Tradução e interpretação na literatura

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CAMINHOS E DESCAMINHOS DOS ESTUDOS DA  TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO NO BRASIL

CAMINHOS E DESCAMINHOS DOS ESTUDOS DA TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO NO BRASIL

formação de tradutores e intérpretes está vinculada a cursos de Letras. Seus currículos são, em geral, iguais aos dos alunos que se estão preparando para a carreira docente, dos quais foram eliminadas as últimas disciplinas de literatura, que foram substituídas por disciplinas específicas de formação profissional. Muitos desses currículos são calcados nos das universidades federais, cuja maioria não sofre mudança desde a década de 1960. Os docentes dos cursos de formação de tradutores e intérpretes também são os mesmos dos cursos de formação de professores, muitos sem qualquer preparação ou treinamento na área, sendo que apenas uma pequena minoria dos cursos conta com docentes com experiência profissional em tradução e/ou interpretação, pois até mesmo alguns pesquisadores de renome não têm qualquer experiência de atuação profissional. A maioria dos cursos não dispõe de equipamentos computacionais para o treinamento de profissionais da tradução ou de equipamentos de áudio para o treinamento de intérpretes. Talvez por esses motivos, diminui a cada ano o percentual de aprovados nos exames de credenciamento da ABRATES.Por outro lado, o mercado se recusa a remunerar tradutores em patamares aceitáveis, sequer contemplando os valores recomendados pelo sindicato (SINTRA, 2009). 18 Somente os intérpretes de conferência conseguem manter o
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Mrs. Dalloway: a tradução do pensamento na literatura

Mrs. Dalloway: a tradução do pensamento na literatura

O final do século XIX e começo do século XX foi um tempo de transformações profundas tanto na ciência quanto nas práticas cotidianas. É na tentativa de retratar essas mudanças, segundo Tomaz Tadeu (2012, p.205), tradutor de Virginia Woolf no Brasil, que a escritora busca criar uma nova estética literária. De acordo com Monique Nathan (1984), biógrafa de Virginia, os textos da escritora revelam as marcas profundas do seu tempo. Um tempo em que o interesse pela consciência e pelo processo de apreensão do mundo era partilhado por várias áreas do conhecimento. Basta lembrar que em 1899, por exemplo, Freud lançou o seu mais famoso livro, A Interpretação dos Sonhos, formulando uma teoria do estudo da mente e da conduta humana. Alguns anos antes, em 1880, o filósofo Friedrich Nietzsche manifestava esperança de que a psicologia se tornaria a principal disciplina das ciências. Segundo o historiador Peter Gay, os romancistas modernos, como se tivessem ouvido Nietzsche, transformaram a literatura do século XX numa “profunda exploração psicológica”. (GAY, 2009, p.188). No cinema, os primeiros estudiosos da área, como Hugo Munsterberg e Béla Baláz, também tinham como principal preocupação investigar os mecanismos que o audiovisual possui para retratar o pensamento. Além do pensamento, eles defendiam o cinema como o local do sonho e do devaneio. (XAVIER, 1983).
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INTERPRETAÇÃO E TEORIA DA LITERATURA

INTERPRETAÇÃO E TEORIA DA LITERATURA

mais recorrentes contendas de seus adversários. [...] Na verdade, isso é quase que inteiramente falso. Alguns críticos teóricos são leitores negligentes, mas alguns não-teóricos também. Quando se trata de um pensador como Jacques Derrida, a acusação mais hábil seria a de que ele é um leitor consciencioso demais – que se põe tão próximo da obra, fastidiosamente testando seus aspectos mais microscópicos, que, como uma tela vista de muito perto, o texto ameaça desintegrar-se num conjunto de estrias e manchas. O mesmo pode ser dito de muitos outros escritores desconstrutivistas. No tocante à maior parte dos outros principais teóricos, a acusação de que ficam demasiado afastados da obra simplesmente não cola. A maioria deles lê tão tenazmente quanto críticos não-teóricos, e alguns deles até bastante mais. Os defensores da análise fechada às vezes presumem que exista uma distância ideal a ser estabelecida entre o leitor e a obra. Mas isso é uma ilusão. Ler, ver e ouvir envolvem constante mudança de foco, mergulhos numa particularidade solta e retornos ao panorama total. Algumas formas de ler ou ver abordam a obra diretamente, enquanto outras se insinuam timidamente até ela. Algumas se atêm a seu desdobramento gradual como um processo no tempo, enquanto outras visam um instantâneo, ou uma fixação espacial. Algumas cortam obliquamente a obra, enquanto outras a espiam do nível do chão. Há críticos que começam com os narizes amassados contra a obra, absorvendo suas mais primitivas primeiras impressões, antes de ir gradualmente se afastando para abranger o entorno. Nenhuma dessas abordagens é correta. Não há correção ou incorreção a esse respeito”. (Tradução feita por Maria Lucia Oliveira para a edição brasileira.)
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Intersecção entre os Estudos Ibéricos e os Estudos de Tradução: o exemplo da tradução da literatura catalã em Portugal

