Top PDF Gênesis de Sebastião Salgado: relações entre a história e fotografia

Gênesis de Sebastião Salgado: relações entre a história e fotografia

Gênesis de Sebastião Salgado: relações entre a história e fotografia

Esta pesquisa fundamenta-se no trabalho fotográfico intitulado “Gênesis”, lançado no ano de 2013, pelo fotógrafo Sebastião Salgado e usado por ele como instrumento de conscientização acerca da relevância dos espaços geográficos naturais. Na obra em questão lança-se mão do registro de imagens naturais em todos os seus âmbitos, como flora, fauna e comunidades humanas isoladas da civilização. Um verdadeiro contraste se levarmos em consideração o percurso das sociedades industriais da modernidade. É predominante, como em trabalhos anteriores, as cores preto e branco em suas diversas tonalidades, um recurso do fotógrafo para evitar a distração que outras cores poderiam causar ao retratar o momento de uma imagem. Assim, Salgado consegue ressignificar a natureza ainda não explorada e degradada pelo homem. O Projeto “Gênesis” não foge desse padrão. Nossa análise tem como escopo sete fotografias reproduzidas no formato pôster presentes numa coletânea homônima de dezesseis imagens selecionadas no livro. Através de um levantamento bibliográfico, ancorado em contribuições de autores como Simionato (2017), Sontag, Barthes, Kossoy, dentre outros, buscou-se evidenciar a natureza semiótica da fotografia e seu poder de representatividade de uma dada realidade e como esta se conecta à história, obtendo-se como conclusão a gama de possibilidades de temas que podem estar de maneira subjetiva correlacionada à uma delineação.
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Fotojornalismo como Imagem Híbrida: Potencial Dialético da Montagem – o Caso Sebastião Salgado MESTRADO EM COMUNICAÇÃO

Fotojornalismo como Imagem Híbrida: Potencial Dialético da Montagem – o Caso Sebastião Salgado MESTRADO EM COMUNICAÇÃO

Este exemplo também destaca outra nuance da imagem-monumento: o fato de que esta necessita descolar-se da função de testemunho, da precisão ou exatidão da fotografia. Porém, não chega a se configurar como uma cifra aberta à disposição do leitor. Ela acaba preenchida com uma representação outra, fechada em determinados símbolos e valores. Nesse sentido, imagens que chamam atenção para a visualidade, ao invés da presença, mais “obscuras”, ganham maior destaque na publicação, pois já chegam concebidas sem tanto apego à significação referencial, o que resulta em maior disponibilidade para integrar narrativas do tipo monumental. O que poderia ter sido concebido como “narrativa de arte”, ausência de narrativa, no meio jornalístico torna-se um signo aberto e gerenciável. Além disso, a tradição da qual deriva a prática fotojornalística, casada com os ideais de neutralidade e objetividade da grande mídia, acrescenta um filtro de naturalidade à narrativa, como se ela fosse inerente à imagem. Assim, por cima do símbolo, a fotografia adquire o sentido de testemunho desta determinada história, limitando-se a uma correspondência específica. Isso apaga o trabalho de mediação, os intermediários que articulam o texto e diminui o potencial informativo. Portanto, de maneira geral, para o jornalismo, um certo caráter “estético” facilita a construção de monumentos.
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“OS ÍCONES DA VITÓRIA” DE SEBASTIÃO SALGADO: UMA ANÁLISE ESTÉTICA

