Top PDF Honra e Philotimía na Esparta do Século IV a.C

Honra e Philotimía na Esparta do Século IV a.C

Honra e Philotimía na Esparta do Século IV a.C

eram provavelmente testemunhadas por diversos indivíduos, inclusive homens jovens (néōn). Como vimos na crítica do Peleu de Eurípides, a (semi)nudez imposta sobre as espartanas não parece ter sido escondida dos olhos masculinos. Até o momento, já vimos em diversas ocasiões que a vigilância era um elemento central no sistema da honra de Esparta, de modo que não seria impressionante que também as jovens fossem por ela avaliadas – principalmente durante o período pré-matrimonial, quando elas poderiam ser adequadamente avaliadas e “escolhidas” por potenciais pretendentes. Nesse sentido, poderíamos tomar Plutarco (Lyc. 14.4) novamente para afirmar que, por meio das competições e apresentações, as espartanas também internalizavam a ambição (philotimías) e tomavam parte nas disputas por excelência (aretēs). Entretanto, antes de lidar com todas as consequências dessa afirmação, é necessário lidar com suas limitações, essas bem escondidas por mais um aspecto da miragem colocada sobre Esparta. Um dos elementos mais característicos da Esparta pintada pelas fontes atenienses foi construído justamente sobre essa “liberdade” no vestuário das espartanas. Me refiro, mais especificamente, à licenciosidade que as caracterizava as espartanas, assim como o produto quase direto dessa atitude: o domínio que elas exerciam sobre os homens, também descontrolados em seu desejo sexual. Essa temática, recorrente nas peças de Eurípides e predominante no século V, já foi extensamente discutida, de modo que não é necessário descrever aqui seus pormenores. 220 Ao invés disso, aponto uma conclusão interessante apresentada pela análise de Ellen Millender (1999). Segundo a autora, esse quadro consiste, na verdade, de uma pintura composta principalmente por conta da Guerra do Peloponeso, quando o arsenal de discursos utilizados para caracterizar o “outro” bárbaro, o inimigo, é aplicado ao novo rival da democracia ateniense. Assim, Esparta como um todo tem seus costumes distorcidos, isso de modo tomar as vestes do bárbaro que outrora residiam no centro dos ataques ideológicos atenienses. Ou seja, Esparta aparece como o lugar onde os homens são privados da força necessária para exercer o controle que lhes é próprio, abrindo espaço para que as mulheres os dominassem; além de que esse vazio de masculinidade é preenchido pela escravidão aos desejos – inclusive os sexuais, fraqueza essa também explorada pelas mulheres. Ou seja, a “anomalia” lacedemônia, originada em práticas eugênicas, é transformada no combustível de uma inversão completa da ordem e dos papeis de gênero hegemônicos – onde os homens
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A arquitectura de poderes de Tebas no século IV a.C. : de Plateias a Leuctros