Intersecção entre os Estudos Ibéricos e os Estudos de Tradução: o exemplo da tradução da literatura catalã em Portugal

Como se pode ver no Quadro 1, durante esse período, só três autores catalães contam com três obras traduzidas para a língua portuguesa: Jaume Cabré (n. 1947), Ramon Llull (1232-1316) e Albert Salvadó (n. 1951). Por sua vez, Joan Barril (1954-2014), Najat El Hachmi (n. 1979), Carme Riera (n. 1948) e Albert Sánchez Piñol (n. 1965) têm dois romances traduzidos respetivamente, enquanto os outros autores contam, até à data, apenas com uma tradução portuguesa: Sebastià Alzamora (n. 1972), Maria Àngels Anglada (1930-1999), Maria Barbal (n. 1949), Lluís-Anton Baulenas (n. 1958), Alfred Bosch (n. 1961), Xavier Bosch (n. 1967), Nadia Ghulam (n. 1985)/Agnès Rotger (n. 1973), Alicia Kopf (n. 1982), Gaspar Hernàndez (n. 1971), Joanot Martorell (1410-1465), Quim Monzó (n. 1952), Asha Miró (n. 1967)/Anna Soler-Pont (n. 1968), Marc Pastor (n. 1977), Manuel de Pedrolo (1918-1990), Josep Pla (1897-1891), Maria Mercè Roca (n. 1958), Mercè Rodoreda (1908-1983), Robert Saladrigas (1940- 2018), Anna Tortajada (n. 1957), Tina Vallès (n. 1976) e Llorenç Villalonga (1897-1980). 5
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A recepção das literaturas hispano-americanas na literatura portuguesa contemporânea: edição, tradução e criação literária Isabel Rute Araújo Branco

A recepção das literaturas hispano-americanas na literatura portuguesa contemporânea: edição, tradução e criação literária Isabel Rute Araújo Branco

e de venda em tabacarias inclui obras de García Márquez, como «Biblioteca Visão», «Asa de Bolso», «Prémio Nobel», «Bisleya» e «Mil Folhas», entre outras. Assinalemos também a publicação, em 2000, de seis contos para adultos numa colecção dirigida ao público infantil, a «Edições especiais» da Dom Quixote, ilustrada por Carme Solé Vendrell: A Luz É como Água, A Sesta de Terça-Feira, O Verão Feliz da Senhora Forbes, A Última Viagem do Navio Fantasma, Maria dos Prazeres e Um Senhor Muito Velho com Umas Asas Enormes. Existem no mercado várias obras críticas sobre o autor e a sua obra, como História de Cem Anos de Solidão. Em Busca das Chaves de Melquiades, de Elígio García Márquez, O Aroma da Goiaba, de Plinio Apuleyo de Mendoza e Gabriel García Márquez, e Gabriel García Márquez, de Dagmar Ploetz. Há que referir ainda o Posfácio da autoria do escritor português João de Melo publicado na edição da Dom Quixote de O Amor nos Tempos de Cólera, a partir da sexta reimpressão. Outra forma de reconhecimento, e importante fonte de vendas, é a inclusão de Crónica de Uma Morte Anunciada no Plano Nacional de Leitura 1 . Duas obras do escritor foram editadas com diferentes títulos pela Europa-América e pela Quetzal (textos publicados pela Dom Quixote em 2007 e 2008): La hojarasca surgiu nos escaparates em 1972 como O Enterro do Diabo (com tradução de João da Silva) e em 1989 como A Revoada (António Gonçalves); La mala hora como O Vento da Madrugada (Pilar Delvaulx) em 1972 e Horas Más (Egito Gonçalves) em 1993. As primeiras edições em Portugal de García Márquez – e de outros escritores – foram adaptadas de versões brasileiras, o que pode explicar as opções de tradução, nomeadamente dos títulos. Isto aconteceu principalmente numa fase inicial, talvez por razões económicas, e pode considerar-se como uma espécie de «tradução indirecta», fenómeno estudado por José Lambert, quando refere o caso de o sistema receptor (neste caso, o português) tomar emprestados os produtos culturais de outros sistemas (neste caso, o brasileiro).
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Diego O. de Assis

