Sigmund Freud

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SIGMUND FREUD

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Sigmund Freud acaba de morrer. Sua glória é universal e popular. Os temas de sua psicologia, o inconsciente, o recalque, a sublimação, caíram no domínio público. E, no entanto, não se pode garantir que a obra de Freud seja tão bem compreendida quanto conhecida. Temos o hábito de considerá-la como uma psicologia e como uma medicina. Era assim mesmo que Freud a entendia: uma terapêutica das moléstias nervosas. Lembremos o exemplo de Descartes no século XVII. Descobrira uma nova técnica para a interpretação e domínio da natureza: a aplicação da matemática aos fenômenos físicos. Entretanto, na nossa época, ele é considerado sobretudo como o filósofo de uma nova era. Diremos que a filosofia em que se baseia o método cartesiano superou as aplicações científicas e os resultados do próprio método. Podemos prever para Freud um futuro semelhante. Desejaríamos, hoje, tentar assinalar, através dos temas da psicanálise, e sobretudo, de suas condições históricas, aquilo que se poderia chamar um ensaio de filosofia freudiana.
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O PROBLEMA DO DESTINO NA OBRA DE SIGMUND FREUD

O PROBLEMA DO DESTINO NA OBRA DE SIGMUND FREUD

A dissertação trata da incidência do termo destino – Schicksal, na língua alemã – na obra de Sigmund Freud. Aborda-se a história conceitual do destino, destacando-se sua tendência a ser incorporado pelo discurso místico-religioso e, consequentemente, sua marginalidade no campo da ciência. Na própria psicanálise, é possível identificar que o destino é ainda um tema controverso e pouco trabalhado. A título de exemplo, basta destacar que o destino não está contemplado em nenhum dos diversos dicionários de psicanálise. Por outro lado, sua incidência no texto freudiano é praticamente ininterrupta. A partir deste contraste entre presença e ausência do destino, isto é, presença nos textos freudianos e ausência no léxico da psicanálise, se retornou à obra de Freud buscando os diversos significados para o conceito em questão. Uma forma de tornar os inúmeros usos que Freud faz da noção de destino menos complexos e obscuros é através da associação entre destino e tropo, destacada por Jacques Lacan. Com base nesta associação, chegou-se a dois conjuntos que Freud utilizou para estabelecer seu entendimento da noção de destino: Daimon-Tiquê e Ananké-Logos. O primeiro deles se refere à ação conjunta de constituição e acaso, que demonstra que o destino está associado a uma singularidade na satisfação pulsional. O segundo conjunto, composto de Ananké e Logos (necessidade e razão), é uma forma de Freud ir além de uma concepção parental do destino. Para Freud, os acontecimentos do mundo são regidos por Ananké e Logos e não por uma entidade parental. O que se pôde perceber é que o destino é um conceito que a psicanálise não pode deixar de considerar, nem em âmbito teórico e menos ainda clinicamente. O destino está diretamente associado aos objetos conceituais originais da psicanálise, tais como os sonhos, os chistes e os atos falhos. O risco de esquecer-se de uma dimensão tão importante como o destino equivale a esquecer-se da origem da psicanálise.
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Tradução das obras incompletas de Sigmund Freud: entrevista com Pedro Heliodoro Tavares em torno dos desafios de traduzir Freud

Tradução das obras incompletas de Sigmund Freud: entrevista com Pedro Heliodoro Tavares em torno dos desafios de traduzir Freud

