Pesquisa qualitativa - narrativas pessoais

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Narrativas pessoais e tipos míticos de defesa:

Narrativas pessoais e tipos míticos de defesa:

O artigo apresenta resultados de pesquisa que analisou a realidade de trabalho dos empregados administrativos de uma instituição de ensino superior (IES) do Rio de Janeiro, tendo como referencial teórico os modelos de sobrevivência psíquica propostos por Thiry-Cherques: Golem Laborioso; Kafka Assalariado; Weber Profissional; Maquiavel Funcionário e Borges Inspetor. Os modelos explicitam como os trabalhadores articulam suas estratégias de sobrevivência a fim de conseguirem sobreviver psicologicamente às pressões do trabalho e aceitá-las de forma tolerável, ao construírem suas narrativas pessoais. Utilizou-se abordagem qualitativa em um estudo de casos múltiplos, envolvendo oito participantes da área administrativa da IES. Reuniram-se evidências por meio de entrevistas semiestruturadas, aplicação de questionário de frases evocadoras, observação direta e pesquisa documental. Predomina entre os participantes a adesão ao sistema, traduzida em adesão às normas organizacionais, gratidão e orgulho, típicas do modelo Golem Laborioso.
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Pessoa sem-abrigo: narrativas pessoais, condições sociais e políticas

Pessoa sem-abrigo: narrativas pessoais, condições sociais e políticas

Para a análise temática ser levada a cabo há um método normalmente utilizado na literatura e explicado de modo mais detalhado nos trabalhos de Braun e Clarke (2006). Para estas autoras a pesquisa temática e qualitativa desenvolve-se em seis fases no que respeita à integração e análise dos conteúdos recolhidos: 1) Familiarizar-se com os dados recolhidos (consiste numa transcrição de dados, leitura dos mesmos e anotação das ideias- chave; 2) Gerar códigos iniciais (codificar de características interessantes dos dados recolhidos); 3) Encontrar temas (resume-se ao agrupamento dos dados em possíveis temas de análise); 4) Análise dos temas (Verificar se os temas se relacionam às codificações dos dados em análise e se estes respondem aos objetivos delineados); 5) Definição e atribuição de nomes aos temas (proceder à análise para refinar as especificidades de cada tema, de acordo com os objetivos em análise, de modo a criar definições claras em cada tema); 6) Redação do relatório (Consiste na seleção dos temas relevantes para a redação do trabalho em questão, em torno dos objetivos delineados na revisão da literatura produzida).
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Novas práticas de escrita em pesquisa qualitativa

Novas práticas de escrita em pesquisa qualitativa

Uma forma de escrita evocativa é a autoetnografia. Estes são altamente perso- nalizados, revelando textos em que os autores contam histórias sobre suas próprias experiências vividas, relacionando o pessoal com o cultural. O poder dessas narrativas depende de sua apresentação retórica como “histórias verdadeiras”, histórias sobre eventos que realmente aconteceram ao escritor. Ao narrar a história, o escritor invoca tais técnicas de escrita de ficção como imagens dramáticas recalcadas, imagens fortes, personagens esboçados, fraseios incomuns, trocadilhos, subtextos, alusões, recordações, antecipações, mudanças de tom, sinédoques, diálogos e monólogos interiores. Através dessas técnicas, o escritor constrói uma sequência de eventos, um “enredo”, retendo a interpretação, pedindo ao leitor que “assista” emocionalmente os eventos com o escritor. Essas narrativas procuram atender aos critérios literários de coerência, verossimilhança e interesse. Algumas narrativas do eu são encenadas como representações imaginativas; outras são encenadas como ensaios pessoais, buscando a honestidade, a revelação e o “quadro maior”. Em ambos os casos, os etnógrafos estão um pouco aliviados dos problemas de falar pelo “outro”, porque eles são o outro em seus textos.
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PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS –GRADUADOS EM SERVIÇO SOCIAL

PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS –GRADUADOS EM SERVIÇO SOCIAL