A arquitectura de poderes de Tebas no século IV a.C. : de Plateias a Leuctros

As fontes divergem quanto à fundação do Sinédrio Comum. Diodoro situa a sua origem pouco depois da “Libertação” de Tebas e antes do assalto de Esfódrias, ao passo que Plutarco justifica a formação da simaquia como um efeito da tentativa de ataque ao Pireu pelo harmostas de Téspias (Ages. 26.1; Pel. 15.1). Mas porquê atacar ousadamente a polis ateniense se não constituía, à partida, qualquer perigo para a Machtpolitik lacedemónica? Os indícios de suborno são rebuscados e pouco plausíveis mesmo que os Tebanos quisessem com isso envolver os Atenienses na guerra com Esparta ou aproveitar a ausência de Esfódrias para tentar o assédio a Téspias 43 . Se esta última seria uma das razões, nem Xenofonte nem Plutarco a corroboram. Por outro lado, se atentarmos nas dicotomias internas da sociedade espartana e orientação política das duas casas reais lacedemónicas – a Ágida e a Euripôntida – a problemática ganha outro relevo. Esfódrias pertencia à facção adversária de Agesilau (Plut. Ages. 24.3; Xen. Hell. 5.4.25) e podemos deduzir que talvez tivesse havido incitamento interno (e não externo) para atacar o Pireu, caso se apropriasse 44 . As hipóteses de êxito eram relativamente elevadas pois o porto ateniense achava-se sem estruturas defensivas, devido à Paz de 387 que continuava em vigor (Xen. Hell. 5.4.20). O sectarismo espartano foi decerto condicionante 45 , mas mesmo a condução de um empreendimento sem qualquer justificação palpável era “um tiro no escuro”. Com efeito, a fundamentação só poderá estar por detrás da crescente influência ateniense no Egeu e na materialização de um perigo evidente e imediato para as linhas duras mais conservadoras de Esparta 46 . As negociações com Olinto, em 384/383, demonstraram a tentativa da cidade de Palas em se exteriorizar para além do seu espaço e apenas o malogro desse potencial pacto levou os Atenienses a encetar esforços graduais na revitalização da política de alianças no Egeu, sobretudo, a partir de 382, quando Tebas caiu inadvertidamente sob domínio
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Eusébio de Cesareia e a defesa do patrimônio imobiliário cristão (século IV d.C.)

Eusébio de Cesareia e a defesa do patrimônio imobiliário cristão (século IV d.C.)

Sim, aqueles loucos o suficiente para se colocar em oposição à Deus tiveram o seu fim. Mas aquele que triunfou sob o Signo da Salvação [...] fez novas estruturas ainda mais fortes do que as que haviam sido derrubadas [...]. Ele não só embelezou a cidade que leva o seu nome, com distintas salas de reuniões, como honrou a capital de Bitínia com uma das maiores e mais belas congregações, e ele também adornou as capitais das províncias restantes a cargo de seus iguais. Dois locais no Oriente se destacaram dos demais – um na Palestina [...] e outro na metrópole oriental que glorifica o nome de Antíoco. Neste último lugar, por ser a capital de toda a região dedicou uma estrutura maravilhosa e única por seu tamanho e beleza [...]. Na nação Palestina, no coração do reino hebreu, no lugar de evidência para a salvação, ele edificou uma enorme casa de oração [...]. E certamente esta é a maior prova do poder dAquele que ele honra, que tem exercido a justiça de modo tão imparcial e dado a cada um o que lhe é devido (EUSÉBIO DE CESAREIA, Louvor a Constantino, IX, 14-19).
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Esparta como Vontade e como Representação:

Esparta como Vontade e como Representação:

Mas para darmos vazão à concepção, ao saber formulado ainda em finais de século V início do IV a.C. 4 a respeito de Esparta ratificado nas fontes, deveremos realizar uma leitura para além da escrita, pois procedendo assim, tomando a fonte como elemento irretocável e inquestionável, poderíamos apenas seguir os itinerários das fontes, falando apenas o literal, aquilo já previsto pelas intencionalidades do autor. Nosso intento é partir de uma leitura mais ampla, que coloca o ato de escrever-construir em um contexto maior, tudo aquilo que está à volta do ato, a Escritura, tal qual a proposta de Jacques Derrida. Pensar que no ato da escrita de Xenofonte, este predisporá uma série de vontades e intentos que não estão propriamente escritos no texto, mas feita uma análise que encontra o contexto de produção pode-se localizar, pequenas frestas, ressonâncias das disputas nas quais Xenofonte estivera envolvido.
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C LEYT O NZ A NA RD O D EO L IV E IRA M ODELOW

