Top PDF A função de Deus na obra Discurso do Método de Descartes

A função de Deus na obra Discurso do Método de Descartes

A função de Deus na obra Discurso do Método de Descartes

Em outras palavras, essa verdade garantida pelo método é a união da certeza (subjetivo) e da evidência (objetivo). Por exemplo, eu posso ter a certeza de que algo é verdadeiro, mas, mesmo assim, na realidade objetiva esse algo pode ser falso; por outro lado, se tenho a evidência de algo no mundo, tenho a comprovação objetiva de sua existência. Como Descartes está partindo sempre do sujeito como base de sua filosofia, essa relação sujeito-objeto é percebida do ponto de vista do próprio sujeito. Daí que todas as verdades são subjetivas. Mas, como o método garante que a certeza (visão subjetiva da verdade) corresponda à evidência (visão objetiva da verdade), essas “verdades subjetivas” não significam que elas só sejam verdadeiras para os sujeitos que as pensem, mas apenas que elas estão baseada na subjetividade como “lugar e fundamento da verdade” (SILVA, 2005, p. 32). Como sabemos, a primeira verdade é o “Penso, logo existo”, que comprova a existência do ser pensante. Porém, nesse momento, Descartes está preso em si mesmo, isto é, na dimensão do sujeito, num solipsismo. Porque, neste caso, a verdade subjetiva está mostrando a verdade da própria subjetividade. Portanto, certeza e evidência aqui se referem ambos ao sujeito: tenho certeza que existo e é evidente que existo. Mas, se Descartes for se referir às coisas do mundo, por exemplo? Ele pode ter certeza da existência de algo, mas o que garantirá que essa existência seja evidente? Clarifiquemos esse ponto: para avaliar as verdades do mundo externo, Descartes está averiguando a clareza e distinção das ideias das coisas matérias que estariam nesse mundo externo. Se as ideias forem claras e distintas, então, para ele, o objeto correspondente à ideia é real no mundo externo.
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RESENHA DA OBRA(DISCURSO DO METODO)

RESENHA DA OBRA(DISCURSO DO METODO)

Escreve Descartes : “ Todas as ciências são vinculadas entre si por uma cadeia ;não é possível tomar uma delas sem ter compreendido as outras , portanto sem abraçar, ao mesmo tempo, toda a enciclopédia do saber”. E ainda : “ Tal ciência deveria incluir todos os primeiros rudimentos da razão humana e seu domínio deveria estender-se até a compreensão do conhecimento de todas as coisas “.Assim sendo, o mundo e qualquer conhecimento são atingíveis com o novo método.

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Entre a fé, a obra social e a publicidade: uma análise crítica do discurso da responsabilidade social da Igreja Universal do Reino de Deus

Entre a fé, a obra social e a publicidade: uma análise crítica do discurso da responsabilidade social da Igreja Universal do Reino de Deus

Situada na Linguística Aplicada (PENNYCOOK, 1998; MOITA LOPES, 2003, 2006, 2008, 2009), esta tese, que se inscreve em uma abordagem qualitativo-interpretativista de perspectiva analista critico, se debruça sobre o discurso da responsabilidade social e a forma como este é empregado na busca por legitimação e prestígio dentro do campo religioso neopentecostal brasileiro, mais especificamente da Igreja Universal do Reino de Deus. O objetivo geral desta pesquisa é refletir sobre o discurso da responsabilidade social e a retórica da autopromoção da Igreja Universal através do papel dos atores sociais na construção de sua(s) identidade(s), materializados no jornal Folha Universal. Para isso, conjugamos, nesta pesquisa, análises sociais e discursivas. Na faceta linguístico-discursiva, a pesquisa se baseou na Análise Crítica do Discurso (ACD), principalmente em Fairclough (2001, 2003, 2006), uma proposta que fornece ferramentas teórico-metodológicas para investigar a linguagem além das estruturas linguísticas, ou seja, o discurso, as práticas sociais nas quais ele ocorre e as estruturas sociais mais amplas. Também foram utilizados pressupostos teóricos da Linguística Sistêmico-Funcional (LSF), combinando categorias do Sistema de Transitividade de Halliday (1994, 2004), das formas de representação de atores sociais na perspectiva sócio- semântica de van Leeuwen (1997, 2008) e do Sistema de Avaliatividade de Martin e White (2005). Ao desenvolvermos a argumentação sobre a função social da religião nesta tese, servimo-nos de autores como Freston (1994), Oro (1997, 2003), Campos (1996, 1999), Mariano (1999), Meneses (2008), entre outros. Utilizamos também uma série de conceitos e categorias advindas do campo da comunicação e marketing sobre a responsabilidade social empresarial e o marketing social. Nesta área, tomamos como referências as contribuições de Bueno (2003
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A Moral Cartesiana no Discurso do Método

