Top PDF O sacrifício da literatura.

O sacrifício da literatura.

O sacrifício da literatura.

Num dos textos em que Derrida associa a literatura ao segredo, ao mesmo tempo em que ressalva que a possibilidade do apareci- mento de uma leitura literária existe para qualquer texto, a culpa é associada a uma possível genealogia abraâmica da literatura, o lite- rário visto como a tentativa de secularização de uma revelação santa ou divina.* A literatura seria assim mais uma versão do sacrifício praticado por Isaac, dessacralizando as sagradas escrituras e expon- do-as ao mundo. Com esse sacrifício, a literatura gera espectros dos textos sagrados, contaminando com fantasmas de seu ente amado e sacrificado (sacrificado por ser amado) o espaço supostamente secu- larizado da modernidade. As ruínas desse processo seriam visíveis em nossa relação com a obra literária, nossa atenção a seus deta- lhes e esperança no aparecimento durante a experiência de leitura de uma espécie de revelação. A literatura, sugere Derrida, passa a ser sempre um pedido de perdão pela traição de sua origem santa (quando não é, seria possível acrescentar, um pedido de perdão por sua origem, isto é, por não tê-la traído suficientemente e preservar demasiados elementos religiosos).
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Sacrifício rei, estado ruandês e genocídio.

Sacrifício rei, estado ruandês e genocídio.

Em contraste com as análises do genocídio ruandês de 1994, que privilegiam o político, este artigo sustenta que o poder e a política durante o tempo que precedeu o genocídio foram afetadas por noções ruandesas específicas de cosmologia e ontologia. Para entender esse com- ponente “imaginário” da violência, precisamos examinar atentamente as crenças e práticas relacionadas com a instituição da realeza sagrada em Ruanda. Embora essas crenças e práticas foram oficialmente encerradas em 1931, quando o último rei de Ruanda sagrado foi deposto e substituído por seu filho educado por missionários, a sua matriz cosmológica manteve-se em tempos recentes. Isto pode ser visto na literatura popular de rua Ruandesa, que circulou ampla- mente nos dias que antecederam o genocídio. Nessa literatura, o então presidente Juvenal Habyarimana era comparado explicitamente a um rei ruandês. Mais importante ainda para os objetivos deste artigo, foi a comparação mais difusa, implícita, e simbólica entre Habyarimana e um rei sagrado. Em particular, alguns dos elementos-chave neste simbolismo iluminam (e mostram a importância da persistência) da imagem de como um rei (ou presidente) deveria se comportar. Como havia muitos jornalistas ruandeses reacionários (e racistas) que tinham co- meçado a duvidar da capacidade do presidente Habyarimana de ser um “bom rei”, seu “sacrifício”’subseqüente estava, em um sentido simbólico, fortemente predestinado.
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A paródia do sacrifício na comédia antiga

A paródia do sacrifício na comédia antiga

Na antiguidade muitos autores trataram do tema do sacrifício; e, assim, a natureza da oferenda é variada poden- do, o elemento sacrificado, ser um animal ou um homem. Muitas são as passagens na literatura grega do momento do sacrifício. Num episódio da Teogonia, o qual é retomado nos Trabalhos e Dias, Hesíodo narra a estória de como Pro- meteu, rivalizando-se com Zeus, imola-lhe um boi como ví- tima; na Ilíada e na Odisséia, de Homero, as cenas do ritual sacrificial se repetem; os mesmos temas também estão pre- sentes nos poetas trágicos e no filósofo Platão 3 . Há, toda-
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Aposta no sacrifício e no lado implacável do Outro.

Aposta no sacrifício e no lado implacável do Outro.

Doação de um bem que é sacrificado pelo gozo, ponto no qual, como subli- nha Lacan no Seminário da Ética, o desejo ali se perde atrás de um bem. Franco perfil de usufruto de um gozo que prima em tal concessão. Assim, o sacrifício persegue, em um só movimento, duas operações: captar a falta do Outro, mas para encobri-la, para velar sua inconsistência, ou, extremando nossa posição, a inexistência do Outro (Lacan, 1959-1960/1984).

