Top PDF Bufo & Spallanzani diálogo: literatura e cinema

Bufo & Spallanzani diálogo: literatura e cinema

Bufo & Spallanzani diálogo: literatura e cinema

Como apontado nessa pesquisa, esse tipo de associação da adaptação fílmica ao texto literário faz com que a discussão se prenda a critérios de fidelidade. Não foi nosso intuito promover uma análise pautada por essas questões. Desenvolvemos nosso estudo apoiados na idéia de que a relação entre o texto traduzido e sua tradução é uma relação de troca, um diálogo entre duas linguagens. Pois, a tradução é produzida pelo tradutor como qualquer objeto estético, e a fruição de um texto estético pode variar de um receptor para outro. O texto a ser traduzido está sujeito à recepção e interpretação de seu tradutor que irá recriá-lo, ou transcriá-lo, com outros meios, para outra linguagem, dando forma a outra obra, outro objeto estético. Se pensarmos em Otávio Paz, ao teorizar sobre a tradução poética, veremos que a tradução implica em uma transformação do original, e que
Mostrar mais

107 Ler mais

O LUGAR DA LITERATURA E DO CINEMA NA ESCOLA

O LUGAR DA LITERATURA E DO CINEMA NA ESCOLA

RESUMO: Este esboço tem como objetivo refletir sobre o lugar que a Literatura e o Cinema ocupam na escola. A partir da análise dos documentos oficiais que regem a educação brasileira, e, de como a escola insere essas duas linguagens na práxis pedagógica, como as concebe, como considera a relação dialética que estabelecem entre si e os pontos através dos quais essas artes dialogam, se aproximam, se afastam, se autorreferenciam, se complementam e exercem a função humanizadora. A escola deve se consolidar como instrumento de inclusão social e cultural, por ser um espaço privilegiado para o acesso à arte e para que a sua recepção e a sua dimensão social contribuam para a formação holística dos estudantes.
Mostrar mais

10 Ler mais

CINEMA E LITERATURA: CONTRAPONTOS INTERSEMIÓTICOS

CINEMA E LITERATURA: CONTRAPONTOS INTERSEMIÓTICOS

Andre Basin, crítico francês, um dos primeiros a sair de forma coerente e consistente em favor do Cinema, preconizava que não havia dano ou prejuízo algum para os textos literá- rios se transpostos para o cinema. Até hoje, irracional e inexplicavelmente, há quem se posi- cione contra as traduções intersemióticas. A literatura, em sendo discurso escrito, em sendo narrativa, pelo menos na sua forma tradicional, suscita imagens e o receptor, no ato da leitura, dialoga incessantemente com outras áreas do conhecimento e com outras artes. A visualidade é um viés que, mesmo que queiramos, não poderia ser negligenciado ou desconsiderado. Ur- gentes e necessárias, as transposições intersemióticas requerem uma análise que leve em con- sideração não só a correspondência e autonomia entre as artes, mas e sobretudo, as especifici- dades existentes e inerentes a cada meio de expressão. Reiteramos uma vez mais que não po- demos nos debruçar sobre o cinema com o mesmo arsenal teórico que disponibilizamos para a literatura. Arte essencialmente narrativa, nos primórdios, o cinema bebeu nas fontes da teoria da literatura. Até hoje essa parceria ainda rende bons resultados. É bem verdade que, à falta de um suporte teórico específico, até bem pouco tempo, muito do referencial teórico da literatura serviu como ponto de apoio e abordagem para os estudos cinematográficos. No seu estágio atual, felizmente, a sétima arte já respira um ar de maturidade inquestionável. Já temos um acervo considerável de textos cinematográficos, já dispomos de teorias que explicitam, dire- cionam, abordam e analisam não só a produção fílmica já produzida, como dão sustentação prático-teórica à produção cinematográfica, em todos os níveis.
Mostrar mais

15 Ler mais

Le Comte de Monte Cristo: da literatura ao cinema

Le Comte de Monte Cristo: da literatura ao cinema

A presente dissertação discute o diálogo estabelecido entre literatura e cinema no tratamento da personagem principal – um homem traído que se vinga de forma cruel [r]

