Top PDF Fundamentos do livre-arbítrio para a compreensão de liberdade de agostinho

Fundamentos do livre-arbítrio para a compreensão de liberdade de agostinho

Fundamentos do livre-arbítrio para a compreensão de liberdade de agostinho

RESUMO: Este artigo apresenta dos fundamentos de livre-arbítrio no pensamento de Santo Agostinho, para estabelecer a compreensão de liberdade, uma vez que todo ser humano busca ser livre. Ter-se-á o propósito de interpretar o conceito de livre-arbítrio, baseado na obra “O Livre-arbítrio”, de Santo Agostinho, que se apresenta dividida em três livros, intitulados: Se o pecado provém do livre-arbítrio; a prova da existência de Deus revela-o como fonte de todo o bem. Deus não é autor do mal, mas do livre-arbítrio que é um bem, e louvor a Deus pela ordem universal, da qual o livre-arbítrio é um elemento positivo, ainda que sujeito ao pecado. Para Agostinho, a verdadeira felicidade está em aceitar a graça de Deus. O poder de escolha (livre-arbítrio) ainda não é liberdade. A liberdade está em ter vontade de voltar-se para o bem. O livre-arbítrio nos condiciona a seguir ou não a vontade de Deus, porém só será livre, quem optar, mediante sua ajuda divina, fazer a vontade de Deus.
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Notas sobre o <em>Livre-Arbítrio</em>

Notas sobre o <em>Livre-Arbítrio</em>

Sua concepção é fundada na idéia de que o livre- arbítrio é a capacidade do homem de se determinar, segundo sua vontade e apoiado pela graça, para o bem ou para o mal. Essa liberdade de escolha, que ao mesmo tempo é livre mas requer a intervenção da graça, será a marca da doutrina da Igreja sobre o tema, vindo a sofrer abalo apenas com a Reforma. Antes disso, porém, os autores mais importantes da Idade Média, principalmente São Bernardo de Claraval e São Tomás de Aquino, explicitarão um ou outro ponto, mas, no essencial, reafirmarão os fundamentos doutrinais que vêm pelo menos desde Agostinho.
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O PROBLEMA DO MAL NO LIVRE ARBÍTRIO DE SANTO AGOSTINHO

O PROBLEMA DO MAL NO LIVRE ARBÍTRIO DE SANTO AGOSTINHO

O próprio Agostinho reconhece que os argumentos abordados no De libero arbitrio eram numerosos e difíceis, necessitando ao mesmo tempo de aprofundamentos. Esta mesma dificuldade também é reconhecida por alguns especialistas em S. Agostinho. Além disso, o De libero arbitrio foi um diálogo escrito conforme a discussão se desenvolvia, não se tratando, portanto, de um tratado sistemático 13 . Todas essas observações e características podem, de certo modo, contribuir para dificultar a leitura e a correta compreensão desta obra. O fato, por exemplo, de ter sido escrito em um período de sete anos pode levar a pensar em mudanças de pontos de vista ou mesmo de preocupações. O estilo do diálogo: vivo e existencial, se por um lado ajuda a conhecer mais profundamente o modo como raciocinava Agostinho e Evódio, por outro lado dificulta a compreensão da argumentação. Argumentação esta que envolve um alto grau de dificuldade devido aos temas afrontados, como por exemplo: a demonstração da existência de Deus, o livre arbítrio, a origem da alma, a relação entre a liberdade humana e a Presciência divina e, principalmente, a reflexão sobre a origem do mal. Ainda com relação aos argumentos tratados nesta obra, estes retornam sempre ao longo dela. É o que H.-I. Marrou considera como circuitus 14 ; um método muito apreciado por S. Agostinho, mas que pode confundir o leitor, prejudicando assim a compreensão das reflexões desenvolvidas, além de serem difíceis de sistematizar e evidenciar em toda a sua riqueza e sutileza 15 . Concluindo, o De libero arbitrio não é uma obra redigida sistematicamente e, portanto, a exigir do leitor certo esforço e grande atenção. Um leitor distraído pode vir a perder toda a profundidade e riqueza de suas argumentações. Trata-se de um diálogo que procura afrontar muitos argumentos de difícil solução, aos
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Os “três Agostinhos” do livre arbítrio/liberdade