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O sacrifício de Abraão e suas sombrias possibilidades visuais

O sacrifício de Abraão e suas sombrias possibilidades visuais

O   segundo   quadro,   pertencente   ao   acervo   da   Galeria   dei   Uffizi,   em   Florença,   e   realizada   em   1603,  parte  de  uma  série  de  pinturas  provavelmente  encomendadas  a  Caravaggio  pelo  cardeal   Maffeo   Barberini,   futuro   Papa   Urbano   VIII.   Para   os   estudiosos,   o   quadro   não   apresenta   o   questionamento  quanto  a  sua  autoria  da  representação  anterior.  Na  cena,  o  jogo  de  claro-­‐‑escuro   cria  uma  tensão  dramática  deslocada.  Novamente,  temos  duas  duplas,  anjo-­‐‑cordeiro  e  Abraão-­‐‑ Isaac,  mas,  nessa  representação,  o  rosto  sereno  do  patriarca  contrapõe-­‐‑se  à  desesperada  feição   de  Isaac.  A  tensão  se  estabelece  exatamente  por  esse  contraste:  finalmente,  temos  a  visão  de  que   a  vitimado  sacrifício  também  pode  ter  lutado  ou  protestado  contra  a  morte  arquitetada  à  sua   revelia,   uma   vez   que   esse   detalhe   da   cena   não   aparece   no   texto   bíblico,   cujo   signo   essencial   muito  bem  percebido  por  comentadores  como  Kierkegaard,  é  o  não-­‐‑dito.  Assim,  trata-­‐‑se  de  um   contraste  entre  o  terror  e  a  plácida  beleza  bucólica.  O  rosto  de  Abraão  é  sereno  e  compenetrado,   enquanto  o  de  Isaac  exprime  o  terror  puro.  Diante  dessa  oposição,  em  termos  radicais,  temos  o   rosto  semioculto,  no  jogo  de  claro  e  escuro,  do  anjo,  que  se  torna  a  metáfora  visual  perfeita  da   divindade  cujos  desígnios  são  inescrutáveis.  
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Japão milagre econômico e sacrifício social.

Japão milagre econômico e sacrifício social.

Para Druker 2, grande parte da sur- preendente produtividade do Japão no pós-guerra pode ser explicada pela dife- rença de salários entre trabalhadores mais jovens e trabalhadores mais a[r]

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Razão de sacrifício em países emergentes e em desenvolvimento

Razão de sacrifício em países emergentes e em desenvolvimento

Calcula-se a razão de sacrifício, com o propósito de se investigar se a razão de sacrifício de países emergentes e em desenvolvimento é afetada pela velocidade de desinflação, pelo fato de um país adotar o regime de metas de inflação e de ser de renda alta e pela variação da taxa de câmbio. A estimação via Mínimos Quadrados Ordinários (MQO), controlando-se o viés de seleção, por meio do procedimento de Heckman e também o nível de renda dos países, mostrou que a razão de sacrifício seria decrescente na velocidade de desinflação e na variação da taxa de câmbio real e crescente com o fato de um país ser renda alta, mas a razão de sacrifício não seria afetada se um país adotar o Regime de Metas de Inflação (RMI).
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O primado da política: revolução permanente e transição — Outubro Revista

O primado da política: revolução permanente e transição — Outubro Revista

Era contra essa coexistência pacífica que Trotsky lutava. Ele via na revolução mundial a única tábua de salvação para a sociedade soviética. Era a possibilidade que ela tinha de romper o[r]

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Á Procura dos Fundamentos da Indeminização pelo Sacrifício  

