Top PDF A falta conceituada por Lacan: da coisa ao objeto a.

A falta conceituada por Lacan: da coisa ao objeto a.

A falta conceituada por Lacan: da coisa ao objeto a.

Retom em os os dois conceitos lacanianos que querem os pôr em contraste — a Coisa e o objeto a . O m ovim ento que a obra de Lacan percorre é o m ovi- m ento que parte de um a perspectiva na qual a falta rem ete a um term o fora do jogo significante em que se assenta a experiência da busca do objeto, o que é designado pela Coisa; e que se dir ige para um a outra perspectiva na qual, na m edida em que ao objeto é atribuído o estatuto do objeto a , o que se apresenta sob o m odo da falta passa a se referir a algo que se atualiza nesta experiência m esm a. A experiência analítica foi pensada em um prim eiro m om ento, por Lacan, segundo um a lógica em que a sustentação da rede significante — causa para o sujeito — dependia da exclusão de um term o, o qual se configurava, assim , com o um exterior inassim ilável na experiência. Com o objeto a , um novo passo é dado, pois não m ais se trata, apenas, de um a lógica de pensam en- to que se entende com patível com o que é próprio da experiência analítica, m as deste exterior inassim ilável sendo ‘experim entado’ pelo sujeito. O resto da operação significante não rem ete a um a transcendência, m as retorna, ele sim , com o causa na experiência.
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Os problemas da sublimação: o objeto entre a idealização e a Coisa

Os problemas da sublimação: o objeto entre a idealização e a Coisa

aspectos abordados no artigo sobre o Narcisismo, dentre outros; por fim (4) o objeto como estrutura “endopsíquica”, o objeto é erigido dentro do ego mediante o processo de introjeção 4 . Apreendemos, portanto, diante do que foi comentado até aqui, a relevância em se pensar a articulação entre o objeto e ambos os conceitos psicanalíticos: desejo e pulsão. Necessariamente, dentro de uma dissertação de mestrado, precisamos fazer escolhas entre os muitos caminhos que se abrem na medida em que vamos caminhando, e assim somos forçados a privilegiar alguns pontos em detrimento de outros. Dessa maneira, deixaremos de lado o conceito de “objeto da fantasia”, só o utilizando na medida em que se fizer necessário. Continuando, no pensamento de Lacan (1995, p. 13), “Freud nos indica que o objeto é apreendido pela via de uma busca do objeto perdido”. É assim que o objeto dentro da teoria psicanalítica - apesar de todos os malabarismos entre regressões e fixações da pulsão sexual, supostas maturações instintuais da fase genital 5 , divisões em tantas fases do desenvolvimento quanto existirem pós-freudianos com o intuito de pensá-las – é sempre um objeto reencontrado, objeto que foi inicialmente o ponto de ligação das primeiras satisfações da criança. Mas essa redescoberta, que traz a marca de uma repetição, coloca uma tensão entre sujeito-objeto, “que faz com que o que é procurado não seja procurado da mesma forma que o que será encontrado” (LACAN, 1995, p.13). E qual seria o motivo dessa discordância, dessa hiância inerente ao destino de todo ser humano? Uma das respostas dada por Lacan é que
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Do vazio ao objeto: das ding e a sublimação em Jacques Lacan.

Do vazio ao objeto: das ding e a sublimação em Jacques Lacan.

Em seu comentário sobre o pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), Lacan (1960-61/1992, p.235) ressalta que ele representava a imagem humana pela combinação e acumulação de objetos relacionados ao tema que ele desejava pintar. Para representar a figura do bibliotecário, Arcimboldo utiliza livros dis- postos sobre o quadro de maneira que a imagem de um rosto seja, mais do que sugerida, realmente imposta. Se ele deseja representar uma estação do ano, utiliza frutas dessa estação, cuja montagem será realizada de tal sorte que a sugestão de um rosto igualmente se impõe. Ao mesmo tempo que a aparência da imagem humana é mantida, alguma coisa é sugerida, que se imagina no desagrupamento dos objetos: “Por detrás, nada sabemos do que pode se sustentar, pois é uma aparência redobrada que se sugere a nós, um redobramento de aparência, que deixa a interrogação de um vazio — a questão é saber o que há no último ter- mo” (LACAN, 1960-61/1992, p.236). Nas palavras de Recalcati (2005, p.94-95), trata-se de “interrogar de que modo, em uma prática simbólica — tal como a prática artística —, é possível isolar e encontrar a dimensão do real irredutível ao simbólico”.
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A IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO POR FALTA DE PROVAS IMPEDE A FORMAÇÃO DA COISA JULGADA MATERIAL

A IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO POR FALTA DE PROVAS IMPEDE A FORMAÇÃO DA COISA JULGADA MATERIAL

Isso porque, como em qualquer ciência, no Direito também existem dogmas que uma vez estabelecidos são alçados ao nível de verdade incontestável, fazendo com que, não sejam na prática jurídica e até mesmo no meio acadêmico, discutidos ou postos à prova, porquanto basta invocá-los que a questão controvertida resta, supostamente, imediatamente resolvida. Entre essas questões estão o julgamento de mérito e a coisa julgada material e, não raras vezes, se tem como julgamento de mérito quando isto efetivamente não ocorreu (GODOY; MARGRAF; MARGRAF; LIGERO, 2019, p. 610). Da mesma forma a coisa julgada material, quando o verdadeiro mérito nem sequer foi julgado.
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A RELAÇÃO ENTRE CONCEITO E OBJETO NA OBRA DE LACAN E UMA HIPÓTESE SOBRE A ADOLESCÊNCIA

A RELAÇÃO ENTRE CONCEITO E OBJETO NA OBRA DE LACAN E UMA HIPÓTESE SOBRE A ADOLESCÊNCIA

Logo após essa proposição, Lacan aborda a angústia de castração, momento lógico em que o objeto a passa por (- φ). O esvaecimento da função fálica justamente no nível em que se espera que o falo funcione constitui o princípio da angústia de castração. Esta é atualizada de forma proeminente na puberdade, como retomada da lógica fálica por um sujeito que, diferentemente da criança no tempo que precede o declínio do Édipo, já está de posse de um saber sobre a diferença sexual, um saber enigmático, que o angustia e desestabiliza. A função fálica e a inauguração, para o sujeito adolescente, do encontro sexual – incluindo aí a experiência do orgasmo – configuram um drama na medida em que se deposita toda a confiança na consumação genital. “É por não realizar o encontro dos desejos, a não ser em seu desvanecimento, que o falo se torna o lugar comum da angústia” (LACAN, 1962-1963/2005, p. 290). Lembrando a função algorítmica que Lacan atribui ao falo, como compreender a abertura conceitual proporcionada por esse movimento pautado por (- φ)?
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O ESTATUTO DO CORPO NA PSICANÁLISE DE LACAN: da construção do imaginário à formalização do objeto a

O ESTATUTO DO CORPO NA PSICANÁLISE DE LACAN: da construção do imaginário à formalização do objeto a

), L’angoisse (1962-63) e Les quatre concepts fondamentaux de la psychanalyse (1964), identifica-se outra mudança em seu pensamento. Lacan se esforça por apresentar o registro do real de modo mais aprofundado. E não somente isso, mas também em articulá-lo aos outros dois registros. Isso fica evidente no processo de formalização do conceito de objeto a - que se inicia no seminário VII com a noção de das Ding e vai até o seminário XI com a noção de objeto causa do desejo, objeto da pulsão. Este conceito permite-nos uma compreensão do estatuto do corpo distinta daquela observada anteriormente. O corpo, agora, não é apenas suporte da letra, mas é também a possibilidade da letra, ou seja, o significante é feito do mesmo material à medida que o conceito de real se aproxima da noção de corpo. A articulação entre os três registros é a principal chave que possuímos para compreender o estatuto do corpo na primeira metade da década de 1960.
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Pesquisa psicanalítica sobre os fenômenos psicossomáticos.

Pesquisa psicanalítica sobre os fenômenos psicossomáticos.

RESUMO: Lacan abordou os fenômenos psicossomáticos através do conceito de significante congelado. Os autores que se inspiraram nele fizeram uso desse conceito de diversas maneiras. Existem diferenças entre esses autores quanto à possibilidade de uma determinação concreta de tais significantes congelados (holófrases) que seriam suscetíveis de serem enfatizados pelo analista. Segundo alguns desses autores, o enfatizar tais significantes poderia colocar fim aos fenômenos psicossomáticos. Outros autores lacanianos contestam o valor clínico desse tipo de intervenção. O autor questiona também o parentesco entre os fenômenos psicossomáticos e outros fenômenos clínicos como a alucinação, a emoção, o humor e a passagem ao ato. Palavras-chave: Ato, afeto, embaraço, holófrase, psicossomático.
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