Património cultural e natural

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O papel dos Museus nos constructos da experiência global do destino. O caso do Museu da Cerâmica de Caldas da Rainha.

O papel dos Museus nos constructos da experiência global do destino. O caso do Museu da Cerâmica de Caldas da Rainha.

O interesse pela história da cidade de Caldas da Rainha, que teve na sua origem a Rainha D. Leonor, fundadora das Termas, que inclui todo o seu património cultural e natural (Parque D. Carlos I e Mata Rainha D. Leonor), deverá ser encarado como um factor de desenvolvimento local e regional, de forma a atenuar situações em que os resultados foram muito acentuados, como foi o caso de não haver para muitos visitantes nenhum outro interesse para além da cerâmica. Sublinhe-se que desde sempre a cerâmica faz parte das raízes identitárias da cidade, mesmo assim, poderão e deverão existir outros interesses para que um destino se afirme como destino turístico.
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Construção de casas sagradas (Uma Lulik) na sociedade timorense: uma perspetiva sobre o desenvolvimento e o turismo comunitário no distrito de Baucau

Construção de casas sagradas (Uma Lulik) na sociedade timorense: uma perspetiva sobre o desenvolvimento e o turismo comunitário no distrito de Baucau

A dissertação de mestrado em Sociologia que se apresenta tem por tema a construção de casas sagradas (Uma Lulik) e o desenvolvimento do turismo comunitário, em Timor-Leste. Este trabalho tem dois objetivos principais. O primeiro é descrever e analisar a construção das casas sagradas como uma expressão cultural da sociedade timorense e um património cultural importante. As casas sagradas representam uma tradição relacionada com o culto religioso dos antepassados e têm um valor significativo de ligação entre gerações, relação com o divino e coesão das comunidades. Um segundo objetivo é analisar como o património cultural ligado à construção de casas sagradas, associado ao património natural, pode contribuir para o desenvolvimento do turismo comunitário em áreas rurais de Timor-Leste. Do ponto de vista teórico, esta dissertação apoia-se nos conceitos de desenvolvimento, desenvolvimento sustentável, turismo sustentável, turismo comunitário e cultura. Metodologicamente, optou-se por uma abordagem qualitativa, tendo sido feito trabalho de campo em Timor-Leste, através de entrevistas a agentes ligados às comunidades locais e a organismos estatais responsáveis pelas políticas de desenvolvimento do turismo. O trabalho realizado permitiu compreender as vantagens, prioridades, desafios e ameaças do turismo comunitário em Timor-Leste.
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A valorização turística do património cultural imaterial  : o caso das Festas Nicolinas

A valorização turística do património cultural imaterial : o caso das Festas Nicolinas

acreditar que o culto já existia anteriormente e nós somos os “fiéis” depositários dessa tradição. A noite de abertura das festas transformou-se e foi tomada pela própria cidade que não conseguimos nem queremos controlar, foi de forma natural, a entrada das mulheres na festa, a mudança dos locais do enterro do pinheiro, não é daquelas coisas que seja fechada e aritmética que tenha de ser naquilo sitio especifico para isso, mas nada nos diz que daqui a uns anos o município não diga que ali tenha de ser outra coisa qualquer e o local tenha que ser mudado. Determinante não é a mudança do local das coisas. Determinante é preservar o espírito que é os estudantes celebrarem o seu santo padroeiro e fazer continuar este tipo de festejos que celebram coisas diferentes como convívio, os anos de estudo e depois os velhos que tem espírito de reencontro e saudade, na noite do pinheiro. Para as Festas Nicolinas, a Aaelg/velhos nicolinos acham que não tem interesse turístico uma vez que as festas são feitas de “nós para nós”, ou seja, são feitas pelo povo da cidade para o povo da cidade. Apesar de afirmar que as festas são singulares e únicas e podem ser interessantes as pessoas assistirem. Mas, que podem não perceber ou sentirem o que é verdadeiramente o espírito nicolino. Pois o espírito nicolino é a entrega, abertura, fraternidade entre todos os antigos e novos estudantes. Augusto de Castro e Costa (Presidente da AAELG/VN) - É natural uma exigência que depois de entrar num programa turístico, torne rígida aquela comemoração, ou seja, impede que ela tenha uma adaptação no sentido que fica rígida quer dizer cristalizada. E como dizia, atras, a questão das Festas Nicolinas evoluíram ao longo do tempo, acho eu é extremamente sensível e deixado avançar por caso desses, fazer tipo um programa turístico porque quem esta nessas organizações depois quer actos definidos a tempo e horas.
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A digitalização do património cultural na perspetiva do Copyright e do Direito de Autor

