Top PDF A idealidade e a fenomenologia nas investigações lógicas de Husserl

A idealidade e a fenomenologia nas investigações lógicas de Husserl

A idealidade e a fenomenologia nas investigações lógicas de Husserl

ou relativizam a legitimidade dos objetos ideais para o conhecimento em geral. Entretanto, nesse quadro, ressaltamos que a lógica – enquanto lógica pura – é, todavia, apenas uma das ciências ideais, isto é, uma das ciências que possuem puras idealidades como domínio objetivo de investigação. Podemos supor que um dos motivos pelos quais Husserl recorreu, para a primeira apresentação da fenomenologia, à ciência lógica e não a outra, por exemplo, à aritmética ou à geometria puras, à mereologia 81 , ou à gramática puramente lógica 82 , foi o estreito vínculo que aquela mantinha com a psicologia dos fins do século XIX. Pois, ao se ter em mente que Husserl visava, sobretudo, propor uma nova teoria do conhecimento que legitimasse sua estrutura ideal e um novo método de análise da consciência, distinto da psicologia, baseado no caráter da idealidade da essência dos atos intencionais, fica justificada a sua escolha de legitimação do ser ideal por meio das controvérsias acerca da lógica pura. Outro motivo claro é a própria conexão entre lógica e fenomenologia, à qual já fizemos referência anteriormente. A fenomenologia husserliana surge justamente como fenomenologia das vivências lógicas, como análise filosófica dos atos e conceitos estruturantes do conhecimento, somente ampliando seu círculo de investigação nas obras posteriores.
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Jonas Moreira Madureira FENOMENOLOGIA DAS REPRESENTAÇÕES Sobre a equivocação do termo “representação” na tese “todos os atos ou são representações ou se fundam em representações” arrazoada por Edmund Husserl na V Investigação das Investigações lógicas

Jonas Moreira Madureira FENOMENOLOGIA DAS REPRESENTAÇÕES Sobre a equivocação do termo “representação” na tese “todos os atos ou são representações ou se fundam em representações” arrazoada por Edmund Husserl na V Investigação das Investigações lógicas

mercado, el cartero apresurado, etc. Quien usa estos nombres en una expresión veraz y en su sentido normal sabe que el príncipe Enrique es una persona real y non un ser fabuloso, que en el mercado hay una estatua de Roldán, que el cartero pasa apresurado. Más aún. Los objetos nombrados se presentan seguramente a su ojos de otro modo que unos objetos puramente imaginados, y no sólo se le aparecen como existentes, sino que los expresa también como tales. Sin embargo, en el acto nominativo no predica nada de esto. Por excepción puede expresar el ser al menos atributivamente, o sea, en la forma; el S realmente existente, así como en los casos contrarios quizá diga: el supuesto S, el imaginativo S, etc. Pero la posición es llevada a cabo también en el nombre enriquecido gramaticalmente (quede indeciso si no ha experimentado una esencial modificación de sentido en lugar de una mera ampliación de éste) por aquel momento del acto que se expresa en el artículo determinado y solamente la materia ha cambiado. En todo caso no se enuncia que existe S, sino que el S (en su eventual modificación de sentido) es representado atributivamente como realmente existente, puesto además y nombrado, por ende, en la forma: el S realmente existente; y nombrar no es aquí tampoco por su sentido idéntico a enunciar. Si se concede esto, tenemos que distinguir dos clases de nombres o de actos nominales: aquellos que dan a lo nombrado el valor de algo existente y aquellos que no lo dan. Un ejemplo de estos últimos, caso de que se necesite, nos lo ofrece la materia nominal de toda reflexión existencial, que empieza, efectivamente, sin posición existencial alguna”. HUSSERL, Edmund. Investigaciones lógicas, II, V, cap. 4, §34, p. 558-559.
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Do fenômeno pleno ao testemunho que falta: gradações da verdade em Husserl, Marion e Derrida

Do fenômeno pleno ao testemunho que falta: gradações da verdade em Husserl, Marion e Derrida

