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Herberto Helder e o tradutor libertino

Herberto Helder e o tradutor libertino

Assim, do mesmo modo que é possível observar uma diferença de estilos entre os dois Quixotes, diferença essa indesejada por Menard, o visado por Herberto Helder é, sobretudo, a possibilidade de fazer emergir essa diferença, isto é, um novo estilo, através do contato com a alteridade. E é isso o que caracteriza, a seu ver, uma atitude libertina. Fundamental, nesse ponto, é o modo como o poeta se expressa para explicar o que vem a ser a tal atitude libertina, que repetirei aqui: “Era fazer como se tivesse traduzido o poema, como se o tivesse mudado para português e para mim – e este “mim” é um idioma, suponho, ou pretendo –, era enfi m deixar-me atravessar pela fortíssima gramática poética portuguesa de Villa, e dar o poema por traduzido.” (HELDER, 1997, p.77). Devemos lembrar que a “fortíssima gramática de Villa” provém do fato de ele não ser português, e sim italiano, o que faz com que o seu poema traga as marcas de sua língua natal, resultando num “portuliano”, a exemplo do nosso famoso “portunhol”. E são essas marcas que caracterizam a alteridade – testemunhas da presença do italiano inscrito sobre o português – que criam, na visão de Herberto Helder (1997, p.79), uma “gramática poética” inesperada, como se observa nos versos seguintes:
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O EROTISMO REVISITADO NA POÉTICA DE HERBERTO HELDER

O EROTISMO REVISITADO NA POÉTICA DE HERBERTO HELDER

Por meio de uma breve análise das versões criativas herbertianas, percebemos que nos três poemas traduzidos existe uma metáfora da criação. “Figos” possibilita a leitura de uma relação entre a fruta figo e o órgão sexual feminino, o que nos permite inferir uma tentativa de busca pela matriz, pela mãe, representada pela figura feminina. No poema “Juventude Virgem” a imagem da criação está ligada ao surgimento de um novo ser, de outro corpo que conquista autonomia, apontando para a relação de criação da obra e mostrando a ligação entre autor e texto, e revela também outra faceta da criação, a que envolve o próprio labor do poeta- tradutor, pois vimos que na sua versão Herberto Helder violou o original e lhe deu uma nova vida ao revisitar Camões. O último poema “As coisas feitas em ferro” aborda a importância do trabalho para a transformação do objeto, fazendo alusão à importância do poeta para a mudança nas formas e nos significados das palavras.
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Haroldo de campos e Herberto Helder: a antropofagia como criação poética Haroldo de Campos and Herberto Helder : the antropophagy as poetic creation Geovanna Marcela da Silva GUIMARÃES

Haroldo de campos e Herberto Helder: a antropofagia como criação poética Haroldo de Campos and Herberto Helder : the antropophagy as poetic creation Geovanna Marcela da Silva GUIMARÃES

É com vistas a este diálogo que Haroldo de Campos demonstrará um grande interesse pela releitura de clássicos da literatura universal e pela tradução de obras que possuem um alto teor estético. Esta seleção minuciosa visa à transmissão de elementos poéticos presentes no original para a língua materna do tradutor-transcriador; exemplo disso são as traduções/transcriações de poemas orientais, como os haicais e os ideogramas chineses, que, segundo Claudio Daniel, são “uma escrita para olho e para o pensamento, que registra o desenho da coisa e não o seu nome” (DANIEL, 2005, p. 183), buscando resgatar pela tradução o poético, a melodia, a visualidade e a musicalidade da poesia oriental. Já Herberto Helder demonstra um considerável interesse pela tradução de poemas de tribos indígenas sul- americanas, comumente chamadas de línguas primitivas ou ameríndias, sendo um exemplo disso o seu livro de tradução Poemas Ameríndios (1997) em que há traduções de poemas dos caxinauás, dos maias e dos astecas. Além disso, outra convergência que é possível observar entre as obras poéticas de Haroldo de Campos e Herberto Helder está relacionada ao diálogo que ambos mantêm com a obra poética de Luis Vaz de Camões, pensado como um dos alvos privilegiados da releitura crítica e criativa da tradição, ou seja, da visada antropofágica, eixo central da nossa discussão.
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O poema é um animal: obscuros bestiários de Herberto Helder

