Top PDF Liberdade de expressão e discurso de ódio: a proteção às minorias sociais perante a liberdade de expressão

Liberdade de expressão e discurso de ódio: a proteção às minorias sociais perante a liberdade de expressão

Liberdade de expressão e discurso de ódio: a proteção às minorias sociais perante a liberdade de expressão

Também será feita uma análise das manifestações de ódio no meio cibernético, as suas causas e seu impacto social, o que diferencia o ódio nas redes sociais do ódio da vida palpável. Para entender como a utilização dessa tecnologia mudou a dinâmica e a reprodução da discriminação serão observados elementos de alguns casos concretos, inclusive casos judicializados, para verificar como o direito tem enfrentado a questão dos crimes de ódio na internet. No terceiro e último capítulo será feita uma breve comparação quanto ao tratamento dado liberdade de expressão, a sua limitação ou ausência dela perante o discurso de ódio em dois países que foram escolhidos por chamarem atenção pelo modo distinto, praticamente contrário, como lidam com esse tema, Alemanha e Estados Unidos.
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Liberdade de expressão e discurso do ódio: um exame sobre as possíveis limitações à liberdade de expressão.

Liberdade de expressão e discurso do ódio: um exame sobre as possíveis limitações à liberdade de expressão.

Resumo: Numa perspectiva de estabelecer os contornos à Liberdade de Expressão e precisar o seu conteúdo depara-se com o discurso do ódio como manifestação dirigida em especial a gru- pos minoritários da sociedade contemporânea. Para tanto, este trabalho procurou promover, em primeiro plano, um estudo sobre a Liberdade de Expressão, nos moldes liberais. Considerada dessa forma, a Liberdade de Expressão tenderá a admitir o discurso do ódio como manifestação legítima, ainda que com prejuízo aos ofendidos. Por outro lado, quando se trata do esgotamento do paradigma liberal e da afirmação do Estado Social observa-se o reconhecimento pelo Esta- do das assimetrias sociais e o compromisso com a justiça redistributiva. A Liberdade de Expres- são, tutelada pelo Estado Social tenderá a sofrer restrições importantes ao seu poder de autode- terminação, repudiando o discurso do ódio.
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A tensão entre o direito à liberdade de expressão e o discurso de ódio no panorama judicial e democrático brasileiro

A tensão entre o direito à liberdade de expressão e o discurso de ódio no panorama judicial e democrático brasileiro

Em outro caso, no ano de 2003, a Suprema Corte norte-americana entendeu que a lei penal que criminaliza a queima de cruzes com intuito de intimidar um grupo ou pessoa é 17 Fouad Belkacem foi um líder e porta-voz da organização “sharia4belgium”, que propagava e incitava mensagens de ódio contra pessoas que não eram muçulmanas. O maior objetivo do grupo era a transformação da Bélgica em um país islâmico. Porém, após a prisão desse líder o grupo foi dissolvido logo depois. O principal meio de propagação de suas mensagens era pelo Youtube. A Corte Europeia de Direitos Humanos entendeu que as lições de combate e mensagens de superioridade dos muçulmanos em relação àqueles que não cultuavam do Islã feriram valores de tolerância, paz social e não discriminação. O líder Belkacem ao defender a Sharia incitando a violência como forma de defesa da ideia foi considerado, pela Corte como um discurso de ódio, o que motivou a aplicação do artigo 10 da Convenção sobre os Direitos Humanos ao basear suas manifestações na liberdade de expressão, o que foi considerado subversão ao espírito da Convenção.
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Igual consideração e respeito na integridade e liberdade de expressão: o caso do discurso de ódio dis ftrgomesjúnior

Igual consideração e respeito na integridade e liberdade de expressão: o caso do discurso de ódio dis ftrgomesjúnior