Os “três Agostinhos” do livre arbítrio/liberdade

7 Diversas são as obras em que Agostinho fala do pecado original, a começar pelo tratado Sobre Diversas Questões a Simpliciano (397), onde o termo foi cunhado por ele (I, 1,10) como referente ao primeiro pecado cometido por Adão, o qual, no tratado Sobre o Gênesis, contra os Maniqueus, é definido como o ato, por parte do homem, de não mais submeter-ser a Deus e querer autodenominar-se senhor de si mesmo, ao que chama de orgulho ou soberba, que seria o princípio de todos os pecados subsequentes cometidos pelos homens, conforme diz ao encerrar a interpretação da perda, por parte do homem, da condição feliz no paraíso, quando Adão “se voltou para si mesmo abandonando a Deus e quis gozar de seu próprio poderio e grandeza sem preocupar-se com Deus, então se envaideceu-se pela soberba, e este é o princípio de todo pecado” (AGUSTÍN, San, De Gen. contra man., II, IX, 12 – destaque nosso). Eis o sentido do pecado original que Agostinho foi buscar no Eclesiástico, onde está escrito: “O início do orgulho é o afastar-se de Deus” (Eclo 10,12), que se completa com estas outras palavras: “O orgulho é o começo de todo pecado”(Eclo 10,13).
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Livre-arbítrio e culpabilidade: a responsabilização penal em face das contribuições...

Livre-arbítrio e culpabilidade: a responsabilização penal em face das contribuições...

16 examinar se em face do atual estágio de desenvolvimento das investigações sobre o cérebro, bem como dos prognósticos dos neurocientistas, ainda se justifica a manutenção do conceito atual de culpabilidade - ou, até mesmo, se faz sentido a própria conservação da culpabilidade na estrutura do delito. Para tanto, trabalhar-se-á, em um primeiro momento, a relação entre responsabilidade penal e livre-arbítrio, investigando como, de um modo geral, os doutrinadores penais trataram a questão no contexto do desenvolvimento epistemológico da culpabilidade, e em seus antecedentes históricos. Em uma etapa posterior, pretende-se desenvolver um panorama crítico de como os fundamentos filosóficos e científicos de sustentação e de refutação da liberdade de vontade na estrutura de responsabilização penal foram trabalhados pelo pensamento penal, o que será feito a partir da perspectiva das principais correntes teóricas acerca do livre-arbítrio (determinismo, libertarismo e compatibilismo), verificando-se, ainda, as repercussões da abordagem contemporânea da neurociência na discussão. E, por fim, com base nas conclusões da etapa anterior, buscar-se-á analisar, de um modo geral, os reflexos, na ciência penal, das contribuições neurocientíficas à discussão em torno do livre-arbítrio.
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Convergências e divergências conceituais sobre o livre arbítrio em Santo Agostinho e Calvino

Convergências e divergências conceituais sobre o livre arbítrio em Santo Agostinho e Calvino

Toda a faculdade do livre arbítrio que os papistas sonham é, profundamente solapada por estes dois pontos. Porque começamos a nos aproximar de Cristo somente quando atraídos pelo Pai, nem o começo da fé, nem a preparação para ela, reside em nós. Por outro lado, se todos vem dos que o Pai ensinou, Ele dá a eles não somente a liberdade para crer, mas a fé propriamente dita. Quando, portanto, estamos desejosos de obedecer ao guiar do Espírito, é uma parte, e como tal, o selo da Graça. Por que Deus não nos atrairia se ele somente estendesse sua mão e deixasse nossa vontade em suspense. Mas ele propriamente disse que nos atrai quando estende o poder do seu Espírito para o pleno completar da fé. Eles dizem ouvir a Deus e que voluntariamente se submetem a Deus quando ele fala no seu interior, porque o Espírito reina em seus corações. 100
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Para além dos preconceitos: as implicações da negação do livre-arbítrio na filosofia política de Espinosa

Para além dos preconceitos: as implicações da negação do livre-arbítrio na filosofia política de Espinosa