Á Procura dos Fundamentos da Indeminização pelo Sacrifício  

45 Ainda assim, há quem tenha um entendimento diverso. Neste seguimento, VIEIRA DE ANDRADE 202 , alerta para a sobrevalorização do alcance normativo do direito de propriedade privada 203 ao afirmar que embora o direito de propriedade “não se restrinja ao direito civilístico de propriedade, [o mesmo]não abrange seguramente (…) todas e quaisquer faculdades de uso e fruição (menos ainda, de transformação) do solo, nem qualquer dimensão subjetiva patrimonial da vida económica, mas apenas aquelas dimensões que, tal como o direito a não ser privado da sua propriedade (a não ser mediante justa indemnização), sejam essenciais à realização da autonomia do homem como pessoa.” 204 . Conclui que é por isso ilegítimo “retirar da Constituição a exigência de que toda a lesão ou qualquer sacrifício lícito de direitos patrimoniais privados originados pelo Estado […] tenha de obedecer ao modelo de indemnização integral e concomitante decorrente do n.º 2 do artigo 62.º” 205
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REFLEXÕES SOBRE O FLUXO ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO: O CASO DA ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE TANCREDO NEVES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

REFLEXÕES SOBRE O FLUXO ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO: O CASO DA ESCOLA ESTADUAL PRESIDENTE TANCREDO NEVES – Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública

Esta dissertação analisa o fluxo dos alunos de ensino médio da Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, entre os anos de 2013 a 2016, bem como investiga as p[r]

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Dominios da Historia   Ciro Flamarion Cardos

Dominios da Historia Ciro Flamarion Cardos

As fontes das organizações de industriais e comerciantes como, por exemplo, relatórios e publicações do Centro Industrial do Brasil, do Centro de Fiação e Tecelagem de Algodão [r]

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COMO SE ESCREVE A HISTÓRIA

COMO SE ESCREVE A HISTÓRIA

bons e que nós os renegamos com razão. Dizer quais eram os valores do passado é fazer história dos valores. Explicar uma derrota ou a atrocidade de um sacrifício de crianças pela ignorância dos verdadeiros princípios estratégicos ou morais é também um julgamento de fato; é a mesma coisa dizer que a navegação, como era antes do século XIV, se explica pela falta de conhecimento da bússola: o que significa somente que ela se explica pelas particularidades da navegação, pelas estrelas. Registrar uma diferença entre valores dos outros e os nossos não é julgá-los. É verdade que certas atividades - a moral, a arte, o direito etc. - só têm sentido em relação a normas e que isso é um estado de fato: sempre os homens distinguiram um ato com valor jurídico de um ato de violência, por exemplo; mas o historiador contenta-se de narrar como fatos seus julgamentos normativos, sem pretender confirmá-los ou rompê-los. Essa diferença entre julgamentos de valor propriamente ditos e julgamentos de valor narrados parece-nos muito importante para nosso problema. No seu belo livro Droit naturel el Histoire, Leo Strauss lembra que a existência de uma filosofia do direito se tornaria absurda se ela implicasse uma referência a um ideal de verdade, fora de todos os estados históricos do direito; o antihistorismo desse autor lembra o de Husserl em Origine de la géométrie ou em La Philosophie comme science rigoureuse: a atividade do geômetra tornar-se-ia absurda se não existisse uma geometria perennis fora do psicologismo e do sociologismo. Como não acreditar? É preciso, entretanto, acrescentar que a atitude do historiador é diferente da do filósofo ou da do geômetra. O historiador, diz Leo Strauss, não pode deixar de formular julgamentos de valor, senão não poderia nem mesmo escrever a história; digamos que ele narre os julgamentos de valor sem julgá-los. A presença de uma norma de verdade em certas atividades basta para justificar o filósofo que invoca esta presença e procura esta verdade; para o historiador esta presença de facto dos transcendentais no coração dos homens é apenas uma constatação; os transcendentais dão à filosofia ou à geometria - ou à história que contém seu ideal de verdade - um caráter particular, do qual o historiador não pode deixar de levar em conta o que aqueles que cultivam essas disciplinas quiseram fazer, quando ele resolve escrever a história.
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O TEMPO DA HISTÓRIA

O TEMPO DA HISTÓRIA

Agradecemos a Marie-Rose Ariès por ter tido a gentileza de nos comunicar esse dossiê que comporta recortes de imprensa e cartas de agradecimento e foi composto pelaesposa[r]

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A Memoria Coletiva   Maurice Halbwachs

