Top PDF A saúde no sistema de seguridade social brasileiro

A saúde no sistema de seguridade social brasileiro

A saúde no sistema de seguridade social brasileiro

Em 1994, uma outra resistência centralizadora, refratária aos pressupostos do SUS, foi a retenção no Ministério da Saúde das atividades regulatórias, de controle e auditoria dos recursos da área e da compra de serviços privados. Isso criou uma situação em que os Estados e Municípios novamente passaram a ser tratados como simples prestadores de serviços nas suas respectivas esferas de governo (Viana, 1997, p. 272). “Ainda no nível central”, ressalta Viana, “um outro bloco de interesses, até mais poderoso do que o do Ministério da Saúde, ‘jogava’ contra a descentralização. Era o bloco da área econômica, formado por técnicos e dirigentes do Ministério da Fazenda”, que efetuava expressivos cortes nos recursos federais destinados à saúde. Para se ter uma idéia da magnitude desses cortes, basta mencionar que, de 1987 a 1992, houve uma queda de 40% em termos reais dos gastos federais na área; e que, de 1988 a 1993, ocorreu uma diminuição de US$ 80 para US$ 40, no gasto federal per capita, sem compensação pela elevação dos gastos estaduais e municipais. Isso, como não poderia deixar de ser, atingiu a espinha dorsal do Sistema que era o reforço federal à implementação de suas novas funções.
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O DIREITO CONSTITUCIONAL À SAÚDE E O SISTEMA DE SAÚDE COMPLEMENTAR

O DIREITO CONSTITUCIONAL À SAÚDE E O SISTEMA DE SAÚDE COMPLEMENTAR

Trata-se o presente estudo de uma análise do direito constitucional à saúde e seus impactos no Sistema de Saúde Complementar previstos pela Constituição Federal de 1988. A partir de um estudo do panorama histórico dos direitos fundamentais e da evolução aos direitos sociais como ações positivas do Estado, podemos verificar a importância dada a esses direitos ao longo dos séculos. Partindo deste cenário de evolução dos direitos em nível mundial, faz-se relevante a análise histórica e evoluti- va do direito constitucional à saúde dentro do ordenamento constitucional pátrio, que mostra a passagem de uma lacuna normativo-constitucional expressa de proteção ao direito à saúde até a proteção integral e universal desse direito, tal como estabe- lecido nos artigos 6º e 196 da Constituição Federal de 1988. Um estudo sobre o Sis- tema da Seguridade Social e dos princípios constitucionais a ele inerentes serve como base para a estruturação do Sistema de Saúde Complementar inovado pela Constituição Federal de 1988. A proteção internacional do direito constitucional à saúde foi analisada por meio de estudo do Direito Comparado, com base nas Consti- tuições dos Estados americanos e europeus e no Direito Internacional Público, bem como de doutrinas internacionais específicas sobre o tema. Uma vez examinada a origem e importância do direito constitucional à saúde, nacional e internacionalmen- te, fez-se uma análise do Sistema de Saúde Complementar, por meio de verificação da validade de suas principais normas, a Lei nº. 9.656, de 3 de junho de 1998, que regulamenta o Sistema de Saúde Complementar em âmbito federal, e a Lei nº. 9.961, de 28 de janeiro de 2000, de criação da Agência Reguladora do setor, e da efetivação do direito constitucional à saúde pela prestação estatal de serviços de saúde, bem como do impacto deste direito fundamental nas ações privadas ligadas à saúde complementar. Por fim, foram analisados alguns dos principais dispositivos da Lei nº. 9.66/1998 a fim de se estudar os impactos sociais e a liberdade de atua- ção da iniciativa privada nos serviços ligados à saúde complementar, sem restringir ou reduzir o direito à saúde previsto na Constituição Federal de 1988.
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A seguridade social, o sistema único de saúde e a partilha dos recursos.

A seguridade social, o sistema único de saúde e a partilha dos recursos.

