Top PDF O espaço das classes sociais no Brasil.

O espaço das classes sociais no Brasil.

O espaço das classes sociais no Brasil.

É possível que o maior peso do patrimônio na estrutura do capital nos domicílios nessa zona, em comparação com a zona 9 (mais marcada, como vimos, pelo peso do capital cultural, embora também relativamente rica em capital patrimonial, se considerarmos as demais zonas, com exceção daquela da pequena burguesia urbana), relita essa peculiaridade no processo de recrutamento social dos indivíduos e das famílias que nela se localizam. De fato, é nessa zona que o peso do patrimônio na estrutura do capital se evidencia mais intensamente, o que signiica que os domicílios aí localizados apresentam valores nos indicadores de posse de patrimônio que ultrapassam em larga medida os escores encontrados em outras zonas do espaço social: assim, quase 55% (ante 5,8% na amostra) dos domicílios nessa zona contam com uma casa de veraneio; 41%, com sítio, terreno ou fazenda (ante 9%); 44%, com propriedade para alugar (ante 6%); em quase 48% deles, algum residente possui uma empresa ou é sócio de uma (essa proporção só é ultrapassada na zona 3); 50% contam com dois veículos ou mais. As habitações – em que predominam os apartamentos (51%) – são amplas (46% têm cinco cômodos ou mais). E mais: além do peso desproporcional do pa- trimônio na estrutura do capital desses domicílios, destacam-se os rendimentos de natureza inanceira e monetária: em quase 46% desses domicílios, há rendimentos inanceiros decorrentes de investimento no mercado de ações (ante apenas 3,6%); em 60%, os rendimentos totais per capita ultrapassam cinco salários-mínimos (ante 4,22%). De fato, em termos de qualquer indicador de capital econômico, esses do- micílios se distinguem muito fortemente de quaisquer outros localizados em zonas diferentes: 70% contam com a presença de empregada doméstica ou diarista; 85%, com computador conectado à internet; mais de 82% alcançam o valor mais elevado no índice que mensura a posse de eletrodomésticos e eletrônicos.
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Classes sociais e política monetária no Brasil

Classes sociais e política monetária no Brasil

O Brasil começa a experimentar de modo mais concreto o desenvolvimento de sua base capitalista, com o estímulo das atividades industriais e financeiras, ainda que fortemente vinculadas à expansão das lavouras de café. A Guerra do Paraguai retardou esse processo, o endividamento e alto custo humano de um conflito que não restou vantagem significativa ao país comprometeu as finanças do Império, e o estabelecimento de um sistema monetário sólido e estável foi adiado. Mas as atividades se dinamizaram no final do século, a concentração de capitais se desenvolvia, o trabalho assalariado em ascensão permitia a mobilidade do capital antes fixado nos cativos, os produtores podiam aplicar seus lucros em elementos diversos da remuneração da força de trabalho. “A multiplicação dos bancos, das empresas financeiras em geral, das companhias de seguros, dos negócios de bolsa, permitem captar e mobilizar em escala que se vai fazendo significativa, as fontes da acumulação capitalista” (PRADO JÚNIOR, 2008a, p. 195). O Estado terá papel fundamental nessa acumulação incipiente ao estimular as iniciativas industriais. Em colaboração com o capital estrangeiro, especialmente inglês, serão construídas estradas de ferro, realizado o aparelhamento portuário, obras urbanas, desenvolvimento da rede telegráfica e algumas estradas de rodagem, projetos de porte ainda inacessíveis aos limites do capital privado brasileiro. O consumo interno também se desenvolve, conforme vimos no estímulo à agricultura de subsistência, por conta, em parte, da ampliação do trabalho assalariado, “Crescendo a massa de salários pagos, aumentaria automaticamente a procura de artigos de consumo” (FURTADO, 2007, p. 219), e “a massa de salários pagos no setor exportador vem a ser, por conseguinte, o núcleo de uma economia de mercado interno” (p. 220).
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Classes sociais e eleições presidenciais no Brasil contemporâneo (2002-2010)