O poema é um animal: obscuros bestiários de Herberto Helder

melhor, as versões – uma vez que Helder assinala essas obras com a legenda “poemas mudados para o português” –, respondem a incursões em culturas e temporalidades afastadas, predominantemente colonizadas ou dizimadas pelo Ocidente, como as comunidades maias, astecas e árabes, além de tribos indígenas e camponesas, entre outras. Ora, ao colocar lado a lado poemas do velho testamento e enigmas astecas, hinos órficos e canções e orações de origens remotas, Herberto Helder não estaria, mais uma vez, por meio da montagem, desorientando a cronologia? Alternativo e combativo, especialmente, aos dualismos que apartam a cultura dos vitoriosos daquela dos vencidos, o escritor e tradutor, portanto, assume como uma de suas tarefas mais próprias a destruição de uma historiografia literária continuista. Incluem-se, aos Doze nós numa corda, poemas mudados de Henri Michaux, Mallarmé, Antonin Artaud e Hermann Hesse. Por mais celebrados e reconhecidos que alguns destes sejam, hoje, são eles, sobretudo, portadores da voz do desvario, do desconserto e da dissonância em relação ao tempo em que viveram. Compõem a reunião dos escolhidos, canônicos e silenciados, ritualísticos e descrentes, loucos, místicos e mágicos que, vertidos à língua portuguesa, em conjunto encabeçado por Helder, parecem apontar para uma dimensão trans-histórica da poesia a partir da tomada de consciência do antologista e tradutor em relação à não restrição ao seu tempo e espaço de produção.
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Tradução e transgressão em Artaud e Herberto Helder.

Tradução e transgressão em Artaud e Herberto Helder.

A diferença entre as línguas permite que pensemos a ativi- dade de escavação em outro sentido ainda. Esse outro sentido também está anunciado em A tarefa do tradutor, quando, no final do texto, Benjamin cita Pannwitz, que censurava o tipo de tradução realizada pelos alemães, acreditando que a tradução deveria provocar um alargamento da língua do tradutor – o que faria com que esta se tornasse uma língua estranha –, e não ser uma tentativa de tornar mais familiar a língua estrangeira. Essa tarefa resultará, portanto, em alargar e aprofundar a sua própria língua, escavar em seu interior um oco de sentido, esvaziá-la de sua lógica, libertá-la de sua ordenação sintática. Herberto Helder, no livro Ouolof, escreve uma nota a respeito de sua tradução de um poema dos índios Caxinauá chamado “A criação da lua”, em que assinala o alargamento da língua portuguesa pelo atrito com a língua estrangeira, produzindo “um português desarrumado, errado, libertado, regenerado, recriado” * .
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“DEVAGAROSA MULHER COBRA”: HERBERTO HELDER, UMA POÉTICA DA TRADUÇÃO

“DEVAGAROSA MULHER COBRA”: HERBERTO HELDER, UMA POÉTICA DA TRADUÇÃO

Esse resumo, no entanto, pouco se assemelha ao texto narrado por T. em Caxinauá, muito mais longo, detalhado, cheio de diálogos e conteúdos simbólicos. A tradução de Capistrano, que se baseou na literalidade e manteve a estrutura sintática empregada pelos narradores, resulta num texto de difícil leitura, dada a quantidade de inversões sintáticas, repetições e outras estruturas linguísticas pouco familiares para os falantes da língua portuguesa. Como assinala Walter Benjamin em “A tarefa do tradutor”, “precisamente a literalidade com relação à sintaxe desmantela toda e qualquer possibilidade de reprodução do sentido, ameaçando conduzir diretamente à ininteligibilidade” (2011, p. 114). No entanto essas marcas, tomadas em conjunto, deram aos textos um caráter inegavelmente poético, talvez à revelia do próprio historiador. Foi justamente esse caráter poético, como se pode
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Os sentidos da revelação: Sophia e Herberto

