Teoria Discursiva

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Compreensões acerca da atuação da jurisdição constitucional brasileira sob o prisma da teoria discursiva de Jürgen Habermas

Compreensões acerca da atuação da jurisdição constitucional brasileira sob o prisma da teoria discursiva de Jürgen Habermas

Este trabalho visa fazer uma análise sobre a atuação da Jurisdição Constitucional Brasileira segundo a teoria discursiva proposta por Jürgen Habermas. Para tanto, buscou-se em um primeiro momento expor a singularidade do percurso teórico feito por Habermas abarcando a sua concepção da razão comunicativa, da teoria discursiva do direito, da democracia procedimental e da atuação do Tribunal Constitucional. Posteriormente, foi abordado um panorama sobre Estado, Constitucionalismo e Democracia com as suas concepções clássicas para embasar as influências sofridas pela Jurisdição Constitucional Brasileira desde a sua criação. Em um outro momento, foi exposta a teoria do juiz Hércules na resolução de casos difíceis, bem como o fenômeno do neoconstitucionalismo no Brasil para corroborar com a análise da atuação do Supremo Tribunal Federal sob o prisma da teoria discursiva de Jürgen Habermas. Em um último momento, percorre a produção constitucional do Brasil, desde sua primeira Constituição de 1824 até abarcar na Constituição de 1988, marco da redemocratização brasileira, para estabelecer uma visão histórica acerca da criação e estrutura do Supremo Tribunal Federal ao longo dos anos, como também das competências previstas para este em cada Constituição. Após este momento que foi possível estabelecer uma correlação entre a atuação do Tribunal Constitucional conforme proposta por Habermas e inspirado nos pressupostos da democracia procedimental e da razão comunicativa, e a atuação do Supremo Tribunal Federal, demonstrando de que forma esta última ocorre, sua delimitação e legitimidade para tal, e, por fim se corresponde com a concretização de um Estado de Direito Democrático. A pesquisa utilizou o método de abordagem analítico tendo por base uma investigação bibliográfica.
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Uma análise da atuação de cortes constitucionais em sociedades democráticas a partir da teoria discursiva do direito de Habermas

Uma análise da atuação de cortes constitucionais em sociedades democráticas a partir da teoria discursiva do direito de Habermas

Uma vez expostas algumas características das práticas de aplicação do direito em contraste com as de fundamentação, cumpre notar, nesta seção, de que forma as decisões jurídicas são adequadas para a solução de um conflito determinado, tendo em vista a necessidade de satisfazerem, simultaneamente, às condições da decisão consistente e da aceitabilidade racional, o que Habermas alega ser possível por meio do cumprimento dos critérios da segurança jurídica e da correção, respectivamente. Enquanto o primeiro critério exige que o juízo emitido esteja de acordo com a ordem jurídica vigente, i.e., com o emaranhado intransparente de decisões pretéritas do legislador, da justiça ou de tradições do direito consuetudinário que servem como pano de fundo para a tomada de decisões jurídicas; o segundo se relaciona com a necessidade de manter a legitimidade das ordens jurídicas, exigindo que as decisões não se restrinjam a simplesmente concordar com o tratamento de casos semelhantes no passado e com o sistema jurídico vigente, pois que devem ser fundamentadas racionalmente para serem aceitas como racionais pelos membros do direito (HABERMAS, 2012c, p. 246). Dito isso, Habermas afirma que a dúvida sobre como aplicar um direito contingente, garantindo, simultaneamente, sua consistência interna e fundamentação racional, no plano externo, corresponde à problemática da racionalidade da jurisprudência, a qual será tratada, a seguir, a partir das abordagens de Ronald Dworkin e da teoria discursiva do direito de Habermas.
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A TEORIA DISCURSIVA DE JÜRGEN HABERMAS: SUA RELAÇÃO INTERNA ENTRE DEMOCRACIA E DIREITOS FUNDAMENTAIS

