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Entre angústia e desamparo.

Entre angústia e desamparo.

Vou levantar um a hipótese diferente: tudo aquilo que se m anifesta na ordem do existir ( a im aturidade do ego não tem idade) tem valor de sintom a, consti- tui portanto um a resposta e não a evidência de um estado prim ordial. Entre as significações desse sintom a equívoco, há a indicação de que o espaço psíquico é um espaço fora-de-si. A interioridade fica sendo privilégio do outro. Aqui não é questão de perseguição ou de angústia persecutória, m ovim ento que consiste em pôr para fora aquilo que não se suporta dentro. É antes questão do caráter problem ático da própria constituição do dentro . Um a configuração assim faz com que determ inadas pacientes paradoxalm ente possam viver de m aneira bas- tante satisfatória um a gravidez, porquanto esta faz existir fisicam ente, no ato, um espaço interior que o psiquism o por si só não consegue “alargar”.
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Pânico e desamparo na atualidade.

Pânico e desamparo na atualidade.

O pânico faz parte de um a gam a de diferentes form as do afeto de angústia, distinguíveis entre si, e que constituem , na visão de Freud, o cam po do angusti- ante: das Angstlichen . 5 Sob esse ponto de vista m etapsicológico, o pânico corres- ponde ao afeto de angústia despertado pelo confronto súbito do sujeito com a condição fundam ental de desam paro que, até então, estava enuviada. Considera- m os que a função m aterna falha no aspecto de perm itir que a criança passasse por um lento e progressivo processo de desilusão e de subjetivação de um m un- do que não corresponde àquele que ela im aginava ( onipotência narcísica) , por- tanto, que perm itisse que a descoberta da realidade do desam paro pudesse ser um a experiência tolerável.
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A ANGÚSTIA E A ADOLESCÊNCIA: UMA PERSPECTIVA PSICANALÍTICA

A ANGÚSTIA E A ADOLESCÊNCIA: UMA PERSPECTIVA PSICANALÍTICA

RESUMO: O objetivo deste artigo é traçar um breve histórico sobre como a psicanálise pensa a angústia e como ela (a angústia) se manifesta nos adolescentes na sociedade atual. Freud colocava a angústia como angústia diante de algo e a ligava a uma perda de objeto. Lacan, por sua vez, localiza a angústia a partir da presença de um objeto. Com isso, a angústia não estaria ausente da constituição do desejo. Ela deixa de se situar na relação Edípica e já aparece no desamparo inaugural do sujeito. Mas, como pensar a angústia na sociedade contemporânea? Como o adolescente lida com isso? A psicanálise tenta responder tais questões ao entender que a angústia que surge na adolescência é reflexo do novo desejo que os agita e de tantas possibilidades oferecidas pela sociedade. Dessa forma, por meio da análise o adolescente poderá encontrar um lugar para seu sofrimento e uma tentativa de criar novos sentidos e inventar novas formas de ser.
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Subjetividade, alteridade e desamparo nos tempos atuais.

Subjetividade, alteridade e desamparo nos tempos atuais.

A contemporaneidade, em sua recusa ao desamparo inerente ao devir hu- mano, tem cada vez mais colocado o aparato psíquico em um movimento a-his- tórico. O movimento coletivo de busca de arrefecimento da angústia inundou o corpo social – por meio do alargamento do campo de afetação imagético – com cada vez maiores quantidades de impressões que atingem violentamente o indi- víduo. Tais impressões reduzem-se à produção e manutenção de formações de signos de percepção que, enquanto intensidade duradoura, exige trabalho psíqui- co. Assim, transbordam-se para além de qualquer possibilidade de formação de barreiras de contato, que visem à realização do desejo, visto que essas só são pas- síveis de formação por meio de inscrição de traços psíquicos, capazes, portanto, de produção de um texto psíquico.
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Análise do desamparo de uma menina de cinco anos.

Análise do desamparo de uma menina de cinco anos.

mitia que eu entrasse. Certa vez, fechou-se em uma sala, trancou as janelas e blo- queou a porta com uma mesa tão pesada que me questionei como uma criança tão pequena fora capaz de empurrá-la! Quando eu pedia para entrar, ela não per- mitia. Eu aguardava então, do lado de fora, o (inevitável) momento em que Ca- roline saía, para verificar se eu ainda estava à sua espera. Toda esta atuação era vivida por ela com muita angústia, muito choro, muitos gritos, apesar de minha fala repetidamente lhe assegurar que eu estaria ali para recebê-la novamente na semana seguinte, para lhe garantir que esta separação não consistia num sinôni- mo de abandono. Houve ocasiões em que ela chegou a me bater, deixando clara a função defensiva de sua agressividade. Alguns de seus desenhos desta época, ainda não figurativos, transmitiam uma imagem de caos e confusão (Fig. 3).
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Desejo, remédio contra a angústia.

