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Como é a universidade de que o Brasil precisa?().

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Prosseguindo, proponho um neologismo: “exvestigação”. Ela decorre de uma substituição da partícula in pela partícula ex na palavra investigação de uso mais corrente na língua espanhola para designar pesquisa. “Exvestigação” seria, em conjunto com estudantes e movimentos sociais, construir conhecimento “para fora” e não “para dentro” do mundo da universidade e da ciência como fazemos até agora. Esse processo seria problem oriented e policy oriented, e não orientado por disciplinas ou, simplesmente para conhecer sem comprometer-nos com a mudança. Isso é algo que, embora existam propostas e iniciativas importantes no campo da pesquisa participante ou da pesquisa ação, também não estamos acostumados a fazer. A universidade é vista por nós (e por isso pelo conjunto da sociedade) como o reino da verdade e não como o do território da política (no duplo sentido que tem em nossa língua, de policy e de politics); como se fosse possível fazer conhecimento não politizado. Esse é um tema pantanoso. É muito difícil precisar até que ponto a universidade pode politizar-se sem se partidarizar. Mas é ingênuo (ou algo pior) achar que ela se deve manter como um espaço quase templário e religioso onde não entram valores morais e interesses econômicos e políticos. A universidade está impregnada por eles e é irrealista e nociva a ideia de que sendo nós animais políticos a universidade poderia deixar de ser um território de enfrentamento político, de disputa de projetos políticos. Continuando, proponho um outro: mudarmos docência por “decência”. Isso talvez seja algo injusto para muitos de nós. Mas frequentemente o que encontra- mos na universidade, fazendo de novo referência à língua que fala a maioria de nossos colegas latino-americanos, é o “cumplo-y-miento” (“cumpro-e-minto”) e não o cumprimento verdadeiro de nosso papel. É uma docência que muitas vezes não é compatível com a decência. E só dessacralizando e politizando a docência encontraremos motivação suficiente para nos desfazer do “cumplo- -y-miento” e trabalhar para contribuir para construir uma sociedade decente. De fato, muito do que ensinamos na universidade é um conhecimento que já não serve, se é que algum dia serviu, para melhorar a sociedade. Com muito pouco de análise crítica e também de autocrítica nos daríamos conta de que nossa docência reproduz um passado injusto e não aponta para o futuro que a sociedade deseja. E, no entanto, aprisionados na armadilha que nós mesmos fabricamos, no ambiente adverso que criamos e mantemos, seguimos “cumprin- do” formalmente o que arbitramos que deve ser o nosso papel e “mentindo”. Não estamos quebrando nenhuma norma, nenhuma lei, mas estamos mentindo para a sociedade e para nós mesmos.
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OS CONTROLES INTERNOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROCESSO DE GESTÃO E PARA A GOVERNANÇA INSTITUCIONAL

OS CONTROLES INTERNOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA E A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROCESSO DE GESTÃO E PARA A GOVERNANÇA INSTITUCIONAL

Ora, se os controles internos fomentam o processo de desempenho e prestação de contas do gestor do ensino, tais ferramentas de controle não podem passar ao largo dos princípios da Administração Pública, sendo que um deles se refere diretamente ao segundo aspecto desta subseção — compliance—, que é o pressuposto da legalidade. Invariavelmente, a Administração Pública, representada pelas universidades federais, deve possuir estrita observância às normas e preceitos legais que balizam a governança institucional. Estamos nos referindo aos normativos afetos ao ensino público, bem como aos respectivos Planos de Desenvolvimento Institucional de cada universidade federal, notadamente da UFJF, objeto de nosso estudo, os quais serão abordados em tópico posterior. Certamente, a conformidade dos atos de gestão aos normativos e planos institucionais concede ao gestor do ensino o norte para o alcance dos objetivos institucionais sem perder o foco no desempenho da gestão. Estes somente lograrão êxito quando verificado um sistema de controle interno atuante e eficaz diante dos processos e procedimentos administrativos.
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Por que o Brasil precisa dos Estudos Clássicos

