Política Agrária

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Os monges de Alcobaça e a política agrária de D. Dinis

Os monges de Alcobaça e a política agrária de D. Dinis

Ora, entendemos política agrária como a ação governamental de um ou muitos dirigentes de um Estado, à parte as considerações teóricas sobre este ou aquele regime político e as formas de governo, dado que não interferem no cerne da questão, mediante procedimentos legais efetivos que visam simultaneamente à distribuição, ocupação, melhoria e aproveitamento do solo com vista à produção agrícola, a fim de que a mesma não só garanta o sustento imediato dos agricultores mas ainda assegure o armazenamento dos gêneros alimentícios para anos adversos, face às possíveis intempéries climáticas e até mesmo, gere excedentes destinados ao comércio interregional ou ex terior.
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Pioneiros da ecologia política agrária contemporânea.

Pioneiros da ecologia política agrária contemporânea.

Consideramos que o pensamento pioneiro sobre ecologia política agrária é uma fonte precípua para os estudos rurais contemporâneos que leva em conta o caráter da relação entre o agrário e o ecológico. Dessa forma, mesmo enfrentando as ortodoxias estabelecidas, faz-se necessário superar interpretações tradicionais arraigadas ou vicissitudes modernas desenraizadas que, em geral, são avessas ao rural como face ou interface territorial e de outras, que não consideram o agrário e o ecológico como conteúdos específicos da contradição entre as formas urbana e rural do território. É nesse sentido que dois autores russos, Wladimir I. Vernadsky (1863-1945) e Sergei Podolinsky (1850-1891), e dois alemães, Justus von Liebig (1803-1873) e Karl Marx (1818-1883), são considerados aqui como pioneiros da ecologia política agrária contemporânea.
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Os cursos de Max Weber: economia política, Política agrária e Questão dos trabalhadores (1894-1900).

Os cursos de Max Weber: economia política, Política agrária e Questão dos trabalhadores (1894-1900).

Por “seminário” não se entendia apenas a atividade didática, mas também o local onde ela ocorria. Para Weber, uma biblioteca de fácil acesso, bem provida de literatura especializada, onde estudantes e professores pudessem se encontrar, constituía o cerne de um seminário. A atmosfera do seminário conduzido por Max Weber em seu gabinete em Heidelberg era produtiva e estimulante. Ele reunia numerosos alunos em torno de si, que trabalhavam e se doutoravam em vários campos: política agrária e questão dos traba- lhadores rurais, política comercial e comércio de grãos, bem como questão dos trabalhadores industriais e proteção ao trabalhador. Além disso, Weber recrutou alunos para colaborarem na mais recente pesquisa social de então da Verein für Sozialpolitik sobre a situação dos trabalhadores domiciliares, em cuja coordenação seu irmão, Alfred Weber, teve participação decisiva. São testemunho da grande produtividade de Weber como mentor acadêmico os trabalhos realizados em Freiburg e Heidelberg – em sua maioria teses de
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Assentamentos rurais na Amazônia: contradições entre a política agrária e a política ambiental.

Assentamentos rurais na Amazônia: contradições entre a política agrária e a política ambiental.

Mas a atuação do INCRA como regularizador de ocupações consumadas traz vários problemas. Em primeiro lugar, ela contorna a interdição de novos assentamentos em áreas de floresta, uma vez que tal interdição não coíbe as “regularizações” em ambiente florestal, prática que contribui para o passivo ambiental da reforma agrária. Dificulta também o planejamento dos assentamentos e mesmo a igualdade entre os colonos, uma vez que o INCRA regulariza divisões feitas entre os colonos com base em critérios que podem refletir o peso político e o prestígio de cada participante (DROULERS; LE TOURNEAU, 2005). Finalmente, desvia o foco da reforma agrária como política que envolve estratégias territoriais, sociais e econômicas, para uma prática essencialmente de regularização fundiária. Tal sistema é especialmente danoso, na medida em que isso impede qualquer planejamento ou avaliação ecológica das conseqüências. Vale lembrar aqui o alerta lançado por Lee, Libecap e Mueller (1999) de que sem um planejamento a fronteira pode se converter em caso típico de tragédia comunal, como no caso clássico apresentado por Hardin (1968).
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A política agrária do Banco Mundial em questão.

