Unidade da razão pura

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A importância sistemática do sumo bem como operador de passagens e da unidade da razão pura em Kant

A importância sistemática do sumo bem como operador de passagens e da unidade da razão pura em Kant

Passados quase dez anos da publicação da primeira edição da Crítica da razão pura, na qual, conforme abordamos na seção de abertura deste estudo, pela primeira vez Kant se dispôs a levar a cabo e a oferecer respostas ao embate da razão consigo mesma acerca da existência de uma causalidade por liberdade, além da natural – embate solucionado a partir da consideração dos limites e possibilidades de nossas faculdades cognitivas, demonstradas também naquele contexto –, agora, na segunda parte da KU, o problema reaparece no sistema filosófico kantiano, porém sob a perspectiva da faculdade de julgar reflexionante teleológica. Diferente do que poderíamos pensar, o reaparecimento do problema não significa que ele reconsiderou a solução encontrada pelo uso teórico-especulativo da primeira Crítica e agora, na terceira, estaria disposto a desenvolver nova e mais consistente argumentação para o problema, abandonando assim os resultados anteriormente obtidos. Muito pelo contrário, o retorno ao debate sobre a causalidade da natureza na terceira Crítica se deve à especificidade de certas relações (causais) que reivindicamos para com a natureza a partir da faculdade de julgar reflexionante teleológica. Através de sua atividade reivindicamos uma relação com a natureza mediante o pensamento de fins para ela, a ponto de estarmos autorizados a pensá-la a partir de certa unidade legislativa. Por esse motivo, a faculdade de julgar teleológica também merecera sua própria crítica, a fim de determinar a legitimidade de seus pressupostos e de seu alcance, utilizando o método crítico-transcendental aplicado à investigação das demais faculdades perscrutadas até aqui. Ou, como afirma o autor, “[...] o que se quer aí é apenas designar um tipo de causalidade da natureza, segundo uma analogia com nossa causalidade no uso técnico da razão, de modo a ter em vista a regra segundo a qual certos produtos da natureza devem ser investigados”. 467
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A importância sistemática do Sumo Bem como operador de passagens e da unidade da razão pura em Kant

A importância sistemática do Sumo Bem como operador de passagens e da unidade da razão pura em Kant

princípios e, sobretudo, de seus limites. Tanto é assim que Kant a organiza estando ciente da necessidade de, primeiro, identificar aquelas faculdades e, por conseguinte, determinar os princípios, os limites e as funções sistemáticas que esses elementos ocupam não só na constituição cognitiva humana, mas também em seu projeto crítico-metafísico. Ou, nas palavras do autor, “[e]sta crítica teve primeiro que expor as fontes e as condições de possibilidade desta metafísica e necessitou de limpar e de alisar o terreno mal preparado 67 ”. Nesse sentido, conforme o prefácio a segunda edição da Crítica (1787) torna mais evidente, Kant inspira-se nos métodos e resultados obtidos pela matemática e pela física – as quais, já há algum tempo, sobretudo a primeira, conduzem a razão por “vias seguras da ciência 68 ” – para orientar sua tarefa originária de fundar uma nova metafísica. Porém, essas ciências não obtiveram seus dignos stati facilmente. Ao contrário, em algum momento de suas histórias operaram uma verdadeira “revolução do modo de pensar 69 ”. Ambas precisaram separar criticamente seus princípios empíricos dos puros. O autor enfatiza dois aspectos da física e da matemática como fundamentais para encontrarem as vias seguras da ciência, a saber: a revisão crítica de seus métodos e, consequentemente, a revolução em seu modo de pensar mediante a identificação de seus princípios, sendo os de origem a priori os mais importantes na medida em que não são determinados pelas contingências da experiência, mas sim, pela pura razão. A matemática operou essa revolução no pensamento quando, o exemplo é de Kant, Tales, “ou quem quer que tenha sido 70 ”, demonstrou as propriedades do triângulo isósceles sem precisar “[...] seguir passo a passo o que via na figura, nem o simples conceito que dela possuía [...] 71 ”, mas o fez “[...] mediante o que pensava e o que representava a priori por conceitos [...] 72 ”. Quer dizer que ao se perguntar pelo método, o matemático provocou certa revolução no pensamento por ter identificado a razão como fonte única dos princípios geométricos. Por outro lado, a física realizou tal mudança mais recentemente, afirma Kant. Ele recorda Francis Bacon, Galilei, Torricelli, entre outros físicos (cabe lembrar que é uma passagem da obra Instauratio Magna de Bacon que abre a KrV). Todos eles são exemplos de pensadores que estimularam a física a também encontrar a “estrada larga da ciência 73 ”, pois constataram que a razão
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A dedução transcendental B na Crítica da Razão Pura: o problema da unidade sintética e da unidade sensível

