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Entrevista com Antonio Candido.

Entrevista com Antonio Candido.

Antonio Candido – Não. Os cargos estavam sen- do criados e os candidatos eram poucos. Já lhes contei como fui nomeado de maneira inesperada, e como tudo dependia da escolha pessoal do ca- tedrático. Pelo regimento da Faculdade, o assis- tente era cargo de confiança, demissível ad nu- tum, isto é, segundo a mera vontade do professor. Não tinha estabilidade, não tinha aposentadoria, era rigorosamente dependente do seu chefe. Na- quele momento foi definido regularmente o qua- dro da Faculdade e por isso havia muitos lugares disponíveis, de 1º., 2º. e 3º. assistente. Eu fui 1º. e o meu colega José Francisco de Camargo, mais tar- de diretor da Faculdade de Ciências Econômicas, 2º.. A seguir ele passou para o ensino normal, an- tes de voltar à USP, e foi nomeado para substituí- lo Florestan Fernandes. Não lembro quando o as- sistente passou a ter carreira regular. Creio que foi na segunda metade do decênio de 1950, devido à luta da Associação dos Auxiliares de Ensino da USP, na qual foram ativos, entre outros, Alberto Carvalho da Silva, de Medicina, e Fernando Hen- rique Cardoso. Se não me engano, foi então que se estabeleceu que um assistente que tivesse dou- torado e dez anos de casa teria estabilidade. Mas não lembro direito.
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Entrevista de Antonio Candido  sobre Jurandir Ferreira

Entrevista de Antonio Candido sobre Jurandir Ferreira

Passados alguns meses, recebo outro telefonema, era o senhor Antonio Candido me informando que estava em Poços e que, como havia combinado, me avisava para que continuássemos a conversa. Tanto em Poços como na vez anterior em São Paulo, falamos um par de horas, tarde afora; eu, sem qualquer traquejo acadêmico. Falamos sobre política e sobre autores mineiros, sobre autores como Euclides da Cunha e sobre o Rio Pardo, e, claro, também sobre Jurandir Ferreira. Não gravei ou filmei essas conversas, coisa que nem me ocorreu. Mais tarde compreendi que ele ouvia as opiniões literárias de uma jovem com intuito de fazer o que faz o bom professor: aproximar o leitor do autor, não tornar a literatura algo inalcançável. Ouvia sem qualquer vestígio de desdém aquelas minhas observações de leitora comum. Falamos também de pessoas que ambos conhecíamos, sem que essas conversas ainda tivessem relação com a entrevista apresentada aqui, feita via correspondência, já que Antonio Candido preferiu responder por escrito.
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Antonio Candido por ele mesmo:  a entrevista como momento de mediação

Antonio Candido por ele mesmo: a entrevista como momento de mediação

Como se viu, o ideal de clareza atravessa diferentes âmbitos, interligando reflexão teórica, prática de ensino, intervenção política etc., conferindo a eles um ar de família. Podemos atribuir essa condição às especificidades da entrevista como gênero, que naturalmente intercala os assuntos, ou podemos reconhecer como traço de personalidade do entrevistado, cujo caráter se conforma no interior das ideias e posições que assume e defende. Mas podemos ainda – como é nosso interesse – reconhecer o entrelace objetivo desses diferentes temas, a ver como sua opção pela clareza se desdobra em uma perspectiva ideologicamente crítica. Em outras palavras, pensamos que, por meio da inteligibilidade veiculada na linguagem, Antonio Candido exerce papel político de homem de esquerda, na medida em que a clarificação deve promover a socialização cultural, política e econômica (CANDIDO, 1997). Essa postura despontou cedo e foi sendo aprofundada e depurada no correr dos anos. Trabalhando a cabeça para alcançar sua razão de ser, ele explica as transformações que ocorreram dentro de si mesmo como resposta individualizada das condicionantes externas – uma postura materialista, como veremos adiante. O contato pessoal com professores e amigos impressionaram o jovem Antonio Candido e influenciaram também sua experiência com as ideias socialistas, começadas na pequena Poços de Caldas, interior mineiro, onde passou infância e adolescência:
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“A literatura é uma transfiguração da realidade”. Entrevista com Antonio Candido

“A literatura é uma transfiguração da realidade”. Entrevista com Antonio Candido

De maneira muito própria, ele traduziu a nossa realidade humana em valor universal, mas – aqui entra o meu ponto de vista – isso não quer dizer, como se disse durante muito tempo, que te[r]

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Antonio Candido, no tempo da delicadeza

