Top PDF Democracia deliberativa: entre Rawls e Habermas = Deliberative democracy: between Rawls and Habermas

Democracia deliberativa: entre Rawls e Habermas = Deliberative democracy: between Rawls and Habermas

Democracia deliberativa: entre Rawls e Habermas = Deliberative democracy: between Rawls and Habermas

É possível efetuar uma comparação, aqui, com o jogo do xadrez. O jogador procura escolher o melhor lance, mas o faz dentro de condições limitadas de tempo, o que exerce uma pressão psicológica sobre ele. Além disso, em algumas posições complexas, é muito difícil, e talvez impossível para uma mente humana, calcular exatamente qual o melhor lance para uma determinada jogada. Por fim, há ainda a influência de fatores psicológicos como o temperamento do jogador e de seu oponente, e o impacto que terá a escolha de um determinado lance sobre o adversário, do ponto de vista psicológico. No processo de deliberação racional, pode- se argumentar, algo de semelhante se passa. Existem fatores limitadores como o tempo de deliberação, a necessidade de tomada de uma decisão em tempo hábil para sua execução, os fatores técnicos envolvidos, a vontade dos participantes, o estabelecimento das prioridades etc. Nesse sentido, a incipiente teoria do orçamento participativo – independente das críticas que se possa fazer à sua instrumentalização política e ao caráter limitado, em termos orçamentários, das decisões tomadas nas assembleias do OP –, ainda fornece um interessante estudo de caso para os estudiosos da democracia deliberativa em todas as suas versões.
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Esfera pública e democracia deliberativa em Habermas: modelo teórico e discursos críticos.

Esfera pública e democracia deliberativa em Habermas: modelo teórico e discursos críticos.

75 Sobre isso, ver os artigos em Acta Politica, 40, n. 3, 2005, Parte III (“Deliberation among Citizens”): CONOVER; SEARING. Studing ‘everiday political talk’ in the deliberative system, p. 269-283; FISHKIN; LUSKIN. Experimentig with democratic ideal: deliberative pooling and public opinion, p. 284-298; KRIESI, Argument-based strategies in direct-democratic votes: the Swiss experience, p. 299-316; KIES; JANSEN. Online forums and deliberative democracy: hypotheses, variables and methodologies, p. 317-335. Além disso, ver: KRIESI, H. Akteure, Medien, Publikum. Die Herausforderung direkter Demokratie durch Transformation der Öffentlichkeit. In: NEIDHARDT. Öffentlichkeit, Öffentliche Meinung, Soziale Bewegungen, 1994, p. 234-259; HAJER, M.; WAGENAAR, H. Deliberative Policy Analysis. Cambridge University Press, 2003; FISCHER, Frank. Reframing public policy: discursive politics and deliberative practices. Oxford Univ.Press, 2003; OTTERSBACH, M. Außerparlamentarische Demokratie: Neue Bürgerbewegungen als Herausforderung an die Zivilgesellschaft. Campus Verlag, 2004; BABER, W.; BARTLETT, R. Deliberative environmental politics: democracy and ecological rationality, Cambridge MIT Press, 2005; ROLOFF, J. Sozialer Wandel durch deliberative Prozesse. Metropolis Verlag, 2006.
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Pluralismo, democracia e concepção de tolerância em Jürgen Habermas

Pluralismo, democracia e concepção de tolerância em Jürgen Habermas

For Habermas, religious and metaphysical doctrines lost centrality in modern societies, which is the reason why the critical and reflexive potentials of language were released at the cost of giving rise to a irreconciliable plurality of lifeforms. Democracy must be the space where pluralism reflects the freedom of everyone to develop her cultural potentials without enduring opression, but also without control of other conceptions of thought and action. The duty of tolerance appears in this context when there is no expectation of agreement on ethical- evaluative criteria of the good life and means that agentes must resort to a moral agreement on the intersubjectively valid behaviour on the basis of assumptions of a human rights regime, which includes cultural rights. The research begins by inserting tolerance into the political context of the theory of normative models of democracy by Habermas, these models themselves involved in the debate between liberal and communitarians, more specifically having liberalism represented by John Rawls on the one side, and republicanism by Michael Sandel and Charles Taylor on the other. By studying Habermas´ theories of communicative rationality, of modernity and of discourse, one can find support for overcoming liberal and republican views in the viewpoint of a deliberative democracy based on discourses. As Habermas considers democracy a process, he longs to include difference without imposing cultural and historical conceptions of the good on the procedural communicative normative standards. By integrating the perspective of the right in deliberative debates Habermas does not keep them away from democractic will and collective values. The liberal principles of the priority of the right over the good and of ethical neutrality are determined by collective processes of will and opinion formation. In this context, Habermas´ conception of tolerance permitts citizens to reject each other´s life forms, alhtough imposing them to do it in a way that does not contradict moral standards of respect, which avoid discrimiation and authorize the self-realization of cultural life forms compatible with equal liberties for all; they are also obligated to coexist with the rejected life form if it is morally protected by what is stablished in a public consensus, deliberatively reached with recourse of discourses in the public spheres.
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Ação comunicativa e democracia: por uma política deliberativa em Jurgen Habermas