C LEYT O NZ A NA RD O D EO L IV E IRA M ODELOW

Quando um grupo de pacientes ´e seguido at´e uma data pr´e-estabelecida para a obser- va¸c˜ao do tempo at´e a ocorrˆencia de um evento, pode acontecer que, na data de t´ermino do acompanhamento, uma parcela do grupo n˜ao tenha ainda sofrido o evento de interesse. Quando ocorre, ainda que se estenda o prazo, existem ind´ıcios de que um modelo ade- quado para a fun¸c˜ao de sobrevivˆencia te´orica do tempo at´e a ocorrˆencia do evento seja um modelo que comporte esse tipo de dados. Denomina-se classe de modelos de longa dura¸c˜ao, pois a forma apresentada pela estimativa n˜ao param´etrica da fun¸c˜ao de risco, nesse tipo de estudo, indica que o modelo deve ser flex´ıvel no sentido de permitir que a fun¸c˜ao de risco seja uma fun¸c˜ao crescente, decrescente, constante ou em forma de U. Para estimar essa curva de sobrevivˆencia de forma param´etrica, a classe de modelos de longa dura¸c˜ao foi estudada inicialmente por Boag (1949) e Berkson e Gage (1952), Farewell (1977, 1982, 1986), Greenhouse e Wolf (1984) e, posteriormente, Ghitany e Maller (1992, 1994), Ghiany (1993), Maller e Zhou (1996), Chen et al. (1999), Cancho e Bolfarine (2001) e Rodrigues et al. (2009).
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A espada em forma de cruz: honra, serviço e fidelidade na busca por hábitos das Ordens Militares na primeira metade do Século XVIII em Pernambuco

A espada em forma de cruz: honra, serviço e fidelidade na busca por hábitos das Ordens Militares na primeira metade do Século XVIII em Pernambuco

Percebeu-se, através das trajetórias individuais, as diversas estratégias utilizadas para a obtenção de hábitos. Via de regra, e ensaiando brevemente uma configuração de tipo ideal, pode-se afirmar que o pretendente à cavaleiro na primeira metade do século XVIII prestou mais de dez anos de serviços militares e pede o hábito em favor de si próprio, tentando aumentar sua qualidade social. Lutou na Guerra dos mascates, porém incrementa suas folhas corridas com pelejas contra o gentio bárbaro, os negros aquilombados e os piratas da costa, fazendo sempre questão de apresentar o risco de vida corrido e as fazendas gastas. Natural de Pernambuco, acaba circulando por este espaço, integrando-o à outros da América Portuguesa, adentando nos sertões e viajando nas galés, busca não apenas cumprir o Real serviço, mas se nobilitar no Ultramar, se constituindo assim, enquanto elite política, econômica e simbólica.
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Sonho e cura: o culto de Asclépio em Epidauro entre os séculos IV e II a. C.

Sonho e cura: o culto de Asclépio em Epidauro entre os séculos IV e II a. C.

É possível perceber que, com o tempo, a ideia que se faz de Asclépio se torna extremamente complexa, em relação à cura. Um único deus agrega as três noções de doença e cura que pertenciam a espaços e seres diferentes. Ele sozinho pode curar os deuses, no espaço sagrado, pode curar as doenças morais e sagradas trazidas por deuses aos homens, efetuando uma ligação entre espaço profano e sagrado, e pode curar ainda as feridas feitas em homens pelos próprios homens, no espaço profano. Com isto, temos então uma figura que, paulatinamente, vai englobando as esferas de atuação das outras divindades de tal forma que apenas ela pode ser solicitada para uma série de problemas cotidianos.Ν“Pean”,ΝporΝexemplo,ΝtambémΝseráΝumΝtítuloΝritualΝeΝoΝhinoΝdeΝconsagraçãoΝ dedicado a Asclépio, os relevos e as inscrições dedicados a este deus superará a de todas as outras divindades gregas 80 . No final do século V a. C., o culto epidaurense de Asclépio será transladado para a cidade de Atenas e o deus ganhará até mesmo um dia nos famosos Mistérios de Elêusis, chamado de Epidauria 81 . Na segunda metade do século IV a. C., o Asclepeion de Epidauro passará por uma série de reformas que o tornará bem maior e mais suntuoso do que o do seu pai, Apolo Maleata, no alto do monte Kynortion. O culto epidaurense de Asclépio se tornará tão bem sucedido que mesmo o oráculo de Delfos legitimará Epidauro como pátria verdadeira do deus 82 , sua origem tessaliana, como pudemos ver no mito acima, será apenas uma reminiscência distante, ela figura apenas como a pátria de Flégias, o seu avô materno.
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Culto à guerra: uma abordagem historiográfica do militarismo na Esparta Clássica

