Top PDF Conhecimento e usos do babaçu (Attalea speciosa Mart. e Attalea eichleri (Drude) A. J. Hend.) entre os Mebêngôkre-Kayapó da Terra Indígena Las Casas, estado do Pará, Brasil.

Conhecimento e usos do babaçu (Attalea speciosa Mart. e Attalea eichleri (Drude) A. J. Hend.) entre os Mebêngôkre-Kayapó da Terra Indígena Las Casas, estado do Pará, Brasil.

Conhecimento e usos do babaçu (Attalea speciosa Mart. e Attalea eichleri (Drude) A. J. Hend.) entre os Mebêngôkre-Kayapó da Terra Indígena Las Casas, estado do Pará, Brasil.

Antes de iniciar a coleta de dados, em julho de 2009 elaborou-se o Termo de Anuência Prévia (TAP) entre a co- munidade e a equipe do projeto de pesquisa “Laboratório de práticas sustentáveis em Terras Indígenas próximas ao arco de desmatamento”, que foi apresentado à aldeia Las Casas em reunião na casa dos homens (ngob) e da qual participaram homens e mulheres. Nesta ocasião os moradores aprovaram a realização da pesquisa e a participação no projeto assinando o TAP. Em seguida, este documento foi encaminhado ao CGEN, instituição que autorizou o acesso ao conhecimento tradicional associado à biodiversidade por meio da delibe- ração n0 255 de 22 de abril de 2010, autorização n0 53/2010. Foi também solicitada a autorização de pesquisa em terra indígena junto à FUNAI. Sucessivas reuniões com os Kayapó de Las Casas tiveram por objetivo esclarecer dúvidas que foram surgindo. Nessas reuniões as lideranças da comu- nidade solicitaram apoio na execução de projetos voltados à geração de renda a partir dos recursos abundantes na TI, como o babaçu (A. speciosa) e o buriti (Mauritia fl exuosa L.f.), e expressaram especial interesse na comercialização do “coco babaçu”. Considerando que ao se trabalhar com comunidades tradicionais e seus saberes associados ou não a biodiversidade devem-se tomar em conta as suas demandas, no sentido de incluí-las nos objetivos da pesquisa, muitas vezes a metodologia inicial deve sofrer adequações. Por esta razão focalizamos inicialmente a pesquisa no conhecimento e uso do babaçu. Pelo fato das pesquisadoras não dominarem a língua Mebêngôkre para realizar as entrevistas, as lideranças indicaram dois indígenas que pudessem se comunicar em lín- gua portuguesa e decidiram que seriam os acompanhantes da equipe no decorrer da pesquisa; os interlocutores designados foram Pykatire Kayapó e Kaprã poi Kayapó.
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O turismo de base comunitária como vetor de etnodesenvolvimento: a comunidade Mebêngôkre-Kayapó na Terra Indígena Las Casas - PA

O turismo de base comunitária como vetor de etnodesenvolvimento: a comunidade Mebêngôkre-Kayapó na Terra Indígena Las Casas - PA