Ação comunicativa e democracia: por uma política deliberativa em Jurgen Habermas

The present research rebuilds that which could be called a Jürgen Habermas' political philosophy. Habermas departs from the Communicative Action Theory as a reference for his reflections. The discovery of language as an unbridgeable medium of every sense, every theoretical and practical theory pushed up a re- thinking of all philosophical problems. Now, rational principles are issued from the dialogic praxis of the subjects involved in a certain situation. The communicative reason for Habermas is the only one which has conditions to base principles upon a world marked by the plurality of life visions. Consequently, Habermas departing from a communicative action works out the concept of deliberative politics, accomplishing a synthesis between liberalism and republicanism. There is in Habermas theory conciliation between private and public autonomy, between the human rights and popular sovereignty, between ancient and modern peoples' liberty. Habermas asseverates that there isn't a privilege of politics to be accomplished in the ambit of civil society as in republicanism, or exclusively in the political systems as in liberal theories. In the deliberative policy, the public spheres are mutually connected to the political and administrative systems. Besides, Habermas considers positive the question of juridical norm that comes from the liberal tradition mutually connected to the republican principle of communication among subjects. The right is so emphasized for its efficiency in solving problems. Nevertheless, this right will just have legitimacy once it has the principle of communication as a source. In this context Habermas exposes the limits of the liberal as well as of the social state, proposing a new model of State, based on the deliberative politics in which the subjects are autonomous as long as they can understand each other as authors of the law to which they are submitted as receivers.
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RAWLS, HABERMAS E NINO E O NOVO PAPEL DO STF  Maria Luiza Scherer Lutz, Debora Vasti Da Silva Do Bomfim Denys

RAWLS, HABERMAS E NINO E O NOVO PAPEL DO STF Maria Luiza Scherer Lutz, Debora Vasti Da Silva Do Bomfim Denys

The present work proposes to analyze the deliberative democracy that comes from the immanent conflict between the constitutionalism and the democracy that exalts the popular sovereignty over politically relevant issues for its environment. The models of democracy of Rawls, Habermas, as well as the cooperative paradigm proposed by Nino will be analyzed in this desiderato. The methodology used was that of bibliographical and documentary research. The study was centered in the form of reflection on the maturity of political institutions and democratic practices, as well as the new role of the STF and the Judicialization of Politics.
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Citizenship And Deliberative Democracy In The Digital Age – for beyond Habermas

Citizenship And Deliberative Democracy In The Digital Age – for beyond Habermas

Habermas não é conclusivo quanto à cidadania, não dá um significado ou conceito fechado, mas trabalha com ela em toda sua obra. A cidadania está presente no desenvolver da teoria da ação comunicativa, na mudança estrutural da esfera pública e naquilo que ela se transformou, chegando aos dias de hoje, e principalmente em sua ideia de democracia deliberativa. Mais do que uma ideia de cidadania ativa, que segundo Soares “Institui o cidadão como portador de direitos e deveres, mas essencialmente participante da esfera pública e criador de novos direitos para abrir espaços de participação”, (2004, p.46) Habermas propõe uma reformulação estrutural do modelo político no qual o indivíduo comunicativo passa a ser parte constitutiva do poder público, fazendo parte de sua estrutura através do poder comunicativo, da sua capacidade de pensar e discutir problemas publicamente.
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Secularismo e religião na democracia deliberativa de Habermas: da pragmática ao déficit ontológico e metafísico

Secularismo e religião na democracia deliberativa de Habermas: da pragmática ao déficit ontológico e metafísico

