política industrial e desenvolvimentismo

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POLÍTICA INDUSTRIAL COMO INSTITUIÇÃO DESENVOLVIMENTISTA: UMA CRÍTICA AO "NOVO DESENVOLVIMENTISMO" BASEADA NAS EXPERIÊNCIAS DE BRASIL E COREIA DO SUL.

POLÍTICA INDUSTRIAL COMO INSTITUIÇÃO DESENVOLVIMENTISTA: UMA CRÍTICA AO "NOVO DESENVOLVIMENTISMO" BASEADA NAS EXPERIÊNCIAS DE BRASIL E COREIA DO SUL.

nacional. Por isso foi necessário formar grandes conglomerados nacionais (chaebols) para que a substituição de importações fosse simultânea, e não concorrente, com a pro- moção de exportações, ainda que com concentração de capital (nacional). A escala pro- dutiva planejada determinaria a necessidade de uma produção voltada para as exporta- ções, aliada aos ganhos de competitividade, via aprendizado tecnológico. Nesse sentido, os chaebols representaram a unidade produtiva da política industrial desenvolvimentista do governo sul-coreano até o início da década de 1980 (KIM, 2005). Por esse motivo, para Amsden (1992), a coreia do Sul é um caso de desenvolvimentismo pragmático, em que o Estado foi sendo moldado na medida em que as práticas desenvolvimentistas da- vam bons resultados, ou seja, transformou e foi transformado pelo processo econômico, adaptando a sua estrutura organizacional ao paradigma das redes flexíveis (PErEz, 2001), como tem feito visando ao advento do próximo paradigma tecnoeconômico. Ou seja, houve uma coevolução das tecnologias físicas e sociais. No Brasil, o desenvolvimen- tismo também assumiu um caráter pragmático, que se esgotaria junto com o II PND e a crise da dívida externa, ao decretar-se o abandono da política industrial ativa.
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NOVO ,  DA INDÚSTRIA BRASILEIRA E O PRINCÍPIO DA BUSCA DO PLENO EMPREGO  Ana Elizabeth Neirão Reymão

NOVO , DA INDÚSTRIA BRASILEIRA E O PRINCÍPIO DA BUSCA DO PLENO EMPREGO Ana Elizabeth Neirão Reymão

O novo desenvolvimentismo, equivocadamente, abriu mão de uma política industrial permitisse o país repensar seu desenvolvimento autônomo, a nosso ver. Falta um “projeto de indústria” que não apenas identifique as barreiras a ele interpostas, mas que garanta os meios para remover os obstáculos de forma organizada e programática. Dele decorre um certo padrão de desenvolvimento, posto que é no sistema industrial que ocorre o desenvolvimento tecnológico a ser difundido pelos demais setores econômicos. Se, na concepção nacional desenvolvimentista, ela é um relevante aspecto do intervencionismo estatal e de seu papel proativo na economia, para o novo desenvolvimentismo ela é coadjuvante, acessória à política macroeconômica, como explica Gonçalves (2012, p. 660):
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POLÍTICA INDUSTRIAL E DESENVOLVIMENTO: O PAPEL DO BNDES NO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO

POLÍTICA INDUSTRIAL E DESENVOLVIMENTO: O PAPEL DO BNDES NO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL BRASILEIRO

Para FIORI (1995), outro fator importante que deve ser ponderado para explicar o enfraquecimento do desenvolvimentismo esta relacionado com a crise da dívida externa nos países latino-americanos. A crise da dívida externa se intensificou na década de 80 devido a dois fatores. O primeiro motivo está relacionado com o crescente endividamento externo, já que em diferentes momentos do processo de industrialização brasileira, como no segundo governo Vargas, e, principalmente, no Plano de Metas de JK, não se descartou o ingresso dos investimentos estrangeiros segundo a ideia de poupança externa. Porém, a principal razão da crise da dívida externa se deve à política monetária restritiva realizada de forma unilateral pelos EUA por meio do “choque de juros” com a elevação do juro pelo banco central norte-americano, o Federal Reserve (FED), em 1979. A dívida externa dos países latino- americanos que foi contraída com base em juros flutuantes aumentou drasticamente com a política de “choque de juros” de Paul Volker, o que intensificou a crise da dívida externa. Além disso, a recessão econômica que assolava os países desenvolvidos, em particular os EUA, resultou em uma drástica diminuição das exportações brasileiras, que além de exportar gradativamente um menor nível de produto, também teve que enfrentar uma redução no preço dos produtos primários exportados, o que teve um impacto na ampliação dos déficits da balança comercial e de pagamentos do Brasil.
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CRÍTICA A POLÍTICA INDUSTRIAL A PARTIR DE SCHUMPETER

