Top PDF A saúde entre o Estado e a sociedade.

A saúde entre o Estado e a sociedade.

A saúde entre o Estado e a sociedade.

Àquela altura, tínhamos a Fundação Oswaldo Cruz inteiramente articulada no processo do Ministério. Não era mais uma estrutura apática, que você conversa às vezes. A Fundação Oswaldo Cruz participava de todos os comitês, pela função de pesquisa, pela função de capacitação de recursos humanos. Era partícipe ativa da política do ministério, estava envolvida em todas as nossas ações, com seus melhores profissionais. Quando chegou a hora, optamos: “Vamos fechar o LCCDMA. É uma decisão política.” Logicamente, nasceu aí um conflito, meu principalmente, com a Secretaria de Vigilância, que não aceitava. Mas nós reafirmamos que ele seria fechado, porque sua atividade era desnecessária e enganosa para a sociedade. Não tinha técnica, equipamentos, materiais e nem poder político. Estava isolado, sem poder oferecer tudo aquilo que uma instituição como a Fundação Oswaldo Cruz proporcionaria, ou seja, um ambiente de especulação, típico de uma instituição de pesquisa e preparação de recursos humanos. Muito diferente da prática de perseguir empresas, geralmente para... ganhar o bônus, que era o que fazia o LCCDMA.
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Gramsci, Estado e sociedade civil: anjos, demônios ou lutas de classes? — Outubro Revista

Gramsci, Estado e sociedade civil: anjos, demônios ou lutas de classes? — Outubro Revista

“Classes, aparelhos privados da sociedade civil, grupos de interesse, movimentos sociais, todos são vistos como instituições que “interagem” para a obtenção de determinados fins e flutuam mais ou menos no mesmo nível de poder. O próprio Estado é tomado como mais uma instituição, entre tantas outras, o que simplesmente esvazia a dominação como questão (...). E quando, ocasionalmente, reconhece- se que existem assimetrias, o esvaziamento dos conflitos estruturais a priori já preparou o terreno para a evocação do “empoderamento dos pobres”. Como virtualmente não existem relações de dominação, qualquer um pode se empoderar — i.e., ter capacidade para — sem sofrer a obstrução de outrem. O poder deixa de ser visto como uma relação social necessariamente entranhada numa determinada estrutura social. As iniciativas orientadas por esse referencial vão desde projetos de “desenvolvimento local” no meio rural até a criação de conselhos público-privados para a “gestão” de cidades. Em todos os casos, o discurso é sempre o mesmo: não há ganhadores e perdedores, somente ganhadores” (P EREIRA , 2010, p. 383).
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OS CONTROLES INTERNOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROCESSO DE GESTÃO E PARA A GOVERNANÇA INSTITUCIONAL

OS CONTROLES INTERNOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROCESSO DE GESTÃO E PARA A GOVERNANÇA INSTITUCIONAL

Dessa forma, os controles internos, especialmente considerando a UFJF — objeto de nosso estudo —, possuem relevância no processo de gestão, pois a autonomia de uma Autarquia Federal deve estar acompanhada de maior monitoramento dos investimentos realizados com o erário como uma forma de garantir o controle social sobre os gastos públicos. Citamos a atuação da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão de controle interno do Governo Federal, atuante na Administração Pública do Poder Executivo, cujos procedimentos se alinham à unidade de Auditoria Interna da UFJF no sentido de proporcionar eficiência e eficácia às ações de controle. O meandro político alcança o educacional na medida em que a educação, nos últimos anos, e por força do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014/2024, instituído pela Lei Federal nº 13.005/14, possui metas e objetivos de desempenho, investimento e qualidade do ensino a serem cumpridos. Nesse contexto de planejamento público, não há que se falar em objetivos educacionais como políticas de Estado sem possuir um sistema de controle interno eficaz e eficiente que garanta a aplicabilidade correta dos recursos públicos. O controle e o monitoramento dos atos inerentes à gestão pública visam ao alinhamento da atuação efetiva dos administradores à prestação eficaz dos serviços de ensino à sociedade.
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O PROCESSO SAÚDE-DOENÇA DOSAS TRABALHADORESAS DA SERICICULTURA NO PARANÁ

