Vida quotidiana

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Brasília, metropolização e espaço vivido: práticas especiais e vida quotidiana na periferia goiana da metrópole

Brasília, metropolização e espaço vivido: práticas especiais e vida quotidiana na periferia goiana da metrópole

Baseio-me em uma teoria da metropolização com enfoque na prática espacial, entendida enquanto movimento simultâneo de produção, apropriação e reprodução do espaço e cuja compreensão confi - gura um desafio teórico para o desvendamento da realidade urbana por sinalizar as possibilidades que se desenham para o quotidiano vivido (Carlos, 2004), possibilidades essas que compreendo como, por um lado, as práticas de apropriação do espaço e, por outro e de- correndo do primeiro, a constituição dos espaços de representação. Assim, temos as práticas espaciais como aquelas que, na vida quotidiana, indicam a realização do ser social, porque se referem a hábitos e atividades ligados ao deslocamento e à circulação no espaço vivido. São essas práticas que deixam, no espaço, traços da rea- lização da vida pela implantação de símbolos que tornam evidente que o espaço não é um quadro inerte, mas uma mediação interativa entre as formas do ambiente construído, advindo de uma modificação da natureza, e a vida social que as anima. Trata-se de uma inte - ração que indica o espaço que é quotidianamente experienciado por meio das práticas e das concepções espaciais, resultante do processo de reprodução da vida e que é revelado em suas múltiplas potencia- lidades. São, na verdade, os espaços de representação, que trazem em si a identidade e os símbolos surgidos na vida quotidiana, isto é, o próprio espaço enquanto representação da vida, enquanto tableau no qual se desenham as trajetórias, os percursos e os momentos de temporalidades distintas relativos a experiências diversificadas. Porém, enquanto tableau, ele é também influência e, às vezes, barreira ou limitação, interferindo diretamente no modo como vivemos e nos relacionamos uns com os outros. Nas palavras de Lefebvre (2000, p.49, tradução nossa, destaques do autor), temos:
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Para além da vida quotidiana. Amor e sexualidade em contexto turístico: resultados preliminares de uma pesquisa exploratória no Algarve (Portugal)

Para além da vida quotidiana. Amor e sexualidade em contexto turístico: resultados preliminares de uma pesquisa exploratória no Algarve (Portugal)

O modelo tem igualmente em conta os diversos papéis que os membros da indústria turística desempenham nos encontros sexuais dos turistas. A indústria atua em diversos graus e de diversos modos como facilitador dos encontros sexuais ou românticos aos seus clientes: desde colocar os clientes face a face numa qualquer excursão ou passeio, até à organização de «viagens sexuais» (sex tours), especificamente para destinos de prostituição. A indústria turística pode desempenhar igualmente um papel indireto através da própria natureza da experiência turística enquanto rutura com a vida quotidiana que induz, como veremos mais adiante, estados liminares propiciadores das experiências sexuais (MCKERCHER; BAUER, 2003, pp.4-6).
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Consequências da 1ª Guerra Mundial no Ensino Militar: Organização Curricular, Vida Quotidiana da Escola de Guerra e Ensino da Matemática e da Estatística

Consequências da 1ª Guerra Mundial no Ensino Militar: Organização Curricular, Vida Quotidiana da Escola de Guerra e Ensino da Matemática e da Estatística

O estudo dos regulamentos revela-se decisivo para uma melhor compreensão do ensino castrense, ajudando-nos a captar o contexto em que tal ensino era ministrado, assim como a própria a vida quotidiana do estabelecimento. De forma a organizar o trabalho escolar e a orientar os alunos na realização das tarefas, cada uma das secções escolares funcionava de maneira autónoma e era enquadrada por regulamentos que abrangiam igualmente as salas de estudo. As Instruções relativas ao uniforme e enxoval dos alunos a admitir (1917) e Instruções para o serviço das secretarias (1917) dizem respeito à Escola de Guerra no período do regime especial (1916-1919), quando foi necessário adotar medidas excecionais, especialmente no tocante ao funcionamento das secretarias no sentido de aumentar a sua eficiência e poderem fazer face ao volume de trabalho dado o aumento do número de alunos aliado à redução e simplificação dos cursos.
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A experiência subjectiva com a doença mental crónica  estudo exploratório sobre os impactos na vida quotidiana em  sujeitos diagnosticados com depressão crónica

