Top PDF José de Alencar: um historiador à sua maneira.

José de Alencar: um historiador à sua maneira.

José de Alencar: um historiador à sua maneira.

ao contrário da outra, seu mais íntimo traçado. De um lado, encarrega-se Georges Duby de, fiando-se na arte literária, oferecer um panorama das “três ordens”; de outro, aparece José de Alencar, expressão máxima de nossa ficção românti- ca, no trabalho criterioso de sacar nas crônicas históricas o elemento básico do passado colonial, a fim de que atue como pano de fundo na armação de seus romances. O que quere- mos dizer é mais ou menos isso: aquele, o historiador fran- cês, parte da imaginação literária em direção à histórica, e, nessa empresa bem-sucedida, ajusta a nota estética ao dis- curso historiográfico, ao passo que o ficcionista brasileiro con- verte os fatos nacionais em representação literária, de modo a “dramatizar a história descrevendo a cena onde se passaram os fatos mais importantes, e apresentando ao vivo os seus personagens e a sua decoração” * .
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José de Alencar  historiador

José de Alencar historiador

Quem lê as obras de José de Alencar tem a impressão de estar em contato com uma coletânea de vários autores, tão diversificadas foram as áreas em que atuou. Alencar foi múltiplo: poeta, crítico, romancista, jornalista, historiador. Exigente, esmerou-se em cada obra, na pesquisa e na escrita. Para seus romances históricos leu os cronistas do tempo colonial. Suas pesquisas eram minuciosas e suas fontes bem escolhidas, de acordo com o tema que pretendia explorar. Chegou mesmo a se intitular historiador. É bem verdade que um historiador à sua maneira, visto que, além de trabalhar com vultos históricos, escreveu sobre homens e mulheres comuns e sua vida cotidiana, criados por sua ficção.
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José de Alencar: por uma historicidade em mão dupla

José de Alencar: por uma historicidade em mão dupla

Mas ligar os diversos ios de uma realidade histórica a se constituir, a partir da autoridade das fontes, não signiica deixar de criticá-las, ou antes rejeitar, nestas, o que nada contribui para a formação de um todo coerente de nossa vida colonial. Grosso modo: a imaginação liga os ios que entende ser necessário atar entre si; a ciência, por sua vez, ante as lacunas ou penumbras que a intuição suscita, julga da possibilidade desta ou daquela conexão; em outras palavras, avalia, nos documentos, se o que se aventou, à luz da imaginação construtiva, tem pertinência histórica. Para isso, necessário é que se faça a crítica dos documentos: porque os problemas e questões de uma assertiva determinam a seleção das fontes, cujo teor é mediado pela comparação de dados e a erudição e sensibilidade do historiador. De qualquer forma,
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José de Alencar e a operação historiográfica: fronteiras e disputas entre história e literatura

José de Alencar e a operação historiográfica: fronteiras e disputas entre história e literatura

Enquanto a sua história do Ceará começa nos “verdes mares”, com Martim e seu ilho se despedindo de Iracema, a sua história do Rio de Janeiro começaria em um ponto mais delimitado, tanto no tempo, quanto no espaço. O relato teria início no “momento em que se lançou a primeira pedra da construção da cidade”. O projeto previa o uso da imaginação historicamente fundamentada e, por isso, o seu Rio de Janeiro no decorrer do tempo seria mais real: “Talvez me censurem por isto e julguem que desci da verdade à poesia; tenho porém a consciência de que a imaginação aí não faz mais do que dar um corpo aos objetos que o espírito vê com os olhos d’alma, e ligar os diversos fragmentos...”. “Demais sou historiador à minha maneira”, conclui Alencar (1981, p. 111). Mas o que signiica à sua maneira? Em princípio, completar o que faltava com a imaginação, juntar fragmentos dos livros e dos documentos antigos através de montagens sugeridas pela imaginação. Sem imaginação, nada poderia ser escrito. Mas, sem pesquisa, tudo seria falso. A verdade da icção, no inal das contas, vinha da imagem pesquisada no tempo.
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As teorias póscoloniais e o hibridismo em José de Alencar