106 Ler mais

Transposição intermidiática: diálogo entre literatura e cinema

Transposição intermidiática: diálogo entre literatura e cinema

Os estudos comparados permitem interligar, por exemplo, a literatura e o cinema. Há a presença de uma transposição de um texto literário para uma outra mídia e uma transformação do signo verbal para o signo visual, ou vice-versa. Durante um período, especialmente em tempos que remetem à origem cinematográfica, o cinema passa a ser visto como um grande difusor comercial. Alguns aspectos culturais acabam sendo excluídos devido a um descrédito, ou por se tratarem de objetos da cultura popular ou por serem vistos como produtos de massa, de consumo, produzidos em série, visando unicamente ao lucro. São vistos como uma produção não mais realizada por uma figura individual, por um único gênio criador como na literatura ou mesmo na arte da pintura, por exemplo.
Mostrar mais

13 Ler mais

O diálogo entre cinema e literatura em «Frankenstein»

O diálogo entre cinema e literatura em «Frankenstein»

Segundo cineasta na voz de Sabrina Sedlmayer, a arte é que mais se aproxima da literatura. É a literatura que, muitas vezes, realiza a expressão artística através dos recursos estilísticos e literários necessários para passar ao leitor toda a essência e inten- ção da obra. Portanto, a arte cinematográfica vai buscar na arte literária toda a inspira- ção para retratar não somente factos históricos, mas também ficcionais. Quando o cinema retrata a ficção literária, o diálogo entre ambas as artes não se restringem a um único ponto da construção da arte, mas o autor concentrado para os elementos estruturais da obra, dão base tanto para o leitor, quanto para o director no momento de (re) ler, traduzir, e reconstituir a narrativa escrita num outro apoio.
Mostrar mais

13 Ler mais

Teatro, cinema e literatura: confluências

Teatro, cinema e literatura: confluências

Não pretendo tratar, neste texto, dessas questões comparativas entre as peças. No entanto, em parte com o objetivo de aproximar o teatro grego antigo do cinema, gostaria de chamar a atenção para o fato de que, nessa aproximação e comparação, outras possibi- lidades de leitura acabam, implicitamente, interferindo, ou subsi- diando essa análise intermidiática. Por essa razão, acho pertinente destacar alguns tipos de relações que já foram estabelecidas (e que ainda podem ser) a respeito das manifestações desse mito tão fe- cundo e presente ao longo da história da cultura ocidental. Destaco as seguintes relações: a) entre os próprios textos dramáticos gregos do século V, mais particularmente entre as Electras dos três trage- diógrafos, citadas anteriormente; b) entre os textos dramáticos gregos e a iconografia contemporânea a eles (Brandão, 2002, p.115- 29; Bakogianni, 2008, cap.2, 3); c) entre os textos gregos e tradições interpretativas muito influentes na recepção desses textos – no caso do mito de Electra e das peças clássicas gregas, é oportuno lembrar o papel de três teóricos do século XIX, August Schlegel, Friedrich Schlegel e Friedrich Nietzsche, que tiveram grande impacto na re- cepção da literatura dramática grega, na medida em que suas aná- lises e valorações das obras dos três mais famosos tragediógrafos gregos foram marcantes para a fortuna crítica no século XX (Coelho, 2011, p.115-37); d) entre as diferentes propostas de tra- dução das tragédias e o texto grego original; 6 e) entre as tragédias e
Mostrar mais

311 Ler mais

LITERATURA E CINEMA: ADAPTAÇÃO, TRADUÇÃO, DIÁLOGO, CORRESPONDÊNCIA OU TRANSFORMAÇÃO?

LITERATURA E CINEMA: ADAPTAÇÃO, TRADUÇÃO, DIÁLOGO, CORRESPONDÊNCIA OU TRANSFORMAÇÃO?

textos literários, permitindo sua transformação em películas.Isso implica afirmar que a literatura serve de motivo à criação de outros signos e coloca em jogo, não só a linguagem dos meios, mas também os valores subjetivos, culturais, políticos do produtor da película. Além disso, a linguagem de cada meio deve ser respeitada e “apreciada de acordo com os valores do campo no qual se insere e não em relação aos valores do outro campo” (JOHNSON, 2003, p. 42). Por isso, ao se verificar as relações existentes entre o texto literário e o cinematográfico, merecem respeito às características peculiares de cada um deles, uma vez que, ao escrever um romance, o autor não o faz pensando em termos de roteiros cinematográficos; seu objetivo é, evidentemente, literário. Sendo assim, a possibilidade de transformação de uma novela ou romance para o cinema é uma forma de interação entre mídias, a qual dá espaço a interpretações, apropriações, redefinições de sentido. O filme passa a ser, então, apenas uma experiência formal da mudança de uma linguagem para a outra, porque o escritor e o cineasta têm sensibilidades e propósitos diferentes. Por isso, “a adaptação deve dialogar não só com o texto original, mas também com seu contexto, [inclusive] atualizando o livro, mesmo quando o objetivo é a identificação com os valores neles expressos” (XAVIER, 2003, p. 62).
Mostrar mais

