Psicanálise - Educação

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Psicanálise, educação e autismo: encontro de três impossíveis.

Psicanálise, educação e autismo: encontro de três impossíveis.

O autismo representa um tríplice desafio: para a psicanálise, para a educação e para as práticas sociais. Do ponto de vista da psicanálise uma série de questões se levanta quanto à própria definição do autismo, que não se enquadra como estrutura clínica neurótica ou psicótica, apresentando uma especificidade que diferentes gerações de psicanalistas (Kanner, Mahler, Bettelheim, Tustin, Meltzer, Alvarez, Jerusalinsky, Laznik-Penot, Lefort etc.) vêm tentando, com diferentes abordagens, caracterizar. O tratamento psicanalítico do autista vem apresentando impressivos resultados, embora sua gênese permaneça uma incógnita.
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Psicanálise e educação: os paradoxos da alteridade.

Psicanálise e educação: os paradoxos da alteridade.

Freud também insiste em colocar que a relação entre o indivíduo e a sociedade se baseia em um conflito que leva a um paradoxo, até po- der concluir, no Mal-estar na cultura, que algo da ordem do irredutível se faz como condição necessária e impossível. Necessária, na medida em que o indivíduo não é independente da cultura; impossível, na medi- da em que nesta relação não há uma implicação direta de um sobre o outro. Nossa civilização, nos diz Freud, é edificada sobre a repressão pulsional. Mas, nessa aporia entre Cultura e pulsão, nem a Psicanálise, nem a Educação escapam de se haver com um certo resto, uma perda. “Pode-se ser assegurado que uma parte das tendências pulsionais ‘es- capara’ deste destino sublimatório da cultura e de seu ideal educativo. Esta é a ‘rocha’ do real que a psicanálise experimenta sem cerimônia” (Assoun, 2008, p. 184). Trata-se do impossível ao qual Lacan se refere para determinar o registro do Real: o Real é aquilo que não cessa de não se inscrever simbolicamente.
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Psicanálise e educação: algumas questões acerca do saber

Psicanálise e educação: algumas questões acerca do saber

O trabalho se propõe a uma discussão a respeito dos conceitos de conhecimento e de saber no campo da Filosofia, da Educação e da Psicanálise, para uma reflexão acerca da aprendizagem escolar de seis alunos do Ensino Fundamental, sendo três considerados bons alunos e três, com baixo desempenho. Assim, embasado na abordagem psicanalítica, demonstra que, diferentemente da Filosofia e da Educação, a Psicanálise compreende o saber localizado no inconsciente, entendido como cadeia significante, ou seja, na correlação de significante a significante. Paralelamente, o conhecimento, como visto pela Ciência, está postulado na reciprocidade entre significante e significado, tentando estabelecer uma relação fixa entre eles. Dentro desse raciocínio, a aprendizagem acontece quando o sujeito (re)constrói o conhecimento do Outro para si e em si e, dessa forma, constrói-se como sujeito desiderativo e inteligente. A pesquisa realizada teve o intento de perceber semelhanças e diferenças entre os bons alunos e os aqueles denominados com baixo desempenho escolar. Notou-se que, nos dois casos, não há construção de saber, apenas reprodução e se percebeu, dessa forma, que não está ocorrendo a aprendizagem, daí se chegar ao impasse que se instala entre a escola e o sujeito.
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Psicanálise na educação médica: subjetividades integradas à prática.

Psicanálise na educação médica: subjetividades integradas à prática.