A política agrária do Banco Mundial em questão.

Direcionados para países marcados por grave problema agrário e fortes tensões sociais no campo, os programas orientados pelo MRAM mostraram até o momento que: a) não contribuem para democratizar a estrutura agrária, nem é esse o seu objetivo, pois foram criados para tão-somente aliviar de maneira se- letiva os efeitos sociais negativos provocados pelas políticas de ajuste estrutural; b) não têm condições de minimamente atender à demanda por terra existen- te, porque são desprovidos da capacidade de ganhar escala social em razão do pagamento em dinheiro a preços de mercado; c) pela mesma razão são caros, o que os condena a serem programas de pequena dimensão socioeconômica, completamente incapazes de atender à magnitude do problema agrário existente; d) servem ao propósito de esvaziar a pressão social pró-reforma agrária, porque propõem uma forma de acesso à terra alternativa às ocupações organizadas pelos movimentos sociais; e) introduzem modificações de longo prazo no aparato es- tatal responsável pelo tratamento do problema agrário, alimentando a lógica de ataque político-ideológico ao papel redistributivo do Estado (Pereira, 2004 ).
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A política fundiária do governo da Frente Popular no Rio Grande do Sul (1999-2002): diretrizes, luta política e resultados atingidos

A política fundiária do governo da Frente Popular no Rio Grande do Sul (1999-2002): diretrizes, luta política e resultados atingidos

Além de se orientar pelo cumprimento da meta, a ação do governo estadual visou atender também aos objetivos gerais e específicos preconizados pelo PERA e por seus subprogramas. Nesta direção, o DRA/GRA procurou equacionar a heterogeneidade dos conflitos fundiários presentes no campo gaúcho, contemplando vários grupos sociais. Com a elaboração do PERA, a implantação dos assentamentos guiou-se pela necessidade de constituir áreas reformadas para posteriormente formarem pólos regionais de desenvolvimento, numa tentativa de evitar a dispersão dos núcleos, assim como, o seu isolamento. Essa orientação contribuiu para a concentração dos assentamentos em algumas regiões do estado, em especial na chamada Metade Sul. Na seleção dos imóveis rurais para implantação dos assentamentos houve a preocupação de fazer um levantamento criterioso das suas condições sócio-ambientais, valendo-se da metodologia da divisão racional de terras. Apesar das limitações interpostas à execução de uma política agrária estadual, constatou-se que a ação do governo Olívio Dutra foi a mais vigorosa se comparada aos governos que o antecederam, o que permitiu um avanço significativo no número de assentamentos rurais no estado, contribuindo para ampliar consideravelmente o universo das famílias beneficiadas.
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A POLÍTICA DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIAE REFORMA AGRÁRIA: O PAE NAS ILHAS DO PARÁ

A POLÍTICA DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIAE REFORMA AGRÁRIA: O PAE NAS ILHAS DO PARÁ

Apesar do clima de oposição da bancada latifundiária, em 1962 foi constituída a Superintendência de Política Agrária (SUPRA) a quem competia segundo o art. 2º da Lei Delegada nº. 11 de outubro de 1962, colaborar na formulação de política agrária, promover e executar a reforma agrária no Brasil. Foi promulgada, também, a Lei n. 4.132, em 10 de Novembro de 1962, que definia os casos de desapropriação por interesse social (STEDILE, 2005; OLIVEIRA, 2007). Ainda durante o governo Goulart, houve a aprovação no Congresso Nacional do Estatuto do Trabalhador Rural, com a Lei nº. 4.214 de 2 de março de 1963, que permitia a implantação do sindicalismo rural e de Confederação Nacional. Com esta última lei, posteriormente, muitas ligas transformaram-se em Sindicatos de Trabalhadores Rurais, e possibilitou a formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG). Finalmente, por meio do Decreto nº. 53.700, de13 março de 1964, foi lançado o Projeto de Reforma Agrária do Governo de João Goulart, que declarava ser de interesse social as áreas rurais compreendidas em um raio de dez quilômetros de rodovias e ferrovias federais e as terras beneficiadas ou recuperadas pela União com obras de irrigação, drenagem e açudes. O decreto não chegou à apreciação do Congresso, pois no dia 1º de abril João Goulart foi deposto.
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1. Matrizes políticas: ajuste estrutural e reformas de segunda geração - A politica agraria contemporanea do Banco Mundial   Joao Marcio Pereira 2005

