Saber Sensível

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CORPO, EDUCAÇÃO E SABER SENSÍVEL

CORPO, EDUCAÇÃO E SABER SENSÍVEL

Conforme já comentamos, a crise se intensifica pelo distanciamento cada vez maior entre o saber sensível e o inteligível. No sistema educacional, essa separação fica bastante evidente pela proliferação de cursos técnicos e cursos básicos de preparação para o mercado de trabalho. Eles são basicamente instrumentais e têm como objetivo um conhecimento simplificado, para ser rapidamente utilizado em empresas, como a prestação de serviços, cargos de ajudante de setores de automação, mecânica e outras funções que se enquadram perfeitamente no processo moderno de industrialização. Portanto a educação deve ser instrumental, oferecer os instrumentos intelectuais, para que as pessoas trabalhem e, consequentemente, produzam. Devem saber ler, escrever e, principalmente, ser hábeis na matemática. A educação praticada em muitas escolas atualmente se condiciona a isso. Muitas delas já começam esse processo na Educação Infantil. Essa prioridade no conhecimento inteligível e racional distancia as pessoas da amplitude, da profundidade e da complexidade do mundo. A razão humana deve se alargar, deve abranger mais e melhor. Não deve ficar apenas na instrumentalidade, mas abrir-se às outras formas do saber. Essa razão que caracteriza o ser humano “precisa significar mais, bem mais; precisa abranger todo o saber proporcionado pela estesia humana, pela apreensão sensível do mundo, a qual, relembrando Merleau-Ponty, revela-se também como construção do sentido.” (DUARTE JUNIOR, 2001, p.173). A educação do sensível, por estar relacionada à experiência e ao sentido, atua na dimensão estética. Conforme Nunes & Rego (2011, p.103-104):
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Entrelaçar: saber racional e saber sensível no ensino da história das artes visuais

Entrelaçar: saber racional e saber sensível no ensino da história das artes visuais

Essa pesquisa procurou investigar um método de ensino de História das Artes Visuais que contemplasse a união do saber racional e do saber sensível, saberes estes que se apresentam essenciais à completude da vida humana. E nela atuem sujeitos plenos em teorizar, criticar, refletir, criar e apreciar a humanidade e os seus fazeres em sociedade e os seus efeitos na natureza. As análises, ainda que mais descritivas do que reflexivas, mostraram-se apropriadas para a verificação do ensino-aprendizagem de História das Artes Visuais em um sentido anacrônico, no qual foi possível trabalhar as instâncias cognitivas e afetivas do aprendiz, de modo a promover o seu desenvolvimento humano.
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A PRÁXIS TRANS ESTÉTICA: DESENVOLVIMENTO GRÁFICO E O SABER SENSÍVEL EM UM ABRIGO DE MENORES

A PRÁXIS TRANS ESTÉTICA: DESENVOLVIMENTO GRÁFICO E O SABER SENSÍVEL EM UM ABRIGO DE MENORES

Na pesquisa-intervenção, nossa intenção consistiu em promover um espaço que rompesse com a lógica fragmentária, para isso nos pautamos na perspectiva trans es- tética, uma noção que tem em seu arcabouço o entendimento de ensino unificado como uma potência da transdisciplinaridade. Nosso desafio visava contribuir na pro- moção do saber sensível e na superação de possíveis bloqueios gráficos, portanto, bus- cou-se não ignorar a carga subjetiva implicada na produção empírica dos desenhos. Entendeu-se que as condições do ambiente social em que o sujeito se encontra e suas relações podem afetar o desenvolvimento dessas etapas do grafismo.
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Há rebaixamento ontológico do saber sensível na crítica de René Descartes aos sentidos?

Há rebaixamento ontológico do saber sensível na crítica de René Descartes aos sentidos?

Em Descartes, tanto a abertura ao exame da natureza da res cogitans quanto a crítica ao sensualismo, à qual está correlacionada, são fundamentais para que a natureza da alma seja delimitada e expressa sem supor a natureza e a existência concreta do corpo. Lembremos que na Carta aos senhores deão e doutores da Sagrada Faculdade de Teologia de Paris, o filósofo Descartes afirma que, tal como acontece na geometria – em que as demonstrações deixadas por Arquimedes, Apolônio, Pappus, entre outros, são, em geral, acolhidas como certas, embora, na verdade, poucos sejam realmente capazes de compreender as longas cadeias de- monstrativas – também na filosofia primeira aconteceria o mesmo, de modo que, para alcançar um justo entendimento das coisas metafísicas, é necessário que o sujeito meditador desenvolva dois elementos que são propedêuticos, a saber: “ter o espírito totalmente livre de todos os preconceitos e que possa facilmente se des- ligar do comércio dos sentidos” 1 . Liberdade do espírito e desvinculação dos sen-
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Saber sensível e acuidade corporal: metodologia de ensino de dança a partir de um estudo com estudantes cegos