O objetivo deste trabalho é contribuir com o debate a respeito da liberdade de expressão através da descrição dos conceitos de justificação e de direito antiutilitarista na obra de Ronald Dworkin, utilizando como exemplo a questão do discurso de ódio. Reconhecendo que a integridade exige que a comunidade trate todos os seus cidadãos com igualdade e que a igual consideração e respeito é o critério teórico para a escolha da melhor concepção de igualdade, esses conceitos ficam mais claros. Através de pesquisa bibliográfica, é desenvolvido um argumento no qual as contribuições de Stuart Mill, analisadas criticamente por Rawls, são visualizadas como referência para a melhor interpretação do conceito de direito antiutilitarista e das justificativas da liberdade de expressão. Tais conceitos, por fim, são utilizados por Dworkin para defender a liberdade de expressão de discursos de ódio contra as críticas de Waldron, que defende a sua criminalização. No caso Ellwanger, julgado no Supremo Tribunal federal brasileiro, os argumentos de Dworkin são pouco utilizados, demonstrando que o Brasil está em uma tradição mais próxima da defendida por Waldron.
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A dignidade da pessoa humana entre a liberdade de expressão e o discurso do ódio

A dignidade da pessoa humana entre a liberdade de expressão e o discurso do ódio

O presente trabalho tem como temas principais a liberdade de expressão, o discurso do ódio e a dignidade da pessoa humana. Pretende-se analisar a importância do direito fundamental à liberdade de expressão, principalmente após a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. A análise da evolução histórica no âmbito mundial e nas Constituições pátrias é importante para saber que, por mais importante que o direito à liberdade de expressão se apresente, ele muitas vezes foi negligenciado. A liberdade de manifestação do pensamento é uma das projeções da liberdade de expressão e foi garantida pela Constituição Federal, que proibiu o anonimato e vedou a censura. A dignidade da pessoa humana é o princípio constitucional brasileiro de maior proeminência. Geralmente a dignidade da pessoa humana é conceituada como o valor intrínseco atribuído ao homem e exclusivo dele. Esse conceito é fruto da filosofia kantiana, que repudia a coisificação do ser humano. O marco histórico da dignidade humana aconteceu com o fim da Segunda Guerra. Vários tratados e Constituições nacionais positivaram o princípio da dignidade. No Brasil, a Constituição o reconheceu de forma inédita em 1988. A dignidade humana é núcleo de conteúdo dos direitos fundamentais e o Estado Constitucional Democrático está firmado nela. Os direitos fundamentais são explicitações da dignidade. A dignidade humana é violada pelo discurso do ódio. O discurso do ódio manifesta ódio, repulsão, menosprezo e intolerância contra suas vítimas. Indivíduos são humilhados, inferiorizados e desqualificados com base em suas características pessoais. A incitação ao ódio é marca do hate speech. O preconceito, a discriminação e o racismo também podem fazer parte do conteúdo da fala odiosa. O discurso do ódio provoca vários danos e promove o efeito silenciador. O debate livre é prejudicado pelo hate speech. A Alemanha e os Estados Unidos são países importantes para o estudo do confronto entre a liberdade de expressão e o discurso do ódio. O sistema constitucional alemão privilegia a dignidade da pessoa humana. A jurisprudência norte-americana privilegia a liberdade de expressão. A internet atualmente é uma das principais ferramentas utilizadas para que os cidadãos manifestem seus pensamentos. O discurso do ódio encontra nas mídias digitais um ambiente favorável para a sua propagação. A liberdade de expressão não é um direito absoluto. O direito fundamental da liberdade de expressão é limitado.
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Liberdade de expressão, Lei de Imprensa e discurso do ódio – Da restrição como violação à limitação como proteção

Liberdade de expressão, Lei de Imprensa e discurso do ódio – Da restrição como violação à limitação como proteção

constitui um dos pilares da democracia, apresentando dupla dimensão, uma subjetiva e individual, a qual demanda abstenção estatal, e outra objetiva e coletiva, que exige do Estado o cumprimento de um papel promocional na sua efetivação. Diante das relevantes funções por ela exercidas, bem como pela grande influência que possui sobre a sociedade, deve ser limitada pelo poder público, de modo a garantir a igualdade material, a dignidade humana e a lisura do debate coletivo. A intervenção estatal na comunicação social assume caráter ambivalente, na medida em que pode caracterizar a censura, acarretando a desnaturalização da liberdade de imprensa, mas também pode representar a limitação protetiva de outros valores constitucionais, bem como da própria liberdade de expressão. A Lei nº 5.250/67, que dava margem à opressão de toda espécie de manifestação do pensamento contrária ao regime autoritário instaurado pela Ditadura Militar, pelo que o STF, no bojo da ADPF nº 130, declarou inconstitucional todos os seus dispositivos. Um dos possíveis limites à liberdade de imprensa consiste na vedação ao discurso do ódio, o qual possui como objetivo precípuo a ofensa a grupos historicamente estigmatizados pela sociedade. Tratados e convenções internacionais de direitos humanos obrigam os Estados a adotarem medidas de limitação ao hate speech, de modo a preservar outros direitos igualmente importantes. Assim, desde que observados os parâmetros de proporcionalidade, o discurso do ódio deve ser proibido, por agredir a dignidade humana e macular o ambiente de deliberação pública.
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Discurso de ódio e liberdade de expressão : permissão, proibição e criminalização no atual cenário sociopolítico ocidental