A presente dissertação tem por objeto a participação dos usuários no controle público da Política de Assistência Social no Município de São Paulo, sobretudo na dinâmica deliberativa do Conselho Municipal de Assistência Social (Comas), no período compreendido entre os anos de 2002 a 2012. O objetivo geral da pesquisa é analisar os limites, desafios e as possibilidades presentes, tendo em vista a atuação política, técnica e operacional do Comas/SP. Objetiva-se conhecer a versão dos sujeitos sobre períodos e fatos, que estão relacionados com a proteção social brasileira, a partir do olhar transversal ao controle público e defesa da cidadania. É uma pesquisa qualitativa, que se apoia na categoria metodológica de trajetórias. Apoiados no gênero Contos, privilegiamos o realismo interior dos personagens com raízes autobiográficas. As referências conceituais básicas adotadas são: controle público, cidadania e questão social, fundamentadas em autores contemporâneos, em sua maioria brasileiros, compreendendo levantamentos bibliográficos nas áreas de Sociologia, Serviço Social e Filosofia; pesquisa documental em arquivos pessoais dos cidadãos –sujeitos da pesquisa, Instituto Polis, PUC-SP–Biblioteca Nadir Kfuri, Espaso, site oficial do conselho, órgãos municipais, dentre outros. A pesquisa de campo envolveu entrevistas abertas, durante as quais foram ouvidas as narrativas de cinco cidadãos, dos quais três exerceram a função de conselheiros da Assistência Social. Suas histórias de vida se entrelaçam na luta pela vida, em dado momento de suas trajetórias. São dois militantes de fóruns sociais, um membro do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), na atual gestão de 2012 a 2014, e outro é membro da coordenação do Movimento Nacional da População de Rua. Para análise dos dados foram aplicadas as técnicas de análise documental
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Estórias da vida. Das páginas pessoais nas redes sociais à criação de narrativas pessoais mediatizadas: Reflexão pessoal, agência e desafios

Estórias da vida. Das páginas pessoais nas redes sociais à criação de narrativas pessoais mediatizadas: Reflexão pessoal, agência e desafios

one’s identity, lifestyle and social relations”, investiga o que é distintivo na construção do eu e relações de sociabilidade por parte dos jovens quando mediados pelas redes sociais. Para contornar o problema de determinismo tecnológico usa a noção de mediação para considerar o papel das práticas sociais e da tecnologia. E utiliza metodologia qualitativa para a partir das práticas dos jovens nas redes sociais explorar como as oportunidades e riscos se ligam. É particularmente relevante para este trabalho por investigar as formas como os jovens vêem e elaboram o seu perfil pessoal na rede, dando atenção à procura de privacidade e manutenção de espaços de intimidade. Destacam-se relativamente à nossa pesquisa duas considerações. A primeira deque embora na rede social sobressaia o “me” este não equivale a narcisismo e foco em si próprio. A partir da distinção de Mead entre o “I e o “me” como aspectos constituintes do “self”, Livingstone (2008a :400) considera que as redes sociais são sobre esse “me” no sentido em que revelam o “self embedded in the peer group, as known to and represented to others, rather than the private “I”, known best by oneself”.Ou seja que, embora as estratégias de representação pessoal variem consideravelmente, parecem condicionadas pelo grupo de amigos. As informações pessoais são uma espécie de fachada. “It seemed that position in the peer network is more significant than the personal information provide, rendering the profile a place marker, more than a self portrait (2008a :399). Alude-se aqui à ideia de “backstage” de Goffman mostrando que os actos de reconhecimento por parte dos outros são factor de preocupação.
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O uso do grupo focal em pesquisa qualitativa.

O uso do grupo focal em pesquisa qualitativa.

Percebeu-se que a técnica escolhida para este exercício de pesquisa permitiu que se desencade- asse a construção de novas ações por parte das colaboradoras deste estudo. Por meio da relexão sobre a sexualidade, nas sessões de grupo focal, elas criaram condições singulares para suas ne- cessidades, desconstruindo e reconstruindo con- ceitos. Buscaram em si mesmas as respostas para as indagações e inquietações que o tema conjuga. E desse processo emergiu uma série de novos questionamentos sobre suas vivências pessoais e proissionais, diante da temática.
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A pesquisa qualitativa e sua utilização em Administração de Empresas.