Assim como Derrida o faz, Marion desenvolve seu diálogo com a fenomenologia de Husserl partindo das Investigações Lógicas (Logische Untersuchungen, 1900-01) em direção a obras subsequentes. Marion enfatiza dois movimentos característicos desta obra de Husserl: por um lado, a superabundância do signifi cado, de sua idealidade a priori em relação a toda manifestação. Por outro lado, o movimento inverso e correlato, relativo à exigência de um preenchimento intuitivo das intenções de signifi cação. Na medida em que o idealismo é fenomenológico, ou seja, reivindica o sujeito intencional e a fundação cognitiva do sentido, assim os signifi cados ideais devem se manifestar em atos de expressão e, além disso, devem se dar a conhecer em intuições tanto mais evidentes quanto possível. Este movimento é assim duplamente progressivo e regressivo: para todo signifi cado deve ser buscada uma intuição que se lhe adeque de forma tanto mais plena; assim também, diante de cada intuição (seja sensível ou outra), a visada intencional deve se voltar para os sentidos ou signifi cados que lhe subjazem. (Husserl, 1984/2012; Marion, 2010, cap. I). Trata-se primeiramente de lembrar como Husserl amplia a noção de intuição (Anschauung), a fi m de sublinhar como o conceito de doação, em Marion, amplifi ca a noção husserliana de intuição.
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A teoria do sentido em Deleuze.

A teoria do sentido em Deleuze.

Em Husserl, sentido e significação se recobrem (IL § 6) e tal aspecto remete às vivências intencionais, que são os sentidos ou os significados das expressões. O predicado intencional distingue um tipo particular de vivência que consiste em doar sentido a um conjunto de sons. Quando um conjunto de sons inarticulados adquire um significado realiza-se um ato psíquico que consiste em referir-se a um objeto. O ato de doar sentido é também denominado intenção significativa. É notório que o termo expressão configura uma possibilidade de discernimento entre a fenomenologia e a filosofia analítica. De início, podemos afirmar, sem nenhuma dúvida, que tal termo, para Wiitgenstein, remete à linguagem, não havendo neste pensador nenhuma preocupação de mostrar que por trás dela existiriam vivências intencionais a lhes conferir sentido. Husserl, de modo inverso, se preocupa com os atos intencionais provenientes de tais vivências, o que nos faz afirmar que a linguagem não é simplesmente uma expressão do pensamento . A expressão para Husserl é o que torna a linguagem significativa, embora possua também função indicativa, isto é, designativa. Quando Husserl, no § 9 das Investigações Lógicas, apresenta a intenção significativa como o modo de exemplificar o ato doador de sentido está, de um certo modo, reavivando aquilo que os filósofos antigos concebiam como a relação entre o pensamento (dianóia) e o discurso (logos). O discurso, conforme o Sofista de Platão, nada mais é do que a expressão sonora do pensamento; a voz (phoné) é articulada ao que o pensamento pensa sobre às coisas. Ora, Husserl segue essa linha de pensamento introduzindo, a partir das Idéias, o método de redução fenomenológico. Nesse método, o aspecto transcendental se destaca, quando procura descrever as estruturas que doam sentido ao discurso sobre os fenômenos. O mais importante, dentre eles, é a própria consciência intencional, isto é, a consciência dotada de uma intencionalidade transcendental.
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MORTE, SIGNIFICAÇÃO E OS LIMITES DA REPRESENTAÇÃO: UM PERCURSO DERRIDIANO DE HUSSERL A HEIDEGGER

MORTE, SIGNIFICAÇÃO E OS LIMITES DA REPRESENTAÇÃO: UM PERCURSO DERRIDIANO DE HUSSERL A HEIDEGGER

Resumo: Partindo do pressuposto segundo o qual a atitude fenomenológica é constituída de uma simultaneidade entre o processo subjetivo e imanente e o próprio objeto em sua constituição na imanência, pretende-se neste artigo investigar as razões pelas quais Husserl não a concretiza plenamente. Assim, 1) ao considerar que o objeto só é possível à medida que o mesmo está no horizonte da intencionalidade, concebendo o ato intencional como constituinte da aparição do objeto; e 2) ao buscar fundamentar o conhecimento na consciência ideal/transcendental que constitui a idealidade capaz de salvar o domínio da presença na repetição – de uma presença que não corresponde estritamente a nada que existe no mundo, mas é correlata dos atos de repetição ideais. Qual a causa dessa dificuldade, desse (aparente) paradoxo? Husserl manteve-se preso ao esquema empirista (Lévinas)? Operou um recorte do a priori lógico no interior mesmo do a priori geral da linguagem, repetindo por outros meios a intenção original da metafísica, afirmando assim o ser como presença (Derrida)? Ou talvez um descuido originário por parte de Husserl com relação ao campo temático da fenomenologia e a tarefa de ver e explicitar a existência em seu ser (Heidegger) o impediu de perceber que o que provavelmente está em jogo naquilo que abre quando se assegura o movimento da idealização é uma certa relação do existente com sua morte (Derrida)? Analisaremos as hipóteses levantadas considerando privilegiadamente o modo como os limites da representação se manifestam a partir da radicalização do questionamento acerca da relação entre significação e morte.
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A questão dos afetos na fenomenologia de Edmund Husserl: um estudo preliminar