Classes sociais e eleições presidenciais no Brasil contemporâneo (2002-2010)

beneficiários seja mormente composto pelos grupos que, sistematicamente, são excluídos do mundo do trabalho formal. Portanto, ao garantir direitos sociais essenciais aos “desconectados” “[...] do sistema social de produção” (SANTOS, 2009, p. 463) e contribuir para aliviar as condições de vida severas por eles experimentadas, é plausível situar tal política no espectro de seus interesses materiais. Esse procedimento, entretanto, não encerra a questão. Embora essenciais, os recursos que auxiliam no alívio das severas condições de existência de parte desses grupos não confluem automaticamente para o que Singer tributa como seu projeto econômico essencial: justamente a inclusão nas relações de trabalho em bases capitalistas. Obviamente, como evidenciam Rego e Pinzani (2013), o Bolsa Família dota os indivíduos de uma maior autonomia em relação à severidade da pobreza e da miséria, o que auxilia no acesso aos postos de trabalho constituídos. Porém, o PBF não é a única variável a incidir nesse processo e, embora abrangente, não é extensível a todos os destituídos. Aliás, a própria condição de destituição pode ser reproduzida no âmbito do assalariamento por intermédio, entre outros fatores, da exclusão da posse de ativos (como a qualificação) ou recursos econômicos materiais (SANTOS, 2009, p. 464). Dessa forma, mesmo que se pudesse arbitrariamente atribuir quais os interesses materiais das posições de classe destituídas brasileiras simplesmente pelo intermédio de definições derivadas de sua inserção no plano da estrutura, o acesso ao Bolsa Família não bastaria para caracterizá-los adequadamente.
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Classes sociais, votos e poder: um espaço camponês

Classes sociais, votos e poder: um espaço camponês

Não haverá dúvidas, por um lado, sobre a necessidade de ter em conta as virtualidades inscritas nas diferentes situações de classe das fracções camponesas, capazes de contribuir para a e[r]

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O possível e o necessário: as estratégias das esquerdas — Outubro Revista

O possível e o necessário: as estratégias das esquerdas — Outubro Revista

que o plano da institucionalidade possa e deva ser usado desde que seja colocado sob a égide do antagonismo classista e de suas práticas políticas. Marx, no famoso Capítulo inédito, afirmou que o capitalismo era pro- dutor e reprodutor das relações sociais capitalistas, vale dizer, das classes sociais. Mostrou que a determinação do processo de valorização era essenci- al para a compreensão de como se realizava o próprio processo de produção. Para sua existência, o capitalismo requeria a presença/fusão dessas condi- ções. Em O capital ele mostrou que o processo histórico da luta de classes conformou o modo capitalista de dominação: o Estado moderno e sua institucionalidade, entendida essa como o locus onde se realiza a dominação classista e não como espaço civilizatório neutro. As instituições são formas da condensação da luta de classes. E, obviamente, as transformações que ocorrem no cotidiano capitalista embora criem contradições e conjunturas sempre renovadas, não alteram essencialmente a natureza de classe dessa forma societária. O fato, por exemplo, da redução numérica dos trabalhado- res fabris de tipo fordista não implica o desaparecimento do trabalho, nem como prática nem como categoria central, para a compreensão da sociabili- dade capitalista. Não suspende os efeitos da teoria do valor (da condensação de exploração/opressão) nem muito menos elimina os efeitos fetichistas da ordem mercantil. É preciso ter sempre em mente uma conhecida afirmação de Marx segundo a qual toda ciência seria desnecessária se essência e aparência coincidissem.
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Trabalho e classes sociais.

