Top PDF Agressores sexuais: é possível um tratamento psicanalítico sob prescrição judicial?.

Agressores sexuais: é possível um tratamento psicanalítico sob prescrição judicial?.

Agressores sexuais: é possível um tratamento psicanalítico sob prescrição judicial?.

O prim eiro m ovim ento diz respeito à m aneira com o o sistem a penal se trans- form ou sob o im pulso do que Foucault ( 1975) cham a dispositivos de normalização ”, a saber, a m edicina, a psicologia, a educação, a assistência e o trabalho social. Cha- m ando a atenção sobre o risco de norm alização do sistem a penal, que se m edica- liza, se psicologiza e se pedagogiza, explica essa m etam orfose através de um a deslocação interna do poder judiciário. Disso decorre um a dificuldade crescente de julgar e um a “vergonha de condenar”. Im pelidos pelo desejo furioso de apre- ciar, diagnosticar, distinguir o norm al do anorm al, de curar ou de readaptar, os juízes acabaram perdendo suas verdadeiras funções — controlar, julgar e sancio- nar — e, por isso m esm o, seu poder. Este últim o, regido pelas leis, funciona fundam entalm ente com o um poder normativo. Foucault ( 1975) , nesse sentido, con- sidera que é em nom e da “econom ia do poder “que os juízes form ulam veredic- tos “terapêuticos” e decidem sobre prisões “readaptativas”. Esse poder acabou por engendrar o que cham a “juízes de norm alidade” em outros cam pos de ação, tais com o a educação, o ensino, a m edicina e o trabalho social, cujos principais atores ( professores, m édicos, educadores ou trabalhadores sociais) teriam por m issão fazer reinar a “universalidade do norm ativo” . Foi graças a esses outros dispositivos “carcerários”, os quais, em bora aparentem ente m uito distintos — já que destinados a aliviar, curar e socorrer — , tendem , tal com o a prisão, a exercer um poder de norm alização, que esta últim a não m ais ocupa um a posição central. Além disso, com o desenvolvim ento de tais redes “disciplinares” de “norm aliza- ção” e com a m ultiplicação de suas trocas com o sistem a penal, a prisão, em seu papel de sanção, perdeu sua especificidade, e até m esm o sua razão de ser.
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"Foi normal, não foi forçado!" versus "Fui abusada sexualmente": uma interpretação dos discursos de agressores sexuais, das suas vítimas e de testemunhas.

"Foi normal, não foi forçado!" versus "Fui abusada sexualmente": uma interpretação dos discursos de agressores sexuais, das suas vítimas e de testemunhas.

O que faz um homem ser agressor sexual de crianças nos leva a refletir sobre suas crenças. Berger (1999) menciona que o homem olha o mundo de acordo com a forma como toma certa sua realidade e seu conhecimento − esta visão influi nas suas motivações. Considerando que os atos do ser humano são acompanhados pela forma como estes constroem socialmente o mundo no seu imaginário, e sendo estas construções sociais influenciadas tanto pela cultura como pelas aprendizagens ao longo de suas vivências, o ser agressor sexual de crianças é um estado de mente no qual se considera o ato sexual com estas como uma reação normal. Ele possui um conjunto de crenças distorcidas sobre as relações sexuais que o fazem sentir ser normal a prática de sexo com crianças (STEVENS, 2001). De acordo com Born (2005), podemos encontrar dois tipos básicos de distorções cognitivas nesses agressores: a) aquelas relativas à recusa, ao não- reconhecimento da agressão, considerando a obtenção do consentimento da vítima; b) a minimização, recurso que consiste em atribuir a responsabilidade do ato a outrem, apresentando a desculpa de ter sido envolvido ou provocado pela vítima. Deste modo, afirmações de que houve provocação e/ou sedução por parte da criança permitem aos agressores sexuais desviar a culpabilidade e se tornarem vítimas mais do que agressores. Também entre eles é possível encontrar a justificativa de que o ato sexual com crianças se realiza em nome do amor ou pela ternura que têm pelas crianças e, equivocadamente, consideram estes como sentimentos recíprocos.
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Agressores sexuais cibernautas ou violência na rede — o papel da GNR

