Top PDF Língua, discurso e política.

Língua, discurso e política.

Língua, discurso e política.

Para discutir a questão das relações entre língua, discurso e po- lítica, é preciso primeiro saber o que é política. Os universos discur- sivos historicamente determinados fornecem categorias que permi- tem fazer um uso intuitivo desse termo: por exemplo, fala-se em gre- ve política em oposição a uma greve reivindicativa; fala-se em Co- missão Parlamentar de Inquérito política, quando se diz ou se in- sinua que sua motivação não é o exercício do poder fiscalizador do parlamento, mas é o jogo eleitoral. Nesse sentido, pode-se dizer que política diz respeito à obtenção, ao exercício e à conservação do poder governamental. Esse é um dos significados que Aristóte- les dá à palavra: “... como foi possível um dado governo, qual foi sua origem e como, uma vez constituído, pôde sobreviver o maior tempo possível.” * A política concerne à esfera do Estado em opo-
Mostrar mais

18 Ler mais

Designação: das categorias da língua às categorias do discurso

Designação: das categorias da língua às categorias do discurso

Merece destacarmos também um aspecto interessante ligado à função de “nomear” que, na tradição gramatical, recebe um tratamento que gera uma imagem insuficiente do processo complexo que é o “ato de nomear”, na medida em que sendo “ato” deveria pressupor um locutor. No entanto, o que se percebe na perspectiva adotada pelas gramáticas tradicionais é que se desvinculam as atribuições da língua das condições e situações variadas de seu uso na interação. Grosso modo, o que se vê por aí é que os nomes servem para identificar os seres; os adjetivos, para qualificá-los; os advérbios, para indicar o modo e as circunstâncias de uma ação, sem mencionar as outras categorias, como é o caso dos verbos que servem para nomear ações, e por aí vai. Ora, essa abordagem apreende a compreensão dessas categorias da língua tratando-as isoladas de sua situação de comunicação. No entanto, o que se viu a partir da designação, mais especificamente, é que, conjuntamente, se podem exercer duas funções - nomear e predicar – seja a partir de uma forma e/ou expressão linguística, seja usando um ou mais enunciados com uma orientação referencial que está investida de certo posicionamento. Como vimos, a designação tem em sua base uma denominação. Assim, uma palavra que é considerada nome, do ponto de vista gramatical, pode ser empregada em um discurso X com determinada intenção para nomear e qualificar ao mesmo tempo.
Mostrar mais

216 Ler mais

O estatuto linguístico de segunda língua e de língua estrangeira do português brasileiro : consonância ou dissonância entre discurso oficial e discurso docente?

O estatuto linguístico de segunda língua e de língua estrangeira do português brasileiro : consonância ou dissonância entre discurso oficial e discurso docente?

Esta dissertação tem como tema norteador o ensino de Português como Língua Adicional para a comunidade surda brasileira e a comunidade de fronteira de Puerto Iguazú - Argentina, por meio da Educação Bilíngue. O objetivo principal da pesquisa foi investigar e compreender como agentes como o Estado, por meio de políticas e planejamentos linguísticos, e profissionais da educação, no caso, professores de escolas bilíngues, têm concebido a língua portuguesa em contextos específicos de bilinguismo, bem como averiguar se existe similaridade entre tais concepções e delas com definições teóricas encontradas em estudos linguísticos. Ainda, como recorte do estudo, selecionamos dois projetos de escola bilíngue para análise, o Projeto Escola Pública Integral Bilíngue Libras e Português-Escrito (2011), idealizado pela FENEIS e implantado por uma escola pública em Taguatinga – DF; e o Programa Escolas Bilíngues de Fronteira - PEBF (2008). Para seu desenvolvimento, situamos nosso estudo na abordagem qualitativa e no eixo teórico da Análise de Discurso Crítica – ADC (Fairclough, 2001, 2003), por concebermos a linguagem como parte da prática social, em diálogo com outros conceitos teóricos, sendo os principais os encontrados na Ecolinguística (Couto, 2009) e nos estudos sobre política e planejamento linguístico (Calvet, 2007), status linguísticos (Cunha, 2007; Brandão, 2017), bilinguismo (Martiny e Menoncin, 2013; Mackey, 1968) e diglossia (Ferguson, 1974). Metodologicamente, adotamos as categorias de análise da Análise de Discurso Textualmente Orientada – ADTO, vertente da ADC (2003). O corpus deste estudo é composto por três momentos: o primeiro, denominado levantamento sociolinguístico, foi realizado através de leituras teóricas sobre as comunidades em questão, sob o construto teórico adotado; o segundo, denominado documentos oficiais; e o terceiro, denominado entrevistas, ambos analisados sob a ADTO. Após a transcrição, a geração e a análise dos dados, pudemos obter os seguintes principais resultados: i) os agentes de políticas linguísticas observaram as realidades sociolinguísticas das comunidades-alvo e as concepções teóricas dos status que uma língua pode receber para a elaboração de suas propostas; ii) as professoras entrevistadas demonstraram ter conhecimento e comprometimento com os documentos oficiais, porém não se abstendo de críticas sobre seus conteúdos; e iii) as professoras entrevistadas também possuem concepções particulares sobre o estatuto linguístico da língua portuguesa em suas práticas pedagógicas. Este trabalho pretende, em suma, contribuir para os processos de elaboração de planejamentos linguísticos e de ensino de português como LA em contexto de bilinguismo.
Mostrar mais