Desejo, remédio contra a angústia.

Novas formas de casamento, a multiplicação de filhos de diferentes relacionamentos, produções independentes, entre outros fatores, estariam favorecendo tais modificações havendo quem sugira (Miller, 1979) que parte da função norteadora do pai na cultura está sendo substituída por comitês de ética: grupos de iguais que, em determinado momento, circunscrevem o que é legítimo, aceitável e conveniente frente esta ou aquela situação. Mas os comitês de ética, mutantes, estão longe de dar suporte ao sujeito da atualidade. O lugar vazio deixado pela ausência do pai aponta para os riscos de uma existência sem garantias. Como pensar, hoje, em nossa cultura, a condição humana do desamparo?
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As províncias da angústia (Roteiro de viagem).

As províncias da angústia (Roteiro de viagem).

Há, efetivamente no “Projeto...” de 1895 (Freud, 1895/1995) uma intuição mais complexa e paradoxal, se pensássemos em termos estritamente funcionais: ali o outro é concebido simultaneamente como fonte direta de satisfação, único poder auxiliar e primeiro objeto hostil, o que rompe com o esquema adaptativo simples em que o “grito de socorro” do desamparado é endereçado em linha reta a um agente prestativo benevolente (cf. p. 44 e nota 172). Se no desamparo o grito que atrai cuidados também atrai para a proximidade “o primeiro objeto hostil”, há uma disfunção associada à função, uma desadaptação mesclada à adaptação. Algo parecido poderia sem encontrado no reino animal: a cria que, faminta, chama os pais, atrai predadores e uma solução de compromisso precisa ser adotada. Os etólogos já descobriram muitos procedimentos sutis forjados pela seleção natural das espécies para enfrentar estes conflitos funcionais. A diferença crucial com o caso dos humanos é que, segundo a descrição de Freud, o mesmo objeto traz socorro, aterroriza e persegue o bebê e embora o primeiro aspecto deva predominar em condições normais de desenvolvimento, o segundo deixa suas marcas indeléveis na formação do psiquismo. Ou seja, o psiquismo se formaria trazendo para perto e alojando dentro de si o outro aterrorizante, sem o qual, porém, o bebê não poderia enfrentar seu desamparo. Haveria, portanto, necessariamente, na própria fundação do psiquismo, tanto uma sustentação pelo outro como uma introjeção do outro agressor. Assinalo que Monique Schneider (1997) retoma esta questão num texto destinado a mostrar um certo empobrecimento (de caráter defensivo) do pensamento freudiano no que concerne à posição das alteridades. Este trabalho de Monique Schneider pertence a uma coletânea em homenagem a Lévinas e a esta questão retornaremos adiante, ao final de umas breves considerações acerca do pensamento deste autor.
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Desamparo psíquico na contemporaneidade

Desamparo psíquico na contemporaneidade

Pode-se dizer que estes mecanismos compensatórios são maneiras que o sujeito contemporâneo vem encontrando para lidar com seu desamparo e enfraquecimento das grandes instituições. Na ausência destas, não é possível encontrar lugares onde o sujeito possa aliviar sua angústia, nas palavras da pesquisadora: “Em outros termos, a parte mais primitiva de nosso psiquismo se deposita na instituição, que se encarrega de “contê-la”. E vice-versa, a instituição forma o pano de fundo de nossa vida psíquica (MINERBO, 2013, p. 33)”. Por consequência, é vivenciada a emergência do trauma e da desorganização no mundo subjetivo do indivíduo que fica impossibilitado de simbolizar e integrar suas experiências, passando a pulsionalidade ao estado constante de desligamento e, assim, o psiquismo torna-se preenchido de maneira excessiva pela energia livre ocasionando as estratégias defensivas radicais anteriormente citadas.
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A angústia e a ficção contemporânea

A angústia e a ficção contemporânea

O mesmo raciocínio pode ser usado para interpretarmos a criação do romance ficcional. Numa luta incessante da pulsão de morte contra a ausência de sentido, a escrita surge como forma de lutar contra o desamparo da angústia. No entanto, qualquer sentido e criação são provisórios, já que o vazio sempre se manifesta. Desta forma, o romance contemporâneo abriu- se e está aberto ao sentimento de angústia não somente como tema: a própria criação literária nasce daí. A estrutura dos romances registra a presença deste estranho tão familiar: os narradores sempre provisórios, mutantes, surpreendentes; o questionamento dos fatos antes tidos como verdades absolutas; a rarefação do enredo ao ponto de quase ou mesmo de desaparecer. Tudo isso, junto, ajuda a dar nova expressão ao romance contemporâneo. E este encontra seu ancoradouro no público leitor, que se reconhece ou fica intrigado a ponto de ler mais de uma vez o mesmo livro no afã de lhe atribuir um sentido.
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A angústia: conceito e fenômenos