Este estudo analisou a contribuição da Psicanálise para educação médica na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, onde a psicologia médica objetiva atender na formação, desenvolvi- mento da capacidade de escuta e compreensão integral do ser humano. Alunos monitores participantes do Projeto de Extensão em Relação Médico-Paciente foram reunidos em grupos focais gravados e rea- lizada análise de enunciação psicanalítica para estudo de caso, em pesquisa qualitativa. Os temas des- tacados foram: o saber e desdobramentos simbólicos; sofrimentos diante da morte; exigências do meio social; demandas superegoicas insaciáveis e cruéis. Alunos/monitores, na posição de suposto-saber no grupo, demonstram capacidades para sustentar relações transferenciais. Verificaram-se ainda alunos com a coragem de dirigir-se ao outro suportando seu não saber, o que pressupõe a verdade do incons- ciente como fundamento. Os pequenos grupos criam e oportunizam a sustentação das diferenças, da estranheza e do vazio, com isso suportando melhor o corte na ilusão do saber absoluto e o surgimento de estilos próprios. Carregado de suas singularidades e responsabilidades, o sujeito é convocado a aprender diante dos desafios a serem enfrentados.
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As origens da psicanálise de crianças no Brasil: entre a educação e a medicina.

As origens da psicanálise de crianças no Brasil: entre a educação e a medicina.

Temos, assim, uma configuração tal que fez da Clínica de Orientação Infantil do Instituto de Psiquiatria, durante o período em que esteve sob a égide de Décio de Souza, um reduto formador que serviu como introito para muitos profissionais que se aproximavam da psicanálise, com ênfase particular na análise infantil e na técnica kleiniana. Tal proposta foi efetivada por uma atuação constante de Décio de Souza, oferecendo instruções teóricas e supervisões aos profissionais que ali trabalhavam Desta forma, muitos psiquiatras que iniciaram sua vida profissional nessa clínica foram levados, algum tempo depois, a buscar formação regular em psicanálise junto à Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, o que pode ser exemplificado pelo caso de Mara Salvine de Souza. Um fluxo em sentido contrário também foi evidenciado: alguns candidatos da referida Sociedade, que desejavam aprimorar seu conhecimento da teoria kleiniana colocando-os em prática por intermédio da análise infantil, foram encaminhados por Décio de Souza à Clínica de Orientação Infantil, onde encontraram a infraestrutura necessária para praticarem a psicoterapia psicanalítica com criança. Exemplificando esta situação temos, entre outros, o nome de Yara Lansac. Em suma, podemos considerar que, embora as ideias kleinianas não tenham exercido uma influência hegemônica na fase inicial da psicanálise de criança no Brasil, anterior à criação das sociedades de Psicanálise, visto que outros autores - como Freud, Adler e Anna Freud - também foram tomados como fonte de referência, sua presença foi constante, subsidiando práticas de assistência à infância tanto nos organismos geridos pela educação quanto naqueles dirigidos pela medicina. Esta
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 De que Serve a Psicanálise à Educação Escolar? 122 p

De que Serve a Psicanálise à Educação Escolar? 122 p

Esta pesquisa se propôs a pensar acerca das possibilidades e impasses da transmissão da Psicanálise à Educação escolar. Com a constatação de que a demanda de interlocução e oferta entre as duas áreas do conhecimento era da própria pesquisadora (proveniente de uma demanda clínica), surge a pergunta inicial, mote da pesquisa. A partir dela, se definiu o objetivo de verificar se existe alguma contribuição da Psicanálise à Educação escolar, e o que ela teria a transmitir-lhe. Foi realizado um extenso levantamento bibliográfico, onde se fez um traçado histórico dos autores que se propuseram a pensar a entrada da Psicanálise na Educação escolar, a partir do viés da psicanálise freud-lacaniana. Estes foram organizados pelo tipo de relação que propunham, a partir do desdobramento que faziam nos diferentes momentos do percurso de Freud acerca do tema. Para dar sustentação e embasamento teórico ao conteúdo trazido, foi realizada uma delimitação conceitual dos termos provenientes da psicanálise que fazem referência ao tema abordado. A partir das leituras realizadas, em confrontação com a prática clínica – em Distúrbios Globais do Desenvolvimento, em sua relação com a escola – foi-se definindo um posicionamento, em resposta a nossa pergunta. Como resultado, pudemos verificar a importância de se estar atento e da cautela que se deve ter ao se enunciar um discurso a outro campo do conhecimento, ainda mais em se tratando da Psicanálise, que possui uma forma tão específica de ser apreendida e de afetar o sujeito. Verificou-se também ser posssível a transmissão deste saber ao professor, o qual acrescenta novos elementos ao seu pensar sobre a importância para a aprendizagem das relações que se estabelecem no cenário educativo. O saber da Psicanálise pode contribuir para trazer para o ideal de normatização a impossibilidade estrutural da Educação, abrindo para a consideração da Castração e, a partir disso, criar um espaço para acolher o desejo dos Sujeitos implicados no processo. Acreditamos que esta seja a única forma possível de se educar. Assim, concluimos que a contribuição da Psicanálise à Educação escolar existe e ela se dá no campo da ética, implicando em uma mudança na postura dos que são afetados por ela.
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Sobre a relação entre educação e psicanálise no contexto das novas formas de subjetivação.