O presente estudo pretende analisar a contribuição que a futura implementação do turismo de base comunitária pode levar ao povo Mebêngôkrê-Kayapó da aldeia Tekrejarôti-re que habita a terra indígena Las Casas no Sul do Estado do Pará, onde este além de se constituir como vetor de etnodesenvolvimento pode também contribuir na conservação da Sociobiodiversidade e cultura local, por meio das vivências que possibilitará a realização da convivencialidade, onde haverá o compartilhamento não só das atividades cotidianas, dos costumes da população local, mais também primando pela interculturalidade a qual se objetivam as trocas entre visitantes e comunidade, onde estas além de promover o conhecimento dos não-indígenas sobre este povo, busca também consolidar a identidade étnica e cultural dos mesmos. Diante disso, o presente estudo norteou-se pela pesquisa-ação participativa, utilizando-se também de dados, obtidos em 2012, oriundos da aplicação de entrevistas com a comunidade para realizar o diagnóstico das potencialidades turísticas. Esta se trata de uma pesquisa de natureza exploratório-descritiva a cerca do tema. A pesquisa de campo aliada a observação participante, realização de oficinas e entrevistas contribuiu para que fosse possível realizar uma análise mais profunda do ambiente estudado. Pretende-se com este estudo obter como resultados concretos a implantação e/ ou fomento de uma prática cultural e ambientalmente sustentável pautado nos processos de organização que permeia as diretrizes do turismo de base comunitária, porém este depende das condições dos recursos humanos e florestais e das condições de infraestrutura na comunidade, constituindo atividades social e culturalmente positivas a curto e médio prazo e em longo prazo em termos ambientais e econômicos. O presente trabalho identificou que a comunidade com suas manifestações culturais, festas e cerimônias estando aliada ao seu modo de vida e empreendida a partir dos seus critérios, tem condições de trabalhar com a atividade turística dentro da sua terra e tornar esta uma oportunidade de afirmação cultural e geração de renda. Mas conclui que para o turismo vir a ocorrer de fato são necessárias serem realizadas algumas medidas, inclusive que atenda a nova instrução normativa IN 3/2015, a qual estabelece que para que a comunidade trabalhe com o turismo na sua terra é necessário que seja elaborado um plano de visitação que atenda as exigências estabelecidas, onde este trabalho se constitui como uma ferramenta de importância na construção do mesmo, já que foi realizado a partir da demanda da comunidade e sendo realizado de forma participativa, valorando os diálogos horizontais e a autonomia deste povo.
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Repositório Institucional da UFPA: Exploração de recursos florestais não madeireiros pelos Mẽbêngôkre-Kayapó da aldeia Las Casas - terra indígena Las Casas, no sudeste do Pará: aspectos biológicos, sociais e econômicos relevantes para a sustentabilidade d

Repositório Institucional da UFPA: Exploração de recursos florestais não madeireiros pelos Mẽbêngôkre-Kayapó da aldeia Las Casas - terra indígena Las Casas, no sudeste do Pará: aspectos biológicos, sociais e econômicos relevantes para a sustentabilidade d

preparadas em forma de torta misturadas com uma farinha de milho, e cozidas em folhas apropriadas. Outros povos indígenas do nordeste brasileiro como os Apinajé e os Guajajara utilizam óleo produzido para a cocção de alimentos (BALICK, 1988), os Guajá, também utilizam as amêndoas para o preparo do leite de babaçu, trituram as amêndoas e misturam com água (FORLINE, 2000). O uso também é comum entre comunidades de ribeirinhos e seringueiros no sudoeste da Amazônia onde Campos e Eringhaus (2003) citam o consumo dos frutos crus, cozidos ou processados, as amêndoas para produzir óleo, e o mesocarpo para produzir farinha. Outra parte da palmeira consumida em Las Casas e cujo uso foi mencionado para alimentação é o estipe de onde extraem o palmito que é consumido cru, e segundo mencionaram as mulheres, a maneira tradicional de comer o palmito é acompanhado de castanha do Brasil. Este consumo do palmito no nordeste do Brasil é mencionado em comunidades rurais na Área de Proteção Ambiental (APA) de Araripe localizada nos estados Ceará, Pernambuco e Piauí (CAMPOS et al., 2015), e por moradores do entorno do mosaico de Unidades de Conservação no lago de Tucuruí no Pará (RIBEIRO et al., 2012). Na bacia do Rio Cocal no Tocantins para os pequenos proprietários, o babaçu possui grande importânc ia econômica, devido a que exploração ocorre no período da entre safra das principais culturas agrícolas, permitindo desta maneira ajudar no aumento da renda dos agricultores (SILVA et al., 2009). No Mato Grosso numa comunidade quilombola Arruda et al. (2014) mencionam além do consumo das amêndoas in natura, seu uso para o preparo de doces assim como também do leite de coco. Entre as quebradeiras de coco babaçu que habitam principalmente no Maranhão, Piauí e Pará o babaçu se apresenta além de um recurso do qual aproveitam tanto as sementes para a produção de óleo e cosméticos, quanto o mesocarpo para a produção de farinha, babaçu
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ANTONIO IDILVAN DE LIMA ALENCAR A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO ESTADO DO CEARÁ NA PERSPECTIVA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

