Top PDF Introdução à libras: língua, história e cultura

Introdução à libras: língua, história e cultura

Introdução à libras: língua, história e cultura

O uso de sinônimos é importante, pois, em decorrência dos de- sastrosos processos de ensino e aprendizagem a que a maioria dos sujeitos surdos foi submetida - e essa temática será desenvolvida posteriormente -, a maioria destes apresenta domínio lexical da língua oral bastante restrito. Em função disso, o significado de termos básicos de conversação para os ouvintes pode ser desconhecido para muitos sujeitos surdos, o que faz do uso de sinônimos uma alternativa plausível. Contudo, destaca-se que a sugestão é de uso de sinônimos e não de subtração de texto, quando se opta por, simplesmente, fazer um resumo simplório da ideia original. Para compreender melhor o desconforto causado pela tendência de repassar permanentemente aos surdos apenas um resumo do que falantes da lín- gua oral compartilham oralmente, transcreve-se o depoimento de dois sujeitos surdos:
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Introdução à libras: língua, história e cultura

Introdução à libras: língua, história e cultura

Talvez seja fácil definir e localizar, no tempo e no espaço, um grupo de pessoas; mas quando se trata de refletir sobre o fato de que nessa co- munidade surgem – ou podem surgir – processos culturais, é comum a rejeição à ideia da "cultura surda", trazendo como argumento a concepção da cultura universal, a cultura monolítica. Não me parece possível compre- ender ou aceitar o conceito de cultura surda senão através de uma leitura multicultural, ou seja, a partir de um olhar de cada cultura em sua própria lógica, em sua própria historicidade, em seus próprios processos e produ- ções. Neste contexto, a cultura surda não é uma imagem velada de uma hipotética cultura ouvinte. Não é seu revés. Não é uma cultura patológica. Contudo, vale destacar que quando a cultura surda é perspectiva- da como uma possibilidade, na maioria das vezes está atrelada à visão de uma "cultura patológica", conforme referido por Skliar, de maneira que a condição de menos-valia atribuída aos surdos se reflete na sua cultura, im- putando a ela caráter de inferioridade em relação à cultura ouvinte. Deste modo, o que se percebe é uma atitude de tolerância em relação à cultura surda, como acontece com a de outros grupos minoritários, pelo que se instaura um multiculturalismo sem:
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Uma introdução ao estudo da Antiguidade grega: Do ensino de cultura ao ensino de língua e literatura

Uma introdução ao estudo da Antiguidade grega: Do ensino de cultura ao ensino de língua e literatura

criações artísticas quanto em nossas investigações científicas. É certo que a Antiguidade grega também apresenta facetas terríveis, que jamais devem ser deixadas de lado ou esquecidas: rebaixamento da mulher, exclusão do estrangeiro, emprego de mão de obra escrava, para citar apenas as mazelas mais óbvias. Ainda assim, diante da análise de tudo aquilo que o estudo da Antiguidade grega continua a oferecer hoje, por meio de sua cultura, sua língua e sua literatura, acredito estar evidente a necessidade de defendermos um aumento de sua participação em nossa educação. Isso, contudo, não deve ser proposto em detrimento do estudo das culturas, línguas e literaturas de outros povos, mas em chave complementar, suscitando o pensamento crítico por meio de ricas abordagens comparadas. É claro que resta a investigar de que forma esse aumento pode ser feito da melhor maneira em cada um dos níveis de nossa educação, mas sua pertinência hoje me parece incontornável. A opção do Renascimento Italiano, do Neoclassicismo Francês e do Primeiro Romantismo Alemão foi nessa direção e, como resultado, testemunhamos alguns dos momentos de maior efervescência intelectual de nossa história. Talvez seja a hora de nós também nos juntarmos a eles.
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A escrita do aluno surdo: interface entre a libras e a língua portuguesa