Sobre a relação entre educação e psicanálise no contexto das novas formas de subjetivação.

A proposta deste artigo é fazer um balanço preliminar da relação entre psicanálise e educação no contexto das novas formas de subjetivação. Nesse novo contexto, é fundamental refletir sobre que subjetividade e que tipo de cidadania queremos ter como alvo e finalidade nas práticas educacionais contemporâneas. Uma questão central na atualidade é pensar sobre o que significa educar e psicanalisar hoje, diante da crise de fundamentos nos saberes que norteavam nossas práticas, até então, de forma inconteste. Com tal proposta em mente, iremos nos reportar, primeiramente, às referências de Freud quanto à educação, posto que são os textos fundadores desta reflexão. Em seguida, passaremos a nos referir às articulações feitas por alguns pesquisadores, nos últimos anos, sobre as relações entre esses dois saberes. No que tange especificamente a esse segundo eixo de análise, é importante assinalar o crescente interesse pelo estudo das relações entre psicanálise e educação, tanto entre educadores, quanto entre psicanalistas. O entrecruzamento desses dois campos de saber tem uma história marcada por variadas tendências. Num preliminar levantamento bibliográfico sobre o tema entre os psicanalistas, é possível afirmar que, nas mais recentes
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Filosofia, psicanálise e educação: o "mestre possível" de adoloscentes

Filosofia, psicanálise e educação: o "mestre possível" de adoloscentes

Foi nesta direção que Gutierra (2003) realizou uma interessante pes- quisa de mestrado, publicada no livro Adolescência, psicanálise e educação – o mestre "possível" de adolescentes. Segundo a autora, faz-se mister perguntar pela posição subjetiva do mestre possível de adolescentes. Para Freud (1905), a adolescência é um momento orgânico que gera um efeito psíquico – a mudança física gera um excesso de libido, cuja carga potencializa lembranças infantis e exige um posicionamento no campo da sexualidade. Uma das principais tarefas, na adolescência, seria o abandono dos pais, percebidos agora com seus defeitos e limites (trabalho de desligamento das figuras parentais). O adolescente percebe, nesta etapa de sua vida, que a promessa de gozo futuro realizada no Édipo e na Castração era um engodo. Falando de modo simples, ele percebe claramente que não há realização nem satisfação absolutas, tais quais ele vivenciou no começo de sua vida psíquica. Ele percebe também que o Outro é castrado; isto é, ele desconfia de qualquer discurso que se coloque como o verdadeiro, o "todo certo e poderoso".
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As influências da psicanálise na educação brasileira no início do século XX.

As influências da psicanálise na educação brasileira no início do século XX.