A experiência subjectiva com a doença mental crónica estudo exploratório sobre os impactos na vida quotidiana em sujeitos diagnosticados com depressão crónica

No entanto, Alves (op. cit., 2008: 218) encontrou não uma concepção homogénea de depressão, mas uma concepção plural. Encontrou depressões. A depressão aparece classificada nos discursos da população que estudou, ora como doença mental grave, portanto enquanto uma verdadeira doença, ora como «não doença», assumindo formas entendidas como normais porque intimamente relacionadas com sofrimentos que resultam da vida quotidiana (morte de alguém, perda de emprego, separação, etc.), o que denominou por sofrimento mental normal, ou ainda assumindo formas que se relacionam mais directamente com a maneira de ser, com a personalidade construída (ou não), o que denominou por sofrimento mental continuado. Estas depressões aparecem nos discursos como “produto das contradições sociais da vida em sociedade de consumo orientada para o individualismo, onde a biomedicina hoje ocupa o papel regulador das emoções e dos sofrimentos antes vividos no domínio privado da família, da vizinhança e dos amigos” ou “como fazendo parte das «doenças da cidade», no sentido de que resulta do ritmo acelerado com que se vive a vida na cidade (por contraposição ao ar e à calma do campo), e da solidão no sentido de isolamento social enquanto fenómeno que resulta desse ritmo e desse stress do dia a dia”. Encontrou também a depressão como «doença da moda», na medida em que as próprias pessoas se auto- classificam como deprimidas e procuram ajuda especializada, o que sem dúvida traduz esta tendência para o auto-diagnóstico ou hetero-diagnóstico, num movimento de psiquiatrização dos afectos e comportamentos eminentemente sociais e medicalização da vida. É relativamente comum encontrar este tipo de comportamentos na população. “ Está difundido que determinados comportamentos humanos como a tristeza podem ser entendidos e resolvidos pela biomedicina, enquadrada numa normalidade hedonista que encara a tristeza como algo não desejável e perturbador da ideia de que na vida não há lugar para a tristeza” (Alves 2008; op. cit.: 218).
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A VIDA QUOTIDIANA DAS PROFESSORAS

A VIDA QUOTIDIANA DAS PROFESSORAS

consigo mesma, respondendo a necessidades pessoais vitais. Os 79,6% restantes são tempos de recriação ligados a ocupações de natureza &uniliar, profissional ou cívica. Na catego[r]

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Brasília: metropolização e espaço vivido – práticas espaciais e vida quotidiana na periferia goiana da metrópole

Brasília: metropolização e espaço vivido – práticas espaciais e vida quotidiana na periferia goiana da metrópole