A TEORIA DISCURSIVA DE JÜRGEN HABERMAS: SUA RELAÇÃO INTERNA ENTRE DEMOCRACIA E DIREITOS FUNDAMENTAIS

O presente trabalho enfoca a teoria discursiva de Jürgen Habermas como forma de reconstruir com legitimidade o Estado Democrático de Direito Constitucional. A atual estrutura normativa do direito apresenta-se como ineficaz e não acompanha o desenvolvimento complexo e dinâmico das sociedades pós-modernas. O sistema de direitos reflete crises de legitimidade na produção normativa, bem como na aplicação da justiça. As sociedades contemporâneas passam por inúmeras transformações e apresentam profundas contradições sociais, sendo que muitas vezes são instáveis e comandadas pelo capital. A teoria habermasiana procura solucionar a tensão existente entre democracia e direitos fundamentais, na busca por um ideal de democracia efetiva e compatível com o pluralismo das sociedades, procurando legitimar e efetivar os direitos fundamentais previstos na Constituição, proporcionando um real exercício desses direitos.
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O controle de constitucionalidade como mecanismo assecuratório dos direitos fundamentais à luz da teoria discursiva do Direito de Habermas

O controle de constitucionalidade como mecanismo assecuratório dos direitos fundamentais à luz da teoria discursiva do Direito de Habermas

A par da necessidade em perscrutar a legitimidade democrática do Direito, a segunda análise dos direitos fundamentais será realizada sob a égide da Teoria Discursiva do Direito de Jürgen Habermas,que por sua vez, se apresenta como uma teoria procedimental. Habermas concebe a superação da hegemonia do Estado sobre os cidadãos, patrocinando que a autonomia pública e autonomia privada não sejam concorrentes entre si, pelo contrário, sejam compreendidas como complementares e equiprimordiais, além de oferecem maior proteção aos direitos fundamentais de grupos minoritários.
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Democracia e controle de constitucionalidade a partir da teoria discursiva do direito de Jürgen Habermas

Democracia e controle de constitucionalidade a partir da teoria discursiva do direito de Jürgen Habermas

(HABERMAS, 2003, p. 297). Também há o descarte por Habermas da possibilidade do Executivo poder controlar as decisões do Tribunal Constitucional, pois há uma incapacidade técnica, pelo fato de “o Executivo não poder dispor das bases normativas da legislação e da justiça”(HABERMAS, 2003, p. 301), somente do controle e auto- controle administrativo (HABERMAS, 2003, p. 299). Neste posicionamento Habermas diz ser incompatível em uma teoria discursiva de legitimação do direito, onde há abertura de várias vozes partidárias para interesses da pluralidade, o controle do Tribunal Constitucional pelo Executivo, como na visão de Carl Schmitt. Primeiro porque para o direito ser legitimado deve passar pela teoria discursiva, que não prescinde da legitimidade, o que inexiste no Estado totalitário de Schmitt, pois o Executivo mantém a unidade de posicionamentos e segundo, como já mencionado, pela incompatibilidade técnica de não saber analisar argumentos normativos de uma fundamentação racional da lei. Mas há o problema do paternalismo do Tribunal Constitucional estar agindo, quando quem deveria agir seria o povo, pois ele quem delegou ao Legislativo o poder de elaborar as leis. E quando o legislador agir em desconformidade, o povo deveria tomar para si seu direito de elaborar leis. Sobre o paternalismo do Tribunal Constitucional, Carl Schmitt, já alertava que a sua atuação seria uma usurpação do poder do povo. Para este autor, num sistema de legitimidade democrático, deixar que o Tribunal Constitucional decida sobre o controle de constitucionalidade significa “ceder a decisões dos valores fundamentais de todo o ordenamento constitucional e do regime político por ele estabelecido” (SCHMITT, 1993, p. 17). A sua crítica seria endereçada aos poucos magistrados que compõem o Tribunal Constitucional e que representaria interesses não contemplados pela população, apenas uma parcela dela, a elite. Nesse sentido:
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Consenso e sanção: uma teoria discursiva para um processo penal íntegro e democrático