Pedro Heliodoro Tavares é professor da Área de Alemão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Foi professor da Área de Alemão - Língua, Literatura e Tradução da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (2011-2018). Doutor em Psicanálise e Psicopatologia pela École Doctorale Recherches en Psychanalyse da Université Paris VII - Denis Diderot (Paris-França) (2005-2008), bem como Doutor em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003-2007). Realizou Pós-Doutorado junto à Pós-Graduação em Estudos da Tradução da UFSC (2010-2011) bem como no Zentrum für Lliteratur- und Kulturforschung de Berlim (2016- 2017) investigando as traduções da obra de Sigmund Freud. Suas publicações envolvem a interface entre Letras e Psicanálise. Desde 2012 coordena, em parceria com o professor Gilson Iannini, os trabalhos de tradução da Coleção das Obras Incompletas de Sigmund Freud pela Editora Autêntica. Nessa entrevista Pedro nos fala sobre o início desse trabalho de tradução, seus desafios e dificuldades, nos dá notícias sobre o andamento das próximas publicações e comenta um pouco sobre a tradução de alguns termos e conceitos centrais na teoria freudiana.
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CONVERSAÇÕES ENTRE STEFAN ZWEIG E SIGMUND FREUD: Um olhar sobre suas correspondências

CONVERSAÇÕES ENTRE STEFAN ZWEIG E SIGMUND FREUD: Um olhar sobre suas correspondências

Stefan Zweig Correspondencia con Sigmund Freud, Rainer Maria Rilke y Arthur Schnitzler, teniendo como corte las letras intercambiadas entre Stefan Zweig e Sigmund Freud, la mayoría de ellas son inéditas en portugués. Dicha obra está en español, como su título indica, es una versión traducida en 2004 por la editorial Paidós Testimonios, del original alemán Briefwechsel mit Hermann Bahr, Sigmund Freud, Rainer Maria Rilke und Arthur Schnitzler, pubicado en el año 1987. Con el fin de seleccionar entre las docenas de letras, decidimos tomar como segundo corte, discutir y analizar solamente las letras que incluyeron: el desarrollo de la amistad, que se extienden acerca de los aspectos teóricos del psicoanálisis y comentarios de Freud acerca de los trabajos de Zweig, así como temas de la Segunda Guerra, del exilio y también del antisemitismo. Para ayudar y enriquecer aún más esta investigación también se utilizó el libro, en francés, Stefan Zweig Correspondance 1932-1942, llevándonos las misivas de Zweig a otros destinatarios, con el fin de cubrir los temas que enriquecieron las discusiones propuestas. Las letras originales intercambiadas entre los dos pensadores están en diferentes archivos y bibliotecas, incluyendo: Biblioteca de la Universidad de Cambridge - Inglaterra; Daniel A. Reed Library, Universidad Estatal, Fredonia - Nueva York; Biblioteca del Congreso - Washington, DC y judía Biblioteca Nacional y Universitaria - Jerusalén, etc. En la correspondencia, hay 78 letras, 31 Freud y 47 de Zweig, abarcando el período 1908-1939.
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O conceito de “primitivo” na obra de sigmund freud / The  "primitive" concept  in sigmund freud’s work

O conceito de “primitivo” na obra de sigmund freud / The "primitive" concept in sigmund freud’s work

Embora a noção de primitividade tenha ocupado um lugar central no pensamento freudiano, o conceito de primitivo enfrenta os problemas inerentes às construções conceituais psicanalíticas, em função de sua imprecisão e ambiguidade. Desse modo, recuperar esse conceito na obra de Sigmund Freud possibilitou ampliar a compreensão acerca desse objeto de estudo, pelas articulações que isso promove com o pensamento do autor sobre os processos culturais e clínicos. A proposta foi delinear com maior profundidade como o autor define essa questão do primitivo, procurando clarificar esse conceito e as implicações de sua utilização. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma pesquisa conceitual, através da qual debruçou-se sobre a Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Observou-se que o autor utiliza o termo primitivo com várias acepções não excludentes, que enfatizam elementos de parte constituinte do psiquismo que é oriunda dos estados iniciais do funcionamento mental, tanto da espécie (filogênese) quanto do indivíduo (ontogênese), os quais permanecem dinamicamente atuando juntos aos desenvolvimentos posteriores, mantendo seu caráter imperecível como é tão destacado pelo autor, e que são determinantes na sua construção teórica acerca dos processos culturais, civilizatórios, grupais, bem como daqueles próprios do indivíduo, que se manifestam na clínica psicanalítica.
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Da guerra e da morte. Temas da atualidade. de Sigmund Freud: um século depois

