Top PDF Lacan e a toxicomania: efeitos da ciência sobre o corpo.

Lacan e a toxicomania: efeitos da ciência sobre o corpo.

Lacan e a toxicomania: efeitos da ciência sobre o corpo.

Num a intervenção no Colégio de Medicina, intitulada “Psicanálise e m edici- na”, Lacan pergunta se o gozo, presente nos prolongam entos da voz e do olhar, não parece, à prim eira vista, pouco concreto. Tentando responder a essa interro- gação sobre o m aterial da relação existente entre os objetos da ciência e o gozo, ele apresenta o exem plo da droga, ou seja, dos “ diversos produtos que vão desde os tranqüilizantes até os alucinógenos” ( LACAN, 1966, p. 43) . A m ateria- lização do efeito real da ciência sobre o corpo, no caso das substâncias tóxicas, torna-se, até m esm o, objeto de um a hipótese. Im agine-se, diz Lacan, que, um dia, se esteja sob o dom ínio de um produto que não seja definido por esses efeitos estupefacientes sobre o corpo. Suponha-se, ainda, que a ciência conse- guisse localizar um a substância tóxica que agisse diretam ente sobre o conheci- m ento, um produto que perm itisse “recolher inform ações sobre o m undo exte- rior” ( LACAN, 1966, p. 43) . Tal hipótese é introduzida apenas para circunscrever o fator econôm ico, tam bém designado com o a dim ensão ética do gozo, presen- te na relação do sujeito com a droga. Seu objetivo é m ostrar que o ponto de vista do gozo recusa toda concepção do ato toxicom aníaco que se m antenha restrita ao aspecto da repreensão.
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUCSP

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO PUCSP

Atualmente a abordagem nomeada de dependência química, amplamente embasada nos manuais diagnósticos (DSM e CID), fundamenta dentro do campo da saúde mental uma racionalidade diagnóstica reducionista: os chamados Transtornos relacionados a substâncias. Este cenário de pesquisa produziu uma dupla foraclusão que tem consequências na prática clínica. Em primeiro lugar uma foraclusão do gozo do corpo: esse apontamento encontra ressonância no diagnóstico empreendido por Lacan (1966e/2001), no entendimento de que a medicina moderna avança progressivamente da construção de um olhar sobre o corpo para uma clínica anatomopatológica, que fomenta uma concepção do mesmo construída em torno de um modelo mecanicista, constituindo, por assim dizer, uma falha epistemo-somática. No entanto, para a psicanálise lacaniana o corpo não se reduz ao biológico, pois em sua particularidade ética se refere ao transbordamento do gozo. E, em segundo lugar, ocorre uma foraclusão do efeito phármakon inerente à droga. Desse modo, a ciência esvaziou o saber concernente à droga em sua bagagem histórica e cultural. Neste contexto, tanto a droga quanto a toxicomania surgem como efeitos do discurso da ciência em copulação com o discurso capitalista, dos quais a psiquiatria neurobiológica é solidária. Podemos, então, nos perguntar o que a psicanálise pode trazer de novo no tratamento da toxicomania? Seria a dupla consideração de que, por um lado, há um tratamento possível da toxicomania através da clínica do singular e, por outro, que o sujeito não pode ser reduzido a um mero objeto de estudo? Neste sentido, a localização da toxicomania como uma nova forma de nomeação do sintoma, que implica um mais-de-gozar particular na era da ciência, se apresenta como uma das principais e profícuas contribuições da psicanálise lacaniana à uma clínica para além da descrição sintomatológica.
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Lacan, Gödel, a ciência e a verdade

