Top PDF Foucault: o poder disciplinar e o direito ao corpo

Foucault: o poder disciplinar e o direito ao corpo

Foucault: o poder disciplinar e o direito ao corpo

Percebemos que Foucault caracteriza o poder disciplinar como um modo de organizar os espaços, de controlar o tempo de vigiar continuamente o indivíduo e sua conduta. É no corpo do indivíduo que esse poder se exerce, produzindo um saber sobre o corpo que não é exatamente a ciência de seu funcionamento, mas o controle de suas forças, esse controle denomina-se de tecnologia política do corpo. Trata-se de uma microfísica do poder posta em diferentes níveis pelos aparelhos e instituições, sendo uma forma de poder típica da modernidade. O panoptismo é o retrato dessa nova sociedade, em que tudo se é observado e catalogado, de modo que nada escapa aos pelos olhos do poder. E isso não é sinônimo de uma fonte única de poder, tal como asseveram as teorias clássicas do poder, mas estão presentes tem todas as formas de relação e em todas as instituições que o homem passa durante sua vida: o exército, a escola, a fábrica, etc.
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Poder e subjectivação segundo Foucault e Deleuze

Poder e subjectivação segundo Foucault e Deleuze

Foucault esclarece que este «dar a morte» não passa simplesmente pela morte directa do corpo mas também por “tudo o que possa provocá-la indirectamente” 177 e também pela “morte política, a expulsão, a rejeição, etc.” 178 e até a desqualificação ou o desemprego. Portanto, para entendermos hoje questão do racismo numa sociedade de normalização, segundo o ponto de vista de Foucault, é preciso ter sempre presente o seu conceito de «dar a morte» que significa tanto a morte perpetrada directamente, mas também tudo o que possa provocá-la indirectamente, assim como as múltiplas «mortes» políticas ou sociais, a expulsão, a rejeição, etc. O próprio Foucault se interroga acerca da existência do jogo entre o direito soberano de matar e os mecanismos do biopoder em todos os Estados modernos. “Mas esse jogo inscreve-se efectivamente no funcionamento de todos os Estados. De todos os Estados modernos, de todos os Estados capitalistas?” 179 Há indirectamente, um apelo ao racismo nas sociedades contemporâneas, ao propagarem-se normas extremas de pureza e sanidade, como uma forma desenvolvida de vida quotidiana, divulgadas tanta pelos mass media, como pelo marketing, quanto pelas diversas leis impostas pelo Estado. É também necessário ter em atenção o conceito de racismo segundo Foucault. Não se trata de um racismo unicamente étnico, mas de um “racismo de tipo evolucionista, o racismo biológico, a propósito das doenças mentais, dos criminosos, dos adversários políticos, etc.” 180 Isto significa, que o racismo está instalado no interior da própria sociedade entre os seus membros. Pode-se apontar o racismo contra os imigrantes e contra os desempregados. E ainda a desqualificação a que determinadas pessoas são sujeitas pelas diversas instituições e instâncias superiores do poder. O «perigo» do biopoder é que ele surge como natural e inofensivo pois o seu poder parece visar apenas os problemas da vida, o que torna difícil pensá-lo e tomar atitudes críticas perante a sua invasão silenciosa. Os seus mecanismos invadem a vida de um modo global e encarregam-se de regulá-la em todos os domínios.
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O poder disciplinar: função e natureza do trabalho

O poder disciplinar: função e natureza do trabalho

perigos, fixar as populações inúteis ou agitadas, evitar os inconvenientes de reuniões muito numerosas” (p.198). Há o acréscimo de uma nova função: aumentar a utilidade possível dos indivíduos – treiná-los, modelá-los, aprimorá-los, adestrá-los de tal forma que seus corpos tornem-se economicamente mais produtivos. Trata-se de submeter o corpo ao poder disciplinar, de tal forma que se torne dócil e que, possa assim, ser aperfeiçoado e utilizado. Mas o que são as disciplinas? São “[...] métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade- utilidade” (FOUCAULT, 2010, p. 133). Para compreendê-las melhor, apresentaremos alguns dos vários recursos utilizados para a fabricação do sujeito trabalhador, são eles: o controle dos corpos, o controle do tempo, a vigilância hierárquica, a sanção normalizadora e o exame.
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PODER E DIREITO EM FOUCAULT: RELENDO VIGIAR E PUNIR 40 ANOS DEPOIS.