Da guerra e da morte. Temas da atualidade. de Sigmund Freud: um século depois

O século XXI, numa continuidade es- pantosa com o anterior, tempo das grandes catástrofes históricas, vem experimentando uma série de genocídios em massa, ditadu- ras violentas, racismo e segregacionismo, terrorismo e explorações predatórias da na- tureza. Nos termos da crueldade e da des- truição, novos traumas sociais atingem os quatro cantos de uma civilização cujo pro- gresso tecnológico e cientíico se mostra cada vez mais acelerado e quase que inó- cuo à compulsão de destruição entre os ho- mens. A bússola mais precisa que encontro para pensar esses signos da estranha alian- ça entre barbárie e progressos é um texto de Sigmund Freud que recém completou 100 anos: “Da guerra e da morte. Temas da atua- lidade” (1915a/1976), escrito e publicado durante a Primeira Guerra Mundial. Minha coniança nessa obra consiste em saber que a ferramenta com a qual o autor perscruta a cultura de guerra e morte, a metapsicologia, por ser passível de reelaboração constante, se presta também à leitura do mal-estar de nossa contemporaneidade.
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SIGMUND FREUD: PARA UMA EDUCAÇÃO ALÉM DA PEDAGOGIA

SIGMUND FREUD: PARA UMA EDUCAÇÃO ALÉM DA PEDAGOGIA

Toda pretensão de se prevenir as neuroses e as perversões graças a uma pretensa educação adequada está alicerçada numa leitura dos textos freudianos que desconhece a estrutura paradoxal do desejo revelada pela experiência psicanalítica. Essa “leitura parcial” de Freud pode ser creditada na conta do tempo, ou seja, no tempo que foi necessário para o advento lacaniano de um “retorno a Freud”. Mas também, cabe lembrar que a pretensão de uma profilaxia psíquica, que se reivindicou freudiana, esqueceu simplesmente de ler a advertência da sua impossibilidade estrutural que o próprio Freud formulara, com clareza e distinção, em Análisis terminable e interminable (FREUD, 1937,v.2). Em suma, mesmo tendo lhe sido possível brandir a seu favor La ilustración sexual del niño (FREUD, 1907,v. 2) y La moral sexual “cultural” y la nerviosidad moderna (FREUD, 1908, v.2), não poderia não ter avançado mais um pouco na leitura ao menos cronológica das Obras Completas.
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As incidências éticas subentendidas/entrelidas nos "artigos técnicos" de Sigmund Freud.

As incidências éticas subentendidas/entrelidas nos "artigos técnicos" de Sigmund Freud.

Segundo Freud (1969-1980[1917a; 1910b]; LOEWENFELD, 1969- 1980[1904]), a “tarefa” que o método psicanalítico se propõe a resolver pode ser expressa de diferentes formas, todas elas equivalentes: “tornar o inconsciente cons- ciente”; “desfazer recalcamentos”, lições relativas à primeira tópica do aparelho psíquico; e “lá onde está o isso, o sujeito deve aí advir”, lição relativa à segunda tópica. Se para “tornar o inconsciente consciente”, o psicanalista não pode deixar de dar informações sobre o que foi recalcado (FREUD, 1969-1980[1910b]), só deve fazê-lo, contudo, após duas condições terem sido alcançadas: o paciente deve ter alcançado ele próprio uma proximidade daquilo que recalcou, e já deve ter constituído uma transferência para com o psicanalista. A transferência é apontada, por um lado, como obstáculo/resistência à análise e, por outro, como condição indispensável e meio de acesso ao inconsciente “graças e apesar da transferência”, podemos assim formular essa ambivalência que lhe é inerente.
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LÍRICA E CLÍNICA: OS CADERNOS DE PAUL VALÉRY E O PROJETO DE SIGMUND FREUD

