Teatro brasileiro do século XIX

Top PDF Teatro brasileiro do século XIX:

Sinhazinhas entre gentis e hostis (Nacionais e estrangeiros no teatro brasileiro do século XIX)

Sinhazinhas entre gentis e hostis (Nacionais e estrangeiros no teatro brasileiro do século XIX)

Já em Amélia Smith o enfoque contempla menos os arranjos que levam ao casamento de John e Amélia que acontecimentos posteriores. As circunstâncias relacionadas ao enlace são entretanto fundamentais, já que iluminam todo o desenvolvimento da trama. Se o inglês opta por casar-se por pragmatismo, Amélia aceita ligar-se a ele por vaidade e sob pressão dos pais que, à beira da ruína e querendo preservar sua existência faustuosa, vislumbram no casamento da filha uma tábua de salvação, dada a riqueza do noivo estrangeiro. A existência honrada e serena do casal é rompida quando Amélia trai o marido, após deixar-se seduzir por um charmoso jovem brasileiro. Este vai se revelar um mero aventureiro, acabando por se afastar de Amélia que, por ele engravidada, dará à luz uma criança. John, a tudo ignorando, acredita ser dele o filho, e a existência da família prossegue sem maiores percalços até que a criança, cuja saúde era débil por herança do pai, vem a morrer. O enredo culmina com o desespero de Amélia, o que sinaliza a impossibilidade de retorno à paz conjugal. O estrangeiro, cujas ações e atitudes se pautam pela retidão e pela força e integridade do caráter, ocupa nesta peça o pólo positivo. Os brasileiros, em contraste, pervertidos pelo apreço à riqueza e à ostentação, dominados por caprichos e vaidades, pela voluptuosidade e pela volubilidade, mostram-se indignos da confiança neles depositada. O egoísmo que os caracteriza funciona como impedi- mento maior para a construção de uma sociedade fundada na ética e na confiança. Neste panorama, um lugar especial deve ser conferido a uma comédia de Martins Pena, As casadas solteiras (1845). 11 Isso porque nela as relações entre estrangeiros, no caso os ingleses John e Bolingbrok, e as brasileiras, as irmãs Clarice e Virgínia, recebem um tratamento bastante original, que se pauta por sugestivas reviravoltas. A ação se desdobra em três movimentos, cada um deles correspondendo a um ato. No primeiro, o embate se dá entre os estrangeiros e o pai de suas amadas, que procura impedir a união em função do ódio que nutria pelos ingleses. As razões para tal repulsa relacionam-se à
Mostrar mais

16 Ler mais

Contexto social, atuação e imagem pública de uma atriz no teatro brasileiro na virada do século XIX: Cinira Polonio

Contexto social, atuação e imagem pública de uma atriz no teatro brasileiro na virada do século XIX: Cinira Polonio

Ainda no século XIX, os salões literá- rios foram também um importante instru- mento de socialização das mulheres (Pai- xão, 1997, p. 159-186), que passavam de meras consumidoras a produtoras de cul- tura. Criados a partir da grande influência da cultura francesa no Brasil - graças à qual o idioma e a literatura franceses eram fami- liares às jovens da elite - os salões cariocas, que no início, eram um espaço no qual as jovens de famílias abastadas podiam tor- nar públicos seus dotes artísticos - um dos atributos necessários a um bom casamen- to -, tornaram-se, durante o Império, ins- tâncias de mediação entre a burguesia e a aristocracia, num espaço onde a alegria e a informalidade quebravam as barreiras de classe e poder.
Mostrar mais

8 Ler mais

As crônicas portuguesas de D. João da Câmara na Gazeta de Notícias (1901-1905)

As crônicas portuguesas de D. João da Câmara na Gazeta de Notícias (1901-1905)