A dedução transcendental B na Crítica da Razão Pura: o problema da unidade sintética e da unidade sensível

A unidade transcendental da apercep¸ c˜ ao ´ e aquela por meio da qual o m´ ultiplo dado em uma intui¸ c˜ ao ´ e unificado no conceito de objeto. Ela se chama, por essa raz˜ ao, de objetiva e deve ser diferenciada da unidade subjetiva da consciˆ encia, que ´ e a determina¸ c˜ ao do sentido interno por meio da qual aquele m´ ultiplo da intui¸ c˜ ao ´ e dado empiricamente a uma tal liga¸ c˜ ao. Que eu possa ser-me cons- ciente do m´ ultiplo como simultˆ aneo ou sucessivo, isso ´ e algo que depende das circunstˆ ancias ou das condi¸ c˜ oes emp´ıricas. Por isso, a unidade emp´ırica da consciˆ encia, por meio da associa¸ c˜ ao das representa¸ c˜ oes, diz ela pr´ opria a um fenˆ omeno e ´ e completamente contingente. Em contrapartida, a forma da in- tui¸ c˜ ao no tempo, meramente como intui¸ c˜ ao em geral que cont´ em um m´ ultiplo, submete-se ` a unidade origin´ aria da consciˆ encia pura e simplesmente mediante a rela¸ c˜ ao necess´ aria do m´ ultiplo da intui¸ c˜ ao a Um: eu penso; portanto, mediante a s´ıntese pura do entendimento, que reside a priori como fundamento da emp´ırica. Somente aquela unidade ´ e v´ alida objetivamente. A unidade emp´ırica da aper- cep¸ c˜ ao, que n˜ ao levamos em considera¸ c˜ ao aqui, e que tamb´ em s´ o ´ e derivada da primeira sob condi¸ c˜ oes dadas in concreto, tem validade apenas subjetiva. Um liga a representa¸ c˜ ao de uma certa palavra com uma coisa, outro, com uma outra coisa; e a unidade da consciˆ encia no que ´ e emp´ırico n˜ ao ´ e necess´ aria e v´ alida universalmente com rela¸ c˜ ao ao que ´ e dado. (KrV, B139-140)
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Teleologia e moralidade no contexto da crítica da razão pura

Teleologia e moralidade no contexto da crítica da razão pura

A tese sustentada acima é que a dedução metafísica não é totalmente irrelevante para a conjuntura da analítica dos conceitos, interpretação não predominante em relação a esse ponto. A posição acima tenta defender que esta dedução é imprescindível para que seja possível uma significação completa para a dedução transcendental 55 . O primeiro passo sublinha que a tábua dos juízos, indica o modo pelo qual conceitos adquirem uma unidade, isso quer dizer que a unidade de um múltiplo advindo da intuição só é possível por meio de uma síntese levada a cabo unicamente pelos conceitos puros do entendimento, corresponde ao segundo passo. Isso significa que necessariamente a derivação da tábua das categorias pela tábua dos juízos não esgotaria a argumentação kantiana em torno dos conceitos puros do entendimento, e que depois de ter alcançado as categorias, Kant tem que lidar com a relação que esses possuem para com os objetos, caso ficasse na constatação a priori, ele não conseguiria traçar de modo completo a sua teoria do conhecimento, e nem diferenciar as categorias das ideias, tarefa da dedução transcendental.
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Kant, realidade e idealismo : a crítica da razão pura como tratado pós-cético

Kant, realidade e idealismo : a crítica da razão pura como tratado pós-cético

A conclusão é que o modelo de conhecimento em jogo na Crítica é sobretudo o conhecimento da realidade enquanto espacial, i. e., enquanto subordinada à forma de unidade pertinente a um objeto que permanece, toda mudança sendo acidental à essência da realidade assim concebida. Conhecer será portanto rastrear o que veio antes, entendido como determinação suficiente de um estado de coisas atual, donde o papel fundamental da causalidade eficiente. Ora, como nada é mais oposto à consideração que necessariamente fazemos de nós próprios enquanto seres agentes, o conhecimento da realidade espacial é o conhecimento da realidade desprovida de elementos subjetivos como a intencionalidade. Trata-se, portanto, de um modelo de conhecimento muito particular, que o próprio Kant admitiria dever ser colocado em suspenso quando da consideração das formas naturais, as quais pediriam uma abordagem teleológica. Disso entendemos poder tirar a dupla conclusão: Kant não apenas subordina a causalidade ao idealismo, mas vai além e concebe diferentes idealismos, correspondentes a interesses de conhecer determinados pela particularidade do objeto em questão, se matéria espacial ou organismo vivo. Longe de apontar para um positivismo científico, portanto, a mensagem de Kant parece ir muito mais na direção de apontar a necessidade de articulações conceituais locais, apenas as quais vão ser capazes de dar conta do progresso do conhecimento entendido essencialmente como um interesse humano, em vez de, como se poderia pensar, um eterno retorno das mesmas categorias cuja determinação esgotaria o papel do conceito. Se for assim, deve ficar clara a relação íntima de Kant com o ceticismo. Se a coisa em si é inacessível, procuramos à toa por uma ordem à qual nos adequarmos. Não existem “limites do sentido”, existem formas de intuir 56 .
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A questão da possibilidade da liberdade na crítica da razão pura: uma interpretação de B 560 e B 586

