Top PDF A função social da propriedade na constituição de 1988: uma abordagem à luz do liberalismo

A função social da propriedade na constituição de 1988: uma abordagem à luz do liberalismo

A função social da propriedade na constituição de 1988: uma abordagem à luz do liberalismo

Como é por todos sabido, a noção de função social da propriedade começa a sua história com base nas formulações acerca da figura do abuso de direito, pela qual foi a jurisprudência francesa gradativamente impondo certos limites ao poder absoluto do proprietário. A abordagem, contudo, ainda ocorrida no plano dos ‘limites’... Este entendimento inicial sofreu forte ruptura nos finais do século XIX pela pena de Leon Duguit, que promoveu uma crítica radical à noção mesma de direito subjetivo, propondo substituí-lo pela ‘noção realista de função social’, daí assentando, em célebre dito, que a propriedade é uma função social...
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O conteúdo axiológico-normativo da função social da propriedade à luz da Constituição da República de 1988: o cumprimento da função social como pressuposto de existência e eficácia da propriedade

O conteúdo axiológico-normativo da função social da propriedade à luz da Constituição da República de 1988: o cumprimento da função social como pressuposto de existência e eficácia da propriedade

[...] na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência. Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social. Com a transformação do fundamento econômico revoluciona-se, mais devagar ou mais depressa, toda a imensa superestrutura. Na consideração de tais revolucionamentos tem de se distinguir sempre entre o revolucionamento material nas condições econômicas da produção, o qual é constatável rigorosamente como nas ciências naturais, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em suma, ideológicas, em que os homens ganham consciência deste conflito e o resolvem. Do mesmo modo que não se julga o que um indivíduo é pelo que ele imagina de si próprio, tão-pouco se pode julgar uma tal época de revolucionamento a partir da sua consciência, mas se tem, isso sim, de explicar esta consciência a partir
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Repositório Institucional UFC: A função social da propriedade imóvel: um estudo à luz da análise econômica do direito

Repositório Institucional UFC: A função social da propriedade imóvel: um estudo à luz da análise econômica do direito

Nesse contexto, a propriedade é vista como fator central do sistema liberal, vez que era pelo poder dado ao proprietário que toda a cadeia de submissão da classe trabalhadora se mantinha. Já dito por Marx no século XIX, a propriedade privada seria a primeira e maior alienação do homem. Assim, a burguesia manteria seu poder graças à proteção dada pelo Estado à propriedade privada.Desse entendimento histórico, nasce o movimento constitucional que buscou dar ao Estado obrigações sociais, ganhando destaque o que formulou a Constituição Alemã de Weimar, 1919. Sobre a influência desse documento no conceito de função social da propriedade, Fabrício BertiniPasquot Polido (2006, p. 04) aduz que o artigo 153 da Constituição de Weimar primeiro estabeleceu a garantia e os efeitos vinculativos (Bindungseffekte) da propriedade privada, especialmente decorrentes da expressão “a propriedade obriga”(das Eigentumverpflicht). O modelo ali adotado prevê que a propriedade possa ser objeto de desapropriação por meio de lei, sem eventualmente incluir direito de indenização. Na concepção de Weimar, a propriedade não admite uma abordagem individualista, inviolável ou sacralizada, pois submete o exercício pelo titular ao interesse da coletividade.No Brasil, influenciada por Weimar, a Constituição Federal de 1934 foi a primeira a atrelar expressamente a propriedade a uma função esperada, a qual teria como beneficiário a coletividade. Em seu artigo 113, ponto 17, vinha a seguinte disposição:
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Usucapião de bens públicos dominicais: uma possibilidade à luz da função social da propriedade

Usucapião de bens públicos dominicais: uma possibilidade à luz da função social da propriedade