Consenso e sanção: uma teoria discursiva para um processo penal íntegro e democrático

141 Aqui reside um ponto de tensão entre Habermas e Alexy: o primeiro nega que o discurso jurídico seja um caso especial do discurso prático geral. Afirma que a tese do caso especial, como defendida por Günther ou Alexy, “é plausível sob pontos de vistas heurísticos; porém ela sugere uma falsa subordinação do direito à moral, porque ainda não está totalmente liberta de conotações do direito natural. A tese pode ser superada a partir do momento em que levamos a sério a diferenciação paralela entre direito e moral.” (HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade, v. I. 2. ed. Tradução: Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997, p. 291). Depois de muitas discussões, Alexy ainda afirmava, muito tempo depois, que a sua tese do caso especial era um dos pontos fortes da sua Teoria da argumentação jurídica. Em entrevista a Atienza, em 2001, disse que o caso especial, com vínculo à lei, aos precedentes e à dogmática, leva o direito a uma dupla natureza. Por um lado, este vínculo define um caráter institucional e autoritativo. Por outro, o implemento da argumentação prática geral concede ao direito uma faceta ideal e crítica. E arremata: “A conexão desses dois lados leva a uma conexão entre direito e moral que exclui um conceito positivista de direito”. (ALEXY, Robert. Teoria discursiva do direito. Organização, tradução e estudo introdutório de Alexandre Travessoni Gomes Trivisonno. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2015, p. 326).
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ACESSO À JUSTIÇA A PARTIR DA TEORIA DISCURSIVA DO DIREITO  André Luiz de Aguiar Paulino Leite, Rafael Gomiero Pitta

ACESSO À JUSTIÇA A PARTIR DA TEORIA DISCURSIVA DO DIREITO André Luiz de Aguiar Paulino Leite, Rafael Gomiero Pitta

O presente trabalho tem por objetivo analisar o problema do acesso à justiça, compreendido não apenas como a mera possibilidade de obtenção de tutela jurisdicional, mas em sentido mais amplo, entendida como o acesso à informação, possibilidade de exposição de pontos de vista e construção do jurídico. A abordagem inicial se dá com a apresentação de aspectos controversos do acesso à justiça e qualidade da jurisdição para, posteriormente e a partir do encontro com a teoria discursiva, encontrar a ligação entre os temas e benefícios de sua aplicação. Neste sentido, utilizando o método hipotético-dedutivo,a pesquisa utilizará como referencial teórico o filósofo alemão Jürgen Habermas, servindo-se de sua teoria discursiva do direito e do Estado a fim de reconstruir a compreensão do tema do acesso à justiça.
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A legitimação político-pública do direito segundo a teoria discursiva de Jürgen Habermas

A legitimação político-pública do direito segundo a teoria discursiva de Jürgen Habermas

Já se observou que, na modernidade, os níveis de justificação embasados em fundamentos últimos ou em razões metafísicas não mais são suficientes para a obtenção da validade de um proferi[r]

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Implicações do estatuto ontológico do sujeito na teoria discursiva do Círculo Bakhtin, Medvedev, Voloshínov.

Implicações do estatuto ontológico do sujeito na teoria discursiva do Círculo Bakhtin, Medvedev, Voloshínov.