O artigo está centrado em quatro questões que, de alguma forma, afetam a partilha dos recur- sos do Orçamento da Seguridade Social — OSS, entre os componentes desse sistema (saúde, prev[r]

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MANUAL DE ACOLHIMENTO NO ACESSO AO SISTEMA DE SAÚDE DE CIDADÃOS ESTRANGEIROS – Normas de Orientação Clínica

MANUAL DE ACOLHIMENTO NO ACESSO AO SISTEMA DE SAÚDE DE CIDADÃOS ESTRANGEIROS – Normas de Orientação Clínica

Nos termos do Regulamento n.º 883/2004, os trabalhadores nacionais de um Estado- membro e respetivos membros da família que pretendam residir em Portugal adquirem a qualidade de utentes do Serviço Nacional de Saúde se forem titulares do Documento Portátil S1 (atestado de direito) validamente emitido pelo Estado-Membro por cujo sistema de segurança social se encontram abrangidos e que deve ser entregue no Centro Distrital do Instituto da Segurança Social, I.P. (doravante ISS, IP) da área de residência.

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MUDANÇAS INSTITUCIONAIS DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE E O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

MUDANÇAS INSTITUCIONAIS DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL: UMA ANÁLISE COMPARADA ENTRE O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE E O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

109 O con texto político de redemocratização da década de 1980 criou o “solo fértil” e o “clima nacional” para a abertura janela de oportunidades para a entrada da reforma de políticas sociais na agenda política, segundo o modelo de múltiplos fluxos de Kingdon (2003), pois convergiu os três elementos que afetam a agenda de governo: 1) clima ou humor nacional; 2) forças políticas e grupos de interesse, e 3) mudanças no governo no período de redemocratização. Contudo, esse contexto afetou diferentemente os setores da saúde e da assistência social. O movimento pela criação de um sistema único e universal de saúde aproveitou o contexto para emplacar o início deste sistema já no ano de 1990 e não só no texto constitucional, o que não aconteceu na assistência social. Apesar de a variável contexto ser comum e favorável a mudança das duas políticas, o papel das demais variáveis explicam a defasagem temporal entre a criação e consolidação dos dois sistemas: trajetória, atores e instituições anteriores.
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Seguridade Social, Cidadania e Saúde :: Brapci ::

Seguridade Social, Cidadania e Saúde :: Brapci ::

No capítulo seguinte, com o sugestivo título O culpado é o mordomo? Constrangimentos outros (que não os do modelo econômico) à seguridade social, Maria Lucia Werneck Vianna se propõe a examinar o retraimento do debate em torno dos princípios e premissas que orientam a noção constitucional de seguridade social – processo que caminhou pari passu ao desmonte da própria ideia de seguridade. A autora traz importantes provocações aos estudiosos da área ao argumentar que houve um abandono das noções de responsabilidade pública e de direitos universais, com deslocamento da discussão sobre os rumos do sistema de proteção social em direção a três eixos centrais, quais sejam: a. a redução da questão social à pobreza; b. a retomada, sob nova roupagem, da definição de pobreza como processo de ordem individual, associada a situações em que os indivíduos se encontram por falta de certos dotes e c. a defesa de que as políticas sociais coletivas e universais não são as únicas nem as mais eficazes para tratar a questão social. Esse conjunto de
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A Seguridade Social e o SUS: re-visitando o tema .

A Seguridade Social e o SUS: re-visitando o tema .

Esta é uma re-visita feita pelo próprio autor a artigo publicado em Saúde e Sociedade em seu número inau- gural, em 1992. A constatação básica desta re-visita é a atualidade, treze anos depois, da temática aborda- da. O texto discute os argumentos mais freqüentes contrários e favoráveis à vinculação orçamentária no âmbito do SUS. e os principais aspectos da CPMF, cri- ada para incrementar recursos para a saúde e da EC n.º 29. Aborda, ainda as mudanças constitucionais e legais recentes, ocorridas nos campos tributário e previdenciário. Conclui que dificilmente haverá no Brasil um sistema de saúde universal, igualitário que ofereça atenção integral de qualidade, tal como nos países de welfare state consolidado, enquanto os seg- mentos sociais de maior capacidade de pressão resol- verem suas necessidades de atendimento médico fora desse sistema. Contudo reconhece os avanços impor- tantes presentes no desenvolvimento do SUS, o qual, a despeito de suas vicissitudes, tem permanecido à margem do main stream das reformas sanitárias in- ternacionais de corte neoliberal.
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Rev. katálysis  vol.18 número2