O presente trabalho aborda a temática da usucapião de bens públicos sob a ótica da possibilidade de se adquirir um bem público dominical através da prescrição aquisitiva, à luz do que está constitucionalmente afixado acerca da função social da propriedade. Tendo em vista que os bens públicos dominicais, por estarem desafetados, não cumprirem com seu papel social e deveras vezes servirem de morada pacífica, mansa e ininterrupta à muitos, porque não usucapi-los? Este estudo busca responder esta problemática, sob justificativa de se manter o bem estar social e o direito de propriedade à todos os brasileiros, como previsto na Constituição Federal. Desta forma, este estudo tem como escopo trazer argumentos fundados no ordenamento jurídico nacional em defesa desta tese. A metodologia utilizada foi de pesquisa teórica, com método de abordagem qualitativa-descritiva, de procedimentos técnicos bibliográfico e documental. Faz-se necessário uma flexibilização do entendimento constitucional para se garantir os direitos fundamentais previstos constitucionalmente, bem como assegurar o princípio da função social da propriedade.
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SENTIDO E ALCANCE DO PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA: A AUSÊNCIA DE PLANO DIRETOR E O CONTEÚDO MÍNIMO DEDUTÍVEL DO SISTEMA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA DE 1988

SENTIDO E ALCANCE DO PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA: A AUSÊNCIA DE PLANO DIRETOR E O CONTEÚDO MÍNIMO DEDUTÍVEL DO SISTEMA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL BRASILEIRA DE 1988

Para que se possa aplicar plenamente a regra do cumprimento da função social da propriedade urbana, faz-se necessário perquirir a respeito de um conteúdo mínimo para o princípio, extraível do sistema constitucional, para fazer frente à literalidade aparente da disposição condicionante do parágrafo 2º do artigo 182 da Constituição Federal, que, à luz do que se argumentou até aqui poderia adquirir o seguinte contorno: a propriedade urbana cumpre a sua função social quando, mediante sua adequada utilização, proporciona condições de igualdade de acesso aos benefícios sociais assegurados na Constituição Federal. A utilização é adequada quando a propriedade serve à destinação para a qual é vocacionada, proporcionando a seu dono o proveito econômico que lhe é característico, em condições de equilíbrio com os interesses da coletividade, o que se verifica quando seu uso se coaduna com as exigências de ordenação das funções sociais da cidade e com o bem-estar de seus habitantes, possibilitando-lhes o pleno exercício, no mínimo, do direito à habitação, à circulação, ao trabalho e ao lazer.
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O NEO-LIBERALISMO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988

O NEO-LIBERALISMO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988

Parece-nos que a análise feita do texto da Constituição de 1988 tenha demonstrado à evidência esta afirmativa. Em terceiro lugar, não há duas “ordens jurídicas” ou “jurídico-econômicas” para a economia de Mercado, como se pretendeu na visão elementar do Ordo-Liberalismo. Nem poderá haver duas Constituições Econômicas com plena e simultânea vigência, pois que o princípio ideológico terá que ser harmonicamente situado na Carta Magna. As aparentes contradições ideológicas internas em verdade não existem, pois a ideologia da Constituição vigente define-se pelo que nela está consignado e não pelos modelos teóricos de ideologia em oposição. Assim é que conceituamos a “ideologia constitucionalmente adotada”.(8) Em quarto lugar, para dirimir as dificuldades que poderiam ser criadas pelo raciocínio clássico no tratamento do texto constitucional foi que desenvolvemos o “princípio da economicidade”(9) destinado a atender á circunstancialidade da maior conveniência definida para a opção de sua aplicabilidade. Desta forma, propriedade privada ou função social, livre concorrência ou repressão ao abuso do poder econômico, serão adotados em carater circunstancial, de acordo com a “linha de maior conveniência” para o atendimento dos fundamentos definidos para a própria “ordem econômica”. Na carta de 1988, estes são a “valorização do trabalho humano” e a “livre iniciativa”, tendo por fim assegurar a existência digna conforme os ditames da justiça social, segundo os princípios ali enumerados.
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Aline Aparecida Santos Costa Peghini & Samantha Ribeiro Meyer-Pflug, “A Função Social da Propriedade: Uma Análise do Relatório Nosso Futuro Comum e a Influência na Constituição Federal de 1988”