A escrita do aluno surdo: interface entre a libras e a língua portuguesa

A escrita de André e as produções referidas por Peixoto remetem a escrita da língua de sinais conhecida também como Sign Writing 7 . Essa modalidade de escrita vem sendo tema de interesse de pesquisa de diversos estudiosos. Dentre eles, um grupo de professores pesquisadores da Universidade Luterana no Brasil – ULBRA, Canoa / RS, composto por Carolina Hessel, Fabiano Rosa e Lodenir Karnopp, publicaram a história infantil Cinderela Surda (2003) que é uma paródia da clássica história de Cinderela. O objetivo dos autores foi recontar uma história a partir de uma outra cultura, uma cultura surda. O livro foi construído com base em uma experiência visual, com imagens. O texto foi reescrito dentro da cultura e identidade surda e da escrita da língua de sinais. No enredo, Cinderela é uma jovem surda, que convive com a madrasta e as irmãs que sabem pouco a língua de sinais. O encontro com o príncipe é surpreendente, pois ele é surdo e comunica-se com Cinderela em sinais. É importante mencionar que dentre os três autores dessa obra, dois são surdos.
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O intérprete de libras no ensino superior: sua atuação como mediador entre língua portuguesa e a língua de sinais

O intérprete de libras no ensino superior: sua atuação como mediador entre língua portuguesa e a língua de sinais

A terceira seção refere-se ao “profissional intérprete de Libras” contando a história e conquistas no Brasil do povo surdo que muito lutou para ter direito a uma educação que respeitasse a sua identidade, cultura e língua. Quadros (2002 e 2004) em seus livros publicados pelo MEC aborda as competências que o interprete de língua de sinais deve desenvolver, tais como lingüísticas, de transferência, metodológicas, na área, bicultural e técnica. Além de Quadros, outras referências são discutidas mostrando a luta para o reconhecimento da profissão de intérprete, tal qual Sanders (2010, p. 129). Sanders apresenta como uma grande conquista da profissão o fato de possuir seu numero de registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com discussões avançadas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Para a CBO, a Federação Brasileira dos Profissionais Intérpretes de Língua de Sinais (FEBRAPILS) está lutando pela regulamentação da profissão mais breve possível.
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A História da Língua de Sinais Brasileira (Libras): um estudo descritivo de mudanças fonológicas e lexicais

A História da Língua de Sinais Brasileira (Libras): um estudo descritivo de mudanças fonológicas e lexicais

A presente pesquisa tem como objetivo resgatar a parte da história da evolução da Libras, buscando o entendimento de um dos fenômenos linguísticos, a mudança presente no uso desta língua de sinais. Este resgate foi realizado por meio da recuperação de três registros históricos: os dicionários de sinais produzidos em épocas distintas. Com a recuperação destes documentos, são realizadas as etapas como o levantamento, a descrição e a análise comparativa dos sinais destes três dicionários do qual são classificados os sinais nas três categorias de sinais: os sinais idênticos, os sinais em mudança fonológica e os sinais em mudança lexical. Nos sinais em mudança, são analisadas as restrições físicas e visuais a partir das propriedades manuais e visuais na produção de sinais e percepção visual. Os resultados desta análise mostram que o processo da mudança nos sinais com alto grau da iconicidade percorre em direção à arbitrariedade no decorrer dos anos, através destas restrições fonológicas. Além da análise comparativa dos sinais, há a análise da discussão sobre os fatores socioculturais que nos levam a entender o funcionamento da Libras em relação aos falantes surdos e ouvintes e seu contato com a Língua Portuguesa no cotidiano da nossa sociedade.
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Produção de textos paralelos em língua portuguesa e uma interlíngua de libras