“OS ÍCONES DA VITÓRIA” DE SEBASTIÃO SALGADO: UMA ANÁLISE ESTÉTICA

Ainda agindo com fator aglutinador que norteará minha linha de raciocínio, trarei o esquema visual pois fotografia é linguagem e, como tal, configura-se no plano simbólico atrelada à cultura e à história que são ações sociais que se desdobram através de contradições, conforme nos ensina Adorno [...] a compreensão, o sentido e o conteúdo não são equivalentes. A ausência de sentido torna-se intenção (2011, p.527). Conjuntamente com minha descrição interpretativa é que ancorarei, de fato, as contribuições do autor no aforismo “forma”, embora sabendo que outros aforismos, em muitos momentos serão necessários, mas deve-se levar em conta que estes não serão cerne de minhas intenções. Para Adorno, a forma é a coerência dos artefactos – por mais antagonista e quebrada que seja - mediante a qual toda a obra bem sucedida se separa do simples ente (2011, p. 217).
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Subjetividade no fotodocumentalismo artístico de Sebastião Salgado

Subjetividade no fotodocumentalismo artístico de Sebastião Salgado

A fotografia não é alicerçada somente na subjetividade do autor, mas ela deve apresentar conteúdos e, em específico, o fotodocumentalismo, estilo escolhido neste estudo, deve conter relações entre os objetos representados, de maneira a interligar e contar histórias, mostrar características do local, do acontecimento e do sujeito fotografado. Adelmo Genro Filho, nesse sentido (1987, p. 183) propõe um enfoque teórico para o fotodocumentalismo, sendo ele uma forma social de conhecimento, baseado nas categorias do "singular", "particular" e "universal" - noções de larga tradição no pensamento filosófico, especialmente da filosofia alemã (Hegel). Utilizando termos similares, o autor diferencia o fotojornalismo e o fotodocumentalismo pela utilização da representação do particular e universal; enquanto o primeiro tem como ênfase destacar o acontecimento momentâneo, tornando a imagem efêmera, o segundo tenta apresentar os motivos, as causas e consequências na imagem, trazendo, dessa forma o particular e o universal.
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Pequene história da fotografia nas redes sociais

Pequene história da fotografia nas redes sociais

em seu Pequena história da fotografia, texto produzido próximo ao centenário da prática fotográfica, o ensaio aqui proposto buscará explorar a recente trajetória da fotografia associada às redes sociais, neste momento próximo ao seu bicentenário. Apesar de pequeno em termos de tempo, o período aqui abordado é grandioso em termos de impacto, em vista das reconfigurações tecnológicas promovidas pelo numérico nas últimas duas décadas, as quais vêm definindo os primeiros movimentos de uma prática fotográfica inserida numa nova dinâmica de produção e compartilhamento, que entendemos possuir importância e ineditismo similares aos primeiros anos da fotografia no século XIX, os quais, para Benjamin, representaram a essência da fotografia.
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Fotografia: Traços da História, da Memória e da Moda

Fotografia: Traços da História, da Memória e da Moda

No aspecto social, temos um fato interessante encravado na fotografia, a irmã Honória, mais nova que Sabina, aparece sentada, quando o “costume” era o das pessoas mais velhas apresentarem-se sentadas nas fotografias. Também chama a atenção a posição da cadeira em que Honória está sentada – o encosto está virado para seu lado direito, o que passa a impressão de uma maior “liberdade”, de certa modernidade, tendo em vista que a fotografia era na época o registro da ”melhor parte” da família, o que se queria registrar, sobretudo, eram as características marcantes de quem posava, ou melhor, as características que se queria construir para determinadas pessoas. Portanto, a foto revelava posição social e construção de aparência.
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"Relações entre pintura, fotografia e imagem na arte contemporânea"

"Relações entre pintura, fotografia e imagem na arte contemporânea"