A questão da possibilidade da liberdade na crítica da razão pura: uma interpretação de B 560 e B 586

rindo à possibilidade lógica da liberdade. Logo, o esclarecimento do sentido não expresso da passagem (I) contribuiria para a discussão. Por tal razão, faz- -se necessário, ao analisar ‘B 560’, o empenho de não apenas examinar as con- dições de possibilidade em que se poderia pensar o conceito de liberdade nas fronteiras da Crítica de 1787, mas também de justificar a acepção de ‘possibili- dade’ nela envolvida. O termo teria aí o significado de algo logicamente pen- sável e não contraditório, ou de uma realidade efetiva e objetiva, ou duma cau- salidade livre incompatível com as leis da natureza? É inegável, assim, que nos encontramos diante duma questão que necessita minuciosa e atenta análise exegética. Mas por que expor uma análise que possa contribuir para elucidar a questão da liberdade contida em (I) e (II)? Buscamos esses esclarecimentos, em primeiro lugar, porque, embora paradoxais, essas passagens dificilmente poderiam ser contraditórias ao fazerem parte de uma mesma obra. Em segundo lugar, justifica-se a necessidade de analisá-las, não apenas em virtude de pre- tender-se manter a unidade interna da primeira crítica, mas porque, como se sabe, a Crítica da Razão Pura não foi uma obra isolada de Immanuel Kant (1724/1804), mas precedente da Crítica da Razão Prática. Ora, essas duas obras não estão desassociadas, mas arquitetonicamente interligadas ao fazerem parte de um mesmo sistema crítico-filosófico. Sabendo-se que o elo entre essas duas obras teria sido desenvolvido pela relação da razão e de suas ideias, po- deria o filósofo ter negado a ideia da liberdade nas fronteiras daquela primeira obra crítica? Por fim, não bastasse à necessidade da ideia da liberdade para se explicar à transição das obras de 1787 e de 1788, sem ela não se teria como explicar a moralidade. A liberdade é um conceito tão importante à filosofia prá- tica de Kant a ponto de ter sido declarada “o fecho de abóbada de todo o edifício de um sistema da razão pura”, (KANT
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Crítica da Razão Pura

Crítica da Razão Pura

(5) A unidade analítica da consciência tem a sua origem em todos os conceitos comuns considerados como tais. Quando, por exemplo, concebo o vermelho em geral, represento-me por isso uma qualidade que (como caráter) pode ser achada em qualquer parte ou ser ligada a outras representaçôes; não é, pois, senão sob a condição de conceber de ante mão uma unidade sintética possível que podemos conceber a unidade analítica. Para imaginarmos uma representação comum a coisas diferentes, devemos considerá-la como dependente a essas coisas e, que, além da sua analogia, possuem alguma coisa diferente entre elas das restantes, pelo que se deduz que devemos concebê-las como formando uma unidade sintética com outras representações (embora sejam apenas possibilidades), muito antes que eu possa conceber nelas a unidade analítica da consciência que a transforma num “conceptus communis”. A unidade sintética da nossa percepção é, pois, o ponto mais elevado ao qual podemos aplicar nosso entendimento, bem como toda a lógica e, por seu intermédio, a Filosofia transcendental; mais ainda, esta faculdade é o próprio entendimento.
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Kant e a história a priori da filosofia: os artifícios da reflexão e a ideia do tribunal na Crítica da razão pura