The problem to be raised in this thesis is that there is, in Jürgen Habermas’ philosophy, an onto- logical deficit (a lack of a theory of the beings) and also a metaphysical déficit (the lack of a theo- ry of the Being). Habermas ’s thinking would, as far as we are concerned, be reduced to pragma- tics, leaving no room to the deepening of ontological and metaphysical questions, which Haber- mas himself implicitly suggests, although without further elaboration, for remaining faithful to his post-metaphysical thinking. Anyway, what are the consequences of such thinking for his proposal of a dialogue between secularism and religion in the deliberative democracy and even for his analysis of a religious phenomenon? The ontological and metaphysical deficit, first analyzed in the theoretical philosophy, in Truth and justification , would equally run its political philosophy, once Habermas does not reflect on the universal character of the good, in his defense of the ethics of the righteous. Finally, the ontological and metaphysical deficit would also reach its analysis of religious discourses, restricted to pragmatics, although Habermas recognizes the importance of religions when they translate their essential intuitions into a public and secular language. Puntel, in this sense, highlights a theoretical question, which leads him to rightly affirm that metaphysics is the instance in which the contents of religion is articulated. Since Habermas’ problem is purely pragmatic, that is, how to enable a dialogue between believers and non-believers, he does not take into account the metaphysical dimension of religion, but only its ethical contents. It is essential, in this context, to clearly distinguish two questions that appear in Habermas. 1) A theoretical problem: Habermas accepts the centrality of the language in a theory, although it has a unilateral analysis of the language, by reducing it into an analysis of the
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Razão e democracia: uso público da razão e política deliberativa em Habermas[ign] [title language="en"]Reason and democracy[ign]: [subtitle]Public use of reason and deliberative politics in Habermas.

Razão e democracia: uso público da razão e política deliberativa em Habermas[ign] [title language="en"]Reason and democracy[ign]: [subtitle]Public use of reason and deliberative politics in Habermas.

Abreviando muitos aspectos das relexões de Habermas sobre a relação e possíveis mediações entre moral, política e direito na teoria da modernidade, para ins de exposição, pode-se, grosso modo, diferenciar duas linhas de argumentação sobre diferentes formas de realização do ideal normativo do uso público da razão e de entender o conceito de esfera pública, em Direito e Democracia (1997), obviamente interligadas entre si. Por um lado, na reconstrução da sua concepção intersubjetiva do conceito kantiano de autonomia, a partir dos pressupostos pragmáticos da ação e de liberdade comunicativas. Habermas condensa essas qualidades no princípio do discurso, pelo qual somente são válidas as normas de ação às quais todos os possíveis atingidos poderiam dar o seu assentimento, na qualidade de participantes de discursos racionais (HABERMAS, 1997, I, 142). Por outro lado, numa abordagem apoiada nas teorias sociológicas da democracia e do direito, o princípio do discurso é “traduzido” para as condições do procedimento deliberativo de legitimação próprio do Estado de direito democrático, para o qual os próprios cidadãos membros de uma comunidade jurídica concreta podem chegar, no uso de sua razão na esfera pública (informal das redes anônimas e formal do sistema político-institucional) e na sociedade civil, a uma autocompreensão de si mesmos a propósito das bases normativas de sua vida em comum.
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BETWEEN LIBERALISM AND REPUBLICANISM: HABERMAS AND DELIBERATIVE DEMOCRACY

BETWEEN LIBERALISM AND REPUBLICANISM: HABERMAS AND DELIBERATIVE DEMOCRACY

Além de Aristóteles, Habermas cita Rousseau 3 , como um dos nomes fundamentais do republicanismo, para o entendimento da democracia deliberativa. De acordo com Rousseau, só a vontade geral pode dirigir as forças do Estado, tendo em vista o bem comum. No capítulo I, intitulado A soberania é inalienável, do Livro Segundo do Contrato Social, Rousseau afirma que o soberano é um ser coletivo, movido pela vontade geral. A soberania da vontade geral só pode ser representada por ela mesma. “A soberania é indivisível pela mesma razão por que é inalienável, pois a vontade ou é geral, ou não o é; ou é a do corpo do povo, ou somente de uma parte” (ROUSSEAU, 1978, p. 44). É nula, explica Rousseau, toda lei que o povo diretamente não ratificar.
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A EPISTEMOLOGIA POLÍTICA DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS: AS MISSÕES DE PAZ E A DEMOCRACIA DELIBERATIVA DE JÜRGEN HABERMAS

A EPISTEMOLOGIA POLÍTICA DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS: AS MISSÕES DE PAZ E A DEMOCRACIA DELIBERATIVA DE JÜRGEN HABERMAS

From the investigation of the influence of the Kantian philosophy on the creation of the United Nations Organization, the article analyzes the political epistemology of the UN based on the discourses delivered within the Organization and on the analysis of the practices adopted by it, specifically by the peace operations it undertakes; democracy then reveals itself to be the political regime elected by the UN to achieve the objectives and purposesby which it is guided. The article also analyzes the concept of deliberative democracy by Jürgen Habermas, also verifying the influence of Immanuel Kant on Habermas' political theory which, in turn, provides a definition for the idea of democracy that seems to meet the purposes of the UN.
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Legitimidade, justiça e democracia: o novo contratualismo de Rawls.