1. Matrizes políticas: ajuste estrutural e reformas de segunda geração - A politica agraria contemporanea do Banco Mundial Joao Marcio Pereira 2005

Existe um conjunto de fatores que explica a retomada de uma política agrária pelo Banco Mundial ao longo da década de 1990. Na visão do autor, tais fatores foram: a) a oportunidade do Banco tratar as questões relacionadas à terra rural de maneira pretensamente despolitizada e desideologizada, num período histórico de ausência ou fragilidade de projetos alternativos ao neoliberalismo e, portanto, ao enquadramento da temática agrária a uma nova estrutura do pensável, em termos de políticas públicas; b) a oportunidade de, no rastro das reformas estruturais, avançar no processo de eliminação de restrições à transferibilidade dos direitos sobre a terra e à constituição de mercados formais de terra; c) a necessidade de melhorar a performance dos projetos — em especial, daqueles relacionados à agricultura e ao desenvolvimento rural, depois de pelo menos duas décadas de elevado grau de fracasso em sua execução —, em relação a qual o enfoque pró-mercados de terra serviu como uma diretriz abrangente; d) a necessidade de criar mecanismos e formas de controle ou neutralização dos conflitos agrários, cujo acúmulo ou radicalização fossem considerados potencialmente disruptivos à ordem política e/ou aos interesses econômicos vigentes; e) a necessidade de dar algum tipo de resposta à elevada incidência da pobreza no meio rural, em boa medida agudizada pelo impacto negativo das políticas de ajuste estrutural no tecido econômico e social do espaço agrário; f) a necessidade de formular diretrizes para a transição das sociedades do Leste Europeu e do antigo bloco soviético ao capitalismo, processo no qual tem lugar central a questão da privatização dos meios de produção — no caso, a terra — e sua posterior institucionalização, necessária ao incremento da competitividade econômica do novo segmento de proprietários rurais.
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A ação política do MST.

A ação política do MST.

Os encontros entre o Presidente da República e repre- sentantes do MST também são importantes, pois é a par- tir deles que tanto o governo quanto o movimento se re- conhecem mutuamente como interlocutores políticos. A partir do momento em que estabelecem um diálogo, por mais truncado que seja, eles se reconhecem como adver- sários, mesmo em campos opostos, e não como inimigos. Com efeito, para ambos seria um erro estratégico preten- der eliminar o outro, pois o MST precisa do governo, da mesma forma que o governo não pode ignorar o MST. Os dirigentes do movimento têm plena consciência de que precisam da mediação do governo para atingir os seus objetivos. Apenas o governo pode desapropriar terras, conceder indenizações, garantir crédito aos assentados, estabelecer uma política agrária e executá-la. Em outras palavras, o governo é o único ator que pode conciliar os interesses em jogo e impedir que o conflito entre os pro- prietários de terra e os sem-terra se radicalize. Por outro lado, sem a presença do MST, o número de mortes no campo seria, provavelmente, muito maior. A morte de um militante do MST é muito mais constrangedora para o governo do que o assassinato de um trabalhador rural não pertencente ao movimento. Qualquer ação na qual esteja envolvido o MST adquire mais visibilidade do que ou- tras, nem que seja pelo fato de ser automaticamente con- siderada um ato de desafio ao governo. Por essa razão é que podemos afirmar que o governo não pode ignorar o MST, e deve sempre levar em conta a resposta do movi- mento quando estabelece sua política agrária.
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O CARÁTER DICOTÔMICO DO DIREITO AGRÁRIO NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO SOCIAL DO IMÓVEL RURAL.  André Luiz Duarte Pimentel

O CARÁTER DICOTÔMICO DO DIREITO AGRÁRIO NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO SOCIAL DO IMÓVEL RURAL. André Luiz Duarte Pimentel