Se a liberdade da vontade é o fundamento da responsabilidade moral dos agentes ou aquilo que os torna culpáveis por seus atos, longe de se restringir a um debate meramente metafísico, a discussão acerca do livre-arbítrio envolve questões jurídicas e políticas importantes. Conforme Velthuysen adverte Espinosa na Carta 42, se todas as coisas, inclusive a vontade humana, ocorrem necessariamente, não resta lugar algum para a esperança da recompensa ou para o medo do castigo, que seriam incapazes de alterar a conduta humana 14 . Na Carta 57, Tschirnhaus indaga: se nossa vontade não é livre, mas somos coagidos pelas causas externas, como é possível adquirir o hábito da virtude? A falta do livre-arbítrio não significa que toda malícia é escusável? 15 Já na Carta 74 da correspondência espinosana, Oldenburg procura explicar a Espinosa quais são as opiniões por este expressas no Tratado Teológico-político que, segundo alguns leitores da obra, parecem solapar a prática da virtude religiosa. Entre essas opiniões, está a ideia de que uma necessidade fatal, tal como aquela que Espinosa parece afirmar, derruba os fundamentos das leis, da virtude e da religião, não deixando lugar algum para a culpa e para a punição e tornando inúteis e insustentáveis as recompensas e as penas 16 .
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Natureza e liberdade: os fundamentos da causalidade em Kant

Natureza e liberdade: os fundamentos da causalidade em Kant

A partir disso, é bem notório que todo o ponto de vista da tese tem como princípio um dogmatismo da razão pura, argumentando numa direção que faz ultrapassar todos os limites da experiência possível, para justificar causas intelectuais. Em contrapartida, o ponto de vista da antítese se apoia no empirismo puro (também denominado de ceticismo), mantendo a uniformidade com a experiência e inadmitindo todo e qualquer começo intelectual, por considerar que isso romperia completamente com aquela unidade 239 . A partir do dogmatismo, a tese revela interesse prático e especulativo da razão pura, bem como certa vantagem popular. Em primeiro lugar, a ideia de uma liberdade transcendental é a única que pode elevar o homem da necessária coação da natureza e permitir-lhe ações de livre-arbítrio (willkürlichen). Ela é, juntamente com as demais ideias cosmológicas, uma pedra fundamental da moral e da religião, mas é, ao mesmo tempo, um escândalo para os empiristas que não admitem um só passo fora da experiência, razão pela qual a antítese acaba privando a humanidade completamente de todo o prático. Em segundo lugar, as ideias transcendentais exprimem uma totalidade a priori (pura) para toda a série dos fenômenos no mundo, isto é, o incondicionado, que, se utilizado dentro dos limites da experiência possível (apenas como ideia reguladora), é de alta relevância teórica, pois permite pensar (por silogismos corretos) o condicionado como submetido a condições mais elevadas, garantido, desse modo, um constante e sadio progresso da ciência. Mas, esta é uma vantagem que a antítese não pode fornecer, porque o empirismo puro jamais consegue encontrar satisfação nas suas perguntas, realimentando- as infinitamente. Por fim, o entendimento comum está mais habituado a descer às consequências do que ascender aos fundamentos, de modo que não encontra dificuldade alguma em admitir as ideias cosmológicas. Isso porque o entendimento comum considera muito mais fácil admitir sem questionar os conceitos do absolutamente primeiro, do que ter que enfrentar uma regressão que não oferece nenhum repouso. De fato, a
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O livre-arbítrio no pensamento de Tomás de Aquino

O livre-arbítrio no pensamento de Tomás de Aquino

A Providência direciona, mas não obriga o agir humano, embora a graça (que os predestinados recebem) é irresistível. Dentro do sistema protestante, poderia se dizer que, se por um lado o eleito é escravo da fé, por outro lado o reprovado é escravo da concupiscência. E Agostinho não fica longe desse conceito. No entanto, Tomás de Aquino inovou essa rígida dualidade, afirmando que mesmo os que não são predestinados também podem receber a graça, embora esses possam perde-la. A um primeiro olhar, é fácil admitir que, no pensamento tomista, ser predestinado implica em perder o livre-arbítrio, pois os predestinados não têm como cometer o pecado mortal, ao passo que aqueles não elegidos à predestinação, mas que mesmo assim receberam a graça, podem pecar até o nível mais grave, tendo assim escolha entre permanecer no Livro da Vida ou não. Porém, para Tomás de Aquino, todo homem naturalmente deseja a bem-aventurança, mas nem todo se foca nessa direção. Essa é a questão que talvez resolva o problema. A predestinação seria como se Deus colocasse o eleito no atalho mais curto e mais certo para o fim, enquanto que os demais estão espalhados por caminhos sem rumo definido. O livre-arbítrio seria a liberdade de escolher os caminhos a serem seguidos. O predestinado, por já estar no caminho correto, não precisa esforçar-se para escolher outros caminhos. Sua atenção já está focalizada, seu objetivo já é certo, e a maneira para chegar ao fim já é conhecida por ele.
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O AVANÇO DA NEUROCIÊNCIA, A QUEBRA DA DOGMÁTICA DO LIVRE-ARBÍTRIO E SUAS IMPLICAÇÕES NA SEARA PENAL

