Top PDF O novo comparatismo e o contexto latino-americano.

O novo comparatismo e o contexto latino-americano.

O novo comparatismo e o contexto latino-americano.

propor alternativas geradas pela análise das práticas sociais e culturais em que se localizam os saberes que foram marginalizados pela episteme hegemônica. Para Mignolo, posicionar-se criticamente no contexto latino-americano sig- nifica analisar o projeto ocidentalista para revertê-lo, buscando, como afirma Zulma Palermo, “as formas de emergência das histórias-culturas alternativas ou marginalizadas tanto por razões de caráter econômico quanto étnico e/ ou genérico” ( PALERMO , 2005: 95). Para pensar de um outro lugar, distinto do eurocêntrico, e para evitar cair em versões da teoria pós-moderna ou pós- -colonial, que podem converter-se em homogeneizações do arremedo, é pre- ciso, como afirma Sara Castro Klarén, nos situarmos em genealogias espe- cíficas, próprias de nossos arquivos locais ( CASTRO - KLARÉN , 1997: 232). O pós-ocidentalismo, nesse sentido, seria a possibilidade de construir epistemologias fronteiriças ou através de fronteiras culturais, e seria um espaço de entrecruzamentos e contactos, ou, como afirma Zulma Palermo, de “fluência, de ‘liminalidade’, da condição paradoxal e potencialmente produ- tiva de estar situado entre dois ou mais terrenos de uma só vez” ( PALERMO , 2005: 98). Esta noção de uma epistemologia fronteiriça já se acha presente há algum tempo na crítica latino-americana, onde se tem buscado inclusive diferençar o conceito do que vem sendo empregado pelos teóricos do pós- -colonialismo, e tem dado frutos interessantes, como, por exemplo, a leitura de Abril Trigo que o vê como “a inscrição de caminhos, múltiplos e borra- dos, sobre um lugar desterritorializado pelo contrabando e pela transmigra- ção” ( TRIGO , 1997: 165). Retomando o conceito de “transculturação”, de Ortiz e Rama, e atribuindo-lhe uma dimensão transnacional, com o obje- tivo de levá-lo a superar as noções de “síntese” e de “autoctonismo” e “nacio- nalismo” sobre as quais havia incidido grande parte das críticas a ele feitas, Trigo assevera que o conceito serviria para expressar o caráter processual dos fenômenos culturais do presente, mas que seria preciso levar em conta algu- mas questões que passa a discutir em seguida, como a substituição da noção de “mestiçagem” pela de “migrância”, ou a de “fronteira” pelo que designa de “fronteria”, ou ainda por uma atenção especial para com os novos modos de hegemonia e de produção cultural.
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Democracia, Constituição e Relações Exteriores: o papel do Direito e da Cidadania no Contexto do Novo Constitucionalismo Latino-Americano.

Democracia, Constituição e Relações Exteriores: o papel do Direito e da Cidadania no Contexto do Novo Constitucionalismo Latino-Americano.

Resumo: Estudos de Direito Constitucional apre- sentam o Constitucionalismo como um processo de evolução linear. Ora, nem sempre essa mesma evolução é encontrada nos países do terceiro mun- do, como é o caso dos países da América Latina. A relação entre o Novo Constitucionalismo Latino- -Americano e democracia surge no centro dos de- bates acadêmicos suscitando a questão central de saber até que ponto a soberania popular pode es- gotar todo o seu exercício de legitimação do poder em um texto constitucional. Caso emblemático é o das normas explicitamente voltadas para orientar as relações externas do país que estabelecem prin- cípios balizadores da ação do Estado, disciplinan- do os procedimentos e competências institucio- nais dos diferentes agentes, organismos e poderes públicos envolvidos na questão. Os Ministérios das Relações Exteriores permanecem refratários a essas influências, mas os movimentos sociais bus- cam alianças com setores do Estado que também querem mais espaço na agenda diplomática. Palavras-chave: Constituição. Democracia. Relações Exteriores. Novo Constitucionalismo Latino-Americano.
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O PAPEL DA CULTURA NO NOVO  LATINOAMERICANO.  Ilana Aló Cardoso Ribeiro

