Sindicalismo - Brasil

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Trabalho e sindicalismo no Brasil: um balanço crítico da "década neoliberal" (1990-2000).

Trabalho e sindicalismo no Brasil: um balanço crítico da "década neoliberal" (1990-2000).

De certo modo, a irrupção da “década neoliberal”, com a derrota política da Frente Brasil Popular, em 1989, e o desenvolvimento sistêmico de um novo regime de acumulação flexível, sob o primado do toyotismo como nova ideologia orgânica da produção capitalista, além do débâcle do “socialismo real” (com a implosão do bloco soviético, a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da URSS) e do clima político- ideológico pró-capitalista (a exuberância da ideologia da globalização sob a hegemonia americanista) contribuíram para a consolidação política de tendências moderadas e defensivista no seio do sindicalismo cutista e para o surgimento de tendências liberais no sindicalismo brasileiro (a criação da Força Sindical ocorreu em 1991, num contexto de reação política no país). Na verdade, criou-se um caldo sindical defensivista de novo tipo, capaz de garantir a sobrevivência de bases sindicais e de seus aparatos burocráticos sob a ofensiva do capital (de práticas de resistência passou-se à formulação de novas estratégias sindicais e políticas) (ALVES, 2000, p. 302).
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Agricultores, trabalhadores: os trinta anos do novo sindicalismo rural no Brasil.

Agricultores, trabalhadores: os trinta anos do novo sindicalismo rural no Brasil.

As transformações no mundo do trabalho que se disseminaram no Brasil a partir dos anos de 1990 – a introdução de novas tecnologias de pro- dução e de gestão, o desemprego estrutural, a des- regulamentação do trabalho, o trabalho temporário e a terceirização – significaram uma crescente hete- rogeneização, fragmentação e complexificação da forma de ser e de viver da classe trabalhadora, com impacto direto na ação sindical (Antunes, 1995). No que diz respeito aos interesses históricos dos trabalhadores, essas transformações implicaram em impactos no plano da “subjetividade, da consciên- cia do ser social que trabalha”, e impactos em suas “ações de classe, nas ações de seus órgãos de representação”. Quanto às questões imediatas, a década de 1990 reservou sérias dificuldades ao movimento sindical: com a abertura comercial inú- meros setores da indústria doméstica quebraram diante da competição com os produtos importados. O ajuste implementado abruptamente, sem regras e processos de transição, provocou um drástico corte dos postos de trabalho, fato agravado pelo perío- do de recessão em que se operaram tais mudanças. Essas tendências foram aprofundadas com a insti- tuição do Plano Real, quando se optou pela esta- bilização mediante a sobrevalorização cambial, a elevação das taxas de juros e a aceleração da aber- tura comercial, com impactos diretos no setor pro- dutivo e no mercado de trabalho. Com isso, o emprego e o trabalho passaram a ocupar o lugar de destaque antes ocupado pela luta por salários. Isso marcou uma inflexão na agenda sindical em relação à década anterior. As marcas principais dessa tenta- tiva de reorientação do paradigma de ação sindi- cal foram: i) a necessidade de horizontalizar a ação política, em contraposição ao verticalismo constituído de acordo com a organização por ramos de atividade, característica do período anterior; ii) a necessidade de reconsiderar a base social desse sindicalismo, sobretudo incluindo uma multiplicidade de formas sociais de trabalho, para além da tradicional situação de assalaria- mento; e iii) a necessidade de conferir um tom mais “propositivo” à ação sindical, em contraposi- ção ao caráter marcadamente reivindicatório do período anterior.
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O QUE TERÁ ACONTECIDO AO SINDICALISMO BANCÁRIO NO BRASIL (2003-2014)?.

O QUE TERÁ ACONTECIDO AO SINDICALISMO BANCÁRIO NO BRASIL (2003-2014)?.