O AVANÇO DA NEUROCIÊNCIA, A QUEBRA DA DOGMÁTICA DO LIVRE-ARBÍTRIO E SUAS IMPLICAÇÕES NA SEARA PENAL

Quanto ao livre-arbítrio, Santo Agostinho (1995, p.18) já proclamava no Século IV que não existia outra liberdade senão a vontade própria que torna a mente humana escrava das paixões, posto que “sem o livre arbítrio, não haveria mérito ou demérito, glória nem vitupério, responsabilidade nem irresponsabilidade, virtude nem vício”. De certa maneira, William Shakespeare (2001, Ato I, Cena II) sintetiza essa ideia, em sua obra “Júlio César”, na seguinte passagem considerada a mais célebre defensora do livre-arbítrio encontrada nos livros: “Há momentos em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos 1 ”.
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A liberdade do amor em S. Agostinho e Kierkegaard

A liberdade do amor em S. Agostinho e Kierkegaard

O ser humano evidência diversos momentos, tais eles que dependem da sua capacidade e necessidade. É licito que o livre-arbítrio é um mérito para alcançar a liberdade, mas essa tal liberdade pode nos levar a dois caminhos, o bem e o mal. Diante dessa perspectiva observamos que o que leva o homem ao pecado é a suas necessidades, pois nem sempre elas possuem desejos proveitosos. O termo “necessidade” está relacionado com a natureza e suas leis, como por exemplo: o sol, ele aparece para iluminar o dia, ou seja, trazer clareza. Quando uma plantação se inicia, logo ela precisa do sol para seu crescimento, porém se não houver chuva aquele sol destruirá toda a plantação que irá murchar. Porém sabemos que o sol não é moralmente responsável, pois seu ciclo permeia fatores que não o possibilita de aparecer ou não. Então, existe a necessidade do sol, mas não a sua liberdade.
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Graça e Livre Arbítrio em Blaise Pascal

Graça e Livre Arbítrio em Blaise Pascal

Mesmo que estas hipoteticamente sejam iguais e se anulem, o homem não recuperará a liberdade de Adão, mas apenas cairá na inação. Portanto, resta ao livre arbítrio um espaço bem tênue e somente quando o concebemos do ponto de vista do poder ( o qual obedece nosso querer) e não do ponto de vista deste mesmo querer ( que é determinado). Sobre isso, Pascal cita Agostinho: “Porque, como uma coisa é dita em nosso poder quando a fazemos quando queremos, nada está tanto em nosso poder quanto a vontade; mas a vontade é preparada pelo Senhor, portanto é assim que Ele dá o poder.” (PASCAL, Oeuvres Complètes, p. 1032.) Voltando para as considerações iniciais dos Escritos sobre a Graça, seríamos obrigados a reconhecer a vontade divina como única, já que pode-se dizer que a vontade humana é causa de salvação em um sentido, mas não é em outro, enquanto a vontade divina em nenhum sentido deixa de ser causa. “fr553: (...) Jesus, enquanto os seus discípulos dormiam, operou a salvação deles. Deu-a aos justos enquanto dormiam: no nada, antes de nascerem, e nos pecados, depois do seu nascimento.”
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Santo Agostinho: os fundamentos ontológicos do agir.

Santo Agostinho: os fundamentos ontológicos do agir.