Rev. katálysis vol.18 número2

Outra falta de integração do sistema diz respeito ao orçamento para a Seguridade. A Constituição Federal, em seu art. 195, estabeleceu uma série de elementos importantes para compor o financiamento desse sistema: contribuições sociais; Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL); Contribuição para o Financiamen- to da Seguridade Social (Confins); e concurso de prognósticos e orçamento dos Ministérios das três políticas sociais. No entanto, o pagamento dos benefícios previdenciários é custeado apenas pelas contribuições sociais de trabalhadores e empregadores, ignoram-se os demais dispositivos previstos na Constituição. Segundo os preceitos constitucionais, 30% do orçamento geral da seguridade deveriam ser destinados à saúde, mas nunca foi cumprido, resultando em uma série de artefatos para custear a saúde, entre as quais foi, no passado, instituída a CPMF, destinada exclusivamente a essa política, que também não foi assim destinada. A Assistên- cia, não obstante todo discurso do governo com o bolsa família, teve reduzido o número dos beneficiários em 2014 em 3,2% com relação ao ano de 2013. Como garantir uma integralidade se o próprio sistema de seguridade é fatiado em seus recursos? A Desvinculação da Receita da União (DRU), instituída em 1994 com o Plano Real, encontra-se em análise por meio da PEC 87/15 para ser prorrogada até 31 de dezembro de 2023 e ter uma flexibilidade maior, de 20% para 30 %, o que permite ao governo dispor livremente desse percentual para outros fins alheios à seguridade social. O nosso sistema de proteção social, que sempre foi fragmentado e, portanto, muito frágil, ousou certo avanço na Constituição Federal de 1988, mas logo após sua promulgação foram soltos “balões de ensaios” que os direitos ampliados tornavam ingovernável o país, prenúncio para todo o desmonte logo a seguir.
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Classe 1: O princípio da hierarquização e o sistema de referência e contrarreferência no contexto do acesso ao SUS

Classe 1: O princípio da hierarquização e o sistema de referência e contrarreferência no contexto do acesso ao SUS

Nesta classe, as palavras obrigação (58,22), estado+ (57,24), saúde (55,21) e governo+ (31,11) apresentam altas recorrências na fala dos sujeitos e se relacionam à forma como eles compreendem a saúde como obrigação do Estado. Essa compreensão do Estado como responsável pelo sistema de saúde foi construída no bojo da reforma sanitária e na busca de um país cidadão, que promovesse um processo de inclusão de todos os indivíduos, especialmente quando se tratava de um contexto de forte exclusão social e de uma crescente divisão entre pobres e ricos. Por outro lado, ainda se faz uma relação entre a saúde, a seguridade social e o pagamento de impostos ao governo, o que fica evidenciado através de léxicos como pagar (32,84), paga+ (17,74) e imposto (17,85), palavras muito presentes nas falas dos sujeitos, especialmente dos usuários.
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP Maria Teresa Leis Di Ciero

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUC-SP Maria Teresa Leis Di Ciero

