Top PDF A autoridade e a questão do pai.

A autoridade e a questão do pai.

A autoridade e a questão do pai.

A adolescência é o tempo da redistribuição subjetiva das coordenadas psico- lógicas do sujeito. Assim, tratava-se de um jovem adolescente que se entregara à delinqüência e por fim se identificara com os jovens para os quais, como se diz habitualmente, mais nenhuma palavra tem autoridade. O que teria acontecido a ele de tão decisivo, entre uma infância mais calma e uma adolescência retum- bante? Como costuma acontecer, este garoto que era “o homenzinho da sua mãe”, ajudando-a em todas as suas tarefas, até na educação de seus meio-irmãos e irmãs, enfiou na cabeça, ao chegar à adolescência, que devia perguntar à mãe para descobrir quem era seu pai. A resposta da mãe era o reflexo exato de sua história: “Basta você se olhar no espelho.” Em seguida, ele me contou que sua mãe não lhe dera nem o nome, nem mesmo uma fotografia do pai. A partir dessa resposta, ele mergulhou na delinqüência, a começar pelas discussões cada vez mais violentas com os homens que passavam pela casa. Ele não conseguia mais reconhecer nesses homens qualquer autoridade sobre si. Toda forma de autori- dade se perdia, resvalando nele como a água nas penas do pato.
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O PAI: UMA QUESTÃO SEMPRE ATUAL PARA A PSICANÁLISE

O PAI: UMA QUESTÃO SEMPRE ATUAL PARA A PSICANÁLISE

Lacan considera que, além da dimensão do assassinato e do gozo (assassinato do pai e gozo da mãe), é necessário considerar a dimensão da verdade no mito de Édipo. Foi por ter libertado o povo da Esfinge, ultrapassando seu enigma, que Édipo teve acesso ao gozo da mãe. Ao responder ao enigma da Esfinge, um semidizer expresso em seu duplo corpo, Édipo suprime o suspense que a questão da verdade introduz ao povo tebano. Essa verdade como semidizer, que Édipo afasta ao decifrar o enigma da Esfinge, ressurge para ele ao longo da história de maneira tão intensa que é preciso cegar-se. Ao gozo, sobrevém a castração. É a castração que se transmite de pai para filho; e Freud mesmo o destaca. É a castração que se transmite, castração essencialmente simbólica, concebida na articulação significante. No Édipo, é o pai, já morto, que funciona como um operador estrutural que interdita o gozo ao filho, ao mesmo tempo estabelecendo um modo de gozar. Também, é a morte, como incognoscível, como real, como impossível, que funciona como ponto de interdição, situando o gozo total, pleno, absoluto, de saída, como impossível. Para falar do pai, Freud (1913/1996) parte daquilo que a histérica lhe fala, por isso ele trata de um pai idealizado, mestre suposto. Mas, como o próprio desejo da histérica revela, é um pai que, de saída, é castrado: não há mestria absoluta. Partir da histérica para falar do pai implica que Freud aborda, desde seus trabalhos iniciais, o pai como uma construção neurótica, um artifício da estrutura neurótica, a fim de dar conta da castração. Discutindo essa posição de Freud, Lacan (1968-1969/2008) traz o Nome-do- pai como um significante mestre eleito pelo neurótico acatado por Freud. O destaque de Lacan aqui é o pai como Nome; nesse sentido, como amarração simbólica, como eixo que ordena o discurso e permite ao sujeito um enquadre para o real. Por isso, ele pode afirmar que, de saída, o pai está morto, e é por estar morto que seu nome pode efetuar uma operação estruturante para o sujeito que o evoca. A essência da função do pai como nome, e como tal, como eixo do discurso, decorre de que o pai é uma questão de fé, nunca se pode saber quem é o pai. O Nome-do-pai é o eixo em torno do qual gira o campo do sujeito porque se mantém como simbólico (LACAN, 1968-1969/2008).
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Comunidades sustentáveis: autoridade e autonomia em questão

