Partidos políticos - América Latina

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Partidos políticos na América Latina.

Partidos políticos na América Latina.

funcionamento interno. Pode-se dizer que na academia não houve realmente interesse em estudar o que ocorre dentro das agrupações partidárias. Além dos trabalhos realizados de uma perspectiva histórica (Di Tella, 1993; Dutrénit e Valdez, 1994; Malamud, 1995), o enfoque dominante privilegiou a análise dos partidos na relação com seu ambiente. Neste sentido, as pesquisas centraram seu interesse na vinculação dos partidos com seu entorno, seja em sua vinculação com outras organizações partidárias, por exemplo, com relação à competição eleitoral (Nohlen, 1993; Alcántara, 1996); em sua interação no marco do sistema de partidos e sua ancoragem na sociedade civil (Mainwaring e Scully, 1995); em sua relação com as instituições do sistema político (Mainwaring e Soberg Shugart, 1997) ou, como já se observou, enquanto promotores da democratização. Com a reiterada realização de processos eleitorais, os autores concentraram ainda mais suas análises no rendimento eleitoral dos partidos e naqueles aspectos vinculados a sua participação nas eleições, por exemplo, a realização de campanhas eleitorais e pesquisas de opinião. Mas as dificuldades que as organizações partidárias encontravam para satisfazer as demandas dos cidadãos em cenários de crise econômica, de apatia e desencanto com a atividade política, levaram ao surgimento de outsiders políticos, personalidades que embora chegassem ao poder graças aos partidos, atuavam à margem deles (Perelli, Picado e Zovatto, 1995; Mayorga, 1995). Isso levou muitos estudiosos a falar de uma crise de representação dos partidos (Manz e Zuazo, 1998) e conduziu a investigação sobre o surgimento de novos mecanismos de representação, como os (velhos e novos) movimentos sociais, que procuravam superar os partidos como estruturas de intermediação política entre os cidadãos e o Estado. É possível encontrar trabalhos que concentraram sua análise em algum aspecto relacionado com a organização interna, como o financiamento eleitoral e não eleitoral (Álvarez, 1997; Fernández Rubio, 1997; Del Castillo e Zovatto, 1998; Ramos Rollón, 1998) ou a disciplina interna e a presença de facções (Morgenstern, 1996), mas os estudos de partidos como unidades de análise são escassos (Coppedge, 1994; Jimenez Polanco, 1995; Levitsky, 1997), assim como tampouco se realizaram investigações tanto teóricas como empíricas de caráter sistemático comparado entre diversos países da região ou entre partidos de um mesmo sistema político que analisem a organização interna e o tipo de funcionamento das organizações partidárias a partir de um mesmo esquema analítico de aproximação. Neste sentido, uma investigação recente que centra a análise nos partidos como mini- sistemas políticos procura aprofundar a discussão do funcionamento interno das organizações partidárias. Ver Alcántara e Freidenberg (2001).
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Como se escolhe um candidato a Presidente?: Regras e práticas nos partidos políticos da América Latina.

Como se escolhe um candidato a Presidente?: Regras e práticas nos partidos políticos da América Latina.

Embora o processo de seleção dos candidatos seja um dos momentos centrais da vida interna de qualquer partido, seu estudo recebeu pouca atenção na América Latina. As razões da escassez desse tipo de trabalho são diversas. Primeiro, trata-se de um tipo de dado difícil de conseguir porque usualmente não existem registros oficiais, acessíveis ao observador externo, em que conste essa informação básica dos partidos. Segundo, existe certa tensão entre o respeito às regras formais e o que depois acontece “a portas fechadas”, dificultando ainda mais esse tipo de estudo. E, em terceiro lugar, as constantes mudanças de procedimentos impedem o estabelecimento de pautas de funcionamento estáveis: não raro, um mesmo partido emprega mecanismos diversos em duas eleições seguidas, o que dificulta a análise, pois normalmente essas mudanças não se encontram registradas nos documentos partidários. Essas razões fizeram com que se subestimasse muitas vezes o estudo desses tipos de processos, mas consideramos que, embora sobrevivam regras informais que subjazem ao funcionamento formal do partido, que esses processos não se encontrem registrados de maneira específica e mesmo que muitas vezes as regras formais não são respeitadas, os políticos necessitam legitimar seus atos em função dessas regras, sempre que elas estabelecem o que se pode (e não se pode) fazer, o que se espera dos membros e a relação que deve existir entre eles. No momento de dirimir conflitos internos, as regras e, particularmente, sua interpretação, são um recurso de suma importância para definir, exteriorizar e legitimar o exercício do poder. 11
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Direito socioambiental   uma questão para América Latina 0