PODER E DIREITO EM FOUCAULT: RELENDO VIGIAR E PUNIR 40 ANOS DEPOIS.

O terceiro problema refere-se ao fato de que, a despeito da inegável sofisticação e erudição de sua obra, que certamen- te contribui para nosso entendimento da sociedade moder- na, Foucault parece conceber a sociedade moderna apenas como uma grande patologia (Habermas, 2012; Honneth, 1991). Por essa razão, penso, ele não consegue distinguir os efeitos patológicos dos processos de modernização daqueles efeitos não patológicos que consistem em verdadeiras con- quistas da humanidade e que não podem ser confundidas apenas com as patologias provocadas pela exploração capita- lista e pelo poder disciplinar. Os direitos humanos, sociais e democráticos, conquistados com muita luta e ora sob ataques vindos de diversos quadrantes, não podem ser considerados uma patologia (Gorz, 1980; Silva, 2011; Fraser, 1989; Castel, 2006). No entanto, isso parece resultar da atitude negativa de Foucault (1984) em relação ao esclarecimento e à razão, embora ele próprio se coloque dentro dessa tradição, confir- mando assim a imanência de sua crítica.
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Poder, biopolítica e governamentalidade em Michel Foucault

Poder, biopolítica e governamentalidade em Michel Foucault

Uma possível leitura deste trecho pode ser feita da seguinte forma. Quando Foucault nos sugere que os direitos reivindicados na atualidade são incompreensíveis para o sistema jurídico clássico, isso se dá porque o que está em jogo em tal demanda não pode ser suprido pelo o que constitui o ordenamento jurídico. Seja ele tradicional ou não, não é no âmbito do jurídico que lutas referentes à vida, ao corpo, ao registro concernente ao biológico, devem ser encampadas. Lembramos a recorrente colocação de Foucault de que as verdadeiras lutas políticas na modernidade não devem ser estabelecidas na ordem do direito, mas por uma outra via em que os agentes possam se antepor a qualquer disposição de poder que venham tentar enquadrá-los num esquema normativo pré-definido. Essa interpretação associa-se à lógica sugerida por Agamben de que a “vida nua” está a cargo do poder soberano que, por sua vez, opera acima do ordenamento jurídico. É nesse sentido que ele vai dizer que “a implicação da vida nua na esfera política constitui o núcleo originário – ainda que encoberto – do poder soberano. Pode-se dizer, aliás, que a produção de um corpo biopolítico seja a contribuição original do poder soberano.” (2002, p. 14) O campo de concentração vai se tornar o paradigma político da modernidade na medida em que a politização da “vida nua” torna-se a regra nos Estados modernos. O campo de concentração, segundo as análises de Agamben, é o momento máximo de politização da vida nua, pois se constitui num espaço ideal para a ação biopolítica. Como ele mesmo diz,
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Para que serve uma subjetividade? Foucault, tempo e corpo.

Para que serve uma subjetividade? Foucault, tempo e corpo.

