Poder regulamentar

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Do Poder regulamentar

Do Poder regulamentar

Poder regulamentar deve ser entendido como atividade de na­ tureza administrativa, inconfundível, pelo menos no sistema consti­ tucional brasileiro, com a técnica de delegação legislativa. A "crise legislativa" determinada por vários fatores, dentre eles a transfor­ mação do estado policial, estado parasita (M. Duverger) em estado prestador de serviços, o intervencionismo estatal, a urgência de cer­ tas medidas (campo econômico, financeiro, etc.), a tecnicalidade de certas decisões do Estado-empresa, têm deslocado a legiferação para o âmbito do Poder Executivo. Assim na Constituição da Fran­ ça, de 1958, conforme vimos de ver (artigo 38), na Lei Fundamental da Alemanha Federal (artigo 80), na Constituição italiana de 1948, com a lei delegada (art. 76) e os decretileggi ou ordinanze dinecessi- tà. O direito constitucional brasileiro não ignora essa nova tendência do constitucionalismo. A Constituição brasileira adota diversas for­ mas de delegação legislativa, quer acolhendo a participação do Exe­ cutivo no processo legislativo, pela iniciativa geral das leis (arts. 51 e 56), pela iniciativa reservada (C.F., arts. 57, 65e66) e pela iniciativa vinculada (C.F., arts. 66, 81, XIX, 82, VI), pela possibilidade de se­ rem fixados prazos dentro nos quais o Legislativo deverá apreciar os projetos de lei encaminhados pelo Presidente da República, sob pe­ na dos projetos de lei serem considerados aprovados por decurso do prazo (C.F., art. 51), quer pela competência conferida ao Presidente da República para a edição de decretos-leis a respeito de determina­ das matérias e desde que ocorrentes certas circunstâncias, exigida a aprovação do Congresso (C.F., art. 55), quer pela delegação pro­ priamente dita, - possibilidade de o Presidente da República editar leis delegadas, observadas certas restrições (C. F., artigos 52 a 54).
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Poder regulamentar das agências reguladoras

Poder regulamentar das agências reguladoras

O objeto deste artigo é a análise do poder regulamentar das agências reguladoras no âmbito do sistema jurídico brasileiro, especialmente considerando a opção pela separação dos poderes, a vedação constitucional da delegação do poder-dever de legislar aos órgãos do Executivo, o suposto déficit democrático dos dirigentes das agências reguladoras. Antes, contudo, de abordar as questões referentes ao poder regulamentar das agências, é importante situar a conformação desses entes no âmbito da estrutura administrativa brasileira. Para o enfrentamento das questões serão cogitadas as conclusões, nem sempre uníssonas, de juristas como Tércio Sampaio Ferraz, Eros Roberto Grau, Maria Sylvia Di Pietro, Diogo F. Moreira Neto, dentre outros.
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Os limites do poder regulamentar do Conselho Nacional de Justiça no contexto do Estado constitucional brasileiro

Os limites do poder regulamentar do Conselho Nacional de Justiça no contexto do Estado constitucional brasileiro

A criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) através da Emenda Constitucional nº 45/2004, decorreu da constatação de uma série de lacunas do Poder Judiciário brasileiro, relacionadas, sobretudo, à morosidade processual, à inefetividade das decisões judiciais, assim como à falta de mecanismos aptos a viabilizar, de maneira eficaz, a responsabilização disciplinar dos magistrados. O órgão foi concebido constitucionalmente como integrante do Poder Judiciário, dotado de natureza administrativa e com atribuições estatuídas no art. 103-B, § 4º da Constituição vigente, dentre as quais se destaca a de editar regulamentos que instrumentalizem a sua atuação. No entanto, desde que entrou em vigor, a Emenda suscitou amplas discussões, atreladas, em especial, à constitucionalidade do CNJ, o que se deu através da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3367, ante a suposta violação aos princípios da separação de poderes e da forma federativa, bem como aos limites do seu poder regulamentar, a exemplo do que fora ventilado na ADI nº 3823/DF, esta versando sobre a Resolução nº 07, que disciplinou a vedação da prática do nepotismo no Poder Judiciário. Contudo, não obstante o Supremo Tribunal Federal já ter se pronunciado acerca da matéria, reconhecendo a constitucionalidade do órgão, assim como da resolução suso referida, o debate encontra-se em estado de latência, podendo novamente eclodir a cada nova manifestação regulamentar do CNJ, dada a ausência de consonância entre doutrina e jurisprudência em torno do tratamento constitucional do seu poder regulamentar. Nesse contexto, inegavelmente, a reflexão acerca da delimitação do poder regulamentar do CNJ, apresenta-se como extremamente relevante, além de atual, em particular, na ambiência do Estado Constitucional de Direito, onde se prima pela segurança jurídica e consolidação dos institutos normativos. Para que se pudesse chegar a um resultado satisfatório, hábil a solucionar a problemática suscitada, o presente estudo analisou as razões que ensejaram a criação do CNJ, demonstrando a sua imprescindibilidade, como também buscou caracterizar o seus status de órgão administrativo-constitucional, constatando, enfim, a compatibilidade da sua atuação regulamentar aos ditames constitucionais. Sob esta perspectiva, foi adotado o método dedutivo e realizada pesquisa de cunho bibliográfico e documental.
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A Configuração do Poder Local na Constituição Portuguesa de 1976: A Autonomia do Poder Local e o Poder Regulamentar Municipal.