RESUMO – O presente artigo tem por objetivo discutir, a partir de um vértice histórico, a relação entre educação e psicanálise no Brasil. Partindo de um estudo qualitativo, fundamentado na análise bibliográfica relativa à produção psicanalítica dedicada à educação produzida no país nas primeiras décadas do século XX, são discutidas as contribuições da psicanálise na transformação das práticas educacionais. Os resultados indicam que a psicanálise esteve presente na educação de duas formas: inicialmente, pela divulgação de informações teóricas relativas aos conceitos psicanalíticos e às características do desenvolvimento emocional da criança, por intermédio de livros e cursos destinados a educadores, e, posteriormente, através da criação de uma prática de assistência ao escolar com problemas de aprendizagem ou comportamento, desenvolvida em clínicas de orientação infantil, que consistia na avaliação da criança e na orientação de pais e professores. Conclui-se que a psicanálise, enquanto fundamento teórico e prático, forneceu elementos que contribuíram para a sustentação dos pressupostos filosóficos da “Escola Nova”, que surgiu, a partir da década de 1920, como alternativa ao ensino tradicional.
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Os primeiros tempos da psicanálise no Brasil e as teses pansexualistas na educação.

Os primeiros tempos da psicanálise no Brasil e as teses pansexualistas na educação.

Mas nesse com eço dos anos 30, é finalm ente a Arthur Ram os que cabe apa- ziguar os ânim os e tentar tem perar o debate com os pedagogos por m eio da publicação, por sugestão de Afrânio Peixoto, do seu prim eiro livro sobre o tem a, intitulado Educação e psicanálise , em 1934. Partindo do princípio de que a Escola Nova e a psicanálise têm em com um o “ respeito à personalidade da criança”, e ao m esm o tem po considerando que “a repulsa em adm itir a sexuali- dade infantil está na sua interpretação do ponto de vista do adulto”, o autor procura desenvolver algum as das principais noções psicanalíticas passíveis de serem aplicadas à escola, com o objetivo de m odelar e adaptar a personalidade do alu n o ( RAMOS, 1 9 3 4 ) . Cabe lem brar qu e Ram os é discípu lo de Nin a Rodrigues, de quem tenta recuperar a im agem , com o fundador da psicopatologia no Brasil. Em breve, sua concepção da psicanálise vai se aproxim ar da vertente culturalista, pelo viés da antropologia e por influência do francês Roger Bastide. No entanto, para o m issionário Marcondes, trata-se de recentrar o dom ínio da psicanálise, buscando inscrevê-la agora no m eio m édico e psiquiátrico. Os sinais dessa m udança estratégica do discurso se verificam tanto nas suas entrevistas na im prensa quanto em suas intervenções na Associação Paulista de Medicina ( APM) . 19
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O estudo de casos múltiplos: estratégia de pesquisa em psicanálise e educação

O estudo de casos múltiplos: estratégia de pesquisa em psicanálise e educação

grandes desafios. O primeiro, a nosso ver, é em relação ao objeto da psicanálise, que é o inconsciente. Sem dúvida, um pesquisador guiado pela psicanálise necessariamente parte do paradigma do inconsciente. Esse ponto claro e incontestável, já que é uma premissa teórica, logo encontra dificuldades quando se pensa o campo estendido. Uma das razões pode ser assim traduzida: como pesquisar o inconsciente para além da clínica? Freud nos deixou claras matrizes de pesquisa clínica e apostou na relação entre psicanálise e educação, mas não avançou neste último campo. No contexto clínico, tratamento e pesquisa coincidem, e essa é uma máxima freudiana importante. No contexto educativo, muitas vezes, não podemos falar em tratamento propriamente dito, mas numa intervenção na realidade estudada. No contexto da clínica, a pesquisa é do inconsciente, e se faz a partir de suas formações, a saber: chiste, sintoma, sonho e ato falho (Freud, 1915/1996b). Ao ouvirmos os sujeitos na pesquisa e intervirmos, estamos partindo da premissa do inconsciente, mas não estamos necessariamente tendo suas formações como objeto específico de pesquisa. Ao efetuarmos, posteriormente, a análise do material, também não estaremos guiados predominantemente para as formações do inconsciente. A questão transferencial também é delicada, já que consideramos a transferência e a levamos em conta. No entanto muitas vezes ela não estará posta em todas as situações de pesquisa, sendo muito diferente sua participação na clínica.
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Psicologia, psicanálise e educação: contrastes culturais e acadêmicos entre Brasil e Angola

Psicologia, psicanálise e educação: contrastes culturais e acadêmicos entre Brasil e Angola