Nas últimas décadas, em todo o mundo, houve grandes transformações nas formas de trabalho e de produção, em seus dispositivos regulatórios, bem como no perfil dos trabalhadores. Diante delas, o sindicalismo perdeu a força e a inf luência que teve em grande parte do século XX, a tal ponto de alguns analistas prognosticarem seu fim. No Brasil não foi diferente e, se nos anos 1980 o sindicalismo cresceu em organização e capacidade de ação e desenvol- veu um ciclo de greves excepcional, a partir de meados dos anos 1990 expe- rimentou um ref luxo, com diminuição na capacidade e eficácia da ação sin- dical, perda de sua importância política e decréscimo significativo do núme- ro de sindicalizados. Contudo, passada aquela que ficou conhecida como “a década neoliberal”, algumas análises têm sugerido, cada qual à sua maneira, que os sindicatos trabalhistas no Brasil estão vivos e mantêm alguma impor- tância (ver Ladosky et al., 2014; Cardoso, 2013; Boito Jr. et al., 2009; Ramalho & Rodrigues, 2013; Fontes & Macedo, 2014; Soares, 2013). Essas análises de- monstram que, a despeito dos problemas que vêm enfrentando, os sindicatos têm realizado mobilizações consideráveis, somado conquistas e até mesmo inovado nas agendas e formas de atuação. Fica notória, assim, a existência de interpretações divergentes concorrendo no espaço público: para uma par- cela da academia o sindicalismo está em crise e segue com menos prestígio do que gozava outrora; por outro lado, vêm se avolumando dados estatísticos e estudos acadêmicos que relativizam ou contradizem essa visão de crise.
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SINDICALISMO E TERCEIRIZAÇÃO NO BRASIL: pontos para reflexão.

SINDICALISMO E TERCEIRIZAÇÃO NO BRASIL: pontos para reflexão.

O objetivo deste artigo é propor uma perspectiva de interpretação sobre o sindicalismo face à terceirização no contexto atual, buscando apreender e sistematizar os posicionamentos das Centrais Sindicais, com foco na CUT, no tema em questão. Interessa-nos discutir a relação entre o sindicalismo brasileiro e o padrão segmentado das relações de trabalho no país, vistos em perspectiva histórica, tomando a terceirização como um processo que atualiza e ressignifica tal padrão. Afinal, o que está em disputa com o tema da terceiriza- ção? Que implicações tem trazido para os trabalhadores e para a agenda sindical e o futuro do sindicalis- mo? Levando-se em conta as características históricas das classes trabalhadoras e da organização sindical, que questões suscitam a terceirização e o presente momento de sua regulamentação? Assim posicionado, pretendemos propor algumas reflexões sobre como a terceirização – enquanto característica central das dinâmicas produtivas e do trabalho no capitalismo contemporâneo, no mundo e no Brasil – desafia o sindi- calismo, colocando-lhe renovadas limitações e possibilidades.
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Do novo sindicalismo à concertação social: ascensão (e crise) do sindicalismo no Brasil (1978-1998)

Do novo sindicalismo à concertação social: ascensão (e crise) do sindicalismo no Brasil (1978-1998)

A ascensão do sindicalismo, o despertar da “sociedade civil”, dos “novos movimentos soci- ais”, se utilizarmos uma expressão tão cara na épo- ca, caracterizam o ocaso do bonapartismo militar. O resultado político imediato, num cenário de renascimento do movimento sindical e popular, é o “Movimento das Diretas Já” – um processo polí- tico que, apesar da participação operária e popular maciça, esteve sob a hegemonia de uma burguesia liberal insatisfeita com os rumos da crise do padrão de acumulação capitalista no país. São aconteci- mentos que caracterizaram um Brasil de esperança, que, entretanto, inseria-se num cenário mundial nada promissor – a mundialização do capital avan- çava nos países capitalistas centrais, impulsionada pela política neoliberal (ALVES, 1999). Nesses países, assistíamos a uma crise do sindicalismo e dos partidos de esquerda. O Brasil, um país capita- lista importante na geopolítica do “Terceiro Mun- do”, nos anos 80 estava por fora da nova ordem mundial capitalista instaurada pela globalização. O que viria a seguir, nos anos 90, seria a grande sin- cronia histórica da ordem capitalista no Brasil com o que ocorria lá fora, inserindo-se, de modo depen- dente (e subalterno) na mundialização do capital sob o signo das políticas neoliberais. Foi essa a função histórica dos governos neoliberais dos anos 90. É o novo tempo da era neoliberal que iria dar um novo ritmo no movimento social e político no Brasil. Instaurou, na verdade, uma descontinuidade importante. A “explosão do sindicalismo” seria se- guida, a partir dos anos 90, com maior intensidade, de uma crise do sindicalismo que assumiria diver- sas formas. O mundo do trabalho estruturado (e integrado), das indústrias e dos serviços, base do sindicalismo de classe organizado no país, que lu- tou (e construiu) o “novo sindicalismo”, iria ser alvo de um ofensiva do capital na produção. Sur- giria, a partir daí, um novo (e precário) mundo do trabalho (ALVES, 2000).
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A formação de um sindicalismo de agricultores familiares no Sul do Brasil.