Agressores sexuais cibernautas ou violência na rede — o papel da GNR

Num estudo feito por Ferreira e Monteiro (2009), os chats que são a moda de hoje em dia da internet, conseguem construir frases nos jornais como: “Três em cada quatro jovens aceitam lanchar com estranho” (Diário Digital cit Ferreira, Monteiro, 2009). Estudos elaborados em escolas de quatro concelhos, não divulgados, concluem que “72% dos alunos de 11º ano afirmam não ter problemas em encontrar-se com alguém que conheceram na Internet.” O agravamento desta situação aumenta quando as crianças e os jovens não têm noção do perigo que correm e divulgam os próprios contatos pessoais nestas salas de conversação ao dispor de qualquer agressor ou “predador pedófilo” (Almeida, 2009). A Polícia Judiciária já afirmou, numa notícia do Jornal de Notícias (JN) de setembro de 2007, que “sítios como a internet dirigidos aos mais novos são alvos preferenciais de pedófilos.” As crianças e jovens passam muito do seu tempo em locais como chats, Messenger, correio eletrónio, a fazer downloads e em redes sociais como o Facebook. A publicação de imagens nestas redes sociais pode constituir um risco. Numa análise 10 feita às redes sociais, verifica-se que a partir destas é possível criar um perfil do próprio indivíduo, onde se percebe onde vive a pessoa, o que faz e a idade que tem. Daqui podem suceder situações como perseguições, chantagens ou roubo de identidade, como é o caso do Phishing 11 . Estas situações podem dar origem a outras bem mais complicadas, como a criação de perfis falsos; em que há cibernautas que se fazem passar por outras pessoas e daqui partem para situações de violência na internet, como é o caso do cyberbullying. Entende-se por este conceito o “uso e difusão de uma informação para fins difamatórios, em formato eletrónico, através de meios de comunicação com email, SMS, MSN ou Rede Sociais (Facebook, HI5) em plataformas eletrónicas, de difusão de conteúdos, onde um indivíduo ou grupo pretendem, de forma deliberada e repetida, causar mal estar a outro” (Fernandes cit Almeida 2011,p.9).
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Perfil psicológico e comportamental de agressores sexuais de crianças.

Perfil psicológico e comportamental de agressores sexuais de crianças.

Reforça-se que estabelecer sólidas bases para a clas- sificação de criminosos sexuais de acordo com compor- tamento, tipo de vítima, motivação e risco de reincidên- cia só é possível em um contexto interdisciplinar. Fica claro que a confluência dos saberes do psiquiatra, apto a diagnosticar transtornos mentais com seu instrumental específico; do psicólogo, cuja expertise se dá na direção da análise do comportamento, das motivações e da psico- dinâmica subjacente aos atos; do assistente social, capaz de identificar elementos do contexto socioeconômico e familiar implicados nas situações; enfim, de equipe ver- dadeiramente comprometida com o trabalho conjunto, deve ser ativamente perseguido, se o objetivo é traçar perfil fidedigno das pessoas envolvidas em atitudes,
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PSICOLOGIA FORENSE: UMA ANÁLISE TEÓRICA DA AVALIAÇÃO DE RISCO DE REINCIDÊNCIA COM AGRESSORES SEXUAIS

PSICOLOGIA FORENSE: UMA ANÁLISE TEÓRICA DA AVALIAÇÃO DE RISCO DE REINCIDÊNCIA COM AGRESSORES SEXUAIS

Muitos dos agressores sexuais, voltam a cometer uma nova agressão após saírem do regime carcerário. Para predizer se o agressor ira retornar ao ato criminoso, utiliza-se a ava- liação de risco reincidência. Na avaliação do risco de rein- cidência criminal é calculada a probabilidade de o infrator voltar a cometer um crime, identificando quais os fatores que necessitam de intervenção, para que seja possível alte- rar essa probabilidade. Quando se trata de agressores se- xuais, os fatores avaliados e mais considerados são os rela- cionados à sexualidade e seus desejos desviantes. Essa ava- liação probabilística é possível de acordo com a identifica- ção e contabilização dos fatores de risco cientificamente ligados ao comportamento criminal. Inicialmente, quanto maior número de fatores de risco presentes, maior será o risco de reincidência. Com isso, a intensidade da reação do sistema de justiça tende a ser maior para que seja possível uma prevenção desta ocorrência. O objetivo da avaliação de risco de reincidência é identificar os fatores de risco para uma possível intervenção, para evitar que esse agres- sor volte a cometer a agressão em seu retorno a sociedade.
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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA ROSE DAISE MELO DO NASCIMENTO

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA ROSE DAISE MELO DO NASCIMENTO