A digitalização do património cultural na perspetiva do Copyright e do Direito de Autor

A existência de direitos legais que garantissem algum tipo de exclusividade na produção e distribuição das criações intelectuais constitui um artifício tipicamente moderno que surgiu há cerca de três séculos. A sua ausência é completa na Grécia, em Roma, na China, no mundo árabe e em toda a Idade Média (Hesse, 2002). Em Roma, o direito distinguia vários tipos de res, como as res nullius – coisas não possuídas por qualquer indivíduo – e as res communes. Estas são coisas cuja apropriação natural é impossível, de que o oceano, o ar e as criações intelectuais são exemplos. As res communes são bens por natureza abertos e disponíveis a qualquer um e cujo uso não contribuiu para a sua exaustão e desaparecimento. Aquilo que genericamente pode ser designado por “informação” ou “cultura” é um tipo de res communes, que são bens não rivais em que o uso e usufruto por parte de um indivíduo não impede idêntico uso e usufruto por parte de outros. Para os Antigos a criação e difusão cultural era sempre concebida segundo os modelos tradicionais da imitatio ou mimesis: a arte devia reproduzir tão exatamente quanto possível a realidade, e ela era sempre uma herança ou património cultural comum que transmitia para o futuro aquilo que vinha do passado. Na Idade Média, é bem conhecido que a cópia e modificação das obras da Antiguidade eram parte constitutiva da criação e difusão intelectual. As obras eram vistas como um processo colaborativo em que múltiplos indivíduos, e mesmo diversas gerações, participavam, recebendo de uns e entregando a outros (cf. Frosio, 2014). Durante o Renascimento, e mesmo até ao século XVII, nomeadamente em países como a França, no caso dos livros impressos a regra geral era a “liberdade pública de impressão”, que apenas era restringida através de privilégios de exclusividade de impressão que por vezes os monarcas atribuíam por curtos períodos de 3 a 10 anos (cf. Armstrong, 1990, p. 118). Essa liberdade pública de impressão pode ela própria ser considerada uma herança da tradição medieval de disseminação das obras. Ela pode ainda ser considerada como um antecedente de um artifício legal que será destacado neste artigo, o conceito de domínio público (cf. Pfister, 2010, pp. 118 e sg.)
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Dimensões da dieta mediterrânica: património cultural imaterial da humanidade

Dimensões da dieta mediterrânica: património cultural imaterial da humanidade

um recurso natural com elevado valor, pelo que importa conhecê‑las, valorizá‑las e utilizá‑las de forma sustenta‑ da. O uso das ervas aromáticas e condimentares na cozi‑ nha é recomendado para redução do consumo de sal, pois ao realçarem o sabor dos alimentos, tornam os pratos mais saborosos, atrativos e saudáveis. Na Pirâmide da Dieta Mediterrânica, as ervas aromáticas integram o grupo dos alimentos a consumir diariamente. A procura de PAM tem vindo a au‑ mentar, sendo necessário salvaguardá‑las e procurar soluções alternativas sustentáveis. A maioria das PAM é de fácil cultivo e a sua adaptabilidade a uma pequena horta, jardim, ou até mesmo em vasos na varanda, propiciam um pequeno «jardim» com os temperos favoritos sempre à mão. Produzir PAM pode ser também relaxante, como quebra da rotina do dia a dia e liber‑ tador de stress em períodos mais difíceis, assim como divertido e didático para crianças. As PAM são ainda um recurso para o ecoturismo, pois conju‑ gam o interesse de um recurso biológico com a sabedoria popular e para a horticultura social e terapêutica, pelas suas características morfológicas, sen‑ soriais e de utilização muito variada.
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DO PATRIMÓNIO CULTURAL: UMA PROPOSTA DE UM ROTEIRO PEDAGÓGICO ATRAVÉS DO PATRIMÓNIO MEDIEVAL DE LISBOA