15 Ler mais

LITERATURA E CINEMA EM INTERAÇÃO DISCURSIVA

LITERATURA E CINEMA EM INTERAÇÃO DISCURSIVA

O cinema, assim como a literatura, trabalha com variadas esferas ideológicas (MEDVIÉDEV, 2016 [1928]) e com as mais diversas abordagens e perspectivas; tal fato faz com que as relações entre as duas modalidades de expressão consigam se complementar como recurso em sala de aula. Além disso, possuem a capacidade de fazer com que o leitor se insira nas obras literário-cinematográficas a partir de um ponto de vista baseado na alteridade. O aluno que assiste/lê consegue vivenciar os dramas vividos pelos personagens e, com isso, encontra auxílio para ajudá-lo a lidar com seus conflitos internos e consegue perceber o mundo à sua volta a partir de um olhar embebido em criticidade (ao ver o outro, também se olha). A amplitude do cinema é que ele não se reduz ao que narra, mas é atravessado por diversas peculiaridades que o constituem.
Mostrar mais

20 Ler mais

CINEMA E LITERATURA - ALGUMAS REFLEXÕES

CINEMA E LITERATURA - ALGUMAS REFLEXÕES

Leopoldo Torre Nilsson (1924-1978) foi um dos realizadores cinematográficos que maior consciência teve da função narrativa do cinema e de suas relações – enquanto relato – com a literatura de ficção. Ele realizou a primeira adaptação de um texto de Borges ao cinema. Não só escreveu seus roteiros com a romancista Beatriz Guido – vários são adaptações de algumas obras desta escritora – como foi o diretor que mais se interessou pela narrativa argentina como fonte ou motivação de sua es- tética fílmica. Esta dupla atração pela narrativa literária e pela imagem marca talvez toda a sua obra cinematográ- fica e transparece nas reflexões que expressou sobre seu trabalho criativo. “O cineasta deve ser um romancista” – diz Torre Nilsson. “Cada vez mais o cineasta deve ser um romancista e o romancista um cineasta, na medida em que tenha algo para narrar”. E acrescenta: “Sei que sou duas pessoas: uma que escreve e outra que filma. Gos- taria que as duas se juntassem e pressinto que em minha carreira devem ter-se juntado”.
Mostrar mais

9 Ler mais

Cinema e literatura: representações autobiográficas

Cinema e literatura: representações autobiográficas

A transposição fílmica de obras literárias chama atenção pela expressão de uma nova consciência de tempo e espaço, que encerra no recurso cinematográfico uma vertente privilegiada. O cinema será discutido e destacado por ser arte e representação técnica da consciência temporal moderna, figurando como a mais representativa de sua época, embora não seja, necessariamente, a mais criativa. Este estudo consiste em re- flexões sobre a inter-relação entre Literatura e Artes visuais. Nesta pro- posta didática, direcionada para o Ensino Médio, buscar-se-á discutir a importância do cinema e da autobiografia. É fundamental considerar que ao aliar tais práticas, o artista estará duplamente presente, como personagem representado e na obra de arte final. Para o espectador, uma vez terminada a magia do olhar reflexivo, pode ser difícil determinar o elo entre estes dois aspectos. Observar um autorretrato abre um novo espaço para leitura ou releitura do indivíduo ali exposto.
Mostrar mais

12 Ler mais

Pathé-Baby: a literatura como se fosse cinema

Pathé-Baby: a literatura como se fosse cinema

Este trabalho busca investigar a intrínseca relação entre literatura e cinema em Pathé-Baby, publicado por António de Alcântara Machado em 1926. Para tanto, foi utilizado um aporte teórico formado, fundamentalmente, por nomes como Rajewsky e Prümm para recrutar a teoria da intermidialidade; Lotman, Bilharino e Hutcheon para aprofundar as questões que envolvem os processos operacionais e estéticos do cinema; e Friedman e Jahn com o intuito de analisar o comportamento do narrador na obra analisada. A partir dos resultados obtidos, fica evidente, além do poder de emulação de Pathé-Baby – que se apropria de elementos próprios do cinema, funcionando como um filme mudo –, a expressividade visual que o livro apresenta, aproximando as artes em um diálogo fecundo entre imagem e texto.
Mostrar mais