Discurso de ódio e liberdade de expressão : permissão, proibição e criminalização no atual cenário sociopolítico ocidental

A segunda delimitação parte de uma diferenciação entre insulto e difamação 153 . Para fins do nosso estudo, o insulto é a expressão que choca, ofende ou perturba um indivíduo ou grupo, recorrentemente referido em decisões do TEDH como um tipo de expressão que está albergada pela proteção da liberdade de expressão 154 . Já a difamação é aquela que tem por escopo afetar a reputação da pessoa ou grupo de pessoas, podendo ser expressada em forma de declarações públicas ou privadas. Só nos interessará aqui, no entanto, a difamação que tenha por conteúdo uma generalização que atribua a esse grupo ou a essa pessoa uma característica negativa associada a um estereótipo, sendo esse o elemento identificador dessas expressões 155 . O que queremos dizer é que insultar um indivíduo por motivação de ódio não é o mesmo que difamar uma pessoa ou um grupo de pessoas com base num estigma. As declarações que tenham conteúdo que se possa afirmar serem de ódio serão tendencialmente insultuosas, porém nem todos os insultos, ainda que dirigidos a um grupo estigmatizado, podem ser considerados como discurso de ódio. Aqui vale um juízo de preponderância: se a declaração for dirigida contra um grupo de pessoas e puder ser interpretada como uma associação de características negativas que se atribuam a esse grupo estigmatizado, deverá ser considerada discurso de ódio, se a estigmatização for apenas um elemento motivador da ofensa, tratar-se-á de
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LIMITES ENTRE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O DISCURSO DO ÓDIO: CONTROVÉRSIAS EM TORNO DAS PERSPECTIVAS NORTE-AMERICANA, ALEMÃ E BRASILEIRA

LIMITES ENTRE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O DISCURSO DO ÓDIO: CONTROVÉRSIAS EM TORNO DAS PERSPECTIVAS NORTE-AMERICANA, ALEMÃ E BRASILEIRA

Por fim, o debate acerca dos limites entre a liberdade de expressão e o discurso do ódio é relevante e ganha espaço nas ciências jurídicas porque, embora trate de um problema antigo, algumas questões permanecem sem contornos bem definidos. Uma solução para o fim do preconceito seria a construção de políticas que garantam efetivamente o acesso às mídias e aos meios de comunicação das minorias vítimas de discriminação em nossa sociedade, de modo que as diferentes etnias, religiões, culturas e gêneros, estejam de fato representadas, pois ao assegurar voz e visibilidade a esses grupos é que se ergue uma sociedade igualitária, plural e desprovida de qualquer forma de intolerância.
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Ética, liberdade de expressão e discurso de ódio de gênero em sites de redes sociais

Ética, liberdade de expressão e discurso de ódio de gênero em sites de redes sociais

liberdade de expressão e do discurso de ódio. Por mais que pareça óbvio que proteger cons- titucionalmente o exercício do discurso de ódio – como no contexto dos EUA – não seria ético na medida em que, quando esse tipo de discurso é direcionado para minorias políticas como negros, mulheres e LGBT s, por exemplo, reforça as assimetrias sociais e de poder, con- tribuindo para a manutenção e legitimação do preconceito, limitar ou proibir determina- dos discursos em razão do seu conteúdo pode abrir brechas para que a liberdade de expres- são seja reprimida de maneira extrema, como já vivido no Brasil em períodos ditatoriais, o que tampouco tem qualquer fundamenta- ção ética que a ampare. Não há literatura que proponha uma solução magistral para essa questão e não é nossa pretensão propô-la neste artigo. Não obstante, o que queremos neste trabalho é levantar discussões acerca da temática levando em consideração os pontos de vista social, comunicacional e ético.
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Liberdade de expressão e discurso de ódio referente ao gênero