A Moral Cartesiana no Discurso do Método

Dentre os textos que trazem algum teor moral, o Discurso, embora tenha uma parte inteira dedicada claramente ao tema, uma vez que estabelece um código moral que permite a Descartes avançar eu suas pesquisas, tem pouca relevância nos estudos desenvolvidos sobre a sua moralidade. Quando referenciada, a morale par provision é tratada como um momento onde Descartes apresenta um conjunto de preceitos morais simples que devem guiar suas ações sem contudo apresentar nada de expressivo. Os motivos para esse preterimento podem ser evidenciados por um conjunto de elementos, que já levantamos anteriormente, sobretudo pelo fato de que, aparentemente, as máximas morais não apresentam qualquer relação com o restante da obra de Descartes, e principalmente, não podem assumir um estatuto mais duradouro, pois além de serem apresentadas como provisórias, como alguns traduzem, não parecem ter qualquer relação com o método, elemento fundamental de toda a produção filosófica e científica de Descartes. É sobre esse ponto de nos deteremos agora para mostrar que a morale par provision tem um significado maior do que comumente se atribui a ela.
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O encontro de Fracastoro com Descartes: reflexão sobre a temporalidade do método.

O encontro de Fracastoro com Descartes: reflexão sobre a temporalidade do método.

RESUMO: O objetivo é o de demonstrar a importância do método na prática cientiica a partir da emergência da ciência moderna e seu modelo de racionalidade. Trata-se de uma relexão ilosóica, uma aproximação imaginária por cartas, entre Fracastoro e Descartes, estas fundamentadas em bibliograias encontradas no LILACS, SciELO e buscador Google. Os autores utilizaram a descrição por meio de cartas de um contato ictício entre Girolamo Fracastoro e René Descartes. O primeiro, a partir de suas obras Syphilis Sive Morbus Gallicus e De contagione et contagiosis morbis et curatione; o segundo com o Discurso do Método, utilizado como modelo da ciência moderna e Regras para a Direção do Espírito. A aproximação imaginada pelos autores, entre Fracastoro e Descartes revela que o método proposto por Descartes, se houvesse sido utilizado pelo cientista italiano, abriria novas possibilidades de visibilidade e ressonância de sua obra. DESCRITORES: História. Filosoia. Saúde.
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Verdade e método em René Descartes

Verdade e método em René Descartes

Neste trabalho, mostra-se o porquê da utilização de um método por Descartes, os preceitos do mesmo e a relação do método com a verdade. Para a procura da verdade é um instrumento e meio imprescindível, quando existem obscuridades, complexidades na resolução de problemas, é necessário que ele intervenha. É através dele que se chega às evidências, ideias claras e distintas. Só se tem evidência através da intuição e dedução, as duas vias para se chegar à ciência verdadeira. São operações do entendimento claras e distintas. Elas não precisam do método porque são anteriores a ele, são à priori, justificadas por si próprias. Elas intervêm no método quando é necessário. Apresenta-se os quatro preceitos do método, mas o preceito que demonstra, que mostra como se chega à verdade é o analítico. A descendência metodológica do autor é da análise dos antigos geômetras e da álgebra dos modernos. O que o autor quer é evidência, e a primeira a que chegou foi o Cogito. Este foi obtido pelo método. É a primeira verdade clara e distinta. A partir de então todas as outras verdades emergem do Cogito. Segundo Descartes, o conhecimento vai do subjetivo ao objetivo, Deus, mas defende-se que quem fundamenta o Cogito é Deus. Fez-se um estudo crítico- comparativo entre o Discurso do Método e as Meditações Metafísicas, para mostrar que as obras se diferenciam segundo o objetivo de Descartes.
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ANÁLISE DA OBRA DISCURSO DO MÉTODO DE RENÊ DESCARTES E AS BASES DO MÉTODO CIENTÍFICOOdair Vieira da Silva1