26 Ler mais

Literatura e cinema: diálogos possíveis

Literatura e cinema: diálogos possíveis

RESUmO: O artigo discute um continum de tradição na literatura brasileira que possibilita a mobilização de temas entre literatura e Cinema em um contexto amplo de diálogos interculturais. Nossa preocupação central é apontar para a permanência de um processo de fragilização do humano como resultado das constantes revitalizações dos temas dentro da tradição artística. O diálogo intertextual e a recuperação temática em procedimentos estéticos em diferentes obras artísticas é o ponto de contato teórico que possibilita a aproximação aqui proposta. Nosso corpus de investigação compreende o conto “Ascensão e Queda de Robhéa, Manequim & Robô” de Caio Fernando Abreu (2009); “O cobrador”, de Rubem Fonseca (1986) e os fi lmes Metrópolis, de Fritz Lang (1927) e Tropa de Elite, de José Padilha (2008). Entendemos que, cada um a sua maneira, conforme Friedrich (1991) mobiliza formas complexas de representação artística e provocam a atualização da precariedade humana em um continum dentro da tradição. É importante ressaltar que o perfi l teórico adotado neste estudo pressupõe a compreensão da modernidade com “arte de conjugação”, conforme Paz (1972, 1994), o que garante um processo contínuo de transformação estética, mas paradoxalmente, a permanência e revitalização desta tradição ao longo do tempo histórico, aqui recortado como o século XX.
Mostrar mais

18 Ler mais

Literatura e cinema. Diálogos na era da interatividade

Literatura e cinema. Diálogos na era da interatividade

Em 1982, Johnson apresenta-nos algumas noções de equivalência entre cinema e literatura que se revelam particularmente pertinentes para compreender de que modo é feita a recriação da narrativa fílmica para o livro digital interativo, elemento híbrido no qual todas as linguagens convergem. Segundo o autor a grande diferença entre romance e filme passa pelo tipo de comunicação. Enquanto a literatura se serve da linguagem verbal, o cinema utiliza a linguagem visual. Se o primeiro meio proporciona a criação de imagens mentais o segundo dá-nos a imagem visual concretizando-se numa perceção direta e imediata.
Mostrar mais

6 Ler mais

REPRESENTAÇÃO SONORA ENTRE LITERATURA E CINEMA: a questão do ponto de escuta nas adaptações de Persuasão de Jane Austen.

REPRESENTAÇÃO SONORA ENTRE LITERATURA E CINEMA: a questão do ponto de escuta nas adaptações de Persuasão de Jane Austen.

O interesse deste artigo em unir os estudos de som, a teoria do cinema e a literatura encontra um ponto de inflexão nos textos, de resto bastante citados recentemente nos estudos sobre som no cinema, de Raymond Murray Schafer. É sabido que a obra do canadense, escrita entre as décadas de 1970 e 1980, e traduzida em parte para o Brasil entre a segunda metade da década de 1990 e o início dos anos 2000, tem como conceito central o que em língua portuguesa se traduziu como “paisagem sonora”, a partir do neologismo soundscape. Ou seja, explicando de forma simples e direta, trata-se de entender que assim como há uma paisagem visual representável, a landscape em língua inglesa, da qual a fotografia, a pintura e demais artes visuais procuraram dar conta nos últimos séculos, há também a sonoridade mensurável e representável específica de cada lugar, a soundscape.
Mostrar mais

28 Ler mais

MACUNAÍMA, LITERATURA, CINEMA E FILOSOFIA

MACUNAÍMA, LITERATURA, CINEMA E FILOSOFIA

Nas telas, cabe-lhe a violência de ser devorado pela Uiara, cuja beleza o atrai para o rio. O movimento ascensional, comumente presente na morte de heróis míticos, e que, no livro, leva à subida de Macunaíma aos céus, é apresentado de forma diluída na ascensão de seu sangue à superfície das águas, na mancha vermelha que se mistura ao verde do rio e da jaqueta. Ao longo de toda a película, a fotografia – em “tropicolor”, como foi chamada – acentua principalmente o verde e o amarelo, as cores da bandeira do Brasil, e também a cor de terra, e termina ensanguentada. O hino cívico de Villa-Lobos, Desfile aos heróis do Brasil, usado na abertura, fecha o círculo e acentua com solenidade a ironia cruel da última cena. E o Macunaíma de Joaquim Pedro, depois de devorar uma obra literária que por sua vez comeu da cultura popular e da erudita, foi amplamente consumido pelo público, dado o sucesso do filme. Nele, Macunaíma não vira constelação, mas é estrela de cinema. Pop star. Apesar de tudo, apesar de si. Ou por isso mesmo.
Mostrar mais

