Seguridade social - Brasil

Top PDF Seguridade social - Brasil:

Finanças, fundo público e financiamento da Seguridade Social no Brasil.

Finanças, fundo público e financiamento da Seguridade Social no Brasil.

No Brasil, a Constituição de 1988 estabeleceu, no artigo 194, que a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social, tendo como princípios a universalidade, diversidade da base de financiamento, o caráter democrático e descentralizado da administração e gestão participativa, dentre outros. A política de seguridade social passaria a ser financiada anualmente por toda a sociedade, indistinta- mente, de forma direta e indireta, na forma da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, Distrito Federal e dos Municípios e de contribuições sociais do empregador, trabalhador e sobre a receita de concursos de prognósticos (BRASIL, 1988). O estabelecimento de fontes de financiamento, a partir de 1988, assegurou, constitucionalmente, recursos para a implantação das políticas sociais brasileiras, amplian- do a importância do fundo público e do Estado brasileiro na resolução dos conflitos sociais e econômicos advindos do modo de produção capitalista. O fundo público passou a assumir cada vez mais importância no capitalismo contemporâneo e está presente na reprodução do capital e da força de trabalho, conforme Salva- dor (2010), das seguintes maneiras: a) como fonte importante para a realização do investimento capitalista, por meio de subsídios, de desonerações tributárias, por incentivos fiscais e pela redução da base tributária da renda do capital; b) viabilizando a reprodução da força de trabalho, por meio de salários indiretos, reduzindo custo do capitalista na sua aquisição; c) assegurando recursos orçamentários para investimentos em meios de transpor- te e infraestrutura, nos gastos com investigação e pesquisa, além dos subsídios e renúncias fiscais para as empresas; e, d) transferindo recursos sob a forma de juros e amortização da dívida pública para o capital financeiro, em especial para a classe dos rentistas.
Mostrar mais

10 Ler mais

Da Seguridade Social à intersetorialidade: reflexões sobre a integração das políticas sociais no Brasil.

Da Seguridade Social à intersetorialidade: reflexões sobre a integração das políticas sociais no Brasil.

Este artigo objetiva discutir os principais dilemas que permeiam a implementação da Seguridade Soci- al no Brasil, tomando como foco as trajetórias recen- tes das políticas de saúde e assistência social. Parte- se do entendimento de que, se por um lado, a Seguridade Social, tal como preconizado na Carta de 1988 ( BRASIL , 2002), esbarra em viscerais obstácu- los de ordem política e econômica para sua implementação, por outro, o modelo descentralizado, sob o qual passa a operar o sistema de proteção so- cial, recoloca a questão da integração das políticas sociais a partir do esteio dos problemas enfrentados no contexto do que se convencionou chamar a “pon- ta do sistema”. Assim, ainda que “recalcado”, o pro- blema da necessidade da integração retorna, uma vez que as áreas de política social que mais avançaram na direção de um novo arcabouço político-institucional (como o caso da saúde) se deparam hoje com limites estruturais da sociedade brasileira que necessitam de enfrentamento intersetorial, através da conformação de uma rede de proteção social.
Mostrar mais

9 Ler mais

Estado, trabalho e seguridade social no Brasil: legados, transformações e desafios

Estado, trabalho e seguridade social no Brasil: legados, transformações e desafios

Além desta breve introdução, este estudo está dividido em três seções. A primeira discorre sobre os vínculos existentes entre a regulação pública do trabalho assalariado e a seguridade social, destacando a importância de se manter esses vínculos intimamente atrelados, principalmente em sociedades como a brasileira, carentes de estatutos capazes de conferir estabilidade para o posto de trabalho. A segunda seção ressalta como a vinculação entre trabalho e seguro social se desdobrou no Brasil em períodos pregressos e recentes, demonstrando a resiliência do arranjo político-normativo que confere sustentação a essa vinculação diante de sucessivas tentativas de reformas desoneradoras do papel do Estado na proteção social. Por fim, a terceira seção salienta a recente recuperação da capacidade do Estado brasileiro de empreender políticas redistributivas mediante uma política acertada de valorização do salário mínimo e, consequentemente, dos benefícios sociais a ele atrelados, ressaltando os desafios atualmente enfrentados pelo sistema de proteção social brasileiro. A última seção conclui o trabalho.
Mostrar mais

24 Ler mais

Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil.

Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil.

Conforme Tafner (2006), no debate público com respeito à seguridade social no Brasil, tem-se duas correntes contraditórias: os que defendem o sistema vigente, afirmando que seus efeitos sociais são importantes e ajudam a reduzir a pobreza e aqueles que, embora reconheçam os efeitos positivos ocor- ridos no combate à pobreza, consideram que esses efeitos hoje são inexistentes e indicam que os custos e as falhas das ações governamentais tendem mesmo a comprometer a existência futura do sistema. O dissenso é a marca do debate.

14 Ler mais

A efetividade da seguridade social no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988

A efetividade da seguridade social no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988

No Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988, estabeleceu-se uma sistematização da seguridade social, com evidente conteúdo programático a considerar os desígnios dos direitos sociais (educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados, todos previstos no art. 6.º). Esta sistematização ocorreu pela ruptura com um Estado ditatorial e assunção dos preceitos do Estado de Direito Social, que estabelece garantias ao indivíduo, conquistadas na esteira da evolução dos direitos sociais, como direitos de segunda geração, na classificação de Norberto Bobbio. O Direito Previdenciário, a partir do texto constitucional de 1988, se estabelece como um novo ramo do Direito Público, separando-se do estudo conjunto com o Direito do Trabalho, uma vez que congrega o estudo de princípios e matérias específicas em relação à seguridade social. A efetividade da seguridade social no Brasil, a partir de 1988, portanto, perpassa pela consecução dos programas estabelecidos pelo Poder Constituinte originário, através da capacidade orçamentária e da lisura dos gastos públicos.
Mostrar mais

14 Ler mais

Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil

Pobreza e o sistema de seguridade social rural no Brasil

A partir de dados em painel para as regiões rurais dos estados bra- sileiros no período 1995-2005, analisa-se o impacto das aposentadorias da seguridade social na pobreza. Essa análise é realizada controlando- se por outros determinantes da pobreza como o produto agropecuário per capita, a concentração de renda rural medida pelo coeficiente de GINI, os anos médios de estudo e o número de pessoas desocupadas com mais de dez anos de idade. Neste sentido, especifica-se um mo- delo econométrico dinâmico que é estimado pelo Método dos Momen- tos Generalizado-sistema (MMG-sistema) desenvolvido por Arellano e Bover (1995) e Blundell e Bond (1998). Os resultados do modelo per- mitem concluir que os benefícios da aposentadoria per capita não im- pactaram a pobreza rural no Brasil. Os fatores que contribuíram para a diminuição da pobreza rural foram os anos médios de estudo e o pro- duto agropecuário per capita com a predominância do primeiro. Por sua vez, o número de pessoas desocupadas influenciou de maneira posi- tiva a pobreza enquanto a concentração de renda rural não a afetou em nenhuma direção.
Mostrar mais

14 Ler mais

Seguridade Social no Brasil

Seguridade Social no Brasil

No entanto, no contexto do MS, prosseguiam as discussões sobre a Lei Orgânica da Saúde (LOS), bem como as pressões para a passagem do INAMPS para o Ministério da Saúde. Na realidade, os reformistas da saúde se articularam na defesa da unificação INAMPS/MS e, sobretudo, pela continuidade do projeto de reforma do sistema de saúde. Promoveram, então, uma reordenação da política do MS centrada no abandono de uma estratégia que privilegiava a construção da Seguridade Social, tal como concebida na Constituição de 1988. Esta postura dos reformistas da saú- de marcou um primeiro rompimento do acordo político que presidiu à in- corporação do capítulo da seguridade na Constituição de 1988. Este rom- pimento derivou de uma situação política específica configurada no período: o MPAS e o INAMPS estavam sendo conduzidos por dirigentes compromissados com o bloco político conservador de Sarney e, portanto, desinteressados na efetivação da seguridade social no Brasil, o que difi- cultava o encaminhamento deste projeto.
Mostrar mais

21 Ler mais

Prevalência de benefícios de seguridade social temporários devido a doença respiratória no Brasil.

Prevalência de benefícios de seguridade social temporários devido a doença respiratória no Brasil.