Produção de textos paralelos em língua portuguesa e uma interlíngua de libras

Nesse sentido, um sistema de escrita que se aproxime da língua de sinais é uma porta que se abre no processo de alfabetização do aluno surdo que domina a língua de sinais usada no País. Este sistema envolve a composição das unidades mínimas de significado da língua, formando estruturas em forma de textos [QUA06]. Existem sistemas não alfabéticos que representam as unidades morfológicas para escrita de línguas de sinais – tais como o SignWrinting [SIG08] e o Elis [EST08], por exemplo –, mas não são difundidos ainda. Sendo assim, a atividade da escrita em português, como parte da aprendizagem da segunda língua, implica à ocorrência de um fenômeno natural interpretado como a formação de uma interlíngua entre a L1 e a L2. Finau [FIN07] analisa a formação dessa interlíngua como sistema linguístico organizado em uma “Gramática Mental” que sofre influência da língua nativa (L1) do aprendiz e da língua alvo (L2). Além disso, essa gramática também pode ser influenciada pelo próprio processamento interno, o que gera a transferência de regras, a omissão de estruturas e as generalizações. Portanto, ela muda com o tempo, e isso pode ser percebido quando o usuário adiciona ou apaga regras aumentando gradativamente a complexidade de seu conhecimento em relação à L2.
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A AQUISIÇÃO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (Libras) PELA FAMÍLIA DO SURDO

A AQUISIÇÃO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (Libras) PELA FAMÍLIA DO SURDO

Selecionar uma metodologia adequada para educar os surdos requer de pais, educadores e especialistas uma visão histórica-crítica da realidade Surda ao longo dos tempos. De acordo com Lacerda (1996) podemos distinguir duas iniciativas de educação de surdos: o Oralismo e o Gestualismo. Os primeiros exigiam que os surdos se reabilitassem, superassem sua surdez, falassem, e de certo modo, se comportassem como se não fossem surdos. Impuseram a oralização para que os surdos fossem aceitos socialmente e, neste processo, deixava-se a imensa maioria dos surdos exclusos de toda possibilidade educativa, de desenvolvimento pessoal e integração na sociedade, obrigando-os a se organizarem de forma quase clandestina. Os Gestualistas eram mais tolerantes frente às dificuldades do surdo para a língua falada e foram capazes de perceberem que os surdos desenvolviam uma linguagem, ainda que diferente da oral, eficaz para a comunicação, abrindo- lhes as portas para o conhecimento da cultura, incluindo aquele dirigido para a língua oral.
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O discurso verbo-visual na língua brasileira de sinais - Libras.

O discurso verbo-visual na língua brasileira de sinais - Libras.

Foi Austin (1962) quem, pela primeira vez, conceituou esses atos de fala; posteriormente, seu ex-aluno, Searle (1994), contestou algumas questões que considerou ambíguas com relação à distinção entre atos ilocucionários e perlocucionários de seu professor. No entanto, embora ambos tivessem trabalhado esses atos enquanto ações que se realizam na comunicação enquanto fala (parole), seus posicionamentos estão relacionados à convencionalidade na língua (langue), uma vez que para eles, ao se proferir uma frase – ato locucionário, ela está relacionada a um certo sentido e referência. Aqui, nesse artigo, esses atos de fala estão sendo refletidos a partir de uma perspectiva bakhtiniana e não saussuriana, em que esses atos não estariam relacionados apenas à forma linguística verbo-auditivo utilizada em um enunciado com seu sentido já estabelecido. O ato locucionário, expresso através de um enunciado, coexiste com um ato ilocucionário do locutor em enunciações, que implicam situações sócio-históricas ideológicas. Esse locutor interage com seu interlocutor, que executa um ato perlocucionário. Esses atos de fala podem ser apreendidos nas enunciações, não estando apenas na formulação específica de um enunciado enquanto ato locucionário e é essa dinâmica sócio-comunicativa que estabelece o dialogismo e a polifonia na enunciação.
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FORMAÇÃO DOCENTE PARA O ENSINO DA LIBRAS: SINGULARIDADES E VALORIZAÇÃO DA LÍNGUA