Trabalho e classes sociais.

aumenta o poder de compra de bens materiais e o poder de poupança do trabalhador, é claro que aumenta o poder de compra de bens imateriais, abrindo- se assim mais um espaço para a exploração de tipo capitalista. Neste caso em especial, vale a pena uma análise mais detida dos textos de Marx. Numa passagem ilustrativa das possibilidades de produção imaterial, Marx declara: “uma cantora que canta como um pássaro é um trabalhador improdutivo. Se ela vende seu canto é nessa medida trabalhadora assalariada ou vendedora de mercadorias. Mas a mesma cantora, contratada por um empresário que a faz cantar para ganhar dinheiro é um trabalhador produtivo, por que produz diretamente capital” (apud Fausto, 1987, p. 247). Dissecando os momentos constitutivos da passagem, percebemos quatro possibilidades distintas. A primeira, de pouco interesse, trata da produção não propriamente econômica: uma cantora que canta enquanto se banha, ou enquanto cozinha, ou para os amigos, numa festa de aniversário etc., sem dúvida produz o canto, mas numa forma não econômica. Numa segunda possibilidade, a cantora poderá cobrar para cantar, caso em que vende seu canto como um produto imaterial diretamente para o consumidor. Mas a cantora pode também (terceira possibilidade), ao invés de vender o canto como produto imaterial, vender sua força de trabalho para alguém que a utiliza improdutivamente como valor de uso, tornando-se, nesse caso, um assalariado improdutivo (exterior à produção). Por fim, a cantora pode vender sua força de trabalho a alguém que explorará seu talento com objetivo de lucro. Às três últimas possibilidades correspondem as figuras do trabalhador autônomo, do empregado doméstico e do trabalhador
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Assistência de enfermagem em saúde coletiva: entendendo o processo para a aplicação de um instrumento transformador da prática e da teoria.

Assistência de enfermagem em saúde coletiva: entendendo o processo para a aplicação de um instrumento transformador da prática e da teoria.

A com posição da d i me nsão particular é realizada atavésda explicitação da situcionalidade, dinâmica e h istoricidade do processo saúde­ doena nos diferentes grupos sociais, destacando­ se aqUele petencente ao sujeito da i ntevenção. Além disto, há que se considerar a dinâmica situacional e a hitoricidade dos efis reprodutivos de classe e das formas especiais de prática e de ideologia em saúde de distintos grupos sociais. As oganizações e movimentos populares são petinentes a esta dimensão. No Brasil, até este momento, osdados sobre motalidade e mobidade não estão discrimi nados por g rupos sociais (classes sociais) e isto acaba tomando-se o principal obstáculo para a compreensão mais apofundada desta dimensão, assim como para a correspondente interpretação e construção do pojeto de i ntevenção.
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Rev. adm. empres.  vol.25 número1

Rev. adm. empres. vol.25 número1

menos uma dúzia de livros - entre os quais se destacam O Colapso do populísmo no Brasil, Raças e classes sociais no Brasil, Estado e planeja- mento econômico no[r]

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Cenas sociais e espaço de trabalho: homologias na vida profissional de jovens de classes populares.

Cenas sociais e espaço de trabalho: homologias na vida profissional de jovens de classes populares.

Com o objetivo de analisar as estratégias de gestão de recursos no âmbito do trabalho, começaremos reconstruindo a evolução teórica do diagnóstico sobre o processo de modernização como um desenvolvimento que desemboca na constituição de um mundo dividido em esferas. Para isso, retomaremos a contribuição especíica de Max Weber sobre a formação do capitalismo moderno como um processo de racio- nalização e formação de “esferas de valor”. A partir do estabelecimento desse acervo teórico clássico, proporemos algumas ferramentas conceituais para a articulação de explicações sobre a ordem interacional-coniguracional da vida proissional, embora vinculadas à dimensão estrutural das relações entre as classes sociais. Para isso, recu- peraremos especiicamente os desenvolvimentos teórico-metodológicos de Florence Weber, sua proposta de etnograia multi-integrativa e sua noção de cenas sociais, inserindo-os na conceptualização bourdieusiana de espaço social (Bourdieu, 1984).
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A educação do campo no Brasil e a construção das escolas do campo