A angústia: conceito e fenômenos

Reaparece assim em seu texto a ideia de desamparo (Hillosigkeit), enunciada pri- meiramente em seu “Projeto para uma psico- logia cientíica”, em que Freud (1985/1996) explicita novamente a angústia como um estado afetivo (um quantum de energia) com um caráter acentuado de desprazer que é liberado na vivência traumática. Sinal de angústia que, apesar de recebido pelo eu, endereça-se ao sujeito, isto é, ao inconscien- te. Dito de outra maneira, o sinal de angús- tia é um mecanismo psíquico, que trabalha como símbolo mnêmico e permite ao eu re- agir por meio de uma defesa. Mas vejamos: se a angústia é um sinalizador, o que ela sinaliza? O que ela assinala é o modo como a representação do mundo pode se tornar dilacerante quando não localiza espaço para um elemento atual. Logo, é sempre em vão tentar curar a angústia com psicofármacos, pois ela é inseparável da dialética do dese- jo. Podemos mesmo dizer que a medicação como o único tratamento para o sofrimento psíquico só terá como efeito reforçar um es- tado de dor (Flesler, 2012).
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Angústia e violência: sua incidência na subjetividade.

Angústia e violência: sua incidência na subjetividade.

Violência praticada, violência sofrida, violência auto-infligida... A violência parece estar presente em cada canto da vida. Se atentamos para o ensinamento de Freud em “Totem e tabu” e “O mal-estar na cultura” (1913 e 1930), temos de admitir, sobretudo, que a violência está presente no ato inaugural da civilização humana, onde têm lugar o crime primordial, o parricídio e o conflito fratricida. Comparece, igualmente, no ato original do próprio homem, porquanto o constitui mediante um acontecimento traumático, a separação da mãe, que o lança no estado de desamparo (Freud, 1926). Essas duas condições fundadoras, que se inscrevem na trajetória de cada um, no seu ad- vento como sujeito psíquico, selam definitivamente o mal-estar subjetivo. A articulação entre violência e angústia, numa primeira apro- ximação, pode ser relacionada a esses momentos míticos, à violência do ato de nascimento da cultura e da subjetividade, fontes da angús- tia fundamental do homem.
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Psicol. cienc. prof.  vol.31 número3

Psicol. cienc. prof. vol.31 número3

No nosso entender, como figura clínica, ele representa uma variação moderna do quadro fóbico que mostra, mais claramente, a relação atual da fragilidade da lei simbólica com o desamparo. Trata-se de uma experiência de angústia extrema que invade o ego de forma incontrolável e inesperada, sem dar-lhe chance de defesa. É a angústia que perde o caráter defensivo de autoconservação e de alerta ao perigo, e, de tão intensa, deixa o ego completamente invadido, desamparado. Além de se caracterizar como um afeto extremo de angústia, o pânico também apresenta relações com a fobia, uma vez que nele também estão presentes sintomas fóbicos. Contudo, ele traz uma especificidade: ocorre uma espécie de conversão da angústia para sensações corporais, experimentando o sujeito a ameaça diretamente no real do próprio corpo. Os ataques podem vir acompanhados de vários sintomas físicos, como: suor, tremores, calafrios, diarréia, vertigem, congestão e distúrbios nas atividades digestivas (náusea, vômito, alteração no apetite). Todos eles aparecem com o mesmo matiz afetivo – a ansiedade – e não, necessariamente, se originam de uma ideia recalcada. Pela presença marcante de somatizações, a sensação de estar morrendo invade a experiência afetiva do pânico, paralisando o sujeito.
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Prolegomena of helplessness in psychoanalysis