O fato de que as estratégias de poder numa sociedade disciplinar procuram tornar disponível o corpo criativo revela- se de modo evidente quando no interior do dispositivo disciplinar emerge um dispositivo de sexualidade, dispositivo este que, embora associado ao poder disciplinar, possui funções diversas. Por um lado, o dispositivo de sexualidade testemunha um fracasso relativo da disciplina, pois o adestramento dos corpos nos espaços disciplinares, a sua sujeição, não garante o controle sobre o corpo criativo. De certa forma, a potência dos corpos escapa aos dispositivos disciplinares, que se vêem perfurados, questionados e tornados ineficientes. Foucault mostra que o caráter dos espaços disciplinares é seu estado perene de crise, o que os faz tornar-se um laboratório de poder visando o aprimoramento contínuo de seus mecanismos (Foucault, 1983). Por outro lado, o surgimento do dispositivo de sexualidade, revela a busca, um tanto às cegas, pela suposta fonte da potência criativa dos corpos. Esse dispositivo, através de um elemento confessional, readaptado a uma nova função a partir da moral cristã da carne, procura estabelecer uma incitação técnica a falar da sexualidade, partindo do princípio de que aquele que pensa a sexualidade conhece melhor a si mesmo. Neste caso, novamente, vemos Foucault mostrar como a potência criativa dos corpos se esquiva – ou resiste – ao dispositivo de sexualidade (Dreyfus & Rabinow, 247; Foucault, 1985a), na medida e que este procura estabelecer um certo eixo que gira em torno das relações entre comportamento sexual, a normalidade e a saúde (Foucault, 1984, p. 220).
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A ideologia e o poder disciplinar como formas de dominação.

A ideologia e o poder disciplinar como formas de dominação.

Foucault entende o poder disciplinar da seguinte forma: "em primeiro lugar, a disciplina é um tipo de organização do espaço. É uma técnica de distribuição dos indivíduos através da inser­ ção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. Isola em um espa­ ço fechado, esquadrinhado, hierarquizado, capaz de desempenhar funções diferentes segundo o objetivo específico que dele se exige. Mas como as relações de poder disciplinar não neces­ sitam necessariamente de espaço fechado para se realizar, é essa sua característica menos importante. Em segundo lugar, e mais fundamentalmente, a disciplina é um controle do tempo. Ela estabelece uma sujeição do corpo ao tempo, com o objetiv' de produzir o máximo de rapi­ dez, e o máximo de eficácia. Neste sentido não é basicamente o resultado de uma ação que lhe interessa, mas seu desenvolvimento. E esse controle minucioso das operações do corpo ela o realiza através da elaboração temporal do ato, da correlação de um gesto específico com o corpo que o produz e, finalmente, através da articulação do corpo com o objeto a ser mani­ pulado. Em terceiro lugar, a vigilância é um de seus principais instrumentos de controle. Não uma vigilância que reconhecidamente se exerce de modo fragmentar e descontínuo, mas que é ou precisa ser vista pelos indivíduos que a ela estão expostos como contínua, perpétua, per­ manente; que não tenha limites, penetre nos lugares mais recônditos, esteja presente em toda extensão do espaço ... Finalmente, a disciplina implica um registro contínuo de conhecimento. Ao mesmo tempo que exerce um poder, produz um saber" (4, p. XVII-XVIII).
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A violência, o poder e o corpo na instituição e na manutenção do direito

A violência, o poder e o corpo na instituição e na manutenção do direito

O artigo traz uma análise do texto “Crí- tica da Violência – crítica do poder (Zur Kritik der Gewalt - 1921)”, de Walter Benjamin, cen- trando, essencialmente, suas discussões acerca do binômio poder-violência e sua relação com o direito e a justiça. Também é analisado o texto “Poder-corpo”, de Michel Foucault, cuja discussão aponta que o corpo da sociedade se torna o novo princípio no século XIX e impõe a todos de uma assepsia social. Benjamin e Fou- cault fazem uma crítica aos desdobramentos das instituições numa perspectiva do controle do corpo por meio de sua estetização, cuja in- tenção é padronizar as ações dos indivíduos. Os autores permitem analisar o documentá- rio “Arquitetura da destruição” que, por sua vez, mostra como o Nazismo se instaurou na Alemanha a partir de facetas utilizadas para o controle do corpo social, impondo o processo de aburguesamento da classe operária a partir do discurso da social democracia.
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Sobre a analítica do poder de Foucault.

Sobre a analítica do poder de Foucault.