Kant e a história a priori da filosofia: os artifícios da reflexão e a ideia do tribunal na Crítica da razão pura

pressuposta na unidade da razão. O pressuposto arquitetônico é este elemento de fundo pelo qual as doutrinas, segundo Micheli, seriam interpretadas na dinâmica do processo que gera a estrutura, este implementado pelo sistema da razão. O cânone de leitura de cada doutrina estaria expresso na ideia que permite o pensador a filosofar. Segundo o intérprete, é ela que gera “(...) a causa primeira e autêntica de todo o filosofar” 212 . Este fundamento, portanto, faz do exercício critico uma atividade que funda uma grande teoria da interpretação, remediado pelo princípio a priori que, na unidade da razão, confere inteligibilidade e legitimidade no pensar a partir dos sistemas e doutrinas que se desenvolveram no passado. Para Micheli, o que integralmente caracteriza o aspecto da ‘descrição’, no mesmo sentido do registrável, seria “(...) somente o conjunto ordinário das partes, mas não a intenção de significado que este subentende, o telos que o percorre e o sustenta” 213 . A determinação operante da estrutura está fundada nesta intenção da razão suprir a sua carência metafísica, na regra a priori do esquema, condição justificada pela simples forma da ideia segundo o princípio que gera uma coerência filosófica na interpretação das doutrinas. O esquema admitido aqui, como forma da simples ideia, isto é, como regra de interpretação do que historicamente a razão conseguiu realizar, mesmo em nome de uma carência metafísica, é, segundo Micheli, “(...) a fonte comum de todo o filosofar historicamente dado”. Este princípio, entendido no sentido que implementa uma regra a priori, é a unidade que representa todos os sistemas de filosofia como produtos da razão pura. É uma regra da atividade historiográfica que, na ordem de uma interpretação consistente, não está separada da metodologia crítica, porque essa seria a única regra a priori que nos permitiria compreender autenticamente o que foram as filosofias do passado. Contudo, mesmo que o esquema arquitetônico seja essa condição a priori de uma ciência que reside apenas na ideia, que é o princípio lógico que gera inteligibilidade na unidade da razão, por que Micheli apostaria ainda na possibilidade de pensar uma história conjectural se a natureza da razão é, em todo caso, essencialmente arquitetônica?
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Da liberdade transcendental à liberdade prática : a transição da crítica da razão pura para a crítica da razão prática

Da liberdade transcendental à liberdade prática : a transição da crítica da razão pura para a crítica da razão prática

O modo como a antítese prova a irrefutabilidade da lei natural, negando assim qualquer possibilidade de liberdade transcendental, acompanha a seguinte estrutura argumentativa: bem como a tese, a antítese também parte da afirmação hipotética que pretende ser refutada. a) Admitindo, portanto, “que há uma liberdade no sentido transcendental, uma espécie particular de causalidade, segundo a qual pudessem ser produzidos os acontecimentos no mundo, ou seja, uma faculdade que iniciasse, em absoluto, um estado e, portanto, também uma série de consequências dele decorrentes” (KrV, B 474). b) Neste caso, dever-se-ia admitir que uma série de acontecimentos tivesse seu início de forma espontânea, independente de causas anteriores. “Se assim fosse, não só se iniciaria em absoluto uma série em virtude desta espontaneidade, mas também deveria começar absolutamente a determinação dessa espontaneidade a produzir a série” (KrV, B 474). c) No entanto, tal espontaneidade denegaria a regra da causalidade empírica, pois “todo o começo de ação pressupõe um estado da causa, ainda não atuante, e um primeiro começo dinâmico de ação pressupõe um estado que não possui qualquer encadeamento de causalidade com o estado anterior da mesma causa, isto é , que de modo algum dele deriva” (KrV, B 474). d) Deste modo, “a liberdade transcendental é contrária à lei de causalidade” (KrV, B 475) fenomênica, pelo que “um encadeamento de estados sucessivos de causas eficientes, segundo o qual não é possível uma unidade da experiência, que se não encontra pois em qualquer experiência, é um vazio ser de razão” (KrV, B 475). e) Não pode existir, portanto, liberdade transcendental, já que ela é refutada pela validade irrevogável da lei natural. “Com efeito, não pode dizer-se que as leis da liberdade, na causalidade do curso do mundo, tomem o lugar das leis da natureza” (KrV, B 475), pelo que não existe liberdade, i.e., tudo se encontra determinado de acordo com as regras da causalidade fenomênica.
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A dialética transcendental, entre o negativo e o positivo : um estudo acerca do uso legítimo da razão pura