O PROCESSO SAÚDE-DOENÇA DOSAS TRABALHADORESAS DA SERICICULTURA NO PARANÁ

Da elaboração teórica de Marx aos nossos dias, o capitalismo tem atravessado crises e tem construído novos cenários para a sua manutenção enquanto modo de produção econômico, social, político, cultural. Novos setores produtivos baseados nas novas tecnologias da informação, da comunicação, da robótica, da automação, da microeletrônica, da biotecnologia trouxeram mudanças profundas. Assim, mudanças no mundo do trabalho alteraram e tornaram complexa a sociedade capitalista. Se, por um lado, essas mudanças trouxeram avanços para a humanidade, de outro, a apropriação social desses se faz de forma desigual entre as classes sociais. Segundo Albuquerque (2014), essa apropriação desigual da produção social incide e determina o modo de vida dos grupos humanos e, por consequência, seus perfis de morbimortalidade e padrões de saúde.
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ENTRE O BEM E O MAL: REPRESENTAÇÕES DO MST SOBRE OS PRESIDENTES FHC E LULA (1995-2010)

ENTRE O BEM E O MAL: REPRESENTAÇÕES DO MST SOBRE OS PRESIDENTES FHC E LULA (1995-2010)

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao longo dos seus 30 anos, constituiu sólida organização em prol da reforma agrária, com atuação em diversas frentes de luta, tais como: organização de acampamentos e assentamentos, criação de cooperativas, escolas, articulações com outros movimentos sociais. O MST é um Movimento em movimento, em construção, e analisá-lo significa olhar o seu devir, suas contradições, e sua contribuição histórica para os trabalhadores rurais no Brasil. Em suas três décadas de existência, tornou-se objeto de pesquisa nos mais variados campos do saber, o que evidencia sua riqueza e amplitude de ações face à sociedade. Nessa perspectiva, a tese objetiva analisar as representações do MST sobre os presidentes FHC e Lula, publicadas no Jornal Sem Terra, entre os anos de 1995 e 2010. Nelas são destacados momentos de tensão resultantes da relação do MST com esses presidentes e seus respectivos governos. Para escrita do trabalho, além de referências bibliográficas, utilizou-se como fonte principal o Jornal Sem Terra, em especial, seus editoriais. Outras fontes também foram analisadas como entrevistas com os editores do jornal e materiais produzidos pela organização do MST. Por ser a fonte principal da pesquisa, o Jornal Sem Terra também foi objeto de reflexão. Discutiu-se que o periódico se configurou como um importante instrumento político de luta, utilizado pela Direção Nacional do MST para construir representações sobre as diversas relações que envolviam sua organização e seus integrantes. Historicamente, os presidentes brasileiros foram alvos das representações do Movimento por meio do Jornal Sem Terra; essas representações carregam uma carga ideológica sobre a leitura e as visões de mundo face aos presidentes. Embora a ênfase da análise esteja relacionada aos presidentes FHC e Lula, na tese reflete-se também o modo de elaboração de representações sobre os presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello e Itamar Franco, destacando-se que havia uma perspectiva continuísta nos discursos do jornal. Avaliou-se que o MST, em sua trajetória histórica, elaborou representações sobre FHC e Lula a partir de uma visão maniqueísta, em que os presidentes foram personificados como a tradução do bem e do mal. Nesse processo de construção de representações, houve dificuldade de o Movimento compreender o Estado e as complexas e dinâmicas relações que envolviam os governos no jogo político brasileiro. A personificação dos presidentes FHC e Lula nas representações do MST sinalizam para uma visão romântica e idealizada da política, não se considerando avanços, recuos e limites das ações dos referidos presidentes e das de seus governos.
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O PODER DO CARIMBO: UMA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO, DO PERFIL E DAS RELAÇÕES QUE ENVOLVEM A INSPEÇAO ESCOLAR NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