A formação de um sindicalismo de agricultores familiares no Sul do Brasil.

Com este processo de unificação formal do sindicalismo, todo o acu- mulo de debates sobre a construção de um projeto alternativo de desenvol- vimento rural com base na agricultura familiar, discutido amplamente pelos cutistas desde 1993, foi incorporado pela CONTAG. Conjuntamente com a ideia de construção deste projeto estava a perspectiva de passar de um sindicalismo reivindicatório (marcado fortemente por mobilizações e reinvin- dicações da década de 1980) para um sindicalismo propositivo (que faz mo- bilizações, mas que tem propostas concretas, um projeto para a agricultura e para o país). Neste esforço para unificar o sindicalismo ocorreram eventos importantes que mostravam a força e o potencial que a união dos atores do campo (DNTR/CUT, CONTAG, MST, MAB, entre outros) poderiam ter, tais como: a construção dos Gritos da Terra Brasil (a partir de 1994), como uma forma de mobilização massiva de âmbito nacional e com objetivo de propor e negociar políticas com os governos; e a conquista de políticas públicas de apoio à agricultura familiar, como o PRONAF, em 1995.
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Novos rumos do sindicalismo no Brasil.

Novos rumos do sindicalismo no Brasil.

Palavras-chaves: Corporativismo; Sindica- lismo; Instituições políticas; Democracia. O objetivo deste artigo é resgatar o deba- te sobre os rumos do corporativismo no Brasil após a redemocratização e avaliar o impacto das mudanças institucionais recentes para o sistema de intermediação de interesse. A retomada da abordagem corporativista na literatura internacional permite um contraponto para o debate interno ao recolocar a importância das dimensões organizacionais e de “modo de tomada de decisão” para caracterizar o corporativismo como sistema de in- termediação de interesses. A partir dessa leitura, o trabalho aponta para o fortale- cimento da estrutura sindical, particular- mente das organizações de cúpula, e para a multiplicação e a consolidação de di- versas arenas tripartite, responsáveis pela definição de temas importantes da polí- tica pública. Esses novos traços parecem aproximar cada vez o modelo brasileiro do tipo societário de corporativismo, em oposição ao pluralismo.
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DINÂMICAS DA AÇÃO COLETIVA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO: encontros e desencontros entre o sindicalismo e a juventude trabalhadora.

DINÂMICAS DA AÇÃO COLETIVA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO: encontros e desencontros entre o sindicalismo e a juventude trabalhadora.

Marco Aurélio Santana – Doutor em Sociologia. Professor do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do IFCS/UFRJ. Pesquisador do Núcleo de Estudos Trabalho e Sociedade (NETS-UFRJ). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia do Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: Trabalho, Trabalhadores, Lutas sociais e Ditadura Militar. Publicações recentes: Bravos Companheiros: comunistas e metalúrgicos no Rio de Janeiro (1945-1964) (Rio de Janeiro, 7Letras, 2012); Partidos e trabalhadores na transição democrática: a luta pela hegemonia na esquerda brasileira. Revista Dados (2012); The dilemmas of the new unionism in Brazil: breaks and continuities. Latin American Perspectives (2014), em co-autoria com Ricardo Antunes. Ruy Braga – Doutor em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas e professor do Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) onde coordena o Centro dos Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic-USP). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia do trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: classe trabalhadora, sindicalismo e movimentos sociais. Publicações recentes: A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista (São Paulo: Boitempo, 2012) e A pulsão plebeia: trabalho, precariedade e rebeliões sociais (São Paulo: Alameda, 2015).
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TRABALHADORES E SINDICALISMO NO BRASIL: para onde foram os sindicatos?.

TRABALHADORES E SINDICALISMO NO BRASIL: para onde foram os sindicatos?.