A questão dos afetos na fenomenologia de Edmund Husserl: um estudo preliminar

Resumo: Em busca de rigor na fundamentação dos estudos sobre processos psicológicos, consideramos a possibilidade de contribuição da Fenomenologia e Psicologia Fenomenológica de Edmund Husserl (1859- 1938) para o estudo dos afetos. O presente estudo tem como objetivo geral apresentar a questão dos afetos, tal como abordada por Edmund Husserl. Quanto ao método, este estudo se caracteriza como investigação teórica e segue as técnicas propostas da pesquisa bibliográfica. Primeiramente, destacam-se os principais aspectos e problemas correspondentes: a Fenomenologia dos sentimentos realizada por Husserl nas “Investigações Lógicas” de 1900-1901, tais como a distinção entre os atos de sentimentos e os sentimentos sensíveis, bem como o papel desempenhado pelas (re)presentações na fundamentação destas vivências. No segundo momento, foram demarcadas as principais características da Fenomenologia dos estados de ânimo dos Manuscritos M dos anos 1900-1914, destacando seu modo intencional específico, bem como sua função iluminadora do entorno e de abrir horizontes de objetos. Concluímos que a contribuição principal da Fenomenologia e Psicologia Fenomenológica de Husserl, para o estudo dos processos psicológicos e dos afetos em particular está em sua multiplicidade de descrições rigorosas e reconstituições minuciosas a respeito das vivências.
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Fenomenologia e fenomenismo em Husserl e Mach.

Fenomenologia e fenomenismo em Husserl e Mach.

Tentamos mostrar que o conjunto formado pelos juízos que Husserl produz sobre Mach, dos seus primeiríssimos escritos até em Lógica formal e lógica transcendental, não for- ma um todo coerente senão sob a condição de distinguir, por um lado, o descritivismo do positivismo de Mach, e, por outro, o programa filosófico que Husserl persegue com a fenomenologia e que repousa, nos Prolegômenos, sobre sua doutrina da ciência, da fenomenologia compreendida como psicologia descritiva no segundo volume das In- vestigações lógicas. Essa dupla vida da fenomenologia das Investigações lógicas se traduz nas obras mais tardias de Husserl e, particularmente, nas conferências de Amsterdam, pela distinção presente no seio da fenomenologia entre a psicologia intencional, que corresponde grosso modo à psicologia descritiva do período de Halle, e a filosofia transcendental, que preenche a função tradicional de filosofia primeira. Como men- cionamos em várias ocasiões neste artigo, no momento em que Husserl reúne sua fenomenologia ao descritivismo de Mach ou à fenomenologia de Hering, ele tem uni- camente em mente a psicologia intencional que, na maioria dos escritos de Husserl a partir do meio dos anos 1920, tem uma função metodológica importante naquilo que ela serve de propedêutica à filosofia transcendental. Como tal, ela é a via obrigatória da filosofia e das ciências da natureza e, principalmente, da psicologia fisiológica, e é nesse sentido que ela se aproxima do descritivismo de Mach e Hering, como também daquele de Brentano e de seus estudantes. Mas o programa filosófico que Husserl co- loca em vigor nos Prolegômenos e que motiva sua crítica ao psicologismo é inteiramente estranho ao programa positivista e ao naturalismo filosófico em geral. É o que parece se confirmar na seção 62 de Lógica formal e lógica transcendental, em que Husserl diri- ge novamente a Mach a objeção de psicologismo ao censurar-lhe por psicologizar a esfera platônica da idealidade (no sentido de Lotze) (Husserl, 1965, p. 226). Do posi- tivismo de Mach, Husserl retém o esforço de reconquistar o próprio sentido da posi- tividade, do qual estavam consideravelmente afastados os grandes sistemas especu- lativos. Mas Mach trai o próprio sentido da positividade ao colocar seu descritivismo ao serviço do empirismo e do fenomenismo. Como o explica Husserl em Ideias I, uma vez desembaraçada desses prejuízos saídos do empirismo, a fenomenologia pode, com toda razão, reivindicar o estatuto de positivismo:
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REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Contribuições da fenomenologia para os estudos organizacionais.