DO PATRIMÓNIO CULTURAL: UMA PROPOSTA DE UM ROTEIRO PEDAGÓGICO ATRAVÉS DO PATRIMÓNIO MEDIEVAL DE LISBOA

Passando o pátio de baixo que desemboca na Rua dos Cegos e virando à direita, os alunos descerão o Beco do Maldonado até ao Largo das Portas do Sol, seguindo depois para o Largo de Santa Luzia e para a Rua do Limoeiro em direcção ao antigo edifício do Paço a-par-de São Martinho, sito no Largo do Limoeiro. Aí será feita a introdução à crise dinástica de 1383-1385 e à questão da defesa territorial do reino de Portugal, devido à pretensão castelhana de ocupar o trono português na figura de D. Beatriz filha legítima de D. Fernando I de Portugal e casada com D. João I de Castela, com o apoio de sua mãe, a rainha D. Leonor Teles, e em aliança com o Conde de Andeiro, sendo que era contrária ao grupo de apoiantes do Mestre de Avis em quem viam o natural sucessor da coroa portuguesa. Este processo culminaria com a morte do Conde de Andeiro e a aclamação do Mestre de Avis como rei de Portugal nas Cortes de Coimbra a 6 de Abril de 1385. Aqui será o aluno alertado para questões patrimoniais no sentido de compreensão da necessidade de se recuperarem “lugares” com História, pois, “... a criança ou o adolescente contribuem para a manutenção da civilização pelo simples facto de aprenderem de cor uma página de História [...], dado que a transmissão
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Turismo cultural e desenvolvimento local: um estudo sobre o Concelho do Tarrafal, Cabo Verde

Turismo cultural e desenvolvimento local: um estudo sobre o Concelho do Tarrafal, Cabo Verde

As comunidades de acolhimento são consideravelmente vulneráveis aos potenciais impactos do turismo, quando mal gerido. Assim, a atividade turística produz efeitos negativos, os quais, numa situação extrema, poderão conduzir a alterações políticas, ao terrorismo, ao aumento da pobreza e da criminalidade, à prostituição e ao consumo de drogas, à alteração dos costumes, das tradições e da autoestima dos residentes, à deterioração do património histórico-cultural, à deslocação das comunidades tradicionais, entre outros (Pires, 2004; WTO & UNEP, 2005). Esta prática turística prejudica, tanto a qualidade de vida da população local, como a integridade física e o significado do património (ICOMOS, 1999). Cabo Verde, tal como outros países em vias de desenvolvimento, está também sujeito a esses efeitos negativos do turismo que vêm em simultâneo com o desenvolvimento deste sector. No entanto, cabe às entidades responsáveis pelo sector turístico e pelos demais sectores da sociedade cabo-verdiana pugnar por uma estratégia eficaz, de forma a minimizar ou até eliminar estes efeitos negativos.
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PATRIMÓNIO, POLÍTICA CULTURAL E GLOBALIZAÇÃO EM CONTEXTO MUSEAL

PATRIMÓNIO, POLÍTICA CULTURAL E GLOBALIZAÇÃO EM CONTEXTO MUSEAL

Não se pode esquecer que o património cultural também tem sido utilizado ao longo da história como recurso para reproduzir as diferenças entre grupos sociais e produzir a hegemonia daqueles que estão ligados às estruturas de pro- dução e distribuição dos bens. Os setores dominantes definem quais são os bens que merecem ser preservados, assim como possuem os meios económicos e intelectuais, tempo de trabalho e de ócio, para atribuírem a esses bens maior qualidade e refinamento. As classes populares possuem menos recursos para transformarem os seus produtos culturais em património generalizado e reconhecido pelo Estado.
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A protecção do património cultural no âmbito das operações de paz

A protecção do património cultural no âmbito das operações de paz

RESUMO: O presente estudo incide sobre a protecção do património cultural no contexto das operações de paz. De modo a abordarmos o tema, procederemos, num momento inicial, ao esclarecimento de dois conceitos essenciais no campo em que nos movemos - os conceitos de património cultural e operações de paz. De seguida, iremos analisar a questão da aplicabilidade das normas de Direito Internacional Humanitário às forças das Nações Unidas envolvidas em operações de paz, dando conta da evolução registada na matéria; posteriormente, focaremos, de modo particular, a possibilidade de aplicação das normas relativas à protecção do património cultural em caso de conflito armado à actuação de tais formações. Por fim, reflectindo sobre o percurso realizado, apresentaremos as nossas conclusões sobre o problema, o qual se reveste de grande importância na actual sociedade internacional.
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O lugar do Património Linguístico no Património Cultural Imaterial Português Um levantamento regional através do ciberespaço