Prolegomena of helplessness in psychoanalysis

Birman (1999) atribui ao masoquismo um delineamento da maneira pela qual o desamparo se “encorpa e se incorpora” (p. 28), sendo este um efeito da angústia real. Destaca que o masoquismo, em suas formas — erógeno, feminino e moral — estabelece critérios distintos em relação à condição fundamental de desamparo. No masoquismo erógeno, o desamparo original seria reconhecido e, com isso, há a possibilidade de estruturação subjetiva, enquanto nos maso- quismos moral e feminino, haveria a recusa do desamparo, o que deixa o sujeito na posição de submissão ao outro, como forma de sustentação dessa recusa. Desse modo, o masoquismo se coloca como “posição crucial, seja como con• - guração estruturante, seja como forma de subjetivação defensiva” (p. 29) em relação ao desamparo fundamental, em que a mediação do masoquismo erógeno produziria a ação do sujeito no enfrentamento ao desamparo, ou seja, uma ação para a constituição do corpo erógeno, do sujeito do desejo, e que a ausência dessa mediação produziria uma subjetividade petri• cada nas modalidades do masoquismo feminino e moral, modalidades equivalentes à submissão ao outro.
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Civilização suficientemente boa? Do princípio do desamparo humano ao desamparo como princípio humano

Civilização suficientemente boa? Do princípio do desamparo humano ao desamparo como princípio humano

Os mecanismos utilizados pelo homem na busca do conforto encontrado nos pensamentos religiosos e na forma como a religião assume o papel regulador da vida em sociedade, são explicados [r]

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A angústia de viver na cidade.

A angústia de viver na cidade.

Na perspectiva atormentada de Luís da Silva, a cidade é mais um inimigo. Como espaço sufocante e opressivo, é o vislumbre do cárcere que aguarda Graciliano e do regime ditatorial que se avizinha: “O calor aqui também é grande demais. E faltam plantas. Apenas, um pouco afastados, coqueiros macambúzios, perfilados, como se esperassem ordens. […] Os coqueiros empertigados ficam para trás. Penso numa ditadura militar, em paradas, em disciplina” (A, p.24). Sucedâneo decadente das comunidades tradicionais, torna-se o lugar por excelência das relações falsas e superficiais, pobre em amigos e abundante em meros conhecidos: “Rua do Comércio. Lá estão os grupos que me desgostam. Conto as pessoas conhecidas: quase sempre até os Martírios encontro umas vinte ” (A, p.25). Seu sistema de valores é pesado pela balança da mercadoria, emblema-fetiche do mundo capitalista. Em Angústia, a cidade burguesa é semantizada, de modo mais geral, através da metáfora da vitrine, o que também enfatiza a preponderância da aparência, do narcisismo e do superficialismo sobre a vivência mais profunda:
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Psic.: Teor. e Pesq.  vol.18 número3

Psic.: Teor. e Pesq. vol.18 número3

O livro, além de apresentar uma tradução original das primeiras descrições da agorafobia, introduz e diferencia o leitor no aprofundamento do tema, do ponto de vista do di- agnóstico, do tratamento, percorrendo ainda as teorias críti- cas a respeito em articulação com o ponto de vista psicana- lítico. Mas, este ponto de vista está distante daquele inicial apontado por Freud em plena era vitoriana quando a angús- tia era analisada como sendo produto de recalque. Sem des- fazer-se da importância do recalque, os textos desenvolvi- dos nesta obra coletiva apontam uma nova direção, a angús- tia como sendo marcada pelo excesso de pulsionalidade. O pânico, por exemplo, é analisado então a partir desta pers- pectiva. Esta dimensão pulsional aponta para os limites de se utilizar a interpretação pura e simplesmente sem conside- rar a dimensão real da angústia no corpo.
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Do humanismo ridículo: a crítica da prefectibilidade humana em Pascal e Lutero.

Do humanismo ridículo: a crítica da prefectibilidade humana em Pascal e Lutero.

Nesse fragmento Pascal faz sua análise existencial do Homem. Seu argumento, na realidade, é que, quando não se movimenta (se diverte), o Homem necessariamente se afoga naquilo que, sendo sua essência estrutural, brota do seu coração. Pascal nega que o Homem possa existir, quando o movimento auto-alienante cessa, sem experimentar angústia, desespero, tristeza. O foco da sua análise parece desviar-se de uma argumentação eminentemente moral para um cenário psicológico profundo. O gestual retórico da perfectibilidade seria, nesse sentido, um modo de desviar-se da agonia essencial, negando o condicionamento teológico, mas permanecendo presa da inevitável angústia ontológica. Seria possível negar essa autopercepção negativa profunda, apontada por Pascal, e que nos remete à sensação de insustentabilidade estrutural em termos precisamente empíricos (doença, envelhecimento, falhas cognitivas contínuas, inércia da miséria moral ao longo da história), isto é, sem lançarmos mão de recursos desviantes? Na maioria das vezes, Pascal parece dizer que não há como escapar dessa dinâmica do desespero sem a intervenção de Deus. Essa temática é a fenomenologia da conversão, que ele trata nas suas correspondências espirituais, e que deságua numa refl exão acerca do déchirement (dilaceramento), e que fala do afastamento do desejo humano do mundo das criaturas, experimentado como agonia que rasga interiormente a estrutura humana, amante da criatura. 21 E mais: em estado de déchirement,
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A angústia epistemológica na psicologia.