ANÁLISE DA OBRA DISCURSO DO MÉTODO DE RENÊ DESCARTES E AS BASES DO MÉTODO CIENTÍFICOOdair Vieira da Silva1

O primeiro era o de nunca aceitar alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal, ou seja, de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção e de nada mais incluir em meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintivamente a meu espírito, que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele. O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias, a fim de melhor resolvê-las. O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como que por degraus, até o conhecimento dos mais compostos e presumindo até mesmo uma ordem entre aqueles que não se precedem naturalmente uns aos outros. E o último, o de elaborar em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais que eu tivesse a certeza de nada omitir. (DESCARTES, 2009, p. 29)
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Descartes: um naturalista?

Descartes: um naturalista?

Vemos explicitada nese rcho sua crença na a arquitetura de nosso coro a se conservar são e na força da naturea que permite que nosso orgnismo ossa se auto­ restaurar quando enfermo. Volamos à mesma concepção do coro que anteriormente ínhamos levando, qano a aproximaço que tzemos enre a conceção hicrática do organismo e aquela que ecrtes vinha expliciando. No echo oa ciado, a noviade é que esá endo considerada como um ensameno útil que, e nos ersuadimos sobre o mesmo, nosso espírio de agir enetcmene sobre o corpo. É de e ergunar se, no plano em que esamos neste momento, ou eja, no plno da interaço coo e espírito e da inluência dese sobre aquele, não está prevalcendo uma conceção do organismo que ermite, inclusive a Descartes, atrmr a ação benétca da alma sobre o corpo. Se as
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Descartes e as humanidades

Descartes e as humanidades

“Por isso, percorrê-las-ei várias vezes por uma espécie de movimento contínuo de imaginação que vê intuitivamente cada objeto em particular enquanto vai passando aos outros, até ter aprendido a transitar da primeira relação para a última com tal rapidez que, sem deixar quase nenhum papel à memória, me pareça ver simultaneamente o todo por intuição” 151 . O objetivo da enumeração é uma intuição contínua. E assim a certeza da enumeração está diretamente relacionada com a intuição. E intuição e enumeração são duas operações que se ajudam e completam mutuamente. A tal ponto que Descartes sugere a adoção de uma notação matemática que possibilita a visualização rápida de uma dedução complicada.
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Descartes e os médicos.

Descartes e os médicos.

Um outro médico com quem Descartes manteve correspondência foi Jan Van Beverwick (Johannes Beverovicius), magistrado de Dordrecht, autor de várias obras médicas, den- tre as quais merecem destaque um manual de medicina doméstica e clínica denomi- nado Schat der Gesontheyt en Ongesontheyt – 1656 (Tesouro da saúde e da doença) e o livro Van de Wtnementheit des vrouwelijke geslachts – 1643 (Sobre a excelência do sexo femini- no), dedicado a Ana Maria Schurman (cf. Schama, 1992, p. 163, 385). Em 10 de junho de 1643, Beverwick escreve a Descartes solicitando comentários a respeito da circu- lação do sangue e do movimento do coração – questões que estão em destaque nas discussões médicas da época e que integrarão a publicação das Epistolicæ Quæstiones (Questões epistolares) que estão sendo preparadas nesse ano. A esse médico, Descartes retoma o Discurso do Método, no que diz respeito ao movimento do coração, e propõe enviar os textos das duas cartas remetidas a Plempius, em 1638, sobre esse assunto, com a finalidade de recuperar o seu conteúdo, uma vez que, segundo Descartes, elas foram publicadas de forma distorcida e incompleta pelo médico de Louvain. Na carta de 5 de julho do mesmo ano, Descartes deduz esse movimento do calor do coração e da conformação dos vasos, destacando o processo de evaporação e condensação do sangue como parte de sua explicação eminentemente mecânica com respaldo na experiên- cia. Van Beverwick, nas Questões epistolares, deu destaque à palavra de seus interlocuto- res, sem deixar entrever a sua posição referente aos assuntos aí tratados (cf. Aucante, 1998, p. 71). Mas o interesse de Beverwick em incluir as teses cartesianas em sua com- pilação, além da adoção da explicação da circulação sangüínea defendida por Descar- tes, deixa entrever a importância do filósofo nas discussões que são travadas no meio médico.
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DESCARTES E O CETICISMO

