Pescadores - História - Brasil

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História de pescadores e pescadoras da Pedra Negra : uma proposta de educação patrimonial aplicada no ensino de História

História de pescadores e pescadoras da Pedra Negra : uma proposta de educação patrimonial aplicada no ensino de História

Mais uma ampliação da percepção de patrimônio cultural no Brasil foi a publicação da portaria nº127 do IPHAN, que em 30 de abril de 2009, estabeleceu a chancela da paisagem cultural brasileira. No seu artigo 1º, a portaria define paisagem cultural como uma porção peculiar do território nacional representativo do processo de interação do homem com o meio natural, cuja vida e ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram valores. A chancela tem como finalidade complementar e integrar os instrumentos de promoção e preservação já existentes, nos termos preconizados na Constituição Federal. Considerando o caráter dinâmico da cultura e ação humana sobre as porções territoriais brasileiras, ela visa à promoção do desenvolvimento sustentável, sendo necessária para sua eficácia a ação conjunta e pactuada. Configura-se então uma gestão compartilhada entre os diversos agentes envolvidos: poder público, sociedade civil e iniciativa privada. Vale aqui ressaltar que o conceito de paisagem cultural como categoria específica do patrimônio cultural já havia sido instituída pela UNESCO desde 1992.
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COSMOLOGIAS EM CONFLITO: O SANEAMENTO DO BRASIL E OS PESCADORES DA LAGOA FEIA - RJ.

COSMOLOGIAS EM CONFLITO: O SANEAMENTO DO BRASIL E OS PESCADORES DA LAGOA FEIA - RJ.

Esses conhecimentos naturalísticos são atualizados nas atividades diárias da pesca e da navegação pelas águas lacustres. Em virtude delas, os pescadores mantém uma relação de intimidade com os aspectos geobiológicos da lagoa – tipos de solo, vegetação, fauna, ventos e fl uxos das águas. Conhe- cem detalhes minuciosos, não apenas da ictiofauna, mas também da fl ora e da geografi a lagunar. Tornam-se, através do emprego de seus conhecimentos, capazes de engendrar técnicas de pesca destinadas a espécies específi cas, ou mesmo à captura a ser realizada em áreas determinadas da lagoa. Esse conjunto de conhecimentos vem sendo transmitido de geração para geração, ao longo de séculos, através de um aprendizado permitido pelo arranjo entre as experiências e a história oral, fazendo da pesca lacustre em Ponta Grossa dos Fidalgos algo que transcende o mero aspecto técnico e compõe um modo de vida.
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Conhecimentos tradicionais de pescadores sobre populações de tubarões na Ilha de Santa Catarina, Sul do Brasil

Conhecimentos tradicionais de pescadores sobre populações de tubarões na Ilha de Santa Catarina, Sul do Brasil

A atividade humana nos oceanos apresenta níveis de produção cada vez mais elevados, que ocasionam o fenômeno da sobrepesca e trazem hoje uma situação de colapso iminente. Os elasmobrânquios representam um dos grupos taxonômicos mais prejudicados, com altas taxas de declínio. Um potencializador desta situação está na estratégia reprodutiva do grupo, que têm maturação sexual tardia, poucos descendentes e crescimento lento. Soma-se a isto o comércio de nadadeiras, popularmente conhecidas como barbatanas, que consiste na retirada destas do animal para sua comercialização, que mutila 38 dos 99 milhões de tubarões pescados anualmente. As percepções dos sujeitos envolvidos na extração dos recursos pesqueiros podem ser abordadas a partir da Etnobiologia, ciência que estuda as relações das pessoas com o meio biológico que as circunda. Este diálogo pode servir como ponte para o resgate de conhecimentos relativos ao tema. O presente trabalho buscou, sob uma perspectiva etnobiológica, registrar a percepção das comunidades pesqueiras frente ao declínio de tubarões na região. A investigação ocorreu em seis comunidades pesqueiras na Ilha de Santa Catarina: Pântano do Sul, Armação do Pântano do Sul, Campeche, Barra da Lagoa, Ingleses e Ponta das Canas, onde foram aplicadas entrevistas semiestruturadas aos 22 pescadores considerados especialistas em captura de tubarões e dispostos a contribuir com a pesquisa. Obtivemos indicativos sobre mudanças temporais nas populações de elasmobrânquios, com relatos de que há 30 anos, em média (± 12,3), as populações de tubarões eram mais abundantes na região e a sua pesca integrava a economia das comunidades estudadas. Foram registrados também a nomenclatura tradicional das espécies exploradas na região, os conhecimentos tradicionais sobre ciclos de vida e importância ecológica, e as principais áreas de ocorrência de elasmobrânquios da área estudada. Como atividade de devolutiva às comunidades pesquisadas, foi elaborado uma publicação ilustrada que conta com uma breve história das percepções de cada localidade estudada, assim como um catálogo de espécies de tubarões de Florianópolis com a nomenclatura tradicional e um mapeamento comparativo da presença de tubarões na ilha antigamente e na atualidade.
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Museu permanente história das mulheres no Brasil : reflexões e propostas para o ensino de história, a museologia social e a história das mulheres no Brasil  