Iniciando a reflexão com o modernismo na arte e o advento da fotografia, esta pesquisa pretende fazer um estudo das relações entre foto e pintura através da história da arte moderna, elegendo trabalhos de arte e teorias da arte para embasar as reflexões. Além disso, trago aqui uma preocupação com questões da imagem ligadas à nossa vida, como índice, memória, registro do que existiu, afirmações de passados e fatos possíveis de conhecermos devido à existência da imagem técnica. Através do estudo de trabalhos de diversos artistas e teóricos da fotografia, imagem, pintura e história da arte, viso aqui entender e preencher uma pequena lacuna de questões sobre como a fotografia é usada no processo de criação de uma pintura figurativa, unindo a pesquisa em textos, reflexões e entrevistas com jovens artistas brasileiros. Pretendo entender, além do meu próprio ponto de vista, bastante empírico, como se dá o uso dessas imagens técnicas (termo de Vilém Flusser) e qual a relação que o artista (que faz pintura figurativa) tem com a fotografia em sua criação. Essas fotografias variam entre registro autoral, apropriação e colagem, sendo mais uma implicação nesse processo poético.
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ANÁLISE DAS RELAÇÕES INTERDISCURSIVAS EM FOTOGRAFIA 3X4 DE BELCHIOR

ANÁLISE DAS RELAÇÕES INTERDISCURSIVAS EM FOTOGRAFIA 3X4 DE BELCHIOR

Quando Pêcheux (1997) fala sobre a interdiscursividade de um indivíduo a partir de arquivos presentes no imaginário do sujeito, ele está falando da reformulação do discurso original, para reproduzir um novo discurso com ideologia própria. É isto que acontece com a música “Fotografia 3x4” em relação a canção Légua Tirana. Na composição de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, o sujeito reproduz um discurso de movimentos migratórios, mas dentro da sua própria região, o Nordeste, e não de um estado para outro. Não era um movimento único e permanente, e sim um movimento de migrar da sua terra natal em busca de soluções financeiras ou religiosas para a seca e voltar para seu ponto de origem. Os trechos de Légua Tirana retratam bem como era esses movimentos regionais: “Fui inté o juazeiro/ Pra fazer a minha oração/ Tô voltando estropiado/ Mas alegre o coração/ Padim Ciço ouviu a minha prece/ Fez chover no meu sertão/ Varei mais de vinte serras.” (GONZAGA, TEIXEIRA, 1949). Em Belchior também existe o processo de retirada, mas com objetivos, percursos e momentos históricos diferentes – mesmo assim os discursos das canções estão interligados; ou seja, Belchior recebe influências do discurso difundido em Légua Tirana.
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Performances de gênero: masculinidade, fotografia e história.

Performances de gênero: masculinidade, fotografia e história.

O retrato produzido em 1947, mostra a figura de um rapaz, Engelberto Schaefer, vestindo um casaco escuro bem cortado, calças listradas, camisa, gravata e sapatos completam o vestuário do jovem que, na mão direita, segura um chapéu escuro de feltro. O cenário da fotografia é bastante simples: uma cortina e uma mesa com toalha rendada ladeiam o rapaz, que se mostra à câmera fotográfica com o corpo postado ligeiramente de lado, mantendo o olhar fixo na objetiva (figura 1). Mais que elementos visuais identificáveis com facilidade, esta imagem proporciona o ensejo de discussões que nos fazem refletir sobre o masculino e suas perfomances constitutivas. Empreendendo um exercício de imaginação, poderíamos pensar no investimento efetuado pelo fotografado para obtenção do seu retrato. Conforme os relatos obtidos com Evelina Schlindwein, prima de Engelberto, ficamos sabendo que
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O gênero na tradução do Gênesis.

O gênero na tradução do Gênesis.

Este artigo utiliza passagens do Gênesis, selecionadas de Bíblias adaptadas para crianças, para discutir se a escolha por adaptações deve-se à necessidade de manipulação do discurso bíblico de forma diferenciada do discurso veiculado nas Bíblias tradicionais e também procura investigar até que ponto essas manipulações são análogas à ideologia bíblica.