A educação do campo no Brasil e a construção das escolas do campo

Para essa construção parte-se da compreensão que há uma profunda relação entre escola, agricultura e vida camponesa. Pois, as Escolas do Campo deverão contribuir para a melhoria constante da vida e da realidade dos povos do campo. Para isso é preciso pensar e construir todas as Escolas a partir desta realidade camponesa. Ou seja, trata-se de construir Escolas vivas, ligadas à vida, mergulhadas na realidade dos povos do campo, aprofundando esta realidade e contribuindo para transformar esta realidade e a vida dos povos do campo. Na verdade, é a construção de Escolas que fazem diferença, que estão ligadas, que estão comprometidas, que influenciam e se deixam influenciar pela realidade onde estão inseridas e da qual fazem parte. Assim compreendidas e construídas as Escolas do Campo não se restringirão apenas a um espaço físico, onde se teoriza, onde se “ensina”, lugar do “ócio”. Mas as Escolas se tornarão centros dinâmicos, de irradiação, de reflexão e instrumentos de transformação das pessoas e da realidade.
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A Liga e as lutas sociais no Brasil

A Liga e as lutas sociais no Brasil

Cuba é um capítulo a parte na constituição do temário de A Liga, inclusive por, provavelmente, não ser mera coincidência o “lema irrenunciável de Fidel”: Pátria ou Morte, o lema escolhido como amálgama da luta das Ligas Camponesas e subtítulo do jornal. Não só há eminência qualitativa como quantitativa das notícias sobre a ilha latino-americana socialista. O que não é possível observar, quando o jornal se refere e cede igual espaço aos países socialistas da Ásia e do Leste Europeu, faz-se notório quanto à Cuba: o alinhamento político e ideológico aos ditos cubanos. Desde a organização de um congresso em defesa da autonomia cubana aos discursos de página inteira de Fidel Castro, Cuba tem presença garantida nos números de A Liga, são mais de 80 chamadas 4 .
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Octavio Ianni e o proletariado rural no Brasil — Outubro Revista

Octavio Ianni e o proletariado rural no Brasil — Outubro Revista

Nosso autor, atento à máxima “análise concreta de situações concretas”, retorna ao tema do proletariado rural dez anos após a publicação de A formação do proletariado rural no Brasil. Em 1981, ao publicar A ditadura do grande capital, o sociólogo constatou uma intensificação da tendência observada no artigo de 1971. Do seu ponto de vista, a economia política levada a cabo pela Ditadura, no Brasil, radicalizou a disseminação de relações produtivas especificamente capitalistas em praticamente todo o espaço agrário nacional, nos mais diversos ramos do setor agrícola. A articulação entre indústria e agricultura, sobretudo em razão das exigências do capitalismo monopolista, ingressa noutro patamar de complexidade. Ianni anota:
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Jardins do Éden: Salvador, uma cidade global-dual.

Jardins do Éden: Salvador, uma cidade global-dual.

fortes campanhas publicitárias que exploram a re- lação com o lugar, o valor da vida comunitária, da harmonia e da integração com a natureza, a tranquilidade e a segurança, opondo-se ao “outro” ameaçador genérico, ou seja, a sociedade real, como caracterizam Blakely e Snyder (1997). Assim, a diversidade e o imprevisto apresentam-se como perigos a serem evitados e constituem-se em princí- pios de organização espacial e social dos “lugares” nas cidades. Esses espaços segregados dos condo- mínios fechados, shopping centers, novos “bairros”, no Brasil, desafia a noção de bens públicos e de domínio público. Para Tereza Caldeira (2000), esses condomínios fortificados contribuem para uma “de- mocracia disjuntiva” no Brasil, cujo paradoxo si- tua-se no desencontro ou na separação de uma ci- dadania civil, num contexto de expansão da demo- cracia política, que se expressa nas contradições do espaço público, fragmentado e segregado.
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Classes e práticas sociais.