A pesquisa qualitativa e sua utilização em Administração de Empresas.

Embora não haja uma forte tradição qualitativa na pesquisa desenvolvida no campo da Administração de Empresas, é possível perceber, a partir da década de 70, um crescente aumento de inte[r]

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Pesquisa qualitativa em estudos da gestão de pessoas.

Pesquisa qualitativa em estudos da gestão de pessoas.

Embora a matéria-prima da análise de conteúdo seja qualquer forma de comunicação, em nosso meio tem-se empregado materiais escritos, acentuadamente os textos gerados pelas transcrições de entrevistas. A análise de con- teúdo, em contraponto com os recursos estatísticos, nas pesquisas tradicionais, tem sido muitas vezes citada como o recurso privilegiado na pesquisa qualitativa. Contudo, algumas variações, com base em diferentes pressupos- tos, registram-se na literatura e na prática de pesquisa: análise do discurso, análise de verbalizações, análise de narrativas e análise da conversação. Tenta-se clarificar as distinções, embora nem sempre com êxito (por exem- plo: Orlandi, 1986; Polkinghorne, 1988; Coraci, 1991; Marcushi, 1991; Riessman, 1993; Nicolaci-da-Costa, 1994). Em cada ambiente, mesmo naqueles que nos são muito familiares, existem inúmeros aspectos que podemos desco- brir. Junte-se a isto o fato de cada pesquisador fazer desco- bertas de maneira ímpar, peculiar. Assim, a redação que se registra formalmente em um relatório ou outro documento, no término da pesquisa, sempre é apenas uma das formas possíveis de compor as interpretações. Sua aceitação depende da capacidade do pesquisador de elaborar uma articulação lógica e de convencer a comunidade científica.
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Narrativas: utilização na pesquisa qualitativa em saúde

Narrativas: utilização na pesquisa qualitativa em saúde

In the conclusions, the potential for using narratives to study situations in which there is interest in mediations between experience and language, between structure and events, betwe[r]

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Interpretação e validação científica em pesquisa qualitativa.

Interpretação e validação científica em pesquisa qualitativa.

especificidade que entrevistas em profundidade ou observações continuadas colocam. Sim, porque dizendo respeito a metodologias de base científica, a comunidade académica deverá partilhar um mínimo de procedimentos e condutas que ditem à partida quais as melhores e piores condições de exequibilidade da pesquisa. Além disso, outro paralelo entre metodologias qualitativas e quantitativas é a aprendizagem e a necessidade de treino para a rotinização das competências metodológicas. Do mesmo modo que ninguém poderá saber quais os procedimentos estatísticos apropriados sem um profundo treino académico, a condução de entrevistas ou observações colocam precisamente a mesma necessidade de formação especializada. A diferença está no tipo e natureza de competências a serem adquiridas. No caso das metodologias qualitativas, em concreto as que exigem tempos de contacto alongados entre investigador e objeto de estudo, deverão ser mobilizadas competências relacionais e de interação, além de um conhecimento prévio sobre a unidade de análise (e.g. determinado contexto geográfico ou grupo profissional). Obviamente que a aquisição destas competências não passa pelos princípios da lógica dedutiva introduzidos por Popper (1992) e que servem de base ao raciocínio das relações estatísticas (de modo simples: se A = B e B = C, logo, A = C). Embora possa parecer que estamos a falar de competências que pouco ou nada dizem respeito ao estatuto científico, é essencial que o investigador tenha em consciência a dupla avaliação em jogo (do investigador para os sujeitos e destes para o investigador) orientando, consequentemente, os seus discursos e silêncios (o que dizer ou não dizer), permanências e ausências (estar ou não estar). Obviamente, que não é possível procurar, num manual, o que fazer ou evitar fazer, desde logo porque muitas das regras são específicas e intransponíveis entre diferentes contextos e grupos sociais. A regra elementar que defendemos para a validação científica é, precisamente, a capacidade do investigador para racionalizar sobre seus processos de interação quando da recolha de dados.
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Pesquisa qualitativa, cartografia e saúde: conexões.