DESCARTES E O CETICISMO

homens que buscaram encontrar [...] as primeiras causas e os verdadeiros Princípios de que se pudessem deduzir as razões de tudo o que somos capazes de saber; e são particularmente aqueles que trabalharam nisso que foram chamados de Filósofos. Todavia, que eu saiba ninguém até o presente teve sucesso nesse intento” 16 . Só para efeito de ilustração, vale a pena ver como Descartes, na Carta Prefácio dos Princípios da Filosofia, depois de destituir Platão e Aristóteles de terem filosofado de verdade, demarca o seu território como aquele a partir do qual a verdadeira filosofia aparece no mundo. “Os primeiros e principais de que temos os escritos são Platão e Aristóteles, entre os quais não houve outra diferença senão que o primeiro, seguindo as pegadas de seu mestre Sócrates, ingenuamente confessou que nada procurava encontrar de certo, e contentou-se em escrever coisas que lhe pareceram ser verossimilhantes, imaginando para tal feito alguns Princípios com os quais buscava explicar as outras coisas; ao passo que Aristóteles teve menos franqueza e, se bem que tivesse sido por vinte anos discípulo daquele e não tivesse outros princípios senão os dele, mudou inteiramente a forma de enunciá-los e os propôs como verdadeiros e seguros, embora não haja nenhum sinal de que os tenha alguma vez estimado como
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Descartes Gadelha

Descartes Gadelha

Vale ressaltar também a beleza das suas paisagens, não só quando as apresenta pura e simplesmente , mas ainda quando apenas as insinua e as utiliza como décor para as imagens que a[r]

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Proposta de método para a avaliação da sustentabilidade em obra

Proposta de método para a avaliação da sustentabilidade em obra

Deste modo, a abordagem da sustentabilidade devia apresentar maior relevância e uniformidade nas empresas do setor da construção. A aplicação de ferramentas de avaliação da sustentabilidade tem uma crescente importância, contribuindo para uma padronização do desempenho sustentável no setor. No presente capitulo, vai propor-se o cálculo do Índice de Sustentabilidade em Obra, como ferramenta de avaliação, a aplicar na fase de construção, permitindo a comparação do desempenho sustentável de diferentes obras. Para o cálculo do IS, é necessário definir as categorias, bem como os indicadores, que vão possibilitar o uso da ferramenta. Completar-se-á o cálculo com a aplicação de um sistema de pontuação e uma atribuição percentual aos indicadores.
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Descartes

Descartes

5. El modo concreto en que Descartes fundamenta el conocimiento, según el cual el único punto de partida firme de todo conocimiento es el Yo y sus ideas (y, en consecuencia, nuestro conocimiento de la realidad es primariamente conocimiento de nuestras ideas acerca de la realidad), tal planteamiento dará origen al idealismo, como característica propia, en mayor o menor medida, de toda la filosofía moderna. (Frente al “realismo” de la tradición aristotélica, para el cual la razón humana puede captar el “ser” de lo real).

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Retratos do trabalho na obra Cidade de Deus de Paulo Lins

Retratos do trabalho na obra Cidade de Deus de Paulo Lins

O livro Cidade de Deus de Paulo Lins é uma das mais importantes obras brasileiras da contemporaneidade, por tratar de assuntos cotidianos de uma favela e relatá-lo de forma realista. Nesta obra Paulo Lins trata de questões polêmicas, desafiando o leitor a confrontar-se com uma dura realidade da qual pode não pertencer, mas que o marca de maneira profunda. Esse romance é classificado como realista e traz histórias que se entrelaçam de duas épocas diferentes sobre a formação de uma favela no Rio de Janeiro, chamada Cidade de Deus. Com esta obra, o autor pretende chamar a atenção do leitor para mostrar a realidade de um lugar e transformar em livro uma pesquisa que realizou durante os anos em que ainda era acadêmico na Faperj, morando e se acostumando com a humildade do lugar. Ao realizar sua pesquisa, buscou em cada canto da favela uma história para contar, misturando em sua prosa alguns elementos poéticos para fazerem parte de seu discurso na voz do narrador. Apesar disso, o autor demonstra a forma coloquial que era utilizada pelos moradores da favela, inserindo palavrões e expressões do lugar.
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Descartes-DiscursodoMétodo