Museu permanente história das mulheres no Brasil : reflexões e propostas para o ensino de história, a museologia social e a história das mulheres no Brasil  

Quase um século depois da chegada dos portugueses, a primeira mulher que se teve notícia de saber interpretar o código linguístico foi Madalena Caramuru. Essa indígena brasileira era filha de Diogo Álvares Correia, mais conhecido como Caramuru, com uma índia da tribo dos tupinambás, Moema Paraguaçu. Madalena escreveu uma missiva de próprio punho ao padre Manoel da Nóbrega, no dia 26 de março de 1561. Na cultura indígena, a mulher exercia o papel de companheira. Diferente da cultura do homem branco, entre os tupinambás não deveria haver razão para as diferenças de oportunidades educacionais. Condenar ao analfabetismo e à ignorância o sexo feminino parecia, para o povo indígena, uma ideia absurda. Foi por iniciativa dos indígenas que surgiu a primeira reivindicação pela instrução feminina no Brasil. O padre Manoel da Nóbrega achou essa ideia originalíssima e tentou, por meio de autorizações régias, criar oportunidades de alfabetização para as mulheres brasileiras. A solicitação foi enviada à rainha D. Catarina. Contudo, a metrópole portuguesa negou a iniciativa, qualificando de “ousado” tal projeto, pelo perigo que isso pudesse representar. Embora a carta ainda não tenha sido encontrada, trata-se do primeiro documento escrito por uma mulher brasileira. Diogo Álvares Correia, o pai de Madalena, criou seus filhos ao lado da índia Paraguaçu. Em 1526, o casal viajou para a França, num navio de contrabandistas. Na cidade de Saint-Malo, Paraguaçu recebeu o nome cristão de Catarina do Brasil. De volta ao Brasil, foram viver no povoado de Vila Velha, atual subúrbio de Salvador, na Bahia. Até os dias de hoje, o Brasil enfrenta o desafio de dotar milhões de pessoas com este instrumento de cidadania, a escrita. Para resgatar um dos momentos marcantes do início do processo de alfabetização no país, os Correios apresentam este selo postal. Com essa emissão, a Filatelia Brasileira destaca a ousadia de uma indígena brasileira que abriu as portas para uma outra forma de descobrimento, a conquista do mundo das letras.
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A etnoictiologia dos pescadores artesanais da comunidade                     da Praia da  Penha, João Pessoa, Paraíba, Brasil

A etnoictiologia dos pescadores artesanais da comunidade da Praia da Penha, João Pessoa, Paraíba, Brasil

Estudos relativos à etnoictiologia marinha no Estado da Paraíba incluem: Silva e Andrade (2010), que desenvolveram uma pesquisa sobre a manutenção do equilíbrio ambiental ao longo das experiências de pescarias artesanais e Lima-Silva (2007), que desenvolveu uma pesquisa sobre uma espécie de peixe marinho, em condições de cativeiro e a prática da aquicultura para desenvolvimento socioeconômico, Rodrigues (2006), através de um estudo exploratório com os pescadores artesanais na cidade de Cabedelo ,evidencia inúmeros aspectos que circundam uma prática econômica de cunho familiar e comunitário. Deste jeito, através das técnicas comuns aos estudos etnológicos, Rodrigues descreve nos resultados de sua investigação que há uma visível redução do interesse dos mais jovens pela prática da pesca artesanal na comunidade investigada. Esta redução é fruto do decaimento da captura de pescado, provocada pela degradação ambiental dos últimos anos. Ele também destaca que a expansão imobiliária e as mudanças socioculturais são fatores chaves que reforçam a dinâmica deste processo em comunidade tradicional de pescadores, a qual possui um valioso conhecimento etnoictiológico local.
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A HISTÓRIA DA FA MÍLI A GERALDO. Seu Geraldo e Dona Arlete UMA VILA DE PESCADORES E UM SONHO: O DESEJO DE UMA VIDA MELHOR.