Ela falava muita coisa ao mesmo tempo, sempre direcionada a ele, mas como se ele estivesse falando pra mim disse “a minha tia quer que eu vá logo embora a tia Alice está com muita saudade, ela mandou um beijo... daqui pro final de julho você vai embora” e beijava o bebê, fazia cócegas com a boca na barriga de Miguel. Nessa hora ele sorriu, mas era como se tivesse saído de um estado de ausência total de estímulos, para um estado totalmente diferente, aquela mãe o estimulava de todas as formas, ele olhava para ela meio assustado no início e quando ela fazia cócegas ele dava gargalhadas. (...) Nesse contexto, Miguel fez cocô e ela ria dos barulhos que ele fazia, e dizia com voz tatibitate e balançava-o “o que é que você fez hein?!”, então o entregou à monitora e esta seguiu até o banheiro para limpá-lo, ele não estranhou sair do colo da mãe para ir com a monitora, foi tranqüilo, nenhum sinal de ansiedade de separação (6ª observação, 04/07/09, 01 mês e 15 dias).
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É possível a volta para a escola.

É possível a volta para a escola.

Gostaria de propor, enfim, uma alegoria como modo de se unir duas realidades culturais diferentes e que se rejeitam, apesar de conviverem em constante ameaça. Seria possível imaginar um casamento oficial entre Apolo – o deus sol da mitologia grega, o símbolo da organização, da higiene, da razão, da pureza, da harmonia, da moralidade e vencedor das trevas e do demônio – e Dionísio – o deus do êxtase, da desorganização, da falta de limites, da libertinagem, da sensualidade, da ousadia, do rompimento das regras pré-estabelecidas, enfim, a representação do demônio ou satanás? O que quero dizer é como assumir a convivência entre a racionalidade, a organização, explorando a transformação, o rompimento de limites, a explosão, tornando o Brasil um país singular e com possibilidades de crescimento fora dos padrões ocidentais de cultura. Esse casamento já existe na circularidade cultural, no jeitinho brasileiro, nos lances do futebol etc. Só é preciso ser aceito oficialmente e incorporado ao pensar social.
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Lesão hepática isolada por arma de fogo: é possível realizar tratamento não operatório?.

Lesão hepática isolada por arma de fogo: é possível realizar tratamento não operatório?.

Foram incluídos os pacientes com lesão hepáti- ca diagnosticada como única lesão abdominal provocada por PAF na região toracoabdominal direita e que, na sua admissão, apresentavam estabilidade hemodinâmica, de- finida como pressão arterial sistólica maior que 90mmHg, frequência cardíaca menor que 110bpm, e ausência de sinais de peritonite. A presença desses critérios permitiu o estudo tomográfico dos pacientes. A realização da tomografia computadorizada do abdome (TC) é exame obrigatório, para enquadrar o paciente no protocolo. A clas- sificação das lesões hepáticas baseou-se nas diretrizes da The American Association for the Surgery of Trauma (AAST) 16 . Os pacientes portadores de lesões associadas da
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O tratamento dos contratos de locação comercial de devedor locatário em recuperação judicial: uma análise à luz das tensões entre o direito material e concursal

O tratamento dos contratos de locação comercial de devedor locatário em recuperação judicial: uma análise à luz das tensões entre o direito material e concursal

A cláusula ipso facto corresponde à transferência de um ativo (sem a devida contrapartida) que pode ser considerado relevante para a recuperação da empresa ou para a maximização do valor de seus ativos. Atos praticados pelo gestor da empresa que possam ser caracterizados como facilitadores deliberados da perda de valor da empresa são vedados pelo direito já no contexto da solvência. Na insolvência, há razão ainda maior e meios (já que conta com um procedimento controlado por agentes externos à empresa) para impedir a prática ou produção de efeitos de atos que dissipam valor da empresa. Em termos de análise econômica do direito da insolvência, visto como mecanismo de controle ex ante do comportamento do devedor, o efeito da cláusula é contrário à lógica de incentivos supostamente desejada, já que pune os credores e demais titulares de prioridades de topo de hierarquia e não os titulares residuais dos créditos, isto é, os sócios da devedora ou, ainda, os gestores da mesma, para quem o mecanismo é desenhado. (...)Em substância, a cláusula ipso facto tem um duplo impacto econômico: exclui a ressarcibilidade, já que seu efeito é plenamente “liberador”, e acentua a dissipação de valor do conjunto patrimonial da devedora, limitando as possibilidades de recuperação da empresa ou de liquidação com maximização de seu valor para os credores. Pelos argumentos apresentados, explicitou-se o significado econômico da afirmação de que o curso dos contratos empresariais diz respeito a interesses não redutíveis apenas ao das partes contratantes. Na medida em que o inadimplemento do contrato empresarial de execução continuada possa acarretar a liberação de uma das partes do vínculo contratual, a resolução do contrato deve ser avaliada em termos dos efeitos econômicos que produz sobre a organização da atividade empresarial ou sobre o valor da empresa. 73
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É POSSÍVEL ARGUMENTAÇÃO SEM CONTROVÉRSIA?.