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Contribuições da fenomenologia para os estudos organizacionais.

Na virada do século XIX para o século XX, Husserl (1999a, 1999b) publicou a obra Logische untersuchungen (Investigações lógicas), trazendo novos significados para uma antiga palavra, com impactos para a filosofia e para a ciência. Nesse trabalho, Husserl (1999a, 1999b) causou grande polêmica ao atacar o psicologismo na lógica, abordagem centrada no emocional humano, minimizando sua consciência racional, ao propor uma reorientação do pensamento puro. A intenção foi estabelecer uma base epistemológica para a filosofia, que a convertesse numa ciência do rigor. Para isso, criou o chamado método fenomenológico. Assim, disse que a consciência é a condição sine qua non de qualquer conhecimento e que é intencional (toda consciência é consciência de algo).
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Fenomenologia e Psicologia Experimental no Início do Século XX.

Fenomenologia e Psicologia Experimental no Início do Século XX.

As diferenças entre as fenomenologias de Husserl e Stumpf são marcantes, porém alguns pontos compartilham solo comum ou pelo menos conexões. Ambos buscavam iniciar por uma descrição sem vieses da experiência imediata do fenômeno. Ambos procuravam mais do que meras generalizações empíricas e queriam estudar as estruturas essenciais no e entre os fenômenos. Os dois reconheciam o processo das estruturas lógicas como separado de meros atos psicológicos (psicologismos). Para Husserl (1913/2006), contudo, o uso do termo fenomenologia por Stumpf tinha um signiicado completamente diferente do seu. Segundo o ilósofo, a fenomenologia de Stumpf era mais limitada em escopo, pois excluía as funções e atos (constructos) do campo fenomenológico de investigação, parte essencial nos escritos de Husserl na fase das Investigações Lógicas (1901/2001). As versões também se distanciam quando Stumpf se restringe a análise do material bruto da experiência sensorial (Hylé – dado sensível) e não abarcava a propriedade noética da
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Reespecificação da fenomenologia de Husserl como investigações mundanamente situadas.

Reespecificação da fenomenologia de Husserl como investigações mundanamente situadas.

A fenomenologia de Husserl nos demanda olhar por trás de nossa absorção in- gênua no mundo para examinar a natureza e o papel exercido pelo pensamento que organizou, e mantém organizada, a inteligibilidade desse mundo. Husserl sugere, “o geômetra, por exemplo, não pensará em explorar, além das formas geométricas, o pen- samento geométrico” (1969b, p. 36), e ele insiste em tematizar esse pensamento ao escrutinar as operações da subjetividade ali constituidora de sentido em seus mais fi- nos detalhes. De acordo com a concepção husserliana da ciência, sem esse autoenten- dimento radical não pode haver ciência. E esse autoentendimento necessariamente exige um encontro claro, “purificado” (daquilo que contamina a imanência), com a “evidência original” (1969b, p. 154), ou, tal como afirma em As conferências de Paris, “é o espírito da ciência não contar nada como realmente científico que não pode ser com- pletamente justificado pela evidência. Em outras palavras, a ciência pede provas por referência às próprias coisas e fatos, tal como eles são dados na experiência e intuição atuais” (1970c, p. 6). Deve-se notar que a ênfase na objetividade é aqui tão grande quanto a ênfase na subjetividade; de fato, o interesse primário de Husserl é no objeto. Mas o objeto é sempre um objeto entendido subjetivamente, e qualquer ciência que nega, a priori, a subjetividade que ali de fato atua está só caricaturalmente sendo objetiva. Não há objetividades objetivas, apenas objetividades subjetivas, o que Husserl descreveu já nas Investigações lógicas como “a completa automanifestação do objeto” (1970c, p. 765). 2 A esfera a priori da razão pura não nos levará até a verdade, que requer a evidência [Evidenz] do mundo. “Toda cognição racional conceitual e predicativa remete à evidên- cia. Propriamente entendida, somente a evidência originária é a fonte de legitimação” (Husserl, 1982, p. 339).
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As colorações da alma na análise da pessoa humana segundo Edith Stein