Antonio Candido, no tempo da delicadeza

Esse texto conversará com outros no interior da Revista, enlaçando-os e evidenciando o eixo Antonio Candido, Político: nessa vertente se poderá ler a entrevista de Antonio Candido ao jornal Brasil de Fato, cuja licença para republicação foi obtida também pela incansável colaboradora, que conseguiu sua liberação para publicação em revista. Como se não bastasse, é ainda da lavra de Adélia a pesquisa por imagens que viessem a dar ainda mais visibilidade às questões políticas tratadas pelos textos de Candido (perceba-se, na ilustração do artigo, foto liberada por Sebastião Salgado) bem como as fotos de seu arquivo pessoal que dão mais luz, mais brilho – ilustram – as matérias a que chamamos “Do Afeto”: depoimentos, memórias, gratidão de Antonio Arnoni Prado (UNICAMP); Roberto Gambini (psicanalista); Frei Betto (Carlos Alberto Libânio Christo); Antonio Carlos Fester (Comissão de Justiça e Paz/ Educador em Direitos Humanos); Ligia Chiappini (USP/Freie Universität Berlin) e Walnice Nogueira Galvão (USP).
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A experiência hispano-americana de Antonio Candido

A experiência hispano-americana de Antonio Candido

N o dia 25 de setembro de 2004 fui recebido pelo professor Antonio Can- dido na sua casa, mercê à cordial intermediação do professor Jorge Schwartz. Para além de minhas expectativas, mantive com ele um diálogo que se prolongou ao longo de quatro horas, o qual depois foi gravado, transcrito e enviado ao en- trevistado. Em 12 de julho de 2005, quando aconteceu um segundo encontro, o professor Candido me anunciou que ia me enviar uma versão mais extensa da- quela entrevista. Uma semana mais tarde, recebi em Montevidéu o texto datilo- grafado a dois espaços, com mínimas correções manuscritas, em quatorze fólios tamanho carta. Nesta ocasião acrescentou numerosos dados e opiniões, organi- zadas segundo a ordem da sua memória.
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Antonio Candido militante

Antonio Candido militante

O socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade, ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar para o operário não ser mais chicoteado; depois, para não trabalhar mais que doze horas; depois, para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar; para os trabalhadores terem férias; para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “O senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana.” O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais- valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisa. E a mais-valia não tem limite. Marx diz em A Ideologia Alemã: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia, e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. (Entrevista a Joana Tavares, “O socialismo é uma doutrina triunfante”. Brasil de Fato, 8 ago. 2011.)
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Recortando Antonio Candido

Recortando Antonio Candido

O primeiro texto, “Acerca de André Gide”, é uma resenha do livro Anatomie d’André Gide (1972), de Roger Bastide. O sociólogo francês foi professor de Candido nos três anos do Curso de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), participou de sua banca de doutorado em Ciências Sociais, foi seu interlocutor. Em entrevista a Maria Lúcia Santana Braga, diz que essa interlocução foi definitiva para que ele se mudasse da Sociologia para a Literatura: o ex-aluno lembra que o prof. Bastide “Era um homem que cuidava muito da literatura. Era bom crítico literário. Ele era muito bom crítico literário.” (BRAGA, 2000, p. 341). Essas relações explicam em parte o motivo da resenha do último livro – e de crítica literária – da vasta bibliografia de seu querido mestre sociólogo. Também era uma forma de homenagear o antigo professor, que morreria dois anos depois. Veja-se a seguir outra motivação.
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Antonio Candido leitor de Oswald de Andrade

Antonio Candido leitor de Oswald de Andrade

como assimilação destruidora e recriadora da cultura europeia com vistas a uma civilização desrecalcada e anti-autoritária, cujo marco se encontra no importante ‘Manifesto Antropófago’ (1928)” (p. 73-4). Dando continui- dade à sua apreciação sobre o tema, seguindo a linha temporal, Candido registrou que depois da ruptura com o Partido Comunista Oswald “reto- mou as ideias da Antropofagia com vistas à sua velha luta contra o autori- tarismo, expresso na imagem do pai e nos sistemas sociais que a prolon- gam, contra os quais fez a apologia do matriarcado” (p. 74). Com isso, uma vez mais, o crítico deu guarida à atuação rebelde de Oswald, por um tema que o interessou desde os anos de 1920 e prosseguiu pela vida, como com- prova uma nota de Candido encontrada por Vinicius Dantas ao pesquisar escritos de Oswald nos arquivos do IEB (USP). Esse recorte breve, mas muito relevante, tinha sido publicado na revista Paralelo em 1947, acompa- nhando a reprodução de uma entrevista de Oswald concedida a Paulo Mendes Campos, então recém-saída no Diário Carioca (cf. 1990, p. 121-32). Seguindo a nota de Antonio Candido, na mencionada revista Paralelo, o cerne da Antropofagia oswaldiana seria “o sentimento, por ele comuni- cado, de que o mais importante é decantar, nos produtos complexos da ‘cultura da servidão’, as partículas inestimáveis de liberdade, ou seja, de- purar o movimento revolucionário, indo buscá-lo onde estiver — na sinfo- nia, na equação ou no gesto — integrá-lo, livre de ganga, no gráfico ascen- dente que busca a ‘cultura de liberdade’” (2006, p. 172) Com base nesse pensamento inovador de Oswald, o crítico expõe sua interpretação, expli- citando que “matriarcado e homem natural não significam para nós cate- gorias históricas ou culturais concretas, mas metáforas ativas, que validam uma aspiração ascendente de humanização. E [prossegue] como julgamos a metáfora uma força criadora, a par do conceito e da ação, consideramos da maior importância, para os novos, o testemunho de Oswald” (p. 172).
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Antonio Candido