As teorias póscoloniais e o hibridismo em José de Alencar

A História (com “H” maiúsculo) é a fala do vencedor, pautada em palavras de ordem. Trata-se de uma clausura que não nos permite pensar diferente, e ainda nos acomoda: não mais articulamos nossas reflexões e nosso discurso, e assim totalizamos nossa compreensão do mundo. Sobre como acontece esse fenômeno, Christopher Johnson nos apresenta uma clara explicação: [...] como um exemplo ou sintoma de uma maneira de pensar mais predominante e mais persistente do que qualquer pensador individual, uma espécie de campo de força metafísico que abarcaria e moldaria – restringiria – nossa apreensão e conceituação do mundo (2001, p. 46).
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O GÓTICO E O NACIONAL NA OBRA ENCARNAÇÃO, DE JOSÉ DE ALENCAR.

O GÓTICO E O NACIONAL NA OBRA ENCARNAÇÃO, DE JOSÉ DE ALENCAR.

16 Nos trechos acima, observa-se o uso por parte dos escritores, Álvares de Azevedo e José de Alencar, das figuras de cera. Como dito anteriormente, Hermano eterniza Julieta através de uma estátua. E assim, revive o seu passado. Alencar faz o leitor sentir um certo horror em perceber que, o personagem recria um ente morto e convive de maneira normal, até mesmo falando e lendo para esse objeto. Pode-se observar, que o escritor brasileiro remete tudo o que diz respeito a essa fase de Hermano à Europa, porque as estátuas vêm de fora. E assim, de uma maneira en- genhosa vai formulando a questão da nacionalidade. Porém, para a concretização do nacional, Hermano precisa de alguém que lhe tire um pouco da sua estupefação, e o escritor José de Alencar traz no romance Encarnação (1893), a personagem Amália, que canta a ópera Lucia, de Donizetti, e isso encanta Hermano. Mas não pelo fato que ele começou a se interessar por Amália, e sim, porque ela cantou a mesma ópera que a falecida Julieta cantava, quando se conheceram. A partir daqui, Alencar apresenta a personagem Amália, fazendo certa oposição à Julieta. Essa oposição, constante em Encarnação (1893), é marcada por antíteses. No entanto, deter-se-á, apenas na relação de passado e futuro. Assim sendo, Hermano até certo ponto da narrativa vive preso ao passado, representado por Julieta e que nos remete à caracterização da Europa, porque Julieta na estátua de cera é importada. Por ou- tro lado, temos Amália que representa o seu futuro, ou seja, ligado ao nacional.
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Entre a literatura e a política: cultura e poder na representação do índio em José de Alencar

Entre a literatura e a política: cultura e poder na representação do índio em José de Alencar

Após o sucesso dessas duas primeiras peças, o fracasso de O crédito fez com que Alencar ameaçasse abandonar o teatro, à maneira do que ocorrera também com a literatura. A peça foi encenada apenas duas vezes e logo depois retirada de cartaz, acompanhada de um silêncio da crítica a seu respeito. Sua trama possuía forte conotação social e consistia numa crítica severa aos excessos do mercado financeiro. Pouca ação, muito didatismo e moralismo caracterizam o texto, fortemente baseado em Questão de dinheiro de Alexandre Dumas Filho. As asas de um anjo escrita em fins de 1857 seria a despedida de Alencar do mundo teatral. A polêmica peça, que estreara em maio de 1858, contava a história de Carolina, moça pobre que foge da casa dos pais e se torna prostituta. Abandonada, Carolina se redime ao casar com Luís, um primo que sempre a amara e que perdoa seu passado. Em uma das cenas mais polêmicas da dramaturgia, Carolina é assediada pelo pai bêbado, que não a reconhecia e tentava possuir a moça à força.
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O Romantismo brasileiro e as reflexões de José de Alencar