Por que o Brasil precisa dos Estudos Clássicos

movimento proletário dos séculos XIX e XX: todos esses movimentos foram profundamente marcados pela influência dos Estudos Clássicos. Também não é ocioso recordar aqui que três dos pensadores que mais marcaram a nossa história contemporânea desde o fi- nal do século XIX até os dias de hoje, Marx, Nietzsche e Freud, tiveram suas obras marcadas pela influência da literatura e do pensamento clássicos. Em sua tese de doutorado, defendida em Iena (Alemanha), em 1841, Marx discutiu a Diferença entre a filosofia da natureza de Demócrito e Epicuro. Nietzsche, que foi professor de Filologia Clássica, na Basileia (Suíça), entre 1869 e 1879, escreveu seus primeiros textos sobre Homero, Teógnis e Sófocles, por exemplo, e publicou seu pri- meiro livro sobre O Nascimento da Tragédia. E a obra de Freud foi profundamente marcada pela literatura greco-latina. Basta lembrar que no seu primeiro li- vro mais conhecido, A interpretação dos sonhos (título que nos faz pensar no Oneirokrítikon, de Artemidoro de Daldis, autor do século II d. C.), Freud cita versos da Eneida (7, 312), de Virgílio como epígrafe e começa falando de Aristóteles, Macróbio e Artemidoro. Além disso, é assaz conhecido o uso que o fundador da psi- canálise fez dos mitos de Édipo e de Electra, por exem- plo. O que quero dizer com isso é que não é possível
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O PAPEL DA PRÓ-REITORIA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO PROCESSO DE INCLUSÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

O PAPEL DA PRÓ-REITORIA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO PROCESSO DE INCLUSÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

A presente dissertação é desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação (PPGP) do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF). O caso de gestão a ser estudado irá discutir sobre as possibilidades de atuação da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil e Educação Inclusiva (PROAE) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) a partir de uma visão mais ampla da política de assistência ao estudante frente à redução das diferentes formas de desigualdade social, visto que os gestores que assumiram o setor em agosto de 2014 se propuseram a ressignificar o apoio estudantil para uma relação com os alunos que vá além do suporte financeiro, simplesmente. O objetivo definido para este estudo foi o de conhecer a percepção dos alunos em relação à Política de Assistência Estudantil na UFJF. Assumimos como hipótese que existe uma cultura na UFJF em que a assistência estudantil vem, há muito tempo, mantendo seu foco principal de atividade em ações que visam o suporte material por meio de bolsas e auxílios financeiros em detrimento das demais ações desenvolvidas pela equipe, também previstas no Decreto 7.234/2010. Foram utilizadas como metodologias a pesquisa qualitativa e o estudo de caso e como instrumento entrevista semiestruturada. Foi possível confirmar que, realmente, existe um equívoco, tanto por parte da instituição quanto por parte dos alunos, em relação ao conceito de Assistência Estudantil. Portanto, foram propostas ações com intuito de ressignificá-la e torna-la mais proativa em situações de evasão e retenção.
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OS DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE ARQUIVOS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA: O CASO DA CAP/PROGEPE – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

OS DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE ARQUIVOS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA: O CASO DA CAP/PROGEPE – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

A tomada de consciência de tais aspectos foi possibilitada pelo caminho de descoberta efetuado ao longo da escrita desta dissertação, a começar pelo capítulo 1, em que tivemos o primeiro contato direto com os problema vivenciados na CAP. Buscamos nesse capítulo traçar conceitos fundamentais introdutórios para a compreensão do lugar da Arquivologia no contexto universitário, costurando esse tema com a abordagem de um breve histórico da UFJF e das estruturas administrativas em torno do setor que selecionamos para nosso debate. Pontuamos como a própria estrutura da PROGEPE tende a destinar e concentrar muitos documentos nas mãos da CAP, para que recebam o tratamento arquivístico e sejam guardados nesse setor. Sublinhamos que não é errado que haja centralidade nas decisões técnicas acerca da gestão arquivística, porém questionamos a necessidade de se enviar todos os materiais documentais para a CAP, delegando a esse setor um número desproporcional de decisões relativas à gestão de documentos se comparado com outras coordenações.
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EDINILSON MATOS CAVALCANTE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO COMO INSTRUMENTO DE MUDANÇA ORGANIZACIONAL NUMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DA REDE ESTADUAL DO AMAZONAS