As colorações da alma na análise da pessoa humana segundo Edith Stein

1937), entre outros, haviam sido, originalmente, discípulos de Theodor Lipps (1851-1914) em Munique. Por ocasião do surgimento de Investigações Lógicas, insistiram que Lipps comentasse a obra em um seminário. Assim que Husserl foi chamado a Gotinga, em 1905, reuniram-se em torno dele para que o mestre em pessoa os iniciasse nos mistérios da nova ciência. Foi o advento da Escola de Gotinga. Do grupo, Reinach foi o primeiro a ser professor naquela universidade, como mão direita de Husserl, encarregado principalmente do relacionamento entre ele e os alunos, pois aquele possuía um verdadeiro dom em lidar com as pessoas. Contava, naquela época, trinta e três anos. Pertenceram também à Escola outros alunos de Husserl como a própria Edith Stein e Hedwig Conrad- Martius (1881-1966), que se casou com Hans Theodor Conrad e foi uma grande amiga e colaboradora de Edith Stein. Outros filósofos também participaram do grupo, tais como Dietrich von Hildebrand (1889-1977), Alexandre Koyré (1892- 1964), Johannes Hering (1890-1966), Erika Goethe (1887-1966), Winthrop Pickard Bell (1884-1965) e Martin Heidegger (1889-1876). Além disso, o grupo intercambiava ideias com outros professores adeptos à fenomenologia, tais como Theodor Lipps e Max Scheler (1874-1928), que naquela época ensinavam na Universidade de Munique. Segundo Edith Stein: “a ‘Sociedade filosófica’ os convidava todo semestre durante algumas semanas para dar conferências em Gotinga. Eles não podiam falar na universidade, tampouco podíamos anunciar suas conferências no quadro de avisos, apenas comunicá-las oralmente. Tínhamos de nos r eunir em algum hotel ou café.” (Idem, ibidem, p. 209 [Parte VII, §1] ).
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Contribuições da fenomenologia para os estudos organizacionais.

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Uso e Gestão de Luvas nas Unidades de Saúde – Normas de Orientação Clínica

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Existe evidência de que é proibido o reprocessamento de luvas de uso único Existe evidência de que para proporcionar proteção adequada dos profissionais de saúde e dos utentes, de acor[r]

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Na trilha da fenomenologia: um caminho para a pesquisa em enfermagem.

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inquietações e pré-relexões iniciais advindas da sua experiência vivida como enfermeira docente-assis- tencial entre os quais na área de amamentação, pro- curou aproximar-se da compreensão do signiicado da privação do ato de amamentar para o ser-mu- lher/mãe HIV positivo. Para tal empreendimento, procurou-se iluminação teórica na fenomenologia, mais especiicamente na teoria fenomenológica da expressão de Maurice Merleau-Ponty, e suporte metodológico na fenomenologia hermenêutica de Max van Manen. A segunda, também motivada por sua experiência com crianças que vivenciam o câncer, e desejando dar voz às crianças para que as mesmas expressassem seu olhar acerca do que signiica ter esta doença, procurou respaldo focando a percepção na teoria fenomenológica de Maurice Merleau-Ponty.
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Cuba e União Soviética em Angola: 1977 — Outubro Revista

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Quanto aos soviéticos, os documentos confirmam uma atitude muito diferente da dos cubanos. Mas o Informe de Raúl Castro de abril-junho de 1976 mostra como a lide[r]

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A transição socialista e a democracia — Outubro Revista

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96 - outubro Se isso tudo é justo, então, o socialismo pode ser definido como um período de transição no qual persistem as relações de produção capitalistas e um Estado separado das mass[r]

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A financeirização do capital e a crise — Outubro Revista

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As razões para isso são complexas e têm que ver com (1) o amadu- recimento das economias, quando não é mais necessário que a estrutura industrial básica seja construída a part[r]

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A teoria da intencionalidade nas obras de Husserl e de Gurwitsch: entre fenomenologia transcendental e psicologia da Gestalt

A teoria da intencionalidade nas obras de Husserl e de Gurwitsch: entre fenomenologia transcendental e psicologia da Gestalt