Antonio Candido

Na carta que enviei com a entrevista, anotei uma explicação que cabe repetir aqui: “Procurei fazer algumas perguntas de interesse mais imediato para o leitor daqui, do Sul, o que explica (e talvez desculpe) a insistência nos temas locais. Da mesma forma, tentei formular questões que me parecem não muito feitas em ou- tras oportunidades.” Como o leitor poderá ver em seguida, de fato eu forcei um pouco a mão para que o professor Candido abordasse temas que nos afligem, aqui no Rio Grande do Sul, nomeadamente aquele que atende pelo nome de regionalis- mo. Assim como pedi desculpas antecipadas a Candido por investir tanto na ques- tão, peço agora ao leitor, que talvez preferisse ver a inteligência do entrevistado ilu- minar temas talvez mais subidos, quem sabe Proust, quem sabe Machado de Assis. O que se vai ler, enfim, é o que Antonio Candido respondeu, ipsis litteris. E é da maior qualidade.
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Comentários a “Martírio e Redenção” de Antonio Candido

Comentários a “Martírio e Redenção” de Antonio Candido

Aqui se encontra um eco poderoso de Os parceiros do Rio Bonito – estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida, (CANDIDO, 2010) texto publicado em livro em 1964, mas escrito de 1948 a 1954, como tese de Doutoramento em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Defendida em 1954, focada nos “meios de vida” do caipira paulista, essa tese implicou num trabalho de campo na zona rural de Bofete, cidade do interior de São Paulo. Tratando do Cururu, dança cantada do interior paulista, a pesquisa teria como título “Poesia Popular e mudança social”, mas, conforme o testemunho do Autor numa entrevista, ele acabou percebendo que sem conhecer música não seria possível estudar uma manifestação primordialmente musical (CANDIDO, 2001). Então aproveitou em outro rumo o material coletado em trabalho de campo e transformou o que seria a parte inicial da tese – o estudo sobre a cultura caipira – na
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O ADEUS AO CRÍTICO ANTONIO CANDIDO: UM ACONTECIMENTO

O ADEUS AO CRÍTICO ANTONIO CANDIDO: UM ACONTECIMENTO

Para Queré (1997), o acontecimento instaura novos sentidos quando emerge e rompe com a recorrência dos fatos. Por esse viés, o fenômeno “se inscreve em um contexto e ganha uma nova dimensão na medida em que é narrado e descrito através da comunicação (in- cluindo aqui os processos comunicativos realizados através da mídia)” (SIMÕES, 2014, p. 177). E ainda, pela emergência, consegue construir um passado e um futuro que são narrativamente instituídos no pre- sente. Importante deixar claro que Queré não acredita que o aconte- cimento seja apenas construído dentro da mídia – apesar de reter a atenção pública por meio do agenda setting – e que seria um equívo- co imaginar o acontecimento como um relato disponibilizado através das notícias de um grande jornal, apenas para citar um exemplo. Para fins de análise, o sociólogo delineia a chamada “individuação do a- contecimento” que ocorre por meio de três processos e será o eixo central metodológico deste artigo para analisar a morte de Antonio Candido como um acontecimento: descrição, narração e configuração de um pano de fundo pragmático.
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Antonio Candido e a formação da literatura comparada