Aline Aparecida Santos Costa Peghini & Samantha Ribeiro Meyer-Pflug, “A Função Social da Propriedade: Uma Análise do Relatório Nosso Futuro Comum e a Influência na Constituição Federal de 1988”

metade do século XIX e o início do século XX, é vista hoje como a base para a função social da propriedade cunhada na Constituição de 1988. Desde a Constituição de 1934, a partir de uma tal disseminação de suas ideias que o alçou à classificação de pai da função social, o autor estaria presente no embasamento do conceito jurídico, destinado a condicionar a propriedade. Tendo em vista o passado colonial e escravo- crata brasileiro, de economia baseada em latifúndios de monocultura, em que a terra influenciaria na quantidade de poder que poucos acumulariam, a função social, como elemento da estrutura da propriedade ou como limitador, aparece como parte da defesa de uma tese progressista de distribuição da riqueza, com vistas à diminuição da desi- gualdade. O que aqui se verificou, contudo, foi que a teoria de Duguit é pouco com- preendida, posto que seu pensamento sobre a propriedade não pode ser desvinculado da sua concepção da teoria do direito e das influências que recebeu. A defesa de uma ciência positiva do direito (diversa do positivismo jurídico a que se opunha) e da so- lidariedade social em contraposição a direitos inerentes ao indivíduo não desembocam na fragilização da propriedade privada, mas sim na sua fortificação. Os direitos-deve- res, se bem observados, implicam na defesa coletiva daquilo que acresce à riqueza comum sem deixar de ser privada. Ou seja, o combate aos direitos inerentes do homem e ao jusnaturalismo não fornece elementos para uma crítica do individualismo propri- etário conforme se buscou estabelecer na doutrina civilística brasileira. E muito menos aponta para uma sociedade que busque reduzir desigualdades, pois para Duguit os homens não 426 são e não serão iguais. Tão fácil, em sua concepção, é a verificação das diferenças que nem mesmo seria válido o esforço de encontrar sua raiz”. THIAGO MALDANER, Alisson; SOARES DE AZEVEDO, Fatima Gabriela. León Duguit e a função social da propriedade no ordenamento jurídico brasileiro uma abordagem crítica na perspectiva da história do direito. In: SILVEIRA SIQUEIRA, Gustavo. História do direito. XXIV Encontro nacional do CONPEDI – UFS. Florianópolis: CONPEDI, 2015. p.426-427. Disponível em: http://www.conpedi.org.br/publica- coes/c178h0tg/405y75l2/pwYDAX1whP0Pqf36.pdf. Acesso em: 03 jul 2017.
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Processo e procedimento à luz da Constituição Federal de 1988: normas processuais...

Processo e procedimento à luz da Constituição Federal de 1988: normas processuais...

Existe uma orientação doutrinária que, acolhendo a tese de Benvenuti de que a função significa passagem do poder abstrato ao ato, daí extrai consequências diferentes daquelas mencionadas pelo referido autor. De acordo com essa orientação, há um circuito que se inicia sobre uma figura dinâmica, que é a função e se fecha sobre uma figura estática, que é o ato; o procedimento representa a reunião de ambas, atraído, no entanto, mais para o ato, do qual prepara os pressupostos e os elementos; o procedimento torna-se tributário do ato e representa sua descrição. Assim, o procedimento entra na área do ato; o processo vincula-se à função. Quando se fala de processo se dá realce a um conjunto de garantias que não se referem ao ato final ou à decisão, mas ao exercício da função; a função adquire evidência enquanto seja evidente um processo e este, por sua vez, é evidente por si próprio e não pelo ato final em que culmina 15
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A legalidade dos crimes de perigo abstrato à luz da Constituição Federal de 1988

A legalidade dos crimes de perigo abstrato à luz da Constituição Federal de 1988

No sistema penal brasileiro adota-se a teoria do direito penal mínimo, de forma que a aplicação da lei penal dá-se como último recurso para proteção de bens jurídicos relevantes para a manutenção da vida em sociedade. Nesse contexto o Estado somente exercerá seu controle social penal quando presente uma lesão a um bem jurídico protegido legalmente em razão de sua relevância. Assim, pune-se o fazer lesivo a interesses de terceiros, mas não o pensar ou intentar, uma vez que o Estado não pode comandar aspectos da esfera privada do indivíduo. Nesse contexto os crimes de perigo abstrato em sua constitucionalidade questinada por violar princípios constitucionais basilares ao estabelecer punição de forma preventiva, sem que haja dano ou risco provado. Desse modo, o presente estudo objetiva analisar os principais aspectos doutrinários dos crimes de perigo abstrato e suas conseqüências para a aplicação da lei penal. Por meio do método dedutivo e da pesquisa bibliográfica qualitativa serão analisados os fundamentos mais relevantes apontados pela doutrina, fim de promover a discussão e aprimoramento do objeto de estudo dentro da seara jurídica penal.
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A CONSTITUIÇÃO DE 1988