A encarnação do Verbo de Deus pode ser considerada como um grande “ato de perdão” que se realiza na economia da “salvação” do gênero humano, é o ponto de referência que perpassa todo o pensamento ético de Santo Agostinho. A partir dela passam a se balizar as relações que o homem estabelece, na medida em que concebe sua existência histórica “marcada” espiritualmente por este fato, ou seja, “o Verbo encarnado pela sua humildade revela ao homem sua real condição de enfermo e, ao mesmo tempo, indica-lhe uma postura a ser seguida” (GRACIOSO, 2012, p.24). Para Agostinho, o fato histórico e ao mesmo tempo espiritual da encarnação, não apaga o pecado original historicamente instituído 121 , durante toda a sua existência o homem terá de conviver com a “marca” significativa de seu pecado, porém, a partir da ação do próprio Deus, faz a experiência paradoxal do perdão e a partir dela, pode reconhecer-se como um ser livre com a possibilidade de estabelecer “novas relações”. O movimento da encarnação caracteriza-se pela total liberdade de Deus frente ao fato do pecado original que gerou o afastamento do homem em relação a Ele, trata-se da realização de um “encontro”, onde de um lado Deus toma a iniciativa da conversação e de outro o homem lhe dá uma resposta, vislumbrando no Verbo encarnado aquele que para si é o “totalmente Outro” que lhe revela o Ser. Por este encontro o homem passa a estar implicado em uma relação de “ reconhecimento ”, isto é, encontrando-se frente ao Ser no Verbo- encarnado, o homem recorda-se de sua condição originária, a qual se encontrava velada em consequência do pecado original 122 e, ao mesmo tempo, contempla o Deus de que se afastou. Assim, a própria “realização de si como imago Dei é correspondência ao reconhecimento da forma de si no Verbo” (OLIVEIRA E SILVA, 2012a, p.268), o que implica em dizer, que as expressões dessa imagem
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Predestinação e livre arbítrio na teologia de Jacó Armínio : contribuições do arminianismo do século XVI para uma atual tomada de consciência da liberdade humana de julgar e agir com responsabilidade, em uma sociedade em construção

Predestinação e livre arbítrio na teologia de Jacó Armínio : contribuições do arminianismo do século XVI para uma atual tomada de consciência da liberdade humana de julgar e agir com responsabilidade, em uma sociedade em construção

No ano de 1524, nos primeiros dias do mês de setembro, foi editada a obra “De libero arbítrio diartribe sive collati”, em Basileia, Antuérpia e Colônia. Esta obra fizera inaugurar as disputas entre Lutero e Erasmo, tornando-se um divisor de águas entre humanismo e Reforma do século XVI 114 . Assim, os pontos mais decisivos entre os dois foram marcados pela tranquilidade de Erasmo e o temperamento agressivo de Lutero. Não se pode esquecer que, esses debates na linha de pensamento de um e na linha de outro, encontra suas raízes em Agostinho e Pelágio. Lutero expressa concepções de Agostinho, enquanto Erasmo expressa as de Pelágio. O livre-arbítrio pressupõe que o ser humano tem uma parte melhor. Para Lutero, o ser humano segundo o pensamento de Erasmo, essa “parte melhor do ser humano” o tornaria um “um deus de todos os deuses, senhor de todos os senhores”. O livre-arbítrio viria a negar não somente a Deus, mas ao próprio ser humano 115 . Assim, enquanto Erasmo enfatiza a bondade e a misericórdia de Deus, bem como a liberdade de escolha que o ser humano possui em sua natureza, Lutero tem por base a ação soberana de Deus, que por meio de seu Espírito Santo, fará melhorar a vida dos eleitos. E, somente os eleitos podem acreditar nessa ação sobrenatural, sendo esta uma argumentação radicalmente predestinacionista.
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Fundamentos ontológicos e antropológicos da visão de Deus em Agostinho de Hipona

Fundamentos ontológicos e antropológicos da visão de Deus em Agostinho de Hipona

cognitiva humana, o que é exigido pela própria natureza da divindade, a um tempo puramente espiritual e suprema com relação a todas as realidades criadas. Sendo assim, toda a compreensão daquela noção excelente que seja dada quer como semelhança corporal, quer como representação mental gera um conhecimento equívoco de Deus, na base do qual apenas se poderá construir uma relação idolátrica. Ora, o imenso paradoxo da metafísica augustiniana reside neste facto: embora coloque Deus e o conhecimento dele para além das categorias de espaço e tempo, que correspondem à experiência humana e determinam a sua condição, Agostinho afirma sistematicamente que o fim final da forma humana é o conhecimento e posse de Deus, e que um tal conhecimento terá lugar à margem de toda a representação, enigma e mistério, vindo a dar-se sob forma de visão. É certo que esta plenitudo não será alcançada a não ser no estado de separação do corpo, ao menos do modo como o ser humano o experimenta no curso dos tempos, isto é, na sua condição historicamente determinada. Agostinho coloca o alcance da beata uita não apenas no final da vida humana temporal, mas também numa dimensão escatológica do tempo: no final do próprio curso dos tempos. Para esse momento, Agostinho reserva a experiência de Deus sob forma de visão. Ora, esse facto obriga a razão a indagar acerca das condições de uma tal visibilidade.
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Livre-arbítrio e determinismo na ação humana. Uma aplicação ao ensino de filosofia no Ensino Secundário