Essa crítica de Machado de Assis traduz o pensamento dos intelectuais da época. Todavia, isso não quer dizer que o teatro brasileiro do período, fins do século XIX e início do XX, estava em “decadência”, pois o Rio de Janeiro fazia parte do circuito teatral das companhias europeias – italianas, francesas e portuguesas - e havia uma intensa produção de uma dramaturgia mais popular – operetas, revistas e mágicas – no entanto, por não serem eruditas e não refletirem a cultura européia, eram desprezadas pela elite, embora fossem muito prestigiada pela classe média-baixa. Além disso, a alta sociedade carioca, que poderia contribuir para o desenvolvimento dos gêneros mais clássicos, devido a sua ânsia pelos modelos europeus, sobretudo franceses, esnobava a produção de dramas e comédias nacionais em prol das peças apresentadas pelas companhias estrangeiras. Assim, as peças literárias brasileiras deixavam de ser prestigiadas uma vez que a sociedade culta preferia as encenações estrangeiras e a população se divertia com os gêneros musicados que aos olhos da elite não apresentavam valores literários.
Mostrar mais

253 Ler mais

Do teatro Elisabetano ao sertão do século XIX: a presença de Shakespeare em Inocência

Do teatro Elisabetano ao sertão do século XIX: a presença de Shakespeare em Inocência

No tocante à maneira de Meyer lidar com os riscos inerentes ao trabalho de caçar insetos em meio às matas do sertão brasileiro, podemos afirmar que Taunay relaciona-a ao ridículo. Uma vez se dispondo a arriscar a própria vida em sua busca incansável por novas espécies, Meyer acaba se expondo as mais ridículas situações. De acordo com Bergson (2001, p. 109), “a comicidade é aquilo graças a que a personagem se entrega sem saber, o gesto involuntário, a palavra inconsciente. Toda distração é cômica. E, quanto mais profunda é a distração, mais elevada é a comédia.” É justamente o caráter distraído de Meyer que faz com que ele se exponha ao ridículo, como por exemplo, quando despenca em um barranco e perde todas as espécies que havia capturado em um dia de trabalho. Conforme Pereira narra, esse acidente ocorreu porque o alemão avistou uma inseto vermelho sobre um pau podre, e, a despeito do alerta dado pelo sertanejo, o outro insistiu em seguir adiante para tentar capturar a espécie. Mas quando “ia botar a mão no bicho encarnado, encostou-se no pau e... zás!... afundou-se, dando um grito esganiçado que parecia de cutia. Mal teve tempo de agarrar-se aos cipós e lá ficou entre a vida e a morte, chamando Juque, Juque !...” (p. 102). E o sertanejo prossegue sua hilária narrativa, contando a Cirino o momento que, segundo ele, foi o mais divertido:
Mostrar mais

120 Ler mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO INSTITUTO DE FILOSOFIA E ARTES CÊNICAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO INSTITUTO DE FILOSOFIA E ARTES CÊNICAS

132 lamentam a ascensão do teatro musicado e da opereta que se volta pouco para o texto e mais para encenação, assim como em Martins Pena. De todo modo vemos nascerem disputas manifestadas e expressas de vários modos. A comédia que a crítica aponta como aquela que obteve maior sucesso, muitas vezes tem um repertório voltado para pessoas mais simples, como o arquétipo inaugurado por Martins Pena do ―homem da roça‖. Repertório esse que talvez tenha causado determinado incômodo para alguns setores. Arthur Azevedo, ao receber críticas a respeito de sua dedicação ao teatro musicado, com caráter aparentemente não sério, diz: ―Eu, por mim, francamente o confesso, prefiro uma paródia bem feita e engraçada a todos os dramalhões pantafaçudos e mal escritos, em que se castiga o vício e premia a virtude.‖ (AZEVEDO, 1937, p. 165). Certamente, o mesmo se refere a alguns dramas realizados no Ginásio Dramático, onde eram englobados projetos distintos do seu. Essa crítica de um teatro "não sério" muito se assemelhava a parte das críticas recebidas por Martins Pena. O que nos leva, a partir da investigação que empreendemos aqui sobre a presença, a supor que esse caráter não sério está ligado também a uma cultura de presença, que uma cultura de sentido predominante que a modernidade tende a não valorizar. Essa oscilação entre cultura de presença e cultura de sentidos talvez tenha sido um fator que fortemente influenciou a crítica teatral e os projetos ao longo do século XIX brasileiro.
Mostrar mais