O caráter compreensivo, responsivo e ético da existência humana apela às pessoas a assumirem responsabilidades. Por isso, o ser humano não tem escapatória: “não há álibi para a existência” (BAKHTIN, apud FARACO, 2007; 2003). Em nossa produção discursiva, somos intermediários/mediadores que dialogam e polemizam com outros discursos existentes na sociedade. A relação dialógica é sempre polêmica, não há passividade. Toda compreensão é um processo ativo e dialógico, portanto tenso, que traz em seu cerne uma resposta. O ser humano e sua linguagem sempre presumem destinatários e suas respostas responsáveis, mesmo a despeito deles.
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A teoria discursiva Alexyana como condutora democrática na análise da descriminalização do aborto no Brasil : a proibição da insuficiência estatal na proteção das mulheres em abortos ilegais

A teoria discursiva Alexyana como condutora democrática na análise da descriminalização do aborto no Brasil : a proibição da insuficiência estatal na proteção das mulheres em abortos ilegais

Willian Gamson fez quatro conclusões sobre o sucesso de demandas coletivas tais foram: (1) grupos com um só tema são mais bem-sucedidos que grupos com múltiplas questões; (2) o uso de incentivos seletivos correlaciona-se positivamente com sucesso; (3) o uso de ações de ruptura ou violenta pode levar a resultados variados 273 ; (4) é mais bem-sucedido o MS que, frequentemente, tende a não ser mais burocratizado, centralizado e homogêneo. Gamson frisou a importância da teoria da mobilização de recursos, que deixa de levar em conta outras portunidades potenciais (presença de líderes carismáticos ou oportunidades de eleições) como determinantes do sucesso do movimento, porque o olhar do estudioso é dominado para o papel das características organizacionais dentro dos movimentos. Porém, ao considerar disponibilidade de recursos, questionou as possíveis razões nas quais alguns movimentos que não têm os recursos (dinheiro ou grupos) institucionais fortes obtiveram sucesso como a Revolução Francesa, de 1789, e a Iraniana, de 1979. GAMSON, W. A. 1990. The strategy of social protest. Belmont, CA: Wadsworth. 2nd ed. apud TURNER, Sarah.
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O PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO PROCESSUAL, O AGIR ESTRATÉGICO E O LITIGANTE HABITUAL: Uma relação possível à luz da teoria discursiva do direito  Alisson Silva Martins

O PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO PROCESSUAL, O AGIR ESTRATÉGICO E O LITIGANTE HABITUAL: Uma relação possível à luz da teoria discursiva do direito Alisson Silva Martins

aperfeiçoar a técnica processual ao estabelecer que “ os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Não o[r]

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DESENVOLVIMENTO DESIGUAL DA MODERNIZAÇÃO CAPITALISTA NO TERRITÓRIO MARANHENSE: TEORIA DISCURSIVA, (RE) ARRANJOS PRODUTIVOS E CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS

DESENVOLVIMENTO DESIGUAL DA MODERNIZAÇÃO CAPITALISTA NO TERRITÓRIO MARANHENSE: TEORIA DISCURSIVA, (RE) ARRANJOS PRODUTIVOS E CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS

Propõe fazer a crítica do desenvolvimento desigual do capitalismo tendo como contexto analítico o território maranhense, sinalizando para o seus indutores teóricos (desenvolvimento, modernização, progresso) e desdobramentos políticos, econômicos, territoriais e ecológicos. Para tanto se lança mão do campo teórico de duas teorias orientadoras: 1) teoria do desenvolvimento desigual e combinado; e 2) teoria do desenvolvimento geográfico desigual. Na teoria do desenvolvimento desigual e combinado o foco de análise partirá da obra de Trotsky, uma vez que permite entender o capitalismo/imperialismo abrindo espaços para o rompimento da ideologia do progresso linear, evolucionismo e eurocentrismo, como bem advoga Michael Löwy. Como o capitalismo se intensifica e se expande geograficamente, é interessante discutir a composição teórica do desenvolvimento geográfico desigual uma vez que a modernização capitalista produz escalas espaciais e diferenças geográficas que merecem o tratamento teórico que lhes cabe para compreendermos as práticas produtivas concretas existentes no espaço maranhense em virtude dos projetos de desenvolvimento e seus respectivos conflitos socioambientais.
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Relações conceituais entre a Ética do Discurso e a Teoria Discursiva do Direito em Jürgen Habermas