A Configuração do Poder Local na Constituição Portuguesa de 1976: A Autonomia do Poder Local e o Poder Regulamentar Municipal.

A discussão na sede do poder regulamentar das atribuições das autarquias locais, mais em concreto do município, prende-se com o facto de, se se concluir pela abertura da norma de competência, essa abertura só se revelará operativa vis-à-vis ao poder regulamentar municipal. É em relação a este que poder-se-á justificar a utilização de uma norma implícita de competência. Já em relação as outras formas de atuação administrativa, máxime, ato administrativo, as exigências do princípio da legalidade reivindicariam para além da norma de competência uma norma de conduta, pois, com defendemos – aderindo a tese de David Duarte – só em relação às normas administrativas haveria a dispensa, por parte do princípio da legalidade da sua vertente reserva de lei. Em relação as outras atuações administrativas nomeadamente as de natureza concreta e individual – ato administrativo –, seria sempre necessária, para além de uma norma de competência, uma segunda norma de densificação, onde regular-se-ia os critérios da conduta – isto é, exigir-se-ia uma norma de origem legal ou regulamentar. Ora, se se chegar no fim da discussão, sobre a existência de uma cláusula geral de atribuições na Constituição, a uma resposta positiva, seria quase impossível justificar atuações administrativas concretas diretamente com base nesta cláusula, pois qualquer ato administrativo exige uma fundamentação que não se basta com a mera previsão geral de competência, exige-se uma norma de conduta que confira um critério de ação. 273
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VICTOR EPITÁCIO CRAVO TEIXEIRA A TRAJETÓRIA DO PODER REGULAMENTAR NO PENSAMENTO POLÍTICO FRANCÊS E SEUS REFLEXOS NO BRASIL: UM OLHAR PARA ALÉM DOS MANUAIS JURÍDICOS

VICTOR EPITÁCIO CRAVO TEIXEIRA A TRAJETÓRIA DO PODER REGULAMENTAR NO PENSAMENTO POLÍTICO FRANCÊS E SEUS REFLEXOS NO BRASIL: UM OLHAR PARA ALÉM DOS MANUAIS JURÍDICOS

Desde os primeiros anos do ensino do direito administrativo no Brasil, o modelo político-jurídico francês, construído a partir da Revolução de 1789, foi amplamente absorvido e difundido pelos juristas nacionais. O culto à lei, que dominava o ideário da filosofia revolucionária, foi transportado para o cenário brasileiro, passando o poder Legislativo a ganhar espaço como a única fonte de poder legítimo. Na teoria da separação de poderes adotada pelos revolucionários, o poder Executivo, visto como um poder subalterno ao Legislativo, tinha a sua atuação normativa reduzida a concretizar comandos previamente contidos em leis. Nada obstante a inflexibilidade da teoria revolucionária, os fatos demonstram que, ao longo da Revolução Francesa, o poder Executivo editou normas jurídicas cujos efeitos ultrapassaram os limites fixados pela ideologia liberal. Nascia o poder regulamentar, silenciosamente e à margem de teorizações jurídicas. Prática e teoria continuaram incomunicáveis durante a maior parte do século XIX. Mesmo com o surgimento de juristas franceses que conciliavam a teoria do poder regulamentar à praxe administrativa, suas ideias jamais foram consenso entre os doutrinadores da França ou do Brasil. Observa-se que os argumentos dos juristas contrários ao desenvolvimento do poder regulamentar sustentavam-se no ideal político liberal da separação de poderes, e na sua decorrente lógica de legitimação pautada na vontade geral do povo. A tese da superioridade constitucional e política do poder Legislativo é problematizada com o auxílio da teoria política de Pierre Rosanvallon, que revela outras dimensões da experiência democrática na contemporaneidade. Além do tradicional elemento majoritário, Rosanvallon valoriza a imparcialidade, a reflexividade e a proximidade como atributos complementares da legitimação democrática da atuação estatal. As ideias desse autor também corroboram a rediscussão da teoria tradicional da separação de poderes e de sua adequação ao modelo político-constitucional brasileiro, possibilitando a percepção de novas perspectivas sobre o fenômeno do poder regulamentar no Brasil.
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O PODER REGULAMENTAR DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