140 Ler mais

O surgimento do teatro nacional: Martins Pena ilumina Molière nos palcos do século XIX

O surgimento do teatro nacional: Martins Pena ilumina Molière nos palcos do século XIX

Segundo Sábato Malgadi (1980, p.41), “Pena em sua obra, define o estrangeiro no Brasil e as reações do brasileiro em face dele. Mostra a província e a capital, o sertanejo e o metropolitano, em suas diferenças básicas. Inventiva os tipos humanos inescrupulosos, denunciando inclusive o tráfico ilícito de negros, na sociedade escravocrata brasileira”. Em suas peças, o autor também retrata os vícios individuais, como a avareza e a prevaricação, e satiriza as manias e as modas da sociedade. Assim como Molière, seu poder de observação é grande e não lhe escapam as mazelas e os ridículos da sociedade de sua época.
Mostrar mais

10 Ler mais

Gramatização do português brasileiro nos séculos XIX e XX e início do século XXI

Gramatização do português brasileiro nos séculos XIX e XX e início do século XXI

Desse modo, a posição da gramática de ECP já se anuncia em seu título. Trata-se de uma gramática expositiva, cuja ênfase está na perspectiva pedagógica que, como tal, molda seu enquadramento o qual “corresponde ao modo normativo que se estabelece como relação com a língua na escola” (ORLANDI, 2002, p. 145). Nesse contexto, sob os termos de recurso didático, esse manual propõe ajustes nos prólogos das diferentes edições de forma que não se descuida dos objetivos pedagógicos anunciados. Ao empreender essa reflexão, Orlandi (2002) destaca a inserção de neologismos, além da ilustração do modelo de língua em torno da escolha de autores clássicos, em geral, portugueses, mas que, depois, por meio da literatura, houve a introdução de um autor brasileiro, a citar, Gonçalves Dias.
Mostrar mais

16 Ler mais

História da Historiografi a

História da Historiografi a

Se a categoria Império luso-brasileiro é central para explicar as relações entre colônia e metrópole, sobretudo em fi ns do século XVIII e início do XIX, mais destaque ela ganha na conj[r]

381 Ler mais

A Santa Casa da Misericórdia de Resende – Religiosidade e Política na Paraíba Nova (1801-1848)

A Santa Casa da Misericórdia de Resende – Religiosidade e Política na Paraíba Nova (1801-1848)

Pode-se remontar ao medievo a inspiração que resultou na fundação das Misericórdias. A valorização positiva da mendicância, representativa da imagem dos “pobres de Cristo”, o costume da penitência sob a forma de peregrinações, associada à teologia do purgatório, podem ser ligados a fatores sociais e econômicos como o empobrecimento devido à usura, para dar uma idéia aproximada da necessidade de reinventar-se a caridade a partir dos desafios do renascimento urbano do século XI. Problemas sociais como a educação de expostos, o casamento de órfãs, o sustento de viúvas e de nobres endividados, somavam-se àqueles cujos destinatários – lázaros, pre- sos, migrantes, desembarcados, mendigos, justiçados, falecidos –, mereciam o cuidado da consciência cristã, educada segundo a exigência das “obras de misericórdia.”
Mostrar mais

14 Ler mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE HUMANIDADES DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE HUMANIDADES DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