A HISTÓRIA DA FA MÍLI A GERALDO. Seu Geraldo e Dona Arlete UMA VILA DE PESCADORES E UM SONHO: O DESEJO DE UMA VIDA MELHOR.

R$139 Filé mignon à milanesa, molho de tomate caseiro, muçarela e parmesão gratinados, arroz, fritas e farofa.. PICANHA AO ALHO E ÓLEO.[r]

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Acidentes do trabalho em pescadores artesanais da região do Médio Rio Araguaia, Tocantins, Brasil.

Acidentes do trabalho em pescadores artesanais da região do Médio Rio Araguaia, Tocantins, Brasil.

A condição de segurados especiais assegura aos pirangueiros ou pescadores de anzol, co- mo são chamados os pescadores profissionais artesanais de água doce, o acesso ao SAT ofere- cido pelo Plano de Benefícios da Previdência Social 11 . Esse fato, ainda desconhecido por muitos pescadores, minimiza as inúmeras difi- culdades enfrentadas no dia-a-dia da atividade pesqueira, visto essa ser reconhecidamente uma das profissões mais perigosas existentes, ex- pondo seus trabalhadores a uma série de situa- ções de risco todos os dias. Possíveis naufrá- gios, temporais e encontro com espécies peri-
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Ensino, história e o ensino de história nas séries iniciais no Brasil

Ensino, história e o ensino de história nas séries iniciais no Brasil

Ensinar é criar as possibilidades para produção e construção do conhecimento, particularmen- te ensinar História não tem sido uma tarefa fácil, pelo contrário, tem se apresentado como um verdadeiro desafio para nossa sociedade garantir um ensino de história, capaz de levar nossos jovens a refletir e interferir de forma consciente na realidade de sua comunidade. Desta forma, este trabalho tem como finalidade principal analisar o processo de construção e elaboração de políticas públicas educacionais, com ênfase para o ensino de História nos anos iniciais no Brasil, apresentando as grandes transformações ocorridas no campo do ensino de História, resultantes dos embates políticos, filosóficos e educacionais travado principalmente, a partir da redemocratização do país até os dias atuais e apresentar a busca pela elaboração de um currículo ―uniforme‖ para o ensino de História, que possa garantir aos estudantes um ensino eficaz, diante da nova realidade global e voraz que se vive.
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Territorialidad en áreas naturales protegidas : miradas cruzadas entre comunidades de pescadores en México y Brasil = Territorialidade nas áreas naturais protegidas: olhares cruzados entre comunidades de pescadores no México e no Brasil

Territorialidad en áreas naturales protegidas : miradas cruzadas entre comunidades de pescadores en México y Brasil = Territorialidade nas áreas naturais protegidas: olhares cruzados entre comunidades de pescadores no México e no Brasil