A CONSTITUIÇÃO DE 1988

Para remediar situações, como a da cidade de São Paulo, registrou-se que os parlamentares federais e estaduais eleitos Vice-Prefeitos, não perderia o mandato, se convocados a assumir a Prefeitura. Concedeu-se anistia, nos termos do art. 8P; criou-se o Estado do Tocantins, liberando-se Goiás de débitos e encargos, possibilitando-se maior desenvolvimento da região; os Territórios Federais de Roraima e do Amapá foram Transformados em Estados Federados; fixou-se prazo de um ano, contado da promulgação da Constituição Federal, cujos princípios devem ser obedecidos, para que as Assembléias Legislativas elaborem as Constituições Estaduais e de seis meses, após esse último prazo, para que as Câmaras Municipais, em dois turnos (critério que deveria ter sido imposto, outrossim, às Cartas dos Estados), votem as leis Orgânicas respectivas (art. 11), respeitadas as Constituições Federal e Estadual; deu-se condenável estabilidade a servidores não concursados, numa Constituição que se diz moralizadora (art. 19), mas, felizmente, não aos professores de nível superior, ansiosos de ostentarem títulos imerecidos, e a Juizes togados de investidura limitada no tempo, que existiam no Estado do Amazonas, admitidos em concurso regular (art. 21); dispensou-se correção monetária aos micro e pequenos empresários ou seus estabelecimentos e aos pequenos e médios produtores rurais, nos termos do art. 47 (o art. 46, III, pondo término a intensa controvérsia concedeu correção monetária, por seus termos genéricos, inclusive, em matéria falimentar); cometeu-se grave injustiça contra os que já haviam saldado seus compromissos e com a sociedade que, na verdade, pagou essa dívida por ela não contraída; reconheceu-se a propriedade definitiva aos remanescentes dos quilombos (“resendência” em lingua ioruba) que estejam ocupando suas terras, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos (art. 48), devendo-se notar que o art. 216, parágrafo 5p do texto permanente já tombara os documentos e sítios detentores de reminicências históricas dos antigos quilombos, alguns dos quais tinham verdadeira organização econômico-militar.
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Clonagem humana reprodutiva: uma análise à luz da Constituição brasileira de 1988

Clonagem humana reprodutiva: uma análise à luz da Constituição brasileira de 1988

Como sabido a Constituição brasileira de 1988 também utilizou na sua redação das “cláusulas gerais”, exatamente por ser incapaz (ou ser tarefa impossível) de disciplinar todas as inúmeras situações jurídicas geradas pelos avanços científicos. Tal técnica legislativa se revela de grande valia no que concerne ao biodireito, na medida em que permite que o in- térprete, diante do caso concreto, faça prevalecer os valores máximos do ordenamento jurídico em toda nova situação, desconhecida na época pelo legislador constituinte. 41

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O direito de construir e a função social da propriedade.

O direito de construir e a função social da propriedade.

“[...] a distinção entre o direito de propriedade e o direito de construir solo novo não deve ser considerada uma ideia inteiramente nova. Em reunião celebrada em Roma, de 29.03 a 03.04.1971, um grupo de especialistas em problemas de política de habitação, construção e planejamento dos países meridionais da Europa – da Comissão Econômica para a Europa, da ONU – acordou, entre outras, conclusão com a qual é necessário afirmar a separação entre o direito de propriedade e o direito de edificar; dada a suposição de que este último deve pertencer à coletividade e não pode ser admitido senão por concessão ou autorização administrativa, o grupo reconheceu a utilidade de recomendar a cada país integrado na Comissão a necessidade de suas legislações determinarem os métodos práticos para a sua aplicação, compreendendo inclusive o cálculo das indenizações em caso de desapropriação.”
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A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA VS A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE –  ESGOTAMENTO E SATISFAÇÃO DO DIREITO DE PROPRIEDADE NA ATUAÇÃO DO EMPRESÁRIO?