O PODER DO CARIMBO: UMA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO, DO PERFIL E DAS RELAÇÕES QUE ENVOLVEM A INSPEÇAO ESCOLAR NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Ao mesmo tempo em que a própria legislação universaliza e garante a qualidade da educação, estas garantias do direito e do acesso à educação não garantem, de fato, a permanência desses alunos com sucesso e qualidade. Neste sentido, entende-se que o professor inspetor escolar deve atender a uma sociedade que requer cada vez mais educadores participativos e democráticos. Além disso, os novos paradigmas da educação nacional encaminham uma questão de ordem prática: são desafios que colocam o Inspetor Escolar para a observância da legislação educacional junto às escolas, pelo seu papel de legítimo representante da administração do Sistema Educacional. Fazendo-se uma leitura mais atenta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e de alguns de seus artigos, esta remete a algumas competências que o Inspetor Escolar pode exercer, em ação solidária com as escolas, seus diretores e demais profissionais da comunidade escolar e em interação com setores da Secretaria de Educação. Tais ações podem ser mais voltadas para a orientação e o acompanhamento das práticas educacionais e dos registros, com uma abordagem mais orientadora e colaborativa, feita por meio das visitas regulares que abandonem o caráter de visitas de fiscalização e se consolidem como visitas de orientação e acompanhamento. O Inspetor Escolar deve ainda assegurar o funcionamento regular da escola, interpretando e aplicando as normas do ensino, orientando a escola na aplicação das normas. Enfim, diante de uma sociedade que tem se modificado, com inovações que acontecem todos os dias, constata-se a necessidade de uma nova educação, um novo sistema de pensar a escola, suas práticas e seus profissionais e de se definir a função dos Inspetores Escolares. Com a mudança das práticas, as mudanças na legislação serão inevitáveis, acarretando assim a transformação da identidade profissional do professor inspetor escolar no estado do Rio de Janeiro e aproximando-o ainda mais dos espaços escolares em que atua.
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ROSANA MARIA CHRISTOFOLO DA SILVA A AÇÃO GESTORA E A RESPONSABILIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA DO ESTADO DO MATO GROSSO

ROSANA MARIA CHRISTOFOLO DA SILVA A AÇÃO GESTORA E A RESPONSABILIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA ESCOLA DO ESTADO DO MATO GROSSO

Compreendemos que os conselhos se inseriram na agenda política e na educação pública brasileira a partir dos anos 1970 e 1980, adaptando-se, desde então, até termos o modelo de participação vigente, no qual prevalece a visão do conselho como ―[...] uma das formas de participação visando a mudanças na gestão pública e na elaboração de políticas, tendo em vista sua democratização e transparência‖ (TEIXEIRA, 1995, p.8). Nessa concepção, a participação da comunidade, por meio do CDCE, passou, no decorrer dos anos, de uma atitude antagônica e de legitimidade do Estado na gestão da educação pública para uma postura mais propositiva, entendendo atualmente o conselho como espaço de conquistas que permite, ao possibilitar uma maior interação social, ampliar sua legitimidade. Segundo Carvalho (1998), a participação anteriormente realizada como confronto dá lugar à participação como negociação e a reivindicação de participação popular, protagonizada pelos movimentos sociais, passa à reivindicação da participação na gestão da sociedade.
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Qualificação, sociedade civil e desindentidade de classe: os desafios para o sindicalismo — Outubro Revista

Qualificação, sociedade civil e desindentidade de classe: os desafios para o sindicalismo — Outubro Revista

reprodução ampliada do paradigma da acumulação flexível. Ao afirmar esta proposição, estamos partindo do suposto de que as intervenções nessa área, por parte do Estado, têm buscado a participação dos trabalhadores como forma de legitimar as suas atuais necessidades de construção do processo de hegemonia. Sob a justificativa de que a qualificação atende a ambos os interesses, o que nos parece estar em questão é o fato das necessidades do capital estarem se transformando nas novas necessidades do trabalho. Mais ainda: através desse processo, partilhado com os trabalhadores, deslocam-se as dificuldades do ca- pital para o campo do trabalho, provocando inflexões nas práticas políticas dos trabalhadores, mediante a fratura na “identidade de classe, fundada em uma série de tradições combativas, recompondo-a sob novos patamares, centrados no conformismo e no individualismo exacerbado.” 23 Assim, o que inicialmente
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Resumen La interdependencia entre estado y MST en la constitución de un asentamiento de reforma agraria

Resumen La interdependencia entre estado y MST en la constitución de un asentamiento de reforma agraria