“Estamos batallando mucho. Hace como un año dejo de haber pescado aquí. Estamos batallando ahorita aquí porque están matando la mojarra los otros pescadores que vienen de afuera están matando a la mojarra para sacar filete, pero es mojarra muy chiquita y la sacan y se llevan como de 500 a 600 kilos, casi la tonelada de mojarra. Estamos batallando por que no dejan crecer a la mojarra. Por eso queremos hacer una cooperativa de la mojarra, queremos exigir a la PROFEPA [Procuraduría Federal de Protección al Ambiente de México] que no dejen a los pescadores sacar mojarra con malla chiquita por que agarran mojarra chiquitas. Ya fuimos con la SAGARPA [Secretaría de Agricultura, Ganadería, Desarrollo Rural, Pesca y Alimentación] en Ensenada. Tengo un pariente que trabaja en Ensenada y quiero que se levante una hoja donde no dejen pescar mojarras chicas, por que esos no dejan que crezca. La mojarra tiene una cuarta medición, si crece tanto así en una semana. La mojarra es la más reproductora que hay. Todos los de aquí, estamos de acuerdo que dejen crecer la mojarra y no metemos una malla chica. Como la malla 3 es muy chiquita y la malla 3 ¼ ya es invertido aquí en el río. Y mucha gente mete malla 3 y es muy chiquita la mojarra que pescan. Y la que estamos metiendo ahorita no le está afectando ni la huevera, ni el crecimiento. Lo único que queremos es levantar firmas y decir que ya no puede entrar gente extraña a pescar en nuestro territorio y que la mojarra que está es nuestro territorio nosotros sí la cuidamos. Nosotros metemos malla 3 ¼ , porque es lo único que tenemos y de eso vivimos de la pesca y cómo vamos a matarla” (Entrevista realizada a Roy el 19 de diciembre de 2013 en El Mayor Cucapá, Baja California).
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História do tracoma no Brasil

História do tracoma no Brasil

A hist6ria do tracoma no Brasil está ricamente descrita por SOvio de Almeida Toledo em seu livro "Coo­ peração da escola primária no com­ bate ao tracoma", de 1938, onde apresentou documentos que encon­ tram justificativas para apontar a en­ trada da doença no país com os pri­ meiros colonizadores, no fim do sé­ culo XV e início do XVI. Também a imigração cigana, vinda de Portugal para os Estados do Maranhão e Cea­ rá, entre 1718 e 1750, foi responsa­ bilizada pela entrada dessa afecção no Brasil. Através das referências mencionadas por esse autor, nota-se que, até 1888, o tracoma era desco­ nhecido nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
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A Interpretação da História do Brasil. Estado, história e memória

A Interpretação da História do Brasil. Estado, história e memória

Varnhagen elegeu, à luz dos fundamentos ideológicos, filosóficos e científicos de seu momento histórico, alguns atores sociais privilegiados. Reiteramos que certamente não fez, como alguns críticos condenaram, apenas a história dos grandes personagens28; sua historiografia não é uma “galeria de brasileiros ilustres” à Carlyle ou mesmo Plutarco. Entendê- lo assim seria fazer equivaler sua obra à de um Sisson. ImpÕe-se, a nosso ver, uma revisão deste julgamento, procurando identificar os principais atores que, para Varnhagen, constituem os elementos fundamentais da dinâmica social. Estes poderiam ser agrupados em alguns grandes seto­ res, a saber: os agentes meso lógicos; as etnias e sua miscigenação; as institui-
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Gestão Socioambiental de Comunidade de Pescadores Artesanais Colônia de Pescadores Z-3, Pelotas/RS

Gestão Socioambiental de Comunidade de Pescadores Artesanais Colônia de Pescadores Z-3, Pelotas/RS

In coastal areas, the situation of risk and uncertainty of social-environmental is growing, mainly due to human action and should be monitored and understood, intended to preserve the environment for the maintenance of quality of life, especially the most vulnerable such as traditional communities that depend on coastal resources for their livelihoods. Thus, the present study aims to evaluate the social- environmental management of the Colonia de Pescadores Z-3, a traditional community of fisherman, situated at Lagoa dos Patos, in the Pelotas city, RS, Brazil. So, the research begins with an environmental analysis and goes to more specific and urgent issues, such as environmental management of the supply chain for fisherman, aiming to generate income from fish waste; and assesses the water quality of the Lagoa dos Patos in the region. To answer the questions, it was adopted a qualitative and quantitative approach. In addition to the collection of secondary data on the historical context of the colony and the environmental management of its supply chain; to sample the primary data-through non-structured interviews, semi- structured and structured were carried out. It was interviewed a total of 62 individually persons or as a focus group. For the monitoring of water quality is carried out 8 templates, comprising two collections for the 2015. It was analyzed the qualitative data using content analysis technique. For the analysis of quantitative data, it uses electronic spreadsheets, WQI, TSI PT and SigmaPlot 10.0 software. Overall, the
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Saberes Etnoictiológicos dos Pescadores Artesanais nos Açudes do Alto Rio Acaraú, Ceará, Brasil