Pesquisa qualitativa, cartografia e saúde: conexões.

multiplicidade não excludente de formas de abordagem do objeto ou de metodologias de pesquisa. Gil et al. (2006) apresentam algumas situações de investigação em saúde, nas quais são potentes os usos de pesquisas qualitativas, entre elas, podemos citar: a) situações em que se pretendem explicar fenômenos que ocorrem em situações muito complexas ou singulares (como os estudos de caso, por exemplo); b) situações em que o pesquisador tem uma percepção acerca do papel da Ciência e da produção do conhecimento voltadas para a compreensão do cotidiano e para as transformações sociais das práticas do cuidado (como, por exemplo, as pesquisas formalmente interventivas); c) situações de pesquisas exploratórias, nas quais não se imagina chegar a uma resposta definitiva para o problema (levando em consideração a flexibilidade e particularidade da metodologia).
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PESQUISA QUALITATIVA: SIGNIFICADOS E A RAZÃO QUE A SUSTENTA

PESQUISA QUALITATIVA: SIGNIFICADOS E A RAZÃO QUE A SUSTENTA

Permanecendo-se em um nível de procedimentos, a investigação, levada a termo pelas ciências do espírito, pode ser enfocada na história, na dialética homem-mundo e seus aspectos determinantes, nas expressões lingüísticas, no contexto onde as inter-relações homem-mundo-homem, homem-homem ocorrem e no modo pelo qual ocorrem e buscarem-se modos apropriados para investigá-los. É o caso, por exemplo, de análises de conteúdo, análises hermenêuticas, estudos etnográficos, estudos das representações simbólicas, etc. O ponto da interrogação posta, mostrando uma dúvida pairando sobre esses modos de investigação, é relativo ao como analisar os dados obtidos, de maneira que se proceda rigorosamente. Muitas correntes continuaram apelando para recursos oferecidos pela estatística, outras trabalharam com relatos, tomando-os como tal para embasar afirmações importantes na pesquisa efetuada. Os valores tidos como positivos por essa ciência são participação e engajamento, procedentes em relação à importância das concepções de história e cultura que assumem.
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Pesquisa Qualitativa em Enfermagem: seu objeto de intervenção

Pesquisa Qualitativa em Enfermagem: seu objeto de intervenção

A pesquisa-ação como referencial teórico-metodológico que permite o diálogo entre pesquisador-pesquisado com fins de resolver problemas comuns para ambos. Esta na ação da enfermagem desdobra-se na pesquisa convergente assistencial, pois na execução de seu processo de trabalho o enfermeiro planeja, age, descreve e avaliação a produção do cuidado (MONTEIRO; MOREIRA; OLIVEIRA; MOURA; COSTA, 2010).

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Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: esta é a questão?.

Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: esta é a questão?.

Antes de tudo, consideramos essa classificação de vari- áveis em relevantes e interferentes uma questão estratégica no processo de pesquisa. Em princípio, qualquer variável pode explicar uma parte, mesmo que infinitésima, da va- riabilidade do fenômeno sob estudo. Entretanto, existem variáveis que por razões teóricos e/ou de experiência prévia são mais promissoras do que outras. Além do mais, por ra- zões práticas, há de se limitar as variáveis estudadas num mesmo tempo a um número manejável, seja em termos de recursos – de tempo e dinheiro – por parte do pesquisador, seja da disponibilidade dos participantes da pesquisa. Des- ta maneira, limitar o número de variáveis estudadas numa determinada pesquisa não implica que as demais variáveis sejam necessariamente consideradas improcedentes – uma boa pesquisa sempre está aberta ao surgimento de novas va- riáveis e a explicações alternativas do cenário considerado no início da investigação. O fato de se levar em conta mais explicitamente os valores e os demais atributos do pesqui- sador requer, por parte da pesquisa qualitativa, maior deta- lhamento dos pressupostos teóricos subjacentes, bem como do contexto da pesquisa. Por outro lado, a estandardização dos procedimentos na pesquisa quantitativa pode indicar avanço no estabelecimento de um maior grau de intersub- jetividade entre pesquisadores que usam um determinado procedimento.
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Bioética, pesquisa qualitativa e equilíbrio reflexivo