Lacan, Gödel, a ciência e a verdade

36 importância da frase citada: “uma prova da impossibilidade de provar”? Em princípio o que se esperava era que a prova, o ato de demonstrar a “ligação” entre os axiomas de um sistema e um determinado juízo de verdade, fosse um árbitro completamente competente, sempre determinando a veracidade ou a falsidade. Acreditava- se que os axiomas de Euclides “espelhavam” a realidade sobre o espaço tal qual ele é. Digamos que, se eles refletem a realidade, se todos os seus teoremas são sentenças verdadeiras, então tudo o que pode ser dito sobre o espaço será, ou confirmado, ou falseado pelo sistema axiomático. Todavia, ao se tentar derivar o quinto axioma dos restantes, descobriu-se que a resposta para o problema era simplesmente impossível. E essa fora uma tarefa realizada com demonstração rigorosa. Imaginemos uma pessoa diante um espelho: o que quer que essa pessoa queira saber sobre a área de seu corpo que o espelho recobre, basta que ele olhe para seu reflexo. É justamente essa analogia que se abre a questionamentos. Conforme os autores, uma prova da impossibilidade de provar poderia ser lida como uma prova de que o sistema nem confirmava nem falseava uma determinada sentença. No entanto, o que esses matemáticos obtiveram foi de um caráter inusitado, pois é como se estivessem lidando com uma valência inédita, uma que não se esperava existir. Alguma sentença poderia estar para além do ser ou não teorema. Ressaltemos novamente que esse impasse não surge pela incompetência do matemático em descobrir a verdade por trás do problema, mas por uma prova matemática autêntica.
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A Psicanálise como Paráfrase Política: École Freudienne de Paris e a Etificação da Teoria Lacaniana.

A Psicanálise como Paráfrase Política: École Freudienne de Paris e a Etificação da Teoria Lacaniana.

macular os poderes monárquicos de seu fundador. Ao permitir a entrada de pessoas que não haviam se submetido a uma análise, Lacan pretendeu dar à sua Escola a face plebeia dos levantes e amotinados. Para além do anedotário que costuma cercar suas declarações, eram claras as analogias entre o programa da EFP e os valores de base do maoísmo, disseminados na França como o mirante possível de uma revolução vindoura e que maio, enim, parecia conirmar. Como bem lembrou Roudinesco (1986), não estaria, portanto, descartada a hipótese de Lacan ter se inspirado na doutrina política de Mao Tsé-Tung, embora sem qualquer intenção explícita, enquanto se via no fogo cruzado dos interesses divergentes que atravessavam sua Escola. Do mesmo modo que na revolução cultural chinesa, o procedimento utilizado seria o da organização das massas, em um movimento vindo da base, não espontâneo, o qual forçaria uma depuração das classes dirigentes, acuadas pela imposição de uma “autocrítica”. Tudo a partir do corpo doutrinário emanado e conduzido por um “grande timoneiro”. No caso da EFP, entretanto, os resultados do “passe” jamais foram pensados e propostos como libertários (ROUDINESCO, 1986, p. 482), apesar dos efeitos do novo dispositivo se assemelharem aos da revolução maoísta. A instituição lacaniana tomava a recomposição das forças internas como uma necessidade de estrutura do inconsciente. Por isso, o acento ético das proposições da EFP. Cerca de quinze anos após suas primeiras elaborações sobre a “ética da psicanálise” (LACAN, 1997), Lacan projeta para sua Escola os anseios – e as angústias – de uma teoria que evoluiu, ao longo de duas décadas, sempre no sentido de uma uniicação entre um formalismo crescente e uma subjetivação de seu discurso, cuja injunção somente poderia conclamar o engajamento militante dos mais radicais, justamente aquele que tomava propulsão através do esvaziamento das vivências anteriores. Não sem razão, Lacan o encontraria entre os maoístas das classes abastadas, formados nas grandes escolas parisienses e espiritualizados pela verdade conceitual incognoscível, todavia pulsante no ato que teria instituído a revolução chinesa.
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A toxicomania como paradigma do entorpecimento pulsional e o gozo autista do corpo

A toxicomania como paradigma do entorpecimento pulsional e o gozo autista do corpo

O desdobramento que podemos produzir em torno do problema da modalidade de gozo encontrado na toxicomania advém de uma afirmativa de Lacan (1976): “il n’y a aucune autre définition de la drogue que celle- ci: c’est ce qui permet de rompre le mariage avec le petit-pipi ” 16 (p.268). Lacan toma como referência o enlace fálico com o qual todo ser falante está fadado a lidar de alguma forma, seja pela via do recalque, da recusa ou pela rejeição 17 . A expressão, “pequeno-pipi”, Lacan a extrai do que se apresentou no caso do pequeno Hans, trabalhado por Freud (1909) em “Análise de Uma Fobia em Um Menino de Cinco Anos”. O paciente, neste caso apresentado por Freud, havia trazido tal expressão para dizer da sua implicação sobre sua angústia de castração e sobre seu problema junto ao laço com o falo. Para Naparstek (2008), “de alguna manera la tesis lacaniana de la ruptura retoma la idea freudiana de la masturbación, como adicción primordial y la especifica con su concepto de goce ” 18 (p.61), ou seja, o rompimento com o falo promove um gozo do corpo sem o uso do fantasma, deixando o sujeito entregue ao puro autoerotismo. Sem o fantasma, o corpo fica entregue à masturbação, que para Freud (1897) é considera a adição primordial 19 .
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CONSIDERAÇÕES PSICANALÍTICAS SOBRE A TRANSFERÊNCIA NA TOXICOMANIA