Descartes-DiscursodoMétodo

que imaginamos quando dormimos não devem, de forma alguma, levar-nos a duvidar da verdade dos pensamentos que nos ocorrem quando despertos. Pois, se sucedesse que, mesmo dormindo, tivéssemos alguma idéia muito distinta, como, por exemplo, que um geômetra criasse qualquer nova demonstração, o sono deste não a impediria de ser verdadeira. E, quanto ao equívoco mais recorrente de nossos sonhos, que consiste em nos representarem vários objetos tal como fazem nossos sentidos exteriores, não importa que ele nos dê a oportunidade de desconfiar da verdade de tais idéias, porque estas também podem nos enganar repetidas vezes, sem que estejamos dormindo, como ocorre quando os que têm icterícia vêem tudo da cor amarela, ou quando os astros ou outros corpos extremamente distantes de nós se nos afiguram muito menores do que são. Pois, enfim, quer estejamos despertos, quer dormindo, jamais devemos nos deixar convencer exceto pela evidência de nossa razão. E deve-se observar que eu digo de nossa razão, de maneira alguma de nossa imaginação ou de nossos sentidos. Porque, apesar de enxergarmos o sol bastante claramente, não devemos julgar por isso que ele seja do tamanho que o vemos; e bem podemos imaginar distintamente uma cabeça de leão enxertada no corpo de uma cabra, sem que tenhamos de concluir, por isso, que no mundo existe uma quimera; pois a razão não nos sugere que tudo quanto vemos ou imaginamos seja verdadeiro, mas nos sugere realmente que todas as nossas idéias ou noções devem conter algum fundamento de verdade; pois não seria possível que Deus, que é todo perfeito e verídico, as tivesse colocado em nós sem isso. E, pelo fato de nossos raciocínios nunca serem tão evidentes nem tão completos durante o sono como durante a vigília, apesar de que às vezes nossas imaginações sejam tanto ou mais vivas e patentes, ela nos sugere também que, não podendo nossos pensamentos serem totalmente verdadeiros, porque não somos totalmente perfeitos, tudo o que eles contêm de verdade deve encontrar-se inevitavelmente naquele que temos quando despertos, mais do que em nossos sonhos.
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Análise comportamental do discurso: fundamentos e método.

Análise comportamental do discurso: fundamentos e método.

Poter, Wetherell, Gill e Edwards (1990, p. 206) lembraram que há pelo menos quatro tipos de “AD”. Um tipo com maior orientação psicológica e vínculos fortes no cognitivismo preocupa-se com “o modo como o padrão do discurso afeta a lembrança e a compreensão dos eventos”. Um outro tipo, infl uenciado pela “teoria dos atos de fala”, tem por objetivo “prover um relato sistemático da organização da interação verbal” entre os falantes. Um terceiro tipo está embasado na análise foucaultiana das práticas sócio-culturais. Um quarto tem raízes na Sociologia da Ciência. Esses usos do termo “AD” mostram graus variados de especifi cidade e uma sutil modulação teórica. Como resultado, há uma forte discor- dância entre os analistas de discurso sobre o que eles estão estudando e como deveriam estudá-lo, já que os termos “aná- lise” e “discurso” podem signifi car coisas diversas. Parker (1999) tentou resolver o impasse, dizendo que os analistas de discurso estudam o modo como os conjuntos de enunciados são construídos, como as funções da linguagem operam e as contradições que surgem durante esse funcionamento.
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O discurso ideológico no método reflets-Brésil