Diego O. de Assis

Embora jogos de interpretação de papéis seja uma tradução precisa para denominar os role-playing games, ou RPGs, expressões originais específicas, como esta, já se tornaram parte do vo[r]

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COMO CONVIVE A INTERPRETAÇÃO COM OS ASPECTOS NÃO VERBAIS DA COMUNICAÇÃO?

COMO CONVIVE A INTERPRETAÇÃO COM OS ASPECTOS NÃO VERBAIS DA COMUNICAÇÃO?

Retomando a discussão inicial, em minha opinião, um intérprete além de dominar as questões linguísticas inerentes às tarefas que desempenha, deve, também, pelo menos, reconhecer o repertório nuclear dos recursos da expressão não verbal do(s) par(es) de línguas com que trabalha; senão vejamos: por exemplo, os japoneses acompanham frequentemente uma conversa com ligeiros trejeitos de cabeça e proferem determinados sons como “Eeeh!” e “Nn” que são apenas demonstrativos de uma atitude de cortesia e não de concordância com o que o interlocutor está a dizer. Imaginemos que esta conduta era mal interpretada (no sentido em que estes sinais eram descodificados erradamente), tal ocorrência certamente desvirtuaria a interpretação do que estaria a ser dito/transmitido.
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As funções do intérprete educacional: entre práticas sociais e políticas educacionais The Roles of the Educational Interpreter: Between Social Practices and Education Policies

As funções do intérprete educacional: entre práticas sociais e políticas educacionais The Roles of the Educational Interpreter: Between Social Practices and Education Policies

A partir dos anos de 1970, entretanto, ganham espaço novas abordagens teóricas, as quais passam a conceber a tradução como bem mais que uma operação centrada e limitada ao plano da língua, já que a compreendem como uma operação textual. A partir de então, as abordagens pa incorporaram elementos da linguística textual e da análise do discurso para pensar a tradução não somente por meio da comparação entre línguas, mas, sobretudo, pela relação entre textos. Assim, os estudos da tradução, pouco a pouco, enfatizaram aspectos comunicativos, socioculturais, cognitivos e ideológicos em sua abordagem do fenômeno tradutório. Com o suporte dos estudos culturais e das teorias pós-estruturalistas, por exemplo, a compreensão da tradução passou a considerar mais os elementos discursivos, contextuais e culturais, principalmente a função da tradução e o público a que se destina, compreendendo-a, inclusive, como “mediação cultural” (SNELL-HORNBY, 1995; BASSNETT, 2003).
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O campo e a cidade na literatura brasileira   Luiz Ricardo Leitão