CONSIDERAÇÕES PSICANALÍTICAS SOBRE A TRANSFERÊNCIA NA TOXICOMANIA

sujeito, embora ele se recuse a refletir sobre tal assertiva, ocupa um lugar de proporcionar completude e restituição narcísica, cabe ao analista auxiliar no caminho que o leva justamente ao contrário desta crença, um caminho que escancara a falta, mas como um meio motivador do desejo, em que todos os objetos podem supostamente preenchê-lo. Por outro lado, ser completo narcisicamente acarreta a uma dissolução do sujeito e sua redução a ob- jeto, o que é extremamente angustiante, então temos duas questões: abandonar a posição de objeto e se ver faltante, ou permanecer nesta posição e ser consumido pelo Outro? Questão que o toxicômano se depara subje- tivamente, e o que torna a clínica ainda mais singular.
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O primado da política: revolução permanente e transição — Outubro Revista

O primado da política: revolução permanente e transição — Outubro Revista

3) A conquista do poder é apenas o início de um longo processo no qual “todas as relações sociais se transformam no transcurso de uma luta interior contínua. (...) Os acontecimentos que se desenrolam guardam ne- cessariamente caráter político, dado que assumem a forma de choques en- tre os diferentes grupos da sociedade em transformação. As explosões da guerra civil e das guerras externas se alternam com os períodos de refor- mas ‘pacíficas’. As profundas transformações na economia, na técnica, na ciência, na família, nos hábitos e nos costumes, completando-se, formam combinações e relações recíprocas de tal modo complexas que a sociedade não pode chegar a um estado de equilíbrio. Nisto se revela o caráter perma- nente da própria revolução socialista.” 27
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Brecht e o realismo da resistência ao fascismo — Outubro Revista

Brecht e o realismo da resistência ao fascismo — Outubro Revista

Feito esse pequeno resumo do enredo da peça, podemos agora nos concentrar no seu contexto, começando por localizá-la dentro do projeto artístico de Brecht. É sabido, primeiramente, que houve mudanças muito significativas na sua produção dramatúrgica e teórica ao longo das décadas de 1920 a 1950. Apesar de princípios como o didatismo, o desejo de mudança do mundo concreto através de novas percepções, atitudes e opiniões despertadas pelo experimento teatral e a incorporação das categorias e materiais do desenvolvimento sócio-histórico real no fazer artístico e político terem se tornado constantes, a alteração de ênfases, temas e abrangência das formulações teóricas que informavam seu trabalho é inegável. As visões de Simone Machard é antes de tudo uma tese de análise de conjuntura que aproveita imensamente as reflexões de Brecht sobre suas peças didáticas e seu teatro épico como um todo. Nesse sentido, além da denúncia do comportamento das elites europeias diante da expansão do nazismo ser um tipo de pedagogia do sistema de interesses e possibilidades presentes na situação de guerra, o seu eixo necessariamente se afasta do gênero dramático – que historicamente teve como assunto preferencial a esfera privada e doméstica – e se estabelece no terreno do épico, onde se dá a vida pública com todas as suas disputas políticas e econômicas correspondentes. Assim, por mais que a nossa peça tenha sido escrita já na década de 1940 quando Brecht já estava expandindo muitas de suas ideias, ela retoma noções desenvolvidas nos anos 1920 e 1930 devido a necessidades de esclarecimento determinadas pela situação histórica.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA FRANCISCO JUCIVÂNIO FÉLIX DE SOUSA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA FRANCISCO JUCIVÂNIO FÉLIX DE SOUSA