Direito socioambiental uma questão para América Latina 0

derecho público de los pueblos y comunidades indígenas, y el derecho de consulta garantizando su consentimiento libre, previo e informado; cuando los inculpa- dos sean indígenas, incluir la obligación a cargo de las autoridades responsables de la procuración y administración de justicia, de asignar defensores públicos que dominen su lengua y cultura; crear un subfondo para mejorar y ampliar la infraestructura educativa en regiones indígenas; incorporar disposiciones a la Ley agraria para la regulación de tierras y territorios de las comunidades indígenas y promover el acceso a la justicia agraria en su propia lengua; reconocer los territo- rios indígenas como una nueva categoría de administración territorial; reconocer a las parteras indígenas y rurales como agentes de atención médica materno infan- til, considerando su actividad como un servicio de carácter social; permitir el uso de flora y fauna silvestre considerada en riesgo para ritos y ceremonias; facultar al Congreso para legislar en materia de reconocimiento de derechos de autor y de patentes, así como en la protección y difusión del conocimiento tradicional indígena; permitir el manejo y/o administración directa de monumentos artísti- cos, lugares históricos y arqueológicos en favor de la población indígena asentada en esos espacios; la inclusión de lenguas indígenas en espacios públicos visibles, nomenclaturas y anuncios informativos oficiales; expedir una Ley general del sis- tema nacional de consulta indígena y realizar adecuaciones en materia de consulta a la Ley de la Comisión Nacional para el Desarrollo de los Pueblos Indígenas; dar acceso a los pueblos y comunidades indígenas a los medios de radiodifusión; que los partidos políticos nacionales garanticen la participación de mujeres y hombres representantes de la población indígena, en cuyos distritos electorales constituyan el 40% o más de la población total, a través de postulaciones a cargos de elección popular en el Congreso de la Unión, tanto de mayoría relativa como de repre- sentación proporcional; efectuar adecuaciones a la Ley General de Acceso de las Mujeres a una Vida Libre de Violencia, respecto al término de emisión y proce- dencia de la declaratoria de violencia de género, así como la previsión de recursos suficientes para garantizar a las mujeres una vida libre de violencia” 95
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Democracia y economía: determinantes políticos del desempeño económico en América Latina

Democracia y economía: determinantes políticos del desempeño económico en América Latina

Autores como Castles (1982), Klingemann, Hofferbert y Budge (1994) y Powell (2009) apuntan hacia el papel fundamental de los partidos políticos en el proceso democrático, en la medida en que se organizan y presentan en las elecciones paquetes de políticas ideológicamente coherentes, permitiendo así que la democracia conecte la preferencia de los ciudadanos y la política pública. Para otros autores, sin embargo, esta capacidad de los partidos se debilitó debido a la ampliación de los espacios aislados de la política en los gobiernos y por la falta de claridad en la distinción ideológica entre las agremiaciones, entre otros factores (Mair, 2007). Aunque los partidos no desempeñan un papel controlador de la política pública por medio de la ideología, la competición electoral periódica puede incentivar la accountability en la medida en que permite al electorado juzgar el desempeño de los gobernantes, generando recompensas y puniciones que estimulan al gobierno a respetar los intereses de los ciudadanos (Manin; Przeworski; Stokes, 1999).
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Financiamento dos partidos e campanhas eleitorais na América Latina: uma análise comparada.

Financiamento dos partidos e campanhas eleitorais na América Latina: uma análise comparada.

Como já observamos, não há dúvida de que o financiamento privado constitui um recurso legítimo e necessário para os partidos políticos. Entre as suas virtudes cabe destacar que ajuda os partidos a afinar suas pontes de contato com a sociedade, e a melhorar a eficiência na gestão de seus orçamentos. Por seu turno, o tráfico de influências, a captura da agenda do Estado e os escândalos de corrupção política, todos riscos associados ao financiamento privado, determinaram que a maioria dos países (78%) introduzisse proibições quanto a sua origem e alguns impusessem limites em relação aos seus montantes. Somente Colômbia, El Salvador, Panamá e Uruguai não estabelecem limitação alguma nessa matéria. Em geral, através do estabelecimento dessas barreiras ou restrições às contribuições privadas, procura-se evitar grandes desequilíbrios ou assimetrias nos cofres dos partidos; diminuir a magnitude das contribuições “plutocráticas” e a conseqüente influência indevida dos “fat cats” ou de instituições e grupos de interesse sobre as instituições e políticas públicas; assim como impedir a vinculação dos partidos e candidatos com dinheiro proveniente de atividades ilícitas, particularmente do narcotráfico.
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A TRIBUTAÇÃO INDUTORA E A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS PARTIDOS POLÍTICOS