É POSSÍVEL ARGUMENTAÇÃO SEM CONTROVÉRSIA?.

Ao longo da análise encontramos indicadores de que os alunos, embora calados durante a maior parte do tempo, acompanhavam o que a professora dizia e produziam significação para os enunciados corroborando a proposição de Bakhtin de indissociabilidade entre enunciado/enunciação. Bakhtin também nos auxilia a entender a pouquíssima produção de enunciados por parte dos alunos. Reiterando a indissociabilidade entre enunciado e enunciação, Bakhtin afirma que a possibili- dade de posição responsiva não é determinada apenas pela atitude do interlocutor, envolve a exauribilidade do objeto do discurso e do sentido que se busca com os enunciados. Logo, a responsividade para além da atitude do interlocutor envolve também o discurso do locutor. A professora produz enunciados sobre situações em que ocorrem reações de oxidorredução. O modo como ela concatena seus enunciados, primeiro lendo e depois apresentando exemplos relacionados ao co- tidiano, dá ao que ela enuncia um caráter de conclusibilidade ou de exauribilidade. Oxidorredução, embora seja um fenômeno possível de ser averiguado no coti- diano, não é comumente abordado como tal no cotidiano.A professora produz enunciados de tal forma que tudo o que ela diz soa como verdade inquestionável. Por sua vez, se realmente os alunos não tinham conhecimento sobre o tema, fica difícil estabelecer qualquer controvérsia em relação aos enunciados da professora. É igualmente preciso ser considerado que há a expectativa socialde que a escola e em especial a professora promovam situações que resultem em avanços de conhe- cimento, cabendo tradicionalmente a ela a função de transmitir conhecimentos. Esse contexto provavelmente interferiu na postura de professor e aluno, de modo que para ambos não há nenhum estranhamento em a situação de produção de argumentação ser a partir de diálogo monologal.
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Abuso sexual de crianças: Diferenças entre agressores sexuais por contacto e ofensores por pornografia infantil

Abuso sexual de crianças: Diferenças entre agressores sexuais por contacto e ofensores por pornografia infantil

significativamente associadas e que estes conteúdos se encontravam, sobretudo, na casa do ofensor. No que concerne às imagens e vídeos apresentados nos conteúdos pornográficos, na presente amostra existiam “ (…) fotografias de conteúdos pornográficos explícitos onde se observa a submissão de inúmeras crianças, principalmente do sexo feminino, na sua maioria com idades seguramente inferiores a 14 anos, possivelmente de diversas nacionalidades, sujeitas a agressões sexuais de diversos tipos, por parte de indivíduos adultos do sexo masculino (cópula, coito oral, coito anal, toques sexualizados, introdução de objetos (vibradores) em zonas do corpo (região genital e anal), manuseamento do pénis com as mãos, atos masturbatórios, poses sexualizadas, entre outros.” e ainda “filmes de cópula e ejaculação em crianças com dois anos de idade.” Esta informação parece convergir com os dados do
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Ganhar tempo é possível?

Ganhar tempo é possível?

Dada a fortíssima inter-relação entre os mercados urbano e rural, a grande maioria dos empreendedores rurais – pequenos e médios ou grandes – tem plena consciência do custo de oportunidade de suas decisões. Por essa razão, a definição corrente de agricultura familiar serve apenas para separar quem vai se beneficiar, ou não, de políticas do governo. Não representa paradigma de tomada de decisão pela família diferente daquele da chamada agricultura comercial. E, assim, é melhor considerar o meio rural como povoado, quanto à produção, de pequenos, médios e grandes produtores e de uma população de assalariados, em forte declínio, para efeito de análise. Há os estabelecimentos sob administração da família, com mão de obra assalariada ou não – a grande maioria dos estabelecimentos brasileiros pertence a essa categoria, e há também aqueles em que predomina o trabalho assalariado, administrados pelo proprietário ou por profissionais. Mas todos eles procuram obter o máximo dos recursos que comandam, porque é assim que o mercado sinaliza. Pode haver alguns que se baseiem em modelos sofisticados de decisão, certamente muito poucos. Tentativa e erro, imitação dos bem sucedidos, falências, assistência técnica e uma miríade de procedimentos movem os agricultores a buscarem o melhor ao seu alcance. E esse melhor pode significar empregar parte da mão –de-obra familiar fora do estabelecimento, na roça ou na cidade, migrar, vender o estabelecimento ou modernizá-lo. É natural haver demora, porque é preciso avaliar cuidadosamente cada decisão, sobretudo o risco, Regiões
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AS FACES DO ENVELHECIMENTO SOB UM OLHAR PSICANALÍTICO