A dialética transcendental, entre o negativo e o positivo : um estudo acerca do uso legítimo da razão pura

organismos classificados. A nosso ver, as investigações no campo da Física de partículas, física atômica também são exemplos de pesquisas guiadas por esses princípios. De onde vêm o ―impulso‖ para a pesquisa empírica de partículas elementares na estrutura atômica? De onde vêm a ―ideia‖ de que pode haver uma partícula simples que compõe, estrutura e é condição elementar de toda a matéria? Se notarmos a evolução da física de partículas veremos que ela é um exemplo claro de prescrições a priori. Isso porque as pesquisas jamais deixaram de prosseguir e isso só pode ocorrer se se pressupõe que pode haver uma partícula menor na estrutura atômica. O experimento é empírico, mas é a razão, por meio de princípios lógicos que questiona a natureza e faz com que o sujeito de conhecimento volte-se para a experiência e procure respostas. Observando tacitamente a natureza jamais chegaríamos à ideia de uma partícula elementar como o Bóson de Higgs. A descoberta é empírica, a determinação do Bóson de Higgs deve ser verificada na experiência, mas a prescrição que se busque sempre uma ―espécie‖ menor é da razão a priori, segundo uma ideia. Está fundada na natureza da razão que se busque dentre os elementos da natureza sempre algo elementar, e isso, tanto na Física quanto em outras ciências, é que faz elas continuarem persistindo em pesquisas que buscam espécies elementares. Por sua vez, na Teoria das Cordas ou na Teoria M (String Theory ou M Theory), temos o ―oposto‖, trata-se de uma tentativa de vincular todos os condicionantes Físicos, desde as partículas elementares até a ação da gravidade em níveis cosmológicos, dentro de uma mesma explicação – essa última ainda não obteve êxito e tem sido questionada, mas está claro que o que a motiva é algo inscrito na natureza da razão humana que procura sempre a unidade sistemática na natureza. Enfim, isso que dissemos pode ser constatado em uma série de ciências empíricas. Precisaríamos de outro trabalho para provar como esses exemplos se encaixam suficientemente na tese do uso regulador da razão. Infelizmente isso está fora do alcance de nosso trabalho.
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Sobre a distinção entre os usos imanente e transcedente do conceito de infinito na Crítica da razão pura

Sobre a distinção entre os usos imanente e transcedente do conceito de infinito na Crítica da razão pura

Aliás, não espanta o fato de os defensores das teses e antíteses incutirem tanta paixão em seus debates. Como vimos no início do primeiro capítulo, os objetos supra-sensíveis que a Metafísica pretende conhecer possuem a mais alta importância moral para a vida humana. No caso dos problemas cosmológicos, as respostas contraditórias que eles podem receber só contribuem para fomentar e acirrar o debate. Por trás dos pretensamente rigorosos argumentos levantados para sustentar cada uma das proposições antinômicas, encontram-se interesses racionais diversos que imprimem vida e dramaticidade ao confronto. Alguns destes interesses são mais bem atendidos pelas teses e outros o são pelas antíteses. Os ligados à razão prática, por exemplo, são saciados com mais eficiência pelos partidários do incondicionado finito: “Que o mundo tenha um começo; que o meu eu pensante seja de natureza simples e portanto incorruptível (...) tudo isto são pedras angulares da moral e da religião” (CRP, A 466, B 494). Também o interesse arquitetônico da razão obtém maior satisfação com a tese. Afinal, faz parte da tendência natural da razão promover uma unidade sistemática de todo o conhecimento e, para este objetivo, o incondicionado finito é um melhor candidato do que o incondicionado infinito.
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A concepção kantiana de auto-percepção na crítica da razão pura

A concepção kantiana de auto-percepção na crítica da razão pura

regras, a faculdade de julgar como a capacidade de subsumir a regras, e a razão como a faculdade dos princípios. Essa estrutura que compreende em conjunto com a sensibilidade todo o aparato cognitivo humano é cronologicamente organizada em relação à elaboração do nosso conhecimento, sendo a sensibilidade a receptora do dado sensível “bruto”, se quisermos assim nos expressar, o entendimento subsidiado pela apercepção originária o fornecedor das regras básicas de determinação do dado empírico, a faculdade de julgar a determinante daquilo que pode estar ou não sob essas regras, e a razão, “acima da qual nada se encontra de mais elevado”, a faculdade de elaboração de princípios que servem para dar unidade e completude ao entendimento, na medida em que propõe por meio dessas idéias a busca pela totalidade absoluta das condições de um condicionado qualquer determinado pelo entendimento. Nesse sentido, a razão jamais se dirige a intuições com a finalidade de submetê-las a regras, tal qual o entendimento, mas sim ao entendimento e seus conceitos e juízos, fornecendo-lhes uma unidade que não é a unidade de uma experiência possível, mas uma unidade meramente conceitual. No âmbito prático, contudo, a razão supostamente possuiria causalidade em relação aos fenômenos, dado que não podemos derivar do encadeamento natural dos fenômenos a noção de dever. Este último é de peculiaridade tal que é capaz de produzir na natureza uma ordem própria no sentido de impor a esta aquilo que deverá necessariamente se passar em um tempo futuro, portanto, algo que ainda não está submetido à série causal temporal a qual estão submetidos os fenômenos. Portanto, deverá a razão em seu uso prático ser capaz de causar efeitos empíricos no mundo, diferentemente do seu uso teórico no qual ela pode apenas fornecer unidade conceitual ao entendimento. Aqui o sujeito espontâneo prático é entendido como razão prática da qual é impossível uma investigação fisiológica de seus móbiles, dado que a regra que elabora está totalmente fora do campo do que está submetido à causalidade no tempo.
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MARCIO TADEU GIROTTI O FOCUS IMAGINARIUS: ENGANO E CONHECIMENTO NA CRÍTICA DA RAZÃO PURA