A TRIBUTAÇÃO INDUTORA E A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Ressalte-se, mais uma vez, que tais elementos legitimam a imunidade dos partidos políticos. Nada obstante, essa legitimação só ocorre quando tal ente é utilizado de seu modo correto, isto é, sem finalidade lucrativa, propulsionando a democracia. Caso contrário, não restariam dúvidas quanto à necessidade de suspensão da imunidade tributária naquele exercício específico em que se tenha, por ventura, observado desvio de finalidade, deixando- se, por exemplo, de cumprir as determinações do Código Tributário Nacional.

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TENDÊNCIAS ANTIDEMOCRÁTICAS EM PARTIDOS POLÍTICOS DE UM MUNICÍPIO PAULISTA

TENDÊNCIAS ANTIDEMOCRÁTICAS EM PARTIDOS POLÍTICOS DE UM MUNICÍPIO PAULISTA

– não individuais e egoísticos -, catapultaram pessoas e partidos, com a exploração de boatos, inclusive, nas mídias digitais, aos cargos eletivos em nítida dissociação com a sofisticação do ideário constitucional, onde as mudanças hoje perseguidas são frágeis e superficiais – v.g., como o mero câmbio dos nomes das agremiações -, porém, imprescindível o restauro daquelas mudanças robustas e estruturais passadas, com o (res)surgimento de líderes afinados às relações complexas que aprimorem a substancial democracia, como outrora, que preocupem-se com o nós, em detrimento do eu (eticidade), com o escopo da; “construção de uma sociedade livre, justa e solidária, com a erradicação da pobreza e da marginalização, com a redução das desigualdades sociais e regionais”, com a promoção do “bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, tal como estampa a nossa Constituição da República, em seu artigo 3º, incisos I a IV. (grifos nossos).
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Democracia e partidos políticos: nexo conceitual e sua manifestação na consolidação do Estado de partidos brasileiro

Democracia e partidos políticos: nexo conceitual e sua manifestação na consolidação do Estado de partidos brasileiro

De modo semelhante, essas organiza- ções funcionaram durante o Segundo Reina- do, capitaneado pela figura de D. Pedro II, jovem recém-emancipado, de modo que me- ramente estão fincadas as origens das orga- nizações partidárias, mas sem que por meio delas tivesse vigência um sistema represen- tativo ou uma democracia partidária de fato. A estrutura imperial e o espírito elitista do regime e dos burocratas da época afastavam as funções precípuas dessas agremiações, reduzindo-as “a partidos de quadros ou de notáveis, de formação nitidamente interna” (NASPOLINI, 2006, p. 138), que pouco se di- feriam entre si, embora se identificassem por ideais opostos – liberais e conservadores. Aos personagens desse quadro político, a cultura popular cunhou a expressão, que sintetiza magistralmente o vazio ideológico dessas as- sociações quando no exercício do poder, “fa- rinhas do mesmo saco”.
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Uma agenda de moralização

Uma agenda de moralização

A falta de comprometimento dos partidos políticos com seus programas e a desvinculação de cidadãos que pleiteiam a criação de novos partidos foram os argumentos usados pelo Supremo Tribu[r]

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O padrão das coligações eleitorais no estado de Goiás: influência do partido do governo estadual nas eleições para os executivos municipais (1988-2012)

O padrão das coligações eleitorais no estado de Goiás: influência do partido do governo estadual nas eleições para os executivos municipais (1988-2012)

