeito de diversas questões que a envolve.
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Escola sem partido na Educação do Campo

Escola sem partido na Educação do Campo

direito universal da educação básica, já que o mundo privado é o mundo do negócio. Esta desqualificação não foi inocente, pelo contrário, abriu o caminho para a gestão privada ou com critérios privados da escola pública mediante institutos privados, organizações sociais, e ou as fundações empresariais como a Fundação Educar, Fundação Lemann, Fundação Roberto Marinho, Instituto Ayrton Senna, Instituto Unibanco, que são parte do esforço dos empresários brasileiros no sentido de influenciar diretamente a educação em todos os níveis. E, mais recentemente, para se apropriar por dentro, com a anuência de grande parte dos governantes, da definição do conteúdo, do método e da forma da escola pública. Não é a toa que essas fundações que representam o grande capital estão presentes nas discussões sobre o reforma do Ensino Médio, as Diretrizes Curriculares Nacionais, e o Escola sem Partido.
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O VALOR SOCIAL DO TRABALHO E A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA À LUZ DO POSITIVISMO E DO PÓSPOSITIVISMO  Cristiano Lourenço Rodrigues, Rafael íssimo Siquerolo

O VALOR SOCIAL DO TRABALHO E A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA À LUZ DO POSITIVISMO E DO PÓSPOSITIVISMO Cristiano Lourenço Rodrigues, Rafael íssimo Siquerolo

Ademais, as leis em questão se inseriam no contexto da reinante filosofia liberal e da ordem jurídica que dela advinha, o direito liberal, cujos postulados, segundo feliz síntese de François Ewald, podem ser assim expressos: a) a preocupação com o próximo decorre de um dever moral: tornar esse dever em uma obrigação jurídica elimina a moral que deve existir como essência da coesão social; b) todo direito obrigacional emana de um contrato: a sociedade não deve obrigação a seus membros; só se reclama um direito em face de outro com quem se vincule pela via de um contrato; c) a desigualdade social é consequência da economia (e a igualdade, também): quando o direito procura diminuir a desigualdade, acaba acirrando a guerra entre ricos e pobres (ricos obrigados à benevolência, buscam eliminar o peso do custo de tal obrigação; pobres, com direitos, tornam-se violentos); d) a fraternidade é um conceito vago que não pode ser definido em termos obrigacionais; e) o direito só tem sentido para constituir a liberdade nas relações intersubjetivas, pressupondo a igualdade (a ordem jurídica tem a função de impedir os obstáculos à liberdade); f) o direito não pode obrigar alguém a fazer o bem a outra pessoa; g) em uma sociedade constituída segundo o princípio da liberdade, a pobreza não fornece direitos, ela confere deveres.
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