Saberes Etnoictiológicos dos Pescadores Artesanais nos Açudes do Alto Rio Acaraú, Ceará, Brasil

A etnoictiologia busca descrever e valorizar os conhecimentos dos pescadores artesanais, através de estudos que evidenciam que estes são portadores de conhecimentos bioecológicos acerca dos peixes que capturam. Desta forma, objetivou-se comparar os conhecimentos etnoictiológicos dos pescadores artesanais dos açudes públicos Araras e Edson Queiroz (bacia do médio rio Acaraú-CE) com a literatura científica. Com este fim, selecionou-se uma população representativa para cada um destes açudes. Assim, tem-se a Ilha de Esaú, para o açude Araras, e Vila São Cosme, para o Edson Queiroz. Foram realizadas observação participante, entrevistas semiestruturadas, estímulo visual e turnês-guiadas com pescadores destas populações. Foram entrevistados vinte pescadores na Vila São Cosme e vinte e quatro na Ilha de Esaú. As entrevistas abordaram aspectos etnoecológicos das principais espécies de peixes capturadas pelos pescadores. Foram citadas vinte etnoespécies de peixes e uma de camarão como sendo capturadas nos açudes. Dentre estas, as mais importantes, economicamente, foram: cará-tilápia (Oreochromis niloticus Linnaeus, 1758 e Tilapia rendalli Boulenger, 1897), curimatã (Prochilodus brevis Steindachner, 1874), pescada, (Plagiossion squamossimus Heckel, 1840), piau (Leporinus sp.), traíra (Hoplias brasiliensis e H. malabaricus Bloch, 1794) e tucunaré (Cichla cf. ocellaris Bloch; Schneider, 1801). Na classificação da ictiofauna, os pescadores utilizam aspectos morfológicos e etológicos, apresentando várias etnoespécies com nomes genéricos e poucas com nomes binomiais. Em sua dieta, estas populações consomem peixes, como principal fonte de proteína animal, havendo restrições por caráter social e cultural. Quanto à etnoictiologia, conclui-se que os pescadores possuem conhecimentos consistentes sobre a ecologia geral, trófica e reprodutiva da ictiofauna capturada, vivenciando empiricamente muitas das informações presentes na literatura acadêmica. Logo, pela consistência dos saberes dos pescadores da Ilha de Esaú e da Vila São Cosme, estes conhecimentos podem contribuir para futuros estudos científicos e ser incorporados na elaboração de planos de gestão e manejo sustentável dos recursos hídricos e pesqueiros da região média do Acaraú.
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A desnecessidade do trabalho entre pescadores artesanais.

A desnecessidade do trabalho entre pescadores artesanais.

A s relações socioculturais e econômicas, em alguns grupos de pescadores artesanais e camponeses, não colocaram como entes antagônicos trabalho e tempo livre. Ao con- trário, tais relações celebram aproximações e indissolubi- lidades entre saber-fazer pesqueiro, lazer e vida, forman- do e conformando um todo societário. Aspectos esses que estão contidos na forma de ser e fazer-se dos pescadores artesanais aqui estudados, cujas características socioculturais e econômicas de vida não assumem maneiras de resistências políticas e/ou de mobilização social. Dessa maneira, não se está afirmando que os pescadores artesanais negam os marcos do capital (aliás, isso nem é uma questão mencionada pelos pescadores), mas apenas que tais sujeitos sociais possuem maneiras de lidar com o tempo de traba- lho e o de lazer oriundas de um modo de vida fundamentado em relações materiais e simbólicas típicas de grupos sociais que se apoiam em uma fecunda contra-racionalidade (Brandão, 2007, p. 42), distinta da racionali- dade da economia moderna, em que, de acordo com a lógica existencial dos grupos tradicionais, a própria economia é uma das muitas dimensões de uma cultura (idem, p. 55), que cruza valores morais, estéticos e sociais não similares aos do mundo dos negócios.
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Pescadoras e pescadores artesanais do Ceara