Saber sensível e acuidade corporal: metodologia de ensino de dança a partir de um estudo com estudantes cegos

Paralelamente ao que foi descrito até aqui eu também trabalhei com o estímulo sensível no sentido inverso: começando no ambiente em direção à interioridade corporal. Para esta abordagem eu me fundamentei com princípios propostos por Lygia Clark. Coellier, (2003) descreveu comoClark propôs desve- lar o sensível através da relação entre corpo e esculturashabitáveis. O que eu chamo de esculturas habitáveis são as peças para serem manipuladas, vesti- das ou incorporadas como: “Pedra de Ar”, 1966; (COELLIER, 2003:23)“O eu e o tu: série roupa-corpo-roupa” (COELLIER, 2003:25), 1967; “Mascaras sensori- ais”, 1967(COELLIER, 2003:26); “Mascara abismo”, 1968(COELLIER, 2003:28); “Arquiteturas biológicas: Ovo-mortalha”, 1968(COELLIER, 2003:29); dentre outras obras de sua autoria. Eu não construí esculturas habitáveis para os experimentos de pesquisa estética que compartilhei com os estudantes. Apenasempreguei o conceito de sua abordagem para habitara riqueza do am- biente em que a escola para cegos se encontra. Nele tínhamos arvores, flores, areias, grama, terra, etc. com diversas texturas, perfumes, sons e temperaturas que poderíamos pesquisar como estímulos sensorial.
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Estágio na Educação Infantil e saberes docentes: estudo relacionado ao saber ludo-sensível

Estágio na Educação Infantil e saberes docentes: estudo relacionado ao saber ludo-sensível

Este trabalho apresenta uma discussão sobre a contribuição do estágio na construção de saberes docentes, mais especificamente do saber ludo- sensível, que é um saber que integra o saber lúdico e o saber sensível. É um recorte da pesquisa desenvolvida durante o Mestrado em Educação na Universidade Federal da Bahia, que teve como intuito compreender qual o espaço concedido ao saber ludo-sensível na prática pedagógica de estagiárias de uma Creche, buscando identificar a contribuição do estágio na construção desse saber. A pesquisa foi inspirada na etnopesquisa e os instrumentos de coleta de dados utilizados foram observação participante e entrevista semiestruturada. Participaram da pesquisa três estagiárias que realizavam estágio remunerado na Creche UFBA, instituição em que a pesquisa foi desenvolvida. Este artigo está organizado da seguinte forma: incialmente apresenta duas discussões, uma, sobre concepções de estágio, e outra, sobre formação docente a partir da compreensão da epistemologia da prática; a seguir, conjectura a respeito do estágio remunerado e da experiência de estágio na Instituição de Educação Infantil, que foi locus da pesquisa; para, por fim, expor resultados encontrados, que evidenciam que o estágio contribuiu na constituição de saberes docentes importantes para a atuação na educação infantil, em especial, na construção do saber ludo-sensível. Palavras-chave: Estágio. Epistemologia da prática. Educação infantil. Saberes docentes. Saber ludo-sensível.
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A percepção do sensível e o ensino da arte na contemporaneidade

A percepção do sensível e o ensino da arte na contemporaneidade

Este artigo tem o objetivo de apontar possíveis caminhos para as particularidades da construção de conhecimento pelo sensível. O trabalho com a arte na educação pode se apresentar como uma das possibilidades de trabalho na perspectiva da superação da formação unilateral ao aliar o desenvolvimento do conhecimento inteligível ao saber sensível. As inquietações aqui presentes refletem a importância da educação estética na formação humana diante dos interesses para uma formação voltada à adequação mercadológica implantada na educação, em seus diversos níveis. Entendemos que diminuição e a possivel extinção da educação pelo sensível certamente acarretará o aumento da competitividade e, consequentemente, da violência e, sendo assim, repensar estratégias educacionais e fomentar a discussão acerca do valor da arte no ensino formal é uma necessidade urgente no país. Deste modo, concluímos que, se a arte não pode, sozinha, humanizar, pode proporcionar o estranhamento e a dúvida, a fuga das convenções e da submissão automática às práticas sociais hegemônicas.
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Quando a escritura se quebra nas ondas

Quando a escritura se quebra nas ondas

Abandonando estas duas linhas – a horizontal e a vertical –, Virginia Woolf traça uma transversal móvel, capaz de recolher os tempos diversos, assim como os seres (humanos ou não), dispersos no universo de sua ficção, sem nenhuma preocupação de organizá-los em sistemas ou categorias, ou seja, sem a intenção de construir sínteses. Trata-se do encontro com os seres no júbilo provocado pela percepção e pela sensação, não pelo saber. Este último eliminaria das coisas animadas e inanimadas sua gratuidade, seu dom de se doar inteiramente aos nossos sentidos.