A avaliação dos benefícios por doenças espe- cíficas e ramos de atividade econômica mostra que as pneumonias predominaram nos grupos “fabricação de outros equipamentos de trans- porte” (13,48), “limpeza urbana e esgoto” (5,69) e “fabricação de produtos do fumo” (4,26). A asma incidiu mais nos trabalhadores dos grupos “fabricação de produtos do fumo” (7,44), “fabri- cação de móveis e indústrias diversas” (6,54), “confecção de artigos de vestuário e acessórios” (4,85) e “fabricação de produtos têxteis” (4,34). A DPOC esteve associada a “fabricação de produtos do fumo” (6,91), “fabricação de produtos de madeira” (4,00), “limpeza urbana e esgoto” (2,69), “fabricação de produtos minerais não-me- tálicos” (2,63) e “construção” (2,18). As doenças das cordas vocais e laringe estiveram presentes em “atividade de informática e conexas” (12,06), “atividades de intermediação financeira” (4,63), “administração pública, defesa e seguridade social” (3,22) e “educação” (3,18; Tabela 4).
Mostrar mais

10 Ler mais

Privatização da seguridade social no Brasil: um enfoque em equilíbrio geral computável

Privatização da seguridade social no Brasil: um enfoque em equilíbrio geral computável

No caso de fmanciamento total com dívida, o surgimento de níveis diferentes de dívida para cada nível de capitalização implicaria em taxas reais de juros mais elevadas que d[r]

23 Ler mais

O controle democrático no financiamento e gestão do orçamento da Seguridade Social no Brasil

O controle democrático no financiamento e gestão do orçamento da Seguridade Social no Brasil

No período de 2008 a 2011, o orçamento da assistência social apresenta crescimento de 33% 8 acima da inflação, o que denota clara expansão desta política no âmbito da Seguridade Social brasileira. Dois motivos justificam esse acréscimo: o primeiro está relacionado ao aumento real do salário mínimo, que elevou as despesas com o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC); o segundo tem a ver com a centralidade que a política de transferência de renda com condicionalidades assumiu durante o governo Lula, os gastos com o Programa Bolsa Família alcançaram 0,37% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2010. Em que pese o acréscimo orçamentário do período e as determinações da LOAS, a política da assistência social registra o menor percentual de recursos submetidos ao controle social via FNAS. No período em análise, em média, 40% dos recursos alocados no orçamento da assistência não passaram pelo FNAS. Essa situação ocorre devido à execução orçamentária do Programa Bolsa Família não ser submetida ao CNAS, tendo sua gestão feita diretamente pelo MDS.
Mostrar mais

13 Ler mais

SEGURIDADE SOCIAL: ITÁLIA E BRASIL

SEGURIDADE SOCIAL: ITÁLIA E BRASIL

2012. Além disso ver também FEFÈ R., Invecchiamento delle forze di lavoro: questioni aperte e dinamiche di mercato, Isfol, Roma, 2015; PRINCIPI A., JENSEN PER H., LAMURA G., Active Ageing. Voluntary Work by Older People in Europe, Policy Press, University of Bristol, 2014; T. TREU (a cura di), L’importanza di essere vecchi. Politiche attive per la terza età, Il Mulino, AREL, Bologna, 2012; AA. VV., Invecchiamento attivo e solidarietà fra generazioni, in Quaderni Europei sul nuovo welfare, n. 19, A.R.I.S., Trieste, 2012; MOULAERT T., BIGGS S., The International and European policy on work and retirement: Reinventing critical perspectives on active ageing and mature subjectivity, in Human Relations, 2012, p. 1 ss.; TIRABOSCHI M., RUSSO A., SALOMONE R., Invecchiamento della popolazione, lavoratori “anziani” e politiche del lavoro: riflessioni sul caso italiano, Collana ADAPT n. 7, 2012; CHECCUCCI P., L’anno europeo dell’invecchiamento attivo e della solidarietà tra le generazioni: spunti di riflessione, Isfol, Roma, 2012; NICOLETTI P., Invecchiamento attivo e alte professionalità: le tendenze demografiche, del welfare, dell'apprendimento, Rubbettino, Roma, 2011; WALKER A., Commentary: The emergence and application of active aging in Europe, in Journal of Aging & Social Policy, 2009, p. 75 ss.; RICCIO G., RICCONE P., Lavoratori adulti a rischio di esclusione. Materiali per un piano nazionale per l’invecchiamento attivo, Isfol, Roma, 2008.
Mostrar mais

32 Ler mais

Proteção social e seguridade social no Brasil: pautas para o trabalho do assistente social.