O processo de produção e os modos de apropriação do espaço metropolitano de Brasília são os focos de análise desta dissertação. O espaço é aqui entendido como uma mediação intera- tiva entre as formas do ambiente construído, resultantes da transformação da natureza, e a vida social que as anima, cuja dinâmica de produção articula dialeticamente as dimensões do percebido, do concebido e do vivido, analisada a partir de uma perspectiva lefebvreano- sojeana. Nesse sentido, o objetivo desta dissertação é analisar como a configuração espacial de Brasília, marcada pelas descontinuidades do tecido metropolitano e pelas grandes distâncias delas decorrentes, influencia no uso do espaço-tempo quotidiano por parte dos habitantes de sua periferia goiana e oferece possibilidades e/ou limites à realização do direito à cidade. Para tanto, a realidade da metrópole, apresentada em uma de suas facetas, é discutida em dois as- pectos principais: um primeiro, concernente à compreensão do espaço metropolitano como produto sócio-histórico, resultado da concepção dos elaboradores do projeto de construção de uma nova capital para o Brasil e da prática espacial – deles e daqueles que se apropriaram desse espaço, também atuando em sua produção – que resultou naquilo que hoje conhecemos como Brasília e seu espaço metropolitano; e um segundo, atinente à passagem da análise do plano discursivo ao plenamente vivido, ou seja, a partir da demonstração, por meio de idéias, conceitos, informações e constatações, de qual espaço metropolitano se trata, busca-se aden- trar esse espaço à escala do quotidiano a fim de tentar mostrar que espaço vivido é esse: aque- le do qual se apropriam os habitantes de uma periferia distante e supostamente menos inte- grada que são parte constituinte da metrópole. A metodologia de pesquisa atrela-se ao método de análise – a dialética socioespacial e seu desenvolvimento a partir da teoria lefeb- vreana da tríade espacial – e emprega procedimentos na pesquisa empírica que originou esta dissertação que abarcam aspectos tanto quantitativos, como a análise de dados do Censo De- mográfico, quanto qualitativos, como a análise das entrevistas.
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Literexclusão na vida quotidiana

Literexclusão na vida quotidiana

Em sín te se, iden ti fi ca ram-se nos alu nos dos cur sos de edu ca ção de adul tos do en si no bá si co re cor ren te do 1.º ci clo, três ti pos hi e rar qui za dos de prá ti cas de li te ra - cia em re la ção a cada uma das di men sões uti li za das nos es tu dos quan ti ta ti vos so - bre esta te má ti ca — a li te ra cia em pro sa, a li te ra cia do cu men tal e a li te ra cia quan ti - ta ti va. Estas prá ti cas va ri am en tre a to tal au sên cia de ca pa ci da des para li dar com a in for ma ção es cri ta atra vés da le i tu ra, da es cri ta e do cál cu lo, até à uti li za ção de modo bá si co des sas com pe tên ci as. As pri me i ras fo ram de sig na das por prá ti cas nu - las e cor res pon dem à to tal in ca pa ci da de de uti li zar as com pe tên ci as bá si cas de li te - ra cia na vida quo ti di a na, re la ti va men te a cada um dos do mí ni os ana li sa dos. Se gui - da men te, iden ti fi ca ram-se as prá ti cas ru di men ta res, que se tra du zem, ha bi tu al - men te, em gran des di fi cul da des no ma nu se a men to da in for ma ção es cri ta, ora na di men são de pro sa, ora na do cu men tal, ora na quan ti ta ti va. Por fim, as prá ti cas bá - si cas tra du zem-se na uti li za ção da li te ra cia no dia-a-dia com re la ti va fa ci li da de, como sa ber ler e es cre ver e/ou re a li zar cál cu los es cri tos sim ples.
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Mariana Franco dos Ramos O Impacto das Perturbações dos Sons da Fala na Vida Quotidiana da Criança

Mariana Franco dos Ramos O Impacto das Perturbações dos Sons da Fala na Vida Quotidiana da Criança

Para além destas abordagens mais tradicionais, existem outras que envolvem a família na intervenção, levando-as a participar nas sessões e auxiliando na continuação do trabalho da Terapia da Fala em casa (McLeod e Baker, 2014). Também McCormack et al. (2010b) reforçam e valorizam a inclusão dos pais nos processos de avaliação e intervenção, pois estes apresentam um conhecimento especializado do impacto que as alterações de fala têm na vida do seu filho. Esta perceção deve ser um fator, se não uma prioridade, na seleção dos objetivos de intervenção (McCormack et al., 2010b). Na Austrália, Pappas et al. (2008) referem que a maioria dos TF’s que fizeram parte do seu estudo acreditam que o envolvimento dos pais é essencial na intervenção das alterações de fala (Joffe e Pring, 2008; McLeod e Baker, 2014). Em Portugal, Oliveira, Lousada e Jesus (2015) revelaram, no seu estudo, que a maioria dos TF’s que responderam ao questionário envolvem os pais no processo de intervenção das crianças, bem como os professores.
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A vida quotidiana e o multiculturalismo de Lisboa