ANTONIO IDILVAN DE LIMA ALENCAR A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DO ESTADO DO CEARÁ NA PERSPECTIVA DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

Com o império, como novo modelo político no Brasil e a Constituição de 1824, não houve mudança no cenário da aprendizagem de ofícios: continuou-se a pensar nessa modalidade para os pobres, desvalidos e humildes. Só em 1887, foi aprovada, na Câmara, a instalação de uma Comissão de Instrução para pensar a instrução dos brasileiros e os meios de organizar, pela primeira vez, o ensino público no Brasil. No modelo apresentado por essa Comissão, a instrução ficou divida em quatro graus distintos: Pedagogias, que se destinavam ao 1º grau; Liceus, que seriam o 2º grau; Ginásios, destinados a transmitir conhecimento relativo ao terceiro grau, e as Academias, destinadas ao ensino superior. O ensino dos ofícios ficou ligado à terceira série das escolas primárias e, na continuidade, nos Liceus, os estudos de desenho necessários às artes e ofícios (GARCIA, 2000).
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Mana  vol.20 número1

Mana vol.20 número1

Ao invés de repartir o campo da propriedade em elementos estáveis e fixos de maneira a evitar as rivalidades, o sistema que eu descrevi em Economia sel- vagem (2006) permitia o acúmulo, e gerava disputas miméticas incessantes não apenas no interior de cada comunidade ou aldeia, mas também entre elas, num jogo constante de indiferenciação e novas tentativas de diferenciação. No caso dos bens industriais, o consumo crescente que resultava desse jogo me levou a denominar a relação dos Xikrin com eles em termos de uma espécie de “inflação indígena” (Gordon 2010a). Creio ter sido capaz de explicar que tanto os bens e os valores provenientes do mundo dos brancos quanto os bens cerimoniais tradicionais funcionavam segundo uma mesma lógica: uma complexa economia política, uma busca por distintividade, cujo efeito não era mais o estabelecimento de diferenças esquistatutárias, e sim diferenças hierárquicas, de valor social, prestígio e poder — um cenário mais mimético (no sentido girardiano) do que totêmico. A análise histórica e comparativa entre as diversas aldeias mebêngôkre e os Xikrin me permitiu mostrar que esse processo estava operando provavel- mente desde antes do contato definitivo dos índios com os brancos, e acabou impelindo os primeiros a intensificar as relações com estes últimos em busca de objetos capazes de funcionar como propriedade diferenciante.
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PREVALÊNCIA DE PARASITOS INTESTINAIS EM AMERÍNDIOS KAYAPÓS DO ESTADO DO PARÁ, BRASIL.

PREVALÊNCIA DE PARASITOS INTESTINAIS EM AMERÍNDIOS KAYAPÓS DO ESTADO DO PARÁ, BRASIL.

A pesquisa sobre enteroparasitos foi realizada entre ameríndios da etnia Kayapó estabelecidos no município de Ourilândia do Norte, estado do Pará, em taba formada por quatro aldeias, para se conhecer a diversidade de espécies e prevalência de parasitoses dos 28 indivíduos integrantes da taba, caracterizando uma investigação universal daquela população. As amostras de fezes de todos os indivíduos doadores foram conservadas em solução de Merthiolate-iodo-formol (MIF), e enviadas ao Laboratório de Pesquisa em Doenças Parasitárias da Universidade Iguaçu – UNIG, onde se processou laboratorialmente o exame parasitológico das fezes pelas técnicas de Hoffman, Pons e Janer; Willis e Kinyoun 17 . Os resultados obtidos estão representados por valores estatísticos descritivos e analíticos com cálculo de indicador de saúde e coeficiente de prevalência 18 , testando a possibilidade da diferença deste indicador entre homens e mulheres pelo teste z com significância de 10%.
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IMPLANTAÇÃO DOS LABORATÓRIOS BÁSICOS PADRÃO MEC/FNDE NA REDE PÚBLICA DO ESTADO DO PARANÁ PELO PROGRAMA BRASIL PROFISSIONALIZADO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