O lugar do Património Linguístico no Património Cultural Imaterial Português Um levantamento regional através do ciberespaço

Existem processos em curso para consulta pública, como Feitura da Broa de Milho (Concelho de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga), Produção de Figurado em Barro de Estremoz, em apreciação e em fase de consulta pública (Concelho de Estremoz, distrito de Évora), Festa em Honra de Nossa Senhora da Penha de França (Fábrica e Lugar da Vista Alegre, concelho de Ílhavo, distrito de Aveiro), Conhecimentos tradicionais de caráter etnobotânico e artesanal, utilizados no processo de produção de palitos (concelho de Penacova, distrito de Coimbra), Arte Xávega na Costa da Caparica – processo de análise para salvaguarda urgente - (Costa da Caparica; Fonte da Telha, concelho de Almada, distrito de Setúbal). Na pesquisa por domínio, verificamos que, nas Expressões Orais, não existe qualquer processo. Na componente, isto é, no domínio, de Artes e Performances, estão incluídas as Danças Tradicionais da Lousa (distrito de Castelo Branco), enquanto nos Rituais e nas Festas, se contabilizam quatro registos: Capeia Arraiana, Kola San Jon, Endoenças de Entre-os-Rios, Festa em Honra de Nossa senhora da Penha de França. Para os Saberes Naturalistas, não existem processos. Nas Técnicas Tradicionais, figuram cinco registos: Processo de confeção da Louça Preta de Bisalhães, Feitura da Broa de Milho, Produção de Figurado em Barro de Estremoz, Conhecimentos tradicionais, de caráter etnobotânico e artesanal, utilizados no processo de produção de palitos e a Arte Xávega na Costa da Caparica. Na componente da inscrição de bens imateriais na lista da UNESCO, Portugal tem quatro inscrições. O Fado, desde 2011, integrou a lista do Património Oral e Imaterial da Humanidade através da candidatura apresentada por Lisboa em 2010, a Dieta Mediterrânica, apresentada com parecer favorável da UNESCO, em dezembro 2013, na sua 8ª sessão, como candidatura transnacional, de que fazem parte sete Estados com culturas mediterrânicas milenares: Portugal (Tavira), Chipre (Agros), Croácia (Hvar e Brac), Grécia (Koroni), Espanha (Soria), Itália (Cilento) e Marrocos (Chefchaouen), sendo a segunda manifestação a obter a classificação do PCIH. O Cante Alentejano é a terceira inscrição, feita em 2014, e a Arte Chocalheira 61 ocorreu no ano de 2015. Estas duas candidaturas foram apresentadas
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O Património como Recurso Ideológico, Cultural e Turístico: Belém

O Património como Recurso Ideológico, Cultural e Turístico: Belém

A arte pública é uma área de estudo bastante recente, e é um tema, que no contexto actual da discussão sobre arte contemporânea, “in progress” que abarca uma serie de questões que dizem respeito ao que hoje pode ser entendido como arte (Lima, 2006). O artista como agente activo, procura denunciar os problemas sociais da sociedade contemporânea - exclusão, identidade, género, racismo, através da sua obra, afirma Laranjeiro. Isso significa que, a abordagem da problemática da arte pública não é uma tarefa pacífica, tal é o nexo e significados que está por trás do seu entendimento. Desta forma, o tema oferece actualmente inúmeras interpretações possíveis, encaixadas num espectro de tendências artísticas e atitudes estéticas, não sendo estranhas ao contexto do espaço físico no domínio público, afiguram-se determinantes para a reconfiguração da imagem cultural da cidade (Laranjeiro, 2005).
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A problemática da contabilidade nos museus e a valorização do seu património cultural

A problemática da contabilidade nos museus e a valorização do seu património cultural