Culto à guerra: uma abordagem historiográfica do militarismo na Esparta Clássica

As fontes também relatam os jogos reais propostos por Agesilau: durante a sua estadia em Éfeso, o rei Agesilau, a fim de treinar suas tropas, oferece prêmios para as melhores unidades de hoplitas (Xen. Hel. 3. 4. 16), contudo o treinamento das unidades não se dá no campo treinando movimentos em grupo, aperfeiçoando suas formações ou melhorando suas habilidades com as armas, mas sim, nos ginásios. Isto nos ajuda a entender que a preparação espartana para a guerra voltava-se para o condicionamento físico de seus cidadãos e não para manobras ensaiadas ou outras táticas treinadas exaustivamente que os inimigos de Esparta vieram a supor. Hodkinson observa que foram as atividades ginásticas, atividades de lazer das elites em todo o mundo grego, que penetraram nos tempos de guerra, e não o contrário (2006, p. 138). Esta observação é importante tendo em vista que vencer os jogos propostos pelos reis elevava o vitorioso a um dos lugares de maior prestígio dentro da sociedade espartana: a unidade de guarda-costas do rei. Ainda, Xenofonte nos indica que durante uma campanha, quando o exército não está combatendo, os espartanos deveriam exercitar-se duas vezes por dia (Const. Lac. 12. 5), o que revela uma compulsão oficial por regular os exercícios físicos. O autor não dá evidências de que os ginásios seriam projetados para o treinamento militar específico, mas sim como uma instituição cívica (HODKINSON, 2006, p. 137-138).
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Da Pena à Espada: Xenofonte e a Representação de Esparta em A Constituição dos Lacedemônios

Da Pena à Espada: Xenofonte e a Representação de Esparta em A Constituição dos Lacedemônios

Nesta proposta, alguns aspectos são essenciais quanto à sua abordagem, o primeiro deles é observar a estreita relação de Xenofonte com sua própria época, traçando, dessa maneira, um estudo biográfico, principalmente, através de Diógenes Laércio e Pausânias, bem como comentários de J. K. Anderson (1974), Edward w. Higgins (1977), e Noreen Humble (1997, 1999). O início da vida de Xenofonte é turbulento. Nasce sob o sítio espartano a Atenas em c. 431, e na juventude entra em contato com Sócrates, o mestre que tanto lhe influenciara. Em sua juventude, a Hélade vive um momento crucial na crise que levou a termo a autonomia das póleis gregas, época de julgamento e morte de Sócrates, fato que choca toda uma geração de alunos do referido filósofo, entre eles Xenofonte e Platão, só para citar alguns; época em que as interações entre o mundo grego e os povos ao seu redor estão acirradas, tanto através dos constantes conflitos entre gregos e Sátrapas 3 da Ásia menor 4 , como entre os próprios gregos que queimam o interior da Hélade com a Guerra do Peloponeso. Período em que Esparta, através das manobras de Lisandro, bate os atenienses e instaura uma efêmera hegemonia espartana na Hélade.
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Apropriação Simbólica (e Senhorial!) da Natureza na Península Ibérica (século IV-VIII)

Apropriação Simbólica (e Senhorial!) da Natureza na Península Ibérica (século IV-VIII)

Abstract: I propose, in this article, to address the concept of nature and the relations established by men with this "laboratory of inorganic existence" expressed in various sources developed in the context of the Iberian Society of the IV to VIII century. The period in question saw the broadcasting of a conception of nature as a work of Creation and granting divine to human enjoyment, a gift of a supreme deity that introduced the primary element of men irrevocable dependency. Translating it to a sample expression, the Christian conception of the world (and of nature, of course) conveyed by tge Iberian’s elites was based, focused and structured around the performance and display of power, placing the deity in the course of history and, from this insertion, unveiling a sacred social order founded on personal ties, dependencies, loyalties, power and submission.
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Crimes contra a honra na internet