Acreditamos que a identificação destes dois níveis — corpo molar da população e microcorpo dos indivíduos, como denominam Fontana e Paquino — marque também uma modificação no tratamento de Foucault no tocante ao poder. Observa-se que, embora estas tecnologias de poder estejam profundamente articuladas e entrelaçadas no mundo contemporâneo, além de terem origens distintas, elas vão sendo paulatinamente identificadas ao longo do trabalho de Foucault nos anos 70. Assim, do momento em que o corpo passa a assumir posição de relevo no seu trabalho, em 73, até a publicação de Vigiar e punir em 75, o destaque residirá no poder disciplinar. A partir da publicação da Vontade de saber em 76, abrir-se-á uma outra área de pesquisa, focalizando o corpo molar da população. Neste momento, Foucault fala da bio-política ou do bio-poder. Posteriormente este último termo será emprega- da em um sentido mais amplo, dando conta também do poder disciplinar, posto que em ambos os casos o objeto de atuação do poder é o corpo e a vida humana (se bem que atingidos de maneira distintas). Assim, de agora em di- ante faremos neste trabalho uma pequena subdivisão: primeiramente, algu- mas observações sobre o poder disciplinar, para depois nos determos nos as- pectos da atuação do poder sobre a população. Esclareça-se que quanto a este segundo aspecto nos referimos a ele como bio-poder, observando a terminolo- gia empregada na Vontade de saber - texto fundamental à discussão deste particular, apesar do já exposto anteriormente quanto à utilização posterior mais ampla desta categoria.
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Foucault, para além do poder disciplinar e do biopoder.

Foucault, para além do poder disciplinar e do biopoder.

metodológico. O que aqui se deve aventar primeiramente é o fato de que Foucault se cerca de certas precauções metodológicas ao tecer a sua análise genealógica do poder. Em primeiro lugar, a primeira dessas precauções, talvez possamos denominar como princípio da localidade. O poder é ana- lisado por Foucault em suas formas e em suas instituições mais locais. Ao afastar sua genealogia de um suposto centro do poder, ao optar pela exegese de mecanismos específicos e não daqueles gerais, Foucault tam- bém faz uma opção metodológica em prol do afastamento de uma com- preensão juridicizada do poder. Seu desejo é o de ir para além das regras de direito que organizam e delimitam o poder: é atrás delas que estão as técnicas, os instrumentos e até mesmo as instituições que Foucault quer trabalhar. É nesse contexto que, por exemplo, o poder de punir se consoli- da no suplício: trata-se de um olhar voltado para extremidades, com a ressalva de que essas extremidades se situem para além do jurídico. 6
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A concepção do Poder em Foucault: do poder de soberania ao biopoder

A concepção do Poder em Foucault: do poder de soberania ao biopoder

Estes elementos do trabalho de Foucault se combinam entre si no sentido de que somente a sociedade de controle está em condições de adotar o contexto políti- co como seu terreno exclusivo de referência. Na passagem da sociedade disciplinar a sociedade de controle, um novo paradigma de poder realiza-se, o qual é definido pelas tecnologias, ao reconhecer a sociedade como terreno do biopoder. Na socie- dade disciplinar os efeitos das tecnologias biopolíticas eram ainda parciais, no senti- do de que a execução das normas se fazia segundo uma lógica relativamente fe- chada, geométrica e quantitativa. A disciplinarização fisgava os indivíduos no marco das instituições, porém não conseguia “consumi-los” inteiramente no ritmo das práti- cas e da socialização produtivas; não alcançava até o ponto de penetrar por inteiro as consciências e corpos dos indivíduos, até o ponto de tratá-los e organizá-los na totalidade de suas atividades. Na sociedade disciplinar a relação entre poder e o in- divíduo era, pois, uma relação estática: a invasão disciplinar do poder “contrabalan- çava” com a resistência do indivíduo. Pelo contrário, quando o poder se faz total- mente biopolítico, o conjunto do corpo social é captado pela máquina do poder e de- senvolvido em sua virtualidade. Esta relação é aberta, qualitativa e efetiva: “[...] proli- feração das tecnologias políticas que, a partir de então, vão investir sobre o corpo, a saúde, as maneiras de se alimentar e de morar, as condições de vida, todo o espaço da existênc ia” 95 . A sociedade, submetida a partir de baixo, um poder que descende
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Imagem, poder e corpo: da programação disciplinar à desconfiguração em Diane Arbus