EDINILSON MATOS CAVALCANTE O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO COMO INSTRUMENTO DE MUDANÇA ORGANIZACIONAL NUMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DA REDE ESTADUAL DO AMAZONAS

A presente dissertação é desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública (PPGP) do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAED/UFJF). O caso de gestão a ser estudado discutiu o Projeto Político Pedagógico (PPP) como instrumento de mudança organizacional em uma Escola Estadual do município de Coari, no estado do Amazonas, tentando responder ao questionamento de como as ações gestoras de uma escola da cidade mencionada podem suscitar discussões acerca do processo de elaboração e revisão do PPP de forma colaborativa, tendo como foco a construção de um instrumento de mudança organizacional. O objetivo definido para este estudo é investigar como o Projeto Político Pedagógico da escola estudada tem se refletido nas ações da gestão pedagógica e de sua estrutura organizacional. Para dar conta de atender ao objetivo explicitado, propomos também três objetivos específicos, a saber: descrever o contexto de implantação do PPP na escola estudada, tendo em vista a participação dos atores envolvidos neste processo; analisar de que maneira foi realizada a organização do trabalho posterior à implantação do PPP da escola estudada e sua relação com o planejamento da gestão escolar; e propor um Plano de Ação Educacional (PAE) que se configure como um instrumental de apoio da escola para pensar o PPP como um recurso democrático de integração e participação da comunidade escolar. Assumimos como hipótese que as propostas pedagógicas elencadas no PPP não estão sendo utilizadas nas organizações dos trabalhos administrativos nem no planejamento das aulas, tendo em vista que não foram discutidas de maneira democrática e, como consequência não teria sido trabalhada pelos professores, pais e alunos. Para tanto, utilizamos como metodologia de pesquisa o estudo de caso e entrevistas semiestruturadas, de forma que possibilitem compreender de que maneira o PPP serviu como instrumento de organização escolar.
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O FLUXO DE PROCESSOS NA COORDENAÇÃO DE CONTRATOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA: UM ESTUDO SOBRE OS MAIORES DESAFIOS PARA A OTIMIZAÇÃO DOS TRABALHOS – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

O FLUXO DE PROCESSOS NA COORDENAÇÃO DE CONTRATOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA: UM ESTUDO SOBRE OS MAIORES DESAFIOS PARA A OTIMIZAÇÃO DOS TRABALHOS – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

As atividades restam prejudicadas, por um lado, pela falta de mobiliário, como por exemplo, um arquivo do tipo suspenso para uma melhor organização documental. Tal situação leva à necessidade de empilhamento de pastas umas sobre as outras, em uma pequena mesa, dificultando o manuseio e acesso aos ajustes por meio físico, além do risco de extravio pela falta de um arquivamento seguro. Não existe um sistema informatizado para a inserção de informações digitais, de modo que todo o trabalho é feito manualmente, através da alimentação de uma planilha elaborada no programa Excel.
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Palavras chave: Habilidades; Competência; Novas tecnologias; Docente; Multi-alfabetização; Século XXI

Palavras chave: Habilidades; Competência; Novas tecnologias; Docente; Multi-alfabetização; Século XXI