Liberdade de expressão e discurso de ódio referente ao gênero

Não se pode permitir que, sob o pretexto de resguardar a liberdade de expressão, se veicule esse tipo de discurso, vez que é este deveras danoso a todo o corpo social. Com os crescentes índices de violência de gênero, o combate ao hate speech é fundamental para assegurar o respeito ao princípio da Dignidade Humana e a redução desses índices no futuro. Certo é que, ao eleger tal princípio como fundamento da República, o constituinte logicamente não protege esse tipo de discurso, de maneira que, como enuncia Conrado (2014, p.299): “[...] os vários direitos reconhecidos pela Constituição Federal de 1988 são projeções concretas desse valor hierarquicamente superior e complexo, que pode proteger não apenas a liberdade, mas também as restrições incidentes.” Assim, não deve o Direito proteger discursos odiosos, inclusive porque ao interpretar a norma de forma a privilegiar a liberdade em detrimento do princípio da Dignidade Humana, será esta interpretação inconstitucional. (CONRADO, 2014) Dessa forma é que se faz necessário buscar critérios que em alguma medida sejam objetivos para assinalar um discurso como odioso e assim não merecer proteção do ordenamento.
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os limites da liberdade de expressão e do discurso de ódio racial no Brasil  Tatiana Fortes Litwinski, Lucas Gonçalves da Silva

os limites da liberdade de expressão e do discurso de ódio racial no Brasil Tatiana Fortes Litwinski, Lucas Gonçalves da Silva

De cada um dos temas abordados, destacou-se a contribuição que o estudo propiciou para o campo do conhecimento foco deste Grupo de Trabalho. No artigo “Para além do Branco e do Preto: os limites da liberdade de expressão e do discurso de ódio racial no Brasil”, da UFS, a contribuição da pesquisa foi a inefetividade da Constituição brasileira quanto a questão da liberdade de expressão, devido ao discurso de ódio e racismo implícito presentes nas relações sociais. O Trabalho intitulado “O constitucionalismo democrático no Brasil: entre a crise de representatividade e a participação”, oriundo da USP de Ribeirão Preto, procurou identificar as insuficiências do modelo representativo e como os poderes da República têm legitimidade para aplicar o direito, além de repensar alguns outros valores da Carta constitucional brasileira. O trabalho “Mitigação de normas constitucionais: uma análise hermenêutica sobre a aplicação de princípios e regras” da Universidade Dom Bosco, a partir de pesquisa realizada na Universidade Portucalense, promoveu estudos de julgamentos emblemáticos e recentes do STF, tais como o do cumprimento provisório de sentença, quebra do sigilo bancário pelo Fisco, execução penal entre outros, para verificar o eventual excesso de poderes na hipótese de não haver limites para a ponderação de princípios. A contribuição da pesquisa foi construir um método diferente para compreender as decisões do STF que exorbitam o seu papel de aplicador do direito, atuando, por vezes, como legislador.
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A liberdade de expressão e seus limites: o discurso de ódio voltado às minorias LGBTT

A liberdade de expressão e seus limites: o discurso de ódio voltado às minorias LGBTT

A presente pesquisa versa sobre o Princípio da Liberdade de Expressão e a maneira como ele se relaciona com os demais preceitos de nossa Constituição. No Estado Democrático, podemos observar diversos conflitos entre as normas fundamentais, as quais, por serem harmônicas em um sistema fechado, devem ser balanceadas para aplicação no caso concreto através do Princípio da Proporcionalidade. Especificamente, dá-se destaque aos conflitos gerados pelos embates entre os Princípios da Liberdade de Expressão, Dignidade da Pessoa Humana e Isonomia: com a recente atenção midiática para a problematização do machismo, e a ênfase atual para as discussões de gênero e orientação sexual, o preconceito de gênero aparece como uma nova forma de discriminação, consubstanciado na homofobia e transfobia, revelando problemas tão graves quanto os causados pelo racismo. Como pretendemos demonstrar, tal discurso de ódio frequentemente se esconde sob a máscara da liberdade de expressão para atacar a dignidade do ofendido, sendo necessária a intervenção do Estado por meio do direito, para salvaguardar os direitos subjetivos decorrentes dos Princípios da Isonomia e Dignidade Humana.
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A aplicabilidade da liberdade de expressão em relação ao direito à igualdade e não discriminação: o discurso de ódio sob a perspectiva internacional e no direito brasileiro