14 Ler mais

Manoel de Oliveria: literatura e cinema

Manoel de Oliveria: literatura e cinema

Destacamos, assim, as duas conversas entre José Augusto e Camilo: a primeira delas, com a presença do cavalo no sobrado, na sala da casa de Camilo, quando o primeiro anuncia que nada[r]

8 Ler mais

PROEMI: Literatura no Cinema e Cinema no Facebook

PROEMI: Literatura no Cinema e Cinema no Facebook

[...] faz-se necessário o diálogo envolvendo os atores diretos do cenário escolar – pais, estudantes, educadores, gestores e demais profissionais da instituição –, com vista para a superação dos desafios na educação pública. Então, ao pensar na promoção de uma Educação Integral, deve-se garantir, neste caso, aos alunos brasileiros, o direito de aprender e criar oportunidades para desenvolver seus talentos em um ambiente rico e acolhedor (ASSOCIAÇÃO CIDADE ESCOLA APRENDIZ, 2009: p. 22).

10 Ler mais

O campo e a cidade na literatura brasileira   Luiz Ricardo Leitão

O campo e a cidade na literatura brasileira Luiz Ricardo Leitão

Após a i guerra, as contradições do sistema capitalista (cujos sucessivos estágios de acumulação comportam sempre violentas crises cíclicas de notável dimensão) produzem o colapso de 1929, com a quebra da bolsa de nova York e a retração completa da economia e do comércio nos grandes centros ocidentais, além de conseqüências desastrosas para suas (ex-)colônias e todas as zonas periféricas. Apesar dos efeitos daninhos da crise, esta representa para a América latina uma rara oportunidade de progresso e auto-afirmação. Face ao seu isolamento, o subcontinente vive um processo de industrialização crescente – a fim de substituir os produtos importados ausentes do mercado –, sensível urbanização e célere expansão dos meios de comunicação de massa, em especial o rádio, que durante a primeira metade do século xx possui importância equiparável àquela que a televisão assumiria após 1950. este fenômeno, aliás, está diretamente associado ao projeto impe- rialista ianque, que, além da sedução do cinema, se vale da radiodifusão para ampliar seu controle ideológico na região desde as primeiras décadas do século, conforme tão bem atestam seus investimentos em cuba, verdadeiro laboratório estadunidense no caribe, que em 1933 já contava com 52 emissoras de rádio, número bastante superior ao dos seus vizinhos latinos, como brasil (22) e Argentina (17), e só inferior ao dos euA (625), canadá (77) e rússia (68). 2
Mostrar mais

238 Ler mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS – UFSCAR CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DE LITERATURA ANE CAROLINA RANDIG TAVARES

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS – UFSCAR CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DE LITERATURA ANE CAROLINA RANDIG TAVARES

Partindo de uma análise no plano profundo temos a situação real (ser) que é uma situação anormal, de desequilíbrio, problemática; e a irreal (parecer) que é normal, sem problemas. O padre Ángel, que representa o poder religioso, quer manter a autoridade espiritual sobre a população e crê que todos da cidade o obedecem. É pela censura que o padre busca manter sua autoridade eclesiástica e a moralidade do povoado, proibindo alguns costumes e tratando de impor suas ideias. Ele crê (plano do parecer) que as pessoas aceitam a censura cinematográfica por meio das badaladas do sino da igreja, mas, na realidade (plano do ser) as pessoas logram sua censura entrando no cinema pela porta dos fundos (MÁRQUEZ, 2010). Ademais, tenta o padre impor certos princípios morais quanto às vestimentas, negando a comunhão às mulheres que usem mangas curtas, mas essas usam mangas postiças para enganar o padre. O padre quer crê que todos na cidade vivem sob os princípios morais impostos pela igreja (plano do parecer), contudo, pouco a pouco vai percebendo que não consegue exercer o poder que gostaria (plano do ser).
Mostrar mais

158 Ler mais

Show all 10000 documents...