Os sentidos da revelação: Sophia e Herberto

Herberto, ao pensar a poesia andreseniana, talvez nos ensine alguma coisa sobre o seu próprio fazer poético, justamente no que ele também apresenta de efeito revelador. Mas se há uma clara tangência no que diz respeito à crença no poder heurístico da palavra (particularidade tão moderna e partilhada por Herberto e Sophia), há também obscuridades que distanciam e distinguem a poesia de ambos. As imagens e a sintaxe herbertianas são flagrantemente mais tortuosas, em certo sentido, quase barrocas, no que insinua com o seu hermetismo. Se por um lado, Sophia prima por uma claridade clássica que se dá a ver tanto na forma quanto no conteúdo, Herberto busca as zonas de trevas para nelas tentar dar a luz a outro tipo de visibilidade: uma visibilidade turvada, impactada pelo choque das imagens. Nesse sentido, o visionarismo da poesia herbertiana, se porventura evoca alguma memória de Sophia, a realiza – suponho – em sentido diametralmente oposto. O que em uma é deslumbramento (por excesso de medida), no outro é êxtase (por transgressão da medida).
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Alguém, ninguém, algo escreve? : breve nota sobre a cena da escrita em Herberto Helder?

Alguém, ninguém, algo escreve? : breve nota sobre a cena da escrita em Herberto Helder?

É precisamente esta dualidade que tento analisar: o facto de o reconhecimento de que algo escreve não excluir uma exclamativa referência ao querer negativo do poeta-arqueiro. De muitas maneiras, a obra de Herberto Helder insiste na ausência do poeta: o poema só acontece «quando o rosto inquilino da luz já não se filma», lê-se em Do Mundo 8 . E em Ou o Poema Contínuo – Súmula (2001b), o próprio nome de autor «Herberto Helder» surgia articulado com o título da Obra, como se antes da conjunção ou não houvesse ninguém, apenas outro nome para a continuidade do poema, condição que, em 2004, a transferência do título Ou o Poema Contínuo para o volume de recolha de toda a poesia iria acentuar ainda mais.
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Da revisão autoral na poesia de Valter Hugo Mãe: as edições de três minutos antes de a maré encher

Da revisão autoral na poesia de Valter Hugo Mãe: as edições de três minutos antes de a maré encher

No panorama português, o nome de Herberto Helder (1930-2015) – que sintomaticamente frequentou o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra – surge, neste contexto, como inevitável paradigma dessa obsessão com um poema contínuo, constantemente reescrito 4 . Compreende-se, por isso, que um herdeiro do legado herbertiano, como Valter Hugo Mãe – também ele aliás com formação académica na área da literatura 5 – surja ainda marcado por essa ânsia da revisão, claramente assumida nos seus livros, encarados como “um corpo em mutação, dinâmico, orgânico, uma obra não acabada mas em permanente construção” (Lage, 2006: 19).
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Poema-mundo: corpo-poema

Poema-mundo: corpo-poema

modo como converge para a construção do que, segundo abordagem de Deleuze, seria um “grande pensamento”. Diferente do que ocorre em O corpo o luxo a obra (2006), poema contínuo cujo centro energético parece estar na ideia de corpo orgânico, trata-se de uma poética marcada por divisões cujas partes comunicam-se entre si e com outros poemas da obra herbertiana, de modo que esse diálogo converge para a ideia de gênese. É nesse poema, por excelência, que o trânsito da ideia de corpo para a de mundo parece manifestar-se de forma mais expressiva, já que, no texto poético, o corpo genesíaco presente em O corpo o luxo a obra retorna em um movimento em espiral e culmina na diluição dessa imagem que se confunde no fluxo das agitações, também orgânicas, do mundo. Como afirma Rosa Maria Martelo em “Corpo, Velocidade e Dissolução (De Herberto Helder a Al Berto)” (2001): o esvaziamento do eu, ou, no caso em questão, de uma forma, tem por produto final forças e energias que fazem de dada referência “uma espécie de palco onde os fluxos vitais adquirem um sentido cósmico.” 2 Se se pode identificar dados momentos
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A utopia da palavra ou a demanda do idiolecto impossível: sobre Servidões, de Herberto Helder