A vida quotidiana e o multiculturalismo de Lisboa

Mas o movimento de expansão urbana e de afirmação da cidade como centro político do reino tinha-se iniciado antes, com repercussões no modo de vida da população. Na passagem do século XIII para o XIV, o reinado de D. Dinis assistiu à construção de uma nova frente de muralhas, à abertura de novas vias e largos e à urbanização da colina ocidental (Carita, 1999: 30-35). Obras semelhantes con- tinuaram nos reinados seguintes, levando a uma valorização da área ribeirinha e favorecendo o incremento das atividades ligadas ao rio e ao mar.

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An. mus. paul.  vol.4 número1

An. mus. paul. vol.4 número1

Em definitivo, o que se reconhece como característica desta linhagem - da arqueologia do século XVIIIà História da Vida Privada, passando pela vida quotidiana, as mentalidades e a Nova H[r]

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Processo educativo e contextos culturais: notas para uma antropologia da educação

Processo educativo e contextos culturais: notas para uma antropologia da educação

“É claro que todo o grupo social, como condição da sua continuidade, precisa de transmitir à geração seguinte a experiência acumulada no tempo” (ITURRA, 1994, p. 29). Mas essa reprodução sócio-cultural parece ser mais baseada na aprendizagem do que no ensino, para usar ainda essa dicotomia que se quer dialéctica, tão bem pensada e explicitada por Raul Iturra (1994). Como o autor refere a propósito da transmissão cultural e do processo educa- tivo entre os primitivos, “a ausência da escrita na vida quotidiana coloca um forte peso no desenvolvimento de estruturas mentais porque não têm depois um texto onde ir lembrar o que fazer quando a memória se esgota ou a con- juntura muda e fornece outros contextos” (Idem: 33). Este exemplo serve para lembrar como há efectivamente diferentes estilos cognitivos.
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Os currículos de história no ensino obrigatório : Portugal, Inglaterra, França

Os currículos de história no ensino obrigatório : Portugal, Inglaterra, França

A análise das respostas dos alunos permitiu verificar diferentes níveis de elaboração conceptual no mesmo ano de escolaridade. Independentemente do nível, os alunos identificaram e atribuíram funções aos objectos partindo dos conhecimentos e experiências concretas e actuais, o que não se afasta dos procedimentos utilizados em Arqueologia. Relativamente às inferências sobre o passado, verificou-se uma certa variância do pensamento conforme se tratava do período pré- histórico ou do período romano, notando-se maior dificuldade em fazer inferências a partir dos objectos pré-históricos. Em relação às conjecturas, a tendência geral foi para os alunos se focalizarem em aspectos concretos relacionados com a matéria-prima, a manufactura, a funcionalidade e a localização arqueológica dos objectos, verificando-se uma homogeneidade nas respostas. Foi, ainda, possível constatar o interesse que a observação e manipulação de objectos arqueológicos despertou nos alunos, um tipo de evidência que lhes permite fazer inferências sobre o passado em diferentes dominios, do económico à vida quotidiana.
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“Direitos em Jogo”: construção de um jogo didático sobre os direitos da criança