Pescadoras e pescadores artesanais do Ceara

As lutas fazem parte da história das comunidades pesqueiras marítimas desde os últimos anos da década de 1970. No início da década de 1990, conquistaram o “status” de movimento ao reunirem-se em torno do propósito comum de garantir condições essenciais à manutenção do modo de vida das comunidades pesqueiras marítimas do litoral leste. Constituindo frentes de luta na terra e no mar, em razão dos conflitos existentes com os diferentes grileiros e/ou especuladores imobiliários e suas ameaças – geralmente relacionados à sobrevivência, à moradia, à conservação ambiental e à permanência da pesca artesanal, inscrevem-se como sujeitos ativos na história do Ceará. De modo especial, a luta pelo direito ao uso da terra, contra o “turismo predador”, contra a destruição dos estoques pesqueiros e pela preservação dos ecossistemas costeiros (a exemplo dos manguezais e lagoas, vitais à reprodução de espécies marinhas, mas que têm sido ocupados por grandes fazenda de criação de camarão 1 ), têm motivado,
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Perfil socioeconômico dos pescadores Brasileiros

Perfil socioeconômico dos pescadores Brasileiros

O presente trabalho analisa o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) do Ministério da Pesca e Aquicultura, considerando região, produção, renda média, gênero, idade e escolaridade. Em 2008 havia 693.705 pescadores cadastrados no sistema, distribuídos em 60,6% dos municípios brasileiros. As regiões Nordeste e Norte concentram o maior número, representando 77,0% dos pescadores, seguidas respectivamente das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. A região Norte lidera a produção nacional de pescado oriundo da pesca extrativa, com 233.534 toneladas de pescado, seguida das regiões Nordeste (222.671 t), Sul (171.291 t), Sudeste (141.281 t) e Centro-Oeste (10.336 t). Os pescadores das regiões Sul e Sudeste são mais produtivos, com capturas médias de 2,61 t/ pescador-ano e 1,83 t/pescador-ano, respectivamente, o que gera maiores valores de renda média anual. Quanto à distribuição por gênero, observa-se a presença das mulheres na pesca nacional, com 34,9% do total de pescadores. Quanto à escolaridade, o Brasil possui 56.218 pescadores analfabetos e 523.841 que têm Ensino Fundamental incompleto, o que corresponde à maior parte dos pescadores brasileiros (83,6%). A baixa escolaridade pode ser responsável pela ineicácia na aplicação das políticas públicas pesqueiras, estando também relacionada à facilidade de aporte de pessoas que, por absoluta falta de opção, ingressam na atividade pesqueira, alimentando assim o paradigma da pesca e pobreza.
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Conhecimento ecológico local de pescadores sobre peixes recifais (Epinephilidae) no litoral nordeste do Brasil

Conhecimento ecológico local de pescadores sobre peixes recifais (Epinephilidae) no litoral nordeste do Brasil

16 A concordância entre o CEL de pescadores artesanais e a literatura científica pode ser observada em diversos estudos, como Aswani & Hamilton 2004; Silvano & Begossi 2005, 2010; Begossi & Silvano 2008; Silvano & Valbo-Jørgensen, 2008; Silvano & Begossi 2012; Lopes et al. 2013a, 2013b. Entretanto, quando se trata de peixes recifais, o CEL pode ser menos preciso por diversas razões. Segundo nossos resultados, há uma concordância maior entre o conhecimento dos pescadores e dados científicos nas questões relacionadas à dieta e à migração. Em relação à dieta, é bastante provável que essa semelhança entre as duas fontes de informação esteja relacionada ao fato de os pescadores frequentemente observarem os conteúdos estomacais dos peixes, ao limparem esses animais para seu consumo (Silvano & Begossi 2002). Sobre a migração, o grau de concordância foi maior para as espécies E. adscensionis e C. fulva (gato e piraúna, respectivamente). Tal resultado pode estar associado à maior abundância desses peixes nas capturas em relação aos demais utilizados na pesquisa. Essa maior abundância pode ser confirmada no fato de que agora os pescadores têm consumido espécies de níveis abaixo da cadeia alimentar (como o gato e a piraúna), visto que não tem havido grandes capturas de peixes de valores comerciais mais altos, como o mero e a garoupa (Damasio, 2015).
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PESCADORES E “CURRAIS”: UM ENFOQUE ETNOECOLÓGICO.