A angústia epistemológica na psicologia.

Neste texto, nos propomos a tratar do problema da di- versidade epistemológica e das questões que preocupam os pesquisadores em Psicologia que, de uma maneira ou outra, têm de fazer suas opções no calor da peleja do trabalho inte- lectual. Sua inspiração original pode ser identificada no que denominamos de “angústia epistemológica”: a dúvida sobre que direção tomar diante da diversidade de opções hoje dis- poníveis no campo da Psicologia. Obviamente, essa angústia é uma conseqüência da superação da vaidade intelectual a que nos referimos. O problema central que a caracteriza está ligado a como devemos enfrentar uma diferença existente entre ao menos duas maneiras quaisquer de fazer ciência – no caso, duas ou mais formas de se produzir conhecimento em Psicologia. A angústia epistemológica é decorrente, portanto, de nossa incapacidade de nos orientarmos no panorama geral do conhecimento em face de sua diversidade.
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A travessia da angústia: estudo psicanalítico sobre a função da angústia na formulação do objeto a

A travessia da angústia: estudo psicanalítico sobre a função da angústia na formulação do objeto a

do desejo. (Idem, p.26). O encontro do sujeito com essa resposta leva-o a se equivaler ao objeto. A autora observa que é preciso distinguir o objeto em função de causa do desejo e o objeto em função na angústia. Neste caso, “o objeto, bem longe da função de causa, está em função (...) da identificação destituinte”. 32 (Idem, p.29). Essa identificação é o que proporciona um valor ontológico à angústia, como assegura Soler. Ao se identificar ao objeto, o sujeito vislumbra um certo saber acerca de seu desejo que é desconhecido, por não pertencer ao domínio do simbólico. É nesse sentido que podemos compreender o valor epistemológico que a autora também atribui à angústia, bem como o paralelo que ela situa entre a destituição que uma psicanálise almeja e aquela que se instala em um momento de angústia. Segundo Soler, a destituição subjetiva programada por uma análise produz uma resposta para a interrogação do sujeito em sua análise “que sou eu?”: “você é apenas um objeto”. E essa forma de destituição programada suaviza ou modera as “destituições selvagens” no curso de uma análise. (Idem, p.28). Assim, é possível compreender, a partir das colocações dessa autora, que a travessia que uma análise viabiliza ao sujeito após sua geralmente longa trajetória de tratamento analítico é, de certa forma, bruscamente atualizada nos momentos em que o sujeito se identifica ao objeto – momentos que são, inevitavelmente, sinalizados pela invasão da angústia. Essa travessia é selvagem porque corresponde à intrusão de um gozo para um sujeito precário, despreparado, o que é muito diferente do sujeito que se encontra no final de uma análise, minimamente reposicionado em relação aos sentidos e sem-sentidos de sua história.
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Psicol. cienc. prof.  vol.35 número2

Psicol. cienc. prof. vol.35 número2

de sucesso, sorte, vitória, e, hoje, poderíamos somar nessa lista, um esteticismo irrefreá- vel e irrefletido que apela para o prazer, a sedução, o entretenimento, o consumismo, o dormir e acordar conectado, não é, na verdade possibilidade para a possibilidade, mas não passa de algo que atende aos recla- mes de uma moral vigente. Dessa maneira, é possível afirmarmos que não calculamos as possibilidades, ou seja, a possibilidade não é algo que possa ser planejado, ante- cipado para visar resultados tangíveis. Tal enquadre pertence à ordem do finito, de nossos cálculos acerca da “realidade”. Já a possibilidade afirma a infinitude da existência. Nesse sentido, Kierkegaard (2010, p. 164), sob a voz de Haufniensis, nos diz que “aquele que é formado pela angústia é formado pela possibilidade, e só quem é formado pela possibilidade está formado de acordo com sua infinitude”. Tentamos barganhar com o que para nós soa como possibilidade, mas, que não passa do universo tangível do finito. Tentamos “passar a conversa” (Kierkegaard, 1844/2010, p. 165) nas possibilidades, fugir delas, evitá-las, encobri-las, adiá-las, e, até, como se fosse possível, suprimi-las. Mas quem foi educado na escola da possibilidade apren- deu que não se pode exigir absolutamente nada da vida. Exigir da vida é barganhar com ela. É tratá-la como coisa entre coisas como se costuma fazer quando estamos naquilo que o autor chamou de “escola da finitude”.
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