172 Ler mais

Uma língua que não se deixa imobilizar: os processos fonológicos e a noção de língua da análise do discurso

Uma língua que não se deixa imobilizar: os processos fonológicos e a noção de língua da análise do discurso

Apresentamos, neste artigo, um conceito nodal à Análise de Discurso: a noção de língua que, sob esse viés teórico, é de incompletude, de heterogeneidade, não é um sistema fechado nem perfeito, nem pronto, tampouco acabado. Na perspectiva discursiva, a língua é entrelaçada à exterioridade e é concebida como uma materialidade que constrói, que produz sentidos na relação do sujeito com o ideológico e o histórico, em um sistema em constante movimento, logo, passível de falhas, de equívocos como fatos estruturantes, de deslizes. A língua, sob a óptica discursiva, é a materialidade específica do discurso, marca da historicidade inscrita na língua: a língua é passível de rupturas, de fissuras e de brechas por onde sentidos outros transbordam, deslocando-se discursivamente de seu sentido para derivar para um outro.
Mostrar mais

10 Ler mais

Um discurso sobre a escolarização da língua materna: língua, linguagem e lingua(...

Um discurso sobre a escolarização da língua materna: língua, linguagem e lingua(...

Este estudo teve o objetivo de problematizar a maneira como o ensino de língua materna pode funcionar como forma de modelar as subjetividades contemporâneas, nas interações vivenciadas pela criança-aluno que ocorrem na escola, da mesma forma que esse ensino evidencia a modelação das redes locais em relação ao sistema nacional. Em um diálogo cauteloso entre Michel Foucault, a Psicanálise e a Linguística, a teia discursiva que se estrutura a partir de tema tão complexo foi analisada, assim como sua forma de captura dos sujeitos no ambiente escolar e no próprio discurso educacional em vigor. Da análise do discurso foram utilizados elementos para compreender e fazer viver os saberes, postos no currículo de língua portuguesa de uma rede municipal do sistema educacional brasileiro, os quais, tratados como discurso de seus atores sociais sobre o manejo no ensino da língua materna, responderam às seguintes questões: Qual a relevância da comunicação, da linguagem, da língua e dos sujeitos no ensino de língua materna? Como se entende a formação do sujeito de linguagem? Quais são as práticas discursivas desejadas na articulação sujeitos-atores e língua, nas propostas de ensino da língua materna? Qual a importância das diferenças individuais nas políticas de ensino de língua materna? A delimitação dos referenciais teóricos que sustentam o ensino de língua materna como objeto de conhecimento e como estratégia de governamentalidade, no ambiente escolar, a perspectiva do currículo como documento de identidade e a apresentação da rede em discurso sobre o ensino pro-posto desencadearam o entrecruzamento das finalidades, objetivos, conteúdos e orientações didáticas, com os sentidos de língua, linguagem e infância materializados, permitindo pensar que a sujeição às diretrizes nacionais apagou o percurso histórico e a singularidade da rede local, ao mesmo tempo que o controle do discurso prescindiu da subjetividade como agente de expressão. Deste estudo decorreu a constatação de que a língua e a linguagem compõem o cenário de tensões entre os dispositivos de poder e o funcionamento dos sujeitos, assim como a forma pensada de ensinar escolariza a língua e aprisiona a ela e a seus agentes, o que faz pensar que a diferenciação entre língua e linguagem não é algo dispensável de reflexão nos dias de hoje.
Mostrar mais

