Representação política de mulheres

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Desafios à representação política de mulheres na Câmara dos Deputados

Desafios à representação política de mulheres na Câmara dos Deputados

Resumo: Este artigo discute os desafios à representação política de mulheres na Câmara dos Deputados. Argumento que à demanda pela eleição de mais mulheres deve ser agregada a discussão sobre as regras e procedimentos que regulam sua atuação, uma vez que essas podem limitá-la ou torná-la mais efetiva do ponto de vista da representação de mulheres. Avaliando a distribuição de recursos legislativos (vagas em comissões legislativas e presidências de comissões e da Mesa Diretora) entre legisladoras e legisladores, pode-se constatar que essa ocorre de forma desigual. Apesar disso, destaca-se positivamente a criação da Secretaria da Mulher, instância que pode potencializar a atuação das legisladoras, mitigando os efeitos decorrentes dessas constituírem uma “pequena minoria”. Por fim, argumento que o desafio de eleger mais mulheres deve se articular à necessidade de garantir que às mulheres já eleitas sejam assegurados recursos que potencializem mudanças que garantam maior presença de mulheres nos espaços de poder e decisão.
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Representação política das mulheres na Guiné-Bissau

Representação política das mulheres na Guiné-Bissau

Complementarmente, foram recolhidos dados para análise qualitativa, nomeadamente documentos e revistas. A análise documental foi utilizada com o objetivo de trazer para este estudo um conjunto de informações pertinentes para o enquadramento e a análise da evolução da representação política das mulheres na Guiné-Bissau. Foram também recolhidos e analisados documentos que permitissem uma maior compreensão da luta pela emancipação das mulheres e a sua representação da esfera política. Assim, nesta dissertação, para além de artigos publicados e obras especializadas, foram analisados relatórios e revistas de partidos políticos, de organizações de mulheres e de instituições internacionais (ONU; União Europeia; Institutos Camões; etc.), bem como boletins oficiais e a Constituição da República da Guiné Bissau. Foi feita uma pesquisa de campo na Guiné-Bissau, que decorreu entre Março e Junho de 2018, na qual foram realizadas um total de 20 entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistados/as homens e mulheres que estiveram envolvidos/as na luta de libertação nacional, de modo a recolher informação sobre a mobilização, participação e organização das mulheres num contexto liderado pelos homens e sobre a luta das mulheres pela sua emancipação durante e após o período revolucionário. Foram realizadas entrevistas com relevantes atores políticos e figuras da sociedade civil, como líderes e membros dos principais partidos representados na ANP, deputados/as, ministros/as, e, membros de associações e organizações de mulheres da sociedade civil, de modo a entender a sua perceção sobre a presença das mulheres na esfera política e sobre os fatores que influenciam a entrada das mulheres na esfera de tomada de decisão. Foram, ainda realizados questionários de questões abertas a deputadas eleitas nas eleições legislativas de 2014. A lista de entrevistados encontra-se na página 72.
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Partidos políticos e gênero: mediações nas rotas de ingresso das mulheres na representação política.

Partidos políticos e gênero: mediações nas rotas de ingresso das mulheres na representação política.

Em seu robusto estudo comparativo sobre a organização partidária, Katz e Mair (1992, p. 1) afirmam que os partidos importam e “permane- cem como a forma básica, representativa e legíti- ma de ligação entre cidadãos e o Estado”. Cami- nhando em sentido oposto a boa parte dos estu- dos recentes, que destacam o esgotamento des- sas agremiações como veículo de organização coletiva e canal de viabilização da representação política, os autores afirmam que os partidos con- tinuam a ser o principal meio por meio do qual a população pode cobrar de seus governantes suas responsabilidades e seus desempenhos nos car- gos. Afirmam, também, que não há evidências empíricas de que a era dos partidos tenha passa- do e concluem que essas organizações permane- cem centrais para as concepções modernas de processo democrático. Entretanto, reconhecem que há aspectos centrais que podem indicar o grau em que os partidos conseguem organizar-se para responder aos conflitos sociais, comprometer-se com demandas e incluir novas configurações so- ciais geradas pela sociedade. Além disso, enume- ram uma série de fatores relevantes que dão mar- gem às críticas dirigidas aos partidos. Entre esses fatores, os autores incluem a organização, as po- líticas e a presença de mulheres em suas direções internas e em seus cargos legislativos (idem). Os dados da pesquisa, que cobriu até o ano de 1990, mostraram que, na época, a maior parte das orga- nizações não possuía políticas muito claras de organização de mulheres, mas entre as que pos- suíam podia ser identificado um perfil ideológico mais à esquerda e/ou partidos menos tradicionais. Já as informações mais recentes (IPU, 2000; DALRHUP, 2003; NORRIS, 2003) sugerem uma alteração positiva nesse quadro. Ou seja, muitos partidos têm explicitado em seus programas com- promissos com a igualdade e têm também criado políticas de ação afirmativa e políticas de cotas para seus cargos internos e externos.
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A representação política das mulheres nos orgãos de poder : uma evolução para a democracia paritária?