Bioética, pesquisa qualitativa e equilíbrio reflexivo

As questões de pesquisa devem ser formu- ladas de modo a requerer resposta de natureza normativa, isto é, julgamento de valor relativo a justo e injusto, bom e mau, certo e errado, que deve ser justificado. Problemas morais se referem aos mais variados objetos de estudo, mas para os propósitos deste artigo serão limitados a práticas sociais e experiência moral dos sujeitos sociais en- volvidos nelas. Temos, portanto, práticas sociais, de um lado, e, de outro, julgamento moral sobre essas práticas, que pode, ou não, justificá-las ou fundamentá-las. Esse problema moral foi construí- do dentro de marco teórico conceitual que inclui, entre outras, as teorias éticas e seus conceitos espe- cíficos. Nesse plano, trata-se, em última análise, da descrição da experiência moral – as justificativas de determinadas práticas sociais – dos sujeitos-objetos da investigação. Refere-se, portanto, à sociologia da moral  30 .
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Bioética, pesquisa qualitativa e equilíbrio reflexivo

Bioética, pesquisa qualitativa e equilíbrio reflexivo

Trata-se de estudo de natureza teórica, em que se pretende discutir o uso do equilíbrio reflexivo no processo de análise de dados em pesquisa qualitativa em bioética. Na primeira parte é discutido o papel da pesquisa qualitativa em bioética. Na segunda parte é analisado o uso desse procedimento nesses estudos. O equilíbrio reflexivo é uma forma de justificação moral que objetiva o ajustamento mútuo entre a teoria ética adotada pela pesquisa, os julgamentos morais considerados pelo(s) pesquisador(es) e a experiência moral dos par- ticipantes da pesquisa, pressupondo certos fatos moralmente relevantes, de forma a tecer rede de crenças coerente entre esses componentes. Nesse processo, tanto a teoria ética como a experiência moral podem ser passíveis de crítica.
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Pesquisa qualitativa em saúde coletiva: panorama e desafios.

Pesquisa qualitativa em saúde coletiva: panorama e desafios.

Tal como afirmei há pouco em relação à im- possibilidade de definição unívoca do termo pes- quisa qualitativa, também aqui cabe reconhecer que a diversidade disciplinar constitutiva desse enfoque impede advogar por uma codificação homogênea que neutralizaria sua origem inter- disciplinar. Contudo, são preocupantes certas tendências que, no limite, levariam a admitir tan- tos modelos quantos investigadores existentes, resultando na multiplicação ad infinitum de ver- tentes e nomenclaturas particulares, como se es- tivéssemos sempre partindo do zero ou fundan- do escolas. Será mesmo justificável tal procedi- mento ou deveríamos investir na busca de ou- tras alternativas que viessem a facilitar o diálogo não apenas inter, mas intraenfoques na SC?
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Pesquisa qualitativa na produção científica do campo da bioética.

Pesquisa qualitativa na produção científica do campo da bioética.

moral e discurso ético é fundamental, não ape- nas para “ver a utilidade da perspectiva translo- cal quando nos confrontamos” com práticas lo- cais condenáveis – a linguagem dos direitos hu- manos, por exemplo, ocupa esta função –, mas também porque o próprio mundo local pode oferecer posições morais relevantes e alternati- vas ao discurso ético. Nesta perspectiva, o méto- do do equilíbrio reflexivo é um processo que pode ser utilizado para análises no campo da pesquisa qualitativa em bioética, produzindo um ajusta- mento mútuo entre o discurso moral dos sujei- tos sociais relativo aos processos locais e às teo- rias éticas utilizadas nestas análises, de forma que, tanto um como outro, possam ser passíveis de crítica e enriquecimento.
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Pesquisa qualitativa: busca de equilíbrio entre forma e conteúdo.