LÍRICA E CLÍNICA: OS CADERNOS DE PAUL VALÉRY E O PROJETO DE SIGMUND FREUD

A recusa de Valéry ganha ainda outro tempero quando associada à estreita relação entre psicanálise e surrealismo, importante responsável pela introdução de Freud na cultura francesa. É que Valéry, inicialmente tutor de André Breton (então um estudante de medicina candidato a poeta), passa por um progressivo desentendimento sobretudo quando entram em jogo questões como o sonho e a associação livre. Na parte da correspondência entre os dois depositada na Biblioteca Nacional da França – um dos documentos mais interessantes do fundo Valéry – é evidente o quanto Valéry parecia repetir com Breton, com papéis trocados, a sua relação com Mallarmé. Mas o século XX não era o melhor momento para configuração de relações mestre/discípulo e nem Breton tinha lá muito jeito para aprendiz de feiticeiro.
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O esquecimento de nomes próprios na psicopatologia da vida cotidiana, de Sigmund Freud

O esquecimento de nomes próprios na psicopatologia da vida cotidiana, de Sigmund Freud

chamado de Herr (Senhor), no seu discurso textual, relatado no Tema Anterior, pode-se supor uma Identificação do próprio Freud — médico — ao médico genérico ali mencionado, e, por via de[r]

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A metáfora psicológica de Sigmund Freud: neurologia, psicologia e metapsicologia na fundamentação da psicanálise.

A metáfora psicológica de Sigmund Freud: neurologia, psicologia e metapsicologia na fundamentação da psicanálise.

Muitos dos posicionamentos freudianos comentados acima recebem aqui uma formulação mais detalhada. Por exemplo, pode-se depreender das passagens acima que a insuficiência do conhecimento neurológico disponível que limitava a teoria de- senvolvida por Freud a uma formulação exclusivamente psicológica referia-se, sobre- tudo, ao desconhecimento dos processos que medeiam entre a anatomia cerebral e a experiência consciente. Isso impediria o estabelecimento de uma sequência contínua e empiricamente descritível de relações de causa e efeito entre ambas, resultando na superação do paralelismo sobre cuja inadequação Freud já se manifestara. Na impos- sibilidade disso, a psicanálise precisa contentar-se com a construção de um modelo teórico abstrato para representar essas relações, justamente o que Freud, desde A in- terpretação dos sonhos, denomina “aparelho psíquico”. Trata-se, portanto, de evitar a solução fácil que consistiria em projetar sobre a superfície cerebral processos hipoté- ticos extraídos da observação puramente psicológica dos fenômenos de consciência, assumindo a tese localizacionista e o princípio do isomorfismo mente-cérebro que Freud condenara desde o trabalho sobre as afasias. Essa solução traria consigo, ainda, como vimos, o paralelismo psicofisiológico, que condena a psicologia a ser uma des- crição da experiência consciente e a neurologia a ser uma exploração da anatomia ce- rebral em busca das sedes de processos nervosos hipotéticos concebidos segundo o modelo das funções psíquicas acessíveis à observação. Assim, ultrapassar o localiza- cionismo revelou-se também uma maneira de superar a identidade entre mente e cons- ciência que é constitutiva da psicanálise (cf. Simanke, 2006). Também isso se explicita no Esboço de psicanálise, quando Freud introduz o segundo pressuposto em que se des- dobra sua “premissa fundamental”, a saber, que a maior parte dos processos que cons- titui esse aparelho psíquico é inconsciente. Isso é afirmado na mesma passagem, já citada aqui, em que se reitera que esses processos psíquicos em si inconscientes não podem ser outra coisa a não ser processos físicos que ocorrem no sistema nervoso.
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Projeção e desamparo : filosofia, religião e teoria psicanalítica em Sigmund Freud