O campo e a cidade na literatura brasileira Luiz Ricardo Leitão

Após a derrocada da república Velha e da política do ‘café com leite’ imposta pelas oligarquias de minas gerais e São paulo, o advento de um ciclo regionalista em nossa prosa de ficção é um fenômeno emblemático. o sucesso dos escritores nordestinos nos anos 30, em plena era de expansão monopolista do capitalismo brasileiro (cujo principal centro de acumulação era a burguesia agroindustrial pau- lista), é digno de nota. A literatura, a seu modo, não apenas pressagia como também influi sobre a marcha da modernização sem ruptura: fora da órbita cosmopolita dos bandeirantes, articula-se uma ampla frente do romance regionalista (de linguagem mais convencional, porém permeado por sopros de renovação estética e temas de grande interesse social, como nos evidencia a obra de graciliano ramos), que impõe outro ritmo à saga da modernidade brasileira. e assim, sob a cadência lenta e inexorável dessa metamorfose “prussiana”, é possível empreender uma reflexão acerca da decadência da velha ordem oligárquica, como faz José lins do rego em Fogo morto (1943), antes de chegarmos ao novo ciclo de industrialização dos anos 50-60, quando o pós-modernismo, seja na prosa única de guimarães rosa ou na poesia lapidada de João cabral de melo neto, se ocupará de reinterpretar o urbano e o agrário no imaginário coletivo nacional. repassemos, pois, essas três estações do Modernismo, valendo-nos dos textos preciosos de seus mestres.
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Alea  vol.18 número1

Alea vol.18 número1

Mauricio Silva possui doutorado e pós-doutorado em Letras Clássicas e Vernáculas pela Universidade de São Paulo. Professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação, na Universidade Nove de Julho (São Paulo), é autor dos livros A Hélade e o Subúrbio. Confrontos Literários na Belle Époque Carioca (São Paulo, Edusp, 2006); A Resignação dos Humildes. Estética e Combate na Ficção de Lima Barreto (São Paulo, Annablume, 2011), entre outros. É organizador da coleção de Literatura Brasileira Contemporânea, pela Editora Terracota, atualmente com três títulos publicados. Endereço para correspondência: Rua General Rondon, 44 – Ap. 10 – São Paulo – SP – 01204-010. E-mail: maurisil@gmail.com.
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Fios de significação reconhecidos e reorientados no processo de tradução de literatura - Português/Libras

Fios de significação reconhecidos e reorientados no processo de tradução de literatura - Português/Libras

Estudos sobre tradução de literatura infanto-juvenil vêm sendo desenvolvidos (ALBRES, 2012, 2014a, 2014b), focando os critérios para produção da tradução, a polifonia e dialogia no processo de tradução e criação da enunciação em Libras, aspectos verbo-visuais que motivam os tradutores para a criação da tradução. Estes estudos constataram que os tradutores são motivados pelas ilustrações e pelo texto para a criação do texto trazido em Libras, que o produto final em Libras carrega marcas das ilustrações do texto base e da subjetividade dos tradutores. Todavia, ainda há que se investigar se essa construção em Libras preserva o significado do texto base. Questões são levantadas nesta pesquisa: 1) Como os elementos verbo-visuais influenciam nas escolhas tradutórias no livro de literatura infanto- juvenil? 2) Estes elementos auxiliam na construção da tradução e fornecem subsídios para recriar o texto mantendo a correspondência de sentido? 3) Que nível de distanciamento ou aproximação pode se estabelecer entre texto base e texto meta (traduzido)?
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Ensino de língua estrangeira e inclusão : percepções de alunos com surdez ou com deficiência auditiva sobre as aulas de inglês em escolas regulares

Ensino de língua estrangeira e inclusão : percepções de alunos com surdez ou com deficiência auditiva sobre as aulas de inglês em escolas regulares

III - de formação em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa. As instituições de educação superior, principalmente as que ofertam cursos de Educação Especial, Pedagogi[r]

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Ensino de Física para pessoas surdas: o processo educacional do surdo no ensino médio e suas relações no ambiente escolar

Ensino de Física para pessoas surdas: o processo educacional do surdo no ensino médio e suas relações no ambiente escolar

... análise textual discursiva é descrita como um processo que se inicia com uma unitarização em que os textos são separados em unidades de significado. Estas unidades por si mesmas podem gerar outros conjuntos de unidades oriundas da interlocução empírica, da interlocução teórica e das interpretações feitas pelo pesquisador. Neste movimento de interpretação do significado atribuído pelo autor exercita-se a apropriação das palavras de outras vozes para compreender melhor o texto. Depois da realização desta unitarização, que precisas ser feita com intensidade e profundidade, passa-se a fazer a articulação de significados semelhantes em um processo denominado de categorização. Neste processo reúnem-se as unidades de significado semelhantes, podendo gerar vários níveis de categorias de análise. A análise textual discursiva tem no exercício da escrita seu fundamento enquanto ferramenta mediadora na produção de significados e por isso, em processos recursivos, a análise se desloca do empírico para a abstração teórica, que só pode ser alcançada se o pesquisador fizer um movimento intenso de interpretação e produção de argumentos. Este processo todo gera meta-textos analíticos que irão compor os textos interpretativos (MORAES E GALIUZI, 2006, p.12).
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Uso de fóruns para o estudo da escrita da língua de sinais