IMPLANTAÇÃO DOS LABORATÓRIOS BÁSICOS PADRÃO MEC/FNDE NA REDE PÚBLICA DO ESTADO DO PARANÁ PELO PROGRAMA BRASIL PROFISSIONALIZADO – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Preparar os estabelecimentos para a nova proposta curricular, melhorando sua infraestrutura, foi primordial para o desenvolvimento desta modalidade de ensino, principalmente nos aspectos técnicos, nos quais foram realizadas adaptações dos espaços para atender às demandas dos cursos solicitados, ou, quando possível, à construção de ambientes. Os recursos foram disponibilizados pelo Programa Brasil Profissionalizado, possibilitando que as ações empreendidas se realizassem e a Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio se firmasse como uma política de estado.
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AS AÇÕES DO AGROHIDRONEGÓCIO, O PAPEL DO ESTADO E AS FORMAS DE CONTROLE DO TRABALHO NO MATO GROSSO DO SUL

AS AÇÕES DO AGROHIDRONEGÓCIO, O PAPEL DO ESTADO E AS FORMAS DE CONTROLE DO TRABALHO NO MATO GROSSO DO SUL

No Mato Grosso do Sul em evidência encontra-se as três fazendas que foram declaradas pelo representante do estado Flávio Augusto Derzi PPB/MS, localizado em Corumbá, elas somam quarenta e quatro mil e trezentos e treze (44.313) hectares. Nesta soma faz parte a Fazenda Conceição cuja extensão é de trinta e dois mil e oitocentos e oito (32.808) hectares, que ele declarou possuir com outros dois membros da família. No município de Guia Lopes da Laguna, no domínio do Cerrado na região da Serra da Bodoquena, ele declarou mais uma das suas grandes propriedades, e mais outra fazenda no município de Bela Vista fronteiriça com o Paraguai. Neste mesmo município Reinaldo Azambuja Silva PSDB/MS declarou uma grande propriedade e outra na riquíssima paisagem das terras de Maracajú. E nos solos férteis de Laguna Carapã, Marçal Gonçalves Leite Filho PMDB/MS declarou uma pequena propriedade. Enquanto Edson Giroto PR/MS e Luiz Henrique Mandetta DEM/MS declararam terras em dois Irmãos do Buriti, na “porta de entrada” para o Pantanal próximo a Aquidauana. Ainda neste estado, os representantes de São Paulo deram conta de territorializar o latifúndio ruralista, e esconder as áreas Edson Edinho Coelho Araújo PMDB/SP, em Aparecida do Taboado. Neste mesmo município e também em Alto Araguaia, Etivaldo Vadão Gomes PP/SP declarou sua fazenda. E, Paulo César de Oliveira Lima PMDB/SP declarou três propriedades em Pedro Gomes, e outra em Coxim, município na borda setentrional da bacia do Alto Paraguai que possui um dos maiores rebanhos bovinos do estado. As propriedades que foram possíveis de identificação neste estado se situam nas áreas de solo mais fértil, da rica biodiversidade do Cerrado e Pantanal, além de gozar de abundância hídrica da bacia do rio Prata. (Grifo nosso).
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Viviane Capoane Geógrafa e Mestre em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Santa Maria, Doutoranda em Geografia na Universidade Federal do Paraná. e-mail: capoanegmail.com Danilo Rheinheimer dos Santos Professor Associado II do Departamento de Solo

Viviane Capoane Geógrafa e Mestre em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Santa Maria, Doutoranda em Geografia na Universidade Federal do Paraná. e-mail: capoanegmail.com Danilo Rheinheimer dos Santos Professor Associado II do Departamento de Solo