Projeção e desamparo : filosofia, religião e teoria psicanalítica em Sigmund Freud

O que acontecerá, pois, é que na formação da neurose traumática o que se apresentará como paradigma será novamente a castração, mas com uma novidade: o eu reagirá aqui com a formação da angústia por conta de uma percepção que remete ao fato de ter sido abandonado pelo supereu protetor. Isso adicionará algo às ideias sobre a concepção de angústia: o seu aparecimento também nos casos em que ocorrem repetidas perdas de objeto. Sim, porque se a castração remete a separações, a isto se somará a já citada ideia de afastamento do supereu, fomentando o surgimento de um novo núcleo a respeito da gênese da angústia. Aliás, um outro ainda será aventado por Freud, e por conta do seguinte: nunca é demais lembrar que na base da formação das neuroses traumáticas está a quebra da proteção antiestímulos 95 , o que ocorre por conta do choque produzido pela excitação em demasia. Isto abre a possibilidade de que a angústia seja desenvolvida, o que, em última instância, vem a significar o seguinte: ela não precisa se limitar a ser um sinal advindo de reativações de vivências anteriores, mas pode ser produzida como algo novo, que surge em variadas
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Os “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” de Sigmund Freud e a Psicologia da Criança no final do século XIX

Os “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” de Sigmund Freud e a Psicologia da Criança no final do século XIX

No Instituto de Brücke investigava-se o sistema nervoso de animais, e sobre estas pesquisas, Ernest Jones afirma que “estreitamente vinculada a esse aspecto dinâmico da fisiologia de Brucke era sua orientação evolutiva”. 48 Freud inicialmente realizou pesquisas microscópicas da histologia de células nervosas de certos peixes primitivos (Petromyson). As investigações de Freud das colunas espinhais dos Petromyson acabaram por demonstrar que as células destes peixes inferiores (células de Reissner) eram homólogas às células ganglionares espinhais posteriores; trabalho este, publicado em 1878. Portanto, estas pesquisas histológicas baseadas numa fisiologia mecanicista eram também um estudo filogenético, ou seja, tinham uma orientação evolutiva na medida em que se buscava demonstrar a continuidade existente entre animais inferiores e superiores.
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UM ESTUDO SOBRE O RELACIONAMENTO E A RUPTURA ENTRE SIGMUND FREUD E CARL GUSTAV JUNG

UM ESTUDO SOBRE O RELACIONAMENTO E A RUPTURA ENTRE SIGMUND FREUD E CARL GUSTAV JUNG

Freud tinha uma conexão especial com Carl Jung, que brotava num olhar. Uma ligação como esta não exisitia com nenhum de seus outros seguidores até agora, nem mesmo Abraham, o defensor mais fervoroso de suas teorias. Mas, apesar da clara disparidade de afeição que sentia pelo gentio suíço em relação ao judeu de Berlim, Freud percebia a rixa que se formara em Salzburg. Quanto a isso, apelava para Jung perceber que os psicanalistas já eram um grupo pequeno e que, por isso, não podiam brigar entre si. “Eu não gostaria de ser obrigado a desistir dele [Abraham], apesar de modo algum ele possa substituir o senhor a meus olhos (...) o senhor leva toda vantagem sobre ele”. Contudo, não havia passado em branco o fato de ter sido Abraham quem defendeu bravamente a teoria da sexualidade e ele dizia a Jung: “Peço-lhe que aceite o fato de que desta vez ele tomou o caminho mais direto, enquanto o senhor hesitou”.
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Tito Lívio Ferreira Vieira O "Projeto para uma Psicologia Científica" de Sigmund Freud

Tito Lívio Ferreira Vieira O "Projeto para uma Psicologia Científica" de Sigmund Freud