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Arquitetura e Fotografia: relações, interpretações e aplicações

Arquitetura e Fotografia: relações, interpretações e aplicações

semelhante às imagens em duas dimensões que atualmente se fazem de maneira a tornar o projecto mais acessível aos clientes. É o caso, por exemplo, da fotomontagem do edifício da ESBAP que se trata de uma imagem elaborada a partir a um desenho técnico e uma fotografia do local onde seria inserida a Escola. Esta fotografia provavelmente terá o propósito de impressionar o cliente. No entanto, é importante realçar também a utilização como ferramenta de estudo, onde é possível observar a relação do edifício na continuidade da rua. Como afirma Miguel Moreira Pinto, as imagens trabalhadas por Teófilo Rego, “ao serviço das ideias e da teoria abraçada pelo arquitecto, cativam, fascinam, seduzem e também a elas, certamente, se deve a surpresa e o assombro que o projecto de Andresen causou no tempo, e que lhe valeu a atribuição de um primeiro prémio que constitui um dos pontos mais altos da sua curta carreira profissional” 267 .
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Sobre Intermedialidade; a História do Brasil de Sebastião Nunes

Sobre Intermedialidade; a História do Brasil de Sebastião Nunes

O anacronismo nuniano é afirmado na sua aproximação excessiva da estética e da ideologia modernistas e em suas colagens fragmentadas, sem avanço técnico após os 80 anos de provocações, rupturas e agressividade que o dadaísmo materializou e que contaminaram todas as linguagens, exigindo a transgressão como direito de cidadania. Também não pode ser justificado pela ausência do editor legitimado pelo mercado, mas pela sua escolha de autor-editor, a qual é defendida por Foucault ao afirmar que tal responsabilidade é instável e fronteiriça. A sua negativa em falsear e brincar com a história retoma o dadaísmo: “a negação que, pelo humor, se torna afirmação e ainda com a diabrura de René Magritte”, quando este pinta um cachimbo e, no mesmo suporte, escreve “isto não é um cachimbo”, do qual Foucault decifra que tal gesto provoca uma incerteza, uma vez que, se o observador está vendo a obra, o texto seria desnecessário. E diz ainda: “Não consigo tirar a ideia de que a diabrura reside numa operação tornada invisível pela simplicidade do resultado, mas que é a única a poder explicar o embaraço indefinido por ele provocado”. 28 A obra de Sebastião Nunes – ironia intencional com plasticidade da palavra dadaísta (colagens visuais), paródia da paródia – se apresenta como a história verdadeira, que pretende ser original: “escrita em estilo sério-pedante, muito diferente do tom geral da ‘História’”, que se isenta como escritura: tal obra consiste então em “puros exercícios de linguagens”. Paradoxalmente, a História do Brasil de Nunes não escapa a um desdobramento tardio ou a uma tradução modernista ( estética anacrônica ) que na artimanha de “contemporaneizá-la”, a obra se apresenta despistada em enciclopédia ou manifesto nacionalista estético-político.
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09. A história de sorte de Londrina com a fotografia

09. A história de sorte de Londrina com a fotografia

grafía en Londrina, una ciudad ubicada en el Norte de la Província brasileña de Paraná, y de su importancia para la recuperación de datos históricos y para la preservación de la memória del lugar. Por medio de una mirada ori- ginal, el texto cuenta dos momentos de Londrina en su relación con la Fotografía. El primero fue su uso como estrategia publicitaria de la Companhia de Terras Norte do Paraná, responsable por el proyecto que desencadenó el proceso de colonización del Norte de la Província. El segundo instante fue la inmigración extranjera, ja que los de otras naciones llegavan bien capacitados profesional- 1 Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Líder do Grupo de Pesquisa Comunicação e História do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Coordenador do Curso de Especialização em Fotografia: Práxis e Discurso Fotográfico da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Editor da revista Discursos Fotográficos. E-mail: discursosfoto@ uel.br
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Para uma compreensão da reprografia e da sua história através dos cartazes de Sebastião Rodrigues

Para uma compreensão da reprografia e da sua história através dos cartazes de Sebastião Rodrigues