201 A classe sede da propriedade compreende benfeitorias como edificações, instalações agropecuárias, instalações de abastecimento d’água, hortas e pomares. Percebe-se que há uma grande variação de tamanho da área entre as propriedades, refletindo as diferenças culturais existentes entre os assentados e o histórico precedente de cada família. Outro fato observado é sua localização, na maioria próxima aos cursos d’água, o que acaba por torná-las fontes pontuais de poluição. Considerando o tamanho dos lotes e a alta fragilidade do ecossistema natural, eles são muito pequenos, o que gera pressão sobre os recursos naturais e compromete a viabilidade econômica da Política de Reforma Agrária.
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AS AÇÕES DO MST NAS GRANDES CIDADES E A NACIONALIZA- ÇÃO DA LUTA PELA TERRA

AS AÇÕES DO MST NAS GRANDES CIDADES E A NACIONALIZA- ÇÃO DA LUTA PELA TERRA

RESUMO: MOITA, G. M. As ações do MST nas grandes cidades e a nacionalização da luta pela terra. Revista Universidade Rural: Série Ciências Humanas, Seropédica, RJ: EDUR, v.26, n.1-2, p. 87-93, jan.- dez., 2004. Nesta dissertação, o autor descreve as ações urbanas do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) entre os anos de 1997-2000, relacionando as mesmas a nacionalização dos debates sobre a luta pela terra no Brasil ocorrida nesse período.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA SAMARA FREIRE DE OLIVEIRA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA SAMARA FREIRE DE OLIVEIRA

A presente dissertação é desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em Gestão e Avaliação da Educação Pública (PPGP) do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF) e visa discutir a alocação de servidores na Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas-SEduc/AM, a qual enfrenta uma grande problemática em relação à alocação de servidores em número insuficiente para suprir a demanda do estado. Mesmo com o esforço da realização de concursos públicos e Processos Seletivos Simplificados, ainda é substantiva a carência de servidores, principalmente professores nas unidades escolares, o que se constitui em um desafio para a instituição. Além de concursos e processos seletivos, outras iniciativas vêm sendo tomadas por essa Secretaria, no que tange a valorização do profissional da Educação, como a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração, no ano de 2013, com vantagens que objetivam incentivar e atrair profissionais. Porém, a necessidade de servidores ainda não vem sendo suprida satisfatoriamente e, por esta razão, este trabalho irá descrever e analisar os critérios de alocação de servidores praticados na SEduc/AM, bem como propor ações que visem a otimização desse processo de alocação, com vistas ao melhor atendimento da demanda da rede estadual de ensino. Para tanto, foi utilizado uma pesquisa qualitativa e quantitativa, por meio de entrevistas a quatro gestores de escola, sendo duas da capital e duas do interior do Estado e a dois gestores da sede da SEduc/AM, bem como questionário aplicado a todos os gestores de escola estaduais. A partir da pesquisa realizada foi identificado que tanto os gestores de escola quanto as gestoras da sede da SEduc/AM estão satisfeitos com os critérios de alocação de servidores e reconhecem que a principal dificuldade está na carência de profissionais e não nesses critérios. Os gestores de escola ressaltaram, ainda, que a falta de equipe pedagógica é ainda maior que a falta de professores. Outro fator preponderante é a falta de qualificação docente, com a ocorrência de casos em que professores ministram componentes curriculares para os quais não são licenciados, mesmo com a atuação do PROFORMAR no Amazonas. Os problemas detectados na pesquisa serão abordados no Plano de Ação Educacional, com o objetivo de buscar meios de solucionar ou minimizar a gravidade das situações encontradas, visando melhorias no contexto educacional do Estado do Amazonas.
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A educação do campo no Brasil e a construção das escolas do campo