Ao conceber uma conclusão, embora não se constituindo algo conclusivo (finalizado) a este respeito, pode-se perceber que a centralidade deste entendimento, está calcada em determinantes nas quais demonstram diversas formas de desenvolvimento social, pois segundo Elias (1994) as relações na formação da sociedade não são homogêneas, em razão da vinculação que estas mantém de interdependência, no tocante as complexidades sociais instadas entre os agentes, que não se mantém circunscritas a formulas ou "modelos" pré-determinados. Essas relações que determinam uma dinâmica configuracional na constituição desse Assentamento e opções de vida dos assentados ocorreram em um entrelaçamento social entre o MST por meio de suas cooperativas, assentados, técnicos, dirigentes e demais espaços e agentes; pelo Estado em suas esferas governamentais a partir de suas instituições (Banco do Brasil, INCRA, EMBRAPA e EMATER); e pelo conjunto de aspectos conjunturais locais como ação de empresas do agronegócio, granjas, grandes produtores e governo municipal que foram evidenciadas e discutidas nesse estudo.
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[Resenha de:] GOLDMAN, Wendy. Mulher, estado e revolução. São Paulo: Boitempo; Iskra, 2014. — Outubro Revista

[Resenha de:] GOLDMAN, Wendy. Mulher, estado e revolução. São Paulo: Boitempo; Iskra, 2014. — Outubro Revista

Goldman enxerga na Revolução um momento chave da superação do anti- feminismo nas classes e organizações proletárias. Isso por que esta representou um avanço da agenda feminista para a época, talvez o mais importante da modernidade dada sua radicalidade e alcance, envolvendo a vida popular em mudanças profundas na estrutura, valores e hábitos sociais. A aprovação do direito ao divórcio, o fim do princípio da ilegitimidade para reconhecimento dos filhos e da pensão alimentícia, a legalização do aborto, o pressuposto do papel do Estado na criação e educação infantil, na garantia de lavanderias e restaurantes públicos e populares foram algumas das medidas características deste período. Elas evidenciavam os aspectos contraditórios de uma sociedade fortemente rural e patriarcal e, ao mesmo tempo, um processo que teimava em empurrar drasticamente a esta sociedade para frente.
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Depois de Ayotzinapa: as esquerdas mexicanas entre a subalternidade e o antagonismo — Outubro Revista

Depois de Ayotzinapa: as esquerdas mexicanas entre a subalternidade e o antagonismo — Outubro Revista

Mas o Estado, no México, deixou faz décadas de ser concebido em chave ampliada, de apoiar-se principalmente na busca do consenso, na conquista hegemônica das trincheiras da sociedade. Ao mesmo tempo, não se pode negar que, em torno dos interesses das classes dominantes e, portanto, com vistas aa manter a estabilidade da ordem política, continuam realizando-se uma série de operações hegemônicas, principalmente de propaganda e manipulação, em uma ampliação instrumental e não orgânica, midiatizada, midiaticamente amplificada, da capacidade de persuasão. Dispositivos e práticas que de hegemonia negativa, que não comporta uma adesão ativa, positiva, que não gera consenso real e sim conformismo, salvo as franjas ativas na defesa doa modelo neoliberal e de seu desperdício consumista, em particular a intelectualidade orgânica que vertebra as estratégias de comunicação. As eleições são o momento institucional por excelência dessas praticas de legitimação passiva e delegativa da ordem política. Elas tem sido historicamente passagens arriscadas e perigosas nas quais excepcionalmente podem irromper movimentos e projetos progressistas (1988 e 2006) e geralmente demonstram, particularmente as eleições intermediárias, a capacidade de controle social e política, da capacidade estatal e reprodução do status quo.
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A revolução a favor de ‘O Capital’: sobre desenvolvimento desigual em Marx — Outubro Revista