A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA VS A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE – ESGOTAMENTO E SATISFAÇÃO DO DIREITO DE PROPRIEDADE NA ATUAÇÃO DO EMPRESÁRIO?

A propriedade tem contornos individuais, mas a relevância erigida hoje, no mundo capitalista, não tem os fins em si mesmos, antes calcados nos benefícios coletivos, respeito à adequada utilização do imóvel. O Código Civil, no art. 1.228, § 1º, explicita este conteúdo. Esse texto normativo contém interesses coletivos no seu bojo, pois “presentes estão nessas dicções princípios afastados do individualismo histórico que não somente buscam coibir o uso abusivo da propriedade” (VENOSA, 2003, p. 156, v. 5), notada a preocupação do legislador ordinário em inserir a propriedade no contexto de utilização racional da propriedade longe de um individualismo exacerbado ou sobressalente no meio social.
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A EDUCAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 COMO UM DIREITO SOCIAL

A EDUCAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 COMO UM DIREITO SOCIAL

Essa perspectiva de ênfase aos direitos individuais e sociais e a obriga- ção do Estado em promovê-los é contemporaneamente assumido como um projeto democrático, constitucional e social de Direito, em que a educação, assim como os demais direitos dessa mesma natureza, ganha destaque ao passo que projeta uma ideia de dignidade humana a partir de uma concepção “que permita visualizar os seres humanos como parte de um imenso equilíbrio que a todo o momento se desfaz e que precisa constantemente ser refeito, numa permanente consulta a uma ética vital” (Scholze, 2009, p. 271).
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A constitucionalização do direito civil brasileiro e sua função social a partir da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

A constitucionalização do direito civil brasileiro e sua função social a partir da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

Ao término da Segunda Guerra Mundial, tem-se início a reconstrução dos direitos humanos, que se irradiaram a partir da dignidade da pessoa humana, referência que [r]

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Processo administrativo tributário e a Constituição de 1988 :   abordagem crítica

Processo administrativo tributário e a Constituição de 1988 : abordagem crítica

[...] o termo defesa, em essência, significa a contestação ou o rebate em favor de si próprio ante condutas, fatos, argumentos, interpretações que possam acarretar prejuízos físicos materiais ou morais. [...]. A Constituição Federal de 1988 alude não a simples direito de defesa, mas, sim, à ampla defesa. O preceito da ampla defesa reflete a evolução que reforça o princípio e denota elaboração acurada para melhor assegurar sua observância. Significa, então, que a possibilidade de rebater acusações, alegações, argumentos, interpretações de fatos, interpretações jurídicas, para evitar sanções ou prejuízos, não pode ser estrita no contexto em que se realiza. Daí a expressão final do inciso LV, com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva. 83
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A sublimação jurídica da função social da propriedade.

A sublimação jurídica da função social da propriedade.

(direito/não-direito),฀pode฀ser฀radicalmente฀diferente฀da฀ mesma฀funçãosocial฀em฀um฀contexto฀político,฀econômico,฀ científico-tecnológico,฀religioso,฀ético...฀A฀funçãosocial฀da฀ propriedade฀pode฀ser฀inclusive฀a฀de฀servir฀de฀cemitério฀(a฀ desapropriação฀para฀instalação฀de฀cemitérios฀municipais,฀ por฀exemplo),฀enfim,฀um฀lugar฀onde฀se฀possa฀cair฀morto.฀ Por฀isso,฀do฀ambiente฀da฀sociedade,฀pode-se฀apenas฀deter- minar฀normativamente฀que฀a฀funçãosocial฀da฀propriedade฀ “deve”฀produzir฀lucro฀(Economia),฀sustentabilidade฀(Eco- logia),฀salubridade฀(Saúde),฀moral฀(Ética),฀conhecimento฀ (Ciência)฀ e฀ todas฀ as฀ demais฀ indicações฀ no฀ lado฀ positivo฀ dos฀ códigos฀ operacionais฀ de฀ cada฀ sistema฀ social.฀ Então,฀ apesar฀da฀programação฀condicional฀do฀Direito฀a฀respeito฀ da฀funçãosocial฀da฀propriedade฀(arts.฀182฀e฀185฀da฀CF)฀ estar฀mais฀ou฀menos฀conectada฀a฀essas฀prestações,฀o฀abismo฀ entre฀o฀ideal฀e฀o฀viável฀parece฀aumentar฀a฀cada฀sentença.฀ Até฀ porque฀ é฀ impossível,฀ face฀ à฀ autonomia฀ dos฀ sistemas฀ sociais,฀construir฀uma฀relação฀linear฀entre฀a฀propriedade฀ e฀todos฀os฀sentidos฀intersistêmicos฀possíveis฀na฀sociedade.฀ Por฀exemplo,฀um฀terreno฀baldio฀no฀centro฀da฀cidade฀pode฀ ser฀visto฀como฀especulação฀imobiliária,฀isto฀é,฀como฀des- cumprimento฀do฀sentido฀econômico฀da฀funçãosocial฀da฀ propriedade.฀Mas฀esse฀mesmo฀terreno฀baldio฀pode฀estar฀ mantendo฀vivo฀um฀ecossistema฀natural฀(Ecologia),฀ainda฀ que฀nocivo฀à฀saúde฀humana฀e,฀por฀isso,฀apenas฀antropocen- tricamente฀incorreto.
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DA DESAPROPRIAÇÃO DO IMÓVEL RURAL POR DESCUMPRIMENTO DA FUNÇÃO SOCIAL COM ÊNFASE NO ASPECTO AMBIENTAL: DAS SESMARIAS À CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