A educação do campo no Brasil e a construção das escolas do campo

A década de 1970 no Brasil foi marcada pelas “lutas e resistências coletivas, em busca do resgate de direitos da cidadania cassada e contra o autoritarismo vigente” (GOHN, 2001:53-54). É um período de organização dos movimentos sociais, bem como da luta pela democracia. No campo educacional, sobressaem as iniciativas de educação popular através da educação política, da alfabetização de jovens e adultos, da formação de lideranças sindicais, comunitárias e populares. Por parte de alguns setores de algumas igrejas, houve um comprometimento com os movimentos sociais e com as lutas e organizações dos trabalhadores tanto no meio urbano, quanto rural. É nessa década, por exemplo, que surge a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização da Igreja Católica, mas com participação de outras igrejas, em defesa dos posseiros, na luta pela reforma agrária e pela permanência na terra.
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Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum.  vol.12 número3

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.12 número3

As oficinas também geraram reações, percepções e discussões interessantes do ponto de vista antropológico. A primeira foi de um certo mal estar, ao entrar na Reserva Técnica, pois sentiam kudjy (‘cheiro’), devido ao odor peculiar dos objetos da coleção, em grande parte composta por material orgânico, em alguns casos, guardados por mais de cem anos. A percepção desagradável do cheiro que observamos entre os visitantes Mebêngôkre- Kayapó foi associada a certa aversão inicial pelos objetos guardados, que eles chamavam de moja tum (‘coisas velhas’), isto é, objetos pertencentes a pessoas que já haviam morrido. Observações parecidas foram feitas por Fabíola Silva e Cesar Gordon (2011), durante uma visita de representantes Xikrin-Mebêngôkre ao Museu de Arqueologia e Etnologia, na Universidade de São Paulo (USP). O desgosto dos visitantes com o cheiro no acervo foi relacionado à presença de ‘espíritos’, mekaron (ou menkaron), um termo que se refere a fantasmas ou espíritos de pessoas mortas, associadas, neste contexto, aos objetos da reserva. Para eles, o laço entre objeto e pessoa continua após a morte, fazendo com que o mekaron da pessoa mantenha-se próximo àquilo que era seu. Portanto, o contato com objetos velhos, assim como o seu cheiro no acervo são capazes de causar doença nas pessoas que visitavam o acervo ou até nos seus parentes que estavam nas aldeias. Por exemplo, um jovem desistiu de visitar o acervo quando soube que seu filho estava doente na aldeia, por medo de um possível agravamento de sua saúde. Outros reclamaram de dor de cabeça ou de pesadelos após terem trabalhado no acervo, devido ao cheiro e aos mekaron presentes. Em outras sociedades amazônicas, já foi constatada a estreita associação entre certos tipos de cheiros e alguns tipos de doença, um modelo de etiologia ‘pneumática’ de doença e contágio (Shepard Jr., 2004).
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Estratégias de reprodução social

Estratégias de reprodução social

As fl utuações de preço dos produtos primários no mercado internacional provocaram sucessivas desorganizações no sistema produtivo das grandes explorações monocultoras. Antes mesmo da abolição da escravatura, que parece não servir como marco institucional que tenha favorecido esses sistemas de uso comum da terra, registram-se múltiplos casos de desmem- bramento e desagregação de grandes propriedades fundiárias. Em termos econômicos, o resultado mais imediato desse processo de dissolução, que se intensifi cou no fi nal do século XIX em regiões cujas grandes explorações não lograram introduzir inovações tecnológicas ou adotar agriculturas comerciais assentadas em novas relações de trabalho, consistiu no afrou- xamento dos mecanismos repressores da força de trabalho e na formação de um campesinato, congregando segmentos de trabalhadores rurais que viviam escravizados ou imobilizados naquelas unidades produtivas. Em diferentes situações examinadas, conforme se verifi cará adiante, registra- se que este campesinato pós-plantation não procedeu necessariamente a uma divisão da terra em parcelas individuais. A garantia da condição de produtores autônomos, uma vez ausente o grande proprietário ou por demais debilitado o seu poder, conduziu a formas organizativas, sendo os ditames de uma cooperação ampliada e de formas de uso comum da terra e dos recursos hídricos e fl orestais. Tais formas se impuseram não somente como necessidade produtiva, já que para abrir roçados e dominar áreas de mata e antigas capoeiras uma só unidade familiar era insufi ciente, mas, sobretudo, por razões políticas e de autopreservação. Os sistemas de uso comum tornaram-se essenciais para estreitar vínculos e forjar uma coesão capaz, de certo modo, de garantir o livre acesso à terra diante de outros grupos sociais mais poderosos e circunstancialmente afastados. Certa estabilidade territorial foi alcançada pelo desenvolvimento de instituições permanentes, com suas regras de aliança e sucessão gravitando em torno do uso comum dos recursos básicos. Este passado de solidariedade e união íntima é narrado como “heróico” pelos seus atuais ocupantes, mais de um século depois, e também visto como confi rmação de uma regra a ser obser- vada para continuarem a manter seus domínios. Para além da representação idealizada, destaca-se que estabeleceram uma gestão econômica peculiar, ou seja, não necessariamente com base em princípios de igualdade, mas consoantes diferenciações internas e interesses nem sempre coincidentes de seus distintos segmentos.
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DESAFIOS DA AVALIAÇÃO EM LARGA ESCALA NO ESTADO DO AMAZONAS: CONTRIBUIÇÕES PARA A DIVULGAÇÃO E APROPRIAÇÃO DOS RESULTADOS DO SADEAM – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