De posse dos dados, das temáticas e produções dos alunos do ISCED-UON e do extenso trabalho diagnóstico desenvolvido na sede daquele instituto, passamos coletiva- mente a conceber a materialidade e a implantação do LPPE. Consideramos o laboratório como lócus orgânico de todas as ações e iniciativas acadêmicas de Psicologia, Psicanálise e Educação endereçadas e inscritas nele. Mais do que um mero espaço físico, o LPPE deverá fundamentar a Linha de Pesquisa, reunir toda a produção na área e criar um sítio para onde se deve convergir o ensino, a pesquisa e a extensão realizados pelo instituto. Para além da pesquisa, como inicial- mente projetamos, percebemos a necessidade de fomentar os três pilares fundamentais que sustentam as atividades de uma universidade contemporânea, agora, a serem estendi- dos também à UON. Com a implantação do LPPE, e conhe- cendo melhor a realidade local, redimensionamos seus obje- tivos que passaram a ser os seguintes: (a) Contribuir para a delimitação e efetivação de uma Psicologia propriamente an- golana e africana; (b) Vetorizar as atividades do campo psi da UON aplicadas à educação; (c) Consubstanciar a formação em nível de graduação e de pós-graduação do ISCED; (d) Auxiliar no aprimoramento de métodos de ensino dos profes- sores atuais do Instituto; (e) Ampliar o espaço de trabalho do licenciado em Psicologia (Psicólogo Escolar e Educacional) na província de Cabinda; (f) Instituir uma revista indexada e congressos bienais em nível internacional; (g) Promover intercâmbios de discentes e de docentes do ISCED; e (h) Contrastar estudos de Angola com os de outros países em Psicologia, Psicanálise e Educação.
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Psicanálise e Educação: um tratamento possível para as queixas escolares.

Psicanálise e Educação: um tratamento possível para as queixas escolares.

RESUMO – Psicanálise e Educação: um tratamento possível para as quei- xas escolares. Este artigo apresenta uma reflexão teórica decorrente de um trabalho realizado com professores do ensino fundamental em uma esco- la pública. Foi utilizada, como metodologia de trabalho, a conversação de orientação psicanalítica, apoiada pela ética do desejo e da responsabiliza- ção. As conversações tiveram como tema central as dificuldades encontra- das pelos professores em suas práticas docentes. Os professores elegeram três principais impasses para a sua prática educativa: a família, a sexuali- dade e as políticas públicas. Com base na teoria dos discursos e na tríade temporal proposta por Lacan: o instante de ver, o tempo de compreender e o momento de concluir, o artigo apresenta uma reflexão sobre os efeitos da oferta da palavra aos professores na escola.
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Uma contribuição da Psicanálise à educação: o desenraizamento e o multiculturalismo

Uma contribuição da Psicanálise à educação: o desenraizamento e o multiculturalismo

Neste artigo o autor indaga sobre as contribuições que a Psicanálise após cem anos de existência, pode trazer à Educação. Delimitando o campo de discussão sobre o tema do multiculturalismo na educação, equipara-o ao tema do desenraizamento cultural, uma das preocupações atuais na psicanálise. Considera estes temas parte de um movimento de humanização e de retomada dos valores histórico-culturais, nas Ciências Humanas, diante do progresso tecnológico promovido na Modernidade. Questiona algumas direções tomadas pelo multiculturalismo no tratamento das diferenças culturais, apontando para a necessidade de um posicionamento ético do educador, pois o “o quê” e o ”como” ensinar dependem da visão de homem subjacente ao processo de ensino. Propõe uma abordagem crítica das diferenças e das tradições sócio-culturais de forma que a educação propicie condições de apropriação, pelo indivíduo, de suas determinações históricas e culturais. Deriva esta proposta tanto da educação crítica de Paulo Freire quanto de uma abordagem presente na psicanálise atual, em que a escuta clínica deve atentar para a suspensão de sentido própria do lugar
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Alteridade e adolescência: uma contribuição da psicanálise para a educação.