Uso de fóruns para o estudo da escrita da língua de sinais

III - de formação em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa. As instituições de educação superior, principalmente as que ofertam cursos de Educação Especial, Pedagogia e[r]

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PRISCILA REGINA GONÇALVES DE MELO GIAMLOURENÇO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS: Construção da formação profissional

PRISCILA REGINA GONÇALVES DE MELO GIAMLOURENÇO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS: Construção da formação profissional

[...] na época eu estava sem trabalho, eu tinha saído da indústria. Foi uma oportunidade que abriu [...] fui trabalhar nesses dois lugares. Foi aí que eu tive algumas dificuldades em sala de aula[...] Que ambos os trabalhos eram em contextos educacionais, um no ensino superior e outro no ensino técnico, e tive algumas dificuldades ali de acompanhar a dinâmica das aulas, eu não sabia como fazer a interpretação de Libras pra Português porque até então eu tinha muito exercício de português pra Libras. [...]Na associação eu fazia mediação para os surdos e fazia aquela fala bem enxuta e à medida, como eu entrei numa sala de aula pra ser intérprete, pra fazer ali a mediação, e do ponto de vista da instituição, eu comecei a sentir algumas dificuldade e ter algumas carências, aí foi aí que eu fui buscar formação formal (ALBERTO, MAIO, 2017).
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Teatro e transformação social Vol. 1

Teatro e transformação social Vol. 1

Na Marcha Nacional pela Reforma Agrária, ocorrida em maio de 2005, com mais de doze mil marchantes, a peça A Bundade do patrão foi apresentada pelo coletivo Peça pro Povo (RS), pela Br[r]

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Um estUdo sobre a formação de tradUtores e intérpretes de língUas de sinais

Um estUdo sobre a formação de tradUtores e intérpretes de língUas de sinais

8. É possível encontrar registros no ministério da Educação (mEC) sobre os cursos de especialização lato sensu para formação de tradutores e intérpretes de Libras. Em consulta realizada (mEC, 2017) com duas palavras-chave (tradução e interpretação) detectou-se 185 registros. Na primeira busca, foram encontrados 101 registros de cursos. A segunda busca foi feita com a palavra-chave interpretação, na qual foram encontrados 84 registros de cursos. Após comparação das duas listas, identificou-se que: a) 15 cursos não possuem nenhuma ligação com a área de tradução e interpretação, visto que se tratam de cursos de interpretação bíblica, musical, de moda ou textual; b) 35 registros se referem à tradução e interpretação de outras línguas; c) há 72 cursos de especialização registrados voltados para formação de tradutores e intérpretes de Libras; e d) 64 cursos se repetiram nas duas listas (dos quais 63 cursos possuem a Libras como objeto de estudo). Dessa forma, 67,29% dos cursos de especialização em tradução e interpretação oferecidos no Brasil possuem a Libras como objeto de estudo. Essa predominância da Libras pode demonstrar certa demanda crescente que o país vive em busca de formação desses profissionais. Essa realidade implica na necessidade de estudos futuros sobre a formação de TILS na graduação versus formação na pós-graduação.
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Mediações contemporâneas: tradução cultural e literatura comparada