A utopia da palavra ou a demanda do idiolecto impossível: sobre Servidões, de Herberto Helder

Na verdade, somente a dimensão maior de um poeta como Herberto Helder explica que Servidões (2013) se tenha tornado num acontecimento incontornável no panorama literário português, que, normalmente insípido, não conhece, de facto, grandes sobressaltos mediáticos. Não assim com Servidões. No suplemento “Ípsilon” (14 de junho de 2013), por exemplo, a ensaísta Rosa Maria Martelo destaca o livro como “um lance último”, texto testamentário que se singularizaria pelo enfrentamento da finitude do sujeito poético que aí se encena, pela coragem inaudita de olhar a morte. Diz-nos a autora de A forma informe (2010): “Há em Servidões um eu que ora fala a partir desse mundo, ora mede os 80 anos de idade e os limites físicos do corpo. Imagina- se a morrer, concebe o corpo morto a atravessar as transmutações da matéria”. 1 E se António Guerreiro, no artigo “Herberto Helder, poeta da
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"Constança Manuel": para além da história de amor entre Inês e Pedro.

"Constança Manuel": para além da história de amor entre Inês e Pedro.

Mas não é como vítima passiva dos acontecimentos que a Constança Manuel ficcional enfrentará a infidelidade do esposo. Vendo-se afrontada pela amante “favorita” de Pedro, como bem classificou Herberto Helder, a infanta ainda se revelará uma mulher arguta e perspicaz, sabendo se comportar com nobreza diante dos sogros que a muito estimavam: “[…] o infante compreenderá quanto bem vos queremos e que sempre velaremos para que nenhum mal vos aconteça” (NERY, 1998, p. 68); ou mantendo cautela e resignação inteligente, mesmo nos muitos longos períodos em que não recebia Pedro em sua alcova. Procurando sempre conhecer os segredos dos outros pelos sonhos, para melhor compreender o que lhe era inacessível e obscuro, não demorará em adentrar os aposentos de Pedro “com passos de anjo” enquanto ele dormia:
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Os selos, outros, últimos, de Herberto Helder: pelo sopro da criação à harmonia

Os selos, outros, últimos, de Herberto Helder: pelo sopro da criação à harmonia

Mesmo que não tomando à letra as sugestões de Chevalier, entende-se nestes poemas de Herberto Helder um diálogo complexo entre a harmonia e o caos, como teremos oportunidade de estudar. A este propósito, e para compreender a carga simbólica do número seis, recorde-se a importância do poema sexto de Os selos, pela referência aos espaços de elevação: “Montanhas das áfricas, / montanhas das árvores que sangram” (p. 558) e no final do mesmo poema: “[…] a realeza / do poema animal – leopardo e leão. Oh, / cantam em música humana, eles, no trono / das montanhas das áfricas / redivivas –” (p. 559). Entender-se- á igualmente a centralidade temática do último poema dos seis textos, quando o abordarmos no final deste estudo. Os títulos Os selos e Os selos,
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Uma linguagem universal de água, fogo, terra e ar

Uma linguagem universal de água, fogo, terra e ar

Dolore, cervello, luce, apparizione, battesimo: Herberto Hélder persegue […] fra «sonno e veglia», la decifrazione dell’enigma magico che spiega il risveglio di Euridice […]. […] Considerato «difficile, ermetico, oscuro» ed illeggible, ma anche, allo stesso tempo, dotato di un potere incantatorio e di un ritmo affascinante, […] Hélder occupa una posizione paradossale nella letteratura contemporanea potoghese, […] dall’altra parte crea una specie di pânico o terrore 26 negli stessi critici e lettore che lo paragonano a Pessoa. 27
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Um nó de sangue na garganta: a experiência do poema em Herberto Helder

Um nó de sangue na garganta: a experiência do poema em Herberto Helder

Onde a linguagem já não mais representa, mas se apre- senta como matéria de início, palavra vegetal e corpórea, o cerne da experiência – a constituição de um corpo e uma paisagem no po[r]

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Sonata para pulsões (sobre A Máquina Lírica de Herberto Helder)