CRÍTICA A POLÍTICA INDUSTRIAL A PARTIR DE SCHUMPETER

O desenvolvimentismo foi ideologia da burguesia industrial latino-americana, especialmente daquela que respondendo ao maior grau de industrialização e compartilhando já o poder do Estado com a burguesia agrário-exportadora, trata de ampliar seu espaço a expensas desta, recorrendo para isso à aliança com o proletariado industrial e a classe média assalariada. Ao mesmo tempo que acena para estes com a ampliação da oferta de emprego e maiores salários, o desenvolvimentismo, é mediante a crítica do esquema tradicional de divisão internacional do trabalho, exige dos grandes centros capitalistas o estabelecimento de um novo tipo de relações e, rechaçando o modelo primário exportador, abre fogo contra a velha classe dominante. Evita, porém, no contexto da luta inter-burguesa, colocar como premissa do modelo industrial a reforma agrária, tanto mais que a política da burguesia industrial não passava pela aliança com o campesinato. (MARINI, 1992, p 79-80)
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A economia política do novo-desenvolvimentismo e do social desenvolvimentismo.

A economia política do novo-desenvolvimentismo e do social desenvolvimentismo.

Com o tempo, a base social interpelada pelo lulismo parecia deixar de formar-se principalmente pelo trabalhador do ABC paulista (ou da indústria em geral) e funcionários públicos, deslocando-se para grupos sociais muito mais vulneráveis à instabilidade econômica: o trabalhador em serviços, às vezes com baixíssima produtividade e renda e para o trabalhador do campo ou de pequenas cidades, muito próximo da agricultura familiar. Com perdão da licença poética, o grito dos excluídos passou a ter talvez mais importância que os hinos operários. Diante dessa base e depois de duas derrotas eleitorais para o criador do Real forte, não podia deixar de ser claro para Lula que o controle da inflação, se possível com deflação de bens de consumo duráveis, não só era importante para sua base social, mas era capaz de decidir eleições presidenciais (Hunter; Power, 2007; Singer, 2010). Exatamente por isso, o governo Lula abrigou a convivência tensa entre os fiadores da credibilidade financeira junto aos mercados, que prometiam entregar o Real forte e a inflação fraca, Palloci e Meirelles, e grupos políticos mais identificados ao ideário do desenvolvimento industrial e/ou de expansão dos direitos sociais e trabalhistas. A subordinação dos segundos aos primeiros esteve na própria origem da composição de governo, em meio ao terrorismo de mercado que marcou a campanha presidencial de 2002. Parece inegável que declarações de Pedro Malan, George Soros e outros, a propósito da irresponsabilidade financeira alheia e a explosão da fuga de capitais no início da campanha, ativaram um círculo vicioso de desvalorização cambial e encarecimento de passivos externos, com impactos inflacionários, que disciplinaram os líderes de um partido sempre posicionado contra a globalização financeira e o interesse dos rentistas da dívida pública, interna ou externa. A saída e a voz tiveram efeito mais duradouro que a Carta ao Povo Brasileiro: Lula rejeitou a opção pela renegociação da dívida externa e, sequer, um programa de reversão gradual da abertura financeira, blindou a equipe macroeconômica para buscar a reconciliação com os mercados ao ampliar a meta de superávit primário herdada do acordo com o FMI e elevar taxas de juros para atrair capitais e apreciar o Real. Dada a opção de também não renegociar contratos de concessão de serviços públicos (indexados ao IGP) antes de caducarem, o combate à inflação dependeu diretamente da apreciação cambial (que também reduziria o custo em moeda local do passivo
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1. Matrizes políticas: ajuste estrutural e reformas de segunda geração - A politica agraria contemporanea do Banco Mundial   Joao Marcio Pereira 2005

1. Matrizes políticas: ajuste estrutural e reformas de segunda geração - A politica agraria contemporanea do Banco Mundial Joao Marcio Pereira 2005