Imagem, poder e corpo: da programação disciplinar à desconfiguração em Diane Arbus

Imagem, poder e corpo: da programação disciplinar à sua desprogramação em Diane Arbus, trata sobre como a linguagem fotográfica, em relação ao poder, produziu a imagem do corpo. Versamos, nesta pesquisa, sobre como fotógrafos construíram modos de ver e fazer ver a imagem corpórea nas sociedades disciplinares de Michel Foucault (1999) e do controle de Gilles Deleuze (1992). A fotografia, nesse contexto, vai ser considerada como um dispositivo disciplinar, usada por diferentes instituições interessadas em moldar o corpo, adequá-lo ao regime de produção em voga. Trabalhamos a hipótese de que os modos de ver e fazer o corpo funcionariam como programas, softwares conceituais, formais e estéticos executados em função de um sistema maior representado pela disciplina. O que aconteceria se o software disciplinar fosse desprogramado? A desprogramação seria uma relação de forças entre os próprios fotógrafos? Seria a programação um modo de dessubjetivação e a desprogramação um processo de subjetivação em que os fotógrafos trabalhariam suas próprias produções de realidades? Irrealidades dentro da realidade? Objetivamos com o exposto identificar modos de ver e fazer ver um corpo reprogramado, verdadeiros movimentos de desprogramação, de insurgência e desruptividade dentro desse software operacional disciplinar. Destacamos a figura da fotógrafa Diane Arbus como um desses fotógrafos que problematizaram os usos da fotografia dentro dessa perspectiva disciplinar, atravessada por relações de saberes-poderes. Convocamos Arbus como um ponto nodal dessas relações na história da fotografia. Além de Foucault (1999) e Deleuze (1992), como aporte teórico necessário a esta pesquisa, convocamos Flusser (1985), Fabris (2004), Rouillé (2009), Sontag (2004), Soulages (2010) e Kuramoto (2001).
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Aplicação no Tempo do Exercício do Poder Disciplinar

Aplicação no Tempo do Exercício do Poder Disciplinar

Não define a lei o que se deve entender por agravamento sensível da situação processual do arguido, questão que fica para o prudente critério do julgador, que a deverá resolver casuisticamente. Caso claro será, por exemplo, o de uma lei nova, na vigência do processo, retirar o direito de recorrer; neste caso o direito de recorrer continuará a reger-se pela lei antiga. De notar, porém, que em tudo o mais que não represente agravamento da situação do arguido se apli- ca a nova lei, não sendo aqui, como no direito substantivo, necessário optar, em bloco, por um outro dos regimes.
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O direito disciplinar da função pública

O direito disciplinar da função pública

Dezembro: (1) “Os alunos são responsáveis, em termos adequados à sua idade e capacidade de discernimento, pela componente obrigacional inerente aos seus direitos que lhe são conferidos no âmbito do sistema educativo, bem como por contribuírem para garantir aos demais membros da comunidade educativa e da escola os mesmos direitos que a si próprio são conferidos, em especial respeitando activamente o exercício pelos demais alunos do direito à educação.” (artigo 7.º); (2) “O aluno tem direito a: // a) [u]sufruir do ambiente e do projecto educativo que proporcionem as condições para o seu pleno desenvolvimento físico, intelectual, moral, cultural e cívico, para a formação da sua personalidade e da sua capacidade de auto- aprendizagem e de crítica consciente sobre os valores, o conhecimento e a estética; (…) // h) [s]er tratado com respeito e correcção por qualquer membro da comunidade educativa; // [v]er salvaguardada a sua segurança na escola e respeitada a sua integridade física e moral” (artigo 13.º); (3) “O aluno tem o dever … de: // g) [c]ontribuir para a harmonia da convivência escolar e para a plena integração na escola de todos os alunos”; (4) “A violação pelo aluno de algum dos deveres previstos no artigo 15.º ou no regulamento interno da escola, em termos que se revelem perturbadores do funcionamento normal das actividades da escola ou das relações no âmbito da comunidade educativa, constitui infracção disciplinar, a qual pode levar, mediante processo disciplinar, à aplicação de medida disciplinar” (artigo 23.º - itálico nosso); (5) As “finalidades das medidas disciplinares” são “pedagógicas e preventivas” e “sancionatórias”, visando as primeiras “a preservação da autoridade dos professores e, de acordo com as suas funções, dos demais funcionários, o normal prosseguimento
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Do exercício do poder disciplinar na administração pública