Relações conceituais entre a Ética do Discurso e a Teoria Discursiva do Direito em Jürgen Habermas

Assim, em Direito e Democracia, Habermas promove uma espécie de “guinada interpretativa” da questão do direito, do papel legitimador da lei, atribuindo-lhe um papel decisivo em relação às categorias de trabalho e Estado, antes colocadas em destaque como princípios de organização da sociedade, vista como uma macro- subjetividade organizada a partir destes princípios. Ou seja, o Estado constituía uma agência integradora central através do trabalho como princípio organizador. Este ponto de vista está baseado na teoria dos sistemas, de Niklas Luhmann (BAYNES, 1995, p. 201), que durante muito tempo sustenta algumas posições teóricas de Habermas. Deste modo, um dos objetivos principais de Habermas em Direito e Democracia é apresentar uma nova interpretação da ação social dos indivíduos, de modo que esta visão “holística” de democracia deliberativa seja superada. Com isto, sua guinada interpretativa se aproxima da visão de Talcott Parsons, para quem a “comunidade constituída” *societal community] se apresenta como um complexo institucional primário, responsável pela integração social nas sociedades plurais e avançadas. (BAYNES, 1995, p. 201).
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ARGUMENTOS PARA UMA PERSPECTIVA DISCURSIVA DA PARÓDIA A PARTIR DA TEORIA DA SEMÂNTICA GLOBAL

ARGUMENTOS PARA UMA PERSPECTIVA DISCURSIVA DA PARÓDIA A PARTIR DA TEORIA DA SEMÂNTICA GLOBAL

Resumo: Este texto é parte de uma pesquisa que visa compreender os sentidos construídos sobre o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff por um portal de desnotícias (“notícias falsas” ou “satíricas”), o The Piauí Herald. Neste artigo, pretende-se apresentar as bases para uma teoria discursiva da paródia. Leva-se em conta, no horizonte da produção desses efeitos de sentido, sua relação com o campo e discurso jornalístico. Para este objetivo, em primeiro lugar apresentou-se as teorias de dois teóricos distintos e influentes nos estudos da paródia: M. Bakhtin e L. Hutcheon. Em seguida, destacou-se os pontos positivos de ambas as teorias, e, em maior destaque, onde essas teorias são insuficientes para explorar a paródia para além de uma relação texto-a-texto, mas, como é o caso das desnotícias, discurso a discurso. Enfim, apresentou-se a teoria discursiva de D. Maingueneau, especificamente sua proposição sobre o interdiscurso, dando destaque ao conceito de simulacro. Propôs-se, finalmente, que a paródia, analogamente ao simulacro, funciona como uma imitação, que incorpora e modifica a semântica global do discurso que parodia, fazendo-o funcionar em uma outra chave, sem, no entanto, desvincular-se completamente dele.
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A CONSTITUIÇÃO DA FÓRMULA DISCURSIVA"

A CONSTITUIÇÃO DA FÓRMULA DISCURSIVA"

A potencialidade do sintagma ―cultura de paz‖ como fórmula discursiva deve-se, em primeiro lugar, ao próprio campo discursivo em que surge, tendo sido cunhado em documentos institucionais com um poder elevado de irradiância, como vimos. Em segundo lugar, ao fato de ser constituído pela aglutinação de dois substantivos que, diferentemente, por exemplo, de "árvore" ou "lápis", não têm referentes diretos no mundo real, de modo que seu significado passa, necessariamente, por construções discursivas. Soma-se a isso o grande número e, ao mesmo tempo, a opacidade dos temas aos quais ele se associa já em sua gênese, fazendo com que ele esteja, necessariamente, sujeito às disputas pelos sentidos atribuídos ao que seriam, por exemplo, a ―sustentabilidade‖, o ―desenvolvimento social‖, o ―livre fluxo de informações‖ para os diversos posicionamentos discursivos. É o que fica evidente quando, ao passar para o Programa de Ação da U NESCO , o ―desarmamento‖, que estava entre os oito temas definidos por David Adams (2005a),
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Gagueira: uma questão discursiva.