AS FACES DO ENVELHECIMENTO SOB UM OLHAR PSICANALÍTICO

Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda vida animada sobre a Terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta. Essas considerações me pareceram incontestáveis, mas observei que não causara impressão quer no poeta quer em meu amigo. Meu fracasso levou- me a inferir que algum fator emocional poderoso se achava em ação, perturbando-lhes o discernimento, e acreditei, depois, ter descoberto o que era. O que lhes estragou a fruição da beleza deve ter sido uma revolta em suas mentes contra o luto. A idéia de que toda essa beleza era transitória comunicou a esses dois espíritos sensíveis uma antecipação de luto pela morte dessa mesma beleza; e, como a mente instintivamente recua de algo que é penoso,
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O que é possível lembrar?.

O que é possível lembrar?.

concerne ao massacre não documentado de cerca de 2 mil ilotas pelo governo de Esparta. Isso porque, estando em guerra com Atenas, os espartanos queriam evitar quaisquer distúrbios internos, e como eram os ilotas os que mais se revoltavam, por um subterfúgio cruel (prometendo recompensa àqueles que consideravam ter se comportado com bravura diante do inimigo) conseguiram que 2 mil ilotas se apresentassem. Os cidadãos de Esparta participam da grande fraude, segundo narra Tucídides. Ao invés de libertá-los ou matá-los, seus senhores os libertam e os matam. Em uma cerimônia pública, são coroados e devem fazer a volta do templo, assim como costumavam todos os jovens guerreiros. E, a um dado momento, são eliminados, não se sabe exatamente como. E sobre esse massacre existe um silêncio oficial. Comentando o episódio, o historiador Pierre Vidal-Naquet (1987:136) o compara à história do nazismo. Poderíamos atualizar esses dados, lembrando a história recente da América do Sul e os seus milhares de mortos e desparecidos. Sumir com os corpos para apagar o crime equivale ao duplo assassinato: matar o vivo e tentar matar sua lembrança. É o ato insano de matar a morte.
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O objeto autístico e sua função no tratamento psicanalítico do autismo

O objeto autístico e sua função no tratamento psicanalítico do autismo

Os sinais (+) e (―) e suas combinações em uma série que contempla unicamente a alternativa fundamental da presença e da ausência, são utilizados por Lacan (1956/1998, p. 51) para demonstrar “como as mais rigorosas determinações simbólicas adaptam-se a uma sequência de lances cuja realidade se distribui estritamente ‘ao acaso’”. A interseção diacrônica e sincrônica das séries formadas e suas consequentes inter-relações elucidam a estrutura fundamental do dualismo das organizações simbólicas. Vê-se a alusão feita ao impasse do tratamento, abordado no texto de 1951, quando Lacan afirma que a autonomia do simbólico liberta dos equívocos a teoria e a prática da associação livre. Para ele, são a determinação simbólica e sua leis que a impulsionam, não mais a “inércia imaginária” (Lacan, 1956/1998, p. 56) da relação nivelada ao outro. Ao contrário, é por meio da “hiância” específica de sua relação imaginária com o semelhante que o homem entra na ordem simbólica como sujeito. Esse ingresso é feito “pelo desfilamento radical da fala” (Lacan, 1956/1998, p. 57), com o sujeito dirigindo-se ao Outro como absoluto, ao mesmo tempo que se faz de objeto para enganá-lo.
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Agressores sexuais de menores e reclusão: estudo exploratório sobre personalidade, impulsividade e espontaneidade

Agressores sexuais de menores e reclusão: estudo exploratório sobre personalidade, impulsividade e espontaneidade