Entre as grandes legendas, o PT continuou alternando suas alianças com os dois principais partidos do estado, aqui enfocados, não se observando uma preferência entre ambos. Já o PFL, PPB e PTB – que integraram a coalizão do governo estadual em 1998 – mantiveram a mesma tendência iniciada na eleição de 1996, ao coligarem, preferencialmente, com o PSDB. Ao comparar as coligações eleitorais realizadas neste pleito, verifica-se, em termos percentuais, a concentração de pequenos partidos políticos nas alianças do PMDB. De modo contrário, o PSDB demonstrou tendência oposta, com os partidos grandes e institucionalizados como principais aliados. Isso pode ser explicado pelo fato de que o PMDB, tendo maior penetração local, não necessitar de celebrar coligações com os grandes partidos políticos para aumentar suas oportunidades eleitorais. Porém, a derrota sofrida nas eleições estaduais de 1998, provocou alguma instabilidade nas elites dirigentes do partido, chegando ao ponto de várias lideranças do PMDB acusarem a direção do partido de falta de comando ou omissão. Essa situação se refletiu num refluxo da força eleitoral do partido nas eleições municipais em todo estado, no ano 2000. Mesmo não estando mais na posição de partido de governo, os partidos que apoiaram o PMDB no governo estadual mantiveram alguma expressiva força política, como foi possível perceber no mapa anterior, principalmente nas regiões sudeste e leste do estado. Isso demonstrou que o partido dispunha de alguma força eleitoral em certas regiões do estado. Ou seja, nos dezesseis anos que esteve à frente do governo estadual, entre 1982 – quando disputou eleições pela primeira vez após o retorno ao pluripartidarismo – e 2000, o PMDB conseguiu se estruturar e organizar no âmbito estadual.
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O caráter nacional dos partidos políticos na federação brasileira

O caráter nacional dos partidos políticos na federação brasileira

No Capítulo 4, buscarei estabelecer a relação entre federalismo e partidos políticos. Nesse sentido, inicialmente, serão abordados aspectos gerais do Estado federal, como sua origem e formação, suas características essenciais e, em especial, o grau de autonomia das unidades da federação. Esse estudo se mostra importante, a fim de propiciar a compreensão das implicações do federalismo no sistema partidário. Com essa base, serão estudados, em diversos períodos brasileiros e em outros Estados federais, a dinâmica de

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Lua Nova  número88

Lua Nova número88

Pode-se, desse modo, decompor o processo de moder- nização da agenda político-econômica nacional (chamemos assim o núcleo essencial defi nidor dessas três grandes trans- formações) em duas grandes camadas: a primeira, das insti- tuições e processos políticos domésticos, que resultaram de interações sociais crescentemente infensas à manutenção do status quo político e econômico do regime militar (perda de legitimidade política, com a transformação do perfi l da sociedade e da força de trabalho no Brasil; perda de ape- lo econômico, com a crise do modelo de substituição de importações; disfuncionalidade crescente das instituições do Estado e do aparato legislativo); o segundo patamar cor- responde às grandes transformações econômicas e políti- cas mundiais que, em grande e crucial medida, impeliram às mudanças no cenário doméstico. Sem a pressão políti- ca internacional (em seu sentido sociológico sistêmico) as forças sociais internas estariam desprovidas de instrumen- tos essenciais para desencadear as transformações que con- duziriam à modernização política dos anos de 1980; sem a
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Como o judiciário brasileiro interfere nas políticas públicas

Como o judiciário brasileiro interfere nas políticas públicas

Para os grupos com legitimidade ativa para apresentar Adins esse privilégio permite uma atuação política muito relevante. É uma forma de mostrar serviço que tem um custo quase zero para o ator político. Os partidos políti- cos que utilizaram esse instrumento quase sempre foram partidos de oposição. Entre 1995 e 2002, 59,4% das Adins impetradas por partidos políticos tiveram o PT ou o PC do B como um dos requerentes, e mais de 90% das Adins dos partidos foram impetradas por legendas que não es- tavam na coalizão governista. Da mesma maneira, 84% das Adins de partidos contra o governo Lula durante seus primeiros dois anos de mandato foram propostas por le- gendas que não pertenciam à coalizão governista. Então é um recurso principalmente da oposição, até porque há um forte monopólio da coalizão governista sobre o conteúdo das propostas apresentadas ao Congresso.
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8891

8891

Resumo: O Estado de Direito pós-social tem na democracia, no pluralismo, na soberania popular exercida por meio dos parti- dos políticos, e no respeito à dignidade humana, alguns dos seus mais importantes alicerces, razão pela qual o pluralismo partidário deve corresponder proporcionalmente, dentro do possível, à pluralidade dos segmentos sociais, sem exclusão das minorias. Todavia, o excesso de partidos pode causar distor- ções à democracia, decorrentes do enfraquecimento da repre- sentação e da dificuldade de estabilidade governamental, prin- cipalmente nos regimes presidencialista e semipresidencialista. Para solucionar esse intrincado problema das democracias oci- dentais, fundadas em Estados de partidos, a engenharia política tem oferecido soluções que restringem direitos fundamentais das agremiações partidárias e do cidadão, como as chamadas cláusulas de barreira, cujo fim precípuo é o de conter o multi- partidarismo resultante de falhas do sistema proporcional e do sistema majoritário de dois turnos. Ao intérprete da constitui- ção está reservada a difícil missão de resolver os conflitos de normas constitucionais resultantes das tentativas de inserção desse instituto na ordem jurídica brasileira.
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Diálogos intermitentes: relações entre Brasil e América Latina .