A aplicabilidade da liberdade de expressão em relação ao direito à igualdade e não discriminação: o discurso de ódio sob a perspectiva internacional e no direito brasileiro

O presente trabalho acadêmico analisa a problemática jurídica do discurso de ódio, e coloca em evidência um conflito entre o princípio da liberdade de expressão e o princípio da igualdade, em sua vertente da não discriminação. Isto é, o objetivo principal da pesquisa é explorar a relação existente entre liberdade de expressão e direito à igualdade e não discriminação, considerando-se como arcabouço basilar o princípio da dignidade humana, no que concerne ao discurso de ódio. São utilizados como parâmetros jurídicos de análise sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos, em especial o europeu e o interamericano, ordenamentos jurídicos estrangeiros e a perspectiva de concretização no ordenamento jurídico brasileiro. Os ordenamentos jurídicos estrangeiros abordados são o norte-americano e o alemão, tendo em vista a significativa diferença de abordagem da problemática do discurso de ódio nesses dois países. Sob a perspectiva do direito interno, é considerado o emblemático caso Ellwanger (Habeas Corpus nº 82424, do Rio Grande do Sul, julgado pelo Supremo Tribunal Federal), seu histórico e suas repercussões jurídicas, tendo por base a teoria da ponderação dos princípios de Robert Alexy. Os objetivos específicos consubstanciam-se em examinar a evolução histórica da liberdade de expressão, do princípio da dignidade humana e do direito à igualdade, com ênfase na sua vertente da não- discriminação, no âmbito do direito internacional e do Brasil; analisar os tratados, declarações e atos internacionais adotados pelo ordenamento brasileiro, além dos dispositivos constitucionais que abordam a temática; averiguar como os tribunais internacionais de direitos humanos têm aplicado o direito à liberdade de expressão, assim como a atuação do Poder Judiciário nacional em relação ao ordenamento jurídico interno, com ênfase no Supremo Tribunal Federal; e buscar formas viáveis de maximizar a concretização adequada da liberdade de expressão em face do discurso de ódio. A pesquisa é pautada pelo método hipotético-dedutivo, e quanto à sua natureza e procedimentos técnicos, é essencialmente bibliográfica, descritiva e documental. Conclui-se que a hipótese levantada no início da pesquisa (de que quando houver discurso do ódio com teor discriminatório em face de pessoas de grupos minoritários ou vulneráveis o direito à igualdade e não discriminação, com respaldo no princípio da dignidade humana, deverá prevalecer sobre a liberdade de expressão) tem uma incidência de concretização maior ou menor a depender do sistema jurídico em questão.
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Liberdade de expressão não é discurso de ódio

Liberdade de expressão não é discurso de ódio

A liberdade de expressão é alicerce do Estado Democrático de Direito, pressupõe o multiculturalismo e não se confunde com discursos de ódio. O ataque ofensivo às minorias e à intolerância são, na verdade, mecanismos de desconstrução do próprio Estado Democrático de Direito, que tem como pressuposto elementar a visão pluralista. Ao adotar o pluralismo como fundamento, a Constituição estabelece o respeito à liberdade de toda pessoa humana em pertencer a várias comunidades de ordem moral, cultural, espiritual, científica, intelectual e política. O princípio pluralista, no qual se baseia o texto constitucional, é, portanto, cerne indissociável do princípio democrático – base do Estado Democrático de Direito – e não admite o discurso fundado no ódio às diferenças de posicionamento e de concepções de vida em sociedade.
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liberdade de expressão ou discurso do ódio?  Dalvaney Aparecida de Araújo, Erica Patricia Moreira De Freitas

liberdade de expressão ou discurso do ódio? Dalvaney Aparecida de Araújo, Erica Patricia Moreira De Freitas