Gagueira: uma questão discursiva.

abordada neste trabalho. Cabe citar, apenas, que o discurso é sobredeterminado simbolicamente, o que elimina questões sobre a gênese da gagueira. Sendo assim, é possível entender por que algumas crianças se deslocam da posição discursiva provisória que configura o processo de aquisição de linguagem, enquanto outras são aí aprisionadas. Por fim, mais uma questão merece espaço nesta conclusão: o nome utilizado para denominar a disfluência infantil em oposição à gagueira. Nesse sentido, em relação à nomenclatura Disfluência Normal de Fala e seus cognatos, é possível observar-se uma contradição teórica, uma vez que o termo disfluência caracteriza uma alteração ou distúrbio na fluência não podendo, portanto, abarcar um estado de “normalidade”. Como pudemos observar no decorrer deste trabalho, a disfluência normal de fala, ou disfluência de desenvolvimento, ou ainda, gagueira fisiológica, nomeiam dizeres que a aquisição de linguagem aponta como característicos do processo. Enfim, ao pensar a gênese da gagueira, deve-se considerar a tríade: interpretação que o Outro faz da fala da criança, o que a criança escuta sobre a sua fala e a sobredeterminação simbólica do discurso, considerando a fase de repetições e hesitações da criança como inerente ao processo de aquisição de linguagem.
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Avaliação discursiva das afasias

Avaliação discursiva das afasias

É dessa atitude discursiva frente aos fatos da linguagem que derivam os protocolos de avaliação, historicamente informados, denominados de versões protocolares. Nos estudos longitudinais que desenvolvemos, apresentamos tais versões que produzem, na interlocução travada entre afásico(s) e não afásico(s), os dados que analisamos. Ou seja, os dados são produzidos na interação entre os sujeitos e as cenas enunciativas (MAINGUENEAU, 1989) que daí derivam, especialmente as cenografias (MAINGUENEAU, 2010) compõem uma determinada versão protocolar cujo vínculo com outras é sua condição histórica de discursos anteriores. O discurso, como considera Maingueneau (2010), não acontece em um espaço já construído e autônomo, mas na enunciação/interlocução que o constitui e que sustenta a cenografia que o legitima. A ideia de cenografia de Maingueneau (2010, 2011) reafirma a centralidade da enunciação e do interdiscurso, o que se afina com os propósitos da ND de produzir versões protocolares que se estabelecem na interlocução. A relação entre língua, linguagem e sociedade orienta as propostas desenvolvidas nas versões protocolares de que são compostos a avaliação e o seguimento longitudinal.
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Matrix: uma análise discursiva

Matrix: uma análise discursiva

Dito isso, é interessante apurarmos a relação entre interdiscurso e intradiscurso, sendo que o primeiro ao longo do dizer tem sua memória afetada pelo esquecimento; já o segundo fica restrito à relação entre o efetivamente dito. Contudo, tanto o interdiscurso quanto o intradiscurso geram e movimentam as relações de sentido. Ainda, é preciso não confundir interdiscurso com formação discursiva. O interdiscurso, como já mencionamos, é algo que já foi dito antes e, depois de marcado pelo esquecimento, começa fazer sentido em outra época, ou seja, o “eixo dos dizeres”; e formação discursiva é aquilo que determina o que podemos ou não dizer, espécies de regionalizações do interdiscurso, quando conseguimos perceber algumas regularidades entre os dizeres. Percebendo o funcionamento do interdiscurso, do intradiscurso e das formações discursivas na formulação dos dizeres em Matrix, podemos compreender que os mesmos se estabelecem, se organizam em função da ideologia, pois sem ela não haveria sentido entre os discursos.
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A teoria dos blocos semânticos e a sociocognição discursiva: uma proposta de articulação