ção cresce com a idade, a renda e a escolaridade. Em segundo lugar, a partir dos dados analisados, novas tendências se juntam às mencionadas acima: do ponto de vista regio- nal, a única região no Brasil em que há cres- cimento da densidade sindical, ainda que pe- quena, é a região Nordeste. Já o Norte e o Cen- tro-Oeste mantêm, para o período, suas taxas, praticamente, inalteradas e, nas regiões Sul e Sudeste, que eram aquelas com maiores taxas de associativismo em 1992, respectivamente, 26% e 18%, em 2013 representavam apenas 19% e 15%. Além disso, do ponto de vista da relação rural/urbana, ocorreu uma importante mudança: em 1992, a taxa de sindicalização entre os trabalhadores urbanos representava 23% contra 17% dos rurais. Ocorreu, no en- tanto, uma inversão desta tendência, passados 22 anos: em 2013, a taxa de sindicalização ru- ral representava 24%, ao passo que a urbana não passava de 15%. Outro aspecto que chama a atenção nesta reconfiguração da sindicaliza- ção é o papel desempenhado pela questão de gênero e a sindicalização: se, no âmbito geral, ocorreu um deslocamento para baixo da sindi- calização masculina, que passou de 22%, em 1992, para 17%, em 2013, no caso da feminina, houve um pequeno crescimento no período, de 14% para 16%. Vale dizer, em 1992, havia uma diferença de oito pontos percentuais, a fa- vor dos homens, já em 2013 esta diferença caiu para um ponto percentual, apenas. E, onde esta taxa de associativismo feminino tem crescido com mais força, no período estudado, é na zona rural: a participação da sindicalização femini- na em 1992 representava 20% contra 80% da masculina; em 2013, os dados são, respecti- vamente, 41% a 59%. O que ilustra um cres- cimento expressivo, no período, do associati- vismo feminino no meio rural. De outra parte, em termos gerais, a sindicalização nas áreas rurais, no período, que representava 17% em 1992, chegou a 24% em 2013, ao mesmo tempo em que ocorreu uma queda do associativismo sindical urbano, respectivamente, de 23% para 15%, conforme mencionado anteriormente.
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ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO NA AGRICULTURA FAMILIAR: ANÁLISE DAS PROPOSIÇÕES DO SINDICALISMO RURAL CUTISTA NO SUL DO BRASIL

ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO NA AGRICULTURA FAMILIAR: ANÁLISE DAS PROPOSIÇÕES DO SINDICALISMO RURAL CUTISTA NO SUL DO BRASIL

Com o objetivo de "avançar na organização sócio-econômica da agricultura familiar como elemento fundamental para a implementação de um desenvolvimento sustentável" (FETRAF-[r]

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A cut e o sindicalismo brasileiro nos anos recentes

A cut e o sindicalismo brasileiro nos anos recentes

Por outro lado, o êxito na disputa por um projeto de sociedade socialmente justo, para além das conquistas da negociação coletiva das categorias assalariadas, requeria do sindicalismo uma ação no campo institucional rumo a um novo pacto social em torno de um desenvolvimento com valorização do trabalho e inclusão dos segmentos sociais historicamente alijados dos benefícios do crescimento econômico nacional. Se, no final dos anos de 1970 e início da década de 1980, a atuação do sindica- lismo brasileiro se mostrou extremamente vigorosa em sua ação conflitiva diante de um quadro de transição democrática, o mesmo não se pode dizer dos anos de 1990. Nesses anos, fatores externos e internos (elevadas taxas de desemprego, redução dos índices de inflação, reestruturação produtiva nas plantas industriais e nas áreas mais dinâmicas do setor de serviços, medidas legais de flexibilização da legislação traba- lhista e criminalização de greves, entre outras medidas) deslocaram a ação sindical para um terreno institucional de representação trabalhista expresso, sobretudo, na trajetória da cut. Diante do contexto adverso do desemprego em patamar eleva- do e a dificuldade em realizar mobilizações de massa, a ação institucional acabou sendo uma “solução” para os sindicatos permanecerem ativos e, em alguma medida, atuantes na defesa dos interesses dos trabalhadores. Como observa Cardoso (2014, pp.134-135), discorrendo sobre a década de 1990 no Brasil, “o movimento sindical, ou parte importante dele, viu-se na trincheira contra mudanças na Consolidação das
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O sindicalismo e os direitos sociais

O sindicalismo e os direitos sociais

Entende-se que a Emenda Constitucional nº 45/2004 deu uma oportunidade jurídica impar para o advento da liberdade sindical no Brasil. O novo parágrafo 3º, do artigo 5º, dispõe que os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais 33 .