159 Ler mais

O sentido construído pelo discurso no ensino de língua portuguesa como língua estrangeira

O sentido construído pelo discurso no ensino de língua portuguesa como língua estrangeira

A ANL iniciou com Oswald Ducrot e Jean-Claude Anscombre. Juntos, eles elaboraram a teoria standard, em que os discursos eram encadeados com o conector portanto, explícito ou implícito. Para os autores, o enunciado tem um valor argumentativo, e esse valor argumentativo é a orientação que a palavra dá ao discurso. Então, uma expressão utilizada no enunciado pode permitir ou impedir certas continuações no discurso. Por exemplo, no enunciado Ana está grávida, pode-se assumir as continuações portanto sua família vai crescer; portanto ficaremos sem uma funcionária por seis meses; portanto anda sonolenta; e não se pode assumir portanto ela é infértil; portanto passará a vida toda sem saber o que é ser mãe. Para a ANL, nessa fase havia uma relação de causa/consequência entre os segmentos, expressa pelo conector portanto. Na fase standard, Ducrot e Anscombre criaram conceitos semânticos importantes para a ANL. Nessa fase, foram propostos os conceitos de frase, enunciado, texto, discurso, significação e sentido, que se mantêm nos estudos da TBS. Relembrando o que foi visto anteriormente, a frase é uma entidade abstrata, objeto construído pelo linguista. Enunciado é o que se observa, se escuta, é a frase que se realiza. Texto é um conjunto de frases, ao passo que um conjunto de enunciados, a realização dessas frases, é o discurso. Enunciado e discurso têm um lugar e uma data, um produtor e um ou vários ouvintes. Como se pode perceber, as noções de signo, relação, língua e frase da teoria saussureana encontram-se subjacentes a esses conceitos, mas com nomenclaturas modificadas. Do surgimento do enunciado vem o conceito de enunciação. Para o linguista, o enunciado, produto da enunciação, surge num determinado tempo e espaço. O enunciado é uma representação da enunciação. Desse modo, não é o processo que define a enunciação, mas o produto. Não é o ato, mas o que foi dito. Dessa forma, o objeto de estudo para a ANL é o enunciado.
Mostrar mais

68 Ler mais

'Portunhol': língua, história e política

'Portunhol': língua, história e política

A designação metalinguística consolida-se com o surgimento dos instrumentos linguísticos como a gramática e o dicionário. A produção de um saber linguístico apresenta- nos como as línguas vão se estabilizando na escrita e se organizando a partir de uma norma, que vai conferir-lhes um lugar político ao se tornarem línguas nacionais. O processo de gramatização de línguas vernáculas europeias como o espanhol e o português levou à fixação de um nome, primeiro pela relação com dialeto histórico do qual surgiram e, posteriormente, pela necessidade de sua identificação com os estados nacionais recém- unificados. No caso do espanhol, a denominação da língua também se forjou por meio da força política de uma região, que lutou pela unificação do território aprofundando as relações de poder entre o povo e o império – o castelhano. Esse nome se origina pela identificação com o reino de Castela, funcionando, ao mesmo tempo, como um etnónimo e, logo, como um glosónimo.
Mostrar mais

22 Ler mais

Da linguística da língua à linguística do discurso, e retorno

Da linguística da língua à linguística do discurso, e retorno

O termo linguística tornou-se ambí- guo. A que noção ele nos remete? Em sua estreia, com a chegada do estrutu- ralismo, ele foi reservado para estudos descritivos e não normativos da língua, opondo-se à gramática, dita tradicional. A linguística era, então, a disciplina que analisava os sistemas fonológico, morfo- lógico, sintático e semântico das línguas. E, em seguida, seu domínio se expandiu para os aspectos sociológicos (sociolin- guística), psicológicos (psicolinguística), etnológicos (etnolinguística) da língua, e de suas diversas utilizações: comuni- cacional, conversacional, etnográfica, engendrando correntes disciplinares tais como a semiótica e a análise do discurso.
Mostrar mais

10 Ler mais

Do signo ao texto, da língua ao discurso: de Saussure a Charaudeau

Do signo ao texto, da língua ao discurso: de Saussure a Charaudeau

Para Charaudeau (2008, p. 25), “sentido” de uma palavra é aquele fornecido, normalmente, pelos dicionários, em situação fora do contexto. Já a “significação” de um texto ou de uma conversa é obtida apenas em situação de emprego, no discurso, ou seja, na língua em uso. Nessa perspectiva, a significação não é concebida como uma operação de adição entre signos que teriam, cada um isoladamente, um valor autônomo. Pelo contrário, “a significação é uma manifestação linguageira que combina signos em função de uma intertextualidade particular e que depende de Circunstâncias de discurso particulares.” (CHARAUDEAU, 2008, p. 35). Além disso, segundo o autor,
Mostrar mais