Desde cedo Sebastião Rodrigues desencadeou uma delicadeza para a arte da letra impressa e pela caligrafia, já que este acompanhava o seu pai no seu trabalho como empregado num jornal diário (Pires, 1995, p.14). Mais tarde veio a desenvolver essa técnica até que então, se tornou parte da sua especialidade, já que este foi o seu primeiro contacto com as “artes visuais” (1995, p.14). Durante o seu percurso profissional, Sebastião Rodrigues também realizou alguns trabalhos em que usou a técnica de impressão por serigrafia, que corresponde à prática de impressão através de uma tela nylon. Esta técnica possui algumas vantagens relativamente ao offset , tais como no preço, visto que “para a impressão em grandes quantidades poderá ser preciso apenas um fotolito e devido à facilidade do processo, pois é uma técnica stencil que pode ser utilizada em diversos materiais como o vidro, a madeira, garrafas, mesas e tecidos” (Velonis, 1939, p. 2). Sebastião Rodrigues também explorou as potencialidades do offset ao longo da sua carreira. Este é o processo de
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Fotografia e Ensino: uso e aplicação da fotografia no processo de aprendizagem no ensino de História e Educação Patrimonial

Fotografia e Ensino: uso e aplicação da fotografia no processo de aprendizagem no ensino de História e Educação Patrimonial

O Imaginando é uma metodologia de ensino desenvolvida na Universidad Complutense de Madri (UCM), em 2011. Foi trazida para o Brasil no âmbito do Grupo de Pesquisa Acervos Fotográficos (GPAF) 11 , em disciplinas da pós- graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UnB), relacionadas aos acervos fotográficos. Um outro exemplo de aplicação da metodologia Imaginando, no Brasil – mais especificamente aqui no Espírito Santo, é o Projeto Imaginando Viana 12 , que utilizou a metodologia para facilitar o desenvolvimento e a difusão do conhecimento histórico e cultural do município de Viana. Diz respeito a um projeto de inovação didática que visa à melhoria da qualidade do ensino. Foi desenvolvido pelos professores Juan Miguel Sánchez Vigil (diretor), Antonia Salvador Benitez, Federico Ayala Sorenssem e Maria Oliveira Zaldua da faculdade de Ciências da Documentação, cujos objetivos estavam ligados a fotografia: apresentar novos modelos de aprendizagem, motivar os alunos em suas atividades e criar um banco de imagens para os professores. A utilização dessa metodologia pela UCM tinha como premissa inserir no contexto de ensino o uso e aplicação da fotografia nas disciplinas enriquecendo os conteúdos já abordados, permitindo por intermédio da fotografia o desenvolvimento da criatividade e experiências coletivas.
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Arqueologia de uma prática científica em Portugal : uma história da fotografia

Arqueologia de uma prática científica em Portugal : uma história da fotografia

fotografia em Portugal, ou seja, a comunidade científica pertencente à elite da Academia das Ciências realiza uma prática comemorativa a partir de um desempenho científico: a fotografia e o seu uso, dado que “[A] máquina fotográfica vê mais que os nossos olhos. A melhor prova deste critério é o facto bem conhecido de alguns dias antes que sejam visíveis as pústulas variolosas, a prova fotográfica revelar a sua existência. O mesmo demonstram com a maior evidência as demonstrações da fotografia para a descoberta dos carimbos de papel, que tentaram apagar, das escritas com tintas simpáticas, das falsificações da escrita e das notas de banco, e em tantos exames na prática da medicina Legal, em que o Instituto de Lisboa teve a iniciativa e soube aplicar e aperfeiçoar por forma digna de todo o elogio”. 25
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Imagem no jornalismo: a fotografia como retrato definitivo da história