Proteção social e seguridade social no Brasil: pautas para o trabalho do assistente social.

A assistência social, política pública de proteção social, opera por um sistema único federativo, o Suas, em implantação em todo o território nacional. Como a saúde sua condição de política de proteção social é distinta da forma de seguro social. Organizada em dois níveis de proteção, a básica e a especial, desenvolve sua ação por meio de serviços e benefícios para o acesso de pessoas e famílias demandantes de proteção social face a agravos de fragilidades próprias do ciclo de vida humano, pela presença de deiciências, decorrentes de vitimizações, por violência, por desas‑ tres ambientais, pela presença de discriminação, pela defesa da sobrevivência e de direitos humanos violados. Seu processo de trabalho tem centralidade relacional, e opera com escuta qualiicada, construção de referências, acolhida, convívio, relações familiares, relações sociais de âmbito coletivo com abrangência territorial, opera oferta de seguranças sociais. O escopo de suas atenções envolve situações humanas complexas que incluem abandono, violência em variadas faixas etárias, com inci‑ dência de gênero e de formas de ocorrência dentro e fora da família, restauração de padrões de dignidade, resgate de vida social de pessoas de diferentes faixas etárias vivendo nas ruas, adolescentes em medidas socioeducativas.
Mostrar mais

23 Ler mais

Pobreza, seguridade e assistência social: desafios da política social brasileira.

Pobreza, seguridade e assistência social: desafios da política social brasileira.

Resumo: Este artigo apresenta resultados parciais de pesquisa sobre o combate à pobreza no Brasil. A principal contribuição do texto está em relacionar determinadas características dos programas de combate à pobreza a categorias teóricas que vem infuenciando o debate sobre política social no contexto contemporâneo. Atenção especial é dada à relação desses programas com a Política Nacional de Assistência Social. Para isso, o artigo parte da hipótese de que houve uma recondução da lógica que inspira a construção das políticas sociais, a partir de uma transformação do estatuto teórico da questão social e de suas formas de enfrentamento. Tal inflexão de sentido aparece no texto pela prioridade da pobreza enquanto categoria de análise, entendida como ausência de capacidades, configurando teórica e metodologicamente um foco individualista de pensar o social, cuja principal fonte teórica é o pensamento de Amartya Sen. Palavras-chave: política social, seguridade social, assistência social, combate à pobreza.
Mostrar mais

8 Ler mais

DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA A SEGURIDADE SOCIAL

DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA A SEGURIDADE SOCIAL

inconstitucionalidade pela Suprema Corte mesmo no controle incidental ultrapassa o interesse das partes envolvidas no processo para assumir a função de fiscalização objetiva da ordem constitucional. Nesse sentido, há decisão da 2ª Turma do STF (Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 475.812/SP, Rel. Min. EROS GRAU, julgamento em 13.06.2006, DJ 04.08.2006) e julgados da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n. 709.952, Relatora Ministra DENISE ARRUDA, julgamento em 04.04.2006, DJ 1º.06.2006, e Recurso Especial n. 753.235, Relatora Ministra DENISE ARRUDA, julgamento em 19.09.2006, DJ 09.10.2006). Sobre uma possível tendência da Suprema Corte nesse sentido, v. ANDRÉ RAMOS TAVARES (Curso de direito constitucional, 2007, p. 274). Essa tese é defendida, por exemplo, pelo Min. GILMAR MENDES, no plano doutrinário e perante o STF. A respeito, vale registrar que a discussão está posta em julgamento no Plenário do STF nos autos da Reclamação n. 4.335-5. O Min. GILMAR MENDES, relator, após traçar histórico acerca do controle de constitucionalidade no Brasil e do papel desempenhado pela Suprema Corte, em reinterpretação do texto constitucional, sustentou que as decisões em sede de controle incidental têm eficácia que transcende o âmbito da decisão, produzindo efeitos gerais, o que, além de não mais justificar a distinção quanto aos efeitos das decisões proferidas no controle direto e no controle incidental, indicaria que a edição de resolução senatorial, nos termos do art. 52, X, da Carta Constitucional, teria simples efeito de atribuir publicidade à decisão tomada pela Suprema Corte (voto do Min. GILMAR MENDES disponível no sítio do STF: http://www.stf.gov.br/imprensa/pdf/RCL4335gm.pdf. Acesso em: 15 jun. 2007).
Mostrar mais