Sonata para pulsões (sobre A Máquina Lírica de Herberto Helder)

com que ela não acabe “pelo tempo fora”. Ela permanece no tempo-dentro da memória e continua existindo na poesia da qual é o motor. De outro lado, o processo contínuo da poesia renova a mãe permanentemente. É uma máquina de retro-alimentação a lírica de Herberto Helder. Por isso, a obra do autor é marcada pelo sentido de processo, estando em constante estado de impermanência e incompletude, mas sempre em processo de se completar de novo. A poesia nunca mais acaba, se refazendo nos acréscimos, expansões e transformações, num moto- contínuo. A máquina reproduz os movimentos orgânicos de inspiração e expiração, com momento de dilatação e momentos de conclusão (inclusiva). Há períodos em que a obra se retém e períodos em que se expande de novo. A “toda poesia” de Helder só pode ser toda até aquele momento. “Toda” é termo circunstancial e nunca definitivo; “toda poesia” é toda poesia incompleta, paradoxo da criação.
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Desubjetivação na lírica portuguesa: do desassossego de Bernardo Soares às antropofagias de Herberto Helder

Desubjetivação na lírica portuguesa: do desassossego de Bernardo Soares às antropofagias de Herberto Helder

Logo no primeiro texto de Antropofagias o poeta mostra-nos que essa poesia evita o símile e torna-se ela própria um ato poético: uma imagem-corpo com suas digestões, dilatações e movimentações. Sem se apoiar em moldes (até porque para isso eles teriam de preexistir), o poeta nega o valor simbólico da linguagem: “não tentamos criar abóboras com a palavra ‘abóboras’/não é um sentido propiciatório da linguagem” (HELDER, 2009, p. 273). Cede o “entusiasmo arbitrário” os gestos inaugurais da linguagem para que as palavras possam ser vistas como um corpo – respiração digestação dilatação movimentação. (HELDER, 2009, p. 274). Ao assim proceder, o risco iminente de destruição invade o texto: “se calhar vão destruir –nos sob o título/ ‘os autômatos invadem’ mas invadem o quê?” (HELDER, 2009, p. 274). Conforme afirma Ana Guerreiro,
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Salette Tavares and Experimental Portuguese Poetry

Salette Tavares and Experimental Portuguese Poetry

The second issue of Poesia experimental, published in 1966, saw Ernesto de Melo e Castro join the team of editors alongside Aragão and Helder (with a cover designed by Ilídio Ribeiro and a text by Lewis Carroll on the back cover) and featured experimen- tal poems by the editors as well as by José-Alberto Marques, Luiza Neto Jorge, Salette Tavares, António Barahona da Fonseca, Álvaro Neto and Ana Hatherly.  In addition, it included the off-print ‘Music and Notation’ by Jorge Peixinho, as well as contributions from the international guests Henri Chopin, Ian Hamilton Finlay, Mike Weaver, Pedro Xisto, Pierre Garnier, Haroldo de Campos, Emilio Villa and Edgard Braga.
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DAS DIFERENTES VISÕES DO AMOR, ATÉ O AMOR MÍSTICO PRESENTE NO CONTO TEOREMA DE HERBERTO HELDER.

DAS DIFERENTES VISÕES DO AMOR, ATÉ O AMOR MÍSTICO PRESENTE NO CONTO TEOREMA DE HERBERTO HELDER.

De acordo com Abbagnano, segundo Aristóteles, Hesíodo e Parmênides os gregos foram os primeiros a sugerir que o amor é a força que move as coisas, que as une e as mantém juntas. Partindo desta declaração acerca do Amor, vemos mais uma relação entre o “amor mítico” de D Pedro e Inês, e os pressupostos em torno do Amor tragos agora pelos gregos, relação esta não mais contrastante, mas novamente proximal. Observamos em Teorema que nem mesmo a morte de Inês, foi capaz de desuni-la de D Pedro “O que este homem trabalhou na nossa obra! Levou o cadáver da amante de uma ponta a outra do país, às costas da gente do povo, entre tochas e cantos fúnebres. Foi um terrível espetáculo, que cidades e lugarejos apreciaram.”(HELDER, 1974).
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