Do ponto de vista dos conhecimentos anatômicos da época, lembrou Freud, se conhecia um sistema de neurônios que compunha a medula espinhal que era composto por substância cinzenta, que e[r]

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Um estudo da noção de trabalho psíquico nos primeiros anos da obra de Sigmund Freud

Um estudo da noção de trabalho psíquico nos primeiros anos da obra de Sigmund Freud

organização que cuja presença perturba caminhos [da excitação] que, da primeira vez, consumavam de maneira definitiva” (Freud, 1950/2007, p. 368). O eu promove “investimentos colaterais” que inibem o curso da quantidade de excitação que circula dentro do aparato e, assim, ele cumpriria a função de inibir os processos psíquicos primários, que realizariam um investimento da representação$desejo até a alucinação da satisfação. Os processos primários desconsiderariam a realidade e os processos secundários, possíveis a partir do eu, criariam um adiamento ou uma moderação do investimento a fim de determinar sobre a realidade daquele objeto$desejo. A moderação do investimento é possível pela realização do trabalho do pensamento , que permitiria distinguir a percepção do objeto da lembrança do objeto (representação) (Freud, 1950/2007). Essa breve apresentação demonstra como algumas ideias centrais ao pensamento freudiano já estavam presentes no Projeto: processos primário e secundário, a diferença entre perceber o objeto e aluciná$lo (ou seja, investir uma representação do objeto$desejo), a relação entre investimento e realidade psíquica, a função do eu de inibir o investimento/desejo. De fato, a noção de trabalho psíquico é herdeira de grande parte das elaborações construídas por Freud no Projeto e, por isso, esse texto pode ser compreendido como um momento intermediário dessa construção. A construção de um modelo para o aparelho psíquico (não mais o sistema nervoso) e a compreensão do papel dos desejos infantis recalcados foram passos fundamentais para a consolidação da concepção freudiana de trabalho psíquico porque permitiram a caracterização de dois modos de trabalho diferentes no psiquismo: o sistema Prcc em continuidade com o trabalho do pensamento, e sistema Icc em continuidade com a alucinação da representação$desejo.
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A cortina rasgada: o cinema de Alfred Hitchcock e a teoria da imagem em Sigmund Freud.

A cortina rasgada: o cinema de Alfred Hitchcock e a teoria da imagem em Sigmund Freud.

apreendemos apenas os efeitos, indicando que não há correspondência impres- cindível entre a imagem e a palavra. Deste modo, o cinema que acolhe o incons- ciente coloca em cena o ponto de fuga da imagem, produzindo efeitos de sentido que não precisam estar necessariamente articulados, ponto a ponto, nos diálogos. Quando Freud (1895/2007) nos fala da decomposição do complexo perceptivo em uma parte assimilável pelo pensamento e outra resistente à sua compreensão, o que está fora se recusa ao pensamento e à palavra, mas não à imagem. Aqui se constroem os primeiros passos de uma teoria freudiana sobre os sonhos e as fantasias. Ao tornar signo o invisível, o cinema toca em uma realidade sobre a qual a psicanálise teoriza. No “Projeto para uma psicologia científica” (Freud, 1895/2007), examinamos que a incompatibilidade das características do psiquis- mo de se manter receptivo e, ao mesmo tempo, conservar a percepção nos traços mnêmicos leva Freud a estabelecer diferença entre uma representação e uma per- cepção. É no intervalo entre a percepção e a memória que a fantasia toma lugar. Mais precisamente, é por haver um espaçamento entre estas duas funções que o conceito de memória encontra-se, em Freud, mais associado à dimensão criativa que ao simples arquivamento de um acontecimento. Desse modo, a relação entre a memória e a fantasia põe em evidência o lembrar criativo como uma caracterís- tica essencial do trabalho mnêmico.
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SINGULARIDADE E UNIVERSALIDADE EM A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS, DE SIGMUND FREUD