PESCADORES E “CURRAIS”: UM ENFOQUE ETNOECOLÓGICO.

A diminuição dos estoques pesqueiros não ocorre apenas em ambientes marítimos, mas também na pesca continental e o relato das populações que vivem diretamente desses recursos, podem ajudar a elaboração de ações que venham proporcionar um adequado manejo dessas áreas. Com o levantamento a respeito do desaparecimento das espécies de peixes e, a confirmação do meme sobre o desaparecimento do ouriço pelos pescadores locais – que afirmaram que o ouriço faz parte da cadeira alimentar de algumas espécies de peixes – fica evidente que existe uma alteração na cadeia trófica da região estudada. Isto é evidenciado sobre o lodo macarrão citado pelos pescadores e identificado em estudos na Paraíba, como Gracilaria caudata J. Agardh (Miranda e Mutue 2010). Esta alga foi amplamente explorada na década de 1970 em todo o nordeste do Brasil, para a produção de ficocolóides, o que levou ao seu rápido declínio. A evidência científica do desaparecimento da Gracilaria caudata, foi confirmada por Miranda e Mutue (2010), através do monitoramento da sua biomassa em Ponta de Mato em Cabedelo, Paraíba. O estudo mostrou um declínio populacional relacionado com a intensa atividade realizada em 1997 e que a situação anterior à degradação até o momento, não foi recuperada. Diante do exposto, não se pode precisar se as populações de ouriços declinaram a partir da degradação da exploração para fins comerciais da alga Gracilaria caudata, necessitando de estudos científicos mais direcionados e aprofundados a respeito do fato relatado pelos pescadores locais. A diminuição de estoques pesqueiros, também é relatada em um estudo realizado no município de Carmo do Rio Claro, localizado na região sudeste de Minas Gerais, Brasil, onde todos os pescadores afirmaram que houve diminuição dos estoques devido ao lançamento de efluentes no rio (34%), aumento de pessoas pescando (22%) e aplicação de agrotóxicos dentro da terra para exterminar pragas (44%) (Azevedo-Santos 2010). Calado (2010) descreve que os pescadores artesanais de Maracajaú-RN também acreditam ter ocorrido mudanças na comunidade de peixes nos últimos 10 anos e que o motivo principal foi o aumento da população local e o turismo na região. Portanto, em estudos em outras localidades costeiras no país, os relatos da diminuição dos estoques pesqueiros estão vinculados à ação antrópica nestas regiões.
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O perfil socioeconômico e a percepção ambiental dos pescadores da Lagoa do Apodi, Rio Grande do Norte, Brasil

O perfil socioeconômico e a percepção ambiental dos pescadores da Lagoa do Apodi, Rio Grande do Norte, Brasil

A partir desse modelo de pesca, é perceptível que os pescadores investigados utilizam os instrumentos adequados, já que 78,85% afirmaram nunca utilizarem e 19,23% responderam quase nunca usarem equipamentos industriais, enquanto apenas 1,92% usa-os com frequência. Esses resultados foram similares aos de Zappes, Oliveira e Di Beneditto (2016) para pesca no norte fluminense, tendo em vista que raramente usam equipamentos mecanizados. Pode-se inferir que a pesca artesanal, ao fazer uso de utensílios adequados e que não ameaçam a quantidade e as espécies pescadas, adota práticas desenvolvidas por diversas gerações e deixadas como uma herança familiar e cultural pela comunidade, contribuindo, assim, para o desenvolvimento local. Esse cenário de pesca artesanal na Lagoa do Apodi, RN, consolida-se por 96,15% afirmarem que fazem uso de canoa, enquanto 3,85% não usam nenhum tipo de embarcação, o que é corroborado pela descrição da pesca artesanal de Silva (2014), ao afirmar que essa é caracterizada por fazerem pouco uso de tecnologia e embarcações simples. No Maranhão, a pesca também é desenvolvida com pequenas embarcações, já que 51% utilizam barcos simples e 49% empregam canoas a remo ou a vela para a execução de suas pescarias (SANTOS et al., 2011). Portanto as principais técnicas adotadas para a captura e a preferência alimentar dos pescadores refletem o destino desses pescados.
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