Somente com o Estatuto da Terra a palavra agrícola passou a ser adjetivo da política com finalidade de resguardar o produtor rural. Os doutrinadores agraristas preferem a expressão Política Agrária, pois segundo eles está envolve um conteúdo mais extenso, contendo não só a agricultura, mas também diversos outros ramos como a criação de animais. Pode-se afirmar que a terminologia correta seria chamá-la de Política de Desenvolvimento Rural, da mesma forma que a Lei n° 4504/64 acabou fazendo em seu Título III, onde foram determinadas as providências específicas recomendadas na definição de política agrícola, as quais estão inseridas no corpo da economia rural, e se dedicam a todas atividades agropecuárias e não somente aquelas relacionados a produção agrícola. Assim, a política agrária estará sempre relacionada as atividades agrárias e em todas as outras a que ela se referir.
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Processo de comercialização no alto do carvão – contribuição ao estudo de uma realidade camponesa

Processo de comercialização no alto do carvão – contribuição ao estudo de uma realidade camponesa

(17) Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, órgão responsável pela política agrária no Brasil.. descontando de uma vez só, logo quando en- trega a primeira[r]

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A encruzilhada da vida política em assentamentos de reforma agrária no Rio Grande do Norte

A encruzilhada da vida política em assentamentos de reforma agrária no Rio Grande do Norte

agrária, alcovitado pelo Governo de Goulart. Parte fundamental do que chamou das reformas de base, a reforma agrária prometia transformações radicais na estrutura fundiária brasileira. Talvez, por esse motivo, no começo de 1964 os caminhos foram desencontrados pelas ações do regime militar instalado naquele ano. No marco da repressão às manifestações da sociedade civil seguidas a esse período, os movimentos sociais do campo sofreram o que na literatura se denomina de “refluxo” ou “arrefecimento”, ou seja, encontraram atadas suas estratégias de mobilização e, com isso, foram obrigadas a recuar parcial e temporariamente na arena das disputas políticas. Os pobres do campo, logo cedo perceberam que a implantação do regime representava uma grave desarticulação para eles, interrompendo os avanços com os quais vinham acumulando forças e experiências. Fator que na compreensão de Akcelrud (1987), fez deslocar o que havia se organizado.
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Efeitos da política de crédito fundiário e de arrendamento nos conflitos por terra em estados selecionados, Brasil

Efeitos da política de crédito fundiário e de arrendamento nos conflitos por terra em estados selecionados, Brasil

Alston e Mueller (2010) utilizaram dados de todos os municípios do Brasil, incluindo variáveis que medem tanto os determinantes agroclimáticos, contratos, bem como os determinantes da política econômica. Estimaram um sistema em que a variável dependente de cada equação é a porcentagem da área agrícola total de cada uma das quatro categorias incluídas no Censo Agrícola Brasileiro: renda fixa, meeiro, proprietário e ocupante (sem título formal). Foi analisada a importância da insegurança dos direitos de propriedade no Brasil na determinação dos proprietários em alugar terra. Concluiu-se que o temor de uma expropriação decorrente de reforma agrária reduz a quantidade de arrendamento. Conflitos de terra também podem sinalizar para os proprietários que sua terra está em risco de expropriação. Os conflitos de terra reduzem a probabilidade de arrendamento. Este resultado implica uma redução da eficiência agrícola, uma redução do bem-estar dos fazendeiros, dos potenciais arrendatários, dos sem-terras e uma expansão da fronteira agrícola através do desmatamento.
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O político e o jurídico na constituição das subjetividades sociais

O político e o jurídico na constituição das subjetividades sociais

nas violências do conflito (RANCIERE, 1995, p. Como podemos observar, a descrição de Ranciere permi- te caracterizar a política existente hoje, no Brasil, em torno da questão agrária: g[r]

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Entre a independência e o endividamento: análise da contrarreforma agrária pelo Banco da Terra

Entre a independência e o endividamento: análise da contrarreforma agrária pelo Banco da Terra