Existe um conjunto de fatores que explica a retomada de uma política agrária pelo Banco Mundial ao longo da década de 1990. Na visão do autor, tais fatores foram: a) a oportunidade do Banco tratar as questões relacionadas à terra rural de maneira pretensamente despolitizada e desideologizada, num período histórico de ausência ou fragilidade de projetos alternativos ao neoliberalismo e, portanto, ao enquadramento da temática agrária a uma nova estrutura do pensável, em termos de políticas públicas; b) a oportunidade de, no rastro das reformas estruturais, avançar no processo de eliminação de restrições à transferibilidade dos direitos sobre a terra e à constituição de mercados formais de terra; c) a necessidade de melhorar a performance dos projetos — em especial, daqueles relacionados à agricultura e ao desenvolvimento rural, depois de pelo menos duas décadas de elevado grau de fracasso em sua execução —, em relação a qual o enfoque pró-mercados de terra serviu como uma diretriz abrangente; d) a necessidade de criar mecanismos e formas de controle ou neutralização dos conflitos agrários, cujo acúmulo ou radicalização fossem considerados potencialmente disruptivos à ordem política e/ou aos interesses econômicos vigentes; e) a necessidade de dar algum tipo de resposta à elevada incidência da pobreza no meio rural, em boa medida agudizada pelo impacto negativo das políticas de ajuste estrutural no tecido econômico e social do espaço agrário; f) a necessidade de formular diretrizes para a transição das sociedades do Leste Europeu e do antigo bloco soviético ao capitalismo, processo no qual tem lugar central a questão da privatização dos meios de produção — no caso, a terra — e sua posterior institucionalização, necessária ao incremento da competitividade econômica do novo segmento de proprietários rurais.
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Investimentos em infraestrutura como instrumento de política industrial

Investimentos em infraestrutura como instrumento de política industrial

Fritsch (1990) e Franco (1990) destacam dois movimentos distintos na política econômica brasileira à época. No aspecto fiscal e monetário, a ausência de continuidade ou de um objetivo de longo prazo consolidado levaram a ciclos de aceleração e brusca desaceleração da atividade, com impactos que apenas uma economia que não dependesse do funcionamento do mercado poderia suportar. De outro lado, as principais intervenções no crescimento econômico foram intervenções no preço internacional do café via monopolização do comércio externo e a constituição de estoques reguladores. Uma vez que não seria possível conceber a estatização e monopolização da produção, o Estado passou a interferir no elo seguinte da cadeia produtiva, o comércio internacional. Os autores destacam o sucesso dessa política como instrumento de curto prazo, onde os preços mais elevados produziam claros surtos de crescimento. Como no período de 1925 a 1928, em que o crescimento médio do PIB situou-se acima de 10% ao ano. Porém, o sucesso a curto prazo produzia inconsistências naturais a longo prazo (preconizando muito da história que seria contada nas décadas seguintes). A inconsistência entre a intervenção pública e a arquitetura de mercado, ocasionada pela possibilidade de controlar a comercialização de café, mas não sua produção, resultaram em crises de superprodução como as de 1906, 1922 e, finalmente, a de 1929. Essa crise, combinada com a crise dos mercados financeiros mundiais, encerra uma etapa da história e dá origem ao processo de industrialização voltada ao mercado interno.
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O Brasil precisa de política industrial? De que tipo?

O Brasil precisa de política industrial? De que tipo?

autores como Moreira (1994) atribuem o fracasso da PI brasileira justamente à incapacidade de identificar e corrigir tais falhas. Embora tenha aspectos positivos.. A[r]

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Transformação estrutural, serviços e política industrial

Transformação estrutural, serviços e política industrial

industrial para o crescimento agregado possa ser muito mais elevada, mesmo se sua produtividade fosse. maior e o padrão de especialização de nossa econ o ia o e to[r]

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<b>Política industrial brasileira recente

<b>Política industrial brasileira recente

Para Ferraz (2009), sob a perspectiva desenvolvimentista, a política industrial do governo Lula foi positiva, no sentido de compreender uma atuação estatal ativa, com vistas à promoção do desenvolvimento, particularmente no que se refere à promoção do investimento. Contudo poucos meses após o lançamento da PDP, em setembro de 2008 ocorre a falência do banco de investimentos Lehman Brothers nos Estados Unidos, sucedida por uma profunda crise econômica e financeira que afetou a economia mundial. Com isso, esta passou por uma recessão e com a economia brasileira não foi diferente, dificultou os investimentos tão esperados pela PDP. Kupfer (2013) argumenta que a PDP acabou exercendo mais um papel anticíclico, sem dúvida crucial para saída já em 2010, e menos a esperada função transformadora do padrão de investimento da economia.
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Boletim de Política Industrial n

Boletim de Política Industrial n

Conclusões. Os resultados obtidos nas estimati- vas de Resende e Teixeira (2000) sugerem a re- levância da disponibilidade de divisas externas para a explicação das importações totais e de bens de capital no Brasil. Essa conclusão tem uma implicação básica: a importância da disponi- bilidade de divisas só é significativa na função de demanda de importação quando o seu controle pela política econômica é pequeno. Nos momen- tos de escassez de divisas, para alcançar o equi- líbrio das contas externas os policy makers só lançam mão do controle das importações quando não conseguem afetar a contento os demais flu- xos de divisas do balanço de pagamentos, tendo em vista os transtornos micro e macroeconômicos causados por esse controle. Os ciclos dos mer- cados comercial e financeiro internacionais teriam assim um papel relevante na determinação da disponibilidade de divisas, o que evidenciaria a vulnerabilidade externa da economia. 13 Entre-
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Que fazer em relação à política industrial?