“Direitos em Jogo”: construção de um jogo didático sobre os direitos da criança

Verifica-se, no entanto, que a mera informação acerca dos direitos da criança não é suficiente a fim de atingir o objetivo supracitado, no sentido em que o contexto escolar assume determinadas características, aliadas a certas crenças, que constituem obstáculos à implementação e orientação em função dos direitos da criança. Em primeiro lugar, tende a caracterizar-se através de uma relação puramente assimétrica onde se atribui uma maior ênfase às perspetivas e práticas do professor do que às ideias, experiências e perspetivas da criança (Alderson, 2000). Em segundo lugar, muitos professores referem que, no que respeita à vida quotidiana da criança, não há eventos ou circunstâncias que sejam facilitadoras da abordagem do tema dos direitos, acabando por este assunto ser considerado como indiferente (Krappmann, 2006). Em terceiro lugar, está ainda muito vinculada a impressão de que nos países da Europa Ocidental a questão desta educação não se coloca por não ser um assunto tão prioritário como o é em países mais desfavorecidos, onde efetivamente os direitos da criança são colocados em causa de uma forma muito mais expressiva (Krappmann, 2006). Um outro aspeto já supracitado é que a Convenção define a criança, no seu primeiro artigo, como todo o ser humano com idade inferior a 18 anos, estando subjacente o conceito jurídico de menor de idade, ao qual está associado uma forte conotação negativa porque está inerente a ideia de que as crianças ainda não são adultos e, portanto, não podem ter os mesmos direitos. Esta ideia pode transmitir, erradamente, a crença de que as crianças não têm ainda capacidade para usufruírem plenamente dos seus direitos, exatamente por ainda se encontrarem neste processo evolutivo (Casas, 1997; Gusó et al., 2006).
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Assim não me enganas tu!

Assim não me enganas tu!

O facto de a publicidade ser um reflexo da vida quotidiana dos indivíduos, evidencia uma reflexão sobre a insipidez do dia-a-dia, ilustrando como as pessoas poderiam ser, reforçando a ideia de que é a publicidade que acabar por mostrar o que as pessoas presentemente não são. É aqui que o imaginário surge apresentando-se como um “espelho” “no qual uma interpretação mais subtil nos permite discernir os contornos do generalizado descontentamento […] com a vida quotidiana e com as oportunidades que nos proporciona a sociedade em que vivemos.” [Pinto, 1997: 43] Isto leva a que a tendência ligeiramente subversiva da publicidade, enquanto sistema de comunicação, integre desejos subconscientes do indivíduo, nos quais a acção da publicidade tem como objectivo suscitar o consumo. Schudon contrapõe uma visão menos crítica da publicidade enquanto instituição “toda- poderosa”. “A publicidade é muito menos poderosa do que os publicitários e os críticos da publicidade advogam, e as agências de publicidade dão muito mais vezes tiros no escuro do que praticam microcirurgias de precisão na consciência do público.” [Schudon, cit. Pinto, 1997: 54]
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Alienação, deserto e naufrágio : três metáforas para uma compreensão da geometria do tempo em Hannah Arendt

Alienação, deserto e naufrágio : três metáforas para uma compreensão da geometria do tempo em Hannah Arendt

Mas para compreendermos esta “sensação” temos de reconhecer que todos os homens são, por assim dizer, “vítimas” destas forças antagónicas do passado e do futuro. Segundo a autora, se na nossa vida quotidiana vivemos o tempo como se ele fosse contínuo, isto é, como se passado, presente e futuro se sucedessem com regularidade, isso deve-se apenas ao facto de as nossas ocupações diárias estarem sempre determinadas pelo espaço, de tal forma que pressupomos que o ontem está atrás de nós e o amanhã está à nossa frente ou adiante. Nesse sentido, o hoje ou o agora mais não são do que o instante em que o passado continua e o futuro mais não será do que o prolongamento contínuo dessa mesma continuidade que nos precedeu até ao momento em que nos encontramos. No entanto, se afirmamos que todos os homens são “vítimas” da dupla pressão do passado e do futuro, é porque ao longo da nossa vida quotidiana, sem que necessariamente despontemos da continuidade com que ela parece decorrer, estas forças aparecem empurrando-nos para o seu contrário: o medo do futuro conduz-nos à imobilidade nostálgica do passado e o passado surge, por sua vez, como um “peso morto” que, erguendo-se como força viva, nos leva a avançar para o futuro com esperança. Deste modo, podemos dizer que o tempo humano é vivido na maior parte das vezes como uma continuidade, de forma que o nosso presente é um instante que termina mal começa; ele é, nas palavras da autora, “o mais fötil e escorregadio dos tempos verbais Ŕ quando digo «agora» e aponto para ele, já passou”. 11 Mas nessa continuidade, e sem que necessariamente o nosso presente seja vivido de modo diferente do que como um mero instante, o passado e o futuro surgem como forças demasiado próximas do ponto em que colidem. O homem, ao
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RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE MESTRADO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO DE MESTRADO