A representação política das mulheres nos orgãos de poder : uma evolução para a democracia paritária?

395 No sistema de quotas fixado pelos partidos políticos, encontramos 12 países do continente americano (Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai, Uruguai) e 23 da Europa (Áustria, Croácia, Chipre, República Checa, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Noruega, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido. Disponível em: < http://www.quotaproject.org/maps.cfm >, acedido em 06 Nov. de 2017. 396 Logo: «Presentemente, almeja-se mais do que isso. Pretende-se uma repartição equilibrada (ou menos desequilibrada) dos lugares de decisão política; pretende-se afastar as causas do contraste entre os direitos de plena participação constitucional e legalmente conferidos e a realidade (salvo em pouquíssimos casos) de uma presença muito minoritária no Parlamento e em todos os órgãos de poder; e, ao mesmo tempo, não falta quem sublinhe que o sexo é um elemento essencial da vida humana. (…) No entanto, isso não impede que se considerem medidas, directas ou indirectas, tendentes a aproximar a composição dos órgãos representativos da composição real da comunidade, de tal sorte que a soberania do povo – una e indivisível (art. 3. o da Constituição) se traduza em cidadania assumida em plenitude por todos os seus membros» (Miranda, 2006: 423-424).
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A representação política das mulheres nos Conselhos Gestores de Políticas Públicas.

A representação política das mulheres nos Conselhos Gestores de Políticas Públicas.

de Saúde (CMS), 66,7%. Nos Conselhos Municipais de Direito da Criança e Adolescente (CMDCA), as mulheres ocupam 78,6% das cadeiras e, nos Conse- lhos Municipais do Idoso (CMI), 71,4%. No caso do município de Concórdia, a prevalência feminina é verificada no CMDCA por 71,4%, e no CMAS por 61,9%. No CMS, a participação masculina se sobre- põe, estando as mulheres, com 43,7% das representa- ções. Mesmo assim, os dados comprovam uma proporcionalidade maior da presença feminina nessas instâncias quando comparadas às instâncias tradicio- nais de representação. O diferencial quanto à representatividade feminina chama a atenção, sobre- tudo, porque se percebe que, nos Conselhos Gestores, a elitização da representação se mantém em relação à escolaridade e à renda, como demostram os dados da tabela 1. Assim, embora existam variações, os dados apontam para a subrepresentação de alguns segmen- tos que tradicionalmente têm sido alvos do discurso da democracia participativa, ancorado no princípio da in- clusão dos setores mais pobres da população 5 .
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A REPRESENTAÇÃO POLÍTICA DAS MULHERES NA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE DE 1988: LUTAS, VITÓRIAS E DERROTAS

A REPRESENTAÇÃO POLÍTICA DAS MULHERES NA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE DE 1988: LUTAS, VITÓRIAS E DERROTAS