Registre-se apenas que a situação da previdência social não é rigorosamente a mesma da saúde ou do ensino – atividades que também são apontadas pela doutrina como espécies de serviços públicos não privativos do Estado – se considerarmos que, enquanto na saúde e na educação o cidadão que contrata a rede pública pode fazê-lo sem jamais se vincular aos correspondentes serviços públicos, ao passo que, na previdência social, o trabalhador contratante de plano de previdência privada, necessariamente, deverá estar vinculado também ao regime público (RGPS ou RPPS, conforme sua relação de trabalho), justamente diante deste caráter complementar. Vejamos em que ponto, exatamente, residiria essa diferença. O particular que adquire cobertura “suplementar” de assistência à saúde ou serviço privado de educação sempre conserva, apesar de ter optado por aquela contratação, o direito de ser atendido pelos correspondentes serviços estatais e, correlatamente, de exigir do Poder Público que lhe preste os serviços dessas mesmas matérias – na forma e sob as condições legais, evidentemente. Seria descabido, por exemplo, que um hospital público recusasse atender cidadão necessitado de determinado tratamento ou cirurgia, sob alegação de que tal pessoa possui seguro ou plano de saúde, de modo que deveria dirigir-se à rede de atendimento fixada pelo plano privado contratado, porque isso chocaria, frontalmente, com direitos assegurados diretamente por normas constitucionais (como as garantidoras de assistência integral, gratuita e igualitária ao sistema único de saúde). Pode-se dizer, por isso, que a decisão privada de contratar cobertura de saúde ou serviços educacionais particulares
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Implicações da reforma da previdência na seguridade social brasileira.

Implicações da reforma da previdência na seguridade social brasileira.

princípios de universalidade, eqüidade, integralidade das ações, regionalização, hierarquização, descentralização, participação dos ci- dadãos e complementaridade do setor privado, vem sendo minado pela péssima qualidade dos serviços, pela falta de recursos e pela ampliação dos esquemas privados que sugam os recursos públicos (COHN, 1995a). A proposta de saúde pública e universal parece estar, na prática, sofrendo um processo de privatização passiva (D RAIBE, 1990). Na assistência, o sistema descentralizado e participativo, aos moldes do SUS, vem sendo constantemente des- respeitado, com programas, projetos e serviços definidos na esfera federal e liberação de recursos condicionada à sua execução, desres- peitando assim o princípio de respeito e atendimento às necessidades identificadas localmente (BOSCHETTI, 2001). Se a descentralização vem sendo desrespeitada, seja por meio da centralização no governo federal, seja pela adoção de uma “descentralização” que privatiza e/ou transfere responsabilidades para Estados e municípios, também o con- trole e a participação da sociedade nos Conselhos vem sendo ameaçada (THEODORO, 2001 & THEODORO & BRITO, 2002).
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Seguridade Social no Brasil

Seguridade Social no Brasil

O quarto grupo resistente à proposta da seguridade era formado pelos “reformistas do setor saúde”. A polêmica entre “reformistas da saú- de” e “reformistas da previdência” contava com especificidades e trazia resistências ao encaminhamento do projeto de bem-estar. Por outro lado, o grupo que mais se aproximava de uma aliança com o projeto da seguridade era o grupo da saúde, pois este, da mesma forma, apresentava como projeto político a proposta de universalização dos serviços e a cons- tituição de um Estado protetor. No entanto, havia entre esses dois grupos uma discordância básica com relação ao encaminhamento da reforma. Esta discordância esteve presente desde o início do debate reformista entre o setor saúde e o previdenciário, em meados da década de 70, e explicitou-se no Governo da Nova República, quando os reformistas pas- saram a ocupar os lugares de gerência dos ministérios da Saúde e da Previdência e Assistência Social. Para a compreensão desta ambigüidade e todos os seus efeitos maléficos na reforma do sistema, é necessário retomar alguns aspectos desta polêmica.
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INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DE CIÊNCIAS SOCIAIS EM DESENVOLVIMENTO, AGRICULTURA E SOCIEDADE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO DE CIÊNCIAS SOCIAIS EM DESENVOLVIMENTO, AGRICULTURA E SOCIEDADE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Note-se que a grande fragilidade desta engenharia toda é, conforme o próprio entendimento do Ministério da Previdência, o registro dos acidentes de trabalho através da CAT e, à época, o sistema de registro e processamento destes dados. A proposição de se reestruturar a CAT foi colocada, nesta resolução, a posteriori, mesmo tendo na CAT uma das principais informações para o cálculo do grau de risco. Para efeitos de cálculo na ótica financeira / administrativa, não seria tão grave o problema na medida em que as outras bases de dados eram mais confiáveis: a movimentação de benefícios registrados no SUB representaria os gastos efetivos do Ministério com relação aos benefícios. A segurança e a saúde do trabalho estariam assim ofuscadas como critério para o cálculo de riscos, caso esta resolução tivesse sido efetivamente aplicada, o que não aconteceu: “essas disposições nunca foram implementadas, em face, sobretudo, da ausência de bases sólidas que pudessem aferir, com fidedignidade, a realidade ambiental da empresa, sobretudo por se basear nos acidentes notificados, o que penalizaria as empresas cumpridoras da obrigação de notificar e beneficiaria aquelas sonegadoras dessa notificação acidentária” (OLIVEIRA & BARBOSA- BRANCO, 2009, p.116).
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Entidades beneficentes e de assistência social : (re)construção sistêmica de um conceito e os reflexos incidentes sobre a norma imunizante a contribuições para a seguridade social