Classes e práticas sociais.

padrão de distribuição bem definido: as categorias vinculadas ao trabalho manual e aquelas vinculadas ao trabalho não manual ocupam posições relativas opostas no espaço, com empregadores mais próxi- mos aos profissionais. A distribuição das categorias ocupacionais no “mapa cultural” ao longo do pri- meiro eixo indica que os ocupantes das categorias manuais estão relativamente mais desengajados de atividades culturais ou de lazer (como ir a restau- rantes, cinema ou teatro, ler livros, revistas ou jor- nal etc.), são relativamente mais alienados do ponto de vista político (conversam ou leem sobre política raramente), expressam orientações mais tradicionais em relação à criação dos filhos (por exemplo, valori- zação da obediência) e, por fim, estão mais frequen- temente excluídos do consumo de alguns bens. Os profissionais e, em menor medida, os trabalhadores não manuais de rotina têm condições de vida e “es- tilos de vida” que se opõem, sob tais aspectos, àque- les das categorias manuais: posse mais numerosa de certos bens de consumo; engajamento cultural mais intenso (como idas frequentes a cinemas, teatros, restaurantes; leitura frequente de livros, revistas e jornais; prática de esportes etc.); interesse relativa- mente elevado por política e orientações mais “libe- rais” em face dos temas mencionados. 18
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Desigualdades sociais e ação coletiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local

Desigualdades sociais e ação coletiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local

As teorias de Pierre Bourdieu (2000, 1989, 1979) e de Nicos Mouzelis (2008, 1995, 1991) implicam uma rutura com as atuais teorias e paradigmas ainda dominantes, quer para a (re)construção teórica de médio alcance quer no plano metateórico holístico, com decisivos efeitos sobre a análise das relações entre as desigualdades sociais e a ação coletiva. A conceção estrutural, cultural e simbólica do espaço social das classes e a distribuição dos capitais, os campos sociais e a ação do habitus, constituem, no essencial, os principais conceitos da teoria da prática relevantes para a análise da ação coletiva, estes complementados, de modo indispensável, pela teoria das hierarquias sociais de Nicos Mouzelis, na qual a ação coletiva ocupa uma importância uterina e imanente nas relações hierárquicas entre a estrutura e a ação, nos processos da interação social e nas estratégias e nos jogos sociais dos agentes e atores coletivos presentes nos contextos institucionais da modernidade.
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Desigualdades sociais e ação coletiva nas sociedades contemporâneas: a fecundidade teórica de Pierre Bourdieu e de Nicos Mouzelis

Desigualdades sociais e ação coletiva nas sociedades contemporâneas: a fecundidade teórica de Pierre Bourdieu e de Nicos Mouzelis

A partir das teorias de Pierre Bourdieu (2000, 1989, 1979) e de Nicos Mouzelis (2008, 1995, 1991), é proposto um modelo teórico para o estudo da ação coletiva sob a ótica das desigualdades sociais. As suas teorias e enfoques problemáticos fornecem contributos relevantes para um debate atualizado sobre a ação coletiva nas sociedades contemporâneas. A conceção estrutural, cultural e simbólica do espaço social das classes e a distribuição dos capitais, os campos sociais e a ação do habitus, constituem, no essencial, os principais conceitos da teoria da prática relevantes para a análise da ação coletiva, estes complementados, de modo indispensável, pela teoria das hierarquias sociais de Nicos Mouzelis, na qual a ação coletiva ocupa uma importância uterina e imanente nas relações hierárquicas entre a estrutura e a ação, nos processos da interação social e nas estratégias e jogos sociais dos agentes e atores coletivos presentes nos contextos institucionais da modernidade.
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Limites sociais das políticas de educação: equidade, mobilidade e estratificação social – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Limites sociais das políticas de educação: equidade, mobilidade e estratificação social – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Para testagem da relação entre origem e destino, foram produzidos modelos log-multiplicativos por nível educacional e sexo. Os modelos log- lineares são tradicionalmente utilizados no Brasil para análise dos padrões de mobilidade social (Valle Silva, 1979 e 1999; Valle Silva e Pastore, 1998; Valle Silva e Hasenbalg, 2000 e 2003). São adequados para consideração do fenômeno sem as influências e/ou distorções dos efeitos marginais (como as diferenças na magnitude das classes de origem e destino), bem como pela explicitação adequada da força da relação entre origem e destino, uma das principais chaves para a compreensão dos padrões de mobilidade social. Os modelos log-multiplicativos (Unidiff), propostos por Xie (1992), mostram-se também adequados ao fenômeno, com a vantagem da consideração de efeitos em níveis, ou longitudinais, como é o caso dos dados em questão. A alteração da força da relação entre origem e destino ao longo do tempo, tomada em razão dos intervalos entre as diferentes edições da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), é o objeto do estudo log- multiplicativo. Os dados foram produzidos de forma idêntica em diferentes PNADs (1973, 1982, 1988, 1996), em tabelas 9x9 (classes usuais de origem e destino), e acordo com o nível educacional (6) e o sexo (2). Acrescido o efeito das PNADs, as tabelas foram modeladas em quatro níveis 9x9x4, em idêntico número: seis níveis educacionais e dois gêneros. Ao final, foram também produzidas tabelas com dados gerais por escolaridade e gênero.
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Classes sociais na Europa