O Romantismo brasileiro e as reflexões de José de Alencar

Resumo: O presente artigo expõe o Romantismo como um período de efervescência sócio-política, cultural e artística, na busca da consolidação de uma língua nacional e criação de uma literatura brasileira, com enfoque em José de Alencar, grande representante do meio literário oitocentista. Nessa acepção, o objetivo do trabalho é analisar como o autor apresenta sua crítica à sociedade do século XIX e observar seu engajamento, incluindo suas ideias sobre o casamento, a política, o direito e a sua contribuição para a criação de uma língua nacional, que bem representasse a literatura brasileira daquele período. Para embasamento das ideias aqui expostas são utilizadas as obras Iracema, Bênção Paterna, prefácio do romance Sonhos d’Ouro, e Senhora, como objeto de pesquisa, além de textos do crítico e sociólogo Antonio Candido, do historiador literário Alfredo Bosi, do autor Benoît Denis, que desenvolve textos com argumentos consistentes sobre a literatura engajada, e do crítico literário Afrânio Coutinho, entre outros.
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IRACEMA, DE JOSÉ DE ALENCAR: UMA FICÇÃO TOPONÍMICA

IRACEMA, DE JOSÉ DE ALENCAR: UMA FICÇÃO TOPONÍMICA

indianismo: a questão política. Como emblema da oposição do império brasileiro ao reino português, o indianismo cumpria função diferenciadora; porém, era preciso evitar que ele fosse identificado às várias rebeliões populares que ocorreram durante o período da Regência (1831-1840), em que se associavam negros, índios e mestiços. Assim, a estratégia literária adotada foi a de, ao eleger o índio como tema poético por excelência, apagá-lo da história do presente. Note-se que tanto Gonçalves de Magalhães quanto José de Alencar tratam o índio, em textos críticos e literários, como raça extinta. A cena montada para o sacrifício em I-Juca Pirama, embora colocada num passado mítico anterior ao contato com o português, trata da extinção de uma raça, cuja memória será perpetuada pelo canto de seus feitos, sendo o guerreiro que morrerá o último representante de sua tribo. Dessa maneira, o indianismo em Gonçalves Dias responde a várias demandas: retrata a cor local reivindicada pelos românticos; atende à preocupação política do Segundo Império; abre novas possibilidades estéticas para a literatura brasileira; catalisa o anseio de nacionalismo pós- Independência.
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O romance histórico e José de Alencar

O romance histórico e José de Alencar

Todos estes momentos fazem parte de um passado comum a Portugal e ao Brasil, não optando o autor, significativamente, por episódios mais recentes ligados de forma directa ao processo de independência do Brasil e à sua formação política como nação independente, no qual tinham mesmo estado envolvidas figuras dos seus antepassados familiares, ou aos conflitos militares em que, após 1822, o país tinha participado. A luz do romance histórico alencariano chega aos momentos mais longínquos de um passado comum que havia necessidade de esclarecer e de ver sob novas e diferentes perspectivas, como tinha aconselhado Alexandre Herculano ao sugerir que os brasileiros abandonassem as ruínas medievais e procurassem no passado as raízes de si próprios. Este passado comum, vivido no Brasil, constituía, segundo se depreende em Alencar, a raiz do hoje e o manancial de tradições a deixar ao futuro, por isso, havia que encontrar nele o que permitisse a identificação do homem contemporâneo revisitando a realidade legada pelos historiadores nos documentos e nos comentários historiográficos com o coração do romancista, reflectindo e representando o real histórico a partir da conjunção entre o ver do romancista e o ver do historiador.
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Escrita subsiva: O Democrata