351 Ler mais

A reforma tributária desmonta o financiamento da Seguridade Social The tributary reform dismantles the

A reforma tributária desmonta o financiamento da Seguridade Social The tributary reform dismantles the

A diversidade das fontes de financiamento e a sua vinculação ao orçamento da seguridade social precisam ser contextualizadas. A investigação que realizamos sobre o financiamento e o destino dos recursos da seguridade social mostra que, passados 20 anos da Constituição Federal, o Brasil não logrou a construção de um fundo público único que integrasse as três políticas: previdência, assistência social e saúde. No custeio da seguridade social, no período de 2000 a 2007, permaneceu a separação das fontes orçamentárias. Os recursos advindos da contribuição direta de empregados e empregadores continuaram a ser exclusivamente utilizados nos gastos da previdência social, enquanto as contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, o lucro e a movimentação financeira foram destinadas para as políticas de
Mostrar mais

13 Ler mais

A APLICAÇÃO DOS RECURSOS DA SEGURIDADE SOCIAL

A APLICAÇÃO DOS RECURSOS DA SEGURIDADE SOCIAL

Diante dessa avalanche de avaliações sombrias massificadas pela mídia, não é de se estranhar que pessoas comuns, políticos e até pessoas respeitáveis do meio acadêmico acreditem que é preciso, urgentemente, fazer a reforma da previdência para resolver um problema financeiro gravíssimo. O déficit, no entanto, não existe. Se investigados mais detidamente, os dados estatísticos do Brasil revelam que não há crise financeira na previdência social e, principalmente, não há crise no sistema de seguridade social. No caso do sistema previdenciário [...], tem havido uma situação muito mais tranqüila do que se poderia supor [...], com alguns escassos momentos de déficit, apesar da política econômica recessiva adotada nesse período, que conduziu a resultados perversos no nível de produção e no mercado de trabalho. À revelia do quadro econômico desfavorável desse período, o desempenho do sistema previdenciário foi apenas parcialmente prejudicado. Quanto ao conjunto de ações associadas à seguridade social, verifica-se que o sistema como um todo é superavitário nesse período, o que indica que o governo pôde dispor de recursos excedentes. Ao decidir sobre sua utilização, no entanto, deixou de gastá-los com serviços de saúde, previdência e assistência social, para aplicá-los no orçamento fiscal, contribuindo para os superávits primários elevados dos últimos tempos”.
Mostrar mais

140 Ler mais

Seguridade Social, Cidadania e Saúde :: Brapci ::

Seguridade Social, Cidadania e Saúde :: Brapci ::

Os três capítulos seguintes enfocam a estrutura fiscal e a questão do financiamento da seguridade social no Brasil. O texto de Jose Roberto Afonso e Gabriel Junqueira (Reflexões a respeito da interface entre seguridade social e fiscalidade no Brasil) discute as repercussões da política fiscal no comportamento dos gastos sociais do país. Desequilíbrio nas relações entre os entes federativos, priorização de benefícios sociais em detrimento das políticas universais, predominância das contribuições sociais como principal fonte de arrecadação financeira e o caráter regressivo do padrão tributário brasileiro (onerando os mais pobres e a classe média) foram algumas questões salientadas nesse debate. Ao mesmo tempo em que percebe as contribuições sociais criadas pela Constituição de 1988 como fundamentais para a subseqüente promoção da expansão dos gastos sociais, o texto destaca a imperiosa necessidade de reconhecer que elas “estão na raiz das principais distorções da estrutura de financiamento do Estado brasileiro” (p. 135). Assim, no momento em que a reforma tributária está na pauta da agenda governamental, o autor sugere ser essa uma “oportunidade de pensar sobre um projeto, uma estratégia nacional de desenvolvimento econômico” (p. 135).
Mostrar mais