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Respostas estratégicas dos sindicatos patronais do comércio de bens, serviços e turismo do Brasil às pressões institucionais

Respostas estratégicas dos sindicatos patronais do comércio de bens, serviços e turismo do Brasil às pressões institucionais

A amostra apresentada obteve 20% dos respondentes oriundos do Estado do Maranhão, 19% do Distrito Federal, 15% do Piauí, 12% do Amazonas, e os 34% restantes, entre os demais Estados participantes. Observa-se que a amostra está mais concentrada na metade norte do Brasil. Somando-se os sindicatos presentes nos Estados das regiões Norte e Nordeste e no Distrito Federal, obtém-se 273 dos 954 sindicatos do Sicomércio. As entidades das regiões Norte e Nordeste são ainda mais dependentes das federações do que os sindicatos das regiões Sul e Sudeste. Entretanto, as pressões enfrentadas parecem ser muito similares. Exemplo disso é reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo de 18 de maio de 2009, que apresenta os problemas dos sindicatos filiados à Fiesp, muitos deles sem sede, sem associados e, consequentemente, sem nenhuma representatividade no setor. Conforme citado no início desse trabalho, outras reportagens também demonstram o problema do sindicalismo patronal em âmbito nacional, como na Folha de São Paulo de 9 de junho de 2009, no Valor Econômico de 17 de novembro de 2009, no Jornal do Commercio de 28 de outubro de 2009, em O Globo de 3 de novembro de 2011, entre outros.
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DIMENSÕES DA CRISE DO SINDICALISMO BRASILEIRO.

DIMENSÕES DA CRISE DO SINDICALISMO BRASILEIRO.

Tudo isso ocorre num ambiente de des- crédito da maioria da população em relação às instituições tradicionais de representação de interesses, agora incluindo os sindicatos. O Brasil pós-junho de 2013 é um país no qual todas as dimensões da vida foram politizadas. Tudo é objeto de questionamento, mobiliza- ção, organização, e nem todas as instituições existentes estão conseguindo traduzir os an- seios emergentes em estratégias de ação. O sindicalismo está entre elas. Colhido pela cri- se do projeto político que uniu o PT, a CUT e parcela expressiva das outras correntes sindi- cais, precisaria se reinventar, mas tem escolhi- do se apegar aos mecanismos tradicionais de reprodução, pondo-se na defensiva. Continu- ará, com isso, lutando por direitos e salários nas negociações coletivas, mas terá perdido a
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O sindicalismo, a política internacional e a CUT.

O sindicalismo, a política internacional e a CUT.

CUT à Alca, pois “cada vez mais fica claro que a estratégia de negociação dos EUAreferente à Alca é transformá-la numa extensão do Nafta ao resto do continente” (CUT, 2002:5). Multiplicam-se, como tal, os motivos para que sindicatos e outros movimentos sociais a rejeitem: a Alca significa uma nova onda de liberalização económica; as desigualdades entre os países envolvidos não permitirá a obtenção de um acordo justo; os EUA não mu- darão a sua política comercial; a economia brasileira terá muito a perder; a Alca traduzir-se-á numa “mexicanização” do Brasil; a Alca eliminará a soberania nacional brasileira (Jakobsen, apud Mello, 2002:6). Nesse sentido, “a CUT deve vanguardear um processo de mobilização na Amé- rica Latina. Como atitude requerida ao governo, e como acção directa do movimento sindical e dos demais movimentos populares, em solidariedade com os mesmos sectores dos países latino-americanos, devemos agir no sentido de constituir um forte movimento, em escala continental, para barrar a Alca”, o qual fixará as bases de um projecto político e económico tendente a construir uma “integração solidária entre os povos” (CUT, 2003c:49).
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O Sindicalismo na América Latina

O Sindicalismo na América Latina

A amplitude do tema determina as escolhas. Em vista disso, optou-se em dividi-lo em um resgate panorâmico da América Latina e uma ênfase no Brasil, definindo a 1ª parte com a abordagem do anarco-sindicalismo e, a 2ª parte, com a abordagem do sindicalismo brasileiro. A abordagem trata tão-somente na perspectiva do trabalho, ficando excluído o enfoque do capital.