de informação, busca semântica de informação, formação de autoria. Assim, podemos entender fluência tecnológica como habilidade minimalista de digitar texto, navegar a internet, co- nhecer comandos repetitivos, mas igualmente como exigência rebuscada de dar conta de empreitadas não-lineares interpretati- vas, nas quais a postura é de sujeito participativo/reconstrutivo. Podemos vislumbrar esse desafio nos jogos eletrônicos: há os banais, mero passatempo; há os “bons”, que lançam sobre o jogador desafios crescentemente complexos, levando-o quase à exaustão (por vezes também à dependência); desde a con- figuração do avatar, passando pela interferência possível nos ambientes virtuais (reconstruir ambientes em 3D, por exemplo), até a mudança parcial das regras do jogo, incluindo-se ainda a “peer universisty” (universidade de pares) que os jogadores criam online para discutir o jogo. Usar computador e internet aparece aí como mero pressuposto, tal qual saber ler, escrever e contar. O que mais importa é sacar da máquina tudo que pode dar, em especial em termos de formação da autoria. É certo que a liberdade de ação é restrita, sob medida (GALLOWAY, 2004) 15 ,
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GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DE CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA: O CASO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA EM UM ESTUDO DE CASO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DE CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA: O CASO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA EM UM ESTUDO DE CASO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Viu-se, também, a partir dos dados coletados na pesquisa de campo, que todas as IFES pesquisadas, sem exceção, informaram ter gestores formalmente nomeados para cada um de seus contratos administrativos. Assim é que, para fazer valer as normas entabuladas pela Resolução do CONSU em análise, desde maio de 2016, a Coordenação de Contratos da UFJF adotou o procedimento de provocar, por meio oficial, os requisitantes de serviços (aqueles que solicitam a abertura de licitação para contratação) a indicarem, para cada novo contrato, um gestor titular e um substituto, nomeados por portaria do Reitor. Ainda em relação a contratos já existentes, passou-se a condicionar sua prorrogação à nomeação dos gestores, a fim de que, ao menos a médio prazo, todas as avenças contassem com responsável formalmente designado.
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ANA PAULA DELGADO DA COSTA O REUNI NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA: UMA ANÁLISE DOS BACHARELADOS INTERDISCIPLINARES

ANA PAULA DELGADO DA COSTA O REUNI NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA: UMA ANÁLISE DOS BACHARELADOS INTERDISCIPLINARES

Caso queira concorrer a umas dessas vagas de 2º ciclo, o aluno poderá, após concluir o primeiro ciclo, no último período do Bacharelado Interdisciplinar, inscrever- se em até 03 (três) opções, por ordem de preferência. Os critérios de classificação para o reingresso consideram o Índice de Rendimento Acadêmico (IRA) 7 do estudante (peso de 30%) e a apresentação de um pré-projeto (peso de 70%). Além disso, o aluno já deve ter cursado, durante o ciclo básico, doze créditos obrigatórios das disciplinas características da opção pretendida (UFJF, 2010). Esse ponto deixa uma dúvida em relação à proposta do BI de adiar a escolha do aluno de qual área deseja seguir, o que evitaria uma escolha prematura. Nos primeiros períodos do curso, o aluno terá contato com algumas áreas, mas apenas isso pode não ser suficiente para o bom direcionamento e orientação da escolha do aluno. Além disso, o tempo de escolha do aluno é relativamente pequeno, uma vez que, por volta do
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA MARCIA PEREIRA DE ALMEIDA SOUZA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA MARCIA PEREIRA DE ALMEIDA SOUZA

O presente trabalho teve como objetivo investigar as causas que dificultam o funcionamento efetivo do Conselho Escolar da Escola Estadual de Tempo Integral Raimundo Lourenço. Assumimos como hipótese que o funcionamento efetivo do Conselho Escolar não ocorre devido à falta de participação dos diversos segmentos da comunidade escolar nas atividades desenvolvidas pela escola. Foi realizada uma descrição do caso em questão e apresentada uma contextualização do princípio da gestão democrática no cenário educacional público brasileiro, estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e reafirmado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 e nos Planos Nacionais de Educação de 2001 e 2014 (BRASIL, 1988; 1996; 2001; 2014). Os referenciais teóricos, que fundamentaram as considerações apresentadas acerca da participação social, autonomia e gestão democrática na escola, foram de contribuições de Cury (2002), Dallari (1984), Luck (2011; 2013) e Paro (2002). Examinamos a gestão democrática, no contexto educacional do ensino público brasileiro e a concepção de Conselho Escolar como instrumento de gestão democrática no âmbito escolar. Para tanto, utilizamos como metodologia a pesquisa qualitativa, procurando compreender os fenômenos, segundo a perspectiva dos sujeitos envolvidos na situação em estudo. Como instrumentos para produção de dados, foram feitas análises documentais e foram realizadas entrevistas semiestruturadas com o gestor e com os demais conselheiros do conselho escolar, no intuito de descrever a forma de participação do conselheiro e o que os levou a essa participação. Ainda, objetivou-se conhecer a percepção de cada entrevistado sobre o funcionamento do CE e sobre o tipo de gestão que é exercida na escola. De acordo com as informações obtidas por meio das entrevistas, foi possível constatar alguns desafios
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EXPANSÃO E FINANCIAMENTO DO SISTEMA DE ENSINO SUPERIOR FEDERAL: O CASO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