Como vivemos num mundo global e multicultural, repleto de contínuas mudanças, torna-se importante reflectir sobre a Matemática e as suas aplicações no mundo em que vivemos, uma vez que esta ciência goza de diversas conexões com o quotidiano. Deste modo, com o presente trabalho pretende-se procurar e demonstrar evidências de que a Matemática é um conhecimento que encontra-se presente em tudo o que nos rodeia, sendo imprescindível demonstrar aos alunos e à sociedade as suas conexões e utilidades na vida quotidiana. Assim, estaremos a contribuir para que estes vejam a Matemática como um saber que permite a evolução do mundo e da mente humana representando esta ciência, um património mundial.
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O Currículo à luz da Etnografia

O Currículo à luz da Etnografia

Ora, como estabelecer uma relação entre essa cultura popular e a pedagogia na sala de aula? Segundo H. Giroux e R. Simon, “a cultura popular é organizada em torno do prazer e da diversão, enquanto a pedagogia é definida principalmente em termos instrumentais. A cultura popular situa-se no terreno do quotidiano, ao passo que a pedagogia geralmente legitima e transmite a linguagem, os códigos e os valores da cultura dominante. A cultura popular é apropriada pelos alunos e ajuda a validar suas vozes e experiências, enquanto a pedagogia valida as vozes do mundo adulto, bem como o mundo dos professores e administradores das escolas.” (H. Giroux e R. Simon, 1995: 96). Ao tentarem explicitar um pouco melhor, dizem estes autores que “ela (cultura popular) é vista como o banal e o insignificante da vida quotidiana, e, geralmente é uma forma de gosto popular considerada indigna de legitimação académica ou alto prestígio social.” (H. Giroux e R. Simon, 1995: 97). O olhar etnográfico permitirá chegar ao conhecimento do quotidiano dos alunos, baseado no sensório, no afecto, no imediato e no concreto. Ao captar significativamente essa “cultura popular” específica - veiculada igualmente pela música, pelas revistas, pela televisão – o professor conseguirá aceder a uma parte importante da vida dos seus alunos para, a partir daí, lhes proporcionar outros saberes, atitudes e competências.
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Défice cognitivo ligeiro e principais demências

Défice cognitivo ligeiro e principais demências

Alteração da SB.. Demência definida por uma alteração da memória e de pelo menos duas outras áreas cognitivas, suficiente para interferir com as atividades da vida quotidiana. 2. Requer[r]

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 MAJ Duarte Varino

MAJ Duarte Varino

O terrorismo está atualmente omnipresente na vida quotidiana das populações dos diferentes países, influenciando de forma vincada muitos dos diferentes setores das sociedades[r]

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A expressão do trabalho na história do capitalismo

A expressão do trabalho na história do capitalismo

A segunda forma de concentração está relacionada com a resistência oferecida ao processo de ajustamento associado à expansão do novo paradigma tecnoeconómico, que ocorre antes e por volta do ponto inferior de viragem da onda. A crise estrutural de ajustamento, no final de cada onda, é acompanhada de níveis mais elevados de desemprego estrutural e maior insegurança laboral, que é o que se passa no princípio do século XXI, com a criação do “precariado”. Os que permanecem nos seus empregos podem ter de ajustar as suas expectativas de remuneração e promoção. Estes ajustamentos podem alterar drasticamente a vida quotidiana dos trabalhadores, exigindo uma renovação das competências e da distribuição profissional, assim como novas formas de controle e hierarquia, sendo tudo isto sentido como um desafio importante ao anterior equilíbrio de forças. O novo paradigma tecnoeconómico impõe novos ritmos de trabalho mental e manual que questionam as regras tradicionais de produção e conduzem a lutas defensivas. Foi este o caso das décadas de 1880 e 1890, de 1920 e 1930 e, em relação às TIC, de 1970 e 1980.
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