DESAFIOS DA AVALIAÇÃO EM LARGA ESCALA NO ESTADO DO AMAZONAS: CONTRIBUIÇÕES PARA A DIVULGAÇÃO E APROPRIAÇÃO DOS RESULTADOS DO SADEAM – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

É de se salientar que a divulgação dos resultados no Estado do Amazonas tem como uma de suas dificuldades o deslocamento das equipes responsáveis pela exposição dos dados dentro do seu espaço territorial, não só pelas grandes distâncias, mas pela utilização do transporte fluvial. Por vezes, para se chegar a cada município de forma presencial, os deslocamentos demandam um período significativo de tempo, sendo necessários dias para o transporte dos recursos humanos e materiais. Tal dificulta as formações in loco das ações de divulgação da Secretaria de Educação. Para se amenizarem os problemas de divulgação, que estão atreladas aos deslocamentos, seria a internet como importante ferramenta de substituição presencial dos formadores no interior do Estado. Todavia, tal opção se caracteriza como outra dificuldade a ser superada, pois a conexão à rede mundial de computadores ainda é precária e bastante instável nas localidades do interior do Amazonas.
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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS INSTITUTO DE ESTUDOS SOCIOAMBIENTAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS INSTITUTO DE ESTUDOS SOCIOAMBIENTAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA

A presente Dissertação de Mestrado analisa o processo histórico de disputa do projeto de campo no Brasil e em Goiás. Nessa direção foram desenvolvidos estudos críticos analíticos sobre a expansão do capitalismo no campo, com ênfase à fase do neoliberalismo. Entendemos que a agricultura está relacionada ao modo de produção capitalista, sob a lógica estruturada de classes antagônicas em disputa, e o latifúndio é resultado do processo social e histórico de opção e imposição pela classe dominante, permanecendo até a atualidade como uma chaga de nossa sociedade, que somente poderá ser curada com a democratização da terra, dando-lhe uma função social e ecológica, em contraposição ao modelo hegemônico da agricultura atual, do agronegócio, que consideramos um modelo esgotado, carregado de contradições e responsável pelos problemas socioambientais e socioeconômicos que afetam a maioria da sociedade. Afirmamos a necessidade de superação da dicotomia campo-cidade como caminho para a construção de um projeto de sociedade com justiça social e ecológico. Identificamos o Estado como principal agente indutor e protetor do modelo hegemônico e do latifúndio social e economicamente improdutivo. A ofensiva do capital no campo brasileiro exige novos desafios à luta pela democratização do acesso à terra e pela reforma agrária, um novo enfrentamento, com a saída do confronto direto com o latifúndio economicamente improdutivo, para um enfrentamento de modelos articulados em torno do agronegócio e seus arranjos econômicos, políticos e ideológicos. A luta pela terra adquire um caráter de classe, de disputa de projeto, terra e território como unidade dialética inseparável. Concluímos que os novos elementos da questão agrária e da reforma agrária contemporânea são um desafio a ser enfrentado tanto no campo teórico
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RAIF MARLICE SILVA DE LIMA POLÍTICA DE RESULTADO E BONIFICAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO EM TRÊS ESCOLAS DA COORDENADORIA DISTRITAL 3 DO ESTADO DO AMAZONAS