O PODER REGULAMENTAR DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

Este Trabalho faz um compêndio acerca das teorias sugeridas por filósofos, juristas e cientistas políticos acerca dos poderes políticos e divisão das funções do Estado. São elencadas as características das funções legislativa e judiciária do Estado, interação entre estas funções e o fenômeno da judicialização em confronto com as teorias acerca da tripartição dos poderes e com a teoria da norma jurídica de Kelsen e do ordenamento jurídico de Bobbio, com o propósito de discutir eventual conflito entre os poderes legislativo e judiciário diante do fenômeno da judicialização, em que o poder judiciário passa a ter postura ativa perante as necessidades do Estado e reclames sociais. O enfoque do presente trabalho, desta forma, é verificar a legitimidade do Tribunal Superior Eleitoral de expedir resoluções com denso conteúdo normativo, abstrato e vinculante sob a ótica da Constituição Federal de 1988, uma vez que o poder regulamentar não está expressamente previsto nesta norma fundamental, bem como elencar algumas resoluções que foram criticadas pela doutrina e controle de constitucionalidade apreciado perante o Supremo Tribunal Federal. Diante do raciocínio que se iniciou de uma análise geral para, finalmente, analisar casos específicos, foi utilizado o método dedutivo.
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As Limitações impostas pelo Princípio da Legalidade ao Poder Regulamentar do Conselho de Controle de Atividades  Financeiras (COAF)

As Limitações impostas pelo Princípio da Legalidade ao Poder Regulamentar do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF)

Bottini esclarece que as obrigações decorrentes do poder regulamentar do Coaf podem ser divididas em três grandes grupos: a) obrigações de registro; b) de comunicação; c) obrigação de compliance. O primeiro grupo é atinente à coleta de dados sobre clientes, operações comerciais e seus beneficiários. O segundo compreende a comunicação de atos suspeitos às autoridades públicas. O tercei- ro, concerne à compliance, ou seja, diz respeito à criação de mecanismos de con- trole internos preventivos e de combate à lavagem de dinheiro. As resoluções, portanto, detalham a forma de cumprimento das obrigações estabelecidas em lei, de modo que o cumprimento das obrigações delas decorrentes é fundamen- tal para preservar os dirigentes de qualquer responsabilidade administrativa ou criminal. Na concepção de Bottini, justamente ao tratar da política de com- pliance, o Coaf emite, sistematicamente, resoluções genéricas, sem a correta indicação das medidas a serem adotadas pelos obrigados, o que enseja grande insegurança jurídica em torno do tema. 38
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Os Regulamentos Independentes

Os Regulamentos Independentes

A atual Constituição italiana, como bem expõe ZANOBINI 3*> não faz qualquer referência ao poder regulamentar, “ limi­ tando-se apenas a recordar, entre as atribuições do Presiden­ te da República, a de baixar regulamentos” (art. 87), sem es­ pecificar de que natureza. Se se entendeu possível, no direi­ to italiano, a emanação de regulamentos independentes, sem referência constitucional, expressa, como excluir da competên­ cia do Executivo, no Brasil, a faculdade de expedir tais regu­ lamentos? É que o fundamento dos regulamentos independentes não é a expressa autorização constitucional, mas a competên­ cia discricionária.
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NOVOS DEBATES A RESPEITO DO TRANSPORTE REMUNERADO PRIVADO INDIVIDUAL DE PASSAGEIROS E A COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS

NOVOS DEBATES A RESPEITO DO TRANSPORTE REMUNERADO PRIVADO INDIVIDUAL DE PASSAGEIROS E A COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS

“O direito não pode ser algo que obste o desenvolvimento econômico”, como bem afirmou o Ministro Luiz Fux no voto inaugural da ADPF 449. E, neste aspecto, além de não ser dado ao Município vedar a atividade de transporte remunerado individual privado, também não há de ser constitucionalmente lícito qualquer regulamento com características de sufocamento regulatório o qual, como se observa, via de regra tem viés de protecionismo aos agentes econômicos já estabelecidos e que possuem o monopólio da atividade. Tais medidas apresentam indiscutíveis sinais de captura regulatória e devem ser rechaçadas pelo Poder Público, que deve primar pela proporcionalidade e pelo equilíbrio regulatório. Mesmo porque, estabelecida a liberdade pela Constituição Federal (reafirmada, nesta seara, pela PMNU) não pode, qualquer ente federativo, a título de exercer o poder regulamentar, privar o exercício da atividade.
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EFEITOS DA ALTERAÇÃO DAS REGRAS NOS INDICADORES DE DESEMPENHO EM BASQUETEBOL DE ALTO RENDIMENTO

EFEITOS DA ALTERAÇÃO DAS REGRAS NOS INDICADORES DE DESEMPENHO EM BASQUETEBOL DE ALTO RENDIMENTO

O aumento da dinâmica dos jogos, pela redução de tempos “mortos”, pelo desencorajamento de situações de “anti-jogo” e ainda pelo aumento do entusiasmo associado à produção do resultado, tem sido o motivo fundamental das alterações das regras efetuadas nos JD. Estes resultados mostram que, apesar de o objetivo das alterações das regras poder ser idêntico em vários jogos, as soluções encontradas são distintas e de acordo com as características próprias de cada modalidade. Mas também demonstram que a modificação de regras iguais pode ter consequências diferentes, mesmo para desportos semelhantes, como são os casos do voleibol e do voleibol de praia. Naturalmente que cada caso deve ser considerado em particular.
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O DIREITO CONSTITUCIONAL À INTIMIDADE COMO FONTE LIMITADORA DO PODER DE CONTROLE DO EMPREGADOR NA ATUAÇÃO LABORAL

O DIREITO CONSTITUCIONAL À INTIMIDADE COMO FONTE LIMITADORA DO PODER DE CONTROLE DO EMPREGADOR NA ATUAÇÃO LABORAL

EMENTA: REVISTA PESSOAL. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. Se é possível entender que a revista dos empregados, quando do encerramento da jornada, pode fazer parte do poder diretivo do empregador, é de se observar que o uso dessa faculdade deve sofrer limitações, notadamente à luz dos direitos que conformam a personalidade, que são todos aqueles inerentes ao ser humano (vida, honra, dignidade, intimidade, privacidade, etc.). Para saber a exata dimensão desses limites, o julgador deve recorrer ao princípio da proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV, da Constituição), hábil instrumento na busca da equação adequada entre meios e fins. No caso vertente, torna o quadro especialmente lesivo o fato de os empregados serem obrigados a permitir a vistoria de bolsas e objetos pessoais cotidianamente e na presença dos demais colegas de trabalho. Nesse sentido, não há dúvida que as revistas empreendidas pela ré acarretavam na obreira indevido constrangimento, desconforto e até mesmo intimidação, em descompasso com a confiança e o respeito que devem fundamentar a relação de trabalho. A suspeição que esse procedimento traduz apresenta, pois, caráter humilhante e vexatório, maculando a honra e a dignidade do trabalhador, o qual é obrigado a se submeter "de bom grado" às revistas, a fim de manter a respectiva fonte de subsistência. (TRT da 3.ª Região; Processo: 0001172- 12.2012.5.03.0013 RO; Data de Publicação: 03/09/2013; Disponibilização: 02/09/2013, DEJT, Página 294; Órgão Julgador: Setima Turma; Relator: Marcelo Lamego Pertence; Revisor: Fernando Luiz G.Rios Neto)
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Os arranjos criativos na transformação da cidade