20 Ler mais

A conversão da língua em discurso: enunciar para significar

A conversão da língua em discurso: enunciar para significar

sujeito na conversão da língua em discurso no contexto universitário reside na faculdade humana de simbolizar da linguagem, vinculada a sua propriedade de significar. Disso resulta a consequente conclusão e que “tu é mín ent ”. A m, consideração da língua em emprego, com a abordagem de seus modos de realização (falar, escutar, ler e escrever) nas situações de ensino-aprendizagem em Língua Portuguesa, encaminha a realização de um trabalho docente que priorize a leitura de textos com temáticas relacionadas à profissão-alvo do aluno para que este se integre e se singularize nos valores dessa profissão que antecedem a sua entrada, de fato, nela e um trabalho com produção de textos que valorize a nova realidade que o aluno vivencia, o seu Curso de Graduação e a Universidade, para resgatar os sentidos produzidos para os textos ouvidos, lidos e produzidos em seu curso. Por isso, é importante a proposta de escrita elaborada pelo professor valorizar a história de relações do aluno com o seu mundo acadêmico e com o uso da língua para ressignificá-las. Ganha importância a “e cut ” tent e tu nte fe que, gn f c f l lun em l e aula, procura produzir propostas que convoquem o aluno a colocar a língua em emprego para produzir sentidos a outros por meio de textos, conforme a proposta a seguir:
Mostrar mais

14 Ler mais

Língua, literatura e ensino na perspectiva do discurso

Língua, literatura e ensino na perspectiva do discurso

onvidada a participar, neste simpósio, da mesa-redonda “Língua e literatu- ra: intersecções possíveis”, minha escolha foi a de apontar algumas inter- secções entre literatura, língua e ensino, na perspectiva do discurso, mais especificamente do ponto de vista da semiótica discursiva de linha francesa, com que trabalho. Estou convencida de que as relações entre língua e literatura pas- sam pelos estudos do discurso, dos mais diversos tipos, e de que há uma grande zona de interseção entre a análise do texto e do discurso e o exame e o ensino de literatura. Quatro aspectos da questão foram selecionados:
Mostrar mais

8 Ler mais

Discurso social, história e política no romance histórico contemporâneo de língua portuguesa: Leminski, Lobo Antunes e Pepetela

Discurso social, história e política no romance histórico contemporâneo de língua portuguesa: Leminski, Lobo Antunes e Pepetela

Análise crítica comparativa de três romances históricos contemporâneos de língua portuguesa, publicados no último quartel do século XX: Catatau (1975), do brasileiro Paulo Leminski, As naus (1984), do português António Lobo Antunes, e A gloriosa família: o tempo dos flamengos (1997), do angolano Pepetela. Adotando a metodologia sociocrítica, que considera as obras como práticas culturais das sociedades a que pertencem, parte do discurso social presente nas obras para estudar o aspecto político-ideológico dos procedimentos estéticos, sobretudo os filiados ao pós-modernismo, utilizados para estabelecer um diálogo com a história, que envolve a problematização em torno da formação da identidade. Analisa a ênfase dada a recursos como a auto-reflexividade e a intertextualidade, os quais acentuam a dimensão discursiva, imaginativa e relativa da História, com o fim de explicitar nas narrativas as suas subjacentes concepções de representação, de realidade, de verdade, com os fundamentos epistemológicos do materialismo histórico dialético. A justificativa para essa delimitação deve-se ao gênero das obras, romance histórico, o qual engendra questões relacionadas à construção de um modelo utópico de sociedade e à existência de uma verdade, como se nota na opção pela revisão da História, em meio a um panorama de desencanto das esquerdas com a construção de um projeto alternativo ao hegemônico, da sociedade do sistema capitalista. O objetivo é verificar em que medida se configura nas obras a dialética entre radicalidade estética e ideológica, voltadas para a problematização da condição de dominação do homem na construção da tradição, com o intuito de perceber a validade de se considerar os romances como de oposição à História oficial ou à ordem dominante. A comparação entre os três romances permite defender que todos eles estão voltados para uma oposição à alienação do homem, porém esse posicionamento de esquerda se dá em graus distintos em cada um deles, tendo em vista a utilização de procedimentos identificados com o pós-modernismo, entendidos como alienantes por eles desfocarem a questão central do homem como agente único da praxis, responsável pela transformação da História e capaz de um conhecimento objetivo, racional, verdadeiro, de acordo com os pressupostos do materialismo histórico dialético, com os quais a crítica é fundamentada. A conclusão é de que o Catatau e As naus possuem tanto elementos de resistência à dominação quanto de adesão ao pensamento pós-moderno, que evita as contradições essenciais da alienação. Quanto ao romance A gloriosa família, dentre os três é aquele que mais avança na explicitação de tensões envolvidas na alienação e na expressão estética de uma concepção de homem como sujeito criador e transformador da realidade social, dando, assim, voz aos vencidos, razão pela qual é denominado de romance sócio-histórico contemporâneo.
Mostrar mais