Livre-arbítrio e determinismo na ação humana. Uma aplicação ao ensino de filosofia no Ensino Secundário

Esta foi uma aula introdutória à unidade da Ação humana, onde o tema principal da aula foi o conceito de ação. Os principais objetivos a atingir nesta aula foram: transmitir um conhecimento seguro e relevante para a compreensão dos problemas e dos desafios que se colocam às sociedades no domínio da ação, pretendendo-se que, em simultâneo, os alunos desenvolvam a sua atitude crítica e a capacidade de trabalho autónomo. Pretende-se caracterizar a ação com ligação ao agente que detém a capacidade de agir, sendo esse o ponto de partida da caracterização do conceito de ação. Ora, neste ponto, fazemos a distinção entre o que fazemos e aquilo que nos acontece, reconhecendo, deste modo, a presença de razões e fins, intenções e projetos que estão na base das ações. Acontecer, fazer e agir, não têm o mesmo significado. Acontecer e fazer são situações que não estão dependentes da vontade do agente, por seu lado agir é o término adequado para indicar uma interferência consciente e voluntária do agente que demonstra uma capacidade de escolha, após uma reflexão dos prós e contras (deliberação) e decisão. É também importante mostrar a dificuldade existente entre a deliberação e a decisão.
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Fundamentos para a liberdade em Simone de Beauvoir

Fundamentos para a liberdade em Simone de Beauvoir

O sujeito não deve busca ser, mas desejar que haja ser; querer-se livre e querer que haja ser é uma única e mesma escolha: a escolha que o homem faz de si mesmo enquanto presença no mundo. Neste sentido é preciso que a liberdade se projete rumo a sua própria realidade, é preciso encarar, viver a realidade do mundo e não fingir um mundo. O haja ser é lançar-se para, o querer que haja ser é desejar lançar-se para, e isto é liberdade, ou melhor, “estar sendo”. Mas este haja ser não se põe ao sujeito único, pois só se pode revelar o mundo sobre um fundo de mundo revelado pelos outros homens, desse modo, o desvelamento ou o desvelar-se não compõem apenas para o sujeito mas os desvelamentos interagem uns com os outros, em outras palavras, nenhum projeto se define a não ser por interferência com os outros projetos, fazendo “com que haja” ser e comunicando-se através do ser com o outrem.
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Culpabilidade, livre-arbítrio e neurodeterminismo: os reflexos jurídico penais da revolução neurocientífica

Culpabilidade, livre-arbítrio e neurodeterminismo: os reflexos jurídico penais da revolução neurocientífica

Nas palavras do próprio Lombroso: “Quando eu quis fazer um livro sobre os fenômenos ditos espíritas, após uma vida consagrada ao desenvolvimento da psiquiatria e da antropologia criminal, meus melhores amigos apresentaram objeções, afirmando que eu iria estragar minha reputação. A despeito disto, eu não hesitei em continuar a considerar que era meu dever coroar minha carreira de lutas pelo progresso das ideias lutando pela ideia mais escarnecida e contestada do século”. Na versão francesa: “Lorsque j´ai voulu faire un livre sur les phénomène dits spirits, après tout une vie consacrée dévellopemente de la psychiátrie et de l´antropologie criminelle mês meilleurs amis m´ont accablé d´óbjections dissant que j´allais gáter ma réputatión. Malgré tout, je n´ai pas hesite à poursuivre estimant qu´il était de mon devoir couronner ma carrièrre de luttes pour le progrès des idées en luttant pour l´idée la plus contestée et bafouée du siècle” (LOMBROSO, Cesare. Hypnotisme e spiritism. Traduction: Charles Rossigneux. Paris: Ernst Flammarion Editeur, 1920, p.05).
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O livre-arbítrio em John R. Searle : uma contraposição do naturalismo biológico ao fisicalismo e ao funcionalismo