O PAPEL DA CULTURA NO NOVO LATINOAMERICANO. Ilana Aló Cardoso Ribeiro

O presente artigo tem como objetivo explorar novos conceitos de um movimento recente, intitulado de novo constitucionalismo latino-americano, trazendo à baila a questão cultural como uma questão de ordem. A discussão sobre o tema busca abarcar os principais aspectos desse movimento situando nele, a cultura e o que ela representa. Busca-se trazer ao debate importantes questões como, por exemplo, a influência que a cultura tem no processo de formação e construção de uma nova Constituição democrática, bem como a ligação entre a questão cultural e o conceito de democracia. O contexto abarcado é o atual remetendo-se a fatos pretéritos que influenciaram sobremaneira o presente. Conclui-se, portanto que o novo constitucionalismo latino- americano, que tem o condão de refundar o Estado através de uma Constituição inovadora, traz em seu bojo preceitos inclusivos, e por isso agrega conceitos como multi pluri e interculturalidade como valores essenciais para explicar a inserção de grupos outrora marginalizados para o centro dos debates políticos, brindando essas classes com a tão almejada igualdade. E é através da democracia e da igualdade que se vem retomando valores, conhecimentos e práticas ancestrais advindas das comunidades indígenas como, por exemplo, o Sumak Kawsay ou Suma Qamaña (bem-viver) e Pachamama (mãe terra) que foram historicamente excluídos do processo de aplicação e produção do Direito.
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NOVOS PARADIGMAS DO PODER CONSTITUINTE NA AMÉRICA LATINA  Jose Lucas Santos Carvalho

NOVOS PARADIGMAS DO PODER CONSTITUINTE NA AMÉRICA LATINA Jose Lucas Santos Carvalho

Desde meados da década de 1980 a América Latina vem experimentando uma reorientação do fluxo dos processos de ativação constitucional e consequente mudança no conteúdo dessas novas cartas constitucionais. Este novo constitucionalismo latino-americano origina-se de mobilizações populares que desencadearam, de forma mais participativa e democrática, a criação de novas Constituições que buscam refletir a sua realidade social, a partir de novos paradigmas de elementos político-jurídicos como Poder Constituinte, Constituição, Estado e sua organização e direitos fundamentais. Esse novo pensar local pode ser compreendido como uma descolonização do continente e tem como maior desafio a viabilidade prática desses novos institutos, diante da instabilidade político-institucional dos países latinos. Assim, utilizando-se de pesquisa qualitativa, com o emprego de livros, artigos científicos, dissertações e legislação pertinente, o presente trabalho objetiva analisar o processo de ativação do processo constituinte na América Latina, especialmente na Bolívia e Equador para compreender os novos paradigmas do poder constituinte que surgem deste contexto.
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Tania Franco Carvalhal nas trilhas do comparatismo literário latino-americano

Tania Franco Carvalhal nas trilhas do comparatismo literário latino-americano

o foco de análise incorporou, nas últimas décadas, as conexões geográficas à reflexão comparatista, o que possibilitou repensar as relações entre culturas, tradições e literaturas distintas. O deslocamento das bases etnocêntricas que edificaram a Literatura Comparada no primeiro século de sua existência fez emergir no campo epistemológico a discussão mais pontual sobre territorialidades literárias, culturais, geográficas e disciplinares. O próprio percurso histórico da disciplina Literatura Comparada acompanhou o movimento semovente desde o centro europeu para outros espaços e contextos, dentre os quais se destacam os Estados Unidos, a América Latina e a Ásia. É nesse sentido que as mudanças provocadas pela globalização e multiculturalismo fizeram com que a Literatura Comparada abandonasse seu estado de prática coesa e unânime, que comparava exclusivamente autores, obras e movimentos literários e reforçava a identificação arbitrária de estados-nacões com idiomas nacionais e passasse para uma reflexão de natureza mais ampla, em que desponta a re-discussão sobre seu próprio objeto de estudo aliada à tentativa de compreensão das diversas contradições da categoria do literário em diferentes culturas. Nesse contexto, é pertinente a análise de Wladimir Krysinski sobre os novos actantes da Weltliteratur – a saber, o local, o nacional, o marginal, o institucional e o universal – uma vez que os contornos assumidos por uma “literatura mundial” frente aos processos de globalização e mundialização deverá considerar que,
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O NOVO  LATINOAMERICANO: UMA NOVA ABORDAGEM PARA OS ESPAÇOS AGRÁRIOS  Thiago Henrique Costa Silva, Eriberto Francisco Bevilaqua Marin