Resumo: Frente à repercussão internacional, devido a forte repressão aos movimentos camponeses durante a década de 90, o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) passou a implantar no país uma série de políticas fundiárias de cunho neoliberal, orientadas pelo Banco Mundial (BM). O discurso do BM era de que a reforma agrária estria fadada ao fracasso, seria necessário uma política fundiária que fosse pacífica, eficaz, moderna e compatível com o mercado. Na prática, as políticas não democratizam a terra, favorecem fazendeiros que desejam se livrar de processos judiciais e do pagamento de dívidas, promovem políticas agrícolas incompletas e aprisionam as famílias camponesas a uma dívida impagável. Os movimentos camponeses e os estudiosos passam a chamar a política fundiária do Banco Mundial de Contrarreforma Agrária de Mercado (CRAM). Ignorando as críticas, o governo brasileiro cria um rol de programas e entre elas está o Banco da Terra (BT) em 1998. O BT chega ao Pontal do Paranapanema-SP em 2001, em meio a um intenso conflito entre camponeses e latifundiários. Principalmente devido ao o apoio dos ruralistas, da mídia, e dos prefeitos da região, como uma solução para os conflitos por terra. O primeiro empreendimento é realizado na Fazenda São José, em Presidente Prudente, abarcando 41 famílias. Os problemas deste modelo já começaram a aparecer logo na compra, pois se tratava de uma fazenda considerada devoluta. Além disto, as famílias até hoje vêm passando dificuldades para quitar a dívida. Situação que já levou a desistência de 11 famílias do empreendimento e a um processo de individualização da dívida. O presente trabalho pretende analisar este complexo território.
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Economia Agraria   Joelson Gonçalves de Carvalho

Economia Agraria Joelson Gonçalves de Carvalho

Isso se dá em função do tamanho e da representatividade do MST. Esse movimen- to tem, tanto em número de famílias acampadas ou assentadas, mais de 60% de todo o contingente de sem terra no Brasil. É o movimento mais estruturado no país, com setores e coletivos bem definidos e com diversas articulações entre outros movimentos de outras naturezas, tanto no país quanto no exterior. Cabe ressaltar que tem uma rede de apoiadores organizados em aproximadamente 40 países e já foi vencedor de diversos prêmios internacionais que reconhecem a luta e as ações do movimento em prol de justiça social, educação, produção de alimentos, inovações tecnológicas, entre outros. Outro elemento importante é que tal confusão não é necessariamente ignorância dos meios de comunicação; muitas vezes, são apenas formas de simplificar ideologicamente os diversos movimentos, o que, por seu turno, diminui os atores e compromete o reconhecimento da sociedade em torno da bandeira da reforma agrária.
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Estado e movimentos sociais: uma pesquisa no Incra The State and social movements: a reserch on Incra

Estado e movimentos sociais: uma pesquisa no Incra The State and social movements: a reserch on Incra

pondê-la, a autora optou pela perspectiva interna do Estado, diferentemente da maioria dos estudos dos movimentos sociais. Ao analisar a identidade, as formas de trabalho, as interações e práticas dos servidores públicos que atuam em resposta aos mo- vimentos sociais, o livro oferece uma contribuição nova para os estudos sobre a reforma agrária. Rea- lizando a pesquisa de campo na Superintendência Regional de Marabá (SR-27), a autora pôde obser- var a persistente conflitividade da questão agrária. Por ter sido considerada uma região estratégica durante a ditadura militar, o sul do Pará se trans- formou em uma fronteira agrária, onde há usos concorrentes e excludentes da terra, tais como mi- neração, preservação ambiental, reserva indígena, agricultura comercial em larga escala e agricultura familiar em assentamentos da reforma agrária. A re- gião tem sido palco de vários massacres no campo nos últimos trinta anos (CPT, 2017), dos quais o mais famoso é o de Eldorado de Carajás, em 1996, e o mais recente o de Pau D’Arco, em 24 de maio de 2017 (Tinoco, 2017).
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As condições de vida dos assentados da região de Andradina: a realidade e os indicadores de avaliação da política pública de reforma agrária

As condições de vida dos assentados da região de Andradina: a realidade e os indicadores de avaliação da política pública de reforma agrária