EXPANSÃO E FINANCIAMENTO DO SISTEMA DE ENSINO SUPERIOR FEDERAL: O CASO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

Este estudo centrou-se em analisar quais foram os reflexos orçamentários e financeiros na Universidade Federal de Juiz de Fora com adoção das políticas expansionistas ocorrida no país a partir de 2003, em especial o Reuni. Para tal buscou-se analisar a execução orçamentária da instituição no período de 2008 a 2016, concebendo indicadores como ferramentas estratégicas nessa análise, os quais terminaram por fazerem parte da proposta do Plano de Ação Educacional. Na realização da pesquisa de corte transversal, estão conjugadas as abordagens qualitativa e quantitativa, oferecendo informações sobre a aplicação dos recursos públicos por parte dessa instituição. O processo de expansão das universidades públicas federais foi estabelecido em normatizações procedentes de determinações centralizadas e estabelecidas com base em pressuposições que contemplavam, por um lado, a racionalização dos espaços físicos e humanos já existentes nas instituições e, por outro, evidenciava a construção de novos espaços físicos, contratação de técnicos e docentes, abertura de novas vagas e matrículas. No entanto, para se fazer reformas e expansões são necessários aportes financeiros. Porém, os recursos públicos são limitados e escassos. Por isso, sua utilização não pode ser feita de forma aleatória. A expansão de qualquer sistema público que atenda a sociedade em qualquer uma das funções do Estado, precisa ser acompanhada de uma estrutura de financiamento. Além disso, a evidenciação e a transparência dos gastos públicos permitem que a população saiba como os recursos públicos estão sendo aplicados. A participação social na gestão pública, além de direito garantido pela Constituição Federal de 1988, permite a fiscalização da utilização dos recursos; ou seja, o controle social é um meio importante para melhor exigir a aplicação do dinheiro público. Observou-se com os resultados obtidos neste estudo, que sem um financiamento adequado associado a um controle monitorado não há como atender a expansão desejada. Nessa perspectiva, essa pesquisa cumpriu com seu objetivo ao propor um Plano de Ação Educacional que monitore e avalie os dados educacionais e administrativos da autarquia estudada, aliado aos indicadores, que também cumpra essa missão associado à melhoria na qualidade de gastos.
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O PROGRAMA REUNI NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

O PROGRAMA REUNI NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

Ao considerar a educação como um dos fatores mais importantes no processo de desenvolvimento do país, o Governo Federal implantou programas que culminaram na duplicação de vagas públicas nas universidades federais. Apesar dos avanços, para o cumprimento das metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação para o decênio 2011- 2020 serão necessários ainda muitos investimentos no setor. Atualmente, a quantidade de jovens de 18 a 24 anos com acesso à educação superior é de apenas 14%, mas espera-se que essa meta seja dobrada em apenas dez anos. Para realizar a expansão, o Governo, no ano de 2007 criou o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI. Após três anos da implantação, fica evidenciado o crescimento quantitativo da rede federal, mas para seguir com a ampliação da educação superior, torna-se necessário avaliar os seus resultados. A presente dissertação avalia o programa REUNI na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com o objetivo de verificar as suas contribuições para a melhoria do ensino de graduação por meio dos indicadores Relação Aluno Professor e Taxa de Conclusão da Graduação. Além disso, será analisado o aumento da oferta de vagas na graduação, a dimensão reestruturante da arquitetura curricular bem como a correspondente ampliação da infraestrutura. Ao final, o trabalho indica a adoção de medidas consubstanciadas em um Plano de Ação Educacional que vise a ampliação e a melhoria do Ensino de Graduação na UFJF. O estudo parte da análise dos documentos orientadores do Programa, do Plano de Adesão da UFJF ao REUNI, de dados do Governo Federal e da própria universidade. Para efeito de comparação foram selecionadas 5 (cinco) Universidades – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Universidade Federal de Viçosa (UFV). Com base nas análises do REUNI na UFJF, foi constatado o êxito da fase de implementação do Programa. O bom andamento do Programa serve de subsídio para delinear diretrizes e ações para um novo Plano de Expansão para a Universidade Federal de Juiz de Fora, vindo a contribuir com o que preceitua o Projeto de Lei do PNE 2011-2020.
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FERNANDA CAVALCANTI DE MELLO A ESCOLA SEEDUC - RJ E O MODELO DE UNIVERSIDADE CORPORATIVA: POSSIBILIDADES E APROXIMAÇÕES