O NOVO LATINOAMERICANO: UMA NOVA ABORDAGEM PARA OS ESPAÇOS AGRÁRIOS Thiago Henrique Costa Silva, Eriberto Francisco Bevilaqua Marin

Enquanto a repersonalização traz consigo uma nova conceituação de cidadania multiétnica e multicultural, a secundarização da função social da propriedade, que não perde sua importância, mas é apenas mitigada, dada sua intensa relação com a produtividade, frente ao conceito de território, como expressão coletiva de um povo, e o pluralismo, que consiste em compreender os sujeitos em suas diferenças, costumes e modos de viver, construindo uma lógica política-jurídica que respeite as particularidades. Desse modo, o presente artigo visa demonstrar como o novo constitucionalismo modifica, ou deveria modificar, a maneira como se pensa os espaços agrários e o direito que os regulam.
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Os marcos do novo constitucionalismo latino-americano à luz do Estado Plurinacional da Bolívia

Os marcos do novo constitucionalismo latino-americano à luz do Estado Plurinacional da Bolívia

Apesar disso, na própria constituição, contraditoriamente, é possível identifi car literalmente a “República” presente em diversos momentos. Assim, tem-se que foi “uma má interpretação (ou, em todo caso, uma aplicação maliciosa) da refundação do Estado (...) para a conformação do Estado Plurinacional não é necessário aniqui- lar a República” (MOSIÑO, 2017, p. 291). Em suma, fora possível identifi car três dos principais marcos do Novo Constitucionalismo Latino-Americano. Dentre eles, estão: Pluralismo (jurídico, econômico, social e ideológico), alargamento das autonomias lo- cais e democracia intercultural. Todos estes aspectos, fortemente presentes desde o preâmbulo da Constituição da Bolívia de 2009, até as normas procedimentais.
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O intelectual em formação: aspectos de um ser híbrido no contexto latino-americano

O intelectual em formação: aspectos de um ser híbrido no contexto latino-americano

RESUMO: O intelectual possui sua formação envolta a inúmeros questionamentos do que vem a ser um verdadeiro “homem pensante”. Da mesma forma, a identidade cul- tural e intelectual da América Latina perpassa por uma série de (re)afirmações do que é ser latino. Partindo da premissa de que a literatura/cultura latino-americana é caracteri- zada por constituição híbrida, pretende-se, com base nas pressuposições de Said (2005) e Le Goff (2012), problematizar o ser intelectual do cenário latino- −americano, bem como sua prática literária e cultural, além de resgatar sua condição de marginalizado, por meio das teorias de Bhabha (2007), Achugar (2006) e Seligmann (2005). Assim, a partir do global, América Latina, para o local, destaca-se o nome de Cristina Mato Grosso como grande nome da dramaturgia do estado de Mato Grosso do Sul.
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HERMENÊUTICA LATINOAMERICANA E SUA  RACIONAL: a exigência de correção do Direito  Jeferson Antonio Fernandes Bacelar, Frederico Antonio Lima De Oliveira

HERMENÊUTICA LATINOAMERICANA E SUA RACIONAL: a exigência de correção do Direito Jeferson Antonio Fernandes Bacelar, Frederico Antonio Lima De Oliveira

O artigo problematiza a respeito de novos direitos não reconhecidos e não legitimados pela estrutura estatal, ainda que existentes no plano social. Discute se tais direitos podem ser “validados” juridicamente por mecanismos mais céleres e menos traumáticos, condizentes com a democracia vigente na América Latina. Discorre sobre a justificação do Direito e a adequação social para o seu uso racional, por intermédio da moral social e moral crítica. Defende que a positivação e a efetivação de novos direitos se dá pela via hermenêutica, com viés latino-americano, e por um novo constitucionalismo, sem prescindir de uma teoria de aceitabilidade racional.
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O conceito de progressão adquire uma grande importância

O conceito de progressão adquire uma grande importância

para cada resultado esperado estabelecer a progressão descritores que contribuem para que esse resultado atingido.... competências exigidas pela sociedade do momento sejam adq[r]

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WARLESON PERES O IDEAL E O REAL NOS ESTÁGIOS CURRICULARES SUPERVISIONADOS NA UFJF

WARLESON PERES O IDEAL E O REAL NOS ESTÁGIOS CURRICULARES SUPERVISIONADOS NA UFJF

Assim, este trabalho investiga ainda, a gestão desses setores institucionais responsáveis pela orientação pedagógica, bem como daqueles responsáveis pela orientação e[r]