FORMAÇÃO DOCENTE PARA O ENSINO DA LIBRAS: SINGULARIDADES E VALORIZAÇÃO DA LÍNGUA

The recognition of Libras in Brazil with Law 10.436 / 02 and of Decree 5626/05 made it possible to offer the discipline of Libras being initially offered in undergraduate courses. It was from these legislations that they established norms and criteria for the implementation of the discipline of Libras that the graduation courses began to offer in a perspective not only of learning of a language, but in order to opportunize the breaking of paradigms. The creation and offer of the degree course in Libras Letters to train qualified and qualified professionals to act in the educational area as teachers of Libras emerges in compliance with the current public policies. Initially the Libras degree course was offered only to the deaf in the year 2006, and after 2008, there was the creation of the Bachelor's Degree in Libras Literature to train professional translators and interpreters of Libras. In this perspective, the present article reflects on the teacher training for the teaching of the Libras and the curriculum that is contemplated in the degree courses that obligatorily offer the discipline of Libras, because in the other baccalaureate courses the discipline of Libras is offered as optional.
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O ensino da língua portuguesa para os alunos surdos por meio da libras

O ensino da língua portuguesa para os alunos surdos por meio da libras

Este artigo se constitui em trabalho de conclusão de curso e enfoca as necessidades do aluno não ouvinte e os desafios que ele percorre para aprender a língua portuguesa, como L2 (segunda língua). Leva em consideração a língua de sinais como uma língua, mesmo não sendo falada, porque ela cumpre o seu real papel que é o de comunicar. Por ser distinta da língua portuguesa, mais investimentos devem ser determinados, sejam eles, recursos humanos e/ou materiais. O respeito às diferenças e à valorização do indivíduo deve ser entendido e praticado por todos em defesa da identidade, uma vez que esta é acompanhada da história de cada um, seja individual ou coletivamente. Neste processo educacional que visa à inclusão do surdo, é necessária uma ação conjunta. Isto significa que todos devem se unir em prol desta causa, tanto se forem da família do surdo, como também os professores, o próprio surdo, os alunos ouvintes e o estado com políticas públicas que propiciem ações no sentido de auxiliar os processos de inclusão do surdo como um todo. É importante, contudo, não considerar este percurso como algo apenas de responsabilidade de uma minoria; é preciso demonstrar a importância de um olhar cidadão, com igualdades sociais e direitos que devem ser assegurados. Este é um procedimento que contraria o pensamento “coitadinho do surdo”.
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Da teoria à prática: experienciando a leitura com libras e língua portuguesa

Da teoria à prática: experienciando a leitura com libras e língua portuguesa

criança é capaz de filtrar de forma rápida e precisa informações que necessita para seu desenvolvimento, utilizando em sua linguagem dois processos: o verbal e o não verbal. Crescemos ouvindo (na maioria das vezes) nossos familiares falando conosco. A forma de entendermos o mundo, nosso pensamento, começa a partir da construção da consciência, que se dá pelas palavras, pelo nome das coisas que existem no mundo e que depositamos nessa consciência, lugar onde guardamos as ideias, os significados, as palavras. No entanto, a surdez congênita e pré-verbal age como um inibidor da aquisição da linguagem verbal, o que prejudica o processo de desenvolvimento da criança surda, quase sempre a impedindo de exercer sem ressalvas seu papel na sociedade. No que diz respeito às crianças surdas, elas desenvolvem espontaneamente um sistema de “gesticulação manual” para tentar se integrar ao meio onde vivem. A pessoa surda pode se expressar por intermédio de gestos ou por meio da língua de sinais, porém, privada da audição, ela encontrará barreiras para o aprendizado e uso de línguas orais, como a Língua Portuguesa, mas isso não significa que não tenha as mesmas possibilidades de interação que o ouvinte.
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Introdução à história da filosofia antiga.

Introdução à história da filosofia antiga.