MARCIO TADEU GIROTTI O FOCUS IMAGINARIUS: ENGANO E CONHECIMENTO NA CRÍTICA DA RAZÃO PURA

As proposições fundamentais, oriundas deste princípio supremo da razão pura, serão, entretanto, transcendentes, com respeito a todos os fenômenos, isto é, de tal princípio jamais poderá ser feito um uso empírico adequado. Ele distingue-se, portanto, completamente de todas as proposições fundamentais do entendimento (cujo uso é inteiramente imanente, enquanto possuem por tema somente a possibilidade da experiência). Ora, se aquele princípio – que a série das condições (na síntese dos fenômenos ou ainda do pensamento das coisas em geral) estende-se até o incondicionado – possui sua exatidão ou não; que consequências decorrem disso com respeito ao uso empírico do entendimento; ou se, antes, em geral, não existe nenhuma proposição racional de tal espécie objetivamente válida, mas uma prescrição meramente lógica de aproximar-se, no elevar-se a condições sempre mais altas, à completude destas e deste modo trazer ao nosso conhecimento a mais alta unidade da razão possível a nós; se – digo eu – esta necessidade da razão foi por equívoco considerada um princípio transcendental da razão pura, princípio este que apressadamente postula uma tal completude ilimitada da série das condições nos objetos mesmos; que mal-entendidos e ilusões podem ainda insinuar se nos silogismos, cuja premissa maior foi tomada da razão pura (premissa que é talvez mais uma petição do que um postulado), e que se elevam da experiência até suas condições: esta será nossa tarefa na dialética transcendental [...] (KrV, B 365-366).
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Diferenças entre as deduções nas duas edições da crítica da razão pura

Diferenças entre as deduções nas duas edições da crítica da razão pura

Na apercepção transcendental essa diferença revela-se em toda a sua nitidez. Sabemos que a unidade sintética é um princípio necessário apenas para aquele tipo de entendimento no qual a matéria lhe é forneci- da de fora. Neste caso, para que esta aceda à consciência exige-se a sínte- se, ou melhor, o condicionamento transcendental da síntese. Assim, posto que somente o nosso entendimento requer o ato sintético que unifi- ca a multiplicidade na unidade da consciência, fica claro que somente o entendimento humano adota a unidade sintética como o seu princípio mais alto. 14 Por conseguinte, o entendimento humano – assim definido,
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A liberdade na Crítica da razão pura: uma relação entre Cânon e Dialética

A liberdade na Crítica da razão pura: uma relação entre Cânon e Dialética

para a liberdade, não pode prescindir das outras duas ideias que dão sustentação ao mundo moral. Por isso, o que Kant parece pretender com este uso prático da razão é apresentar o aspecto moral em unidade com o teológico e o teleológico 12 . Em outros termos, Kant parece querer mostrar aqui que, com o interesse prático, a razão se mostra completa 13 e aquilo que no âmbito teórico era apenas um conceito problemático, pode ser pensado positivamente, porque a razão mostra na experiência a sua finalidade. Talvez por isso que na passagem da Crítica da Razão Pura (B829), logo após diferenciar as leis morais das pragmáticas, Kant ressalta, em nota, que os conceitos práticos, tendo a ver com os objetos do agrado ou desagrado, do prazer ou do desprazer, pelo menos indiretamente relacionam-se com os sentimentos, e por isso tais conceitos não pertencem ao conjunto da Filosofia transcendental que tem a ver apenas com conhecimentos puros a priori 14 . Mas, mesmo mundo tal, que temos que encarar como futuro, ou a considerar as leis morais como quimeras vazias” CRP, B839. Conferir ainda: “[...] sem um Deus e sem um mundo por ora invisível para nós, porém esperado, as magníficas ideias da moralidade são, é certo, objetos de aprovação e admiração, mas não molas propulsoras de propósitos e de ações [...]” CRP, B840). Assim, segundo Flávia, as ideias de Deus e da imortalidade da alma exercem uma função constitutiva no Cânon e conectam ameaças e consequências de modo a servirem de móbil da vontade para garantir uma unidade teleológica da razão. Esta postura de Kant no Cânon seria bem diferente daquela das obras maduras em que o motivo da ação é a própria lei moral (CHAGAS, 2012, 734-43).
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O status e escopo transcendental da Crítica da razão pura