Antonio Candido e a formação da literatura comparada

A aceitação inconteste de que estamos imersos em um processo transcultural e de nulidade das fronteiras em meio a um mundo global sem hierarquias impõe, além disso, a aceitação de um processo concluído de assimilação da nacionalidade e posterior supressão dessa. Segundo Mike Featherstone (1990), supor a existência de uma cultura global compreende aceitar que as culturas nacionais, “formadas” em seu sentido mais amplo, interpenetraram-se e se fundiram, o que não ocorreu em sua completude, o que nos faz admitir, mais precisamente, a existência de “[...] alguns processos culturais trans-nacionais que assumem uma ampla variedade de formas.”(FEATHERSTONE, 1990, p.17). Néstor Garcia Canclini (1997) indica que a sociedade contemporânea integra e forma uma cultura marcada por três fatores fundamentais: a hibridez, a desterritorialização e as estratégias de descoleção. Obviamente, ao menos três grandes pilares da tradição crítica mobilizada por Antonio Candido podem ser desconstruídos, em função da afi rmação de Canclini: a noção de literário, a concepção de nacional e a fi xação de um cânone. Contudo, é o próprio Canclini (1997, p.137) que conclui que
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Antonio Candido em letra, voz e história

Antonio Candido em letra, voz e história

De fato, o inesperado texto de Souza Caldas dirigido a João de Deus Pires Ferreira, o quarto filho de Domingos Malaquias, traz importantes contribuições para o andamento da pesquisa e do trabalho em curso que venho fazendo correr paralelamente sobre Gervásio. E recolho dele o comentário sutil e a referência crítica de Antonio Candido, que deverá abrir para mim uma nova pista. A de que há de pensar-se no conjunto. Para além de Gervásio, que estudou Matemática em Coimbra, como muitos de sua família, o seu irmão, Bacharel em Leis, eles per- tenciam a uma aristocracia que se tornaria moderna, passando por experiências internacionais, libertárias e não fazendo parte dos negociadores de escravos que acumulavam grandes fortunas no Brasil Colônia.
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O conceito de forma literária de Antonio Candido

O conceito de forma literária de Antonio Candido

Porém, Candido (1975a, p. 6) insiste em delinear uma metodologia autêntica: “as próprias imagens do estilo manifestam a mineralização da personalidade, tocada pela desumanização capitalista”. Para que tenhamos uma noção mais clara do que são imagem e estilo em teoria literária, é bom que recorramos à definição desses termos: 1) para Bosi (1993, p. 13), a “imagem é um modo de presença que tende a suprir o contacto direto e a manter, juntas, a realidade do objeto em si e a sua existência em nós”; para I. A. Richards (1967, p. 99), é um “acontecimento mental peculiarmente ligado à sensação”; para René Wellek e Austin Warren (1954, p. 191), “the word ‘image’ means a mental reproduction, a memory, of a past sensational or perceptual experience” ; 2) segundo Lukács (1970, p. 171), o estilo é “um determinado modo de considerar a realidade” alcançado por “meios artísticos expressivos”, isto é, “uma certa autonomia em relação à matéria que vai ser plasmada”; para Wellek e Warren (1954, p. 184), é o conjunto de traços linguísticos individuais por meio dos quais se atinge um propósito estético e se distingue uma obra ou um grupo de obras. A partir de um exercício de amalgamação desses dois conceitos estéticos, devemos encontrar em Senhora, de acordo com o que foi afirmado por Candido, uma maneira particular de construção linguística (estilo) que motive o surgimento, nos leitores, de uma presença imaterial (imagem) da desumanidade condicionada pelo monopólio do capital e da insensibilidade da protagonista Aurélia.
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Notas sobre a  “Ocupação Antonio Candido”

Notas sobre a “Ocupação Antonio Candido”

Essa relevante contribuição importa em reivindicar o acesso à literatura como um dos direitos humanos. Antonio Candido agrupa os direitos em duas categorias, que ele chama de “incompressíveis” e “compressíveis”. Os direitos incompressíveis são aqueles que não podem ser diminuídos ou eliminados sem pôr em risco a vida da pessoa (por exemplo a alimentação, a saúde) e os direitos compressíveis são aqueles que podem ser diminuídos ou momentaneamente eliminados sem acarretar a morte. Pensemos nos supérfluos em que vivemos atualmente atolados, enquanto procuram convencer-nos de que são necessários, e não inúteis: tudo isso para sustentar a produção industrial crescente.
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Ángel Rama e Antonio Candido: de um sistema literário para o Brasil à construção de uma literatura para a América Latina

Ángel Rama e Antonio Candido: de um sistema literário para o Brasil à construção de uma literatura para a América Latina