Comunidades sustentáveis: autoridade e autonomia em questão

No que se refere a este estudo, a abordagem qualitativa foi escolhida, pois esta permite conhecer os sentidos e modo de significação das experiências das comunidades em relação aos processos de tomada de decisões, autoridade e autonomia. Este método de pesquisa permite conhecer o sujeito com o qual nos relacionamos, para além de suas necessidades mais imediatas e dos problemas estruturais que às vezes conferem significado à sua identidade institucional. Martinelli (1999) afirma que a prática social apresenta uma vinculação com o modo capitalista de produção, mas que essa consideração deve ser compreendida como histórica e não como destino, o que remete a uma noção de um exercício mais consciente do projeto ético político. Assim, segundo a autora, a construção de uma prática de ruptura está associada à capacidade das profissões do campo social em desenvolver “consistência argumentativa, fundamentação teórica e construção de saber” (p.13). Compreende-se que a pesquisa qualitativa possibilita a construção compartilhada destes saberes, na medida em que o sujeito é reconhecido como sentido maior da ação da pesquisa. Neste caso, a pesquisa é considerada um instrumento político e de mediação com a prática social. Minayo (1993, p.15) dá ênfase ao tema quando afirma que:
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A questão da ambivalência em “A terceira margem do rio”

A questão da ambivalência em “A terceira margem do rio”

você” – enfatiza ainda mais o poder da palavra da matriarca. Depois da partida do marido, seu poder fica ainda mais patente: ela manda vir-lhe o irmão para auxiliar na fazenda e nos negócios. Contrata um mestre para cuidar da educação dos filhos. E mais: ela toma outras providências no fito de fazer o marido desistir daquela sua “doideira” de ficar naquela vagação inútil no meio do rio sem ir a lugar algum: chama o padre, representante do poder eclesiático, e, a seguir, dois soldados, representantes do poder do Estado. Nisso ela é antitética em relação ao pai, que representa a descontinuidade. Não surpreende, portanto, que a mãe fique descontente com a intenção do pai de construir a canoa. Sua contrariedade é relatada pelo narrador em termos paralelamente contrários aos utilizados para descrever a reação tácita do pai: “Nossa mãe jurou muito contra a idéia” versus “Nosso pai não dizia nada”. 17 Temos aí a oposição entre a palavra e não
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ROSANA MARIA CHRISTOFOLO DA SILVA A AÇÃO GESTORA E A RESPONSABILIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA DO ESTADO DO MATO GROSSO

ROSANA MARIA CHRISTOFOLO DA SILVA A AÇÃO GESTORA E A RESPONSABILIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA DO ESTADO DO MATO GROSSO

Além desta autoavaliação, no início do ano letivo, as gestoras relataram também que o que mais fazem é a autoavaliação, já que avaliam todos os atores educacionais e também elas próprias durante toda a rotina de trabalho, na formação continuada uma vez por semana, nas reuniões pedagógicas e administrativas e no processo de vivência constante. Elas ainda citaram que as ações e os projetos que não atingirem os objetivos do ensino e aprendizagem são imediatamente readaptados, com a colaboração da comunidade escolar, em um constante ir e vir. Tais considerações estão presentes em diversas falas, das quais citamos a seguinte: ―no decorrer do ano letivo, quando há algumas coisas que não estão ocorrendo de forma articulada acontecem às reuniões, nas quais é feita avaliação e não é só posto à questão da posição da problemática, mas sim as alternativas para estar superando os problemas detectados ‖ (Entrevista realizada no dia 10 de outubro de 2013 com a Professora Articuladora B).
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A QUESTÃO DA REFORMA AGRARIA E DO AGRONEGÓCIO, SOB O ASPECTO DA PRODUTIVIDADE – O CASO DA REGIÃO DE RIBEIRÃO PRETO-SP