Já o INCRA, implantou sete assentamentos, na década de 1980, decorrentes de luta e de pressões exercidas pelos movimentos sociais, mas, sem um projeto claro e consistente de reforma agrária. O primeiro deles foi a Assentamento Primavera em 1981 (O processo de formação do assentamento Primavera será descrito no tópico seguinte). Além do Assentamento Primavera, o INCRA instalou outros assentamentos a partir de fazendas improdutivas, na segunda metade da década de 1980, motivada pela pressão de trabalhadores desempregados e de antigos produtores rurais expropriados e/ou com dificuldade de acesso à terra. Dentre eles estão o Assentamento Fazenda Esmeralda, com 85 lotes e 2096 hectares; o Assentamento Aroeira com 40 lotes e 873 hectares e; o Assentamento São José, com 39 lotes e 877 hectares. De todos os assentamentos implantados pelo INCRA nessa região, apenas nesses dois últimos, as famílias assentadas não participaram de movimentos de luta pela terra, podendo ser esta a causa para a ocorrência dos altos índices de evasão das famílias nesses assentamentos. Esses três assentamentos foram implantados em 1987. No ano de 1990 e no início do século XXI foram instalados outros assentamentos nessa mesma região: Assentamento Rio Paraná com 92 lotes e 2165 hectares; Fazenda Timboré com 172 lotes e 3050 hectares e Orlando Molina com 75 famílias e 152 hectares (HESPANHOL; COSTA; ESPÍRITO SANTO, 2003, p. 112).
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Memórias do massacre de Corumbiara : a luta pelo direito a função social da terra : (1995)

Memórias do massacre de Corumbiara : a luta pelo direito a função social da terra : (1995)

Para Moacir Palmeira e Sérgio Leite, ao estabelecer, com força de lei, conceitos como latifúndio, minifúndio, empresa rural, arrendamento, parceria colonização, etc., o Estado criou uma camisa de força para os tribunais e para os seus próprios programas de governo, ao mesmo tempo em que tornou possível a sua intervenção sem o concurso de mediadores e abriu espaço para a atuação de grupos sociais que reconheceu ou cuja existência induziu. Para estes autores, o Estatuto da Terra fez ainda com que o poder dos chefes locais sobre os trabalhadores rurais fosse esvaziado uma vez que estes trabalhadores passaram a contar com outras formas de mediação, independente dos grandes proprietários e de suas organizações. Esta legislação, então, provocou mudanças no relacionamento entre o Estado, proprietários de terras e trabalhadores rurais, alterando as estratégias de luta e de ação política. Os autores enfatizam também que a formulação do Estatuto da Terra foi resultado de um longo processo de tensões sociais, com diversos atores envolvidos. Este jogo de pressões e contrapressões continuou existindo ao longo da ditadura militar, o que reflete na prioridade de determinados aspectos da legislação sobre outros. Neste sentido, não basta à análise pura e simples do que está contido no Estatuto, sendo necessário analisar como ele foi conduzido e apropriado com base na correlação de forças existentes. O Estatuto continha uma série de ambigüidades que tornava
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Ignácio Rangel.

Ignácio Rangel.

A questão em torno da heterogeneidade do capital estava no centro das dife- renças entre a abordagem marxista de um lado, e a keynesiana e a neoclássica de outro, revelando-se claramente na América Latina no fim da década de 50, antes que se alinhasse a disputa entre os pontos de vista de autores como Joan Robinson e Piero Sraffa insistindo na heterogeneidade, e os de Robert Solow e Kenneth Arrow generalizando sobre condições de homogeneidade (Harcourt & Laing, 1967 ; Sen, 1971 ). A discussão da heterogeneidade do capital era um modo de diluir a questão axial de composição que, essa sim, faz parte da análise do dinamismo do capitalismo. A reflexão teórica estava dominada pela preocupação com seus resultados práticos imediatos, tendendo assim a tornar-se a teoria dos mecanismos do capital em vez de uma teoria dos processos do capital. Havia dois aspectos da realidade latino-americana que se tornariam dominantes, e em cuja linha entrou Rangel: as questões de uma recomposição da fundamentação histórica; e a de encontrar um modo de representar eficiência no sentido da prática da economia. A primeira le- vou-o a estudar História Econômica e Política, enquanto a segunda a desenvolver o campo dos projetos de investimento.
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