Mediações contemporâneas: tradução cultural e literatura comparada

Em seu mais reconhecido texto teórico sobre o assunto, “A política da tradução”, de 1992, Spivak inicia seu argumento seguindo ainda a lógica derridiana para então se aprofundar em outros aspectos que redirecionam seu trabalho teórico sobre a tradução para um enfoque mais persistente na critica pós-co- lonial e cultural. Partindo da consideração de que a linguagem é um processo de construção de significado, um meio através do qual fazemos sentido das coisas e de nós mesmos e, assim, produzimos nossas identidades, Spivak ressalta que a tradução nos permite esse contato com uma linguagem que pertence a vários “outros”. Na base de seu argumento está a noção de sedução do texto (e não do/a tradutor/a, numa inversão do sentido etimológico negativo de “engano e negação”, aludindo ao sentido de “levar para o lado, desviar do caminho”) e a concepção da tradução como o mais íntimo ato de leitura que faz com que o/a tradutor/a seduzido pelo texto a ser traduzido (desviado de seu caminho inicial) a ele se entregue e se renda. assim, o/a tradutor/a deve tentar “compreender as pressuposi- ções do escritor”, isto é, “entrar nos protocolos do texto” (Der- rida), não nas leis gerais da linguagem, mas nas leis específicas desse texto (que tem uma história e uma geografia próprias) e isso requer um contato próximo com esse texto através de uma leitura aprofundada, crítica e, principalmente, íntima (2005b, p. 93-94). Percebo na teorização de Spivak certa inspiração na proposta benjaminiana de que “a tradução tende a expressar o mais íntimo relacionamento das línguas entre si” (2001, p.191, minha ênfase). Benjamin acrescenta ainda que “a tradução deve, ao invés de procurar assemelhar-se ao sentido do original, ir configurando, em sua própria língua, amorosamente, chegando até aos mínimos detalhes, o modo de designar do original” (2001, p. 201, minha ênfase). A tradução é, assim, como coloca Spivak, um ato de amor, de entrega, de solidariedade, uma relação próxima e de afeto para com o outro e que aproxima o eu do outro, como aponta a epígrafe que abre este.
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LITERATURA BRASILEIRA EM ESPANHOL: NOVOS CAMINHOS DA TRADUÇÃO

LITERATURA BRASILEIRA EM ESPANHOL: NOVOS CAMINHOS DA TRADUÇÃO

rapidamente só conseguiram ser feitas depois de muito trabalho por parte, sobretudo, de tradutores que queriam levar a literatura brasileira para o espanhol. No caso da mencionada antologia Puentes/Pontes, a organizadora Teresa Arijón conta que não foi fácil achar quem quisesse editá-la, que foi um projeto que demorou muito a concretizar-se. Ela e a tradutora Bárbara Belloc (que traduziram a quatro mãos a Clarice Lispector, Rubem Fonseca, Hilda Hilst e Andréa del Fuego), tiveram que insistir muito com as editoras para aprovarem o seu projeto de traduzir ensaístas brasileiros. Primeiro, impossível deixar de mencionar, há o problema do estereótipo e o “exótico”. Em entrevista com a tradutora Bárbara Belloc, ela afirmava que tristemente “existe uma certa desconfiança por parte dos editores”. Afinal, qual é a “seriedade” que pode ter um ensaio de autor brasileiro? “As pessoas se perguntam sobre a qualidade de um escritor que vem de um país de praias e narcotráfico. A natureza e a violência urbana é a leitura que têm do Brasil inclusive pessoas com muita cultura”, ela lamenta. Porém, elas conseguiram que a editora Manantial publicasse os ensaios de pensamento brasileiro. Mas o caminho não foi fácil; mesmo contando com a possibilidade de um apoio da Fundação Biblioteca Nacional, as editoras recusavam.
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“Lições do mestre“: da tradução como viagem e da literatura como direito

“Lições do mestre“: da tradução como viagem e da literatura como direito

Assim, chego ao conhecido ensaio “O direito à literatura”, de 1988, que nos confronta com uma ideia muito importante, ainda não suficientemente refletida: a literatura representa um direito fundamental, humano? Em volta dessa questão provocadora, Antonio Candido argumenta contra o nivelamento mental e o estereótipo da massa primitiva (problematizando o gosto na era da mass media) e nos oferece “um antídoto ao populismo midiático e ao pragmatismo extremo dos nossos dias” (CHIAPPINI; VEJMELKA, 2009, p. 250). Nesse contexto, Antonio Candido trabalha com a noção de literatura em sentido amplo, isto é, “todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura” (CANDIDO, 2004, p. 174) ou, como consta em uma palestra “precursora” desse ensaio, publicada já em 1972:
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