A revolução a favor de ‘O Capital’: sobre desenvolvimento desigual em Marx — Outubro Revista

reconstituição (post festum) das condições para um determinado resultado histórico, de modo a revelar seu processo necessário de gênese e as legalidades gerais que concorreram nesse devir. A interação contraditória entre forças produtivas e relações de produção, a que Marx concede tanta importância no tocante à passagem de um modo de produção a outro, apresenta-se na lacuna entre o que a vida é e o que ela poderia ser com determinado nível de desenvolvimento social. A contradição entre forças produtivas e relações de produção, em sociedades nas quais as relações de produção edificam-se em uma determinada fratura de classes, tem de transparecer nas disputas entre os grupos que se inserem de modo diverso na produção social, isto é, entre as classes sociais. A possibilidade de uma nova sociedade surge da tomada de consciência pela classe dominada de tal hiato entre possibilidades e realidades, isto é, a partir da contradição entre forças produtivas e relações de produção.
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ABNER NUNES EMERICH DE PAULA O INDICADOR DE DESENVOLVIMENTO DAS ESCOLAS ESTADUAIS E A CORREÇÃO PELO FATOR SOCIOECONÔMICO: A EXPERIÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO

ABNER NUNES EMERICH DE PAULA O INDICADOR DE DESENVOLVIMENTO DAS ESCOLAS ESTADUAIS E A CORREÇÃO PELO FATOR SOCIOECONÔMICO: A EXPERIÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO

A presente dissertação é desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação (PPGP), do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF). O caso de gestão estudado irá discutir a experiência da correção por indicadores externos à escola, em especial pelo nível socioeconômico dos estudantes, na configuração do indicador de qualidade das escolas estaduais do Espírito Santo, utilizado pela SEDU em função de uma política de bonificação por desempenho. Para tanto, definimos como objetivos para este estudo: descrever os indicadores de desempenho das escolas; identificar uma possível correlação entre desempenho escolar e nível socioeconômico; e propor alterações que permitam maior equidade no desenho do indicador. Assumimos como hipótese que a correção pelos fatores externos à escola, apesar de influenciar positivamente os indicadores de qualidade das escolas de baixo nível socioeconômico, pode não ser o suficiente para permitir a comparabilidade entre as escolas de semelhante nível socioeconômico, já que, nas escolas da Grande Vitória, o efeito dos fatores externos parece ser maior que no interior do estado. Realizamos a discussão a partir de referenciais teóricos em dois eixos de análise: a correlação entre nível socioeconômico e desempenho do estudante (BROOKE, 2013, SOARES, 2004; SOARES e ANDRADE, 2006; SOARES E ALVES, 2013) e as políticas de responsabilização com base em avaliações (BONAMINO E SOUZA, 2012; PASSONE, 2014; BROOKE, 2006; 2011; 2013; FERREIRA, 2014; E TAVARES E PONCZEK, 2013). Por meio de pesquisa bibliográfica dos resultados de desempenho, nível socioeconômico e indicador de qualidade das escolas estaduais, identificamos uma forte correlação entre o nível socioeconômico do estudante e o desempenho acadêmico apenas na Grande Vitória. No interior do estado, a correlação encontrada não parece ser forte. Além disso, nas escolas da Grande Vitória, há uma forte correlação inversa entre os fatores externos e aqueles indicadores de qualidade utilizados pela Secretaria de Estado da Educação, a despeito da relevância dessa correção na melhoria dos indicadores. A partir de entrevistas semiestruturadas com o Subsecretário de Administração e Finanças e um diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Espírito Santo, identificamos possibilidades para explicar as correlações encontradas. Diante dos achados da pesquisa, sugerimos a alteração do indicador, com o acréscimo de uma variável para o cálculo e a definição de escolas prioritárias, nas periferias da Grande Vitória.
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Velhas ideologias para a “nova esquerda”. Tarso Genro e o revisionismo contemporâneo — Outubro Revista

Velhas ideologias para a “nova esquerda”. Tarso Genro e o revisionismo contemporâneo — Outubro Revista