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Competências Nucleares e Níveis de Desempenho

Competências Nucleares e Níveis de Desempenho

Os níveis atingidos por cada sujeito na compreensão do oral, na leitura, na expressão oral, na expressão escrita e no conhecimento explícito determinam o seu nível de mestria lin- guí[r]

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A alegria do evangelho e a eclesiologia do povo de Deus

A alegria do evangelho e a eclesiologia do povo de Deus

Além da temática da libertação, Medellín tem relevância para esse estudo também pelo seu método, e por duas de suas temáticas, a “Pobreza da Igreja” e a “Colegialidade”. O método de Medellín é diferente do documento de Aparecida. Embora ambos utilizem o clássico “ver-julgar-agir”, Aparecida tem um capítulo dedicado ao “ver” global de toda a realidade latino-americana, subdividido na “situação sócio-cultural”, “econômica”, “sócio-política”, “biodiversidade”, “povos indígenas e afro- americanos”. Num segundo momento fará um “julgar” também bastante amplo a partir da ideia de “vida de Jesus Cristo nos discípulos missionários”, para depois o “agir” trazer orientações pastorais. Medellín diferentemente de Aparecida, tem capítulos menores onde se trata diretamente as temáticas pastorais, aplicando a cada um dos temas o método de “Ver-Julgar-Agir”. Essa “setorização” da reflexão de Medellín pode diminuir a visão de conjunto e talvez a penetração teológica, mas não se pode negar que é muito mais pastoral, prática e objetiva. Isso se justifica por causa das finalidades diferentes dos dois documentos. Medellín procura incidir diretamente na recepção e na prática eclesial conforme as diretrizes do Concílio. O documento de Aparecida vem continuar a
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Variações Sobre o Tema: Opinião Pública

Variações Sobre o Tema: Opinião Pública

O milionário latino-americano era tão milionário e tão latino- americano que não se preocupava absolutam ente com o problema, pois con­ trolava os instrum entos de [r]

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Educ. rev.  número especial .2

Educ. rev. número especial .2

A terceira vertente seria a dos críticos da colônia, na qual encontramos iguras como Bartolomeu de las Casas e Guaman Poma de Ayala. Mas havia também mulheres pouco lembradas. Trazemos, por isso, à lembrança Sor Juana Inés de la Cruz (1651-1695), que desaiou a sociedade patriarcal de sua época ao estudar e discutir em pé de igualdade com os intelectuais. Fazia-o com grande astúcia, como quando diz para seus interlocutores: “Yo no estudio para escribir, ni menos para enseñar, que fuera en mí desmedida soberbia, sino sólo por ver si con estudiar ignoro menos” (CRUZ, 2001, p. 32). Diz que, devido à grande inclinação para as letras, chegou a pedir a Deus que apagasse a luz de seu en- tendimento, uma vez que, segundo alguns, este era desnecessário ou inclusive prejudicial. No entanto, em seguida apresenta um rol de mulheres bíblicas com virtudes que diicilmente poderiam ser negadas pelas autoridades eclesiásticas: Débora, ditando leis e governando o povo; Abigail com seus dons proféticos; Éster com sua capacidade de persuasão; Ana com sua perseverança; entre outras. Por im, temos a vertente do pensamento de emancipação e de constituição das novas repúblicas latino-americanas, na qual encontramos iguras expressivas como José Martí, em Cuba, Domingo Faustino Sarmiento, na Argentina, e José Pedro Varela, no Uruguai. Dentre todos eles, no entanto, destaco o mestre de Simón Bolívar, Simón Rodríguez. Ele compreendeu em profundidade o pecado original do ser colônia:
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Ficha catalográfica CONPEDI  Conselho Nacional de Pesquisa e Pósgraduação em Direito

Ficha catalográfica CONPEDI Conselho Nacional de Pesquisa e Pósgraduação em Direito

1. Direito – Estudo e ensino (Graduação e Pós-graduação) – Brasil – Congressos internacionais. 2. Constitucionalismo. 3. Pluralismo jurídico. 4. Diferenças. 5. América Latina. 6. Novo Constitucionalismo Latino-americano. I. Congresso Internacional Constitucionalismo e Democracia: O Novo Constitucionalismo Latino-americano (6:2016 : Rio de Janeiro, RJ).