Nessa questão da entrevista, pode-se refletir que existem alguns pontos divergentes entre os entrevistados, pois, para o coordenador C2 “(...) com dados em mãos é feito uma análise junto ao corpo docente sobre quais descritores os alunos têm maior índice de acertos ou erros para direcionar o trabalho em sala de aula ”; já para o gestor, “Acontece por meio de conversas individuais, algumas vezes coletivas nos planejamentos, resgatando os resultados dos alunos (...) ”; e para o professor P2, essa apropriação é inexistente. Frente a isso, percebemos que na escola essa apropriação dos resultados acontece de uma maneira muito superficial, inconstante e limitada. Nos poucos momentos em que se mostram os dados, eles não são compartilhados com todos os atores desse processo (professores, servidores, alunos e pais), ou seja, não existe uma ação institucionalizada para se refletir sobre os dados da avaliação para construir ações futuras visando a qualidade do ensino. Revela-se aqui um ponto que precisa ser revisto pela gestão da escola, pois a apropriação dos resultados mostra- se frágil para o núcleo gestor da escola (gestor e coordenadores escolares) e professores, pois os entrevistados apontaram formas distintas e até mesmo a inexistência desse fenômeno na unidade escolar.
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O TUTOR PRESENCIAL E A MEDIAÇÃO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PAPÉIS E ATRIBUIÇÕES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

O TUTOR PRESENCIAL E A MEDIAÇÃO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PAPÉIS E ATRIBUIÇÕES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

A proposta apresentada a seguir, objetiva um melhor direcionamento dos trabalhos com relação a educação a distância, especialmente sobre a categoria de tutor presencial no âmbito do curso de Administração Pública da Universidade Federal de Juiz de Fora, que tem como foco o início previsto para a execução dessa proposta no primeiro semestre do ano de 2017. A perspectiva de ação está construída e dirigida para uma ação direta dos gestores do curso no âmbito local da instituição federal de ensino. Parte-se do pressuposto sobre o conhecimento do trabalho do profissional, para então definir propostas de mudanças de atitudes que resultem em ações concretas de otimização para a efetiva potencialização da tutoria presencial.
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A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo — Outubro Revista

A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo — Outubro Revista

desenvolvimento econômico e tecnológico febril nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que os dotava - graças ao armamento at6mico - de uma superioridade militar absoluta. A devastação s[r]

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ENTRE O BEM E O MAL: REPRESENTAÇÕES DO MST SOBRE OS PRESIDENTES FHC E LULA (1995-2010)

ENTRE O BEM E O MAL: REPRESENTAÇÕES DO MST SOBRE OS PRESIDENTES FHC E LULA (1995-2010)

Ao representar as perspectivas do MST sobre o “desgoverno” de Itamar e o “caos” que assolava o país, a charge se revestia de conteúdo político e ideológico. A representação contida na imagem de Itamar sugere, também, um sentido contrário, isto é, diz uma coisa, quando, na verdade, o sentido implícito aponta outra. O humor e a ironia buscavam causar risos nos leitores do jornal, mas as representações da charge transcendiam essas dimensões, pois as intenções da Direção Nacional do Movimento era personificar Itamar como um presidente alheio à realidade da época e que não tomava atitudes face às questões problemáticas da sociedade. A expressão engraçada de Itamar, como se tudo estivesse lindo, passava também pelo fato de o MST acreditar que o presidente não tinha um projeto político para o Brasil. Ao conceder uma entrevista ao Jornal Sem Terra, Luís Eduardo Greenhalg, na época, vice-presidente do PT nacional, advogado e assessor jurídico do MST, destaca que Itamar era a representação de um governo “sem eira nem beira”. Ou seja, um governo pobre, sem projeto político, que se estabeleceu apenas para terminar o mandato do ex-presidente Collor.
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PRÁTICAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA E SEUS EFEITOS NO SUCESSO ESCOLAR: O ESTUDO DE CASO DE UMA ESCOLA DA REGIONAL CENTRO SUL FLUMINENSE

PRÁTICAS DE GESTÃO ESTRATÉGICA E SEUS EFEITOS NO SUCESSO ESCOLAR: O ESTUDO DE CASO DE UMA ESCOLA DA REGIONAL CENTRO SUL FLUMINENSE