FERNANDA CAVALCANTI DE MELLO A ESCOLA SEEDUC - RJ E O MODELO DE UNIVERSIDADE CORPORATIVA: POSSIBILIDADES E APROXIMAÇÕES

Na educação corporativa, o foco são as estratégias da empresa. É necessário perceber se essas estratégias estão alinhadas com as tendências das demandas atuais, além disso, as empresas passam também a apresentar demanda por pesquisa, por apreensão do conhecimento e pela prestação de serviços mais qualificada. A educação corporativa, segundo Castro e Eboli (2013), é caracterizada por sua vinculação estratégica com a vida da empresa. “Os cursos, as ações educacionais devem ser concebidos e desenhados para bem atender a estratégia do negócio olhando igualmente para o futuro e para fora da organização” (CASTRO; EBOLI, 2013, p. 413). Já sua missão é enfatizar a cultura para o desenvolvimento da empresa. Dessa forma, quem desenvolve o negócio e a cultura da empresa são as pessoas que nela atuam. O foco de uma educação corporativa, portanto, repousa nas pessoas e na formação das competências que permitam tornar os negócios desenvolvidos na empresa diferenciais.
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MARIA ELIZABETE DE OLIVEIRA O MOMENTO DAS AÇÕES PARA A PERMANÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: VISITANDO A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

MARIA ELIZABETE DE OLIVEIRA O MOMENTO DAS AÇÕES PARA A PERMANÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: VISITANDO A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

Há de se observar em que contexto político-histórico a referida política educacional nacionalmente é intensificada. Na década de 1980 os movimentos sociais retomam suas forças, e instalam-se as condições e meios para a cidadania ser fomentada pelo Estado, especialmente sob as diretrizes da Constituição Federal de 1988. No caso da UFJF, o cenário onde se desenha tal política de atendimento é o do neoliberalismo, da globalização e do Estado mínimo. Considerando-se nessa abordagem, segundo Friedman e seus seguidores em crítica ao Estado de bem- estar social, “o sistema de políticas sociais [como] o responsável por muitos ou quase todos os males que afligem e que tinham a ver com a crise econômica e o papel do Estado” (DRAIBE, 1991, p. 90). Neste sentido, o Estado devia preocupar- se com a Educação como um dos pilares para o desenvolvimento econômico, mas partilhando essa oferta com a iniciativa privada. Tratavam-se, no referido cenário, de processos sociais de tendência de alteração das relações entre o Estado e o Mercado, (Draibe, 1991, p.100).
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PROPOSTA PARA O MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