As classificações científicas da maconha são do século XVIII com Carlos Lineu, Cannabis Sativa, e Jean-Batiste Lamarck, Cannabis Indica, e no século XX o gênero Ruderalis, classificado pelo botânico soviético Janischesky 11 . Sobre os dois primeiros gêneros mais comuns e observados Sativa e Indica, há algumas distinções básicas: a maioria das variedades indicas são oriundas da Ásia Central, Afeganistão, Paquistão, do norte da Índia, do Tibete, do Nepal, já a sativa são originárias das regiões equatoriais que se estendem entre outros países da Tailândia, passando do sul da Índia, até a península do México. Das características físicas é possível observar que as Indicas são compactas e resistentes, com flores densas e pesadas, além de um potencial aromático mais intenso. Os botões da Indica tendem a crescer em aglomerados densos em torno das inflorescências ao longo dos ramos do caule. As sativas crescem mais do que as indicas em mesmas condições, as inflorescências tendem a ter um odor menos forte, tanto durante o crescimento como depois de secos. Nas indicas o tempo de floração é mais rápido, entre 45 a 60 dias, já as sativas demoram mais, entre 60 a 90 dias. O efeito da Indica é geralmente corpóreo, pode intensificar determinadas sensações físicas, e alterar os sentidos básico, gosto, tacto e som. Sua resina é reconhecida por ser um poderoso relaxante mental e físico, em grandes doses é extremamente soporífero. Já as sativas são apreciadas pelo seu efeito eufórico, caracterizado como cerebral, enérgico, criativo e risonho ou até mesmo em alguns níveis psicodélicos.
Mostrar mais

135 Ler mais

A paideia machadiana nas Memórias póstumas: de Aquiles a Brás Cubas

A paideia machadiana nas Memórias póstumas: de Aquiles a Brás Cubas

Assim, o diálogo intertextual realizado entre a obra machadiana e textos da Antigüidade clássica demonstra a preocupação do autor em criar uma consciência crítica em seu leitor. E estamos considerando não só o leitor contemporâneo a ele, mas também o que lhe seria póstero, do que deve ser a “cor local”, intenção já declarada em sua crônica “Instinto de nacionalidade” (ASSIS, 2004, v.3). Por que “cor local”? Porque o herói possível, no Brasil de seu tempo, é Brás Cubas, e não Aquiles. Para Homero, no século VIII a.C., o fi lho de Peleu e Tétis era o modelo de homem possível, homem integral, exemplo para a Paidéia grega; no Brasil da segunda metade do século XIX, Brás Cubas é o modelo para a sociedade burguesa brasileira, essa é a “cor local”.
Mostrar mais

16 Ler mais

A escravidão brasileira e a servidão russa: aproximação entre dois sistemas sócio-econômicos através da narrativa curta em Machado de Assis e Ivan Turguêniev

A escravidão brasileira e a servidão russa: aproximação entre dois sistemas sócio-econômicos através da narrativa curta em Machado de Assis e Ivan Turguêniev

Ao traçar um paralelo entre duas peças literárias de contextos marginais do capitalismo no século XIX, procurei destacar a potencialidade de uma análise que considere as especificidades estilísticas no tratamento de sistemas sócio-econômico- culturais ― aqui, o escravocrata brasileiro e o servil russo. Meu intuito foi o de fundamentar (ainda que parcialmente e em extensão muito limitada) um embasamento crítico à leitura de Moretti de Brasil e Rússia como malformações nacionais no contexto do capitalismo ascendente. Enquanto “países retardatários”, as nações de Machado e Turguêniev produziram uma literatura onde essa condição por vezes se expressa em termos artísticos. O artigo visou exemplificar essa premissa discutindo seus sistemas socioeconômicos através de dois de seus melhores escritores, estudando suas codificações. Pai contra mãe e Khor e Kalínitch, bem como toda a obra de Machado de Assis e Ivan Turguêniev, oferecem elementos de análise literária aptos, acredito, a um cruzamento com os estudos históricos mais arrojados.
Mostrar mais

15 Ler mais

Aspectos mineralógicos das "Viagens Filosóficas" pelo território brasileiro na transição do século XVIII para o século XIX.

Aspectos mineralógicos das "Viagens Filosóficas" pelo território brasileiro na transição do século XVIII para o século XIX.