5 Ler mais

Rev. katálysis  vol.18 número2

Rev. katálysis vol.18 número2

Entre as décadas de 1920 e 1970, os países da América Latina e do Caribe organizaram seus sistemas de seguridade social cujas particularidades nacionais – o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as funções prioritárias do Estado, a organização e as lutas dos trabalhadores – os tornaram diferentes. As pesqui- sas e os estudos mais difundidos sobre o assunto, especialmente os coordenados pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontam um relativo consenso quanto à organização, ao alcance social e ao posterior desmantelamento destes sistemas. Assim, mostram Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Cuba e Costa Rica como os pioneiros em sua organização nas décadas de 1920 e 1930. Nas duas décadas subsequentes as iniciativas foram do Panamá, México, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador e Venezuela, enquanto Paraguai, República Dominicana, Guatemala, El Salvador, Haiti, Nicarágua e Honduras desenvolveram tardiamente os seus sistemas, apenas nas décadas de 1960 e 1970. Esta mesma sequência dos países quanto ao início da organização coincide, comparativamente, com os melhores níveis de desenvolvimento e cobertura social dos sistemas. Todavia, as diferenças entre estes são acentuadas quanto aos princípios e diretrizes, tipos de benefícios, critérios de acesso e permanência e modelos de gestão, controle social e financiamento. Resguardadas as diferenças, a previdência social localiza-se no centro dos sistemas e desenvolveu-se dependente do trabalho assalariado estável. Suas prestações de retorno (pensões, auxílios-doença, aposentadorias etc.) possuem acessos e valores condicionados às contribuições individuais prévias, mesmo havendo previsão de aportes fiscais em seu financiamento.
Mostrar mais

2 Ler mais

A saúde no sistema de seguridade social brasileiro

A saúde no sistema de seguridade social brasileiro

como principais propagadores instituições como o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), criado em 1976, “a partir da iniciativa de filiados do então Partido Comunista do Brasil (PCB)” (Elias, 1997, p. 195). Além do Cebes, é digna de nota a participação de profissionais e políticos de esquerda, com articulações internacionais, bem como de membros de centrais sindicais, de entidades associativas de trabalhadores da área e de movimentos populares. Grande parte dos profissionais mencionados ocupava postos importantes no Ministério da Saúde (MS) e no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) – o que lhes propiciava conhecimento da máquina governamental e, conseqüentemente, condições privilegiadas para problematizar a situação da saúde e incluí-la, como questão politicamente trabalhada, na agenda pública. Tratava-se, portanto, de uma elite profissional, de atores estrategicamente situados, dotados de recursos políticos para transformar problemas em questão (Oszlak e O’Donnell, 1976), a ponto de angariarem para as suas propostas ampla legitimidade. Disso se ressentiu a previdência e, especialmente, a assistência social, a qual, nas palavras de Almeida (1996, p. 25), não contou com “uma elite profissional que fosse capaz de nuclear e dar rumo a uma coalizão mudancista e que aliasse clara concepção do novo modelo
Mostrar mais

23 Ler mais

O orçamento da seguridade social e a efetividade dos direitos sociais

O orçamento da seguridade social e a efetividade dos direitos sociais

Atualmente, nos sistemas constitucionais modernos, a dignidade da pessoa humana encontra papel central, verdadeiro embasamento axiológico do sistema jurídico e pedra angular do Estado. No sistema jurídico brasileiro, os direitos sociais são parte importante dos direitos fundamentas, pois garantem a dignidade humana materialmente considerada. Para assegurar os direitos sociais relacionados à Seguridade Social, a Constituição de 88 estabeleceu um meio de custeio específico, as contribuições sociais. O motivo constitucional dessa exação é assegurar financeiramente os direitos sociais relativos à Seguridade Social. O tema adquire relevo quando consideramos que tal modelo de tributação diretamente relacionado com uma atividade estatal específica não encontra efetividade prática. A arrecadação a título de contribuições sociais, na prática, é destinada a finalidade diversa. Isso significa que a União institui tributos para um propósito, mas utiliza o montante arrecadado para finalidade diversa. Ademais, o orçamento da Seguridade Social no Brasil não é utilizado como meio de planejamento de intervenção da União na seara social. Sua principal finalidade seria a de estimar a arrecadação das contribuições sociais e vinculá-las a programas e ações na área específica da Seguridade Social. Contudo isso não ocorre. Dessa forma, os efeitos da inércia da União podem ser notados na atual crise de subjetivação dos direitos sociais e também afetam a dinâmica do federalismo brasileiro. Esses fatores causam o que chamamos de crise da orçamentação fiscal, diretamente relacionado com a crise de efetividade dos direitos sociais.
Mostrar mais

35 Ler mais

Show all 10000 documents...