Pesquisa qualitativa: busca de equilíbrio entre forma e conteúdo.

Se tomássemos o exemplo de uma análise do discurso, o que buscamos é sobretudo suas implicações hermenêuticas, que facilmente nos escapam ou são invisíveis/imperceptíveis, quando não agem exatamente pela ausência ou pelo silêncio. Esta realidade tão forte quanto arredia pode ser nosso objeto de análise. Entretanto, para chegarmos lá, é mister antes catalogar o discurso, fazer uma exegese de frases e palavras, quantificar recorrências, vocábulos, expressões mais freqüentes, não para ficarmos aí, mas vermos melhor a partir daí. Assim, quem sistematiza melhor, pode ter vantagem. Um questionário aberto pode ser a porta de entrada para um mundo de representações sociais mais subjetivas, e por isso mais profundas e determinantes, à medida que permite a fala descontraída, realista e natural, a não-linearidade de respostas sobre realidades tipicamente não-lineares. Mas, ainda assim ou precisamente por isso, precisa ser bem organizado e garantir, entre outras coisas, que em cada novo questionário se trata do mesmo tema, da mesma pesquisa, da mesma análise, ou seja, deve existir um contexto sistemático e lógico, até mesmo para podermos comparar e inferir. É erro crasso imaginar que de conversas soltas, amadoramente conduzidas ou mal conduzidas, se possa extrair alguma análise mais profunda, ou que de algumas pessoas indagadas se possa inferir conclusões que abalem o universo. Ademais, se no dado empírico, quantitativo ou pretensamente quantitativo, a manipulação corre solta, que dizer de dados qualitativos desprovidos de um mínimo de sistematização...
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Pesquisa Qualitativa: superando tecnicismos e falsos dualismos

Pesquisa Qualitativa: superando tecnicismos e falsos dualismos

Voltando nosso diálogo sobre as pesquisas qualitativas e considerando o balanço feito na década dos anos 80 podemos constatar algumas outras necessidades que justificam a sua presença na pesquisa educacional. Até a metade da década dos nos 80, 60% da produção em educação correspondia ao modelo empírico- analítico, embora nem toda essa produção utilize tratamento estatístico, porque uma abordagem analítica, mesmo que não seja quantitativa trabalha com a paráfrase (sentido único) facilmente de ser traduzida num valor numérico e com um discurso hipotético dedutivo. Isto é, exige um quadro de hipóteses e definições operacionais de variáveis e “constructos”. Dessa forma as abordagens funcionalistas, por exemplo, em alguns casos não utilizam estatísticas, mas se preocupam com os papéis, as funções do professor, do aluno, do administrador, do orientador. Essas funções podem ser organizadas e interpretadas como variáveis que podem adquirir um valor determinado numa escala contínua ou discreta. Essa forma fundada na paráfrase, no discurso hipotético-dedutivo e na definição prévia das categorias de análise, pelo fato de não utilizar estatísticas, poderia ser considerada como pesquisa qualitativa, mas diferencia-se radicalmente das abordagens fenomenológicas e compreensivas, por estas utilizarem a polissemia (multiplicidade de sentidos) e construir categorias a posteriori na medida em que a polissemia vai sendo sedimentada ou filtrada pelos consensos intersubjetivos. Nesse quadro, as abordagens dialéticas seriam também qualitativas, mas diferentes da fenomenologia e da etnografia. Essas diferenças entre dialética e fenomenologia se explicitam melhor no campo da ontologia ou das visões de mundo, onde a dialética inclui a categoria tempo como um atributo fundamental da realidade e dá ênfase à diacronia e à historicidade dos fenômenos. Isto é, o tempo é essencial. O que não acontece nas abordagens compreensivas que vem a realidade como fenômeno que contém uma invariante (a essência ou o noumeno) que se manifesta no tempo, sendo este considerado apenas um acidente (uma variante).
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