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Beleza, amor e contemplação: sobre a possibilidade de se pensar uma estética  em Plotino

Beleza, amor e contemplação: sobre a possibilidade de se pensar uma estética em Plotino

A teoria estóica da beleza, assentada sobre as categorias da ordem, da simetria e da definição, é superada, no neoplatonismo plotiniano, por uma nova teoria, que passa a considerar a beleza como valor metafísico. Ao rejeitar a definição tradicional da beleza, Plotino nega que ela seja resultado do mundo material e ainda que seja parâmetro para análise do mundo inteligível. Ao contrário, pertencendo a uma ordem essencialmente inteligível, da qual se origina o mundo sensível, a beleza faz-se “presente” nele. Por esta “presença” percebemos e podemos analisar o belo sensível e, a partir dele, chegar ao belo inteligível e, então, à origem de toda a Beleza.
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Saber médico; saber psicológico: operações do olhar.

Saber médico; saber psicológico: operações do olhar.

O saber médico tem como objetivo exclusi­ vo justilcar um conjunto de práticas que se ar­ ticulam denro do espaço hospialr - edag6gi­ co e, porisso, nunca .é colcado em quesão. Espaço instituído e legitimado elo pr6prio desvio anexando a ele o seu discurso (da den­ ça - cua). FCAULTl ao se efeir a quesão do olhr, fla de uma esuura de eclusão pro­ jeada por Bentham, como o espaço em que o

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O Tocar na Relação de Cuidado Baseada no Sensível

O Tocar na Relação de Cuidado Baseada no Sensível

Este artigo visa a introduzir uma abordagem somatopsíquica na relação de ajuda ao paciente. Há alguns anos acompanhamos o surgimento de uma mutação nas concepções concernentes à visão do cuidado. Por muito tempo, a ideia de cuidado foi reduzida a efetivar um cuidado ou a oferecer um cuidado determinado por uma patologia. Nesta acepção do termo, a pessoa que sofre de uma doença é relegada ao segundo plano, em proveito de uma abordagem sintomática. As ciências humanas e sociais trouxeram uma evolução no en- tendimento dos pacientes, incluindo uma dimensão humana que cede lugar a uma aproximação centrada na pessoa. Devemos às ciências da educação um olhar que privilegia o polo educativo e formativo do cuidado. As dimensões do cuidar de alguém são múltiplas, permitem o encontro e o acompanhamento do outro em sua existência, com o objetivo de participar do processo de desenvol- vimento da saúde. Dentre as numerosas abordagens existentes, priorizamos a noção de oferecer cuidados sob o ângulo do tocar na relação de ajuda manual baseada no Sensível.
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O saber inconsciente e o saber que se sabe nos dias de hoje.

O saber inconsciente e o saber que se sabe nos dias de hoje.

Derivamos daí uma “pressa prescritiva” que não oferece lugar para o saber inconsciente (LACÔTE-DESTRIBATS, 2007, p.32), contrariamente ao que foi o caminho de Freud. Ele introduziu no conhecimento científico — esse mesmo dos códigos e dos protocolos — uma inflexão que corta o seu curso e instaura uma nova práxis. Para desenvolvê-la foi preciso um longo tempo em que o trabalho de escuta e inscrição do inconsciente ia sendo acompanhado do tratamento dos casos. Voltas em que encontrava o fracasso que o fazia avançar. Portanto, o avanço exigia um tempo para que o saber-fazer fosse nutrindo o saber, no mesmo passo em que esse saber era elaborado para dar garantia à práxis que se inventava. Movimento muito distinto do que vemos sendo instalado nas “clí- nicas”, mesmo as que se dizem psicanalíticas, que apressadamente se instalam com vistas a assegurar os bons resultados, o sucesso, e o apaziguamento ligeiro da angústia, através de uma conduta prescrita e prescritiva.
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Desenvolvimento e caracterização de câmaras de ionização especiais para feixes de...