Já a directora do MRA referiu que o acervo não é contabilizado, a única coisa que é apresentada é um mapa de despesas de pessoal com todos os salários que o museu paga aos seus técnicos. Portanto, não se faz uma análise comparativa que permita que uma pessoa de fora tenha a noção do valor e da riqueza que o museu produziu ao estudar as peças, ao atender milhares de pessoas gratuitamente, como é o caso das escolas, ao desempenhar uma determinada função social, ao valorizar o conhecimento das peças apoiando a investigação ou restaurando, por exemplo, peças que não têm valor inicial comparativamente ao valor final. Depois da peça intervencionada e restaurada, essa mais-valia, essa riqueza que o museu gera não é traduzível sob o ponto de vista contabilístico. Um observador tem muita dificuldade em fazer essa análise. “Para isso seria necessário criar parâmetros para valorizar, considerar e ter em conta esse trabalho, essas mais-valias dessas especificidades que o pessoal qualificado do museu vai acrescentando ao património”.
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Incorporação e desincorporação em museus: história, realidade e perspectivas futuras

Incorporação e desincorporação em museus: história, realidade e perspectivas futuras

Ora, aquilo que acontece com as restituições que resultam na refuncionalização e na reatribuição de valor de uso aos objectos, é um processo precisamente inverso ao processo de musealização. É uma situação nova, resultante da evolução recente dos tempos, das sociedades e das respostas dos museus a essas alterações que, não estando prevista no corpus teórico da museologia clássica, só agora tem vindo a ser equacionada e teorizada. De acordo com Martin Schärer (ICOM, 2009: 16), “a musealização é reversível, por ser um processo. Um objecto pode ser desmusealizado e voltar à vida”. Para classificar este novo processo, foi criado um novo termo no léxico museal: desmusealização 82 . A desmusealização é, por inerência, uma despatrimonialização e a patrimonialização, como se viu anteriormente, tem por base critérios fluidos, em permanente (re)construção, que variam no tempo e diferem de sociedade para sociedade, de acordo com os seus valores; o que hoje, para uns, é património, pode não o ser amanhã, e vice- versa. Do mesmo modo, o que hoje uns assumem como património, não o é, necessariamente, para todos. A adaptação dos museus a estas novas realidades passou, nalguns casos, pela criação de novas formas de relacionamento com os objectos e com as respectivas comunidades produtoras/utilizadoras 83 . A partir de 1978, o Código de Ética da Associação Americana de Museus passou a incluir normas relativas à conservação e manipulação de objectos sagrados e restos humanos, que foram plasmadas na sua actual redacção: “a natureza única e especial dos restos humanos e dos objectos funerários e sagrados é reconhecida como a base de todas as decisões relativas a estas colecções” (AAM, 1994). Nesse sentido, desde os anos 80 do século XX que, em alguns museus, não só os objectos sagrados e rituais podem ser emprestados temporariamente a comunidades indígenas, para serem utilizados na realização de cerimónias – sendo até já incorporados com essa condição prévia –, como podem existir espaços no museu adequados à realização desses mesmos rituais, podendo mesmo a contemplação e fruição de certos objectos ser exclusiva de determinados grupos sociais (Gurian, 2001: 31-32) – uma forma que os museus arranjaram para garantir a posse e algum controlo sobre os objectos que albergam, evitando a sua restituição. Os museus viram-se, assim, na contingência de terem de alterar radicalmente as suas práticas, com consequências profundas no paradigma museológico tradicional. Os objectos de museu podem ser, simultânea ou intermitentemente, objectos sagrados e/ou com função de uso, confirmando que utilidade e singularidade não são, necessariamente, exclusivas (Akin, 1996: 103; Gurian 2001: 29) 84 .
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Fruição do património cultural da cidade Lisboa: condicionantes e limitações