Alteridade e adolescência: uma contribuição da psicanálise para a educação.

A partir da formulação do Outro do inconsciente, podemos pen- sar na diferenciação elaborada por Lacan a partir do linguista Benve- niste, entre sujeito da enunciação e sujeito do enunciado. O primeiro é desconhecido pelo segundo. O sujeito da enunciação é recalcado e in- consciente, enquanto o sujeito do enunciado corresponde ao discurso manifesto. A Psicanálise visa o sujeito da enunciação a partir do sujei- to do enunciado, evidenciando todos os semblantes, mal-entendidos, lapsos, esquecimentos que podem resultar do interjogo entre esses dois sujeitos. A divisão do sujeito que divorcia o enunciado da enunciação é causa de mal-estar. Portanto, é preciso que os educadores considerem o adolescente para além de seus ditos, lembrando que os enunciados não são suficientes para concluir, principalmente quando se constata que a adolescência é marcada por um mal-estar resultante do registro da falta, do desencontro e da desilusão. Da falta, porque na adolescên- cia há o reconhecimento da castração e do desamparo fundamental. Do desencontro, pelo fato do adolescente constatar que o objeto sexual não propicia a satisfação completa. Da desilusão, por se deparar com a impossibilidade da completude e com a queda dos pais daquele lu- gar de onipotência e onisciência. Esse lugar imaginarizado dos pais, em alguns casos, pode vir a ser ocupado pelos mestres, como recurso do adolescente para ainda tentar permanecer na alienação.
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O “outro” da filosofia da educação de adorno: a psicanálise

O “outro” da filosofia da educação de adorno: a psicanálise

Esta concepção aparece implicitamente na Dialética do Esclarecimento, mais especificamente no capítulo “Excurso I: Ulisses e o esclarecimento”, quando o Filósofo nos apresenta sua interpretação da Psicanálise, relatando como acontecera o processo do programa da civilização ocidental, exemplificando as lendárias viagens e as práticas de abnegação de Ulisses. Nesse capítulo, Adorno busca fundamentar sua “teoria psicanalista”, fazendo uma análise comparativa entre a Odisseia, de Homero, e a relação intrínseca da internalização de Nietzsche e Freud. Seguindo os passos de Joel Whitebook, sobretudo de sua interpretação sobre a Dialética do Esclarecimento, Ulisses (o grande ícone da epopeia grega), por meio de sua astúcia e de seu sacrifício para os deuses, chega a um novo prisma para a razão mitológica, quer dizer, para o ordenamento de uma concepção de igual valor (teoria da equivalência do capital), representando, assim, o aparecimento de um processo de encantamento com uma troca racionalizada (WHITEBOOK, 2008).
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Psicanálise e Educação: um olhar sobre o fenômeno do bullying

Psicanálise e Educação: um olhar sobre o fenômeno do bullying

O tempo atual ou o “nosso tempo” é um tempo histórico diferente de todos os outros, em função dos avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas décadas. É importante perceber que os avanços tecno-científicos se fazem sentir no bojo de uma reviravolta silenciosa, empreendida pelo sistema capitalista, no contexto da globalização da economia. Esse contexto favorece a emergência de novos sintomas sociais. Novos sintomas, não no sentido de que em outros tempos estes não se dessem, mas sim no sentido de sua significação. Esses novos sintomas são conhecidos como bulimia, anorexia e os demais transtornos alimentares, o uso metódico de drogas, os crimes inusitados e a depressão. Tais sintomas sempre existiram, na história da humanidade. Mas sua manifestação na contemporaneidade adquire uma especificidade que está relacionada justamente com o desenvolvimento científico e tecnológico e as transformações do tempo (caracterizadas pela pressa e pela criação de novos mercados de gozo para os sujeitos). Na contemporaneidade há uma massificação dos padrões de comportamento e de apresentação estética dos sujeitos. Essa massificação se pauta no discurso politicamente correto do “para todos”, que exclui a possibilidade da manifestação do singular, que é próprio do sujeito. Esse “para todos” está representado pelos discursos sociais, que remetem aos mercados de gozo, que o sujeito acessa conforme sua própria demanda por saúde, educação, alimentação saudável, moradia, objetos da moda, estética, drogas para se sentirem mais felizes e para afastar o sofrimento e a dor, o medo, enfim, a angústia.
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Educação, psicanálise e literatura: distanciamento do texto literário no ensino fundamental