PROPOSTA PARA O MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Entretanto, E2 enfatiza que ainda não é possível ter a participação da Pró- Reitoria de Apoio Estudantil e Educação Inclusiva nas ações realizadas pelos demais setores em função da equipe reduzida e dos recursos financeiros insuficientes. Contudo, apesar de E2 afirmar que a participação da PROAE nesses projetos é impossibilitada pela escassez de recursos humanos e financeiros, como solução para o problema, pode-se optar por realizar parcerias entre a PROAE e estes setores, com o intuito de que os últimos reservem vagas para a participação dos graduandos beneficiários do Apoio Estudantil nos projetos relacionados com a inclusão digital, esporte, cultura e com o acesso, participação e aprendizagem dos estudantes com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades e superdotação. Logo, os alunos beneficiários do Apoio Estudantil teriam acesso às ações nas áreas supramencionadas, mesmo que essas ações não sejam diretamente executadas pela PROAE.
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Por que o Brasil não precisa de política industrial

Por que o Brasil não precisa de política industrial

Pode se argumentar que existem barreiras à entrada de firmas domésticas em mercados estrangeiros. Além de barreiras tarifárias, quotas de importação e especificações sanitárias, existem também barreiras à entrada associadas ao estabelecimento de contatos comerciais, ao conhecimento do mercado estrangeiro, e à existência de assimetria de informação na qualidade do produto exportado. Por exemplo, Raff & Kim (1999) apresentam um modelo no qual os consumidores incorrem em custo para experimentar novos produtos. Como já conhecem a qualidade do produto local, mas desconhecem a qualidade do produto importado, este custo se transforma em barreira à entrada para as exportações de outros países. Nesse caso, como prescrição de política, é recomendado algum tipo de subsídio à exportação quando a diferença entre o produto de alta qualidade e o de baixa qualidade é significativa, quando a diferença no custo de produção entre estes produtos é baixa, e quando o grau de diferenciação entre o produto exportado e o produzido pelo incumbente estrangeiro e a tarifa de importação são altas. De qualquer modo, o subsídio deve ser diminuído ao longo do tempo, conforme o problema de assimetria for sendo reduzido.
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Com base em estudo técnico, associação que congrega empresas brasileiras do setor de ônibus urbanos afirma que o transporte coletivo não está relacionado com o aumento de casos de Covid-19 - Mobilitas

Com base em estudo técnico, associação que congrega empresas brasileiras do setor de ônibus urbanos afirma que o transporte coletivo não está relacionado com o aumento de casos de Covid-19 - Mobilitas

Especificamente em relação a possível correlação estatística, adota-se a variação percentual e semanal dos casos da COVID-19 confirmados 7 dias após a ocorrência da demanda e a variação percentual e semanal da quantidade de viagens realizadas por passageiros no transporte público por ônibus como as variáveis para análise. Essas duas variáveis foram selecionadas porque representam os indicadores do fenômeno em questão (viagens realizadas por passageiros influencia ou não a ocorrência de casos da COVID-19). Optou-se por analisar os casos confirmados 7 dias após a ocorrência da demanda, porque é um período que compreenderia a infecção e a detecção no teste do passageiro transportado.
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O USO ADEQUADO DO TEMPO COMO CATEGORIA DE AVALIAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR

O USO ADEQUADO DO TEMPO COMO CATEGORIA DE AVALIAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR

No decorrer da pesquisa de campo, pôde se perceber melhor o perfil dos gestores que respondem pelas instituições de ensino em questão. Apesar de todos os servidores possuírem formação superior com especialização e parte deles mestrado, eles se mostraram, além de sobrecarregados, inseguros quanto a sua atuação técnica nas áreas financeiras e administrativas. Destaque para os gestores iniciantes na função nomeados recentemente no processo de eleição de diretores escolares na RME-BH no final do ano de 2014. Outra constatação é o pouco hábito em se planejar as ações no cotidiano da escola para priorizar a gestão pedagógica além da formação específica na área de gestão escolar ser deficitária de maneira geral no grupo de profissionais analisados.
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S YNGENTA: VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS NOB RASIL

S YNGENTA: VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS NOB RASIL

Destaco, por fim, que ainda que restasse comprovado que as atividades da autora não produzem qualquer risco ao meio ambiente ou à saúde, conforme alegado por ela, o auto de infração e o termo de embargo lavrados pelo IBAMA não restariam maculados, pois, conforme demonstrado, a conduta perpetrada pela demandante (pesquisa e plantio de organismos geneticamente modificados na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu) é vedada.

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