Observa-se que a afirmação da liberdade de crença e da igualdade de todos perante a lei na Constituição de 1891 ocorreu na concepção de manutenção de regras jurídicas por meio de orientação dos princípios de desigualdade jurídica e hierarquia, em que alguns grupos não se identificavam e suas práticas religiosas eram consideradas criminosas, como já explicitado no caso do curandeirismo. Nesse sentido, o processo de laicização no Brasil operou-se de forma divergente. Num primeiro momento criminalizava as religiões afro, denominando-as de feitiçaria e curandeirismo e, posteriormente, reconheceu-a como religião institucionalizada, o que possibilitou a descriminalização dessas religiões em nome do direito à liberdade de culto. Ressalte-se que a laicização no Brasil, sob um ponto de vista legal, passou por inúmeras controvérsias nos textos constitucionais. Isso porque na Carta de 1934 introduziu-se o princípio de colaboração recíproca entre Estado e Igreja Católica em prol do interesse coletivo no art. 17, inciso III. Posteriormente, a Constituição de 1946 reafirmou que esse princípio estabelecendo que a cooperação entre as partes dar-se-ia numa regulação de comportamentos pautados no dever de proteção e auxílio, numa nítida ideia de subvenção.
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O Proselitismo religioso entre a Liberdade de expressão e o Discurso de ódio: a “Guerra santa” do Neopentecostalismo contra as Religiões afro-brasileiras

O Proselitismo religioso entre a Liberdade de expressão e o Discurso de ódio: a “Guerra santa” do Neopentecostalismo contra as Religiões afro-brasileiras

acerca da tolerância , p. 07 e ss.: “Parece-me que a comunidade é uma sociedade de homens constituída apenas para a preservação e melhoria dos bens civis de seus membros. Denomino de bens civis a vida, a liberdade, a saúde física e a libertação da dor, e a posse de coisas externas, tais como terras, dinheiro, móveis, etc.(...) Mas que toda a jurisdição do magistrado diz respeito somente a esses bens civis, que todo o direito e o domínio do poder civil se limitam unicamente a fiscalizar e melhorar esses bens civis, e que não deve e não pode ser de modo algum estendido à salvação das almas (...). Mas a religião verdadeira e salvadora consiste na persuasão interior do espírito, sem o que nada tem qualquer valor para Deus, pois tal é a natureza do entendimento humano, que não pode ser obrigado por nenhuma força externa. Confisque os bens dos homens, aprisione e torture seu corpo: tais castigos serão em vão, se se esperar que eles o façam mudar seus julgamentos internos acerca das coisas ”.
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A ponderação de Robert Alexy nos tribunais pátrios: a liberdade de expressão e os limites do discurso de ódio

A ponderação de Robert Alexy nos tribunais pátrios: a liberdade de expressão e os limites do discurso de ódio

[...] é evidente que a ampla liberdade de acesso, o anonimato por vezes propiciado pelo próprio provedor, a ausência de ferramenta capaz de controlar manifestações (saudáveis ou não) no ambiente virtual, tudo isso contribui para o incremento de acessos e se apresenta como chamariz eficiente de usuários. [...] Não se conceberia, por exemplo, que a ausência de ferramentas técnicas à solução de problemas em um produto novo no mercado isentaria a fabricante de providenciar alguma solução. Tal como afirmado na instância de piso, se a Google criou um “monstro indomável” é apenas a ela que devem ser imputadas eventuais consequências desastrosas geradas pela ausência de controle dos usuários de sua rede social, os quais inegavelmente fomentam o lucro da empresa. Não fosse por isso, não é crível que uma empresa do porte da Google [...] não possua capacidade técnica para identificar as páginas que contenham mensagens depreciativas à honra do autor, independentemente da identificação precisa, por parte deste, das URL's. [...] Cumpre notar ainda que, no caso de redes sociais , eventuais ofensas à honra de pessoas não podem ser consideradas atos exclusivamente praticados por terceiros (usuários). Evidentemente há a participação instrumental do fornecedor do "ambiente" virtual que, sabedor da potencialidade lesiva do ato e da possibilidade da rápida disseminação da
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Discurso do ódio e islamofobia: quando a liberdade de expressão gera opressão