Contudo, qual seria, em última instância, o fundamento histórico- concreto invocado por Tarso para alicerçar o abandono do projeto revolu- cionário e, de brinde, do reformismo social-democrata? Aquilo que sem- pre é afirmado e nunca demonstrado, ou seja, a subversão das leis da valorização, traduz a força transformadora do incremento das forças pro- dutivas. Segundo o intelectual petista, o marxismo “tradicional” nunca teria se questionado sobre a seguinte hipótese: “E se a revolução das for- ças produtivas (ciência, técnica, instrumentos de trabalho) prejudicasse a possibilidade de mudar as relações de produção? E se as forças produti- vas criassem condições de produtividade para eliminar toda a carência e, ao mesmo tempo, não impulsionassem a mudança do Estado, das rela- ções jurídicas, de poder e distribuição? (...) Marx pensou em termos de ‘a cada um, segundo o seu trabalho’, a partir da tendência do capitalismo moderno a proletarizar e assalariar, o que seria conseqüência da nova organização industrial. Tal tendência se desenvolveu efetivamente até a década de 60, quando se reverteu pelas formidáveis transformações da robótica, da telemática, da informática, que tendem a ocupar cada vez menos trabalhadores nos setores que agregam valor, ou sejam, nos seto- res efetivamente produtivos”. 20
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LABORATÓRIO DE APRENDIZAGEM: A REDUÇÃO DE DESIGUALDADES EDUCACIONAIS E O PAPEL DO GESTOR – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

LABORATÓRIO DE APRENDIZAGEM: A REDUÇÃO DE DESIGUALDADES EDUCACIONAIS E O PAPEL DO GESTOR – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Observamos que, nesta direção, outros projetos também surgiram não por modismo, mas pela intenção dos profissionais de educação buscarem soluções para o ensino, como a já citada Escola Cidadã (Porto Alegre-RS), Sem Fronteiras (Blumenau-SC), Candanga (Brasília-DF), Cabana (Belém-PA), Democrática (Betim- MG), todas à procura de uma escola que pudesse atender à sociedade em suas demandas. A Escola Plural propunha a alteração radical na organização do trabalho escolar, através da instituição de novas concepções de tempo e espaço escolares de ensino, a eliminação dos mecanismos de exclusão escolar e a introdução de uma nova relação educacional em que todos participassem dos processos de avaliação e atribuíssem novos sentidos e significados para o conteúdo escolar e os processos de escolarização (DALBEN, 2000).
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A CUT hoje e os dilemas da adesão à ordem — Outubro Revista

A CUT hoje e os dilemas da adesão à ordem — Outubro Revista

os empresários capitalistas. No 6 2 Congresso da CLJT, de 1997, a tradição das teses por tendência foi substituída por um caderno com uma tese única da Direção Nacional. Apresentou-se[r]

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A crise de 2005 e a social-liberalização do PT — Outubro Revista

A crise de 2005 e a social-liberalização do PT — Outubro Revista

com o início de uma grande crise internacional da esquerda, representou um ponto de inflexão na trajetória do PT Até o fim de 2001, o PT continuou a ser um partido socialista mas a ele[r]

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Uma leitura sobre Lenin, Clausewitz, a revolução e a guerra — Outubro Revista

Uma leitura sobre Lenin, Clausewitz, a revolução e a guerra — Outubro Revista

Por outras palavras, a política, em sua forma mais elevada, quando não alcançar sua forma abstrata, extremada, pode ser a revolução - sem estar aí todo o processo revolucionário, que t[r]

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A Grande Recessão e a teoria da crise de Marx — Outubro Revista

A Grande Recessão e a teoria da crise de Marx — Outubro Revista

crescimento precisa de alguma forma colocar os recursos adicionais (poupança) em uso, e não consumi-los ou entesourá-los, um sistema financeiro é uma instituição especificamente capitalista; e o tipo de risco que Bernanke tem em mente – tomadores assumindo riscos com os recursos dos credores – seja também uma instituição especificamente capitalista. Ela existe apenas devido ao fato de que tomadores e credores aparecem como entidades separadas e opostas; isto não existiria numa sociedade comunista. De fato, a própria noção de crédito não faria muito sentido numa sociedade deste tipo. Da mesma forma que uma família não pode obter crédito dela mesma, pagar a si mesma, ou falhar em pagar uma dívida a si mesma – a família simplesmente decide usar os recursos ou poupá-los – o mesmo ocorreria numa sociedade comunista. É claro que qualquer decisão de utilizar os recursos ou poupá-los traz em si todo um conjunto de riscos, mas é difícil imaginar como uma decisão deste tipo poderia causar um declínio econômico prolongado. Os riscos associados com o sistema de crédito são diferentes porque as perdas não estão limitadas aos recursos que venham a ser desperdiçados. Elas são multiplicadas inúmeras vezes por meio da alavancagem.
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