Resposta 16 – “É eu diria assim, que hoje na idade em que eu estou, eu tenho 73 anos, e eu fico muito feliz assim de eu ter dispensado uma boa parte da minha vida, de uma maneira meio caótica, anárquica, porque eu sou mãe de quatro filhos, eu trabalhava, eu tinha os filhos, e eram as três coisas no mesmo plano, era o trabalho, a criação dos filhos e o movimento feminista, não me pergunta como que eu não sei como responder, mas eu sou assim muito orgulhosa no sentido de ter permitido, me permitido, eu fico até emocionada quando penso nisso, me permitido a admitir essa consciência, deixar isso fluir dentro de mim e fazer o que eu pude né, o que eu pude, nos meus limites, para que isso não ficasse sendo só uma consciência individual, entendeu? Porque hoje você vê muito assim “eu sou feminista”, é feminista mas não faz nada por isso, não tem nem, digamos assim, nenhum engajamento, porque o engajamento é trabalhoso, eu queria concluir dizendo isso, o engajamento é trabalhoso, porque supõe você ter que se dividir se você tem filho, por exemplo, se dividir entre família e trabalho, porque hoje em dia todo mundo trabalha demais, muitas horas a mais do que se trabalhava, eu acho, naquela época. As exigências profissionais hoje são muito grandes, mas eu não me arrependo. Pelo contrario. Eu me orgulho de ter conseguido navegar nessa confusão toda, e estar aqui hoje ainda falando disso, trabalhei recentemente com isso fazendo política pública, tentando fazer política pública e, enfim, eu acho que vale a pena tentar, entendeu? O feminismo afinal de contas não é mais que um modo de viver e ser mulher de uma maneira prazerosa, de uma maneira mais inteira, não é nada do que dizem que é contra o homem, que é contra... não é contra nada, feminismo é uma luta a favor de nós mesmas, da nossa independência, da nossa liberdade de se expressar, e sobretudo de segurar essa independência na unha né, o conselho que eu dou para uma menina nova como você, é o seguinte: nunca deixe de ter independência econômica é tudo, não é tudo melhor dizendo, não é tudo, mas é uma boa parte, digamos assim, do empoderamento feminino, não é tudo porque as vezes você pode ter dinheiro ou se realizar muito no trabalho e de repente se embotar por alguma razão, a gente sempre tem um “embotamentozinho” né... mas vale a pena, vale a pena investir no feminismo.
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Representação política no Brasil : uma análise do perfil das mulheres eleitas à Câmara dos Deputados (1986-2011)

Representação política no Brasil : uma análise do perfil das mulheres eleitas à Câmara dos Deputados (1986-2011)

Segundo SCHMITT (2000), ao fazer um levantamento sobre a história dos partidos políticos no Brasil, esta teoria é baseada na teoria de que quanto mais representatividade um partido obtém nas eleições, maior é o seu tamanho, sendo assim, teríamos no decorrer de todo período pós-redemocratização, tomando como parâmetro somente o nível nacional, sete partidos considerados maiores e que nitidamente se destacam dos demais. São eles: PMDB, PFL / DEM, PSDB, PPB / PP, PT, PDT e PTB. Na Câmara dos Deputados, eles ocuparam cerca de 90% das cadeiras disponíveis. A lista de pequenos partidos é mais extensa e corresponde aos outros que não obtiveram grande representação na Câmara dos Deputados.
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A baixa representação política das mulheres e as cotas para parlamentares

A baixa representação política das mulheres e as cotas para parlamentares

[...] Eu sou contra a lista fechada. Embora no passado tenha defendido, eu estou percebendo, pelas informações que a gente tem, de países onde a lista fechada existe, demonstra que você cria um certo clientelismo interno dentro dos partidos. Por exemplo, a máquina partidária, a burocracia partidária passa a mandar na composição das listas, e as listas são formadas de acordo com os interesses dentro do próprio partido. Por exemplo, eu que fui a deputada mais votada do PT do Distrito Federal, e que sou uma deputada que, em diversos momentos, contrario a vontade do Executivo. Será que eu estarei no topo da lista, se a lista for fechada, ou será que será alguém que o partido quer colocar, ao invés do meu nome? Portanto, a lista fechada, ela prevê que as pessoas que comporão a lista serão aquelas pessoas que estão muito bem dentro do partido, e isso eu acho que prejudica a todos e prejudica muito mais às mulheres, porque as mulheres hoje têm dificuldade na composição da lista. (TV CÂMARA – Programa MULHERES NO PARLAMENTO, 05/08/2004)
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Associativismo e representação política feminina no Brasil.