RAIF MARLICE SILVA DE LIMA POLÍTICA DE RESULTADO E BONIFICAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO EM TRÊS ESCOLAS DA COORDENADORIA DISTRITAL 3 DO ESTADO DO AMAZONAS

Analisando as falas das gestoras 1 e 2 percebe-se que existe uma aplicação diferenciada para a utilização dos recursos, porém o objetivo é o mesmo: alcançar as metas com base nos resultados das avaliações externas. Verifica-se que a gestora 1 investe não apenas nos materiais e equipamentos, mas também no conhecimento do aluno, porpocionando a oportunidade de realização de aulas dinamizadas fora do espaço escolar como forma de incentivo aos alunos e professores. Esta prática sugere que, quanto mais esforços fizerem os professores e os alunos para manter os resultados da escola, mais eles serão recompensados com atividades semelhantes. A gestora 1 ainda ressaltou que esses passeios e excurssões são sempre aguardados com ansiedade pelos alunos, principalmente por não associarem esses eventos às atividades educativas e pedagógicas envolvidas, ou seja os alunos vêem como uma diversão e não como uma atividade pedagógica.
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7. A aldeia ausente: índios, caboclos, cativos, moradores e imigrantes na formação da classe camponesa brasileira - A formação do campesinato no Brasil   Mário Maestri   2004

7. A aldeia ausente: índios, caboclos, cativos, moradores e imigrantes na formação da classe camponesa brasileira - A formação do campesinato no Brasil Mário Maestri 2004

Ao longo das linhas, surgiam serrarias, ferrarias, moinhos, casas de pasto, bodegas etc., para suprirem as necessidades da produção colonial-camponesa. As casas comerciais das linhas, articuladas com comerciantes fortes das sedes coloniais e cidades, vendiam o que o colono não produzia, por preços altos, e escoavam o excedente colonial, comprado por preços baixos. A falta de contatos, a ausência de meios de transporte, os custos da venda de pequenas quantidades de mercadoria etc. impediam venda direta da produção colonial-camponesa nas sedes e nos centros de consumo. Sobretudo as grandes casas comerciais apropriavam-se de parte da renda gerada na produção colonial, ensejando acumulação de capital comercial que, sobretudo através de operações financeiras, financiou o desenvolvimento artesanal, manufatureiro e industrial alavancado pelo mercado nascido, direta ou indiretamente, da economia colonial-camponesa.
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Resumen La construcción del camino para la conquista de la tierra: un espacio de transformación del Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra

Resumen La construcción del camino para la conquista de la tierra: un espacio de transformación del Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra

A consciência política não é somente desenvolvida através do trabalho de base, mas também à medida que vai mantendo viva a memória da luta. Nesse sentido, a mística trabalha com um calendário anual de luta com comemorações e reconhecimento das experiências bem sucedidas por outros companheiros que já trilham o caminho da conquista da terra e de manifestações de indignação contra a impunidade nos crimes contra o trabalhador rural. É o exemplo de Eldorado dos Carajás. O dia do massacre é lembrado todos os anos nacionalmente com manifestações e passeatas de protesto para denunciar a sociedade que trabalhadores morreram e continuam morrendo porque lutam para ter uma vida digna. Em Canindé do São Francisco, o resgate se dá com a comemoração do dia treze de março, uma data importante para a regional do sertão. Os trabalhadores mantêm viva a história da primeira ocupação, percorrendo o mesmo caminho que deu inicio à luta em 1996. A comemoração é um ato místico, porque valoriza a experiência histórica acumulada.
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