Entidades beneficentes e de assistência social : (re)construção sistêmica de um conceito e os reflexos incidentes sobre a norma imunizante a contribuições para a seguridade social

Força dizer, ser no mínimo estranho, o fato de tanto a uníssona doutrina como a uníssona jurisprudência não fazerem qualquer distinção entre os diferentes conceitos constitucionais, tratados no artigo 150, VI, c e no artigo 195, §7º, de assistência social. No primeiro artigo, inserto dentro do (Sub)sistema Tributário Nacional, tem-se a expressão instituição de assistência social; no segundo, enquadrado dentro do (Sub)sistema da Seguridade Social, tem-se a expressão entidade beneficente de assistência social. Ambos signos, seja instituição de assistência social ou entidade beneficente de assistência social devem ter seu espectro de abrangência delimitado. Inexatas conceituações podem acarretar a falência do Sistema Constitucional e seguramente a falência da Seguridade Social, em sua tríplice dimensão: saúde, assistência e previdência social, a qual, em respeito ao princípio constitucional da solidariedade e da universalidade de custeio, deve ser financiada por toda, excetuada as verdadeiras entidades beneficentes de assistência social, consoante a regranegativa de competência, prevista no §7º do artigo 195 da Constituição Federal, a sociedade.
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A Eqüidade, a Universalidade e a Cidadania em Saúde, Vistas sob o Prisma da Justiça

A Eqüidade, a Universalidade e a Cidadania em Saúde, Vistas sob o Prisma da Justiça

O princípio constitucional da eqüidade na forma de participação no custeio do Sistema Único de Saúde enseja a contribuição justa, a permitir o acesso de todos e a garantir a universalidade da cobertura e do atendimento. Este princípio é complementado por regras constitucionais específicas, que cuidam de regulamentar o financiamento do Sistema Único de Saúde, ao determinar que "a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; dos trabalhadores; sobre a receita de concursos de prognósticos"; além de outras fontes instituídas por lei (art. 195-I a III e § 4°).
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Da Seguridade Social à intersetorialidade: reflexões sobre a integração das políticas sociais no Brasil.

Da Seguridade Social à intersetorialidade: reflexões sobre a integração das políticas sociais no Brasil.

Este artigo objetiva discutir os principais dilemas que permeiam a implementação da Seguridade Soci- al no Brasil, tomando como foco as trajetórias recen- tes das políticas de saúde e assistência social. Parte- se do entendimento de que, se por um lado, a Seguridade Social, tal como preconizado na Carta de 1988 ( BRASIL , 2002), esbarra em viscerais obstácu- los de ordem política e econômica para sua implementação, por outro, o modelo descentralizado, sob o qual passa a operar o sistema de proteção so- cial, recoloca a questão da integração das políticas sociais a partir do esteio dos problemas enfrentados no contexto do que se convencionou chamar a “pon- ta do sistema”. Assim, ainda que “recalcado”, o pro- blema da necessidade da integração retorna, uma vez que as áreas de política social que mais avançaram na direção de um novo arcabouço político-institucional (como o caso da saúde) se deparam hoje com limites estruturais da sociedade brasileira que necessitam de enfrentamento intersetorial, através da conformação de uma rede de proteção social.
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SEGURIDADE SOCIAL: UM SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO E DE JUSTIÇA SOCIAL