Os arranjos criativos na transformação da cidade

O planejamento estratégico, com base conceitual emprestada do planejamento empresarial, foi adotado nas primeiras Operações Urbanas de Parceria Público Privada (PPP) europeias e norte-americanas, servindo como exemplos de reestruturação econômica das cidades para outros países, incluindo o Brasil. Essas experiências foram – e continuam sendo – replicadas, evidenciando os novos modelos de reordenação territorial intraurbana, assim como regional. (VILLAÇA, 2001). Cabe lembrar as diferenças circunstanciais entre os grandes projetos urbanos realizadas nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, seguindo as peculiaridades específicas de cada lugar e o agenciamento entre o poder público e privado. Os Planos Municipais ou Planos Regionais das grandes cidades, têm a atribuição de definir as políticas públicas das várias regiões da cidade e desenvolver, controlar e aplicar as estratégias definidas pelo Plano Diretor Estratégico no nível local, envolvendo a participação da população. Porém, nas grandes metrópoles, como São Paulo, as unidades desses planos, as subprefeituras, têm pouco poder de decisão sobre suas imensas áreas 21 , que comportam
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Caminhos e descaminhos da inserção internacional brasileira na década de 1990

Caminhos e descaminhos da inserção internacional brasileira na década de 1990

Para Pinheiro (2004), esse momento da política externa na década de 1990 vai marcar um esgotamento dos paradigmas precedentes de inserção internacional do país. Com Geisel, o que vigorou foi o paradigma globalista – que em linhas gerais buscava uma inserção do país com relativização do peso dos EUA ao lado de uma diversificação de parceiros ao redor do globo. Conforme aqui discorrido, essa postura tenta ser mantida, mas vai perdendo condições de implementação até o governo Collor, quando é ensaiado um retorno ao paradigma americanista – colocando os EUA como aliados especiais e buscando com essa parceria uma inserção mais positiva para o país. No entanto, segundo a autora, há uma dissolução entre os valores e razões pragmáticas que justificassem uma retomada ao americanismo para as forças políticas e sociais mais relevantes no país. Ao longo do próprio governo Collor, algumas perspectivas globalistas tentam ser retomadas, numa tentativa de resgatar princípios do passado para elevar o poder de barganha do país, o que pode ser visto nas negociações preparatórias para a Eco-92, por exemplo. Dada a nova conjuntura internacional, a estratégia também não vai corresponder às expectativas, uma vez que a fragmentação da coalizão Sul impossibilitava uma maior força a essa ação coletiva.
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A falência de uma instituição financeira e o risco sistémico

A falência de uma instituição financeira e o risco sistémico

A presente dissertação de tese visa desenvolver o tema, bastante atual, do risco sistémico na atividade bancária e dos efeitos de contágio que podem ser gerados pela eventual falência de uma instituição financeira. Identificar e caracterizar o enquadramento regulamentar e de supervisão do sistema financeiro, bem como a forma como esse enquadramento mitiga e/ou reduz as possibilidades de aparecimento do risco sistémico pós-colapso de uma instituição financeira são pontos estabelecidos, embora o principal objetivo seja, a partir da análise de um conjunto de instituições financeiras de diversos espaços jurídicos nacionais, avaliar os impactos de uma situação de falência nos restantes bancos dessa jurisdição, essencialmente a nível do risco sistémico.
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O princípio da publicidade e o uso da arbitragem pela administração pública

O princípio da publicidade e o uso da arbitragem pela administração pública

Mesmo se partindo da premissa que a jurisdição - aplicação da lei ao caso concreto - é uma das funções do Estado, admite-se que as partes possam decidir submeter a solução de seus litígios à arbitragem ao invés de à jurisdição estatal. O Estado conserva, todavia, o poder de impedir que determinadas questões sejam dirimidas pela via da arbitragem, resultando no estabelecimento da regra da competência exclusiva da jurisdição estatal no que se refere a determinadas controvérsias. Nesse caso, diz-se que o litígio não é passível de ser resolvido por arbitragem, ou melhor, não é arbitrável. Dessa forma, a arbitrabilidade é uma condição de validade da convenção arbitral e conseqüentemente da competência dos árbitros 66
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Lorena Carolina Monteiro OS CONTRATOS DE CONCESSÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS NO PARÁ: UMA ANÁLISE CRÍTICA E PROPOSIÇÕES PARA A GESTÃO SUSTENTÁVEL