Que fazer em relação à política industrial?

• De 2008 a 2012, o retorno acumulado da atividade industrial foi de 47%, taxa inferior aos rendimentos do mercado financeiro. Por exemplo, de 62% na Renda Fixa. Ou seja: R$ 1 bilhão investido na indústria rendeu R$ 469 milhões líquidos. Na Renda Fixa renderia R$ 624,3 milhões, um ganho adicional sem risco de R$ 155 milhões.

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A política industrial da retomada do conhecimento

A política industrial da retomada do conhecimento

セ・ウオャエ。L@ por セュ@ lado, da eviden te necessidade de se introduzir a eficiência produtiva como um ob jetivo bãsico da politica ゥョ、オウエイゥ。ャセ@ e, por outro, da mais a[r]

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Por que o Brasil não precisa de política industrial

Por que o Brasil não precisa de política industrial

Por fim, Taiwan também utilizou incentivos fiscais (redução de impostos ou aceleração da depreciação, a escolha das firmas). O foco destas políticas passou de indústrias exportadoras (década de 60), para setores intensivos em capital (década de 70) e posteriormente para indústrias intensivas em tecnologia (década de 80). Este programa foi remodelado a partir do diagnóstico de que havia pouca relação entre a participação no programa e ganhos de produtividade. O foco passou a ser investimento em pesquisa e desenvolvimento e redução da poluição, mas alguns incentivos específicos foram mantidos nos setores de alta tecnologia. Também foram utilizadas diversas modalidades de crédito público subsidiado, principalmente para atividade exportadora. Com relação à proteção comercial, a década de 50 foi caracterizada por uma política de substituição de importações, que foi abrandada ao longo dos anos. Embora muitos setores fossem muito protegidos, tinham que justificar esta proteção com base em sua capacidade para competir com produtos importados. Ao contrário do Japão, o governo teve participação preponderante no financiamento e incentivo à atividade de pesquisa e desenvolvimento, seja ela criação de instituições para identificar, transferir, difundir e absorver tecnologias industriais estrangeiras (décadas de 70 e 80), seja por subsídios diretos à pesquisa realizada pelas firmas privadas. 4
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Que fazer em relação à política industrial?

Que fazer em relação à política industrial?

Indicadores  de  Vulnerabilidade  Externa  .[r]

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O enigma da política industrial no Brasil

O enigma da política industrial no Brasil

Na primeira portaria, duas rotinas distintas são definidas para papel higiênico em folhas e em rolos. A primeira rotina inclui também outros produtos de papel, como guardanapo, lenço, t[r]

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O novo desenvolvimentismo: uma contribuição institucionalista.

O novo desenvolvimentismo: uma contribuição institucionalista.

ra restritiva, tem feito a indústria perder participação enquanto eixo central do crescimento ao mesmo tempo em que enfraquece o setor público e sua capacidade de colocar em prática uma estratégia capaz de superar o baixo dinamismo. Com a débil capacidade de inserção competitiva da indústria brasileira, a única forma de manter a equilíbrio externo é com altas taxas de juros, a entrada massiva de capi- tais de curto prazo e a exportação de produtos de baixo valor agregado (exploração de recursos naturais). uma profunda mudança institucional, que rompa com essa forma de regulação, é precondição para superar a tradicional dinâmica de stop and go que nos assombra. mesmo que as exportações primárias tenham sido historica- mente importantes para o desempenho da economia brasileira, uma forma de re- gulação que estimule as exportações de maior conteúdo tecnológico é essencial. Para isso, a política econômica deve ainda romper com alguns interesses, tratando de reconfigurar essa regulação que se alicerça sobre uma acumulação rentista-pa- trimonial e beneficia setores exportadores de commodities em detrimento daqueles de maior conteúdo tecnológico. essa seria uma questão-chave para políticas efi- cientes de distribuição de renda, pois o crescimento baseado apenas na demanda interna pode causar déficits crônicos em conta-corrente. Sem um setor industrial internacionalmente competitivo, esses desequilíbrios acabam prejudicando a pos- sibilidade de um crescimento sustentável.
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II - Política Industrial, Concorrência e Eficiência Econômica