Imagem no jornalismo: a fotografia como retrato definitivo da história

Obter a persuasão de uma plateia por intermédio da emoção dos participantes pode ser compreendida como uma forma de aproximação entre o orador e o seu público. No entanto, ao investir nos aspectos mais passionais, para fins retóricos, o palestrante pode estar a anestesiar a capacidade de raciocínio dos que lhe ouvem e assistem. Aristóteles (1408b) traz mais argumentos para este debate ao dizer que “os elementos que se relacionam com o auditório consistem em obter a sua benevolência, suscitar a sua cólera, e, por vezes, atrair a sua atenção ou o contrário”. Torna-se impossível, neste momento, ainda que pareça novamente precoce, não se traçar um paralelo com a prática contemporânea do jornalismo no mundo. Assim como, também, com a teoria de Barthes (1984:48-49) sobre as funções da fotografia e seus impactos nos sentimentos do sujeito. Ainda mais: a própria evidenciação e importância que Barthes atribui ao sujeito, considerado por ele como autônomo e jamais passivo diante do que recebe como provocação fotográfica.
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Instantâneos de ausências: Perec e as relações entre texto, fotografia e memória

Instantâneos de ausências: Perec e as relações entre texto, fotografia e memória

Christelle Reggiani afirma que a fotografia terá um papel importante na obra de Perec, não somente como geradora de escrita, mas também a partir de imagens efetivas, sempre conotando algo frágil e/ou deceptivo, desprovido de qualquer confiança para o leitor. Alguns exemplos interessantes nos mostram a fotografia diretamente inserida no texto literário, como objeto recorrente: “Dia após dia, eles se instalaram [...] Eles colaram nas paredes [...] fotografias de todos os seus amigos” em As coisas: aqui a fotografia nos mostra a busca por uma decoração “ideal” à qual o casal Sylvie e Jêrome nunca conseguem alcançar; em La Boutique obscure, um dos sonhos que remete a fotos, no trecho “dois dissimulam fotografias nas caixas de seus relógios. Mas essas fotografias [...] são apenas finas rodelas de couro dobradas ao meio e mostram apenas vagas listras cinzentas” 65 : essa frase demonstra uma decepção, pois não há o que ser visto a partir
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Relações entre a ética e a sua história

Relações entre a ética e a sua história

8. Mas será a altura de aplicarmos o que se disse ao pro- blema das relações entre a Ética e a sua história. Se é certo, pois, que a teoria da Ética terá que referir-se, em última análise, à estrutura transcendental da acção humana, é certo também que a apreensão dessa estrutura só será possível a partir dos dados objec- tivos da mesma acção, que a experiência histórica amplia, e no contexto de uma tematização que a história do pensamento ético nos faculta. Repito: esse recurso à experiência histórica e à história do pensamento ético é imprescindível, ainda que tenha um valor meramente instrumental ou metódico; valor metódico porque terei que analisar e criticar a história da Ética; mas imprescindível por- que não teria podido conceber por mim as teorias que essa história me oferece (embora não propriamente absurda, a hipótese seria utópica, como vimos) nem substituí-las por construções da minha lavra, tão variadas e amplas; com a agravante de que seria pratica- mente impossível articular tais construções com a experiência his- tórica, experiência que, por sua vez, eu não poderia imaginar na sua concreta morfologia e dinâmica,
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COLEÇÃO LUIZ PALMIER: FOTOGRAFIA, HISTÓRIA LOCAL E MEMÓRIA

COLEÇÃO LUIZ PALMIER: FOTOGRAFIA, HISTÓRIA LOCAL E MEMÓRIA

Muitas são, infelizmente, as fotografias das quais não se consegue apurar a autoria. Contudo, era prática comum deixar uma marca autoral, ora na superfície, ora no verso da fotografia produzida. Deste modo, uma das formas possíveis de se mapear e de se contextualizar o desempenho dos fotógrafos é considerar seus períodos de atuação, a partir das fotografias assinadas. Além disso, há fotografias feitas em outras localidades, como São Paulo, empregando pelo menos um reconhecido profissional local (como é o caso de Guilherme Gaensly, importante fotógrafo paulista). Em outro caso, na fotografia intitulada “Crianças fantasiadas para o Carnaval”, produzida em Niterói, entre 1938-1939, o fotógrafo foi Walter Benevides,
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