Esse olhar permite que Candido faça uma interpretação concreta da existência do seu objeto de estudo, considerando a leitura de um processo concluído, com diferença do trabalho dos seus predecessores. Aliás, essa interpretação de Roberto Schwarz (1999a), dado o corpus de pesquisa escolhido, demonstra a pouca relevância do sistema literário brasileiro na configuração da nação brasileira, ao considerar que a existência do sistema literário não marcou grandes diferenças para a vida nacional, assumindo uma aparente independência, moderna, quando ainda existiam muitos traços coloniais na cultura brasileira. Essa é uma conclusão essencial do crítico da USP ao considerar que uma forma moderna de progresso, como o “sistema literário”, se manifestou dentro de estruturas coloniais convencionais e conseguiu se desenvolver sem influir diretamente nas práticas coloniais. Candido expõe como os diferentes campos de poder foram se formando no Brasil, sem procurar uma aparente integração entre estes, admitindo que, com isso, iniciou-se a fragmentação de uma suposta unidade nacional. É por isso que, enquanto os predecessores de Candido falavam de processos inacabados, processos esses que se fossem concluídos, para eles, teriam permitido múltiplas mudanças no Brasil, Candido fala de um processo culminado, o sistema literário, que não mudou as estruturas coloniais do Brasil.
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Sobre “O direito à literatura”, de Antonio Candido

Sobre “O direito à literatura”, de Antonio Candido

Utilizando uma formulação tomada ao sociólogo e economista Louis-Joseph Lebret, Candido, em seu texto, situa a literatura como um dos bens incompressíveis da humanidade, ou seja, bens que, numa sociedade justa e igualitária, não podem ser tomados ao ser humano por serem tão imprescindíveis para a existência quanto o alimento, a moradia e as roupas. Negar a fruição dela significa mutilar a personalidade e privá-la de formas necessárias de expressão de sentimentos e de organização do pensamento.

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Antonio Candido e Mário de Andrade (anotações preliminares)

Antonio Candido e Mário de Andrade (anotações preliminares)

Lembremos que, ao iniciar o rodapé na Folha da manhã, Candido já havia passado pela guinada de politização da revista Clima, ocorrido em 1942, sobretudo por influência de Paulo Emílio Salles Gomes. Quando a revista apareceu, em maio de 1941, o que chamava atenção era o fato de manifestar o novo espírito universitário da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, e não tanto as preocupações políticas, que pareciam ausentes das intenções iniciais daquele grupo de jovens intelectuais. O próprio Antonio Candido, em depoimento retrospectivo, identifica em Clima duas fases distintas, as quais compunham um trajeto em que a revista “começou apolítica, preocupada com o trabalho puramente intelectual, e foi se politizando lentamente, ficando cada vez mais radical, até uma atitude francamente empenhada”. (CANDIDO, 1980a, p. 158). A trajetória de politização da revista correspondia também ao percurso paralelo do cidadão Antonio Candido que, acompanhando Paulo Emílio, passou a atuar em agrupamentos políticos sobretudo a partir de 1943 (ver CANDIDO, 1995). De 1941 a 1943, portanto, o jovem Antonio Candido havia passado por uma significativa iniciação na atividade política propriamente dita, o que decerto implicou também mais acentuada inclinação, na crítica de livros, para a atitude politicamente engajada.
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Inquietudes da crítica literária militante de Antonio Candido.

Inquietudes da crítica literária militante de Antonio Candido.

O exame das posturas e alianças políticas, ambições intelectuais, pressu- postos doutrinários, preferências literárias, autores privilegiados e conceitos analíticos incrustados nesse material depende da consideração de quatro frentes correlatas de pesquisa. Em primeiro lugar, os contornos mais gerais do contexto social e clima político-ideológico desses anos. Período de in- tensa agitação política, os anos de 1943 a 1945 marcam, no plano interno, o declínio do Estado Novo (e seus corolários: os primeiros movimentos contestatórios, a reorganização da vida política, o abrandamento da censura etc.) e, no externo, o desfecho da Segunda Guerra Mundial. Em segundo lugar, a alternância vivida por Candido entre a atividade de crítica literá- ria e a profissionalização acadêmica na área da sociologia. A inserção na FFCL-USP – como professor-assistente da Cadeira de Sociologia II (sob a direção de Fernando de Azevedo) e dando prosseguimento às etapas da carreira acadêmica (ao ingressar no curso de Especialização) – repercutiu profundamente na perspectiva analítica adotada por ele nos rodapés. Em seguida, a militância política em pequenos grupos de esquerda. Aderindo à luta contra a ditadura varguista, Candido assume posições políticas e inte- lectuais combativas, participando de agrupamentos de oposição na esteira do processo de retomada da democracia. Por fim, a apreensão, por parte do jovem crítico, do movimento e vida literária do início da década. Assinalado pelo convívio entre os remanescentes do modernismo e as novas tendências e autores que despontavam.
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