Como já foi afirmado por Reale (Vol. I, 1994, p.11, 13), não temos acesso a nenhuma evidência histórica ou arqueológica que deem guarida à Tese Oriental. Acrescente-se a isso o fato razoável de que os conceitos filosóficos demandam o uso de expressões linguísticas refinadas (Reale, Vol. I, 1993, p.15), e não a linguagem utilizada nas relações comerciais. Sem o domínio da língua sofisticada manejada pela Filosofia, onde subjaz sua terminologia, não haveria possibilidade da existência da mesma. Não devemos esquecer que sem a língua grega não teríamos o que conhecemos por Filosofia, na medida em que toda a terminologia filosófica origina-se grega, bem como os conceitos têm origem na filosofia grega. Poderia ser objetado que o alfabeto grego tem origem no alfabeto fenício, composto por vinte e dois signos que eram idênticos a vinte e duas consoantes. A resposta parece clara; até no âmbito do alfabeto os gregos atuaram, introduzindo no alfabeto herdado da Fenícia, progressivamente, as vogais, o que certamente influenciou a linguagem filosófica (Conche, 1991, p.6).
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Reflexões sociolinguísticas sobre a libras (Língua Brasileira de Sinais)

Reflexões sociolinguísticas sobre a libras (Língua Brasileira de Sinais)

Todavia, é basicamente a partir de Weinreich, Labov e Herzog (2006) (WLH daqui em diante) e das primeiras pesquisas sociolinguísticas empreendidas principalmente por William Labov na década de 1960, que é proposto o desenvolvimento de uma perspectiva efetivamente social para a linguística, em que a língua é entendida como um sistema heterogêneo em uso numa comunidade de fala e sujeita a pressões linguísticas e extralinguísticas (sociais). A fim de enfrentar os problemas descritivos descartados na abordagem estruturalista, a sociolinguística se consolida a partir da eleição do estudo da variação e da mudança linguística, atributos vinculados grosso modo às noções de langue e desempenho. WLH defendem que qualquer análise linguística precisa dar conta daquilo que é parte constitutiva e fundamental de toda língua, a saber, a mudança linguística, e que fora, de certo modo, deixado de lado pelos estruturalistas, ocupados principalmente com a descrição sincrônica. A problematização do pensamento saussuriano é construída por WLH a partir da própria definição estruturalista de sistema: “se uma língua tem de ser estruturada, a fim de funcionar eficientemente, como é que as pessoas continuam a falar enquanto a língua muda, isto é, enquanto passa por períodos de menos sistematicidade?” (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006, p. 87). A solução para o dilema seria o rompimento da identificação entre estruturalidade e homogeneidade. Os autores propõem, portanto, um modelo de análise linguística que seja capaz de descrever a heterogeneidade ordenada, ou seja, a variação, considerando que nem toda variação leva à mudança, mas toda mudança pressupõe um período anterior de variação (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 2006, p. 126).
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A influência da língua portuguesa na produção da libras na perspectiva de translinguagem

A influência da língua portuguesa na produção da libras na perspectiva de translinguagem

Neste artigo, propomos uma discussão sobre a influência da língua portuguesa na produção da libras, orientada principalmente pela concepção da translinguagem (GARCÍA, 2009), uma vez que o contato dessas línguas resulta em uma produção que excede os limites conceituais tradicionais sobre os fenômenos de línguas em contato. Para a autora, translinguagem são as práticas discursivas múltiplas nas quais os indivíduos bilíngues se engajam a fim de significar seus mundos bilíngues. Este trabalho é resultado da análise criteriosa da observação da produção em libras de duas alunas surdas durante a realização de uma tarefa colaborativa de produção de um texto escrito em língua portuguesa. O objetivo foi verificar a influência da língua portuguesa na libras, aparente na fala das alunas, durante as discussões para a produção do texto sob os pressupostos da translinguagem. A mudança de código, o empréstimo, a transferência e a datilologia são movimentos linguísticos de uma língua para outra a partir do contato de ambas, ao passo que a translinguagem, não só leva em conta esses movimentos linguísticos como, principalmente, enfatiza o potencial das zonas liminares linguísticas dos bilíngues como um instrumento mediador de sentido.
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UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PARA OS POBRES

UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PARA OS POBRES

Tendo como principal instigador o Barão de Gerando, o método mutual se estabelece na França como uma proposta liberal de educação, que não aceitava a participação do Estado na educaçã[r]

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O papel do tradutor/intérprete de libras nas aulas de língua portuguesa

O papel do tradutor/intérprete de libras nas aulas de língua portuguesa

A presente monografia surgiu do interesse de pesquisar a efetividade das leis inclusivas que determinam o acesso e permanência de alunos surdos em escolas regulares e a presença do tradutor/intérprete educacional de Libras nesse ambiente. Sabe-se que, entre o ideal previsto pela lei e sua aplicabilidade pode haver um hiato que, ao longo do tempo, pode desqualificar a própria legislação. A partir dessa preocupação, procurou-se delinear uma pesquisa que visasse abarcar a condição histórica desse grupo, suas peculiaridades e dificuldades, integração e promoção social e política inclusiva, destacando-se a Lei Federal nº 10.436 de 24 de abril de 2002, a qual reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de expressão e comunicação, o Decreto Federal nº 5.626/05, o qual regulamenta a Lei nº 10.436/02, a Lei de Acessibilidade, a Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001 e a Declaração de Salamanca. Em relação aos aspectos comunicativos adota-se as teorias sociointeracionistas de Vygotsky, apoiadas nos estudos de Ronice Muller de Quadros, pesquisadora, escritora e professora da UFSC com atuação principal em interfaces das línguas de sinais. A terceira parte recorre às teorias de Paulo Rónai, Jacques Derrida e Erwin Theodor e aos estudos de Andrea da Silva Rosa, para abordar o tema da prática de tradução e interpretação, foco central da pesquisa. Para que, numa segunda etapa, a partir da observação empírica em sala de aula e da adoção de um questionário, fosse possível apresentar, ao menos alguns resultados parciais, capazes de nortear futuras ações e apontar as reais condições que beneficiem tanto os alunos surdos quanto o trabalho do intérprete de Língua Brasileira de Sinais no ambiente educacional. A pesquisa bibliográfica e os dados coletados demonstraram que a preocupação com o ensino do surdo cresceu significativamente, embora ainda necessite de muita atenção por parte do poder público e da sociedade para que os direitos dessa minoria como cidadãos brasileiros sejam efetivamente respeitados mesmo sendo uma minoria linguística e eles possam conviver em uma sociedade ouvintista justa e igualitária, capaz de aceitá-los com seus direitos e diferenças, prerrogativas de todo cidadão.
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O ensino da língua portuguesa para os alunos surdos por meio de libras

O ensino da língua portuguesa para os alunos surdos por meio de libras

tem da sua língua (Libras) transfira-o à L2 (segunda língua) para que ocorra o aprimoramento e assimilação da língua portuguesa. Os textos dependem da interação do sujeito. Através do texto, o leitor coloca suas experiências e dialo- ga com o mesmo. O que pode ser feito em voz alta ou de forma silenciosa, pa- ra o aluno ouvinte, não acontecerá com o aluno surdo, pois para ele, este pro- cesso só ocorrerá de maneira silenciosa. Desta forma, fica claro que o proces- so de aprendizagem da L2 (língua portuguesa) é um tanto complexa, pois o aluno fica impossibilitado de ouvir os sons para associá-los à leitura e a escrita. As aulas devem ser dinamizadas para atrair a atenção do aluno e aguçar o in- teresse pela disciplina. Trabalhar bastante o visual, pois é o sentido que o sur- do mais explora (expressões faciais, gestos, mímicas). Isto, porque a sua co- municação exige bastante o uso da visão.
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Libras e língua portuguesa: um estudo comparativo de estruturas mórficas