Classes sociais na Europa

Costa, António Firmino da, Fernando Luís Machado e João Ferreira de Almeida (1990), “Estudantes e amigos: trajectórias de classe e redes de sociabilidade”, Análise Social, 105/106.. Ede[r]

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Significados da cultura entre estudantes de direito.

Significados da cultura entre estudantes de direito.

Os estudantes entendem que existem algumas pessoas que são mais cul- tas que as outras, o que fez com que não tivessem nenhuma dificuldade para responder a questão. Ter mais cultura significa conhecer línguas estrangeiras, ler diversos livros, abordar e dominar diversos assuntos. Alguns estudantes negaram a existência de uma pessoa mais culta do que as outras, mas a maio- ria citou personagens presentes na mídia para hierarquizar os portadores de cultura. Também foram citados jornalistas e apresentadores de televisão em geral, artistas de televisão e pessoas que “estão sempre estudando”. Não houve nenhuma referência a intelectuais ou pesquisadores sem presença na mídia. Nem a pessoas relacionadas a movimentos sociais. A exposição na mídia, principalmente televisiva, é utilizada como critério para atribuição do status de Homem culto; ela parece gozar de legitimidade na definição da hierarquia de cultura no Brasil.
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Piauí : brasilidade e memória no jogo discursivo contemporâneo

Piauí : brasilidade e memória no jogo discursivo contemporâneo

Nas páginas de piauí não há, entretanto, tão somente a desconstrução dos modelos existentes, algumas regularidades na revista – sem colunas ou editoriais, mas com seções – constituem a base do edifício imaginário da nova publicação. Assim, a principal marca constitutiva desse início de piauí é a redefinição do conceito de notícia, com a ênfase nos temas desprezados, cujo exemplo mais simbólico é a rotina do ascensorista de elevador. Esse deslocamento se completa pelo espaço aberto para a ficção. Se piauí busca trazer o relato do dia-a-dia das pessoas comuns, utiliza a ficção para tratar de temas explorados pelo jornalismo convencional a partir de ângulos só possíveis pela literatura. As reportagens reinventam a notícia e a ficção parte de temas freqüentes nas pautas da mídia, como o prefeito corrupto ou o terrorista, mas de modo a iluminar aspectos não contemplados nas reportagens. O jogo proposto por piauí é, assim, a subversão dos gêneros, que se dá tanto no conteúdo temático (afinal, são falsos os roteiros turísticos, bem como as previsões do horóscopo), quanto no empréstimo da estrutura composicional do Jornalismo Literário para relatos ficcionais. Essa subversão aponta para a própria insuficiência das narrativas tradicionais – afinal, todo horóscopo não é falso? Pode o jornalismo dar conta da perplexidade gerada por fatos como o 11 de setembro? Nessa maquinaria, os gêneros são reconfigurados, os signos se abrem a novos sentidos. piauí não é o que parece, é preciso uma disposição de leitura mais crítica, aberta à irrupção de sentidos outros, além do aparente.
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