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As posições do discurso latino-americano

As posições do discurso latino-americano

Por outro lado, o uso constatativo do registro duplo é de imenso interesse. Lembremo-nos que o conceito ocorreu a DuBois não como construto a priori, mas como resultado de uma vivência empírica que, a cada vez, exigia seu posicionamento a partir de uma de suas inscrições: a de intelectual de uma potência econômica plenamente identificado com seu tempo e a de minoria oprimida, excluída do imaginário da cultura em que se encontra imerso. Filho de uma cultura e ponto cego dessa mesma cultura. A todos nós latino-americanos, que somos obrigados a dizer com Borges que a cultura europeia “nos pertence toda”, já que esse pertencimento não se dá como pressuposto, a sensação é conhecida. A noção de ser um Outro na cultura mesma em que nos espelhamos fatalmente nos leva a viver uma consciência dupla. A constatação dessa ambivalência de base garante por si só uma perspectiva crítica com relação a cada uma dessas identificações. Vale dizer: a questão da identidade passa a ser colocada em termos de identificação.
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PEDRO HENRIQUE BARBOSA DE ABREU

PEDRO HENRIQUE BARBOSA DE ABREU

Ao analisar as atitudes do agricultor familiar na atividade de aquisição de agrotóxicos é preciso considerar, principalmente, as características de renda e escolaridade discutidas no item 5.2. Inserido dentro de um modelo de produção onde o uso de agrotóxicos é convencional e de um contexto de renda familiar limitada, o agricultor familiar n ão pode ser responsabilizado por não “optar” pela contratação de um Engenheiro Agrônomo particular para a avaliação de sua lavoura e obtenção da receita agronômica antes da compra do agrotóxico, sendo que os estabelecimentos comerciais disponibilizam “gratuitamente” este serviço. Ele também não pode ser responsabilizado pelo reduzido número de técnicos da Emater local, pela inexistência de programas desta instituição, assim como das Secretarias de Assuntos Rurais e de Saúde, para o controle efetivo da comercialização de agrotóxicos no município e pela prática de venda agressiva realizada pelas indústrias químicas, que utilizam as campanhas de “uso correto e seguro” como “estratégia de marketing para divulgação dos „esforços‟ realizados pe lo setor na „tentativa de resolução dos problemas causados pelos usuários‟” 94 .
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LITERATURA NA PERSPECTIVA DE OLHARES COMPARATISTAS

LITERATURA NA PERSPECTIVA DE OLHARES COMPARATISTAS

por categorias como identidade, cultura nacional, minorias, partindo de um lócus próprio, pesquisadores latino-americanos provocam mudanças no sentido e objeto da literatura comparada, isto é, centram no local e tomam a obra literária como um produto cultural (não somente estético), vista na sua relação com outras áreas do saber. Essa visão matizada deu lugar a novos estudos comparatistas que, pelo vigor das questões abordadas e pela coerência das concepções não mais dicotômicas, tem levado a um processo de revisão do ideário canônico, da hegemonia das culturas colonizadoras e da problematização mesma das culturas latino-americanas marcadas pelas diferenças, razão porque o diálogo que se impõe é transcultural.
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O ACESSO À JUSTIÇA DOS POVOS INDÍGENAS E O NECESSÁRIO DIÁLOGO COM O NOVO CONSTITUCIOANALISMO LATINO-AMERICANO

O ACESSO À JUSTIÇA DOS POVOS INDÍGENAS E O NECESSÁRIO DIÁLOGO COM O NOVO CONSTITUCIOANALISMO LATINO-AMERICANO

Estes grupos sociais necessitam de um olhar diferenciado do Estado, o que os autores Latino-Americanos (Santa Maria, 2010; Fajardo, 2011; Wash; 2010) tem chamado de “diálogo intercultural”, deste modo, na reflexão sobre o acesso à Justiça no Brasil, não basta pensar tão somente no livre acesso do cidadão e especialmente nesta pesquisa dos povos indígenas ao Poder Judiciário, pois o acesso em si não significa decisões mais justas, plurais, emancipatórias e interculturais, mas pode significar a reprodução de uma relação do Estado-Juiz com os povos indígenas de forma colonial, monista e preconceituosa, que pode mais a vir a negar direitos, do que propriamente reconhecê-los e efetivá-los.
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