Desenvolvimento e caracterização de câmaras de ionização especiais para feixes de...

A curva de saturação, o efeito de polaridade e a eficiência e coleção de íons foram obtidos para diferentes aberturas do colimador; esta abertura corresponde ao campo de irradiação em que as câmaras de ionização foram irradiadas. Inicialmente essa abertura foi determinada como metade do comprimento do volume sensível (eixo x) pelo dobro do diâmetro da câmara de ionização (eixo y). Em seguida, foi realizado um estudo mais apurado da norma TRS 457 (IAEA, 2007), e observou-se que o correto era utilizar uma abertura de 5 cm x 2 cm para câmaras que apresentam um comprimento de volume sensível igual ou superior à câmara comercial disponível mais utilizada (10 cm); para câmaras de ionização que apresentam um pequeno comprimento de volume sensível, deve-se utilizar o colimador em (2 cm x 2 cm).
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O sensível e o cruel: uma aprendizagem pelas performances

O sensível e o cruel: uma aprendizagem pelas performances

Existe a virtualidade nos encontros esporádicos de prazer, seja aqueles em que os pares se repetem ou mesmo aqueles em que um jamais retorna a ver o outro. Essa virtualidade consiste numa espécie de presença absorvida pelo outro, de algo que fica em nós, após o prazer de nossos corpos terem sido o que foram com outros corpos. A força maior de uma afecção corresponde à intensidade que ela faz circular após o contato! A virtualidade pode ser atualizada das mais diversas e imperceptíveis maneiras, desde aprender a caminhar no escuro à procura de um corpo, ou de sentir que se é observado ou observada com o fim a determinada prática, de como aprender, quase numa espécie de adivinhação, a forma mais vantajosa de mirar um alvo sexual e saber chegar nele sem erro – um saber corporal aquém da consciência –, de aprender por líquidos, volumes e odores como se movimentar no tecido gelatinoso do prazer. Mas essa modalidade de presença outra não existe somente oriunda de relações efêmeras, ela também existe em algumas relações amorosas estáveis. Todavia, essa existência tem suas peculiaridades. O outro que amamos por significativo tempo pode ir voluntária e impiedosamente ou nós mesmos podemos abrir todas as portas para que ele se vá. Mas esse é o outro materialmente palpável, substância de cor, odor, textura e formas espaciais. Quando algo desse outro fica em nós, em nossas mais profundas camadas sensíveis, de maneira que essa presença sempre se atualiza por ações que sequer remetem diretamente a algo que vivemos com esse outro, é que sentimos o quão forte consiste a potência de vida dele em nós. Atualizar o outro pela lembrança triste ou pela saudade melancólica é um enfraquecimento do corpo, da vida. Mas sentir as marcas que o outro depositou em nós e que nos move a outros é a beleza da presença virtual de quem deixou de viver ao nosso lado para ser um outrem em nós.
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Crenças acerca da parentalidade sensível  na deficiência

Crenças acerca da parentalidade sensível na deficiência

Apesar do anteriormente exposto, o estudo das crenças parentais acerca da parentalidade sensível permanece, aos dias de hoje, diminuto. Sobre este tópico, destaca-se o estudo de Emmen et al. (2012), que visou analisar as crenças maternas acerca da parentalidade sensível numa amostra de 75 mães com filhos entre os 6 meses e os 6 anos de idade. Os autores recorreram na sua investigação a uma versão adaptada do Maternal Behaviour Q-Sort composta por 90 itens (MBQS; Pederson & Moran, 1995; Pederson, Moran, & Bento, 1999), embora o MBQS tivesse sido originalmente desenvolvido como um instrumento observacional. A versão original do MBQS contém descrições acerca dos comportamentos maternos sensíveis produzidas com base em observações em contexto naturalista, sendo cotadas pelos investigadores. Estas descrições foram elaboradas à luz das escalas da sensibilidade materna de Mary Ainsworth (Ainsworth et al., 1978; Moran, Pederson, Pettit, & Krupka, 1992), ancoradas na Teoria da Vinculação (Bailey, Moran, Pederson, & Bento, 2007; Bowlby, 1969/1982; van Ijzendoorn, Vereijken, Bakermans- Kranenburg, & Riksen-Walraven, 2004). O MBQS faculta informação acerca dos comportamentos sensíveis das mães perante situações do quotidiano e sinais/comunicações da criança (Pederson & Moran, 1995; Pederson et al., 1999). A versão adaptada do MBQS apresentada por Emmen et al. (2012), por sua vez, é preenchida pela mãe através da distribuição de 90 itens que descrevem as situações do dia-a-dia presentes na versão original do instrumento, sendo solicitado à mãe que classifique cada um dos itens de acordo com o que considera ser a mãe ideal em termos de sensibilidade parental. A metodologia Q-Sort recorre à distribuição de itens a categorias previamente estabelecidas, usando uma distribuição fixa.
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A visão sensível como imagem da visão dos inteligíveis.