O livre-arbítrio em John R. Searle : uma contraposição do naturalismo biológico ao fisicalismo e ao funcionalismo

que podemos atribuir responsabilidade moral porque age com base em sua capacidade de intencionalidade intrínseca. Neste sentido – partindo de que o agente é um “eu” – Cinara Nahra (2013, p. 185) acusa tais estudos (que corroborariam que o livre-arbítrio não existe) de pressuporem que o cérebro é uma entidade separada do “eu”. Para tal autora, esta pressuposição evidencia uma posição ingenuamente dualista. Isto porque ao defender que o nosso cérebro decide, por assim dizer, antes de tomarmos consciência da nossa decisão e que portanto não somos livres, determinadas revisões 35 dos experimentos de Libet dissociam o “eu” do corpo (ou do cérebro). Assim como Searle (2013, p. 159) afirma que os nossos estados mentais têm como base um background – uma rede de crenças, desejos e aptidões – Nahra (2013, p. 187) defende que a nossa decisão é influenciada por determinados mecanismos que são inconscientes. Ela afirma ainda que “o fato de que nós já teríamos escolhido algo antes de ter consciência disto não faz com que esta decisão não seja livre”. (NAHRA, 2013, p. 186). Esta afirmação é compatível com o background searleano visto como um “conjunto de estruturas cerebrais” (SEARLE, 2013, p. 62) que teria condições de nos deixar aptos a ativar o sistema de intencionalidade, sendo este imprescindível para a tomada de decisão livre. É importante notar que os experimentos citados por Nahra (2013, p. 187 – 188) não são tão precisos, pois ficaram apenas “10% acima do nível de acaso”. Ou seja, tais resultados demonstram mais uma tendência para agir do que uma decisão prévia. Com efeito, o background searleano não consiste de estados intencionais (SEARLE, 2013, p. 62), mas serve de base para a estrutura da racionalidade que, por sua vez, é interna à intencionalidade. Então o background também não determina a ação.
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A relação entre o livre arbítrio, a felicidade e a presciência de Deus no pensamento de Severino Boécio.

A relação entre o livre arbítrio, a felicidade e a presciência de Deus no pensamento de Severino Boécio.

Em verdade, o sábio romano vai trazendo a lume a sua solução para o problema do mal que tanto lhe aflinge o espírito. Para Severino Boécio, o mal é tudo aquilo que se afasta de Deus, se degenera ou carece da essência do Sumo Bem. É a ação que em virtude de sua natureza, se desvia por ignorar o que é bom ou mesmo deliberadamente se afasta do caminho que conduz ao bem. A resposta para essa questão não é de fácil entendimento, pois como aceitar que o mal, tão visível e omnino esse desinunt; nam qui communem omnium quae sunt finem relinquunt pariter quoque esse desistunt”. Com efeito, segundo Baixauli, antes de abordar a inexistência do mal no DCP, Boécio já havia, de certa forma, antecipado a sua argumentação no tratado do De Hebdomadibus, de modo a sustentar a bondade substancial de Deus e a participação de todas as coisas em sua bondade, não sendo possível uma procedência má e tampouco uma existência substancial do mal: “Tutta la sua argomentazione veniva sostenuta acnhe nel suo trattato De Hebdomadibus nel quale mostrò che il male non è nula di sostanziale, poichè se fosse sostaziale sarebbe buono. E dunque il male non riguarda ciò che è sostanziale, non è nulla in se stesso, non esiste. (BAIXAULI, 1997, p. 130). No entanto, Moreschini levanta a hipótese de haver “ecos” do pensamento de Agostinho, em especial, da Cidade de Deus, quando Boécio destaca a intemperança do homem a ceder aos vícios lhe desviando do seu caminho natural. Diz Moreschini: “Sembrerebbe essere un’eco di Agostino, de civ. Dei II, 5: qui flagitiosissimae consuetudinis vitiis oblectari magis quam obluctari student (“essi cercano di dilettarsi con i vizi di una turpissima abitudine, piuttosto che di opporsi ad essei”) (BOEZIO. Cf. MORESCHINI, 2006, p. 256).
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