A concepção fenomenológica do tempo permite, pelo contrário, denunciar a confusão entre o objeto e as partes intrínsecas da vivência e avança, com isso, uma concepção que atesta a transcendência do objeto mesmo a partir da imanência. O tempo imanente da consciência se revela, de fato, como a síntese universal da consciência, aquilo que garante a sua unidade de nível mais alto, na sucessão e na simultaneidade. Com base nesta síntese universal, torna-se possível à consciência pura apresentar-se como uma unidade concreta. Com isso, as multiplicidades de aparências sensíveis ganham, igualmente, coesão no sentido de apontarem uma unidade do objeto intencional. A conciência revela possuir uma estrutura “dual”: por um lado, a temporalidade que é o princípio de organização da tessitura das vivências imanentes e, por outro, a direcionalidade para um objeto transcendente que se apresenta como tal para a consciência. Com essa referência para além de si mesmas, as vivências e, por extensão, toda a vida consciente demonstram estar, desde o princípio, em contato com uma alteridade que é irredutível à imanência. Através do tempo fenomenológico, há um objeto que é apontado e que permanece idêntico. Por exemplo, se estou, agora, consciente de meu computador por um ato de percepção, fecho os meus olhos e, então, abro os olhos e o vejo novamente, o próprio tempo se alterou, a vivência atual fluiu para o passado e foi substituída por uma nova vivência, porém o objeto vivenciado permaneceu o mesmo. Todo o conteúdo daquela vivência passada foi substituído por um novo conteúdo, distinto em sua matéria, e, ainda assim, o objeto visado é o mesmo. Com isto, é possível distinguir-se entre o tempo imanente das vivências, que transcorre com o conteúdo particular e irrepetível de cada vivência singular, e o objeto transcendente, que é visado por cada vivência singular e, ainda assim, tem a possibilidade de ser visado como “o mesmo”. O conteúdo particular de cada vivência é composto, do ponto de vista da teoria de Husserl, por matéria e forma. Este conteúdo flui junto com o tempo imanente. Nós nos voltaremos, agora, ao estudo deste conteúdo. Depois, tomaremos por tema o problema da identidade do objeto.
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A fenomenologia como método de investigação nas filosofias da existência e na psicologia.

A fenomenologia como método de investigação nas filosofias da existência e na psicologia.

Com a fenomenologia, Husserl pretende superar as epistemologias realistas e idealistas, e é nessa superação que se encontra a gênese do projeto fenomenológico, também presente em Heidegger, Sartre e Merleau-Ponty. Essa tentativa se faz presente também nas chamadas perspectivas fenomenológico-existenciais em psicologia, quando pretendem investigar as temáticas existenciais ou as vivências, tais como consciência, tédio, medo, dentre outras, não como substâncias que sustentam as determinações em si mesmas, nem como determinações de uma interioridade psíquica, mas como atos que se constituem na cooriginariedade homem-mundo. E, é da perspectiva do ato que mostraremos como Heidegger, Sartre e Merleau-Ponty investigam o fenômeno da consciência – operando, na verdade, sua desconstrução – , mostrando idelidade ao caminho proposto e seguido por Husserl na sua fenomenologia. Esse caminho pode ser acompanhado nos desdobramentos das investigações de Husserl (1901/2007) sobre a consciência, onde podemos apreender três momentos fundamentais: a redução fenomenológica, a descrição dos vetores internos ao fenômeno e a explicitação das experiências, como apresentados anteriormente.
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O Problema da Autoconstituição do Eu Transcendental na Fenomenologia de Husserl: de Ideias I a Meditações Cartesianas.

O Problema da Autoconstituição do Eu Transcendental na Fenomenologia de Husserl: de Ideias I a Meditações Cartesianas.

através do “núcleo noemático” (noematischer Kern) e dos “caracteres do noema” (noematische Charaktere) – o sentido objetivo do que é intencionado, bem como as diferentes modalidades de aparecimento do que é visado. O outro polo dessa relação intencional (o “eu penso” absolutamente idêntico, fonte originária constituidora dos objetos) consiste, como mostra o § 57 da mesma obra, em uma transcendência na imanência “não constituída”. É preciso frisar que tal abordagem ainda se mantém restrita, nos termos de Husserl, à “corrente do cogito” (das strömende cogito), isto é, a uma “polaridade horizontal”: o eu- polo (Ichpol) em sua relação com o objeto como contrapolo (Gegenpol). Daí o próprio Husserl enfatizar, no mesmo § 31 da Quarta Meditação de Meditações Cartesianas: “Ocupamo-nos até o momento unicamente da relação intencional entre a consciência e o seu objeto, entre o cogito e o cogitatum, e apenas pudemos isolar a síntese [...] onde os objetos aparecem como ‘polos’, como unidades sintéticas.” (HUSSERL, [1929] 1973, p. 100).
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