Do exercício do poder disciplinar na administração pública

Por sua vez, o primeiro critério, subdivide-se nas teses monista e dualista: Na tese monista, a hierarquia administrativa manifesta-se através das faculdades de emanar ordens e instruções (poder de direcção), de fiscalizar o cumprimento das mesmas e o comportamento dos subalternos (poder de inspecção), da aplicação de sanções disciplinares, caso estes últimos violem os respectivos deveres de subordinação hierárquica (poder disciplinar), de suspender, revogar ou modificar os actos dos subalternos (poder de supervisão), de delegar competências nos subalternos (poder de delegação), de resolver conflitos positivos ou negativos de competência entre dois ou mais órgãos (poder de resolução dos conflitos de competência e de agir em vez dos subalternos (poder de substituição), sendo que esta tese é passível de criticas, nomeadamente porque deixa sem caracterização as situações em que um órgão não cumula todos os poderes integrantes da noção de hierarquia; por outro lado, nas teses dualistas, defendida pela doutrina francesa e, em Portugal por SÈRVULO CORREIA, visa configurar a hierarquia como expressão do conjunto de poderes típicos do superior (dar ordens, revogar ou modificar os actos dos subalternos), excluindo do seu âmbito o poder disciplinar (Para SÉRVULO CORREIA, a razão pela qual se exclui o poder disciplinar prende-se pelo facto de que, ao invés do poder hierárquico, aquele traduz-se na prática de actos externos integrados numa relação externa de serviço face à qual o seu destinatário é um particular, numa especial relação de sujeição como administrado), sendo também esta tese passível das mesmas criticas que as levantadas para a tese monista, acrescentando-se ainda de que o facto de o poder disciplinar existir também em órgão não-hierarquizados, tal não poderá constituir motivo da sua exclusão.
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O exercício do poder disciplinar no cotidiano da escola

O exercício do poder disciplinar no cotidiano da escola

As ciencias humanas, para Foucault, enraizam sua positividade nessa disposição geral do saber que lhes possi- bilita constituírem o homem como objeto: não são pur[r]

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Poder disciplinar e corrupção na função pública

Poder disciplinar e corrupção na função pública

3. Corrupção sistémica ou política, de alta frequência e de elevados recursos. Neste caso estamos perante modelos de troca bastante sofisticados que envolvem não apenas os actores directos da transacção (o corrupto activo e passivo) mas também uma série de mediadores e de actores periféricos à troca cujas únicas funções são as de camuflar, branquear ou assegurar a credibilidade dos actores perante a ameaça de riscos externos (legais e de condenação social). Este tipo de corrupção aparece intrinsecamente ligada ao financiamento político dos partidos e candidatos. Isto não significa que os dinheiros ilícitos entrem nos cofres dos partidos, antes pelo contrário. Eles são sobretudo angariados e geridos por alguns indivíduos dentro dos partidos, com o conhecimento, a conivência ou a indiferença das direcções. A diferenciação entre enriquecimento ilícito pessoal e partidário é, por vezes, difícil de destrinçar. Os recursos são obtidos através de uma série de trocas que envolvem decisões, prerrogativas ou mercados públicos, ao nível do poder central ou autárquico, que representam margens de lucro avultadas para os actores do sector privado, entre outras: obras e empreitadas, licenças de exploração, créditos à exportação, subsídios, regulação, contratação de serviços e fornecimentos, etc. Esta é a forma de corrupção que mais danos causa aos sistemas de legitimidade da democracia: limita o acesso ao centro de decisão a um número reduzido de clientelas; toma os processos de decisão opacos, prejudicando a transparência, a imparcialidade e a prestação de contas nos processos de tomadas de decisão; e, por fim, reduz a eficácia governamental, aumentando a despesa pública, enfraquecendo a relação qualidade/preço e colocando o Governo refém de interesses privados ou lóbis;
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Elementos da teoria de poder em Michel Foucault