Distintivo desse período é o esforço por parte do Estado para inventariar as riquezas por meio da ciência. Não por acaso, o pragma- tismo que marcou o século XVIII europeu expressou-se nas reformas portuguesas de modo tão radical a ponto de ser considerado (ao lado do ecletismo) sua característica marcante. Acrescente-se a esse quadro as características intrínsecas às próprias ciências naturais modernas, cujo perfil baconiano pressupunha a utilidade e o bem- estar dos homens. Senão, por que os inventários do mundo natural se colocariam como chaves para a nova apreensão do mundo? Museus, academias científicas, jardins botânicos constituíram tentativas de gerenciar a explosão empírica de materiais produzidos por meio da disseminação mais ampla dos antigos textos, da maior mobilidade de pessoas e objetos, das viagens de exploração e por
Mostrar mais

17 Ler mais

Projeto político e sistematização do ensino público brasileiro no século XIX.

Projeto político e sistematização do ensino público brasileiro no século XIX.

Em segundo lugar, a escola popular pode ser considerada uma idéia que se tornou realidade durante o século XIX, uma entidade que possuía forma institucional e forma técnica. As propostas das reformas da instrução pública buscavam contra- balançar o desencanto cada vez maior com o lugar ocupado por essas formas no cotidiano social e cultural da época. Considerando essas formas, cada uma por si, tem-se: a forma institucional indica que a escola primária era o professor, estava identificada à sua cátedra e dependia da organização que este pudesse dar ao ambi- ente em que ensinava; quanto à forma técnica, a instrução pública era formalizada por metodologias diversas, pelo ensino da leitura, escrita, cálculo aritmético e dou- trina religiosa e também pela realização de exames periódicos para a avaliação dos alunos. Assim, as propostas de reforma da instrução pública de Rui Barbosa e João Köpke sugerem uma nova combinatória desse conjunto de elementos técnicos e institucionais da educação primária. Em vez de especificarem os termos da realiza- ção das práticas e da estrutura instalada, elas pretendiam reconstituir as prerrogati- vas e credenciais do sistema de ensino público. Nessa medida, o que propunham era estabelecer as possibilidades de funcionamento de uma estrutura de escolariza- ção vinculada aos processos de regulação social vigentes. Nisso repousou uma dife- rença fundamental entre ambos: se para Rui Barbosa toda a população deveria, no período de obrigatoriedade, fazer parte desses processos, cabendo à escola seleci- onar aqueles que deveriam permanecer no sistema de ensino, para João Köpke o acesso à escola era já um momento da seleção social, devendo ingressar nela so- mente aqueles que tivessem recursos para responder às exigências de excelência do sistema de escolarização.
Mostrar mais

30 Ler mais

O mercado brasileiro do século XIX: uma visão por meio do comércio de cabotagem.

O mercado brasileiro do século XIX: uma visão por meio do comércio de cabotagem.

A circulação interna das mercadorias de exportação e importação constituiu a principal forma de comércio de cabotagem durante o período colonial. A concen- tração natural ou por conta do exclusivo de comércio dos produtos de exportação nos portos mais importantes facilitou o embarque para os mercados estrangeiros. De forma semelhante, a distribuição dos bens importados a partir destes portos para o restante da colônia consistiu na contrapartida do exportado. Todavia, exis- tiu um último ramo da cabotagem distinto dos anteriores, abarcando as trocas de mercadorias nacionais não exportadas, ou seja, consumidas internamente. O nosso objetivo é analisar o comércio interprovincial durante a vigência da escravidão no século XIX, particularmente as principais mercadorias — estrangeiras e nacionais — e as províncias de embarque e desembarque. Tentamos avaliar as trocas de gê-
Mostrar mais

25 Ler mais

Da senzala ao mercado: o lugar da escravidão no pensamento liberal brasileiro do século XIX

Da senzala ao mercado: o lugar da escravidão no pensamento liberal brasileiro do século XIX