Esta dissertação buscou analisar as práticas gestoras do Colégio Estadual Ministro Raul Fernandes que possam ter contribuído para a melhoria de seus resultados, representados pelos indicadores de IDEB e IDERJ, no período de 2011 a 2013, o colégio está situado na Regional Centro Sul, com sede na cidade de Vassouras no Estado do Rio de Janeiro e está sob a jurisdição Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. O texto está organizado em três capítulos. No primeiro capítulo é apresentado o cenário da unidade escolar, seus resultados internos e externos, analisados a partir do panorama nacional, estadual, regional e municipal, além das estratégias implantadas pela Secretaria Estadual de Educação visando à melhoria dos indicadores educacionais, e as ações da escola para alcance dos resultados apresentados. Considerando a pesquisa de campo, pesquisa documental e bibliográfica, no segundo capítulo, será realizada uma análise crítica e reflexiva sobre práticas de gestão estratégica e sucesso escolar a partir de Farias (2012), Lück (2009), Ferreira (2009), Ribeiro (2011), Carvalho (2010), Soares (2012) e a entrevista com roteiro semiestruturado articulará os dados apresentados e a teoria estudada, buscando as práticas e ações desenvolvidas pela escola que possam ter contribuído para o alcance de seus resultados. Após apresentação e análise dos resultados internos e externos da escola, tabulação dos dados coletados na pesquisa de campo e identificação das práticas gestoras que possam ter contribuído com os bons resultados, no terceiro capítulo, é apresentado o Plano de Ação Educacional, com a proposta de padronizar práticas exitosas para a unidade escolar e compartilhar possibilidades de ações bem sucedidas com as outras unidades escolares da Diretoria Regional Pedagógica, visando à troca de experiência.
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Paulo Barreto Holly Gibbs

Paulo Barreto Holly Gibbs

Na última década, o poder público e cam- panhas ambientais ampliaram o foco de ações contra o desmatamento e passaram a incluir as empresas que compram de áreas desmatadas recentemente. Em alguns países, este tipo de ação tem resultado em acordos de compradores de gado, soja, óleo de palma e outros para evi- tar o desmatamento (Greenpeace Internatio- nal, 2006, 2009a, 2010; The Consumers Good Forum s/d). Como esses tipos de acordos são relativamente novos, há poucas análises sobre seus efeitos (Ver caso da moratória da soja em Gibbs et al 2015a). Neste relatório, analisamos
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Os efeitos de contexto nas representações sociais sobre o corpo.

Os efeitos de contexto nas representações sociais sobre o corpo.

O grupo-focal realizado após a apresentação do audio- visual possibilitou que se veriicasse o conteúdo da RS num ambiente semelhante àqueles em que as opiniões são geradas, expressas e modiicadas no dia-a-dia (Flick, 2004). A CHD referente ao corpus “Corpo” evidenciou três contextos lexi- cais (Nascimento-Schulze & Camargo, 2000), sendo que um deles refere-se ao “não falar” sobre o corpo. Acerca desse conteúdo lexical, observou-se uma negação do corpo e da sua consideração no cotidiano das pessoas. Pode-se falar de um efeito de mascaramento da RS (Flament, Guimelli, & Abric, 2006), que ocorre em virtude do contexto normativo, também denominada mudas das RS. A zona muda seria uma parte da RS que pertence à consciência e é reconhecida pelos indivíduos, entretanto não pode ser expressa, uma vez que é composta por elementos contra normativos. Indica possivelmente um posicionamento velado e é determinada essencialmente pela situação social na qual a RS é produzida (Abric, 2005). Assim, a respeito do não falar sobre o corpo, mas de outros assuntos, pode-se mencionar o fenômeno do mascaramento da RS sobre o corpo ocorrido entre os parti- cipantes, na medida em que alguns aspectos da RS podem não ter emergido claramente durante a coleta dos dados. Salienta-se que os participantes do estudo compartilhavam o ambiente universitário, onde o intelecto é priorizado em detrimento do corpo; prioridade esta que se evidenciou nas discussões nos grupos-focais.
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O INSTRUMENTO DA NORMA E SEUS EFEITOS SOBRE OS CORPOS: CENAS DE UMA ESCOLA