Diálogos intermitentes: relações entre Brasil e América Latina .

As relações culturais entre o Brasil e os demais países da América do Sul têm sido marcadas por um jogo de construção de identidades e de alteridades que se alternam ao longo do tempo. No fim do século XIX, podemos observar alguns autores que apontam principalmente para as diferenças e para o que seria a superioridade brasileira. A avaliação que os historiadores monarquistas fizeram da América Latina enfatizava as maze- las das Repúblicas da América do Sul e os benefícios do fato de a indepen- dência brasileira ter-se realizado com a continuidade do regime monárquico. Podemos citar como exemplo Eduardo Prado em seu livro A ilusão americana, de 1893. A América espanhola, ao adotar o modelo norte-americano por ocasião dos movimentos de independência durante o século XIX, teria renegado suas tradições. Se os Estados Unidos são acu- sados por Prado nesse livro de ter uma política externa invasora, tirânica, arrogante e oportunista, as repúblicas da América espanhola são, por ou- tro lado, identificadas com o militarismo e o caudilhismo. Para Prado, foi o regime imperial no Brasil que manteve sob controle o caudilhismo que sufocava os outros países da América do Sul.
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MERCOSUL: O VERTICALISMO DAS INSTITUIÇÕES NO CONE SUL  E A EMANCIPAÇÃO PARTICIPATIVA COMO UM DESAFIO REGIONA

MERCOSUL: O VERTICALISMO DAS INSTITUIÇÕES NO CONE SUL E A EMANCIPAÇÃO PARTICIPATIVA COMO UM DESAFIO REGIONA

Pela teoria neofuncionalista, o processo burocrático iria se espalhando, o spillover, para a sociedade civil através da dinâmica das ações, mobilizando grupos de interesses contra ou a favor ao processo. O spillover pressiona a criação de burocracias voltadas para atender às novas questões de tal forma que os estreitos vínculos entre importantes organizações nacionais, como os partidos políticos, os sindicatos, as associações profissionais, organizações religiosas e outras organizações da sociedade civil acabam se encontrando na integração regional 27 . A teoria em questão é coerente com o modo de formação dos Estados Nacionais e com a criação do Mercosul. Não poderíamos esperar, tendo em vista esta teoria, um novo modo de vida, mas sim, a transferência das expectativas excludentes de benefícios do Estado Nação para uma entidade maior, ter-se-ia então a garantia do velho modo de vida ao invés de um novo 28 . Visto desta forma, compreendemos o Mercosul por dois aspectos: de um lado ter-se-ia o neofuncionalismo com as mudanças marcadas pela continuidade no mesmo processo vertical, de outro poderia ocorrer um aumento nos ânimos das bases sociais através de ações por parte dos foros sociais, e do FCES, com a ascensão de um novo modo operante capaz de romper com o velho sistema. Nesse segundo caso, o desafio a ser enfrentado não estaria a cargo das instituições, mas sim da sociedade civil. Ter-se-ia aí uma oportunidade de inverter as posições da pirâmide com relação à construção institucional, embora isso não se observa durante no Tratado de Assunção, tão pouco se percebe iniciativas mais ousadas por parte da sociedade civil.
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Organizadores Comissão Pastoral da Terra Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Organizadores Comissão Pastoral da Terra Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Com o processo de privatização destes serviços, há um interesse ainda maior de empresas transnacionais, que lucram com esta política. O monopólio privado das fontes de energia é garantido através de cláusulas presentes nos Acordos de Livre Comércio (bilaterais ou multilaterais), nas políticas implementadas pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que est im ulam desde a m ercant ilização de bens nat urais at é o desenvolvimento de megaprojetos de infra- estrutura e da indústria da guerra. Na América Latina, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estimula a produção de agrocombustíveis com o argumento que devemos utilizar nossos “enormes potenciais em terra cultivável, condições climáticas e custos de mão- de- obra”. O Banco anunciou recentemente sua intenção de investir $3 bilhões de dólares em projetos privados de agroenergia.
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A circulAção internAcionAl de FlorestAn FernAndes