A Memoria Coletiva Maurice Halbwachs

Não falemos de valores, mas de preços, já que no final das contas, é o que nos é dado. Os preços estão ligados às coisas como rótulos: mas entre o aspecto físico de um objeto e seu preço, não há qualquer relação. Seria diferente se o preço que um homem dá ou está prestes a .dar a uma coisa, correspondesse ao desejo e à .necessidade que dela experimenta, ou ainda, se o preço pedido por ela medisse o seu trabalho e o seu sacrifício, quer renuncie a este bem, quer trabalhe para trocá-lo. Sob esta hipótese, não haveria lugar para falar de uma memória económica. Cada homem avaliaria os objetos conforme suas necessidades do momento e o sentimento atual do esforço que tivesse despendido para produzi-los ou para deles se privar. Mas, não é assim. Sabemos que os homens avaliam bem os objetos, e também as satisfações que sentem pelo esforço e o trabalho que eles representam, de acordo com seus preços, e que esses preços são estabelecidos fora de nós, em nosso grupo económico. Ora, se os homens decidem atribuir assim tais preços aos diversos objetos, não é, sem dúvida, sem se referir, de alguma maneira, à opinião que reina em seu grupo, no que diz respeito à utilidade desse objeto e à quantidade de trabalho que ele implica. Porém, essa opinião, em seu estado atual, explica-se, sobretudo por aquilo que era antes, e os preços atuais pelos preços anteriores. A vida económica se baseia portanto sobre a tabela dos preços anteriores e, pelo menos, sobre o último preço, ao qual se referem compradores e vendedores, isto é, todos os membros do grupo. Mas essas lembranças então se sobrepõem aos fins atuais através uma série de decretos sociais: de que modo, então, o aspecto dos objetos e sua posição no espaço bastariam para evocar essas lembranças? Os preços são números, que representam medidas. Mas, enquanto os números correspondentes às qualidades físicas da matéria, estão de algum modo, contidas nela, já que podemos encontrá-los observando-a, por sua vez, no mundo econômico
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA JONAS CORDEIRO DA SILVA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA CENTRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROFISSIONAL EM GESTÃO E AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA JONAS CORDEIRO DA SILVA

A Escola Estadual Médio Solimões (EEMS), objeto deste estudo, é considerada uma escola de médio porte, segundo a classificação estabelecida pela Secretaria de Educ[r]

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SILVANA MARIA CAIXÊTA A FORMAÇÃO DE GESTORES DE ESCOLA E O DESENVOLVIMENTO DO PERFIL DA GESTÃO PEDAGÓGICA: O CASO DA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE ENSINO DE UNAÍMG

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De acordo com o Consed (2011), o cursista deve ter em mente os pressupostos básicos que sustentam a formulação do Progestão, tanto do ponto de vista do gerenciamento qua[r]

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Brecht e o realismo da resistência ao fascismo — Outubro Revista

Brecht e o realismo da resistência ao fascismo — Outubro Revista

Dito de outra maneira, diferentemente do caráter fortemente ilusionista do drama burguês cujo objetivo central é mostrar ações como se elas fossem a realidade e sempre tendo [r]

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Sob o véu da mundialização: crise, imperialismo e guerra — Outubro Revista

Sob o véu da mundialização: crise, imperialismo e guerra — Outubro Revista

A violência do projeto imperialista, imanente à expansão do capital financeirizado, sem dúvida reforçará as resistências e as lutas sociais de uns três quartos da humanidade, esmagad[r]

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RIO GRANDE (RS): UMA "ZONA DE SACRIFÍCIO"

RIO GRANDE (RS): UMA "ZONA DE SACRIFÍCIO"

O termo ou a definição de "zona de sacrifício" ou "paraíso de poluição" utilizado neste trabalho foi cunhado por Acselrad (2004a, p.13) para definir a região do "município de Itaguaí (áreas da Ilha da Madeira e do entorno do Porto de Sepitiba) e a Zona Oeste do Rio (Santa Cruz e parte de Campo Grande)" e também o "distrito de Adrianópolis, em Nova Iguaçu, localizado no entorno direto da Reserva Biológica do Tinguá", que, quando analisadas, apresentaram uma quantidade significativa de indústrias e de práticas ambientalmente ameaçadoras num mesmo território, e que atingiam sobremaneira populações de baixa renda.
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