Escrita subsiva: O Democrata

Mesmo sem declarar apoio a qualquer candidato ao governo do Estado, os camaradas vão às ruas e lançam os próprios quadros na disputa 255 . O palco dos discursos inflamados era a Praça José de Alencar, centro de Fortaleza. Sábado, dia 19 de outubro, estava marcado o primeiro comício de lançamento dos seus candidatos, com a leitura do Programa Mínimo elaborado pela direção do partido. O programa consistia dos seguintes pontos básicos: “a) autonomia política e administrativa para os municípios do Estado, inclusive o da Capital; b) Equilíbrio orçamentário, rigorosa redução de despesas, suspensão imediata de todas as obras urgentes, quer estaduais quer municipais; c) Reforma do sistema tributário estadual, agravando fortemente de maneira progressiva o imposto territorial e a transmissão ressalvadas as isenções asseguradas pela constituição federal e eliminação ou diminuição dos impostos que recaem sobre o povo; d) Desapropriação, quando for o caso, loteamento e distribuição gratuita aos camponeses pobres, das terras constitutivas das bacias de irrigação dos açudes públicos, bem como das terras loteadas das bacias hidráulicas dos mesmos; e) Distribuição de terras devolutas ou mal aproveitadas junto aos grandes centros de consumo, aos camponeses sem terras, que as queiram trabalhar; f) Revisão dos contratos que exploram serviços de utilidade pública, como a Light e outras; g)
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José de Alencar no sistema literário brasileiro: um divisor de águas

José de Alencar no sistema literário brasileiro: um divisor de águas

O presente estudo pretende desenvolver reflexão acerca da importância da obra de José de Alencar no processo de formação da Literatura Brasileira, sob a perspectiva de Antonio Candido. Com sua obra, José de Alencar contribuiu substancialmente para dar consistência aos denominadores comuns do período romântico no Brasil, por investir na criação de temáticas que consolidassem as bases da expressão literária nacional, ainda que, entre os escritores da nossa literatura, até então, a maneira de tratar as ideologias, provenientes da Europa, estivesse deslocada. Com efeito, ao delinear um levantamento cultural do Brasil, a estética alencariana possibilitou a formação de uma tradição que viria a ser consolidada posteriormente, ela representa, pois, importante lastro para a construção de nossa identidade nacional.
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Um historiador à sua maneira

Um historiador à sua maneira

Professor na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, onde, desde meados dos anos 1980, ministra o seminário de historiografia antiga e moderna, François Hartog vem há algum tempo se dedicando a pensar as variadas formas de prática historiográfica no Ocidente, bem como as diferentes modalidades de experiência de tempo que definem a cultura ocidental. Transitando sempre na fronteira de práticas historiográficas variadas, entre antigos e modernos, mas também nos limites de temporalidades distintas, entre o “selvagem” e o “civilizado”, Hartog oferece aos historiadores contemporâneos uma reflexão original e erudita sobre os meandros do seu próprio ofício. Sua obra é composta por uma pluralidade de escritos, variando desde o importante estudo sobre os modos de representação da alteridade nas Histórias de Heródoto, resultado da sua tese de doutorado publicada com o título O espelho de Heródoto. Ensaio sobre a representação do outro, até artigos, prefácios, entrevistas disponibilizadas em periódicos internacionais e em coletâneas como, por exemplo, Evidência da história. O que os historiadores veem. Sua atuação entre historiadores brasileiros também é relevante de se mencionar, seja pelas constantes viagens que realiza ao Brasil, seja pelo trabalho de orientação de historiadores que realizam ou realizaram parte de sua formação na França, como é o caso, entre outros, de Temístocles Cezar, que defendeu em 2002 a tese L’écriture de l’histoire au Brésil au XIXe siècle: essai sur une rhétorique de la nationalité, le cas Varnhagen e José Otávio Guimarães, com a tese Jean-Pierre Vernant “Polumetis”: essais historiographiques sur une anthropologie historique de la Grèce antique, defendida em 2009.
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Crítica em diálogo: Bernardo Guimarães e José de Alencar