Associativismo e representação política feminina no Brasil.

de envolvimento nas duas primeiras legislaturas e uma queda de 10 pontos na terceira. Os coeicientes de associação se mantêm estavelmente positivos e fortes. As organizações de mulheres aparecem, na sequência, com 40% na primeira legislatura, queda acentuada para 20% na segunda e recuperação de 13 pontos na atual. As associações reletem essa queda, indo de 0,26 nesse momento de queda a 0,70 na legislatura que vai de 2003 a 2007. As organiza- ções proissionais e de direitos humanos apresentam resultados semelhantes, começando com consideráveis 40% na primeira legislatura e caindo para 20 e 16 pontos nas duas seguintes. Por im, as associações comunitárias são as que menos contam com o envolvimento das deputadas desse partido. Em 2003-2007 e 2007-2011 eram 20% as participantes e na legislatura atual 16,7%. O PSB conta com deputadas com peril fracamente associativo, porém é possível veriicar a ocorrência de envolvimento em distintas modalidades. Os sindicatos novamente aparecem como a forma mais recorrente, atingindo 40% na primeira legislatura e caindo para 33% nos dois períodos posteriores. A segunda modalidade entre essas deputadas são as organizações prois- sionais que contam com o envolvimento de 20% entre 2003 e 2007. Com trajetória semelhante à identiicada no caso dos sindicatos, aqui também ocorre queda para 16,7 nos dois momentos seguintes. O mesmo ocorre com as associações comunitárias. Queda ainda mais forte se veriica no caso das entidades estudantis, que atingem 0 na atual legislatura depois de contarem com 20% de envolvimento na primeira. Por im, as organizações de direitos humanos registram envolvimento mínimo apenas na última legislatura e as entidades de mulheres não contam com qualquer envolvimento ao longo do tempo coberto por essa pesquisa. Em termos gerais, pode-se airmar que entre as deputadas desse último partido a intensidade do associativismo tem sido reduzida ao longo do período analisado.
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Representação política: um diálogo entre a prática e a teoria.

Representação política: um diálogo entre a prática e a teoria.

vam abertamente como católicos, pautando seus argumentos justamente nesta identidade religiosa. O problema da representatividade, no caso prático do debate sobre a instituição do divórcio no Brasil, está no fato de que ela estava isolada, não era parte do sistema. Isso significa que ape- nas um determinado grupo estava representado, havendo a exclusão dos demais, o que, sob certo ponto de vista, esvaziava o ideal de representação política. É bastante provável que outros parlamen- tares também discutissem e votassem de acordo com interesses seus (ou de grupos dos quais fazi- am parte). Seria o caso, por exemplo, de todos aqueles que, defendendo a instituição do divórcio no país, alegando que os casais infelizes no casa- mento dela necessitavam para resolver sua situa- ção familiar, desejassem regularizar a sua própria situação de concubinato ou de desquite por meio do divórcio. Todavia, o que a análise do debate evidencia é que vários grupos não estavam repre- sentados, como era o caso das mulheres, dos não católicos, dos desquitados, dos comunistas ou socialistas, dentre outros, o que, certamente, con- tribuiu para que a proposta de introdução do di- vórcio na legislação brasileira tenha tido uma tramitação longa e demorada.
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Representação política, identidade e minorias.

Representação política, identidade e minorias.

Darei฀ um฀ outro฀ exemplo฀ pra฀ ilustrar฀ a฀ expressão฀ da฀ perspectiva.฀Em฀1992,฀o฀senador฀norte-americano฀Robert฀ Packwood฀foi฀acusado฀de฀assédio฀sexual฀por฀várias฀de฀suas฀ assessoras.฀Quando฀as฀acusações฀vieram฀à฀tona,฀muitos฀sena- dores฀se฀mostraram฀relutantes฀em฀realizar฀audiências฀com฀ as฀partes฀envolvidas.฀Packwood฀tinha฀uma฀eminente฀folha฀ de฀ serviço฀ no฀ Senado,฀ e฀ muitos฀ de฀ seus฀ colegas฀ assumi- ram฀a฀atitude฀de฀que฀aquelas฀acusações฀escandalosas฀não฀ mereciam฀que฀se฀formasse฀uma฀comissão฀parlamentar฀para฀ apurar฀o฀caso.฀Diante฀disso,฀senadoras฀e฀também฀deputa- das฀convocaram฀uma฀conferência฀com฀a฀imprensa฀para฀exi- gir฀que฀o฀Senado฀apurasse฀as฀acusações฀contra฀Packwood฀ e฀eventualmente฀aplicasse฀as฀sanções฀éticas฀cabíveis.฀Essas฀ mulheres฀ tinham฀ muitos฀ interesses฀ divergentes,฀ não฀ cul- tivavam฀os฀mesmos฀valores฀políticos฀e฀não฀confluíam฀em฀ suas฀ opiniões฀ acerca฀ da฀ culpabilidade฀ de฀ Packwood.฀ Seu฀ propósito฀era฀influenciar฀a฀agenda฀do฀Senado฀e,฀ao฀fazê-lo,฀ expressaram฀uma฀mesma฀perspectiva฀sobre฀a฀importância฀e฀ a฀gravidade฀das฀acusações฀de฀assédio฀sexual,฀uma฀perspecti- va฀que฀muitos฀de฀seus฀colegas฀do฀sexo฀oposto฀pareciam฀não฀ compreender,฀pelo฀menos฀de฀início.
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Representação política, representação de grupos e política de cotas: perspectivas e contendas feministas.