Legitimidade, justiça e democracia: o novo contratualismo de Rawls.

justas ou não. Ainda que esse exame venha a requerer um “artifício de repre- sentação”, tal como a posição original de Rawls, que pode ser pensado como um “procedimento”, trata-se de um procedimento completamente distinto da legalidade democrática. Enquanto esta última constitui um processo decisório real, materializado em instituições políticas concretas, o procedi- mento da justiça é antes uma ferramenta para pensar, um thought experiment. Esse procedimento ideal nos libera de privilegiar, quando se trata de fazer uma apreciação normativa das instituições políticas, a forma con- creta, histórica, com que essas instituições são constituídas e à forma com que os ocupantes de seus governos chegam a esses postos. Em outras palavras, nos libera de privilegiar as questões de legitimidade, ainda que elas continuem a ter sua pertinência. E permite, portanto, pensar diretamente sobre a justiça das decisões para uma variedade de níveis e tipos de governo, seja ele o de um Estado democrático nos moldes atuais, ou de qualquer outro formato histórico que venham a ter as instâncias governamentais no futuro.
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UMA APROXIMAÇÃO ENTRE TEORIA CRÍTICA E HERMENÊUTICA A PARTIR DE I. M. YOUNG

UMA APROXIMAÇÃO ENTRE TEORIA CRÍTICA E HERMENÊUTICA A PARTIR DE I. M. YOUNG

A proposta de Habermas sofre de um déficit sociológico, sobretudo quando, ao tratar da reprodução material e simbólica das sociedades, não analisa suficientemente as relações de poder e de divisão do trabalho, inclusive ignorando a imposição androcêntrica das relações laborais no interior das famílias modernas em que à mulher cabe a tarefa exclusiva de cuidar dos filhos e da casa, o que pode implicar o silenciamento da mulher tanto em nível doméstico quanto público. (cf. FRASER, 1985). Habermas paga assim um tributo à sua concepção, desenvolvida em 1967 em Trabalho e interação, de que o trabalho e, simbolizado nele, o conjunto da reprodução material da vida, teriam importância secundária face à interação. (HABERMAS, 2006).
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Direito, Moral e Democracia : reflexões sobre a concepção de Direito de Jürgen Habermas a partir de considerações críticas de Karl Otto-Apel

Direito, Moral e Democracia : reflexões sobre a concepção de Direito de Jürgen Habermas a partir de considerações críticas de Karl Otto-Apel

This paper is dedicated to the explanation of the concept of Law from the perspective of Habermas, particularly its relationship with Moral and Democracy. For Habermas, the Law holds a prominent position in critical theory as it plays, with primacy, the role of social integrative function in complex societies today. Specifically, it seeks to clarify the concept of Law to the author, considering the redefinition undertaken by him between his Theory of Communicative Action and its discourse of Law, in which Law is defined as institution and, after, intermediary structure between facticity and validity, understood as a structural tension. The purpose of the research is, moreover, to clarify the relations among Law, Moral and Democracy, in terms of convergence and distinctions from the perspective of the principle of discourse. Reference is made to a possible critical dialogue between Habermas and Apel about the discursive conception of Law. This happens from the confrontation of the Habermasian theory with two critical observations made by Apel regarding his conception of the architectural differentiation of discourse elaborated in "Law and Democracy: between facticity and validity", namely the issues of; (i) the principle of neutrality, and (ii) the principle of discourse and identity, proposed by Habermas. From this dialog, there are some critical considerations on the Habermasian concept of law, including some points perceived as weaknesses, such as consensualism exacerbated and the confrontation between consensus and coercion that is characteristic of Law.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO KLEBER VINICIUS GONÇALVES FEIO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO KLEBER VINICIUS GONÇALVES FEIO