A visão sensível como imagem da visão dos inteligíveis.

O todo era movimento e não havia nada fora disso. E havia duas formas de movimento, cada um deles em quantidade ininita, um tendo o poder (dýnamin) de agir (poieîn), o outro de padecer (páskhein). A partir da junção destes e da fricção de um no outro nasce uma multidão ininita de ilhos (éngona pléthei mèn ápeira), mas em pares de gêmeos (dídyma): um, o sensível, o outro, a sensação (tò mèn aisthetón, tò dè aísthesis), a qual sempre germina (synekpíptousa) e nasce (gennoméne) junto com o sensível. Assim essas nossas sensações têm nomes (ékhousin onómata), como as chamadas visões (ópseis), audições (akoaì), odores (osphréseis), frios (psýkheis), calores (kaúseis), prazeres (hedonaí), tristezas (lûpai), desejos (epithymíai), medos (phóboi) e outras, inumeráveis e anônimas, bem como são numerosíssimas as nomeadas. O gênero do sensível, por sua vez, é produzido ao mesmo tempo que cada uma dessas: para as visões, cores, variadas as primeiras, variadas as últimas; para as audições, do mesmo modo há os sons, e para as demais sensações os demais sensíveis da mesma família nascem (syngenê gignómena).
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Chorar por amor o herói sensível e apaixonado

Chorar por amor o herói sensível e apaixonado

Partir 3 , literal e metaforicamente, parece pois ser a única aspiração deste sujeito encarcerado, que afirma: “Seria melhor para mim partir” (250). Essa morte, tantas vezes desejada pelo sujeito, será precipitada pelo discurso da amada, que, em tom imperativo, o confronta com a realidade e lhe demonstra que a situação se tornou insustentável para todos: “Peço-lhe (...) contenha-se! (...) Seja homem, afaste esta infeliz afeição duma criatura que nada pode fazer senão lamentá- lo” (252). O discurso de Lotte deixa pressupor que, aos olhos da sociedade, a sensibilidade e a passionalidade excessivas, no homem, são (ainda) consideradas sinais de fraqueza, típicos da condição feminina. Ao homem é exigido que seja homem , isto é, que saiba controlar os seus ímpetos passionais, o que contraria a sua natureza sensível e apaixonada.
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Construindo um conhecimento sensível em saúde mental.

Construindo um conhecimento sensível em saúde mental.

Este trabalho relata nossa trajetória na subárea Promovendo e Recuperando a Saúde Mental (a partir de agora designada, neste texto, como Saúde Mental), que no currículo integrado foi ini[r]

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Open Do sensível ao inteligível: o Auto de São Lourenço

Open Do sensível ao inteligível: o Auto de São Lourenço

Sua espiritualidade não contradizia a verdade: realizava-a com propriedade, entendendo perspicazmente a forma mercantil da sociedade quinhentista” (2004, p. Também nessa persp[r]

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Teatro entre elas: o teatro em comunidade como partilha do sensível

Teatro entre elas: o teatro em comunidade como partilha do sensível

Esse artigo salienta a pesquisa, desenvolvida em processo de Mestrado, que refletiu sobre o trabalho realizado no Grupo Teatro Entre Elas, residente na Associação Cultural Casa do Beco, no campo do Teatro em Comunidades, a partir dos apontamentos levantados por Nogueira (2008), entrelaçados à noção de “partilha do sensível”, postulada por Rancière (2009). Pensar o Teatro Entre Elas no campo do Teatro em Comunidades e este como uma partilha do sensível é uma reflexão que abrange o fazer artístico, e a dimensão política que atravessa a existência desse grupo de mulheres. Para tanto, narro o trabalho desenvolvido no Grupo, destacando a remontagem da peça “Quando eu vim para um Belo Horizonte”, e teço reflexões sobre sua relação com o campo do Teatro em Comunidades e este como uma partilha do sensível. Trata-se, portanto, de uma narrativa que buscou contribuir para a discussão de práticas que acontecem em contextos comuni- tários e que fazem emergir vozes e corpos antes silenciados e ignorados.
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