Elementos da teoria de poder em Michel Foucault

O conceito de poder é necessariamente uma análise no tempo histórico e, sobretudo, nas correntes de pensamentos que são abordadas pelos diferentes autores que discutem essa temática. Este trabalho configura-se como um exercício de reflexão a respeito da percepção de Michel Foucault sobre o sentido de poder. Porém, é necessário afirmar que Michel Foucault nunca discutiu o tema poder como uma entidade coerente, única e estável, mas como “relações de poder”. Portanto, a questão do poder é indissociável e constitui um tema enraizado em seu pensamento. Por sua vez, compreender o mecanismo pelo qual se sustentam as relações sociais, em destaque, as desigualdades de relação de dominação e obediência que dão razão à autoridade e à natureza das obrigações políticas, constitui-se um trabalho constante do pensamento humano. A nossa análise procura perceber a historiografia e definição do poder para Michel Foucault e quais os pontos centrais da sua ideia. Construindo uma nova forma de poder, apresentando novos princípios como localidade, exterioridade, transitoriedade e não ideologização, rompendo com a visão tradicional do poder e com o signo do abandono dessa teoria, ele denominou sua posição de analítica do poder.
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SEXO E PODER: A BIOPOLÍTICA DE MICHEL FOUCAULT

SEXO E PODER: A BIOPOLÍTICA DE MICHEL FOUCAULT

Testemunhos disso são as obras publicadas em número tão grande, no fim do século XVIII, sobre a higiene do corpo, a arte da longevidade, os métodos para ter filhos de boa saúde e para mantê-los vivos durante o maior tempo possível, os processos para melhorar a descendência humana; eles atestam, portanto, a correlação entre essa preocupação com o corpo e o sexo e um certo racismo. Mas este é bem diferente do manifestado pela nobreza, ordenado em função de fins essencialmente conservadores. Trata-se de um racismo dinâmico, de um racismo da expansão, embora só encontrado ainda em estado embrionário e tendo tido que esperar até a segunda metade do século XIX para dar os frutos que acabamos provando. (FOUCAULT, 2015, p.137).
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Michel Foucault e a persistência do poder psiquiátrico.

Michel Foucault e a persistência do poder psiquiátrico.

Resumo O artigo pretende estudar o curso que Mi- chel Foucault ministra no Collège de France nos anos 1973-1974. Esse curso foi publicado em 2003 com o nome de “Le pouvoir psyquiatrique”. O objetivo foi analisar os diversos modos como Michel Foucault analisa a questão da loucura em “Le pouvoir psy- quiatrique” e em “A história da loucura na época clássica” (1961), através de um estudo comparativo dos diferentes modos de analisar a loucura nos textos de Michel Foucault no período arqueológico e gene- alógico. Concluiu-se que a ausência de corpo, o diag- nóstico binário, a descrição de superfície dos sinto- mas, a classificação de doenças mais próxima à clas- sificação botânica que à nosologia patológica, o pro- cesso de cura diretamente vinculado à restituição de condutas e valores morais, assim como o sobre-poder exercido pelo psiquiatra, parecem falar da persistên- cia de um antigo modelo de poder, um modelo pré- moderno e pré-capitalista, um resíduo do antigo po- der soberano.
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