SEGURIDADE SOCIAL: UM SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO E DE JUSTIÇA SOCIAL

Lapidar, sob todos os aspectos, o magistério de Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo Gustavo Gonet Branco, cuja lição impende destacar, a propósito do que se tem explanado, que os direitos sociais por excelência são reputados como direitos a prestações materiais, os quais, segundo eles, recebem o rótulo de direitos a prestação em sentido estrito resultante da concepção social do Estado. Desse modo, estão concebidos com o propósito de atenuar desigualdades de fato na sociedade, visando a ensejar que a libertação das necessidades aproveite ao alcance da liberdade efetiva por um maior número de indivíduos. O seu escopo consiste numa utilidade concreta de um bem ou de um serviço. Como exemplos de direitos a prestação material dos direitos sociais têm-se os enumerados no art. 6º da Constituição Federal, a saber, o direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à
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Jozélia Nogueira, Cintia Estefânia Fernandes & Antônio Carlos C. de Leão, “Um Novo Sistema Único de Previdência Pública com Sustentabilidade Tributária” - 1051

Jozélia Nogueira, Cintia Estefânia Fernandes & Antônio Carlos C. de Leão, “Um Novo Sistema Único de Previdência Pública com Sustentabilidade Tributária” - 1051

A sustentabilidade financeira da previdência pública bra- sileira, no modelo de repartição, é garantida no Brasil pela vin- culação de tributos, na forma de contribuições sociais. Também foi comprovado que suas receitas são suficientes para manuten- ção das políticas públicas nas áreas de previdência, saúde e as- sistência social. Não haverá deficit na previdência pública se to- dos os recursos vinculados forem destinados à seguridade social. A desvinculação prevista na DRU (de 30%) não pode atingir as receitas da seguridade social, especialmente da previdência, em razão da expressa previsão constitucional contida nos arts. 194 e 195 da Constituição de 1988 e no art. 76 do ADCT da referida constituição. A União deve combater também a alta inadimplên- cia existente na cobrança das contribuições previdenciárias e evitar a renúncia de receitas, para reequilíbrio das contas públi- cas. Outras fontes de receitas foram sugeridas para o Fundo de Previdência Pública.
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Equidade e descentralização: os mitos do SUS

Equidade e descentralização: os mitos do SUS

Impedir a especialização de fontes de seguridade social defendendo o sistema de caixa único para a saúde, previdência e assistência social, em proporções preestabele[r]

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Resumo Desde a segunda metade do século XX,

Resumo Desde a segunda metade do século XX,

A criação do Sistema Único de Saúde (SUS), formalizada em 1990, instituiu os princípios de universalidade, equidade e integralidade – sig- nifica dizer, o acesso por qualquer cidadão, de forma indiscriminada, a uma ampla gama de serviços cobrindo todas as dimensões da saúde (prevenção, cura e reabilitação). Cabe ao Estado prover serviços e produtos diretamente ou atra- vés da contratação de atores privados, porém de forma totalmente gratuita. Extensivo a mais de 200 milhões de pessoas, poderia ser considerado o maior sistema de saúde universal do mundo, caso funcionasse em conformidade com seus princípios. A instauração de um sistema de tal monta representou uma ruptura radical com o esquema vigente até então, de baixa institucio- nalidade e baseado em provedores e seguradores filantrópicos ou privados e for-profit, cujo acesso era restrito a certos grupos. Apesar do monopólio do Estado, a administração, a provisão e o finan- ciamento do SUS são altamente descentralizados, de responsabilidade partilhada entre a União e as esferas subnacionais – incluindo 26 estados e os mais de 5.500 municípios do país.
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