DA DESAPROPRIAÇÃO DO IMÓVEL RURAL POR DESCUMPRIMENTO DA FUNÇÃO SOCIAL COM ÊNFASE NO ASPECTO AMBIENTAL: DAS SESMARIAS À CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

as determinações da própria lei. É verdade que o artigo II afirmava que sem o título de propriedade, que só po- dia ser obtido por meio do cumprimento das determi- nações da lei (em especial a medição), o possuidor não poderia vender, nem hipotecar suas terras. Ele conti- nuava possuidor dos terrenos que efetivamente cul- tivasse, mas não se tornava proprietário. Mas, afirma o autor, o artigo 8º, combinado com o art. 179, inciso XXII da Constituição imperial de 25 de março de 1824 (que garantia o direito de propriedade em toda a sua plenitude), protegeu os ditos possuidores da ameaça contida no artigo 2º, que jamais foi cumprida. O legado deixado pelo regime de sesmarias pode ser percebido ainda nos dias de hoje, pois, em muitos casos, este regime continua a nortear concepções de direito à terra, mormente no que tange ao efetivo uso em detrimento do próprio direito de propriedade. É o que sustentam Motta e Zarth (2008, p. 179):
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A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE NA SISTEMÁTICA CONSTITUCIONAL PÁTRIA

A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE NA SISTEMÁTICA CONSTITUCIONAL PÁTRIA

No que tange a positivação do direito de propriedade, busca-se no Direito Romano Antigo, as primeiras concepções, onde a propriedade era concebida como um direito ab- soluto e perpétuo, porém que exigia o respeito às limitações impostas pelo proprietário ou pela autoridade jurisdicional da Cidade-Estado, num sistema harmônico do exercício do direito de propriedade. Esse instituto tinha como atributos o direito de usar, gozar, dispor e reivindicar a coisa, ou seja, não havia na Roma Antiga a concepção jurídica de bem, mas somente a de coisa (CARVALHO, 2007, p. 17).
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APONTAMENTOS SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DO DIREITO DE PROPRIEDADE

APONTAMENTOS SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DO DIREITO DE PROPRIEDADE

A realidade da época, com o surgimento de grandes monopólios e trusts, que dominavam a oferta, levou à compreensão que o modelo competitivo era somente uma hipótese e não podia ser identificado com o laissez faire. Aos poucos foram descartados os velhos dogmas e teoria e realidade eram duas faces de uma mesma moeda, que demonstrava o fracasso do liberalismo econômico, ao menos como ideologia eficiente na manutenção da crença no sistema capitalista. Esse lugar vago foi ocupado pelo keynesianismo, com suas propostas que, na realidade, operaram como um salva-vidas do sistema. As posições antidirigistas neoliberais foram aliadas à defesa da volta à economia de mercado, ainda que não se precisasse a qual destas formas de economia se fazia referência e aludindo a um neoliberalismo muito diferente do laissez faire.
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