Crimes contra a honra na internet

A exposição de motivos do projeto afirma que jornais e revistas têm critérios editoriais para evitar um crime contra a honra, enquanto tais critérios não existem na internet, justificando a diferenciação de penas. Tal linha de raciocínio é descabida, pois viola a isonomia, tratando de forma desigual duas pessoas que cometem o mesmo delito, também é uma regra que privilegia as grandes empresas de comunicação, já protegidas por equipes legais altamente qualificadas, enquanto amedronta a mídia independente na internet e os pequenos autores de blogs virtuais, que serão intimidados pela lei mais gravosa, o que poderia prejudicar justamente os elos mais fracos na mídia de notícias, facilitando o oligopólio das grandes mídias.
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O Zhuāngzǐ e as palavras-cálice: uma visão de linguagem pragmática radical na China do século IV aC

O Zhuāngzǐ e as palavras-cálice: uma visão de linguagem pragmática radical na China do século IV aC

A primeira parece mais óbvia: ao contrário de armadilhas para peixes e coelhos, as palavras não são descartáveis, elas permanecem relevantes, mesmo após serem “entendidas.” Essa inter[r]

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Igreja, Conflito e Poder no Século Iv D.c.: joão Crisóstomo e o Levante das Estátuas em Antioquia

Igreja, Conflito e Poder no Século Iv D.c.: joão Crisóstomo e o Levante das Estátuas em Antioquia

sobre as estátuas ao povo de Antioquia, de João Crisóstomo – nossa pesquisa pretende compreender a posição de João Crisóstomo frente ao conflito, de modo a identificar a posição social do bispo como interlocutor na sociedade romana da época, a natureza de sua intervenção na resolução do conflito e a interpretação que produz dele. Além disso, buscamos compreender ainda a importância política das imagens imperiais, considerando os aspectos simbólicos da destruição das estátuas em Antioquia. Como hipótese, sugerimos que a intervenção cristã no conflito de Antioquia representa uma redefinição das atitudes e comportamentos da Igreja frente aos levantes populares no século IV, uma vez que o envolvimento da Igreja nas dimensões social, econômica e política passou, após 312, à esfera de responsabilidades dos eclesiásticos, que são alçados à categoria de defensores das suas respectivas comunidades. Para a análise da documentação optamos pelo método da Análise de Conteúdo e pela técnica de Análise Categorial. Ambos aplicados aos discursos contribuem para uma análise sistemática, cujos procedimentos objetivos permitem ultrapassar a superficialidade de uma leitura impressionista. Por meio desses instrumentos, a leitura torna- se mais produtiva e rigorosa. Entrelaçado a essa metodologia está o quadro teórico que empregamos na análise da documentação. Diante do nosso objeto de estudo, os conceitos de política, conflito e representação são especialmente importantes. Provenientes da nova História Cultural e da Ciência Política, tais conceitos são utilizados no tratamento da documentação para que se possam compreender as especificidades do conflito de Antioquia.
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Arena da fé: a pregação como vetor teológico de conflitos em Ambrósio de Milão em fins do IV século

Arena da fé: a pregação como vetor teológico de conflitos em Ambrósio de Milão em fins do IV século