Lorena Carolina Monteiro OS CONTRATOS DE CONCESSÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS NO PARÁ: UMA ANÁLISE CRÍTICA E PROPOSIÇÕES PARA A GESTÃO SUSTENTÁVEL

de forma conjunta nos debates sobre o manejo florestal e do uso múltiplo dos produtos da floresta, criando uma relação de reciprocidade e confiança entre os atores. É fato que a atividade madeireira é praticada na região: sob signo da ilegalidade, sob a falta de confiança entre a comunidade e os madeireiros, sob o histórico de super exploração dos trabalhadores, e de relações de poder fortemente assimétricas entre madeireiros e grupos comunitários que participam da cadeia produtiva da madeira ou que habitam e trabalham em área com forte incidência de exploração madeireira. É preciso, antes de tudo, entender que o manejo florestal é um processo social, que se desenrola em contextos sociais específicos, incluindo uma ampla gama de fatores internos e externos, cuja articulação será determinante na orientação do comportamento das pessoas que participam da atividade (SMITH, 2005). Nesta perspectiva, a análise comparada desses processos deve vir sempre acompanhada do conhecimento aprofundado dos aspectos históricos e das condições culturais, políticas e econômicas peculiares a cada região.
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A percepção dos agentes e alunos do Proerd sobre o programa

A percepção dos agentes e alunos do Proerd sobre o programa

Alguns jovens encontram dificuldade em acreditar nas mensagens passadas pelos policiais do Proerd quanto ao mal imputado às drogas, pois, segundo Rateke (2006) ao experimentarem ou se voltarem para seus pares usuários, encontram relatos incompatíveis com as informações passadas no programa. Ocorre que as mensagens passadas pelos policiais nas aulas do Proerd são para propor guerra às drogas. Trata-se, de acordo com Rateke (2006, pág. 76), de desconsiderar “os diferentes significados que o uso de drogas vem adquirindo desde a Antigüidade: religioso, cultural, contracultural, entre outros.” A guerra é no sentido de poder existir uma sociedade livre de drogas.
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Análise do licenciamento ambiental como instrumento de política do meio ambiente no Rio Grande do Norte Período 1992-2003

Análise do licenciamento ambiental como instrumento de política do meio ambiente no Rio Grande do Norte Período 1992-2003

implantação da infra-estrutura, beneficiando cidades de pequeno e médio porte, objetivando a expansão da economia, a integração nacional, a descentralização. Os efeitos logo se manifestaram; entre 1977 e 1983, conforme informação da prefeitura local, foram registrados mais de 20 loteamentos, ocupando cerca de 12% da área total de Búzios, mas o cartório salientou que registrou apenas 30% dos existentes. Em 1979 foi construída a igrejinha, solidificando o início de um dos núcleos de ocupação; nas suas proximidades há um entroncamento da RN 063 com uma estrada interna que vem de Alcaçuz (reduto de pescadores da região) cortando as dunas (Foto 15 do AnexoIII); daí seguem (seguiam) várias ruas até a praia onde está a dita igreja-capela. Nas imediações verifica-se a presença de recifes onde se coletam algas até hoje, reforçando a afirmação do núcleo pioneiro. Nesta região registram-se mais dois importantes pontos irradiadores da ocupação e formação urbana do litoral, ainda em Búzios: beira- mar, na área contígua a Pirangi do Sul ocupada no final da década de 1970 pelos detentores do poder e agregados, e Clube de Lazer da Associação Norte-rio- grandense de Engenheiros Agrônomos – CLANEA, ao sul, em 1980. O Mapa 3 apresenta os três núcleos.
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Medicamentos Biossimilares: Uma perspetiva atual

Medicamentos Biossimilares: Uma perspetiva atual

Assim, também no Japão são aplicados os mesmos princípios básicos referentes à regulamentação destes produtos como: o enquadramento regulamentar dos medicamentos genéricos não[r]

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O desenvolvimento do turismo em Portugal pela “política do espírito” de António Ferro (1932-1949)

O desenvolvimento do turismo em Portugal pela “política do espírito” de António Ferro (1932-1949)

Uma das maiores críticas realizadas pelo diretor do SPN/SNI quando este organismo assume a tutela do turismo, prende-se com a organização deste, ou, mais concretamente, com a desorganização e descoordenação próprias de uma instituição desconhecedora de um poder central articulador e coordenador das diversas atividades turísticas. Referimo-nos, assim, a uma estrutura defeituosa que impedia o desenvolvimento do turismo em Portugal. Havia, pois, que combater a dispersão e a pulverização de verbas, Comissões de Turismo, Juntas de Turismo, e excessivo bairrismo dos aparelhos municipais, bem como subtrair o aparelho local do turismo ao Ministério do Interior, reunindo tudo isto debaixo de um só órgão central que visasse, naturalmente, a unidade de pensamento e ação em benefício do desenvolvimento da atividade turística nacional.
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