Fruição do património cultural da cidade Lisboa: condicionantes e limitações

A Torre de Belém foi construída entre 1514 e 1520 por iniciativa do rei D. Manuel, com o objetivo de terminar a obra iniciada 20 anos antes por D. João II para a defesa da barra do Tejo. A decoração escultória, faz desta torre um dos expoentes máximos dos Descobrimentos Portugueses. O arquiteto responsável pelo projeto foi Francisco de Arruda. Em 1521 Gaspar de Paiva é nomeado 1º capitão-mor da torre, à qual dá o nome de Castelo de São Vicente de Belém, padroeiro da cidade de Lisboa, mantendo-se a sua função como fortaleza até 1580, ano em que se rende às forças comandadas pelo Duque de Alba. A partir de então, e até 1830, as masmorras passam a servir de prisão do Estado, e no último quartel do século XVI são construídos os “quartéis filipinos” sobre o terraço do baluarte. Entre 1780 e 1782, já no reinado de D. Maria I, o General Guilherme de Valleré, construiu o Forte do Bom Sucesso, cuja bateria o ligava ao baluarte da torre. De 1808 a 1814, no contexto das invasões francesas, a torre sofre algumas modificações para servir de quartel das tropas. Em 1845/46 foram realizadas obras de restauro sob a tutela de D. Fernando II, coordenadas pelo Engenheiro Militar António Azevedo e Cunha, em resultado dos protestos de Almeida Garrett sobre o estado de ruína em que se encontrava a Torre, e dos esforços do ministro da Guerra, o Duque de Terceira. Procedeu-se então à demolição dos “quartéis filipinos” e à introdução de elementos revivalistas, como o nicho com a escultura da Virgem e do Menino. Entre 1865 e 1867 foi colocado um farolim na extremidade sul do terraço, passando a torre a funcionar como estação dos serviços telegráficos. Em 1940 passa para a tutela do Ministério das Finanças, tendo sido concretizados alguns trabalhos de conservação, e em 1983, ano em que a Torre de Belém foi classificada como Património Mundial da Unesco, foram realizadas obras de adaptação para a XVII Exposição de Arte,
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Património natural e arquitectónico: plano de intervenção na aldeia de Ermelo

Património natural e arquitectónico: plano de intervenção na aldeia de Ermelo

Enquanto reflexão convencional de um plano de intervenção, este trabalho representa assim a tentativa de alterar as formas actuais de ver e usufruir o património natural e arquitectónico de Ermelo através do exercício da arquitectura. Acrescentando ainda, que esta lógica de renovação do património arquitectónico a preservação do património natural, tem potencial e capacidade para se estender à restante área do Parque Natural do Alvão, uma vez que nesta área protegida existem muitas “outras paisagens” e arquitecturas merecedoras de contemplação e interesse como o exemplo que aqui foi apresentado. No que respeita a considerações individuais e a objectivos particulares, com este projecto foi possível explorar diversas formas de pensar e produzir arquitectura. De como se podem manter as lições de coerência e reflexão dadas pela arquitectura vernacular, quer no uso dos materiais tradicionais adequados às exigências de construção actuais, quer no respeito pelo local de implantação e conformidade de escala.
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A legislação do alojamento turístico na valorização do património cultural: uma visão comparativa Portugal-Brasil

A legislação do alojamento turístico na valorização do património cultural: uma visão comparativa Portugal-Brasil

A metodologia utilizada responde a uma dúvida funcional, qual seja, se a disciplina normativa do alojamento turístico pode aportar um valor acrescentado, uma valorização ao património histórico e cultural num determinado território, seja ele nacional, estadual, regional, distrital ou local, no respeito dos vários significados que tais dimensões têm em cada um dos ordenamentos jurídicos analisados. A importância da metodologia utilizada e sua aplicação comparativa entre leis que contêm princípios funcionais idênticos nos meios de alojamento em turismo em diferentes países permitem extrair entendimentos homogéneos de desenvolvimento aplicados à valorização do património cultural. Em rigor, pretende-se saber se conceitos, significados e deveres normativos de um alojamento turístico-cultural podem ser aplicados, com êxito, às exigências, funções e objetivos na ligação entre sistemas complexos como o turismo (Moisset, 1999; Beni, 2004) ou a cultura (Sacco, Ferilli & Blessi, 2012) com consequências sistémicas positivas na ligação entre direito do património cultural e direito do turismo (Nabais, 2010).
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A valorização turística do património cultural: o museu da cidade de Barcelos

A valorização turística do património cultural: o museu da cidade de Barcelos

Doutor Victor Manuel Martins Pinho da Silva Universidade do Minho. Instituto de Ciências Sociais.[r]

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Como oferecer o património cultural: o caso do conjunto arquitetónico dos Clérigos

Como oferecer o património cultural: o caso do conjunto arquitetónico dos Clérigos