Libras e língua portuguesa: um estudo comparativo de estruturas mórficas

Compreendendo a importância que a LIBRAS adquire no universo da surdez, partindo do princípio que a mesma possibilita a inclusão do surdo no meio social, a presente pesquisa pretende analisar comparativamente os processos de formação de sinais e palavras na Língua Portuguesa e na LIBRAS, tendo em vista que, essas línguas são naturais e se estruturam em torno de elementos linguísticos. Por isso, o presente trabalho pode ser justificado pelo fato de ressaltar a importância da Língua de Sinais no contexto nacional (Brasil), bem como quebrar paradigmas sociais que cercam o universo da surdez, já que a LIBRAS possibilita o ato comunicativo entre os indivíduos (surdo/surdo) e (surdo/ouvinte), e portanto, a mesma pode ser percebida como uma instituição social convencionada por apresentar estruturas próprias independente da modalidade de comunicação. E, além disso, uma pesquisa direcionada a este interesse de conhecer as estruturas morfológicas que constituem as línguas naturais e ainda analisar comparativamente a estruturação morfológica da LIBRAS e da Língua Portuguesa possibilita aprofundar a produção científica nesta área linguística. Para a construção desta pesquisa foram utilizadas obras de autores como Martelotta (2011), Quadros & Karnopp (2004), Felipe (2005), dentre outros teóricos que contribuíram significativamente para a construção da temática, sendo classificada, assim, como pesquisa bibliográfica. Ainda, ambas as línguas estão reunidas em torno de componentes mórficos que ao unirem-se constituem o sinal ou a palavra, e dependendo do contexto ganha diferentes significados. Além disso, tornou-se perceptível que as línguas naturais apresentam um caráter de dinamicidade tanto em sua construção como em expressão, ou seja, a língua enquanto natural pode se propagar não só pela comunicação oral, mas também pela comunicação visual/sinalizada. Neste sentido, pode-se ratificar que as respectivas línguas analisadas seguem estruturas próprias de formação diferenciando-se apenas na modalidade. Diante da análise realizada, fora possível constatar que ambas as línguas naturais (LIBRAS/ Língua Portuguesa) compartilham de algumas características em comum, ou seja, percebe-se um entrelaçamento em relação aos aspectos mórficos que compõem as respectivas línguas.
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A LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais - e a formação de professores de matemática

A LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais - e a formação de professores de matemática

Esta pesquisa caracteriza-se como interdisciplinar, aplicada e qualitativo-explicativa. Tem como objetivo geral avaliar a metodologia de ensino da Libras aplicada em curso de Licenciatura em Matemática. A metodologia foi organizada em quatro momentos distintos: levantamento do referencial teórico; desenvolvimento da disciplina de Libras em uma turma de terceiro ano, turno integral/noturno, do curso de Licenciatura em Matemática; a construção do objeto de aprendizagem, por meio de intervenção em uma turma de EJA - Educação de Jovens e Adultos, com três alunos surdos inclusos; e a criação de um blog educacional permanente sobre o ensino em Libras, uma vez que a realidade educacional dos surdos ainda é deficitária. Organizou-se o trabalho, apresentando na introdução, aspectos da inclusão e legislação vigente sobre a Libras. No referencial teórico, apresentaram-se as diferentes linguagens e a formação docente, e a Libras como artefato linguístico- cultural surdo. Para a aplicação da pesquisa foram apresentados o objeto de aprendizagem e os procedimentos metodológicos utilizados para a coleta de dados: filmagens da intervenção; aplicação de questionários; entrevistas em Libras com os alunos surdos; e os pareceres técnicos dos profissionais participantes. Após a análise e interpretação dos dados, obtiveram-se resultados satisfatórios, que deixaram evidentes a necessidade de novas estratégias para o ensino da Libras na formação de professores, tornando esta pesquisa fundamental para esse fim.
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