Representação política, representação de grupos e política de cotas: perspectivas e contendas feministas.

interesses do seu grupo é acusada de ser essencializante, na medida em que grupos sociais de composição plural seriam assim tomados como categorias homogêneas. Os membros daqueles que são externamente definidos como grupos sociais discriminados ou explorados têm vivências, valores e interesses diversos, os quais são constantemente alterados tanto pelas suas experiências de vidas quanto por suas ações particulares e coletivas. As mulheres, por exemplo, são de diferentes classes sociais, raças, etnias, idades, nacionalidades, religiões etc., e, portanto, possuem múltiplas experiências, interesses, identidades, valores e interpretações distintas sobre esses. Assim, o argumento é de que não há nada que garanta que pessoas com traços físicos e experiências pessoais semelhantes tenham visões similares sobre seus interesses ou se reconheçam como portadoras de identidades comuns. Mesmo em situação de relativa identidade entre representantes e representados, a representação de interesses seria impossibilitada pela ausência de interesses objetivos. Dentro dessa interpretação, a demanda pela inclusão de grupos em processos políticos democráticos com base no argumento da representatividade também não faria sentido.
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A representação política dos estados na federação brasileira.

A representação política dos estados na federação brasileira.

Mas dois são os pontos principais de vulnera- bilidade de tais argumentos. O primeiro, já expos- to anteriormente, diz respeito a quem é sub ou sobre representado. Como vimos, no período de- mocrático mais recente a sobre-representação diz respeito sobretudo à região Norte e a sub-repre- sentação a um estado da região Sudeste: São Pau- lo. O segundo remete à contraposição entre a mo- dernidade das forças políticas do Sul e do Sudeste e o arcaísmo das forças políticas das regiões Nor- te, Nordeste e Centro-Oeste. Essa postura para ser verdadeira teria que demonstrar, pelo menos, três coisas: a) que há dois “perfis” de representação na Câmara dos Deputados, um correspondendo ao Norte, ao Nordeste e ao Centro-Oeste e outro correspondendo ao Sudeste e ao Sul; b) que es- ses “perfis” derivam de características sociais, eco- nômicas e/ou políticas dessas regiões e corres- pondem a posições e comportamentos distintos (inclusive nas votações) na Câmara dos Deputa- dos; e, por fim c) que essas posições podem ser classificadas em “avançadas” e “retrógradas”.
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Dinâmica de representação familiar em mulheres homossexuais