Relativamente ao conjunto arquitetónico dos Clérigos, como se verificou anteriormente, possui um conjunto de dimensões a si associadas – entre outras, histórica, económica, sociológica, turística, arquitetónica, política, religiosa e antropológica. Deste modo, quando se oferece ao turista o conjunto dos Clérigos é imperativo contemplar as suas várias dimensões, para que não se transmita uma visão parcelar do património em questão. No caso de se oferecer ao turista uma visão simplificada, está-se a diminuir a riqueza do património do conjunto dos Clérigos. Na oferta deste património não pode somente estar presente, por exemplo, a dimensão arquitetónica, pois não se contemplariam nem entenderiam as vivências que ocorreram em torno do conjunto dos Clérigos durante os 250 anos da sua existência. Desta forma, quando se oferece aos turistas o património dos Clérigos, é bastante útil incluir episódios semelhantes aos identificados ao longo do estudo, bem como as lógicas que estão por detrás do que é visível. Só assim será possível captar as múltiplas formas de olhar para os Clérigos e como estas se alteraram ao longo do tempo. Por exemplo, enquanto uns olharam para conjunto arquitetónico dos Clérigos e gostaram do seu cariz barroco, outros criticaram ou omitiram tal matriz barroca. Estas múltiplas formas de olhar e a sua constante mutação derivam do facto do observador do património estar inserido num contexto social, cultural, histórico e político.
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Aldeias abandonadas, património imaterial e desenvolvimento local: estudos de caso na Área Metropolitana de Lisboa

Aldeias abandonadas, património imaterial e desenvolvimento local: estudos de caso na Área Metropolitana de Lisboa

A valorização do Casal de A-dos-Rolhados constitui um projecto muito menos discutível e complexo que o anterior, em resultado do estado de ruína do habitat e da desqualificação a que foi sujeita a sua paisagem envolvente sobretudo pela instalação, nas proximidades, de unidades fabris e de equipamentos viários, sobretudo da A16. No entanto, a importância histórico-arqueológica deste núcleo urbano (já evidenciada noutro capítulo), justifica uma acção de valorização, mesmo que de cariz mitigado, e uma manutenção regular, acompanhada por acções de monitorização. Já em inícios dos anos 80, vários autores (Ribeiro et Al, 1986) chamaram a atenção para a necessidade de se atender a este casal saloio, "pelo seu grau de pureza" (idem, p.19). De entre as várias soluções, a instalação de um Centro de Interpretação parece a mais exequível. Através do Centro de Interpretação procura-se fornecer ao público chaves de compreensão do património, considerado nas suas múltiplas facetas (construído, natural, paisagístico e imaterial).Para certos autores, a definição mínima normalizada, dum Centro de Interpretação poderia ser: um espaço sem colecção / com o objectivo de valorização e de difusão / dum património / destinado a acolher um vasto público (Chaumier & Jacobi, 2008: 5). Estes Centros apoiam-se, prioritariamente, num projecto fundado cientificamente, na fase inicial, mas permitindo a afirmação de um ponto de vista subjectivo, deixando simultaneamente ao visitante espaços para a sua própria leitura (Thomas-Bourgneuf & Drouguet, 2005). Procura-se restituir a compreensão duma história, de técnicas, ou duma paisagem, recorrendo-se a uma larga gama de suportes: folhetos, maquetes, modelos, projecções vídeo, sistemas interactivos, etc… A experiência e a sensibilidade do visitante são solicitadas a fim de relacionarem a mensagem apresentada com os seus conhecimentos prévios e com a sua experiência vivida (idem,2005).
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Arte xávega na comunidade da praia da Vieira de Leiria: a sua patrimonialização

Arte xávega na comunidade da praia da Vieira de Leiria: a sua patrimonialização

A zona geográfica onde se situa a comunidade da Praia da Vieira de Leiria também não foi escolhida ao acaso para o estabelecimento da comunidade, pois fica perto da foz de um rio, o que possibilita a pesca na sua embocadura. Assim, a exploração de um recurso endógeno permitiu a fixação da população e o desenvolvimento local. Neste sentido, o espaço impulsionou a vida social, dando estímulo à vida individual e coletiva a partir das artes da pesca. Geraram-se laços de solidariedade e de permuta entre os locais e os seus recursos endógenos, criando-se uma linguagem cultural a partir das suas vivências individuais e coletivas. O informante da companha Maroto refere:
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