286 Ler mais

Gêneros do discurso e gramática no ensino de língua materna

Gêneros do discurso e gramática no ensino de língua materna

O segundo remete à ausência, neste texto, de uma síntese da fundamentação teórica que embasa as atividades comentadas. Evidentemente, o professor terá de recorrer a conceitos de linguística e de análise do discurso, assim como a manuais de gramática e de estilística. Ele terá de levar em conta as “várias gramáticas” – internalizada, descritiva e normativa – durante a preparação do curso e também durante sua realização. Deve-se explicitar que os exemplos aqui comentados voltam-se para os efeitos de sentido que os recursos linguísticos imprimem ao texto. As classificações metalinguísticas não são protagonistas, mas coadjuvantes do processo. O eixo da proposta é centrado no uso da língua e na utilização dos recursos gramaticais, em função do que vai ser dito e do modo como isso deve ser feito.
Mostrar mais

15 Ler mais

Da língua ao discurso: paradigmas teóricos

Da língua ao discurso: paradigmas teóricos

Em “Do signo ao texto, da língua ao discurso: de Saussure a Charaudeau”, Ilana Silva Rebello apresenta os principais construtos teóricos da semiolinguística desenvolvida por Patrick Charaudeau tendo como fio condutor a noção de signo linguístico. Antes de visitar as bases da semiolinguística, o estudo retoma o conceito de signo sob a perspectiva de Hjlmeslev, Ulmann e Pottier, buscando demonstrar a centralidade desse conceito para o estabelecimento da diferença entre sentido de língua e sentido de discurso. No penúltimo artigo deste bloco, “O ponto de vista do Interacionismo Sociodiscursivo sobre Saussure”, Evandro Gonçalves Leite, Regina Celi Mendes Pereira e Maria do Socorro Maia Fernandes Barbosa discutem de que modo o CLG e manuscritos de Saussure, descobertos posteriormente, influenciam o desenvolvimento do interacionismo de Bronckart. A análise parte do contexto de recepção da obra de Ferdinand de Saussure, para observar de que maneira conceitos como sistema e signo podem ser úteis para elucidar a relação entre as funções psicológicas dos indivíduos e uma dada representação de mundo.
Mostrar mais

6 Ler mais

RELAÇÕES ENTRE LÍNGUA E O REAL DA HISTÓRIA NA ANÁLISE DO DISCURSO

RELAÇÕES ENTRE LÍNGUA E O REAL DA HISTÓRIA NA ANÁLISE DO DISCURSO

A partir dessa conclusão, vemos que estabelecer uma ruptura com a posição saussuriana de língua se torna eminente: como, então, pensar-se a língua? Ela pode suportar ou comportar a ideologia? De que modo a língua se relaciona com o discurso? Como se pode relaciona língua e/ou acontecimento? Sabemos que essas problematizações podem apresentar inúmeros desdobramentos, queremos, por isso, ater- nos a esboçar considerações sobre o deslocamento que a AD, mais notadamente a visão pecheuxtiana, propõe dos postulados da linguística saussuriana. Para tanto, este estudo objetiva-se a fazer uma passagem em noções como, por exemplo, língua, valor, significação, discurso, sentido e história. Consideramos relevante dizer que tocaremos também, de forma singela, em algumas considerações sobre o “real da língua” proposto por Milner (apud PÊCHEUX; GADET, 2004), convém adiantarmos, contudo, que não nos centraremos nela, tomaremos essa noção enquanto posição de interpelação e de deslocamento para se pensar, segundo PÊCHEUX e GADET (2004), o “real da história”. A noção de “real” empregada por Pêcheux e Gadet (2004) remonta a Milner (1987), no emprego de real emprestado de Jacques Lacan. Para Lacan, a
Mostrar mais