Crítica em diálogo: Bernardo Guimarães e José de Alencar

escritor pelo romance – uma forma de prosa moderna e ainda então desprestigiada –, que exercitará em uma expansão temática surpreendente e admirável que fez de sua obra faz referência para várias vertentes, que continuariam a ser exploradas e desenvolvidas em nossa tradição literária: não apenas o o romance indianista, como também o romance histórico, o romance urbano e, finalmente, o romance regionalista, vertente explorada, antes mesmo de Alencar, pelo Bernardo Guimarães romancista. E, se em todas essas vertentes, a preocupação com a expressão adequada ao tema esteve presente, tendo sido defendida e explicada nos muitos prefácios e posfácios que Alencar ajuntou a suas obras, sem dúvida Bernardo Guimarães contribuiu, com argumentação lúcida, para a compreensão de seu próprio caminho.
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Realismos em 1870: em torno de O Gaúcho, de José de Alencar

Realismos em 1870: em torno de O Gaúcho, de José de Alencar

período cronológico da biografia alencariana tratado pelo crítico se situa entre os anos de 1829 e 1852, ou seja, entre o seu nascimento, o término do curso de Direito e a mudança definitiva para o Rio de Janeiro, onde começa a advogar: “Creio que tudo seja explicável em um trabalho de arte; e, quanto a José de Alencar, afirmo que a boa conformação de seu talento não teria tomado a direção que tomou sem a índole que recebeu com o sangue.” (ARARIPE JÚNIOR, 1958, p. 137). A herança genética a que alude o crítico diz respeito, por um lado, à linhagem paterna da qual se originaria o seu “gênio sobranceiro”, cuja fonte é a avó do autor, Bárbara de Alencar, que atuou, ao lado dos filhos, inclusive o pai do romancista, José Martiniano de Alencar, nos principais movimentos separatistas da província de Pernambuco em 1817 e 1824, e, por outro, à influência materna, da qual adviria a sua “potente imaginação”. O resultado é a formação de uma individualidade artística que não se deixa dominar pelos mais variados estímulos externos, incluindo os literários, ao mesmo tempo que se expressa pelo “mais caprichoso dos artistas americanos” (ARARIPE JÚNIOR, 1958, p. 138). Surgem daí, segundo Araripe Júnior, a perspectiva idealista e o estilo gracioso que caracterizam o temperamento criativo de José de Alencar.
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A influência do teatro de José de Alencar na dramaturgia brasileira

A influência do teatro de José de Alencar na dramaturgia brasileira

Muitas críticas foram dirigidas a Alencar por utilizar para a formação de um teatro nacional influências francesas. O escritor responde as críticas de forma incisiva e contundente, até mesmo no que se refere aos romances. Para ele, não há como separar da narrativa aspectos que caracterizam a sociedade da época em questão: a influência da cultura francesa na sociedade fluminense era evidente e representava os costumes da época. Alencar não se isentou de mostrar o nativismo brasileiro, como se vê nos seus romances. Porém deve- se salientar que a sociedade era composta por uma heterogeneidade de raças e costumes, que não podiam ser excluídos do processo de formação de uma literatura genuinamente nacional. No seu prefácio em “Sonhos d’Ouro” Alencar já bastante agastado com as críticas se posiciona:
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DIVERGÊNCIAS E CONVERGÊNCIAS EM JOSÉ DE ALENCAR E GONÇALVES DIAS

DIVERGÊNCIAS E CONVERGÊNCIAS EM JOSÉ DE ALENCAR E GONÇALVES DIAS

Sob esse aspecto “I-Juca Pirama” é um poema exemplar. O aspecto bipolar em Alencar e Gonçalves Dias é encerrado no poema. A primeira antítese está na segunda estrofe, onde os adjetivos rudos, severos, prélios são amenizados por meigos, à voz do cantor. Como os medievos, os índios têm a mesma força guerreira para as aventuras e formosos deviam manter-se, como os que freqüentavam os torneios na Corte do rei Artur. O “cavaleiro capturado” pelos Timbiras passa então por uma espécie de rito festivo durante e após seu julgamento, a que assistem as tribos dos seus arredores, mas depois de divulgada a sentença, I-Juca Pirama entoa seu canto e pede, como fizera Pojucã por motivo outro, que ela não seja cumprida, para que pudesse auxiliar seu pai, cego e quebrado, de penas ralado.
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José de Alencar: entre o romance e a história art frlramos