A circulAção internAcionAl de FlorestAn FernAndes

7 Dos 247 graduados na Escuela Latinoamericana de Socio- logía da Flacso entre 1957 e 1973, 69 eram chilenos, 54 argentinos, 29 brasileiros e 21 mexicanos (Franco, 2007). Uma parcela expressiva dos brasileiros que obtiveram sua pós-graduação na Flacso e que seguiram carreiras acadê- micas provinha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), como Antonio Cintra, Fabio Wanderley Reis, Si- mon Schwartzman, Vilmar Faria e Orlandina de Oliveira. Esse fato não surpreende quando se lembra que a UFMG esteve ativamente envolvida nas negociações em torno da criação da Flacso por intermédio de Orlando Carvalho, que integrou o Comitê Diretor da Flacso e, junto a Fran- cisco Iglesias e Julio Barbosa, foi o mentor dessa nova geração que fundaria a ciência política no Brasil, primei- ro em Minas Gerais e mais tarde no Rio de Janeiro. Orlan- do Carvalho foi o criador e principal animador da Revista Brasileira de Estudos Políticos, que, em 1960, publicou “Polí- tica e massa”, de Gino Germani.
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O partido revolucionário e sua degeneração: a crítica de Gramsci a Michels — Outubro Revista

O partido revolucionário e sua degeneração: a crítica de Gramsci a Michels — Outubro Revista

O Estado italiano surgido no Risorgimento era um Estado que não somente estava separado das massas, mas que era sujeito ativo na separação dos dirigentes dos partidos políticos das massas. Nesta passagem, a análise de Gramsci sobre o parlamentarismo como um fenômeno do transformismo é importante: aqui há uma coincidência com a crítica de Michels à social-democracia. O parlamentarismo ita- liano serviu enquanto mecanismo de autonomização dos partidos em relação às classes representadas. Neste parlamentarismo, a burocracia se alienava do país e tornava-se o “pior dos partidos políticos (…) o partido estatal-bonapartista” (idem, ibidem, p. 388). Não é à toa que o término da nota faz referência ao estudo análogo de Weber sobre o parlamentarismo na Alemanha (Weber, 1974). Apesar da coincidên- cia com Michels em relação ao parlamentarismo como fenômeno de autonomização dos partidos políticos, há uma grande diferença na elaboração da análise dos autores: Michels generaliza este fenômeno como lei geral da política; Gramsci chega a este fenômeno a partir da análise histórica, da gênese da separação entre intelectuais e povo na história italiana. Foi devido à formação do Estado italiano que o parlamentarismo jogou um papel regressivo na hegemonia da classe burguesa. O cenário em que se produz o transformismo é o da falta de desenvolvimento teórico do Partido Socialista, da falta de formação de novos quadros dirigentes e de que, em lugar de grandes livros e re- vistas, o partido operasse com jornais e panfletos – o que caracteriza, na opinião de Gramsci, a preocupação somente com uma pequena política (Q. 3, § 119, p. 388).
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O COMPORTAMENTO CRIMINOSO DO COLARINHO BRANCO E SUA RELEVÂNCIA PARA A DOGMÁTICA PENAL

O COMPORTAMENTO CRIMINOSO DO COLARINHO BRANCO E SUA RELEVÂNCIA PARA A DOGMÁTICA PENAL

O presente artigo propõe destacar as características do perfil do criminoso de colarinho branco a partir da análise da obra de Edwin H. Sutherland, Crime de colarinho branco, versão sem cortes , editada em 1949, nos Estados Unidos da América, e sintetizar suas contribuições para a ciência penal especializada nos delitos econômicos. Trata-se de livro através do qual o autor pode demonstrar a pesquisa realizada nas setenta maiores empresas norte-americanas daquela época acerca do cometimento de diversas infrações às leis, desde violações à concorrência leal até fraudes às leis trabalhistas em vigor, passando por fraudes aos consumidores e investidores. Demonstrar-se-ão o esforço empregado pelo autor norte-americano e as reflexões sobre as noções criminológicas do homem de negócios na sua atuação profissional de exploração da atividade econômica pelas empresas e as respectivas e reincidentes violações às normas incriminadoras da época. No início, explicar-se-á sinteticamente o contexto histórico em que se desenhou a obra e, em seguida, adentrar-se-á no seio da pesquisa realizada com exposição de alguns dos dados obtidos, além de exemplos concretos de casos estudados. Por fim, serão enfatizadas as características da criminalidade de colarinho branco tal como intitulou Sutherland e os traços distintivos com a criminalidade comum.
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