13 Ler mais

A NOÇÃO DE LÍNGUA PARA A ANÁLISE DO DISCURSO

A NOÇÃO DE LÍNGUA PARA A ANÁLISE DO DISCURSO

Este estudo possui como escopo responder à questão: Qual é a concepção de língua para a Análise do Discurso (AD) de corrente francesa pechetiana? Propõe-se apresentar, aqui, por meio de pesquisa bibliográfica, um outro olhar para a noção de língua que se traduz em arcabouço teórico, à medida que se está refletindo a acepção de língua na perspectiva discursiva. A AD é um campo de saber específico, contudo, dialoga com a Linguística. Somente se adere à cientificidade pelo conhecimento, nesse sentido, transitar-se-á pelas concepções de língua e como elas se relacionam: língua imaginária, língua fluida, língua materna, língua estrangeira e língua nacional. Percebe-se, ao longo deste estudo, que as diferentes concepções de língua se inter-relacionam, estão imbricadas, coexistem dispos- tas – sobrepostas – umas às outras.
Mostrar mais

12 Ler mais

Lapsos de língua e discurso: uma análise do termo nasciturno

Lapsos de língua e discurso: uma análise do termo nasciturno

é a língua a forma material dessas duas instâncias que, como categorias teóricas da análise do discurso (PÊCHEUX, 1997 [1975]), instauram um trabalho negativo do qual se pode extrair algumas características comuns: tanto o inconsciente quanto a ideologia funcionam por ausência e dissimulação, não apresentam um conteúdo positivo, recuperável ou contornável e são da ordem de uma estrutura que é determinante para o direcionamento das relações sociais e psíquicas. Além disso, do ponto de vista do imaginário, inconsciente e ideologia parecem poder ter seus efeitos amortizados, sendo driblados por estratégias de conscientização, sensibilização ou aprendizagem – aparência sob a qual reside grande parte da eficácia de suas implicações –, mas, de fato, são estruturas- funcionamentos que se sobrepõem aos efeitos da consciência, vontade, neutralidade ou imparcialidade. Dessa forma, a emergência do lapso é compreendida como um acontecimento dessa imbricação na e pela língua, um lugar de materialização de diferentes tomadas de posição e seus conflitos.
Mostrar mais

25 Ler mais

Ensino de língua materna e Análise de Discurso Crítica.

Ensino de língua materna e Análise de Discurso Crítica.

Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin/Volochinov (2002, p.123) aponta a “verdadeira substância da língua” no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. Na filosofia marxista da linguagem, o signo é visto como um fragmento material da realidade, que a refrata, representando-a e constituindo-a de formas particulares, com potencial para instaurar, sustentar ou superar formas de dominação, noção esta que converge com a atual concepção dialética de discurso como (inter)ação, identificação e representação: “a representação é uma questão claramente discursiva, e é possível distinguir diferentes discursos que podem representar a mesma área do mundo de diferentes perspectivas ou posições” (FAIRCLOUGH, 2003, p.26).
Mostrar mais

21 Ler mais

DA GRAMÁTICA AO DISCURSO OU DO DISCURSO À GRAMÁTICA? IMPLICAÇÕES DISCURSIVAS AO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

DA GRAMÁTICA AO DISCURSO OU DO DISCURSO À GRAMÁTICA? IMPLICAÇÕES DISCURSIVAS AO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

O próprio discurso apresentado no início da seção já faz uso de uma modalidade assertiva/epistêmica, afirmando categoricamente o que “será alcançado”, fazendo asser- ções sobre o fato e manifestando a validade do material, induzindo o leitor a crer que a seção mostrará a solução para o problema, comprovando o viés positivista e cartesiano, bem como marcando uma visão que objetiva doutrinar, ao dizer: “Você já sabe que este curso de leitura e produção de textos tem o objetivo de torná-lo um leitor mais atento e um produtor de textos de qualidade.” Observemos como o texto publicitário, na imagem 2, utiliza a linguagem para vender o serviço e traz um discurso engessado e cristalizado, discurso reiterado na imagem 3, nas orientações ao professor.
Mostrar mais

15 Ler mais

Show all 10000 documents...