O INSTRUMENTO DA NORMA E SEUS EFEITOS SOBRE OS CORPOS: CENAS DE UMA ESCOLA

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo problematizar como, na escola contemporânea, o instrumento da norma produz efeitos sobre os corpos. Os principais aportes teóricos são Foucault (2006; 2014), Deleuze (1992), Dussel e Caruso (2003), Cervi (2010), Passetti (2003) e Veiga-Neto (2014). Utilizou-se, como estratégia teórico-metodológica, a perspectiva pós-crítica. Realizou-se a pesquisa de campo em uma escola municipal de educação básica no estado de Santa Catarina no ano de 2015. Os instrumentos de produção de dados foram: fotografias, diário de campo e o Projeto Político-Pedagógico da instituição. Infere-se, a partir dos dados produzidos, que o instrumento da norma compara, diferencia, hierarquiza, homogeneíza, avalia, exclui, define, marca os desvios, os limites, o anormal e corrige o corpo. Ainda que o dispositivo siga disciplinando, controlando, esta escola conseguiu e consegue ser outra escola no interior dela mesma, inventiva, resistente, em que amizade e o cuidar com o outro se estabelecem em pequenos momentos do cotidiano. Palavras-chave: Corpo; Escola; Norma; Resistência.
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REFLEXÕES SOBRE O FLUXO ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO: O CASO DA ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE TANCREDO NEVES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

REFLEXÕES SOBRE O FLUXO ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO: O CASO DA ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE TANCREDO NEVES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Mas o principal, eu vou falar de nós professores. Nós que somos professores, eu acho que tem que ter uma capacitação maior pra gente poder motivar melhor esses alunos. Eu acredito que a falta de motivação por parte nossa mesmo dos professores é que tem contribuído. E até mesmo de práticas pedagógicas. Eu acredito que a gente tem que estudar, tem que buscar mais informações sobre esse problema de evasão escolar. Você deve perceber que aqueles que conseguem ter uma disciplina na sala são aqueles professores que não impõe, e sim conquistam a disciplina, pela questão de saber ouvir o aluno e de saber respeitar o aluno. Porque muitas vezes nós não respeitamos o aluno, da forma com que conduzimos as nossas aulas, a própria postura em sala de aula. Isso também contribui. E esse estudo, ele tem que ser realmente coletivo, porque dois ou três professores podem contribuir para a evasão em uma sala de aula, numa sala de doze professores. Esses três professores podem contribuir muito. Não adianta ficar sete, oito professores lutando para ter essa sala sem ter alunos que saem, e três ou quatro não entrar nessa conscientização (P. J., 35 anos – E1).
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Open O corpo como espelho do outro: interlocuções entre MerleauPonty e Lacan

Open O corpo como espelho do outro: interlocuções entre MerleauPonty e Lacan

A perspectiva, a distância que posso e preciso manter do objeto não pode ser aplicada ao entendimento sobre o corpo. E esta noção possibilita compreender a própria relação com o objeto. Pois, o corpo em sua perenidade é a garantia que tenho de poder voltar minha atenção ao objeto; só é possível a visada que o homem lança ao objeto porque há um ponto de partida, um corpo que é, que está e que permanecerá, indo assim de encontro ao objeto, que é passageiro. Não posso olhar o horizonte indefinidamente, não posso cheirar uma manga para sempre, mesmo que eu não a coma, não posso sentir o toque do tecido em meu corpo todo o tempo, muito menos a música que me agrada a audição, ainda que eu a ponha para tocar repetidas vezes, o que só demonstraria o fato inexorável de que ela tem fim, ou então não a teria de repetir. O arrulho do pombo, lá fora, e o som das teclas pressionadas reiteradamente enquanto digito também são sensações que me chegam de objetos que, por serem objetos, têm um caráter provisório, passageiro, e assim deve ser, para que eu, a partir de meu corpo próprio que permanece, continue a teclar, formando outras e outras palavras, ouvindo o arrulho de outros – ou do mesmo – pombos, apreciar o cheiro de uma outra manga, e assim por diante. Assim, vemos que a dialética com o mundo parte, de um lado, da perenidade do corpo (o que o filósofo chamará de “permanência”), do
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Bonapartismo e cesarismo nos estudos sobre o período 1930-1964 da república brasileira: alguns apontamentos introdutórios — Outubro Revista

Bonapartismo e cesarismo nos estudos sobre o período 1930-1964 da república brasileira: alguns apontamentos introdutórios — Outubro Revista

Em umaa abrupta e sectária inflexão política, o PCB produziu uma severa autocrítica à sua posição de aliança com a pequena-burguesia e afrouxou seus laços com a ala esquerda do movime[r]

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