Habermas sustenta que essa discussão só faz sentido enquanto ainda tivermos algum interesse existencial em pertencer a uma comunidade moral. Comunidade essa cujo abrigo metafísico e religioso já não serve mais. Pelo menos não serve como argumento de validade intersubjetiva. Mesmo as pessoas religiosas, no debate público, para se mostrarem razoáveis, traduzem seus argumentos para uma linguagem laica, a fim de mostrarem a pertinência de suas ideias. A religião adaptada a uma sociedade liberal busca razões que impliquem aceitabilidade de forma universal, independentemente da necessidade de doutrinação ou proselitismo. As imagens religiosas e metafísicas do mundo perderam a sua força universal a favor de um pluralismo ideológico e tolerante. Isto é, a favor do discurso dos direitos humanos. Mantivemos, segundo Habermas, o código binário dos julgamentos morais do certo e do errado. Queremos, sem dúvida, nos manter assim, o que prova que o relativismo ético não tem lugar na Ciência Jurídica. Buscamos, assim, premissas racionais e de direitos humanos, que nos permitam conviver com a dignidade humana e a solidariedade social.
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Democracia e constitucionalismo: o debate entre Habermas e Michelman

Democracia e constitucionalismo: o debate entre Habermas e Michelman

Sobre essa questão da retirada temporária do poder da maioria, Jon Elster (1989, p. 49 e 119), diante da história de Ulisses – descrita por Homero no Livro XII da Odisseia, que ordenou aos seus companheiros que o amarrassem ao mastro para não sucumbir ao encantador canto das sereias – desenvolveu sua teoria da racionalidade imperfeita. Para o autor, a estratégia utilizada por Ulisses de se auto-incapacitar em um momento de lucidez poderia evitar a adoção de decisões turvas em caso de tentações ou fraqueza da vontade e alcançar a racionalidade por meios indiretos (pré-compromissos). Com isso, por analogia, Elster demonstra o papel do constitucionalismo na sua relação com a democracia. A Constituição representa, assim, o pré-compromisso ou autorrestrição da sociedade perante eventuais paixões. Os compromissos prévios, em seu entendimento, são criados para que os políticos se protejam de suas próprias tendências previsíveis de tomar decisões em momentos de racionalidade distorcida ou de debilidade da vontade, da mesma forma como as amarras de Ulisses foram auto-impostas para que ele não cedesse ao canto das sereias.
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Direito e democracia em Habermas art abdurão

Direito e democracia em Habermas art abdurão

Habermas considera que, com a decomposição do ethos tradicional no do- mínio dos valores e das normas, a política passou a seguir duas alternativas en- frentadas, ou privilegiou a autorrealização e a afirmação da identidade dos indiví- duos e da própria comunidade, através da soberania popular, ou fomentou a integridade sempre vulnerável dos indivíduos mediante a proteção dos direitos humanos possuídos por toda a humanidade; o que resultou na oposição entre o republicanismo, que assumiu a dimensão ética, e o liberalismo, que adotou a di- mensão moral. Mas este conflito surgiu por causa da filosofia do sujeito, pois o li- beralismo fundamentou a política a partir da figura do sujeito em pequena escala, o indivíduo, enquanto o republicanismo pressupôs a figura do sujeito em grande escala, seja o povo, a nação, a classe social, etc., o que resultou em uma compe- tição entre direitos humanos e soberania popular. Esta dicotomia tornou-se recor- rente e foi renovada atualmente através da polêmica entre o liberalismo de Rawls e Dworkin, de um lado, e o comunitarismo de Taylor e MacIntyre, de outro. Contudo, a interpretação discursiva proposta pela democracia deliberativa, na medida em que supera a filosofia da consciência, pode conciliar a soberania popular com os direitos humanos, pois a autonomia privada dos indivíduos, na qual eles pro- cedem segundo a sua liberdade subjetiva, é cooriginária com a sua autonomia pública, na qual eles usam a sua liberdade comunicativa, por isso, a democracia deliberativa estabelece pretensões mais fortes para a cidadania do que o modelo liberal, porém mais fracas do que o modelo republicano, uma vez que considera que a esfera pública, em situações extraordinárias, deve gerar um poder comuni- cativo capaz de neutralizar o poder social dos grupos de pressão e orientar as ações do poder administrativo do estado de direito.
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A desconstrução semântica da supremacia judicial e a necessária afirmação do judicial review: uma análise a partir da democracia deliberativa de Habermas e Nino.