José de Alencar: entre o romance e a história art frlramos

Nessa linha de raciocínio, Moacir não é síntese nem destino, mas uma possibilidade. Tudo aponta para um tempo desalinhado. Sua vida não seguiu padrões e o que ele será fica por conta da imaginação do leitor. O que se sabe é que, enquanto teve mãe, não tinha pai e, quando teve pai, sua mãe morreu. Mas isso não é trauma nem redenção, não há um mito de origem que define o que vai ser o cearense: traumatizado ou liberto do sofrimento, preso ao passado de massacres ou livre para criar um futuro promissor. Alencar, afinal, faz a proposta do livro implodir? Depende. Do mesmo modo que se pode encontrar um cearense aberto ao futuro, livre do seu passado, o corrente em muitas leituras é concluir que Moacir sintetiza o Ceará.
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A paisagem na produção letrada romântica: artifício e natureza

A paisagem na produção letrada romântica: artifício e natureza

Por tudo isso que lhes apresentei, não creio que a paisagem aqui circunscrita seja regida pelo regime da subjetividade expressiva. Não existe sujeito reletindo no seu íntimo aquilo que vê na natureza, até porque não se trata de uma contemplação subjetivista. O pitoresco está submetido à enunciação regrada, artiiciosa e codiicada na tradição. A paisagem torna-se um teatro para as paixões nacionais, e esta é a sua nova codiicação. Gonçalves Dias, Magalhães e mesmo José de Alencar, quando iguram paisagens naturais em suas poesia, prosa e textos indianistas o fazem muito programaticamente, não como provindas de um “sentimento íntimo”, mas produzidas por meio de um procedimento técnico de verossimilhança da natureza em relação à arte. Mais uma vez Denis: “Nesta exuberância da natureza, no tumulto de suas produções, nessa fertilidade selvagem que se exibe ao lado da fertilidade da arte [...] a mente do brasileiro ganha outra energia” (DENIS, 1978, p. 37). Porque é exuberante a natureza, a arte também o será; esse é o lema da nacionalidade literária: tirar o Brasil do estado de natureza. E para tirá-lo é preciso que a arte naturalize as produções cul- turais nacionais. Soa um alarme: a “fertilidade selvagem” não é natural, pois tudo se passa como se a natureza tropical fosse a pintura da terra virginal e originária. Esse como se endereça a parti- cularização cultural do Brasil à origem e aos instintos naturais, nossa convencionalidade pura.
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Universos ficcionais: o romanesco em Walter Scott e José de Alencar / Fictional Worlds: Romance in Walter Scott and José de Alencar

Universos ficcionais: o romanesco em Walter Scott e José de Alencar / Fictional Worlds: Romance in Walter Scott and José de Alencar

com ainda mais força, e isso se deve a uma diferença fundamental entre as duas obras no que diz respeito à posição que os narradores assumem em relação a seus heróis: em Scott ele procura manter-se criticamente distante de Edward, enquanto em Alencar ele adere ao ponto de vista de Estácio. Schaeffer, ao reler o romanesco na chave proposta por Frye, buscou compreendê-lo não tanto em termos de imaginário, mas antes em seus aspectos textuais; assim, há o “romance do romanesco”, para o qual tende ligeiramente Waverley, e o “romance romanesco” propriamente dito, com o qual Alencar está mais alinhado e que pressupõe uma consonância entre os pontos de vista do narrador e do personagem. 107
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