A QUESTÃO DA REFORMA AGRARIA E DO AGRONEGÓCIO, SOB O ASPECTO DA PRODUTIVIDADE – O CASO DA REGIÃO DE RIBEIRÃO PRETO-SP

e D’ mais -dinheiro, ou melhor, capital, não se encontra no mercado (que é onde circulam as mercadorias), mas sim na produção de mercadorias através da exploração da força de trabalho,[r]

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Organização do trabalho e financeirização das empresas: a experiência européia — Outubro Revista

Organização do trabalho e financeirização das empresas: a experiência européia — Outubro Revista

A autonomia concedida aos assalariados na atividade de trabalho é, no mesmo movimento, compensada pelo desenvolvimento de dispositivos de controle de sua situação de trabalho: o contro[r]

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Globalização ou neocolonialismo: O FMI e a armadilha do ajuste — Outubro Revista

Globalização ou neocolonialismo: O FMI e a armadilha do ajuste — Outubro Revista

Simplesmente para ilustrarmos o alcance dessa estratégia de ajuste, a mesma receita de “austeridade” orçamentária (ou seja, corte dos chamados gastos sociais com saúde e educação, por ex[r]

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A CUT hoje e os dilemas da adesão à ordem — Outubro Revista

A CUT hoje e os dilemas da adesão à ordem — Outubro Revista

os empresários capitalistas. No 6 2 Congresso da CLJT, de 1997, a tradição das teses por tendência foi substituída por um caderno com uma tese única da Direção Nacional. Apresentou-se[r]

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Uma leitura sobre Lenin, Clausewitz, a revolução e a guerra — Outubro Revista

Uma leitura sobre Lenin, Clausewitz, a revolução e a guerra — Outubro Revista

Por outras palavras, a política, em sua forma mais elevada, quando não alcançar sua forma abstrata, extremada, pode ser a revolução - sem estar aí todo o processo revolucionário, que t[r]

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A Grande Recessão e a teoria da crise de Marx — Outubro Revista

A Grande Recessão e a teoria da crise de Marx — Outubro Revista

Deve-se apontar também que a crença bastante difundida de que os salários estagnaram é baseada em dados que consideram apenas salários no sentido estrito. Entretanto, uma grande parcela dos trabalhadores também recebe benefícios de planos de saúde e pensões de seus empregadores e quase todos os empregadores pagam metade das taxas que financiam os benefícios de Seguridade Social e de Medicare dos empregados. Tudo isto é contado como remunerações dos empregados nas contas nacionais dos Estados Unidos e este procedimento é aceito internacionalmente. E uma vez que a remuneração total por hora manteve plenamente o mesmo ritmo de crescimento da produtividade, a estagnação dos “salários” foi totalmente compensada pelo acentuado aumento da componente de benefícios da remuneração. É possível argumentar que um dólar de rendimentos não-monetários (e.g., benefícios de seguro-saúde e Medicare) provê menos utilidade do que um dólar de rendimento monetário, e é mesmo possível argumentar que estes rendimentos não são realmente remuneração. Mas isto é irrelevante para a questão em tela – se os lucros cresceram as expensas dos salários recebidos pelos trabalhadores. Cada dólar a mais recebido por um trabalhador como benefício não-monetário pode não ser “salário” adicional, e alguém poderá até mesmo se recusar a chamá-lo de remuneração, mas ainda assim ele será algo que adiciona-se ao que o empregado recebe, e que reduz os lucros da companhia em um dólar inteiro, da mesma forma que os salários monetários. A estagnação dos salários simplesmente não é evidência de que os lucros cresceram as expensas dos empregados.
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ABNER NUNES EMERICH DE PAULA O INDICADOR DE DESENVOLVIMENTO DAS ESCOLAS ESTADUAIS E A CORREÇÃO PELO FATOR SOCIOECONÔMICO: A EXPERIÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO

ABNER NUNES EMERICH DE PAULA O INDICADOR DE DESENVOLVIMENTO DAS ESCOLAS ESTADUAIS E A CORREÇÃO PELO FATOR SOCIOECONÔMICO: A EXPERIÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO

influência é a situação de vulnerabilidade social (BROOKE, 2013), encontrada em maior proporção nos grandes centros e em menor em cidades pequenas do interior. Diante dessa hipótese, o objetivo geral do trabalho é investigar o impacto da correção pelo nível socioeconômico na classificação geral das escolas a partir do Indicador de Desenvolvimento da Escola Estadual, no exercício de 2015. O intuito de utilizar o nível socioeconômico no cálculo do indicador é corrigir as desigualdades socioeconômicas entre as escolas, favorecendo a mensuração do esforço da escola. A utilização do NSE na correção do desempenho dos estudantes pode estar distorcendo a mensuração do efeito da escola nos casos das pequenas escolas do interior, que não apresentam elevada vulnerabilidade social. Diante desse cenário, o trabalho tem a seguinte questão de pesquisa: quais as limitações da correção pelo nível socioeconômico dos estudantes na composição do IDE? São objetivos específicos da pesquisa: a) descrever a política de bonificação de desempenho e os indicadores nela utilizados; b) analisar o impacto do nível socioeconômico na classificação das escolas e as possíveis limitações do Indicador de Desenvolvimento da Escola e, por fim, c) propor, caso se faça necessário, alterações que permitam maior equidade na participação da política.
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A crise estrutural do capital — Outubro Revista

A crise estrutural do capital — Outubro Revista

ralmente, o que está em questão a este respeito não é um processo delineado pela crescente satisfação das necessidades humanas. Mais exatamente, é a expansão do capital como um fim em si, servindo à preservação de um siste- ma que não poderia sobreviver sem constantemente afirmar seu poder como um modo de reprodução ampliado. O sistema do capital é essencialmente antagônico devido à estrutura hierárquica de subordinação do trabalho ao capital, o qual usurpa totalmente — e deve sempre usurpar — o poder de tomar decisões. Este antagonismo estrutural prevalece em todo lugar, do menor “microcosmo” constitutivo ao “macrocosmo” abarcando as relações e estru- turas reprodutivas mais abrangentes. E, precisamente porque o antagonismo é estrutural, o sistema do capital é — e sempre deverá permanecer assim — irreformável e incontrolável. A falência histórica do reformismo social-de- mocrata fornece um testemunho eloqüente da irreformabilidade do sistema; e a crise estrutural profunda, com seus perigos para a sobrevivência da huma- nidade, destaca de maneira aguda sua incontrolabilidade. Na verdade, é in- concebível introduzir as mudanças fundamentais requeridas para remediar a situação sem superar o antagonismo estrutural destrutivo, tanto no “microcosmo” reprodutivo, como no “macrocosmo” do sistema do capital enquanto um modo global de controle do metabolismo social. E isso só pode ser atingido colocando em seu lugar uma forma radicalmente diferente de reprodução do metabolismo social, orientada para o redimensionamento qua- litativo e a crescente satisfação das necessidades humanas; um modo de in- tercâmbio humano controlado não por um conjunto de determinações mate- riais fetichizadas mas pelos próprios produtores associados.
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Um novo senhor da educação? A política educacional do Banco Mundial para a periferia do capitalismo — Outubro Revista

Um novo senhor da educação? A política educacional do Banco Mundial para a periferia do capitalismo — Outubro Revista