Dinâmica de representação familiar em mulheres homossexuais

Sandra: […] com a minha mãe foi assim um bocadinho...pouco pacífica, digamos […] porque eu acho que ela...a relação entre ela e o meu padrasto também não é... - aliás, neste momento, é péssima - mas na altura em que eu era criança, eu acho que fui sempre um bocado crítica em relação àquela relação, digamos assim, porque não achava muito... saudável, digamos assim. Eu acho que o meu padrasto sempre tratou a minha mãe como se ela fosse uma criança...e...como eu achava um bocado mal ela aceitar esse tipo de tratamento - portanto, a minha mãe é daquelas mulheres que não trabalhava […] portanto, houve sempre assim um certo conflito. E depois a minha mãe fisicamente é muito diferente de mim e é muito…como é que eu hei-de dizer isto?...sem entrar muito em estereótipos...a minha mãe é aquela pessoa que se levanta, e que demora uma hora para saír de casa, porque tem que conjugar a roupa interior com a exterior, tem que conjugar os sapatos com a carteira, tem que maquilhar, tem que ver se o cabelo está...e sempre foi assim, sempre a conheci assim, que é exactamente diametralmente oposta a mim, que acordava 5 minutos antes de saír de casa...lavava a cara e estava a andar...que ainda hoje sou mais ou menos assim...e isso […] sobretudo na adolescência […] era muito conflituoso, porque ela por um lado, tentou, na medida do possível, fazer de mim a menina que ela queria ou que ela sonhava e que eu não era […] E por outro lado, havia assim aquela...eu acho que a certa altura...também havia ali assim um certo tipo de competição, não, não era competição, da minha parte não era bem competição, era um pouco eu saber que a minha mãe é que era bonita, é que era vistosa, e que eu era uma espécie de patinho feio que ninguém queria, ninguém ligava...e sobretudo eu acho que...hoje - mas isso já estou eu a analisar um bocado - que...talvez eu não me sentisse muito valorizada, porque a minha mãe não valorizava aquilo que para mim era importante, que era, sempre fui muito boa aluna ...gostava muito de ler...era extremamente...eu acho...aliás eu hoje até acho que até era demais...era extremamente competente em termos de...cuidar da casa, fazer refeições, tratava do meu irmão, essas coisas assim.
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Representação política e acesso aos recursos federais

Representação política e acesso aos recursos federais

O trabalho focaliza as relações, práticas e interesses articulados em torno da atuação efetiva de parlamentares do Congresso brasileiro, orientada para a obtenção de recursos federais para suas bases eleitorais. A análise é construída a partir da participação de depu- tados e senadores no processo de elaboração e execução do orçamento da União. Procura descrever e analisar esta forma de atuação no contexto das relações de dependência recípro- ca, mas assimétrica, que vinculam parlamentares, prefeitos, autoridades governamentais e agentes privados. Argumenta que essa conduta dos parlamentares está relacionada a uma certa concepção específica a respeito da representação parlamentar. Mostra como a refe- rência às bases está presente em diferentes planos de ação social e é associada a um conjunto de ações cotidianas concebidas como legítimas, mas também ações tidas como ilícitas. O trabalho propõe que o cálculo eleitoral é uma dimensão do fenômeno investigado, assim como a busca de prestígio, o atendimento de expectativas e o cumprimento de obrigações sociais relacionadas ao desempenho parlamentar.
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Políticos, representação política e recursos públicos.

Políticos, representação política e recursos públicos.

Na análise apresentada a seguir, argumento que: 1) A atuação dos parlamentares e prefeitos orientada para a obtenção de recursos federais inscreve-se num sistema complexo de relações de dependências mútuas e assimétricas, constituído, entre outros, por autoridades municipais, federais e agentes privados. A extensão e a força destas relações e das concepções que acionam decorrem, em grande medida, dos distintos interesses que mobilizam; 2) essa forma de atuação dos políticos remete a uma concepção específica da representação política que se afasta das formulações mais clássicas dos filósofos políticos liberais. Ademais, o fato desta atuação estar associada a uma concepção da política partilhada pelos próprios políticos coloca limites para que a mesma seja descrita segundo o modelo clássico do clientelismo; 3) a transferência de recursos federais para os governos municipais e os casos de corrupção que envolvem permitem perceber como o entendimento de certos fenômenos políticos exige a aná- lise de relações e concepções presentes simultaneamente em diferentes espaços de autoridade política (como o municipal e o nacional).
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Política de interesses, política do desvelo: representação e "singularidade feminina".

Política de interesses, política do desvelo: representação e "singularidade feminina".