A desconstrução semântica da supremacia judicial e a necessária afirmação do judicial review: uma análise a partir da democracia deliberativa de Habermas e Nino.

Com isso, pode-se afirmar que aqui se encontra o fulcro deste arti- go, e o que lhe confere a originalidade exigida em um trabalho acadêmico é: demonstrar que a teoria da democracia deliberativa pode de igual modo ser utilizada como crítica à supremacia judicial. Para alcançar o objeti- vo proposto, este trabalho encontra-se divido em três partes. Na primeira parte, apresenta-se o conceito de democracia deliberativa na perspectiva de Jurgen Habermas e de Carlos Santiago Nino. Assim, busca-se nesse ponto, demonstrar que de acordo com o modelo deliberativo desses auto- res, para que decisões democraticamente legítimas sejam tomadas, faz-se necessário que sejam incluídos no processo de discussão distintos atores políticos e sociais, oficiais ou não e, se tal procedimento falhar, urge va- ler-se do poder judiciário que deverá corrigir o processo democrático por meio do judicial review.
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Legitimidade democrática em Between Facts and Norms de Jürgen Habermas

Legitimidade democrática em Between Facts and Norms de Jürgen Habermas

[…] esfera pública baseada na sociedade civil com a formação de opinião e vontade institucionalizada em órgãos parlamentares e tribunais oferece um bom ponto de partida para traduzir o conceito de política deliberativa em termos sociológicos. No entanto, não devemos olhar para a sociedade civil como um ponto central onde as linhas de auto-organização da sociedade convergiriam como um todo (…). Primeiro, uma sociedade civil robusta pode-se desenvolver apenas no contexto de uma cultura política liberal e nos padrões correspondentes de socialização, com base numa esfera privada integral; pode florescer apenas num mundo da vida já racionalizado. Caso contrário, surgem movimentos populistas que defendem cegamente as tradições congeladas de um mundo da vida ameaçado pela modernização capitalista. Nas suas formas de mobilização, esses movimentos fundamentalistas são tão modernos quanto antidemocráticos.
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Todos os Nomes: Jürgen Habermas e o Uso do Nome Social no Estado de Goiás

Todos os Nomes: Jürgen Habermas e o Uso do Nome Social no Estado de Goiás

A percepção da diversidade antroponímica e social aponta para o outro e para si mesmo. A inclusividade para o Brasil contemporâneo tem perspectivas bem desafiadoras. Em primeiro lugar, deve-se manter o caminho do diálogo aberto. Julgo que a melhor saída consiste em não agudizar, por meio de uma crítica racional, a questão sobre a possibilidade de os poderes seculares de uma razão comunicativa conseguirem ou não estabilizar uma moder- nidade ambivalente: o melhor a fazer é enfrentar tal questão de modo não dramático, como uma questão empírica aberta (HABERMAS, 2007, p. 123). Em segundo lugar, nossa ordem social vigente visa o desenvolvimento da educação como o melhor meio de se evitar a mar- ginalização de qualquer indivíduo, mas também a importância de iniciativas para a quebra de muros da intolerância e do egoísmo social, assim como da imposição arbitrária que não procure o diálogo e a construção de ideias. Conforme Foucault (2001, p. 8), o que faz com que o poder se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato ele permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso. Deve−se considerá−lo como uma rede produtiva que atravessa todo o corpo social muito mais do que uma instância negativa que tem por função reprimir. Em terceiro lugar, perceber que na consciência pública de uma sociedade pós-secular reflete-se, acima de tudo, uma compreensão normativa perspicaz que gera no trato político entre cidadãos crentes e não crentes. Na sociedade pós-secular impõe-se a ideia de que a modernização da consciência pública abrange, em diferentes fases, tanto mentalidades religiosas como profa- nas, transformando-as reflexivamente. Neste caso, ambos os lados podem, quando entendem, em comum, a secularização da sociedade como um processo de aprendizagem complementar, levar a sério, por razões cognitivas, as suas contribuições para temas controversos na esfera pública (HABERMAS, 2007, p. 126). Em quarto lugar, o contrato social para a cidadania é a metáfora fundadora da racionalidade social e política da modernidade ocidental. As socieda- des modernas têm seu funcionamento ideológico e político na ideia do contrato social e seus meios reguladores. Este, produz ou deveria produzir bens públicos, ou seja: legitimidade para governar, bem estar econômico e social, segurança e identidade coletiva, no final resultar em bem comum (FEFFERMANN, 2006, p. 243).
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