Discurso do ódio e islamofobia: quando a liberdade de expressão gera opressão

R. Agressão verbal... quando você volta a rememorar essas coisas é complicado porque eu nem sou de chorar, mas quase todas essas agressões eu estava com o meu filho pequeno e ele viu, todas as vezes Hassan viu, e ele ama o que ele é, ele fala: “mãe, eu amo ser muçulmano, não é isso que você me ensina, não e isso que eu aprendo”. Ele chama todo mundo de “tio”, ele chama todo mundo de “tia”. Ele estuda numa escola cristã. O melhor amigo dele é um menino que é testemunha de jeová, o menino é doce, é de um carinho incrível, a mãe dele é uma pessoa finíssima, educada, são pessoas simples, humildes, e assim... elas tinham uma visão do Islam tão diferente do que a gente vive. Elas achavam que a gente ensina os nossos filhos a serem agressivos, que a gente ensina à criança a ter ódio de outra pessoa, e não é nada disso que a gente faz, isso é totalmente o oposto do que a gente aprende dentro da Mesquita, e assim... meu filho com cinco anos de idade ver um homem católico dizer que o governo tinha que pegar todos os muçulmanos que moram na Bahia, amarrar e colocar dentro da Fonte Nova para serem implodidos junto com antigo estágio porque seria menos rato no mundo. Por desse tipo de coisa, meu filho não usa mais “takia” na rua, pois ele tem medo de alguém bater nele. Ele já viu muitas coisas assim.
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Do discurso da censura à censura do discurso: narrativas jornalísticas sobre o direito à liberdade de expressão

Do discurso da censura à censura do discurso: narrativas jornalísticas sobre o direito à liberdade de expressão

Tal princípio impõe ao Estado não apenas o dever negativo de limitar suas ações de controle e administração do discurso público, mas também obrigações positivas no sentido de garantir que nenhum interesse particular se sobreponha ao direito que todos possuem de participar do processo político-democrático de forma igualitária, justa e recíproca. Ou seja, o Estado não pode abstrair-se de refletir sobre a forma como as estruturas políticas, econômicas e sociais (nesse grupo podemos incluir tanto os partidos políticos como os grandes empresários e seus conglomerados comunicacionais) podem deturpar o processo comunicativo com imenso prejuízo para a democracia. É seu dever “interferir” nos processos comunicativos (públicos ou privados) com vistas a garantir espaço absolutamente isonômico às expressões dos interesses de todos os grupos sociais. Tal aspecto assume relevo particularmente importante na proteção do direito de falar e de ser ouvido das minorias e das oposições, assegurando que os mesmos não sejam postos à margem do processo político- democrático (MACHADO, 2002).
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Uma análise rawlsiana dos contornos da liberdade de expressão: breves considerações acerca dos discursos de ódio

Uma análise rawlsiana dos contornos da liberdade de expressão: breves considerações acerca dos discursos de ódio

democraticamente lidar com o problema da intolerância. Superada a questão da igual liberdade passaremos a falar da liberdade de expressão. Para isso, incialmente faremos alguns esclarecimentos de cunho mais geral, introduzindo de maneira crítica importantes conceitos que devem ser compreendidos por aqueles que almejam fazer uma reflexão sobre o tema. E, superado esse ponto, já adentraremos diretamente na temática dos discursos de ódio, primeiramente também de forma conceitual, e posteriormente tentando identificar o que de mais próximo Rawls falou sobre o assunto. Já o terceiro capítulo, que talvez possa ser considerado o ponto central da dissertação, tem como objetivo expor nossa reflexão acerca da regulação dos discursos de ódio em uma sociedade ideal e em uma sociedade real. Para cumprirmos com esse nosso propósito, inicialmente faremos uma explicação sobre as diferenças existentes entre as teorias ideais e não ideais de justiça, focando em pontos que acreditamos serem mais significativos para o nosso objeto de análise. E, feito isso, passaremos a especular como seria a aparência de uma sociedade dita bem­ordenada, em termos de discursos intolerantes para, assim, avaliarmos uma possível justificativa a regulações ou, até mesmo, restrições a esses discursos. O tópico onde faremos a justificativa será subdividido em quatro partes. Na primeira exporemos os argumentos desenvolvidos por Robert Taylor (2012) para a questão, argumentos esses que são contrários a regulação. Na segunda parte passaremos a desenvolver uma resposta parcial aos argumentos trabalhados por Taylor para, só então, iniciarmos a construção de uma justificativa que acreditamos, a partir da ótica rawlsiana, ser plausível para fundamentar esta regulação. Na terceira parte, tentaremos deixar mais claro ainda quais bens políticos e jurídicos são afetados através desse tipo de discurso intolerante, ou seja, quais seriam os danos dos discursos de ódio. Por fim, na quarta parte, tentaremos esclarecer melhor nossos critérios e falaremos de quando, para Rawls, o justo deve prevalecer sobre o bem, e por quê.
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