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Precariado e sindicalismo no Sul global — Outubro Revista

Precariado e sindicalismo no Sul global — Outubro Revista

Resumo: O sociólogo britânico Guy Standing notabilizou-se pela ideia segundo a qual o precariado seria uma “nova classe perigosa” produto da deterioração da relação salarial “fordista” resultante do aprofundamento da globalização capitalista. Supostamente, essa nova classe classe em formação teria interesses hostis em relação ao sindicalismo fordista, mais interessado em defender os interesses corporativistas de seus associados do que apresentar soluções críveis às vicissitudes dos jovens trabalhadores em condições precárias de trabalho. Este artigo pretende apresentar uma problematização das posições sustentadas por Standing a respeito da relação entre o comportamento político do precariado e o movimento sindical a partir da análise de dois casos relacionados ao Sul Global: Brasil e Portugal.
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Sindicalismo, SUS e planos de saúde.

Sindicalismo, SUS e planos de saúde.

hegemonia regressiva. Para o autor, as classes dominantes obtiveram uma hegemonia, ainda que de modo superficial, instável, precária, e com impacto desigual sobre os diferentes seto- res dos trabalhadores. Hegemonia conquistada sem concessões econômicas e, ao contrário, re- tirando e restringindo direitos das classes do- minadas, neste sentido seu caráter regressivo. No Brasil, historicamente, o acesso restrito e segmentado aos direitos sociais gerou contra- dições no interior das classes trabalhadoras da cidade e do campo. Ao longo do tempo, susci- taram nos trabalhadores preteridos pelos direi- tos sociais uma revolta difusa, vocalizada na ce-
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O pêndulo oscilante: sociologia do trabalho e movimento sindical no Brasil.

O pêndulo oscilante: sociologia do trabalho e movimento sindical no Brasil.

Esses argumentos servem para explicitar alguns dos pilares do “novo sindicalismo”: a críti- ca radical aos mecanismos de tutela do sindicato pelo Estado e a luta pela liberdade e pela autonomia sindicais. Autonomia não só em relação ao Estado, mas também em face dos partidos políticos, evitan- do-se, assim, desviar o movimento dos interesses imediatos dos trabalhadores. Para Lula, esse seria um ponto de distinção entre o “novo” e o “velho” sindicalismo. No seu entender, o que havia muda- do no sindicalismo brasileiro era o fato de que al- guns dirigentes sindicais buscavam tornar o sindicalismo independente “de uma vez por todas”. As visões expostas até aqui, cunhadas na confluência entre os estudos sociológicos e a dinâ- mica do movimento sindical, cumpriram um pa- pel destacado no contexto de fabricação da identi- dade do “novo sindicalismo”. Tais concepções atin- giram grande importância em meio à luta travada no campo político – que ampliou suas dimensões e seus impactos –, coroando o caráter público e orgânico dessa sociologia do trabalho que se reno- vou conjuntamente com o movimento sindical bra- sileiro nas décadas de 1970 e 1980.
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Sociologias  vol.19 número45

Sociologias vol.19 número45

O artigo pretende comparar a formação do “precariado artístico” no Brasil e em Portugal, a partir da análise dos padrões de proletarização do trabalho de produção cultural nos dois países e sua relação com diferentes trajetórias de ação coletiva dos novos movimentos de trabalhadores precarizados. Assim, destacaremos o di- lema enfrentado pelo movimento dos trabalhadores precários para transnacionali- zar suas formas de ação coletiva. No caso brasileiro, analisamos, especificamente, a mobilização por políticas públicas para a cultura empreendida pelo movimento “Arte contra a Barbárie” que, distante do sindicalismo, desembocou na conquista do programa paulistano de Fomento ao Teatro. No caso português, investigamos a ação coletiva que se consolidou com a criação do sindicato-movimento “Cena” contra a perda de direitos trabalhistas, num contexto marcado pela adoção pelo governo português de políticas de austeridade negociadas com a União Europeia. Os limites da transnacionalização das reivindicações desses grupos de trabalhado- res precários serão problematizados à luz da ideia, muito presente nos novos es- tudos “neopolanyianos” do trabalho, de que o processo de mobilização do preca- riado no Sul global anunciaria o advento de um contramovimento “embrionário”, cuja tendência seria florescer conforme a mercantilização neoliberal ampliasse as ameaças à classe trabalhadora em escala mundial.
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