Educação, psicanálise e literatura: distanciamento do texto literário no ensino fundamental

Como por exemplo: um espaço permanente poderá ser feito, criando um cantinho aconchegante e mágico, que possa envolvê-los, como um cantinho da minha sala que fica o baú do tesouro. Uma mesa decorada com panos transparentes, correntes douradas, moedas, tudo que possa ter num baú de tesouro do mundo da fantasia; em cima dela um baú de madeira com livros, que renovo toda semana. Quando eles terminam as atividades vão até o baú, escolhem um livro e literalmente brincam com ele, manuseiam os livros sem a obrigação de ler, até leem algumas partes, e às vezes se interessam e o leem inteiro. Algumas vezes de dentro do baú “saem” doces, pois em algumas contações de história o coloco no centro da sala, e além do tesouro costumeiro coloco chocolates que comerão ao final da atividade. Nesta mesa fica também um castiçal, com uma vela porque sempre na hora de contar histórias, nós arrastamos as carteiras da sala, emprestamos os colchonetes das aulas de educação física para eles se acomodarem como quiserem, formamos um círculo e acendemos as velas no centro. Apagamos as luzes e nos remetemos aos povos antigos que contavam histórias ao redor do fogo, é uma aventura, as crianças adoram. Fazemos isso uma vez por semana, e mesmo assim meus alunos ficam deslumbrados todas às vezes. Além das velas, algumas vezes acendemos incenso e colocamos música clássica bem baixinha. É o cenário perfeito para entrarmos no mundo da imaginação. Para esta atividade ficar ainda mais prazerosa confeccionamos com retângulos de TNT tapetes mágicos, toda vez que iríamos contar histórias eles queriam usá- los. Os tapetes foram decorados das mais variadas formas, com tinta, com brocado, glitter, entreguei diversos materiais para que criassem o que e como quisessem.
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A dinâmica das pulsões na escola: um diálogo entre psicanálise e educação

A dinâmica das pulsões na escola: um diálogo entre psicanálise e educação

Sem dúvida, o estudo do assunto nos impele a rever o significado de alguns conceitos ao longo do tempo, explorando como eles vêm sendo utilizados no âmbito da Filosofia e da Psicanálise – não nos esquecendo, é claro, das reflexões filosóficas inerentes aos escritos freudianos. Tal revisão tem por intuito minimizar possíveis mal entendidos acerca dos significados presentes em cada conceito, o que ao longo da tese possibilitará ao leitor um entendimento mais claro sobre a linha de raciocínio aqui esboçada. Filosofia e Psicanálise buscam a compreensão e o entendimento de diversos fenômenos que se relacionam, de maneira mais ou menos direta, com as características da condição humana. Vale dizer que ao longo de seus escritos, Freud ocupou- se de temas e reflexões de natureza filosófica (GAY, 2010) e, além disso, suas descobertas na prática clínica também acabaram por influenciar diversas áreas do conhecimento, das artes e também da Filosofia. A título de ilustração, o termo pulsão só aparece no campo filosófico na França por volta do ano de 1625, porém, ganha representatividade na Psicanálise após a publicação dos escritos freudianos em 1905 (ABBAGNANO, 2012).
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Educação, psicanálise e sociedade: possibilidades de uma relação crítica.

Educação, psicanálise e sociedade: possibilidades de uma relação crítica.

Como o pro fes sor pode efe ti va men te ava li ar o alu no, de for ma mais hu ma na e jus ta, se não é pos sí vel para ele se dar con ta das con tra di ções ine ren tes a ele pró prio[r]

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