A teoria dos blocos semânticos e a sociocognição discursiva: uma proposta de articulação

A Argumentação Interna à Língua (doravante TAL) proposta por Anscombre e Ducrot (1983) sugere, como a própria terminologia indica, uma orientação argumentativa que não segue os padrões da lógica e/ou da retórica clássica e da nova retórica, mas de uma perspectiva fundada no estruturalismo saussuriano, de modo que o ato de argumentar é investigado a partir da própria estrutura da língua, tendo em conta a concepção de enunciação fundada em Benveniste (1989). A Teoria do Bloco Semântico (doravante TBS) elaborada por Ducrot e Carel (1997a, 1997b), tendo como base teórica a mesma da TAL, apresenta a orientação argumentativa a partir dos aspectos inerentes a um bloco semântico ou mais, considerando não somente o enunciado como também uma unidade lexical em si. A Teoria da Polifonia desenvolvida por Ducrot (1987), e posteriormente elaborada por Carel (2011), foi desenvolvida em paralelo com a TAL e a TBS, bem como com a Teoria dos Topoi, se- gunda fase de desenvolvimento da forma standard da TAL. Também denominada de Polifonia Linguística, em contraste com a proposta polifônica de Bakhtin, esta abordagem destaca a orientação argumentativa do locutor a partir dos enunciadores presentes nos segmentos argumentativos. O objetivo deste estudo, então, é a apropriação de categorias da TBS, a partir da Polifonia Linguística, para a análise crítica do discurso, segundo a abordagem sociocognitiva de van Dijk (2006, 2008). A proposta desta articulação tem a sociocognição como a fundamentação para a investigação crítica e ideológica do discurso que visa ao embate entre grupos sociais, e, para tal, percebe-se a utilidade dos aspectos dos blocos semânticos e da função dos enunciadores como orientadores da argumen- tação textual, que tem como motivação ideológica o abuso de poder, instalado nestes discursos.
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A leitura: uma prática discursiva

A leitura: uma prática discursiva

Ler constitui-se, assim, em uma prática social que mobiliza o interdiscurso, conduzindo o leitor, enquanto sujeito histórico, a inscrever-se em uma disputa de interpretações. Este desestabiliza sentidos já dados, daí o efeito de inconsistência de todo e qualquer texto, que se caracteriza como uma heterogeneidade provisoriamente estruturada. Ler, escreve Indursky (2001), “é mergulhar em uma teia discursiva invisível construída de já-ditos para desestruturar o texto e (re)construí-lo, segundo os saberes da posição-sujeito em que se inscreve o sujeito-leitor”. Na prática da leitura, o sujeito-leitor vai ocupar uma posição-sujeito em relação àquela ocupada pelo sujeito-autor, identificando-se ou não com ele. A leitura constitui-se, então, como momento crítico de uma relação entre autor / texto / leitor; e a interpretação é possível porque há o outro nas sociedades e na história. É com esse outro que se estabelece uma relação de ligação, de identificação ou de transferência que possibilita a interpretação (PÊCHEUX, 1990, p. 54). Esse mesmo autor (op. cit., p. 57) escreve que os momentos de interpretação são atos que surgem como tomadas de posição, reconhecidas como tais. Essas tomadas de posições do sujeito são entendidas como gestos de interpretação, por sua vez, já marcados pela história e pela ideologia. Na análise, para compreendermos os sentidos que um texto pode produzir, interessa levar em conta que a língua significa porque a história nela intervém; é um sujeito social e histórico que interpreta, daí a determinação da interpretação. “O gesto de interpretação é o lugar em que se tem a relação do sujeito com a língua. Esta é a marca da ‘subjetivação’, o traço da relação da língua com a exterioridade” (ORLANDI, 1996, p. 45-78).
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