SINGULARIDADE E UNIVERSALIDADE EM A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS, DE SIGMUND FREUD

65 por R. a uma reação contra as ofensas direcionadas a ele e ao seu amigo N., o segundo concorrente à nomeação. Insatisfeito com essa solução, Freud ainda considera que o seu desejo de tornar-se professor não seria forte o bastante para motivar um sonho onde dirige ofensas a seus amigos de uma maneira tão discrepante daquilo que admitiria em seu pensamento de vigília. As ambições capazes de provocar tal sonho serão então buscadas por Freud em recordações infantis. Em primeiro lugar, chega à recordação de que lhe contaram várias vezes que, quando nasceu, uma velha camponesa profetizou a sua mãe que ela havia dado à luz um grande homem. Mas é em outra recordação, dos últimos anos de sua infância, que Freud encontrará uma explicação que considera mais adequada para a ambição que tem em vista. Quando tinha onze ou doze anos, seus pais lhe levaram a um restaurante onde um homem que improvisava versos lhe profetizou que era provável que ele um dia se tornaria ministro. Teria sido então esse desejo de tornar-se ministro, provindo da infância, o responsável pela formação do sonho, de modo que, ao ofender os seus amigos por serem judeus, ele se comporta como ministro, e, tomando o lugar do próprio ministro, dele se vinga por não lhe ter concedido o cargo de professor. Podemos observar novamente, aqui, certa subordinação da análise de um sonho singular à elucidação de teses gerais: a análise levada a cabo no capítulo IV vai até certo ponto, mostrando o processo da desfiguração do sonho, mas a interpretação é desmembrada em favor da construção discursiva a partir do estabelecimento de teses, de modo que só na seção B do capítulo V a análise do sonho é retomada e prolongada até a recordação e ao desejo infantis que estariam na base da formação do sonho.
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Sigmund Freud: más allá del principio de modernidad

Sigmund Freud: más allá del principio de modernidad

This paper proposes to follow the french philosopher Jacques Rancière’s thougth when tackling Freud’s theoretical work as dislocated from its historical time, that is from the theoretical formulations captivated in the positivism that would make humanities a scientific practice. In others words this work understands Freudian’s texts beyond the very extended positivism in the humanities at those times. Jacques Rancière points out that Freudian’s interpretative and theoretical work breaks a classic aesthetic logic creating a new way of thinking beyond modern logic. Consequently, this paper will focus on the conceptualization of modernity developed by Michel Foucault in his work The Politics of Truth (1997). Later on, it will approach the Greek Cynics as a path towards understanding Jacques Rancière’s proposal in El inconsciente estético (2005), in which Freud is presented as an aesthetic thinker.
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Moisés: a personagem bíblica, do Êxodo a Sigmund Freud

Moisés: a personagem bíblica, do Êxodo a Sigmund Freud

Para  desconstruir  um  mito,  seja  o  da  Bíblia  hebraica,  seja  o  de  Otto  Rank,  Freud  construiu  outro,   resultante,   primeiramente,   de   suas   investigações   no   âmbito   da   história,   da   arqueologia   e   da   exegese   bíblica,   a   seguir,   da   inserção   de   suas   próprias   descobertas   científicas,   relatadas   sobretudo   em   Totem   e   tabu.   Para   operar   essa   transferência,   substitui   o   pai   primordial   por   Moisés,  e  a  horda  primitiva  pelos  semitas  residentes  no  Egito;  o  primeiro  converte-­‐‑se  não  mais   no  totem  protetor  do  grupo,  periodicamente  objeto  de  rituais  de  devoração  e  adoração,  mas  no   poderoso   Jeová,   o   Deus   hebraico;   os   segundos   convertem-­‐‑se   nos   eternamente   condenados   judeus,  que,  mesmo  na  Diáspora,  expiam  a  culpa  que  os  faz  ao  mesmo  tempo  o  povo  eleito  e  o   povo  perseguido.  
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