A espontaneidade é a força impulsionadora dos processos criativos, uma conjugação de aspetos atitudinais, comportamentais e de capacidade para improvisar de modo adaptativo perante situações novas e de criar vias de resposta alternativas face a situações já conhecidas (Blatner e Cukier, 2007; Moreno, 1966/1974). Esta propensão para reagir positiva e construtivamente às necessidades que o momento presente impõe, pondo em ação recursos internos mobilizadores de processos dinâmicos, intuitivos e imaginativos, permite à pessoa responder adequadamente a essas experiências (novas ou velhas). A espontaneidade relaciona-se com a liberdade no plano intrapsíquico e dessa forma com a flexibilidade e plasticidade de mecanismos e recursos internos, tornando-os funcionantes e operantes. Tal é essencial para um ser e estar na vida saudáveis e produtivos/proactivos. Falhas a este nível podem estar na base de diversos bloqueios, dissonâncias, regressões e fixações a padrões de relacionamento antigos. Estas lacunas podem propiciar a emergência de patologias psíquicas e sociais nas múltiplas e complexas manifestações. Nesta lógica, a espontaneidade revela-se uma ferramenta importante na prevenção da psicopatologia, na redução das angústias da pessoa (Doron & Parot, 2001). Ao aumentar a criatividade traz novas vias de resolução de problemas e respostas alternativas a uma postura meramente conformista às “conservas culturais” (Moreno, 1966/1974). Segundo Moreno o primeiro ato espontâneo na vida é o nascimento, depois a espontaneidade é como um lugar para o surgimento do Eu (o nascimento do Si) e mais tarde serve de matriz para todo o encontro da pessoa com uma outra (base para o modo como nos relacionamos com o outro).
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É possível competir com a China?

É possível competir com a China?

Aeroespacial Carvão Manufaturas simples Vestuário Insumos elétricos.. ind[r]

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A (IN)EFETIVIDADE DO ATIVISMO JUDICIAL NA GARANTIA DO DIREITO  À SAÚDE  Winston de Araújo Teixeira

A (IN)EFETIVIDADE DO ATIVISMO JUDICIAL NA GARANTIA DO DIREITO À SAÚDE Winston de Araújo Teixeira

Outra característica do Poder Judiciário é a discricionariedade, a qual concede ao juiz a liberdade de interpretar as normas e aplicá-las ao caso concreto, fazendo uma análise sucinta dos fatos e das leis que regulamenta a situação. Acontece que nestes casos, muitas vezes, os juízes não atentam para os reflexos de sua decisão na sociedade, que poderá interferir na vida de outrem. Além do que, essa discricionariedade pode gerar sentenças diversas para casos semelhantes, pois cada ser humano possui características próprias, e como os juízes não são máquinas que apenas reproduzem ideias, mas são seres pensantes, no momento de tomarem suas decisões, podem chegar resultados diferentes.
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Cuidados Respiratórios Domiciliários: Prescrição de Aerossolterapia por Sistemas de Nebulização – Normas de Orientação Clínica

Cuidados Respiratórios Domiciliários: Prescrição de Aerossolterapia por Sistemas de Nebulização – Normas de Orientação Clínica

H. Para todas as idades e situações clínicas é imprescindível prescrever o sistema de nebulização e as interfaces adequadas. Por vezes há incompatibilidade de uso do mesmo sistema para diferentes fármacos, pelo que é obrigatório respeitar as indicações de administração de cada um. É de salientar, também, que o mesmo nebulizador não pode ser usado para nebulização de diferentes fármacos e que, à câmara nebulizadora de antibióticos, devem ser adaptados filtros do ar exalado.

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Castração química: resposta penal para crimes sexuais?

Castração química: resposta penal para crimes sexuais?

RESUMO: O presente trabalho busca analisar a castração química como resposta penal. Procurou-se, em primeiro lugar, analisar os crimes de estupro e estupro de vulneráveis e suas principais características a partir da literatura penal existente e de um ponto de vista multidisciplinar, incluindo os mitos sobre agressões sexuais. Realizar uma exposição conceitual da castração química e seus efeitos, para posteriormente analisar as legislações de outros países e descrever as propostas legislativas brasileiras sobre o tema. Considerar as violações constitucionais da castração química nos Estados Unidos, as questões médicas relevantes e as questões de gênero que permeiam o assunto. Por fim, analisar a constitucionalidade da castração química como resposta aos crimes sexuais em relação ao ordenamento jurídico pátrio atual, verificando violações a direitos e princípios fundamentais, em especial ao princípio da proporcionalidade.
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