Diferente dos autores já tratados até aqui, Joaquim Nabuco expressa em sua obra as preocupações e termos principais de um discurso liberal crítico à escravidão – tal qual foi desenvolvido no movimento abolicionista brasileiro. Na análise do Abolicionismo, o seu principal texto, identificamos que sua análise tem como característica a avaliação e confronto dos hábitos e costumes formados a partir das experiências de escravidão e de liberdade. É com esta abordagem que o autor tratará do brasileiro como um mestiço político por ser educado na cidadania, processo que excede amplamente a abolição da escravatura. Em algum sentido, no que se refere à consideração das conseqüências, Nabuco tem um raciocínio semelhante ao de Silva Lisboa e Vasconcelos. No entanto, chega a conclusões opostas. Todos estes avaliam a escravidão levando em consideração os seus efeitos: aqueles dois últimos, apenas sob o enfoque econômico. Nabuco, no entanto, tem preocupações distintas, que se voltam sobre um terreno muito mais amplo: o mundo do trabalho, economia, família, nacionalidade e política. Além disso, aparece como mais central a ideia de que está em curso um desenvolvimento histórico que conduz ao fim do regime de escravidão, já aventado (muito marginalmente) tanto por Frei Caneca quanto por Bernardo de Vasconcelos.
Mostrar mais

124 Ler mais

O piano em Desterro no século XIX

O piano em Desterro no século XIX

Segundo Hélio Teixeira da Rosa (1991), o primeiro piano trazido para Nossa Senhora do Desterro foi em fins do século XVIII, tendo sido o Major Francisco de Souza Fagundes, vindo da ilha do Faial (nos Açores) na mesma época, um dos primeiros a lecionar piano na Capital da Província de Santa Catarina. Este é o dado mais antigo até o momento sobre a existência de pianos na vila. Até o período do surgimento da imprensa, em 1831, não foram encontradas outras informações sobre a chegada de pianos e/ou músicos com atividades relacionadas ao instrumento na Capital.
Mostrar mais

8 Ler mais

AS RUÍNAS E SEUS PERSONAGENS NO SÉCULO XIX

AS RUÍNAS E SEUS PERSONAGENS NO SÉCULO XIX

O decréscimo da população, entretanto, é imenso em relação à que havia ao tempo dos jesuítas. Quando por ali passa Saint-Hilaire, São Luís possui 400 indivíduos, São Lourenço 200 e Santo Ângelo não mais de 80. Soma-se às fugas, por rejeição aos administradores do Império, o fato de muitos homens serem convocados para prestar serviço militar em São Borja: muitos são os desertores que preferem retomar a vida então tida por selvagem. A todos que por ali passam, conforme confessou o Coronel Paullete a Saint-Hilaire, fica uma impressão: em breve “já não existirão mais os guaranis” (1987, p. 274). Todavia, com segurança, “a língua usual das Missões é o guarani”, conforme Dreys (1830, p. 105), e assim perdura até a segunda metade do século XIX.
Mostrar mais

16 Ler mais

A XILOGRAVURA No BRASIL - SÉCULO XIX

A XILOGRAVURA No BRASIL - SÉCULO XIX

Quando o projeto se propôs à criação do já dito formulário, nós, integrantes do projeto, pensamos em um documento que pudesse guiar tanto à Fundação Biblioteca Nacional, com[r]

20 Ler mais

A historiografia alemã no século XIX

A historiografia alemã no século XIX

A historiografia “científica” na Alemanha do século XIX foi cultivada pela Escola Histórica Alemã, a qual surgiu em um ambiente social e cultural marcado pelo historicismo. Como indica Reis (2006), o historicismo foi um movimento cultural, sobretudo alemão, que ganhou força nos oitocentos e que postulava que inexistiam leis de caráter geral para todos os fenômenos; os fenômenos sociais e culturais seriam distintos dos fenômenos naturais na medida em que seriam dotados de significado humano; só poderiam ser estudados na sua historicidade, mediada pelas fontes, através da compreensão do sujeito do conhecimento. Tais postulados procuravam fazer frente ao universalismo dos teóricos do Iluminismo, capitaneado no plano político pela Revolução Francesa, e que argumentavam que a História era a marcha da humanidade rumo ao progresso, através do uso da Razão, sendo o passado um entrave às promessas do futuro. Contra isto:
Mostrar mais

21 Ler mais

Show all 10000 documents...