O discurso ideológico no método reflets-Brésil

Se o método áudio-oral surgiu nos Estados Unidos, o método áudio- visual (MAV) que apresentamos agora, surgiu. como já foi dito anteriormente, na Europa, mais especificamente, na França. Após a Segunda Grande Guerra, com o domínio da língua inglesa nas comunicações internacionais, a língua francesa entrou numa fase de declínio. Esse fato determinou a necessidade de reforçar o ensino do francês como língua estrangeira. A metodologia audiovisual surge ligada ao conceito da fala em situação de comunicação e em oposição às proposta teóricas estruturalistas e behavioristas, herdadas da escola americana, que serviram de suporte ao MAV. O MAV, apesar de ter como objetivo as quatro habilidades lingüísticas (compreensão oral; compreensão escrita; expressão oral e expressão escrita) considera essencial na aprendizagem de uma língua a comunicação oral como percepção global do sentido, ou seja, os sons, a entonação e o ritmo da língua, ficando a escrita relegada para o último momento do processo de ensino.
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DISCURSO, COGNIÇÃO E SOCIEDADE: O DISCURSO RELIGIOSO NA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS - IURD DOUTORADO EM LÍNGUA PORTUGUESA

DISCURSO, COGNIÇÃO E SOCIEDADE: O DISCURSO RELIGIOSO NA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS - IURD DOUTORADO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Esta tese está fundamentada na Análise Crítica do Discurso - ACD, na Linguística Textual e na Teoria de Ação Social, de Weber, tendo por tema ‘a construção do Discurso Religioso da Igreja Universal do Reino de Deus - IURD’. Justifica-se a pesquisa realizada, pois, embora muitos trabalhos tenham sido publicados a respeito do Discurso Religioso, não foi encontrado nenhum que tenha o tema desta pesquisa. A hipótese principal é de que o Discurso Religioso da Universal está permeado de um apelo messiânico convergente para a pessoa de Edir Macedo. O objetivo geral deste trabalho é contribuir para os estudos do Discurso Religioso e sua interdiscursividade. Especificamente, objetiva-se: explicitar a ideologia contida no discurso da IURD para promover a conversão da população pela manipulação do poder, do controle e do acesso ao público; verificar a produção discursiva do Bispo Edir Macedo, em sua interação com os fiéis; examinar como as notícias do Discurso Jornalístico são modificadas no jornal Folha Universal e; situar, no Discurso Religioso de Edir Macedo, sua proposta messiânica. A investigação é qualitativa, com um procedimento teórico- analítico, cujo material de análise foi coletado do periódico da Igreja Universal do Reino de Deus e do discurso oral do Bispo Edir Macedo, retirado da internet. Os resultados põem em evidência a forma como a Igreja Universal do Reino de Deus é capaz de forjar um Discurso Jornalístico de Publicidade Institucional, revestido de um Discurso Religioso, utilizando-se dos meios de comunicação de massa, para manipular o uso da língua na construção sociocognitiva, de forma a propiciar o trajeto do <<fazer-crer>> ao <<fazer-poder>> para seus fiéis e construir um personagem messiânico.
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UMA ANÁLISE DAS FORMAÇÕES DISCURSIVAS DO DISCURSO DE MEMBROS DA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS

UMA ANÁLISE DAS FORMAÇÕES DISCURSIVAS DO DISCURSO DE MEMBROS DA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS

Nessa compreensão estabelecida na relação com a heterogeneidade discursiva, proposta por Authier-Revuz (2004) e compreendida por Orlandi (2005) e Indursky (2000), em relação ao que é dito noutro lugar, há o efeito de que o sujeito tenha a ilusão de que a origem do seu dizer está nele e, desse modo, assume-se como senhor da sua língua, tendo a certeza do domínio do sentido do seu dizer, apagando, assim, o mecanismo pelo qual ele foi levado a ocupar uma determinada posição e produzir um enunciado e não outro. Essa “ilusão necessária”, compreendida por Pêcheux (1969) é duplamente constituída, conforme já exposta anteriormente, no capítulo 1, por dois esquecimentos: o esquecimento número dois, pelo qual é apagado no sujeito o fato de que o seu dizer não tem origem em si, mas é resultado de uma seleção dentro dos muitos enunciados possíveis, é, portanto, da ordem da formulação. Assim, o sujeito se subjetiva, na medida em que se projeta de seu lugar no mundo para suaposição no discurso e o esquecimento número um, que se manifesta no fato de o sujeito estar inscrito no ideológico, sendo, portanto, todo dizer ideológico. Desse modo, a ideologia funciona, produzindo a evidência dos sentidos. O esquecimento número um traz a ilusão do sentido único, o de que não há efeitos de sentidos, mas o que se enuncia é compreendido da mesma forma por todos os que escutam.
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