II - Política Industrial, Concorrência e Eficiência Econômica

Sendo assim, a política de defesa da concorrência torna- se, por derivação lógica, uma forma de política industrial, ao coibir o surgimento de poder de mercado e a prática de condutas abusivas dele derivadas. Tal interpretação parece estar refletida nas recomendações de organismos internacionais e da própria Comunidade Européia na década de noventa no que tange as características básicas da intervenção governamental (OECD, 1992 e Comissão das Comunidades Européias, 1990). Se, de um lado, tais recomendações enfatizam o papel das firmas e dos mercados como a principal força geradora de competitividade e desenvolvimento tecnológico no longo prazo, de outro lado, a função das políticas de defesa da concorrência se torna crucial para garantir o funcionamento adequado dos mesmos, através de sua ação sobre a estrutura dos mercados e as condutas das empresas. Trata- se de garantir o aumento da concorrência através de medidas voltadas para o fortalecimento da disciplina dos mercados, ainda que o conceito de disciplina esteja associado, 4 Consagrada na análise microeconômica ortodoxa desde Marshall, a noção de que uma operação eficiente dos mercados supõe tendência a eliminar lucros extraordinários (positivos ou negativos) requer não apenas uma concorrência interna capaz de aplainar as assimetrias entre competidores e nivelar preços e custos, mas uma concorrência potencial igualmente eficaz, o que supõe livre entrada e saída dos mercados (ausência de sunk costs e de ativos específicos).
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Educação tecnológica, inovação e geração de emprego: alavancas para o progresso das organizações, pessoas e nações

Educação tecnológica, inovação e geração de emprego: alavancas para o progresso das organizações, pessoas e nações

Formulação de políticas setoriais e na adequação e formulação de leis de incentivo ao setor produtivo. Como exemplo, podem ser citadas a elaboração da Política de Ciência, Tecnologia e Inovação (PNCT&I), em 2003, o lançamento da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce), em 2004, a retomada de políticas setoriais (energia, informática, saúde etc.) e a instauração de um novo ambiente regulatório, no qual se destaca a criação da Lei do Bem, da Lei de Inovação, da Lei de Biossegurança, entre outras. A marca desse novo período é a concentração dos esforços no fomento às atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas empresas e o incentivo à intensificação das relações entre universidades, empresas e ICTs.
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Empresários, o governo do PT e o desenvolvimentismo.

Empresários, o governo do PT e o desenvolvimentismo.

A alternativa à atual política econômica obviamente existe, mas para reconhecê-la é preciso ser também capaz de criticar o Pacto Liberal-Dependente de 1991 – o que os empresários e suas associações, enfraquecidos pela desindustrialização e pela desnacionalização da indústria brasileira, hesitam em fazer. O restabelecimento da aliança dos empresários com a burocracia do Estado é essencial para a retomada do desenvolvimento, mas isto não está claro para eles. Embora saibam da importância do controle do câmbio, não chegam a criticar a política de crescimento com poupança externa; não obstante estejam indignados com a taxa de juros, continuam a atribuir o desequilíbrio fiscal e a carga tributária excessiva exclusivamente ao populismo dos políticos e à ineficiência e ao privilégio da burocracia do Estado, ao invés de compreender que a taxa de juro tem um papel importante em exigir uma carga tributária elevada. Começam, porém, a se dar conta de que o que se montou no Brasil foi um processo de captura do patrimônio do Estado, de violência contra os direitos republicanos dos cidadãos, que beneficia menos a burocracia do Estado e mais os rentistas, o setor financeiro, as empresas monopolistas que privatizaram os serviços públicos, e as empresas multinacionais; que, como os trabalhadores e a burocracia do Estado, também eles, empresários industriais, e, mais amplamente, todo o empresariado dos setores produtivos, estão excluídos do pacto atual. Uma das dificuldades que os empresários enfrentam para compreender esse problema está no fato de que uma parte deles se transformou em rentista, seja porque venderam suas empresas a multinacionais, seja porque as conservaram em estado de dormência, enquanto equilibravam suas contas com os rendimentos financeiros. Esse grupo, porém, embora possa ter influência política, constitui minoria. A grande maioria dos empresários industriais está hoje indignada com a forma pela qual a economia brasileira vem sendo administrada e com os resultados insatisfatórios que vem alcançando em termos de crescimento econômico. No Brasil, as elites brasileiras, inclusive seus empresários, vivem uma constante ambiguidade – uma
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