Decorrente de tudo isto, concluímos, no sentido de proposta, que o He- xaëmeron ambrosiano do século IV possui dupla estruturação e duplo objetivo: os primeiros, já abordados mais acima, seriam voltados para a Teologia da Criação propriamente dita, trazendo exegeses sobre o texto bíblico de Gn 1,1 – 2, 4a., estru- turando a obra em sermões que abordam cada um dos seis dias da criação, acrescen- do o sétimo dia como epílogo da obra, assim, do ponto de vista ortodoxo/niceno, a obra se encaixa devidamente no espírito das celebrações eclesiais da Semana Santa. Já o segundo objetivo da obra seria o enfrentamento aberto de situações que ques- tionavam a vivência eclesial cristã e precisavam de um posicionamento por parte da autoridade eclesial. Daí, propomos que há uma clara segunda estruturação paralela aos seis dias da criação no Hexaëmeron em seis conflitos abertos em Milão e que são tratados na obra: 1) o problema da filosofia grega da eternidade e da origem do mundo, atingindo também judeus e arianos por conta da criação pelo Verbo; 2) em- bate contra o dualismo helenista tão presente entre arianos, eunomianos e gnósticos sobre a bondade do mundo e da matéria; 3) proteção da Igreja contra os interesses mundanos, o que incide direto na relação das autoridades imperiais com as ecle- siais, no sentido da manutenção da unidade da Igreja; 4) luta contra o paganismo e concretização da moral cristã, livre de vícios e degradação; 5) proposta de uma ética relacional apoiada na antropologia bíblica que não despreza os corpos; e 6) inclusão de todo ser humano ao chamado da salvação e não apenas aos privilegiados sociais. Sob nosso ponto de vista esta dupla estruturação da obra chega ao ouvinte/leitor de modo espelhado, ou seja, ao mesmo tempo que o Bispo teologa a doutrina cristã nicena, ele legisla e se investe da autoridade que incide e transforma seu meio social,
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Maria e Lúcia: a busca da honra

Maria e Lúcia: a busca da honra

Embora unidas têm características diferentes: Maria é alma e Lúcia é corpo, os nomes se opõem e se completam, como se a primeira fosse a representação da santidade e a segunda a visão do pecado. Dessa forma, consideramos que ambas se complementam e se distanciam, pois assim como todo ser humano, ninguém é puro ou santo de forma completa. Com um romance urbano, a obra de José de Alencar, retrata com muitos detalhes, a realidade da sociedade carioca do século XIX, Alencar com suas obras, crítica de forma excepcional, a hipocrisia e a desigualdade social que rondava a sociedade daquela época. O amor é o tema central do romance, assim como, o papel da mulher e a importância da família e do casamento para que elas fossem vistas com bons olhos pela sociedade. É importante, contudo ressaltar, que o amor naquela época era visto como um amor sublime, um amor idealizado que se sacrificava, era heroico, idealizado e capaz de tudo.
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As principais mutações semânticas do Élenkhos do século VIII A.C. ao início do século IV A.C.: um breve estado da questão

As principais mutações semânticas do Élenkhos do século VIII A.C. ao início do século IV A.C.: um breve estado da questão

Ainda que a significação de élenkhos retomada por Aristóteles remonte, de algum modo, a Platão, não devemos esquecer que para este filósofo o termo tem outros sentidos. Além dos dois tip[r]

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O silêncio e a (des)honra de Lavínia

O silêncio e a (des)honra de Lavínia

mesma pena ganha força e expressão dra- mática para a condução da história ao seu desfecho. Não bastando ter o seu corpo mutilado e em escárnio apresentado, o si- lêncio imposto faz encerrar à personagem a dolorosa memória latente do acontecido, o que reforça sua dor junto do público. Um silêncio plangente se sobrepõe a um anti- go silêncio obediente, que nos momentos finais da peça assume ares de resignação (ou mesmo de absoluta renúncia ao pró- prio existir), em favor da honra, agora não mais somente sua, mas também a de todas as outras personagens que sofreram mu- tilações de ordens quaisquer na defesa da probidade romana: Quinto, Márcio, Múcio, Bassiano e, sobretudo, Tito.
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Dionísio e Adonis: as festas em sua honra

Dionísio e Adonis: as festas em sua honra

Esta passagem justifica a introdução do culto de Dioniso em Tebas: a vingança do deus por não ser reconhecido como tal, nem como filho de Zeus, pela própria família.. E, para isso, ele[r]

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Repositório Institucional UFC: Honra, terra e violência: o mundo dos homens pobres livres do sertão cearense do século XIX

Repositório Institucional UFC: Honra, terra e violência: o mundo dos homens pobres livres do sertão cearense do século XIX

Analise de outros significados de ser "homem honrado" dentro do contexto das mudanças sociais e conflitos r recursos produtivos no campo cearense encontra-se em SANTOS, M artha S[r]

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