O status e escopo transcendental da Crítica da razão pura

A metafísica, pois, subdivide-se conforme as seguintes seções da Crítica da Razão Pura: a) Estética transcendental e Analítica transcendental, tematizam as condições a priori mediante as quais objetos podem ser dados, concebidos e constituídos em uma experiência possível, isto é, se ocupam em conhecer as formas da intuição, os conceitos a priori, e sua intrínseca colaboração na composição de um sistema de princípios, que, sob a configuração de juízos sintéticos a priori, exprimem como se dá a unidade de um múltiplo da intuição, na forma de objetos em geral de intuição sensível, e assim instituem as “leis gerais que subjazem à natureza, como conjunto dos objetos da experiência”; b) Dialética transcendental mostra o fracasso da tentativa da razão em mediante conceitos puros do entendimento ultrapassar os limites da experiência com o propósito de conhecer objetos suprassensíveis; Contudo, não só isso! Por um lado, conduz ao necessário uso regulativo das ideias de incondicionado em função da ampliação do conhecimento empírico angariado pelo entendimento, e, por outro lado, prepara as condições para que a Doutrina transcendental do método, mais propriamente na seção do Cânon da razão pura, demonstre haver um conhecimento prático, voltado para a moral, no qual se encontram elementos que permitem determinar os conceitos transcendentes de incondicionado, com propósito prático. Em sendo assim, devemos concluir que tanto as seções da Estética transcendental e a da Analítica transcendental da Crítica da Razão Pura, quanto as seções da Dialética transcendental e do Cânon da razão pura, já se configuram para Kant em ser a efetiva realização da uma Metafísica alçada ao status de ciência.
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Natureza e papel dos esquemas dos conceitos
puros do entendimento, na crítica da razão pura

Natureza e papel dos esquemas dos conceitos puros do entendimento, na crítica da razão pura

64 Assim, a idéia da unidade da síntese do múltiplo das representações está representada na própria apercepção transcendental, a qual deve ser entendida como uma espécie de protótipo de funcionamento do entendimento (ALLISON, 1992, p 234). O entendimento é definido por Kant como a faculdade de julgar; ora o julgar nada mais significa do que reunir diversas representações sob uma unidade (conceito) (ALLISON, 1992, p 236). Desta forma, através da unificação de representações é garantida a unidade sintética da apercepção e, igualmente, a representação de um objeto uma vez que o mesmo é justamente o resultado desta síntese (multiplicidade reunida sob uma unidade, o conceito) a qual está necessariamente ligada à apercepção, sem o que uma representação não seria uma representação do sujeito epistêmico 54 . O vínculo da apercepção, a qual é necessária para a representação de objetos, com as categorias é expresso através da noção de juízo. O juízo é o meio através do qual as representações são reunidas e concebidas em uma unidade e através do juízo elas são trazidas sob a unidade da apercepção 55 . As várias formas a partir das quais o juízo opera são as funções lógicas (§9) e na medida em que se referem a objetos elas recebem o nome de categorias 56 . Assim sendo, a multiplicidade das intuições deve ser submetida à unidade da apercepção e como tal sintetizada a partir dos
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A função transcendental do Gemüt na Crítica da razão pura.

A função transcendental do Gemüt na Crítica da razão pura.

A terceira Crítica encontra entre as faculdades superiores de conhecimento, que compreendem entendimento, juízo e razão, uma espécie de intermediação exercida pela faculdade do juízo, que comprova com isso um parentesco ou afi nidade entre elas. Mas em seguida Kant acrescenta que uma segunda espécie de intermediação é exercida pela faculdade do juízo, agora entre as faculdades de representação, as quais reúnem as faculdades de conhecimento, de apetição e sentimento de prazer e desprazer. O conjunto dessas últimas oferece uma importância maior que aquelas, porque entre as últimas o ânimo humano na verdade vincula todas as faculdades humanas entre si, e não apenas internamente a faculdade de conhecimento. Kant vê essa vinculação ocorrendo graças ao princípio de conformidade a fi ns. Trata-se de um conceito só para refl etir sobre o conceito de natureza e poder pensar as leis empíricas particulares segundo uma unidade que torna possível um sistema. Essa conformidade a fi ns é atribuída pela faculdade de julgar à natureza, como conformidade a fi ns transcendental, sem cuja pressuposição não teríamos ordem no fi o condutor para uma investigação e tampouco experiência de leis empíricas em sua multiplicidade. Sem essa colaboração do juízo refl exivo, o entendimento não poderia constituir uma experiência articulada. O entendimento pensa um princípio como o da “lei de especifi cação da natureza”, para progredir na experiência e adquirir conhecimento. A parte estética da KU é a essencial (B L, AA 193), porque é nela que se encontra o princípio a priori para refl etir sobre a natureza. A percepção refl etida de um prazer encontra seu fundamento na condição ainda que subjetiva dos juízos refl exivos — “na concordância conforme a fi ns de um objeto... com a relação das faculdades de conhecimento entre si” (KU B XLVII, AA 191). Mais adiante é dito que o fundamento desse prazer encontra-se no acordo espontâneo das faculdades de conhecimento em jogo entre si.
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Notas sobre o esquematismo na Crítica da Razão Pura de Kant.