O projeto ético e político-pedagógico de Rousseau está centrado na recu- peração das qualidades naturais do homem, que a sociedade corrompeu. No entanto, se ele não aceita que o homem moldado pelas sociedades existentes seja apresentado como representativo da “essência” natural do homem (e nisso antecipa a crítica que Marx fará aos pensadores utilitaristas), vê a mulher como sendo naturalmente aquilo que a sociedade de sua época fazia dela. Em parte devido à influência de sua obra, os revolucionários franceses de 1789 não tiveram problemas para excluir as mulheres da cidadania. Com exceção de Condorcet, de uns poucos nomes de menor expressão e de uma figura marginal como Olympe de Gouges, havia um consenso geral quanto à posição subordinada da mulher. Mais ainda, os principais líderes revolucionários nem sequer tocavam no assunto, indicando que a cidadania feminina estava mesmo fora de cogitação. 9
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Determinantes da representação das mulheres nos conselhos de administração

Determinantes da representação das mulheres nos conselhos de administração

pouco representativa. De acordo com os dados mais recentes do European Institute for Gender Equality (EIGE) a presença média das mulheres nos CA das empresas cotadas em bolsa dos 28 países da EU é de 27.8% (EIGE, 2019a), gráfico disponível no Anexo 1. Apesar do número ainda estar longe do limiar de paridade de 40% proposto pela implementação de quotas (Comissão Europeia, 2012a), a representação das mulheres nos CA tem vindo a aumentar, tendo-se registado um incremento, em Abril de 2019, de 6.6 pontos percentuais, face a Abril de 2015 (EIGE, 2015a), dados presentes no Anexo 2. O objetivo proposto, através da criação de quotas, de 40% como percentagem mínima para ambos os sexos foi fixada neste valor por se encontrar entre o mínimo de 33.3% considerado como essencial para ter um impacto sustentável no desempenho dos CA e a plena paridade entre os sexos, 50% (Comissão Europeia, 2012b). No caso de Portugal, em particular, a evolução do número total de mulheres em CA também tem registado progressos. Segundo os últimos dados do EIGE, de Abril de 2019, a percentagem média de mulheres no PSI-20 é de 24,8% (EIGE, 2019a). Apesar da representação das mulheres no CA em Portugal ser inferior à da média europeia, os progressos têm sido notáveis, principalmente quando comparados com os tímidos 3.7% em 2009 (EIGE, 2009) (informação disponível no Anexo 3).
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Representação Política Moderna e Brasileira

Representação Política Moderna e Brasileira

Sobre o conceito de representação política há uma extensa literatura que ofe- rece muitas definições diferentes, ou seja, o conceito de representação política tem di- mensões múltiplas e concorrentes. Não é nosso objetivo, aqui, apresentar uma exposição exaustiva sobre este conceito, mas apenas enunciar dentre as muitas posições, o que em nosso entender fundamenta nossa pesquisa. O conceito de representação política, em quase todas as considerações, contém quatro componentes: “1. Alguma parte que está representando (o representante, uma organização, movimento, agência estatal, etc.); 2. Alguma parte que está sendo representada (os eleitores, os clientes, etc.); 3. Algo que está sendo representado (opiniões, perspectivas, interesses, discursos, etc.); e 4. A confi- guração dentro do qual a atividade de representação está ocorrendo (o contexto polí- tico)” (Dovi, 2014). Este conceito de representação política serve como um referencial para nossa pesquisa, pois entendemos que ele é suficiente para compreender o fenômeno que estamos analisando, ou seja, a representação política moderna e brasileira.
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O PARADOXO DO CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

O PARADOXO DO CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

No artigo de 1989, Pitkin desdobra a discussão etimológica, inspirada em Wittgenstein e também já exposta no apêndice de seu livro (capítulo intitulado “On ethmology”), detalhando um pouco mais o histórico sobre o significado do conceito, partindo inicialmente do sentido tomado de empréstimo ao latim, língua em que representare indica ‘tornar presente ou manifesto’, ‘apresentar novamente’, ou ‘trazer à presença’ (Pitkin, 2006: 3). O termo ganha força política no contexto da fórmula liberal inglesa, com a acepção hobbesiana que lhe empresta a noção de autorização. Como ressalta a autora, a discussão do conceito desenvolve-se pelos séculos XVIII e XIX, através de prolongadas lutas políticas e institucionais. [...] o sufrágio, a divisão em distritos e a proporcionalidade, os partidos políticos e os interesses e políticas, a relação entre as funções legislativas e executivas e as instituições legislativas e executivas. Essas lutas políticas precipitaram um corpo considerável de literatura, sistematizada de tempos em tempos, enriquecida e redirecionada pela teoria política. (Pitkin, 2006: 16).
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