experiencia, contém as principais orientações para o setor. Situa a crise do ensino superior, num primeiro momento, como resultante da crise fiscal. Po- rém, ao longo do documento, os propósitos políticos vão sendo explicitados sobrepondo-se, portanto, à questão fiscal. Este documento é paradigmático: constitui-se na matriz das recentes medidas do governo federal. O documento apregoa uma maior diferenciação no ensino superior, demandando a supres- são da indissociabilidade entre o ensino e a pesquisa, nos termos do Decreto 2306/97 que distingue as instituições de ensino superior universitárias e os centros universitários, um eufemismo para legitimar as universidades exclu- sivamente de ensino, como poderá acontecer com a criação de universidades por área do conhecimento (como na transformação dos Cefet’s em universi- dades especializadas) e como já ocorre nas instituições privadas. O Banco indica os instrumentos para a implementação dessa política, enfatizando a importância de redefinir a autonomia universitária em moldes neoliberais, a saber, uma autonomia que signifique o afastamento do Estado da vida da instituição: “Uma maior autonomia institucional é a chave para o êxito da reforma no ensino público superior, especialmente a fim de diversificar e uti- lizar os recursos mais eficientemente. Uma meta indicativa poderia ser as instituições estatais de nível superior gerarem recursos suficientes para fi- nanciar aproximadamente 30% de suas necessidades totais de recursos”. 19
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Marx e os escafandristas. A pré-história do conceito de subsunção do trabalho ao capital — Outubro Revista

Marx e os escafandristas. A pré-história do conceito de subsunção do trabalho ao capital — Outubro Revista

Este não é o ponto de chegada de Marx, mas seu ponto de partida, reformulando (ou revolucionando) esta concepção quando desenvolve a noção de mais-valia e, portanto, compreendendo que [r]

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CAEd-CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CAEd-CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Além disso, a ficha contempla dados sobre todos os programas do estado: Asas da Florestania (Programa específico do Estado do Acre, já citado anteriormente e que atende a[r]

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O TUTOR PRESENCIAL E A MEDIAÇÃO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PAPÉIS E ATRIBUIÇÕES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

O TUTOR PRESENCIAL E A MEDIAÇÃO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PAPÉIS E ATRIBUIÇÕES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Para isso são apresentados neste capítulo, de uma forma geral, a educação a distância e sua tutoria, e mais especificamente, a gestão da EaD envolvida no contexto do estu[r]

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A classe trabalhadora: uma abordagem contemporânea à luz do materialismo histórico — Outubro Revista

A classe trabalhadora: uma abordagem contemporânea à luz do materialismo histórico — Outubro Revista

Essa questão, de certa forma, já aparecia como essencial para Marx, quando se deparava com os movimentos reais da classe tra- balhadora em países da “periferia” europeia, nos anos 1880. Marx explicitou de forma bastante clara a impossibilidade de se tomar o caso inglês de formação da classe trabalhadora como modelo de va- lidade universal, ao afirmar que o “fatalismo histórico” da conversão do camponês em proletário através da sua separação dos meios de produção (a terra em particular) só se manifestava plenamente no Ocidente, pois se tratava da conversão “de uma forma de propriedade privada em outra forma de propriedade privada” (Marx, 1982, p. 98). Marx foi colocado frente à questão de se na Rússia o papel teorizado de sujeito revolucionário do proletariado teria validade, face ao amplo predomínio camponês. Sua resposta levou em conta a especificidade russa de uma agricultura camponesa coletiva – contrastante com o camponês “detentor de parcela” examinado no 18 Brumário – em con- tato com os primeiros momentos de uma agitação socialista naquele país, conectada ao movimento internacional do proletariado. Nesse contexto, Marx afirmaria a possibilidade de que a comuna rural russa tivesse um potencial revolucionário, comentando no prefácio à edição russa do Manifesto, publicada em 1882, que “se a revolução russa dá o sinal para uma revolução proletária no Ocidente, de modo que ambas se completem, a atual propriedade comum da terra na Rússia pode- rá servir de ponto de partida para uma evolução comunista” (Marx, 1965, p. 339-340).
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Mais do mesmo: a contra-reforma do ensino superior de Lula e Tarso Genro — Outubro Revista

Mais do mesmo: a contra-reforma do ensino superior de Lula e Tarso Genro — Outubro Revista

Ou seja, o governo falou primeiro em pelo menos 400 mil vagas gratui- tas nas instituições privadas e na MP reduziu sua meta para 300 mil vagas (em cinco anos e incluindo na conta as at[r]

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