Notas sobre o esquematismo na Crítica da Razão Pura de Kant.

(cf. Idem, B, p.160, 162, nota), bem como a da "reprodução", sobrevivendo, às vezes ambiguamente, na forma de "imaginação reprodutiva", restando apenas a da "recog­ nição", doravante um emblema das mudanças executadas. Todavia, em 1787 continua havendo três sínteses a distinguir: 1. a "igurada" (igürich / snhesis speiosa), 2. a ue "seria pensada na mera categoria e chama-se ligação intelectual (Versandesver­ bndung) (synthesis ntelectuais)" (Idem, B, p.151) e 3. a síntese que "está sujeita unicamente a leis empíricas, a saber, as da associação" (Idem, B, p.152). A "síntese igurada" é a que se dirige "meramente à unidade sintético-originária da apercepção, isto é, a esta unidade transcendental que é pensada nas categorias", devendo potanto ser chamada de "síntese transcendental da imaginação" (Idem, B, p.151). Justamente ela é vinculada ao esquema: " ... como a síntese da última ["da imaginação"] não tem em vista uma intuição singular, mas unicamente a unidade na determinação da sensibilidade, então o esquema é distinto da imagem" (Idem, A. p.140, B, p.179).21 Ao contrário, se "a imaginação ... deve levar o múltiplo da intuição a uma imagem" (Idem, A, p.120), trata-se aí da simples reprodução de "uma intuição empírica antes havida" (Kant, Ak., v.II, p.167, 1.25), portanto, do "acolher" (aunehmen) e "percorrer" (durchgehen) de uma multiplicidade dada, conseqüentemente, de uma imaginação empírica. A "síntese figurada" pode ser dita imediatamente ligada ao esquema, a "intelectual" à categoria isolada, a "empírica" ao objeto psicologicamente tomado; ou, se se quiser: a "figurada" à regra de coniguração do múltiplo a pioi, a "intelectual" à regra de ligação do mesmo, a "empírica" à regra de associação do múltiplo empírico.
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HEIDEGGER E KANT: O PROJETO ONTOLÓGICO DE SER E TEMPO E A INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA

HEIDEGGER E KANT: O PROJETO ONTOLÓGICO DE SER E TEMPO E A INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DA CRÍTICA DA RAZÃO PURA

A intuição pura, enquanto finita, é receptiva, o que significa que ela precisa receber aquilo que é intuído. Porém, na medida em que é intuição pura, aquilo que deve ser recebido, o aspecto puro do tempo ou do espaço, tem sua origem na própria intuição. É por isto, segundo Heidegger, que Kant pode designar estas intuições como “originárias”, em um sentido que corresponde ao termo originarius, no conceito de intuitus originarius, porém com a diferença de que, neste último, enquanto intuição divina, um ente é trazido à origem. Já no caso das intuições puras enquanto “intuições originárias”, não se trata de dar origem a quaisquer entes, mas sim próprio aspecto puro do tempo e do espaço a partir do qual os entes podem ser encontrados (Idem, p.124). Além disso, a intuição pura como tal possui em si mesma um caráter de unidade, que é designado por Kant na dedução transcendental da primeira edição pela expressão “sinopse” dos sentidos, referindo-se a uma síntese que não se realiza em plano conceitual e discursivo, senão enquanto síntese da multiplicidade contida em toda intuição enquanto representação que sempre contém em si uma multiplicidade (A97). Porém, a sinopse das intuições puras de tempo e espaço, enquanto oriunda de uma atividade de unificação, só é possível se a intuição pura também possuir certo caráter de espontaneidade, o que, por sua vez, para Heidegger, só é possível se a sensibilidade pura, em última instância, estiver enraizada na imaginação transcendental (Idem, p.124- 125). Porém, se não apenas a intuição, mas também o pensamento puro está enraizado na imaginação transcendental, então é também preciso considerar de que modo é possível este segundo vínculo.
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